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Uma espécie de carta aberta a alguém

por Manuel AR, em 30.03.20

Carta aberta.png

É curioso que até nesta fase das nossas vidas alguém protesta com tudo, diz mal de tudo, parece sugerir a desobediência, a revolução já. Denuncia erros do passado e diz que tem propostas que já apresentou, mas a que ninguém liga. Elogia uns, ataca outros, aponta o dedo a mais alguns, sejam pessoas, sejam governos, partidos e tudo o mais o que escolher como alvo. Normalmente quase ninguém lhe escapa. Nem agora abrandou face aos graves perigos para a saúde em que temos todos que estar em consonãncia em relação a este combate. 

Propostas? Que propostas? A sua finalidade é dizer sempre mal de tudo e de todos, exceto apoiar greves, quaisquer que sejam, mesmo em tempos de ansiedade e perigosos para o povo, para todos, enfim.

Os seus trabalhos merecem todo o mérito académico, mas são de diagnóstico e as soluções que diz apresentar são inexequíveis na prática, mesmo a longo tempo. São considerações teóricas baseadas em dados estatísticos que, apesar de tudo têm virtude esclarecedora. Todavia, as suas propostas, se as houvesse de facto com possibilidade de concretizar, decerto seriam de âmbito marxista. Isto é, nacionalizar, estatizar, destruir, reconstruir com uma base populista. Reconstruir a partir da terra queimada com uma revolução feita segundo a sua ideologia que ainda não vislumbrei qual seja, exceto a sua admiração e obsessão pelo marxismo e quiçá pelo leninismo mais radical.

O seu trabalho em investigação tem a segurança de quem trabalha para o Estado que tem o seu salário garantido, por isso pode achar tudo o que quiser sem correr riscos.  É tão bom falar quando se tem segurança e não estamos metidos no barulho, não é?

Diz que no programa da televisão onde participa teve há dias quase um milhão de visualizações, mas quem lhe diz que foi por sua causa e pelos seus pontos de vista no diz respeito às suas propostas para vencer a crise da saúde pública devida ao novo coronavírus? Presunção e água benta não lhe faltam...

Neste momento deve estar, como eu, a escrever os seus artigos em sítio seguro, e é tão bom falar em sítio seguro onde nada nos possa atingir! Talvez gostasse, com certeza, de ser convidada para deputada ou para uma qualquer pasta ministerial, qualquer que fosse, de um qualquer partido que estivesse no governo e ainda não foi. Isso dói-lhe!

Entretanto, vai procurando alguns argumentos, os mais simplistas, o que de si nunca esperava, para defender alguns dos seus pontos de vista que faço questão de não mencionar.

Parece ser uma constante a defesa de greves de camionistas, estivadores, entre outros, apesar das suas razões, seja em que circunstâncias for, mesmo que pudessem provocar instabilidade social acrescida à ansiedade provocada pela crise e, eventualmente, bloquear a chegada de bens essenciais às populações. Isto é revolucionário para a classe trabalhadora e operária por quem tanto zela.

Diz mal de todos os governos, sejam quais forem, mas, então, qual o tipo de governo e com que base ideológica tornaria viável, na prática, as suas ditas propostas e soluções? É isso que nos falta saber!

O mal é que aproveita esta grave crise para a saúde pública e para a economia que nos atinge a todos para fazer propaganda panfletária com os seus escritos. É pena!

Desejo-lhe boa sorte para as suas teses...  revolucionárias a aplicar em tempo de grave crise para o povo como eu já afirmei anteriormente.

Textos como os seus também os escrevi sucessivamente e em abundância no tempo de Passos Coelho, tipo obsessão compulsiva. Achei eu, depois, que talvez tivesse tido a síndrome do "coelho". Com o tempo acabei por me curar dessa síndrome, mas continuo a manter tudo o escrevi nessa altura sobre ele e a sua governação.

E, já agora, para que saiba, não sou marxista nem antimarxista, considero-me numa espécie de limbo destas duas teses o que me coloca numa posição de expetador crítico das duas posições. Uma espécie de não é carne ne peixe, posição cómoda para poder dizer o que está mal, mas, também o que está bem. A teoria política marxista relativa ao Estado e ao Direito incide sobre a necessidade e a inevitabilidade da ditadura do proletariado, como forma de Estado do período de transição do capitalismo para o comunismo. Assim, a essência revolucionária do marxismo tem, no que se refere à ditadura do proletariado, a sua expressão mais saliente.

As crises, segundo Marx, são acontecimentos que fazem parte do processo de acumulação capitalista, inerentes ao mesmo. As crises têm uma função essencial, necessária para que a reprodução capitalista se alargue, restaurando as taxas de lucro, como contrapartida da desvalorização do capital. Embora as crises tornem o capitalismo mais fraco, permitem, por outro lado, a criação de oportunidades para novo investimento e novos lucros, permitindo, também, a concentração de capital em grandes empresas e grupos económicos.

Claro que as crises a que Marx se refere são de outra categoria e não me parece que seja o caso desta crise causada pela pandemia destes novo coronavírus, mas quando as nações saírem deste pesadelo as pessoas irão abanar os neoliberalismos em todo o mundo, lá isso irão, ou talvez não…

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publicado às 16:17



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