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Não vou fazer comentários sobre uma parte do editorial do Jornal i deste último sábado, escrito pelo seu diretor, sobre um dos últimos despachos de Vítor Gaspar antes de fugir do descalabro económico e financeiro que ele próprio criou e confirmou. Passo apenas a citar a negrito para evidenciar a gravidade da situação, o que foi também validado pelo suplemento de economia do Jornal Expresso que também cito abaixo.


Vítor Gaspar, o exterminador de reformados (Jornal i 13 de julho)

O último despacho de Vítor Gaspar é de uma gravidade enorme. Confortado certamente pelo facto de a sua futura pensãozinha estar dependente do fundo do banco de Portugal, a criatura deu ordens para a segurança social comprar em massa dívida pública, através de um simples despacho. A medida põe em grave perigo o pagamento de prestações sociais, nomeadamente pensões, reformas e subsídios de desemprego, se houver um novo resgate. Foi um acto deliberado e feito praticamente às escondidas, que pode destruir a vida de milhões de portugueses. Gravíssimo! Só por ter-lhe ocorrido uma ideia semelhante, José Sócrates foi quase crucificado.


Quem está na Segurança Social quem é? Mota Soares do CDS/PP)


Não foi apenas o Jornal i a comentar esta decisão, no caderno de economia do Jornal Expresso, sob o título O Último ato de Gaspar” também dizia Nicolau Santos (o negrito é meu):


“No dia em que se demitiu das Finanças, Vítor Gaspar assinou um despacho que força o fundo de reserva da Segurança Social a comprar até €4,5 mil milhões de dívida pública nacional nos próximos dois anos e meio. O FEFSS é a reserva de dinheiro que serve para pagar pensões e outras prestações sociais caso o sistema entre em colapso. Neste momento, terá autonomia para pagar apenas oito meses, quando a lei de bases da Segurança dois anos. E a sua carteira corresponde atualmente a 55% de investimento em dívida pública portuguesa, 25% em dívida de outros Estados e 1% em ações de empresas estrangeiras.

Ora Gaspar obriga o fundo a subir muito o risco das suas aplicações, ao concentrá-las em 90% na dívida pública portuguesa. É tudo o que qualquer gestor de fundos medíocres sabe que não se deve fazer. A não ser que Gaspar estivesse, num derradeiro esforço, a maquilhar o descalabro do resultado das suas políticas e a mostrar mais uma vez o seu desprezo por desempregados, reformados e pensionistas.”

 

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publicado às 15:43

Sacudir a água do capote

por Manuel AR, em 12.07.13

 

O Sr. Presidente da República criou uma autêntica balbúrdia com a sua comunicação ao país. Foi evidente a sua desresponsabilização do problema político que ele, indiretamente, ajudou a criar, apoiando um Governo cheio de lacunas e contradições. O que está e causa é ele próprio e não o país. A imagem dele acima de tudo.

Mas o mais grave é que, agora, pretende que os partidos intercalares do poder, (detesto arco da governação), por artes mágicas se juntem e encontrem uma alternativa talvez, no pensamento dele, uma espécie de “União Nacional” que agora designa por salvação nacional. Compreende-se, à medida que envelhecemos, e ele conta 73 anos, devido a problemas da memória de curto prazo começamos a virar-nos para o passado. Isto é, a partir dos 40 anos de vida começamos a esquecer-nos de ocorrências do presente mais recente, mas o que se refere ao passado longínquo volta a estar mais presente.

O Presidente da República esqueceu-se de que o Governo que tanto têm apoiado tem progressivamente vindo a cair na desgraça. Disto Passo Coelho, Miguel Relvas e também Vítor Gaspar são os grandes responsáveis. Não tanto pela austeridade, contra a qual a maior parte do portugueses tem vindo a reclamar, mas que aceitavam se fossem mobilizados com discursos de coesão e não de divisão.

Aqueles referidos senhores resolveram entrar por um processo divisionista, como já várias vezes tenho escrito, lançaram jovens contra cidadãos com emprego, acusaram os que o tinham como estando numa zona de conforto, lançaram jovens contra velhos, setor privado contra setor público, alimentaram rivalidades dentro do próprio setor público, criticaram os jovens porque não emigravam, desdenharam as organizações profissionais aceitando-os apenas, e quando, iam de encontro aos seus objetivos perversos e toda uma sucessão de material verbal de idêntico valor. Linguajar como este, como a já tão falada “peste grisalha”, entre outros disparates ofensivos sobre cidadãos. Não é de admirar que toda esta panóplia emergisse da ala mais neoliberal, com laivos nazificantes, que se infiltraram no PSD.

