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Em Portugal sempre existiu populismo, embora contido, nos vários partidos, sobretudo em tempo de campanha eleitoral. Nessa altura regressam à tona  partidos mais radicais que, não tendo programa exequível, tentam demonstrar contradições dos sistema e procuram a distinção entre dois grupos antagónicos: um, virtuoso e maioritário, o povo, que todos exaltam e outros que o dizem defender procurando ganhar vantagens com o apelo a reivindicações ou preconceitos amplamente disseminados entre a população nomeadamente através das redes sociais.

Nessas alturas os dirigentes partidários apelam às emoções, o que é legítimo, porque a política também é feita de emoções, todos os políticos tentam utilizar uma linguagem emocional e tentam apresentar propostas que agradem aos eleitores.

Por outro lado, o desinteresse pela política por parte dos cidadãos, porque acham que a discussão política é para meia dúzia de iluminados dos partidos que lutam entre si para chegar ao poder, é um outro fator explicativo.

Quais as implicações de aceitar de forma cega tudo o que se diz e escreve nos órgãos de comunicação clássicos e, sobretudo, nas redes sociais e quais as consequências dessa aceitação devido ao desvario das populações que o reproduzem acriticamente de forma viral? 

Governantes de países passaram a utilizar a tecnologia das redes sociais para comunicar com as pessoas e que por serem governantes o que eles dizem são aceites pelos seus apoiantes como verdades e opiniões a serem aceites ou desmentidas transformando verdade em mentiras e mentiras em verdades. Mentiras e informações falsas colocadas nas redes sociais até mesmo em conferências de imprensa ditas por responsáveis máximos da política dos países são por muitos tomadas como verdades, o caso do Presidente Trump nos EUA é um caso de estudo.

Em Portugal passou a estar também na moda dirigentes partidários e responsáveis do Governo comunicarem através das redes sociais. Os partidos da extrema-direita são prolíferos na propagação do populismo e das suas mais absurdas teses.

Após as eleições nos Açores o acordo com o Chega gerou polémica que emergiu na comunicação social e nas redes sociais que deu, e ainda está a dar, para todos os gostos. Numa primeira análise o PSD caiu, por vontade própria, na armadilha de se apoiar num partido populista como o Chega dando-lhe o protagonismo que até então lhe tinha faltado para além das caóticas intervenções de André Ventura na AR. Não é por acaso que os populistas utilizam uma retórica para chegar a segmentos da população que sentem que foram deixados para trás pelos dois maiores partidos e que se deixam, devido á sua ignorância política, encantar por discursos simplistas e chavões fáceis de fixar repetidos até à exaustão.

Como tem sido habitual ao longo de décadas as inovações e modas em sentido lato, sejam elas boas ou más, chegam com anos de atraso. O mesmo aconteceu com o populismo da extrema-direita que se pensava ser pouco ou nada representativa na nossa sociedade e que Portugal estaria a salvo, muito embora soubéssemos que andavam por aí acantoados em partidos de direita e do centro-direita considerados democráticos e que fazem parte do denominado arco da governação.

Aliás, os partidos populistas e da extrema radical de direita estiveram sempre presentes na maior parte dos países, especialmente na U.E., não se extinguiram após a derrota do nazismo e dos fascismos, apenas ficaram adormecidos durante algumas décadas vindo a ressurgir.

O fenómeno do populismo associado ao próprio conceito não é fácil de caracterizar embora vários especialistas já tenham proposto várias definições. Na perspetiva do filósofo e historiador britânico de Isaiah Berlin não há apenas um populismo, há versões do mesmo “consoante a mudança histórica que sublinha a natureza específica do desenvolvimento do populismo em países, locais e datas específicas”. Acha que uma única fórmula para cobrir todos os populismos em todo o lado não serão muito úteis.

O interessante foi que Berlin comparou ao conto da Cinderela a tentativa de definir populismo através de uma única definição. Diz que não devemos sofrer de um complexo de Cinderela. Há um sapato, para o qual deve existir um pé em algum lado. Há vários tipos de pés nos quais os sapatos “quase” se encaixam. O príncipe que anda sempre a vaguear com o sapato acredita que um dia encontrará o pé certo.  Esse será o populismo puro e a sua essência.

