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No rescaldo da criação de um mito

por Manuel_AR, em 08.12.15

Passos Coelho_mito.png

 

Passos Coelho foi um mito criado pela máquina propagandística da coligação que deu os seus frutos tendo culminado com uma vitória minoritária ao nível parlamentar. A campanha da coligação da direita formada pelo PSD e pelo CDS teve à frente uma equipa de treze elementos brasileiros onde se encontravam especialistas em marketing, técnicos de som e de imagem instalada em Lisboa na sede da coligação que intervinham sempre que Passos Coelho os solicitava.

Os tempos de antena do PSD, feitos por aquela equipa levaram o grupo a percorrer o país para entrevistar e filmar pessoas que conseguiram sair das estatísticas de desemprego. A ideia era pôr as "pessoas dentro dos números" foi a estratégia política por detrás da campanha, que teve a ajuda de estruturas partidárias locais na identificação de "novos empregados" dispostos a colaborar.

Apesar de não ter conseguido os resultados pretendidos a eficácia da campanha baseada na falsidade e no popularucho deu frutos. Popularucho porque o centro foi Passos Coelho que era captado para a imagem televisiva como sendo um cidadão como qualquer outro com os saquinhos de plástico que trazia das compras feitas no comércio local (ver férias em agosto no Algarve). Passar a exibir a sua esposa sem qualquer pejo fazia parte da campanha da estratégia da equipa que sabia ter efeitos a curto prazo em grande parte dos portugueses.

Não foi por acaso que já depois das eleições e da tomada de posse de António Costa como primeiro-ministro que se ouviu em certo local alguém, com alguma idade, dizer que "tiraram de lá um príncipe e colocaram lá um preto". Mas que gente é esta?  

Aliás a ideia da direita era também fazer passar a mensagem e fazer crer por um lado que se votava numa pessoa para primeiro-ministro e não num partido para obter maioria parlamentar e, por outro, fazer lançar na pré-campanha, dar a António Costa em lugar do nome próprio a derivada da particularidade física o nome de "chamuças, foi a estratégia de denegrir a imagem.

Outra foi a estratégia da falsidade sobre os números da economia. Fazer um grande feito do Governo os diminutos indicadores económicos; fazer desaparecer o desemprego através de artimanhas; apostar na divulgação de que o défice iria ser seria de 2,7% que, de acordo com o relatório setembro da UTAO, se vai situar este ano nos 3% do PIB.

A tal almofada financeira que Passos Coelho e a sua ministra das finanças diziam existir evaporou-se até novembro. Talvez devido ao nevoeiro de distribuição despesista que grassou nas hostes do Governo de coligação e que serviu para lançar poeira para os olhos de muitos portugueses que acabaram por votar nestes radicais de direita que queriam mostrar uma imagem de viragem ao centro e, em alguns casos, à esquerda dizendo que o pior já tinha passado e tudo iria mudar.

Não venha agora a direita dizer que foi nestes poucos vinte dias do Governo de António Costa que eles se evaporaram. Foi durante a campanha do Governo deles.

Foi de facto uma campanha muito bem organizada, contrariamente à do PS de António Costa que andou em águas moles, com alguma timidez, fornecendo publicamente ao seu adversário político da coligação de direita os dados de que eles necessitavam para combate.

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publicado às 00:08

Prática política insana

por Manuel_AR, em 29.04.15

Marco António_2.jpg

Depois da apresentação pelo Partido Socialista do documento para a década elaborado por um conjunto de economistas das mais variadas áreas e tendências políticas a coligação PSD/CDS no Governo, em especial o PSD, em aberta campanha eleitoral parece ter entrado num círculo (ou será circo?) de insanidade política.

Primeiro foi o caso do projeto da validação prévia do acompanhamento e programação da campanha eleitoral pelos órgãos de comunicação social, apresentado pelo PSD, CDS e pela deputada socialista Inês de Medeiros que mais pareceu ir a reboque dos outros dois acabando todos por cavar a sepultura do projeto.

Agora é essa voz da demagogia do PSD, Marco António Costa, com mostras de fã de partido único, quer transformar órgãos independentes do Parlamento numa espécie de órgãos de exame prévio aos programas e propostas apresentadas pelos partidos políticos (será só de alguns?).

Quer o PSD goste ou não, as coisas têm que ser chamadas pelos seus nomes. Ao que chamam escrutínio de documentos não é mais do que um exame prévio mas sem lápis azul. Quem tem que escrutinar os programas e os projetos dos partidos são os eleitores e mais ninguém. O que Marco António quer é música para desviar o debate sério e disfarçar a fraqueza e a indigência das propostas do seu partido e do Governo.

A proposta de marco António é como a dum mau aluno e mal comportado que pretende boicotar e desautorizar o professor que tinha marcado um teste para determinado dia e diz que tem dúvidas porque a matéria não foi toda dada. Pede então ao professor para haver uma aula prévia para dúvidas e assim adiar o teste e confundir os outros alunos. Alinhavou à pressa uma série de perguntas para levar para a aula esperando que lhe caiam de mão beijada algumas das respostas para depois as escarrapachar no teste.

A iniciativa duma proposta como esta é a evidência da insanidade política que prolifera nas hostes do PSD e do Governo cuja patologia está relacionada com o stress, o mau estar e a desorientação que lhe causou o relatório apresentado pelo Partido Socialista.

A abertura duma porta como a que Marco António e o PSD pretendem abrir passaria a instrumentalizar partidariamente um órgão independente como a UTAO - Unidade Técnica de Apoio ao Orçamento que se pretende seja autónomo face aos partidos.

Isto é, um partido que apresentasse ao país um programa económico na sua campanha eleitoral teria que o submeter a uma avaliação prévia. Marco António pretende abrir caminho para uma censura prévia encapotada aos programas e propostas partidárias.

No limite, a ideia estereotipada dum órgão independente passar levaria a impossibilitar ou não, que um programa de um qualquer partido que não agradasse ao poder pudesse ser invalidado. A partir daí poderia ficar fora da corrida eleitoral e tudo seria possível.

Deixem-se de tretas, visões distorcidas e artimanhas de baixo nível e debatam o documento mas com pés e cabeça.

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publicado às 17:45


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