Vem agora o Presidentes da República sacudir a água do capote e pedir aos partidos para se entenderem, querendo envolver o PS, marginalizando outros partidos. Só se o PS estiver com instintos suicidas!

Agora que o PSD e o CDS, (este por arrasto), não sabem o que hão-de fazer, quer o Sr. Presidente de alguns portugueses, que outros venham ajudar a resolver os problemas que ele e os seus partidos criaram. Depois estamos mesmo a ver o que poderá vir a acontecer. Se correr mal, vocês também lá estiveram. Se correr bem, o que é duvidoso, fomos nós que conseguimos.

Presidentes assim há só há este e mais nenhum!

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publicado às 19:10

A reviravolta

por Manuel AR, em 08.07.13

 

Se os discursos de Paulo Portas, convenceram e ainda convenciam alguém, deixaram de ter a ténue credibilidade que ainda se lhes atribuía. Paulo Portas está, agora, não na corda bamba do equilibrista, mas no trapézio donde a queda pode ser mesmo mortal.

 

 

O meu comentário aos últimos acontecimentos da política, enquanto factos, é de apenas “no comments”, pelo que, face à velocidade com que os acontecimentos iniciados na passada semana apenas me resta deixar alguns registos, desligando-me do que muitos comentadores debitam causando tédio aos telespectadores e ouvintes que já nem os ouvem, apenas veem conversando para o lado.

Há já algum tempo coloquei um “post” sob o título de “O Ballet Acrobático de Paulo Portas” sobre as viragens e piruetas político-acrobáticas pauloportianos. Enganei-me apenas no “timing”.  

Curioso foi que, com a carta de demissão assertiva e preocupante de Vítor Gaspar, os mercados não tugiram nem mugiram ou, se mugiram foi pouco. Mas, face à pseudo irrevogabilidade demissionária de Paulo Portas, os mercados reagiram em delírio. Até Durão Barroso como que alucinado e surpreso pelos acontecimentos veio tentar exercer pressões, mascaradas de aconselhamentos dizendo, numa declaração escrita sublinhava que, "como  já é patente pela reação inicial dos mercados, existe risco evidente que  os ganhos de credibilidade financeira de Portugal sejam postos em causa  pela instabilidade política", ao que a SIC Notícias acrescentou, que se vive no país, na sequência do pedido  de demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, líder do  CDS-PP, parceiro de coligação do PSD no Governo. "A acontecer tal, seria especialmente grave para os portugueses, nomeadamente  porque se anunciavam já sinais de alguma recuperação económica", adverte.

Recuperação económica? Qual? Claro que isto foi mais uma ajudinha ao PSD e ao seu Governo de incompetentes, infiltrado por juventudes neoliberais sem preparação cultural e política, na verdadeira aceção das palavras.

Os comentadores e jornalistas que oraculizaram sobre o tema das demissões dos dois ministros adjetivaram, cada um à sua maneira, os comportamentos e atitudes políticas dos dois demissionários. Para alguns, o Dr. Paulo Portas foi irresponsável, emotivo, birrento, viravoltas, incompreensível, etc.. Mas, para ele, a sua demissão foi uma “atitude de consciência”. Podemos então ser levados a pensar que, Paulo Portas, com a reviravolta, perdeu a consciência?

Segundo a Rádio Renascença, Paulo Portas terá afirmado que nesta crise, separou o plano pessoal do institucional e que o facto de ter pedido a demissão de ministro e de Estado e dos Negócios Estrangeiros não o impediu, nem poderia impedir, de conduzir pelo CDS negociações que classificou de muito relevantes para o interesse nacional. O líder do CDS afirmou ainda que, ao tomar a atitude que tomou, tinha de estar disponível para renunciar a qualquer tipo de atividade política, quer ao nível do Governo, quer do partido. Mas acrescentou que se tivesse de escolher entre o interesse próprio e o do partido, escolheria o do partido e, se tivesse de escolher entre o interesse do partido e o interesse do país, escolheria o do país.

Há um enigma no meio disto tudo que só muito mais tarde, se alguma vez se vier a desvendar, passaremos a conhecer.