Para Isaiah Berlin “Todos os populismos são derivações do mesmo, desvios do mesmo e variantes do mesmo, mas algures por aí esconde-se um verdadeiro e perfeito populismo, que pode ter durado apenas seis meses, ou [ocorreu] em apenas um lugar”. Consultar BERLIN, Isaiah – «To define populism»., 1967, p. 6.

O populismo reclama ser pela afirmação dos direitos do povo face ao grupo dos interesses privilegiados, considerados habitualmente como inimigos do povo e da nação, dirige as suas críticas às deficiências da democracia representativa que diz não refletir o pensar e o querer do povo.  Veja, por exemplo, o caso do partido Chega e o género de intervenções feitas por André Ventura e os estribilhos e lugares-comuns que ele utiliza. O Chega representa a chegada do populismo da extrema-direita a Portugal.

 

Como chegámos até aqui?

Acima de tudo, a globalização fez com que as nossas vidas fossem de facto influenciadas por fatores que não podemos controlar. E enquanto os populistas dizem que é preciso "recuperar o controlo", os outros políticos dizem que não se pode fazer nada, "ou porque somos parte da UE ou porque a imigração vai continuar…". O resultado é que a maioria não tenta responder às necessidades e aos receios, às vezes justificáveis, das populações.

Nos estados europeus a globalização e a crise económico-financeira diminuíram o investimento, impedindo ou retardando o desenvolvimento económico agravado pela crise de 2008 e pelos efeitos da austeridade consequentes aplicados pelos governos acrescidos pelo aumento do desemprego que causaram um sentimento de insegurança. A "crise migratória" que os dirigentes europeus declararam existir no território da União Europeia ajudou ao crescimento de partidos populistas e xenófobos.

Os movimentos de imigração e de refugiados que assolaram e assolam os países da U.E. geram uma concorrência no mercado de trabalho nos países que os acolhem aproveitado como um dos argumentos da extrema-direita xenófoba que é falacioso porque aqueles vão ocupar as lacunas que os autóctones não querem ocupar assim como a escassez de investimento no comércio local que tem vindo a desaparecer e onde ninguém quer investir. Estas imigrações ocasionam graves problemas de acolhimento nos países de chegada que são aproveitados pelos populistas da extrema-direita racista e xenófoba.

Esta situação e outras, assim como as indecisões ao nível da U.E. tem sido aproveitada por alguns governos apoiados por partidos de direita ou de extrema-direita como na Hungria de Orbán, na Polónia de Jaroslaw Kaczynski, e na Áustria de Sebastian Kurz em coligação com o Partido da Liberdade da Áustria (FPö), que têm adotado políticas violadoras dos direitos fundamentais e da democracia liberal defendidos pela U.E. Em Espanha, pelos mesmos motivos e como reação à política de austeridade e contra o euro, surge o Podemos, embora sem conseguir chegar ao poder. No espaço da União Europeia foi a "crise migratória" existente que ajudou ao crescimento de partidos populistas e xenófobos como o AfD alemão.

Marine Le Pen, a líder da Frente Nacional, partido da extrema-direita francesa e nacionalista radical, antes da eleição de Macron, apresentava-se como uma perigosa candidata à vitória na eleição presidencial, o que poderia colocar em perigo a sobrevivência do projeto europeu.

Quando foi colocada a Le Pen a questão sobre as razões por que os partidos que se dizem antissistema estão a obter tanto relevo na Europa resumiu o credo populista da extrema-direita na europa: «Creio que todos os povos aspiram a ser livres. Os povos dos países da União Europeia, e talvez também os americanos, terão tido durante demasiado tempo a sensação de que os líderes políticos não estão a defender os seus interesses (os do povo), mas antes, interesses especiais(?). Há uma espécie de revolta da parte do povo contra o sistema, que já não os serve mais, mas antes a si próprio». Ver aqui. É com este palavreado, a que chamam argumento, que as extremas-direita, nacionalistas, xenófobas e populistas se agarram para, habilidosamente, iludirem os insatisfeitos com as políticas praticadas em democracia que acham não ter contemplado os seus interesses.

Uma das evidências dos perigos que espreitam as democracias liberais vem dos partidos de extrema-direita é o que atualmente estão a perpetrar os governos da Hungria e da Polónia, a que se juntou depois o apoio da Eslovénia, utilizando uma força de bloqueio contra o pacote de resposta à crise aceite por todos. Consideram ser inaceitável que não possam aceder aos novos fundos europeus por discordarem da condicionalidade do critério pelo respeito ao Estado de Direito. São eles os mesmos países que propagam que se mostram receosos do regresso do “espectro do comunismo” à Europa, como se no atual contexto político isso fosse o perigo real.

Este é apenas um exemplo de como governos autocráticos de extrema-direita se dedicam por todos os meios democraticamente disponibilizados a minar os alicerces das democracias e dos perigos que a direita populista faz pairar sobre a democracia europeia. Manuel Carvalho escreveu num editorial do jornal Público que “Não se pode aceitar que a Hungria ou a Polónia beneficiem das vantagens da Europa, ao mesmo tempo que se dedicam a minar os seus alicerces”.

A mensagem nacionalista, anti-imigrante, anti étnica, racista e xenófoba, por vezes eurocética e anti União Europeia veiculada pela extrema-direita é representada em Portugal pelo partido Chega.  O populismo em Portugal ainda está no seu início, mas já está a dar os seus frutos e a “vender bem”. O perigo do populismo do Chega, e de outros partidos do mesmo, ou pior espetro, deteta-se por meio de diatribes tais como:

- Críticas isoladas e desconexas dirigidas aos políticos, aos partidos (que não seja o deles);

- Críticas aos órgãos representativos dos cidadãos indigitados através de eleições livres;

- Chamando a si a luta contra a corrupção colocando em causa setores da administração pública, organizações privadas com relevância na vida económica ou social com tentativas para descredibilizar, sem fundamentação científica, o funcionamento do sistema político (veja-se o caso de Trump nos EUA);

- Incoerência com outros valores e medidas que igualmente defende, que são um fator disruptor dos direitos fundamentais da liberdade e da igualdade e da tolerância garantes da dignidade da pessoa humana, pondo também em risco o Estado de direito que os salvaguarda.

Estes movimentos e partidos são um vírus que se está a expandir tornando-se uma ameaça e um perigo para a democracia e que vai corrompendo por forma dissimulada os seus valores e procedimentos essenciais, tanto mais perigoso se torna quando partidos democráticos para obterem ou manterem no poder os chamam para fazer acordos colocando os interesse partidários acima dos interesses democráticos do país e dos próprios cidadãos.

Sofia Lorena, num artigo publicado no jornal Público em 2018 baseado no pensamento de Daniele Albertazzi, especialista em movimentos políticos e estudioso do fenómeno populista na “Escola de Governo e Sociedade da Universidade de Birmingham”, escreveu que «Um líder populista é aquele que se vai apresentar como representante de um único povo, unido e homogéneo, que está face a uma ameaça. Esta ameaça pode ser a elite política ou algo externo. Estes líderes defendem que o seu povo está a ser roubado — dos seus valores, princípios, identidade. E em breve será demasiado tarde para recuperar o que lhes está a ser tirada».

É fácil defender que os povos europeus perderam o controlo das suas vidas porque há anos que a Liga Norte italiana de Salvini, partido de extrema-direita, dizia que "temos de ser donos e senhores da nossa própria terra". André Ventura chegou a dizer em agosto de 2020 que “Eu e Salvini, de mãos dadas, é um sinal para o futuro de Portugal e Itália”.

Para os populistas há sempre bodes expiatórios que são os causadores da desgraça do povo, na Alemanha nazi eram os judeus, noutros países são os muçulmanos, em Portugal, por enquanto, são os ciganos e em alguns casos os negros e outras etnias, os políticos e os partidos são extensão da corrupção.

Os populistas atacam a lentidão da democracia representativa e liberal e "apresentam-se sempre como defensores do tal povo homogéneo contra outros — os imigrantes, as etnias, as pessoas que seguem uma religião minoritária ou que não se encaixam por algum motivo", diz Albertazzi.

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publicado às 16:15

O cão de Boris Johnson

por Manuel_AR, em 15.12.19

O cão de Boris Johnson

PÚBLICO -

Foto: DYLAN MARTINEZ/REUTERS

(Vicente Jorge Silva, in Público, 15/12/2019)

Se política e comédia coexistem muitas vezes estreitamente, quando entram em choque frontal o resultado pode ser simplesmente catastrófico.