Pelo que se sabe, na política, Paulo Portas raras vezes tem perdido e, se alguma vez perdeu, voltou para ganhar. As piruetas e acrobacias de Paulo Portas não irão ficar por aqui.

Se os discursos de Paulo Portas, convenceram e ainda convenciam alguém, deixaram de ter a ténue credibilidade que ainda se lhes atribuía. Paulo Portas está, agora, não na corda bamba do equilibrista, mas no trapézio donde a queda pode ser mesmo mortal.

Algo a médio prazo, talvez um ano, se irá passar, o que duvido é que seja para bem de Portugal e da maioria dos portugueses. 

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publicado às 19:21

Tenham tento por favor

por Manuel AR, em 03.07.13

 

Não tenho razões suficientes para estar a favor ou contra as demissões de Vítor Gaspar e de Paulo Portas nada disso me deixa de momento nem mais nem menos feliz. Por isso, e até ver, não farei quaisquer comentários.

Por outro lado, tenho colocado vários “posts” neste blog, que podem ser consultados, em que Gaspar, Passos, Cavaco e Portas não foram poupados a críticas da minha parte. Todavia há algo que não aceito, é que se chegue à humilhação de pessoas porque não concordemos com as suas políticas que têm prejudicado a maioria dos setores da população, empresas incluídas.

Vem isto a propósito de notícias que vieram a público, ver Jornal i, sobre o enxovalho físico e psicológico feito a Vítor Gaspar e sua esposa. Podemos simpatizar e até apoiar manifestações pacíficas, como “grandoladas” que perturbam o andamento de acontecimentos e eventos, apupos populares inofensivos, cartazes humorísticos, cartazes com calões e nomes populares, gritos de protestos e outras manifestações de desagrado e de oposição às políticas praticadas, mas penso haver um limite.

Há locais e tempo próprio para protestos. Vítor Gaspar, quer gostemos ou não do que eles nos tem feito e das políticas por ele praticadas, e eu não gosto, é um cidadão como nós que está num momento da sua vida pessoal que nada tem a ver com a política. O silêncio e o ignorar , em certas circunstâncias, é mais eficaz na mostra de descontentamento.

Os ataques pessoais, e não ao político, e foi disso que se tratou, faz parte de uma vendeta popular na praça pública desnecessária porque ineficaz. E não me venham agora dizer que foi por isso que ele se demitiu!

Todos os portugueses, uns mais do que outros, talvez a maioria, têm sofrido com a incompetência de Passo Coelho e as teorizações e experimentações macroeconómicas de Gaspar. Mas podemos perguntar quem eram os que o enxovalharam. Não eram com certeza os mais prejudicados porque, esses, já nem podem ir aos supermercados, limitam-se ao assistencialismo como muitas famílias da classe média que este governo tencionou destruir. Quem lá estava ainda tinha poder de compra, caso contrário não teria dinheiro nem para a deslocação, quanto mais para consumir.

Com alguma certeza, muitos dos que tiveram este tipo de atitude e de comportamento, na altura em que poderia manifestar-se contribuindo para encher praças de protesto, estavam comodamente sentados em suas casas sentados a ver televisão e a beber umas “bejecas”, coisa que muitos já nem isso podem fazer.

Tenham tento por favor!

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publicado às 20:41

O Pensamento mágico do Governo

por Manuel AR, em 07.06.13

 

 

 

Um povo a caminhar sobre uma espiral descendente

 

Nos debates políticos os defensores do atual Governo insistem em reportar-se aos governos anteriores. Ao fazê-lo é como se estivessem a exumar um cadáver para lhe fazerem uma autópsia, sem quaisquer objetivos que não seja o de confirmar que está realmente morto. Mas defendem a opção estratégica em matéria económica e financeira com os argumentos plenos de falácias.

O conceito de falácia em filosofia quer dizer argumento enganoso que induz a erro. Em economia na área do investimento há um outro que é o do custo perdido. Estes dois conceitos conduziram-me ao encontro da falácia do custo perdido que é aquilo que o Governo, nomeadamente Passos Coelho e Vítor Gaspar, têm praticado nestes dois últimos anos.

A falácia do custo perdido refere-se a uma tendência autodestrutiva para a continuidade de investimento em projetos, ideias ou realizações em declínio, cuja justificação é a de já se ter investido substancialmente nos mesmos. É uma espécie de mágica em que se acredita, porque gostaríamos que fosse de facto verdadeira. Este modo de pensamento serve para evitar a aceitação de que nos enganámos e de que nos confrontamos com verdades desagradáveis.