Eis, assim, uma hipótese de resumir os motivos que levaram os britânicos – com excepção dos escoceses e dos irlandeses – a contrariar uma convicção que se instalara através de múltiplas sondagens ao longo dos últimos três anos: a de que uma maioria dos súbditos de Sua Majestade seria, afinal, contra o “Brexit" e a favor do “Remain”. Ora, mesmo que essas sondagens reflectissem a realidade, a duração infindável de uma crise política centrada exclusiva e obsessivamente no “Brexit" tornou-se literalmente insuportável. Era preciso sair do pesadelo – e só Boris, com a ajuda providencial de Corbyn, o pior candidato trabalhista imaginável, poderia proporcioná-lo através de um dos seus golpes irresistíveis de comediante.

Apesar das possíveis semelhanças e familiaridade com outros políticos populistas – como Trump, Bolsonaro ou Órban –, o registo de Boris é outro: pode não ter vergonha de mentir descaradamente ou dizer enormidades ridículas, mas dificilmente o poderemos associar aos discursos do ódio e outras barbaridades mais ou menos extremistas que caracterizam essas personagens. Não por acaso, apesar das cumplicidades que partilham, Boris temeu durante a campanha eleitoral aparecer em público ao lado de Trump (como este desejaria).

Mas eis que chegou o momento da verdade, em que a arte da comédia se arrisca a contar pouco. Ou seja, como irá Boris descalçar a bota do “Brexit”, cuja história, afinal, está ainda muito longe de ter acabado, ou como conseguirá gerir as pulsões nacionalistas de escoceses e irlandeses? Aí começa outro capítulo deste folhetim que culminou, no capítulo anterior, na tal imagem enternecedora do cão de Boris, Dilyn, a ser beijado pelo dono. Se política e comédia coexistem muitas vezes estreitamente, quando entram em choque frontal o resultado pode ser simplesmente catastrófico.

PS – Outro género cómico está a ser cultivado por António Costa e Mário Centeno a propósito do seu diferendo sobre o orçamento europeu. Costa acha normalíssimo andar de candeias às avessas com o seu silencioso ministro das Finanças, como se não se encontrassem ambos, pelo menos, nos conselhos de ministros, e essa insustentável discordância que os opõe não causasse grande estranheza entre os nossos parceiros europeus. Além disso, acontece que nem Costa nem Centeno têm talento de comediantes…

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publicado às 19:13

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A decisão destas eleições encontra-se em muito na mão da população mais jovem que terão de escolher entre uma União Europeia construída em liberdade e com sacrifício e a sua destruição a troco de nada. Uma das respostas é evitar a abstenção.

As eleições europeias apresentam-se mais importantes do que as do passado. Quem preza a democracia no seu país deve contribuir para a preservar também no contexto europeu onde nos inserimos e só há uma forma: votar.

Isto por causa do atual contexto político, e da possível saída do Reino Unido e, ainda, devido a problemas regionais, como é o caso da gestão das fronteiras externas da União Europeia.

A abstenção nas eleições não é a saída para os problemas da U.E., bem pelo contrário, eles apenas se resolvem com a votação em massa nos candidatos que os podem resolver para não deixarmos os que fazem afirmações populistas prometendo modificá-la por dentro criando entropias no seu funcionamento com objetivos tendentes à sua desagregação.

Os jovens que circulam livremente pela Europa, quer através do programa Erasmus, quer através de qualquer outra forma com motivações várias, devem ser os primeiros a tomar consciência da gravidade da situação que pode advir do Parlamento Europeu vir a ter maioria dos partidos que pretendem limitar essa liberdade de circulação ao conseguirem impor nacionalismos exacerbados e outras limitações à liberdade dos cidadãos.

O resultado destas eleições encontra-se muito na mão da população mais jovem que terão de escolher entre uma União Europeia construída em liberdade e com sacrifício, que, de certo, deve ser melhorada, e a sua destruição a troco de nada. E a única forma é evitar a abstenção.

Os mais velhos que viveram a nossa adesão à comunidade das nações europeias se forem honestos podem ver quanto o nosso país progrediu e as melhorias lhes lhes trouxe apesar de alguns saudosistas do passado , à esquerda e à direita, pretenderem que Portugal volte à política do orgulhosamente sós com a saída da U.E. 

O referendo que trouxe o Brexit ao Reino Unido é o exemplo paradigmático do que aconteceu com um país rico e que está a braços com uma aguda crise política onde as sondagens dão a maioria a um partido o Brexit de Nigel Farage que nada tem para oferecer e que apenas aposta nos problemas que o Brexit tem trazido ao Reino Unido. E depois do Brexit que partido passa a ser este? O de oferecer soluções enganosamente simples para problemas complexos?

Passou a ser moda a imitação de Trump. Farage imita-o fazendo crer que vai tornar a Grã-Bretanha grande novamente. Um elevador direto da cartilha de Donald Trump.

Aquando do referendo “os mais jovens, 70% votaram pela permanência. Os eleitores mais velhos, que votaram pela saída, não estarão vivos para ver as consequências”. A decisão destas eleições encontra-se assim na mão da população mais jovem e de mentalidade aberta.

Os que tendo responsabilidades políticas falam contra aqueles a que chamam burocratas de Bruxelas, dos défices democráticos na U.E. e contra os que lá se encontram, dizem, não foram eleitos democraticamente são tudo mechas demagógicas e populistas. A estes, quando se lhes perguntam quais as alternativas atuais para alterar a situação nada dizem ou, então, dizem que concorrem às eleições para modificar por dentro a U.E. Sabemos bem o que significa, para eles, modificar a U.E. por dentro! O partido Brexit lança um fluxo de mentiras sobre traição e humilhação.

A desvalorização e a abstenção nas eleições europeias é como perdermos o nosso cartão de débito ou crédito com o código PIN escrito no próprio cartão. Mais tarde ou mais cedo alguém se irá aproveitar. Neste exemplo não sabemos que poderá vir a utilizá-lo, no caso das eleições sabemos bem que são os que se irão aproveitar. Não votar nas eleições europeias é uma espécie de cheques em branco passado aos partidos que se irão sentar no Parlamento Europeu.

O que temos de fazer é, com as eleições ajudar a bloquear a tentativa através dos meios democráticos disponíveis para que partidos radicais de direita se coloquem em maioria no Parlamento Europeu.

Em Portugal há dois partidos europeístas com representação relevante que poderão estar em linha para ganhar as próximas eleições são eles o PSD e o PS. O CDS será apenas uma ajuda à mão do PSD.

Na U.E. existem vários grupos ou famílias políticas onde os partidos europeus se incluem. Os grupos onde os dois partidos portugueses mais influentes estão incluídos são o PPE – Partido Popular Europeu* onde estão incluídos o PSD e o CDS e o S&D - Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas** onde se inclui o Partido Socialista.  

Para contrabalançar o peso da extrema-direita e do populismo no Parlamento Europeu que é o órgão legislativo da EU e é diretamente eleito pelos cidadãos europeus de cinco em cinco anos  só o grupo dos partidos do centro-esquerda como em Portugal o PS - Partido Socialista poderão, para tal, contribuir, já que o PSD, em algumas circunstâncias, aproxima-se de algumas das posições tomadas no Parlamento Euroipeu estando do lado dos partidos da extrema-direita

______________________________________________________

*Reúne, no essencial, Eurodeputados do centro-direita, favoráveis ao aprofundamento da integração europeia, mitigado pela subsidiariedade na repartição de poderes (isto é, seguindo a máxima “a Deus o que é de Deus, a César o que é de César”, o PPE é favorável a que os Estados mantenham na sua mão a atuação numa série de domínios sobre o quais a UE não tem ação exclusiva) e ao equilíbrio das contas públicas. Sendo o maior grupo político – e partido – há muito tempo, o PPE tem dominado e direcionado grande parte das questões europeias fundamentais deste século. Internamente, o partido tem vindo a lidar com críticas pela “tímida” condenação das políticas de Viktor Órban, Primeiro-Ministro Húngaro e membro do partido. Manfred Weber, líder do grupo parlamentar, é o candidato do partido à presidência da Comissão. São membros os MEPs do PSD e do CDS-PP e ainda José Inácio Faria (inicialmente no ALDE).

**Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D) – representam o contraponto do PPE à escala europeia e em grande parte dos Estados-membros, tendo conseguido a maior representação no Parlamento Europeu até 1999. Inclui membros de partidos sociais-democratas, principalmente de centro-esquerda. O partido político europeu a que pertencem é o Partido Socialista Europeu (PES). As principais prioridades são o aumento do emprego, a aplicação de um modelo redistributivo da economia e o desenvolvimento sustentável. Juntamente com o PPE formam o grande bloco decisor – e decisivo – das principais políticas europeias ao longo dos tempos. São membros os MEPs do PS.

 

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publicado às 18:00

A União Europeia pode estar em perigo - I

por Manuel_AR, em 16.04.19

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O que se passa na Europa: o regresso às ameaças do passado?

Falta aproximadamente mês e meio para as eleições europeias e, segundo as sondagens, parece haver na U.E. uma tendência de subida de partidos extremistas de direita, populistas e nacionalistas.

Segundo um estudo que analisou quase 48 milhões de mensagens publicadas entre 15 de dezembro de 2018 e 20 de janeiro de 2019, realizado pela Alto Analytics, Big Data and Artificial Intelligence os partidos mais mencionados na Europa em debates públicos online são os eurocéticos, nacionalistas, extremistas de direita e anti-imigração.

Antes de continuar convém clarificar o que, baseado em vários investigadores, se entende por populismo no contexto deste artigo. Populismo pode ser encarado sob três conceitos principais: como ideologia, como um estilo de discurso e de narrativa e como uma forma de mobilização e estratégia política. Como ideologia é um conjunto de ideias inter-relacionadas sobre a natureza da política e da sociedade. Como estilo e característica de discurso e de narrativa tende a ser uma forma de fazer afirmações sobre política para captar através do sentimento e emoção a atenção do público a que se dirige. Como forma de mobilização e estratégia política uma forma de mobilização e organização.

Todos eles, sendo enquadrados em vários contextos sociais e políticos o discurso e as narrativas têm características populares de significado “altamente emocional e simplista” e dirigido aos "sentimentos viscerais" das populações. Guiam-se por uma política oportunista com o objetivo de, rapidamente, agradar às pessoas, potenciais eleitores. Assim, podemos considerar o populismo ainda como uma ideologia que considera a sociedade separada em dois grupos homogéneos e antagónicos, "o povo puro" versus "a elite política corrupta”.

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A intensificação e o crescimento dos votos em partidos da extrema-direita populista em vários países da U.E. começam a ser preocupantes e as vozes extremistas que aparecem nas redes sociais são também uma prova disso. Para poderem justificar as alarvidades que pronunciam aquele tipo de partidos utiliza a argumentações de que, nas atuais democracias, não há liberdade de expressão. Quem sempre restringiu a liberdade, tirando a extrema-esquerda que hoje deixou de ter influência significativa, foi a extrema-direita quando esteve ou quando está no poder (censura na imprensa como na Hungria hoje em dia).

Extrema-direita e o mimetismo da democracia

Os partidos da extrema-direita, mal-aceites no passado por outros partidos mesmo os considerados de direita, apresentam-se agora nos parlamentos da maioria dos países da Europa Ocidental e participam no governo em vários deles tendo, portanto, a capacidade para influenciar a formulação de políticas nesses países, nomeadamente no impacto que possam ter nas políticas públicas.

A presença das ideias políticas de extrema-direita deve ser um desafio ético-político fundamental aos que recusam o irracionalismo, os discursos populistas e as práticas racistas, étnicas, xenófobas, sexistas e opressoras apelando a nacionalismos radicais e autoisolacionistas.

No plano político, conservadores, e os politicamente reacionários a tudo o que advenha dum sistema democrático ou até mesmo do centro-direita pertencem em parte ao campo ideológico da direita extrema, resistindo a mudanças estruturais que sejam favoráveis às classes trabalhadoras e que levem a perdas de poder económico e político. No outro lado encontram-se os reformistas, socialistas e comunistas que se têm constituído, cada um por seu lado, em frentes comuns de defesa da democracia política. Cada um reivindica para si a defesa da democracia atacando-se mutuamente de serem causadores da sua perda em favor da extrema-direita, ou reivindicam eventuais vitórias como o que se tem verificado em Portugal onde existe um acordo parlamentar entre partidos de esquerda e de centro-esquerda.

(Continua...)