Para exemplificar vamos supor que se comprou um automóvel ou outro equipamento qualquer que sistematicamente se avaria, pagando-se centenas de euros pelas sucessivas reparações. Tendo como justificação o dinheiro que já se investiu no equipamento gasta-se cada vez mais nas reparações. Assim tem feito este Governo que, capciosamente, comete os mesmos erros, com promessas de que tudo vai ficar ótimo, quiçá, num tempo que ainda há-de vir. Isto é, continua a desperdiçar verbas na reparação do equipamento, esperando que um dia ele passará a funcionar sem avarias.

Ao investir-se em grandes doses da mesma política, aplicando sempre as mesmas estratégias, não significa que, só por isso, o melhor que há a fazer é continuar a orientá-las no mesmo sentido.

Poder-se-ia deitar fora o equipamento que pode ser continuamente reparado mas, se a razão fundamental para o manter é unicamente o de já ser ter investido muito nele, ao insistir na mesma receita, uma, e outra, e outra vez, então, estamos perante uma falácia do custo perdido que é aquilo que o Governo tem feito neste dois últimos anos. Esta obsessão trouxe custos sociais económicos e financeiros enormes, dos quais não se vêm quaisquer resultados práticos, a não ser para alguns que, conscientemente, são poupados, injetando-lhes antivírus que os tornam imunes à crise.

É isto o que temos!

É isto que tem que ser mudado!

 

 

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publicado às 23:22

Agente secreto infiltrado?

por Manuel AR, em 23.05.13

 

Mais uma vez está à vista que temos em Portugal dois agentes da Alemanha infiltrados por Wolfgang Schäuble, ministro alemão das finanças. Um deles é Passos Coelho, mas a figura principal é o ministro Vítor Gaspar que, qual discípulo dileto, mais uma vez foi prestar contas ao seu chefe. Schäuble é um admirador de Gaspar, ou não cumprisse ele tudo que lhe ordena.

Ainda está por esclarecer como é que Vítor Gaspar foi chamado para o Governo. Uma das teses apontadas é a de que tinha muitos contactos na Comissão Europeia. Sabe-se que durante seis anos (1998 a 2004), passou a viver entre Lisboa (ao fim de semana) e Frankfurt, na Alemanha.

Segundo o Financial Times em 2011 Gaspar estava em 18º lugar no ranking dos melhores ministros das finanças, atualmente encontra-se no 10º lugar classificado por um júri em que Schäuble foi presidente.

Podemos sempre colocar a possibilidade de terem sido feitas eventuais pressões sobre Passos Coelho para que o colocasse no Governo, advindo daí também para ele algum prestígio, mediante promessa se viesse a ser um “bom aluno”. De quem? Resta saber!

À semelhança de outras avaliações da “troika” Gaspar, num ato de subserviência, vai prestar contas da sétima avaliação a Schäuble .

O ministro alemão das Finanças, num texto na Revista do Jornal Expresso, disse que “Gaspar deu uma contribuição decisiva – talvez a contribuição decisiva – para as políticas que colocaram Portugal firmemente no caminho da recuperação.” E acrescenta, “imperturbável, manteve o rumo.”.Descodificando deve ler-se austeridade e empobrecimento com metas macroeconómicas totalmente falhadas a todos os níveis em Portugal, enquanto na Alemanha o seu ministro abre cordões à bolsa. Note-se ainda o ambiente caloroso e de grande admiração mútua em que o ministro alemão e Gaspar vão analisar os resultados da sétima avaliação da “troika” que irá em 2014 prejudicar ainda mais milhões de portugueses.

Em tempo de guerra psicológica, financeira e económica na Europa, provocada deliberadamente pela Alemanha em alguns países, Gaspar é o seu agente secreto para as finanças em Portugal.

 E assim vai a nossa soberania que muitos senhores têm contribuído para perder.

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publicado às 17:00

Não há alternativa?

por Manuel AR, em 15.05.13

Não há alternativa é uma “buzzword” (chavão) utilizada pelos ultraliberais que Passos Coelho, os seus apoiantes e comentadores a sua área política adotam quando têm que defender medidas que atingem trabalhadores e impõem austeridade e subida de impostos, dirigidos à maioria da população que trabalha ou vive da sua reforma para a qual descontou.