 

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publicado às 21:36

Temas à solta I: eleições europeias

por Manuel_AR, em 27.02.19

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Se acreditarem naqueles que dizem que são o que não são, depois não se admirem e digam: Pois, não sabíamos que era assim!

Parlapatão é um indivíduo que podemos designar por farsante, o que engana os outros com os seus argumentos intrujões, de meias verdades, omissões, quando não falsidades, é um fanfarrão, impostor, pantomimeiro. Um parlapatão pode ter todas ou só algumas das mencionadas propriedades.

Como cabeças de lista às europeias temos dois parlapatões cada um ao seu jeito. O parlapatão Pedro Marques do PS e o parlapatão Paulo Rangel do PSD. O primeiro, Secretário de Estado, agora saído do Governo para ser cabeça de lista às eleições europeias, já o conhecemos e identificámos o seu estilo palavroso, mais emotivo, diz mais do que devia não lhe faltando sobriedade. Quanto ao segundo, esse é mais subtil, confuso e ambíguo  na defesa dos seus pontos de vista sendo, por isso, perigoso devido ao seu canto de sereia.

Paulo Rangel tem andado ultimamente pela Venezuela com outros elementos da Comissão Europeia a fazer pressão contra esse ditador incompetente, obsedado, tarado, irresponsável que dá pelo nome de Nicólas Maduro. E, se por lá anda, ainda bem. Mas isso, tem para Rangel vantagem política pessoal para além de fazer parte da sua promoção de campanha para as eleições europeias de maio enquanto cabeça de lista pelo PSD.

Recuemos um pouco. Em setembro de 2018 o Parlamento Europeu aprovou o relatório que recomendava a instauração do artigo 7.º do Tratado da UE contra um Estado membro, a Hungria de Viktor Orbán. De acordo com aquele artigo o Parlamento Europeu pode ativar o mecanismo preventivo e pedir ao Conselho para determinar se existe um risco manifesto da violação dos valores da U.E.  pelo que a Hungria poderia, em última análise, perder direito de voto.

O relatório da comissão parlamentar das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos do Parlamento Europeu que considerava existir um risco manifesto de violação grave, pela Hungria, dos valores europeus, recebeu 448 votos a favor, 197 contra e 48 abstenções durante a votação realizada no PE, em Estrasburgo que pode conferir aqui.

Vejamos então as posições de Paulo Rangel quanto a esta posição da U.E.:

Paulo Rangel, cujo partido se encontra no grupo PPE da U.E., o mesmo a que pertence o partido de Viktor Orbán , afirmou que "O PSD sempre votou desde 2011 todas as resoluções que condenam a Hungria, ao lado das delegações holandesa, sueca, finlandesa, e nos últimos anos, das delegações romena e polaca.". Mas, a seguir Paulo Rangel lamentou "que não haja o mesmo procedimento para dois governos socialistas: a Eslováquia, onde jornalistas foram assassinados por investigarem corrupção ligada ao governo, e a Roménia". Isto é, por estar em desacordo com as sanções à Hungria defende o prevaricador apontando o dedo a outros e apenas por motivos ideológicos sem que o objeto da acusação estivesse no mesmo âmbito.

Mas há mais. Mário David que foi homem de mão de Durão Barroso, há mais de 26 anos que é amigo do primeiro-ministro húngaro Orbán amizade que lhe valeu a consultoria política sendo agora seu conselheiro, devido à relação de amizade antiga que tem com Viktor Orbán desde antes da sua entrada para o Partido Popular Europeu (PPE). Mário David esteve ao lado do polémico primeiro-ministro e defendeu os pontos de vista de Viktor Órban, apesar de o PSD ser crítico da atuação do Governo húngaro quanto aos pressupostos básicos do Estado de Direito. Se quer confirmar então veja aqui. Por sua vez Jószef Szájer, colega de Rangel no PPE, foi o autor confesso das alterações constitucionais que iniciaram o desfazer do Estado de Direito na Hungria.

É notório o sectarismo de Paulo Rangel. Enquanto alguns estão sempre disponíveis para denunciar com a mesma intensidade abusos cometidos por governos, quer de adversário, quer de aliados, no ataque à corrupção e à conivência governamental em países como Malta e Eslováquia, governados por socialistas, Paulo Rangel usa as críticas justificáveis, apenas aos regimes de adversários que violam direitos humanos para relativizar comportamentos iguais aos dos seus aliados.