Foi Margaret Thatcher quem utilizou aquele chavão pela primeira vez (there is no alternative) quando começou a implementar a sua política ultraliberal extremista baixando os impostos para o grande capital, agravando-os para quem auferia salários e, para as classes sociais mais desfavorecidas retirou ou reduziu apoios. Ao mesmo tempo liberalizava o mercado financeiro originado, à época, uma a folia desreguladora.

É este o ideal de política que Passos Coelho e Vítor Gaspar (este em conivência com a “troika”) com o apoio de Paulo Portas pretendem impor em Portugal.

Não tenham ilusões todos os que ainda apoiam este governo e o PSD porque, após a destruição económica e social do país que cumpriram em menos de dois anos, quem ainda os apoia, com exceção de um grupo muito restrito de satélite, não irá com certeza auferir de quaisquer das vantagens de uma hipotética recuperação que demorará muito mais tempo a reconstruir do que demorou a ser destruída. Devemos deixar-nos de clubismos partidários e abrir os olhos. Sem poder de compra não irá haver recuperação porque não haverá quem queira investir a curto prazo. Se o fizerem entrarão no esquema do abre e fecha. Basta contar as empresas ou negócios que durante estes dois últimos anos abriram e, passados alguns meses tiveram que fechar. As exportações são importantes, mas será que algum país, a não ser onde exista miséria extrema, pode deixar de ter consumo interno? Aliás, talvez seja isso mesmo que estão a planear fazer em Portugal, colocar grande parte da população em situação de pobreza, originando para além de uma exclusão social, uma consequente exclusão política.

A minha “buzzword” é que em “democracia há sempre alternativas” a não ser que haja quem não queira, ou nos impeça que elas existam. Alternativas únicas existem apenas em contexto totalitário e de maiorias absolutas pouco democráticas.

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publicado às 19:24

O nosso agente em Portugal Vitor Gaspar

por Manuel AR, em 02.05.13

 

 

 

 

Recordo-me de um filme baseado na obra de Graham Greene, “O nosso agente em Havana”. Era uma comédia que tratava de um conflito entre regimes em Cuba que leva os serviços secretos ingleses a contratarem um inesperado espião: um vendedor de aspiradores à beira da ruína. Em Portugal também temos um agente infiltrado e o enredo é mais um drama do que uma comédia.

Têm chamado a Vítor Gaspar um agente da “troika” ou até um funcionário da “troika”. Mas penso que é muito mais do que isso, é um agente infiltrado da política alemã e do seu ministro das finanças Wolfgang Schäuble de quem é amigo e segue à risca as instruções de Angela Merkel que vai dizendo o que deve ou não ser feito em Portugal. É por isso que Vítor Gaspar, agente duplo, não altera em nada o rumo que está a seguir. Seguindo escrupulosamente as missões que lhe são incumbidas, prepara a sua carreira profissional para outros voos.

Em abril passado o ministro alemão das Finanças, em declarações ao Bayerischen Rundfunk, tv e rádio da Baviera - serviço público de radiodifusão, pediu novas medidas ao Governo português.

De acordo com o ministro das Finanças alemão, "Portugal tem feito grandes progressos nos últimos anos (...) e está prestes a ganhar acesso aos mercados financeiros", mas o país tem agora responder à decisão do Tribunal Constitucional com novas medidas.

É de notar que numa classificação liderada por Wolfgang Schäuble, em novembro de 2012, Vítor Gaspar deu um salto no “ranking” dos ministros das finanças realizado pelo “Financial Times”. De 18º, o ministro das Finanças português surge, este ano, na 10ª posição, logo atrás de três estreantes: Steven Vanackere (Bélgica), Vittorio Grilli (Itália) e Peter Kazimir (Eslováquia). 

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publicado às 20:31

Saída do euro talvez a melhor opção

por Manuel AR, em 01.05.13

 

Refere-se a construção de um Portugal aberto e mais moderno para quem? Quando todos já estivermos mortos, após termos passado sacrifícios extremos para permanecermos num euro que, cada vez mais, se prevê estar em desagregação.

 

 


O DEO – Documento de Estratégia Orçamental 2013 a 2017 na página V da Introdução faz uma ameaça. Já estamos habituados a vários tipos de ameaças, quer por parte do primeiro-ministro Passos Coelhos, quer por parte de Vítor

Gaspar e dos seus apoiantes economistas de serviço. Agora, ameaças dignas de comícios partidários colocadas em documentos oficiais é coisa nunca vista. 

Diz então aquele documento que “A alternativa de regressar a comportamentos passados implica, numa versão mais radical, a bancarrota e a saída do euro. Numa versão mais mitigada, essa alternativa envolve um percurso penoso dentro do euro, com soberania nacional reduzida por um largo período de tempo. A troika tornar-se-ia uma presença habitual e constante no nosso país. Qualquer uma destas hipóteses mingua e amesquinha o papel de Portugal na Europa e no mundo. Trata-se de desistir ou adiar a construção de um Portugal aberto e moderno.”

Refere-se a construção de um Portugal aberto e mais moderno para quem? Quando todos já estivermos mortos, após termos passado sacrifícios extremos para permanecermos num euro que, cada vez mais, se prevê estar em desagregação. Se temos que passar por sacrifícios e por austeridade extremas para nos mantermos no euro então talvez seja preferível sair da moeda única porque ao menos recuperamos a nossa autonomia e soberania e sermos senhores do nosso destino.

Pois bem, se há que fazer sacrifícios, para os quais venha o diabo e escolha, que existirão em qualquer das opções, então porque não fazer um grande debate nacional em torno da saída, ou não, do euro com posterior lançamento de um referendo à população sobre a permanência ou não naquela moeda. Então, se o resultado for a saída iniciar a saída sem sobressaltos.

 

(Imagem de http://whispersfromtheedgeoftherainforest.blogspot.pt/2012_05_01_archive.html)

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publicado às 19:32

O diz e o desdiz na Europa

por Manuel AR, em 30.04.13


Enquanto os países da UE quiserem, e parece que querem, a Alemanha e os seus aliados continuarão a dominar a parte mais fragilizada. A UE foi construída para ser uma economia forte e ainda é uma das maiores do mundo. No meio desta construção a Alemanha aproveitou a oportunidade para se tornar hegemónica o que, desde logo, os alemães aprovam e gostam, encontrando em Ângela Merkel o seu porta-voz e, para isso tem trabalhado ao longo dos últimos anos.

Face às críticas que advém de vários setores, nomeadamente dos EUA, sobre as políticas de austeridade na Europa, Angela Merkel, a partir de um fórum em Berlim tenta agora substituir a palavra austeridade que, segundo ela, “é realmente algo que soa completamente mal”, então passa a ser “chamada economia ou consolidação ou orçamento equilibrados”, como pode ser confirmado num artigo do jornal The New York Times. Apenas joga com as palavras. Também ela é uma das que acha que todos quanto a escutam são tontos.

Por sua vez, também na semana passada em Bruxelas, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, disse que a Europa esteve no caminho certo no que respeita ao apertar dos cintos, mas agora precisava suavizar a sua abordagem para reconquistar um público irritado. Disse então Barroso, e cito a partir do  The New York Times, "Embora esta política esteja fundamentalmente certa, eu penso que atingiu os seus limites, em muitos aspetos" e continuou dizendo que estas políticas "Têm que ter o mínimo de apoio político e social.".

Após estas declarações o porta-voz da senhora Merkel para as questões orçamentais veio quase de imediato contrariar o comissário europeu dizendo que “Fiquei muito irritado”. "Um abandono do percurso rigoroso de consolidação orçamental na Europa seria um sinal fatal de que não estamos a ser verdadeiramente sérios quando falamos de reformar os nossos países".

Ninguém se entende nesta U. E., o que demonstra que Durão Barroso no meio é apenas uma marioneta que quando pretende mostrar o seu pensamento é logo desautorizado e leva “tautau” da sua perceptora alemã.

Sobre a austeridade na Europa, segundo o mesmo jornal, uma nova abordagem na Europa tende a ser saudada como uma boa notícia pela administração Obama, que pediu economias europeias saudáveis para estimular o crescimento, com aumento de despesa e uma política monetária mais atenuadas. A economia norte-americana, onde a despesa do governo não foi reduzido tão drasticamente, parece relativamente robusta em comparação com a Europa.

Em Portugal temos dois que nem se atrevem a desmentir ou a alterar as receitas, são eles Passos Coelho e seus apaniguados da ultradireita do PSD e Vítor Gaspar que aguarda lhe seja entregue, algures na Europa, quiçá no FMI, um lugar ao Sol à semelhança de outros que, foram premiados pela sua incompetência, como Barroso e Vítor Constâncio.


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publicado às 18:49


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