O candidato que Paulo Rangel apoia para Presidente da Comissão Europeia, o conservador Manfred Weber, grande apoiante tácito de Orbán, é, também, o mesmo que é apoiado por Viktor Orbán.

Rangel é ardiloso ao ponto de esconder factos como estes quando fala aqui, em Portugal. Em vez de intervir com a palavra, quando as violações de direitos humanos, as normas e os valores da U.E., são infringidos. Opta por omitir, esconder e dissimular quando, politicamente, isso lhe interessa.

Se acreditarem naqueles que dizem que são o que não são, depois não se admirem e digam: Pois, não sabíamos que era assim!

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publicado às 18:17

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De acordo com o jornal Le Monde  estará marcada um nova manifestação dos “coletes amarelos” em França para sábado 1º de dezembro?

Apesar do discurso de Emmanuel Macron em 27 de novembro, apesar da reunião de representantes do movimento com o ministro da transição ecológica François de Rugy (27 de novembro) e depois com o primeiro-ministro Edouard Philippe (30 de novembro), mais um dia de a mobilização está planeada em toda a França.

Marine Le Pen líder do partido União Nacional, ex FN, sob a capa da moderação, provoca implicitamente o confronto quando disse na Europe 1, segundo o jornal FranceSoir,  "Se os Champs Elysees forem interdito aos “coletes amarelos” eles sentirão isso como um ato de  mais humilhação, mais uma forma de desprezo", argumentou o Marine Le Pen. "Os Champs-Élysées é uma avenida que é o símbolo da França, ora os “coletes amarelos” são o povo francês…” Eles consideram isso como como sendo seu.”, afirmou Le Pen. Pode conferir aqui.

Segundo uma sondagem  em França que pode ver aqui são cada vez mais os franceses que apoiam os “coletes amarelos” e os protestos pela redução de impostos e reposição do poder de compra: 84%,. Os eleitores da União Nacional de Le Pen, antiga FN, são os que mais apoiam a contestação com 92%. Os apoiantes de Macron dividen-se: 50% apoiam e 50% não.

Isto leva-nos a refletir sobre este tipo de movimentos. As manifestações são ações democráticas em que se pretende expressar coletiva e publicamente um sentimento ou uma opinião podendo ser

 

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publicado às 18:58

Causa e consequência dos males do mundo

por Manuel_AR, em 21.04.17

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A mensagem de que os velhos são a causa dos males que as sociedades enfrentam tem vindo a tomar corpo através de artigos de opinião e posições tomadas por alguns quadrantes interessados em encontrar bodes expiatórios utilizando, para tal, a comunicação social.

Na altura do Brexit surgiram títulos em que se pretendia fazer crer que os causadores tinham sido os mais velhos. «O Reino Unido está dividido. Não só pelos 3,8 pontos percentuais entre o ficar e o sair, mas também porque jovens e idosos votaram de forma distinta. E há quem diga que os velhos "lixaram" os novos.», dizia um título num órgão de comunicação online que apresentava gráficos de credibilidade duvidosa. Por ser secreto, o boletim de voto nada indica sobre a idade do eleitor. Assim, apenas restam pressupostos enviesadas donde se podem tirar apenas conclusões meramente especulativas baseadas em presunções falíveis sobre dados demográficos regionais. Por outro lado, há que procurar justificações para o falhanço que têm sido as projeções que davam a vitória do “Sim” à permanência do Reino Unido na UE.

O mesmo se passa com a vitória do “Sim” à atribuição de poderes absolutos a Edorgan na Turquia em artigos de opinião de jovens escribas, dinâmicos e cosmopolitas abertos ao mundo, ávidos de protagonismo no circulo da comunicação que sopram na mesma direção. Para um desses jovens da comunicação, na Turquia os jovens dinâmicos foram os perdedores devido a que, nos referendos, ganham os mais velhos socialmente conservadores. Claro, nem mais!

Para aqueles fazedores de opinião Erdogan aumentou os seus poderes graças aos mais velhos, já que a questão étnica relacionada com os curdos, tema em que os tais jovens dinâmicos e velhos parecem estar de acordo, parece não interessar. O voto dos curdos, cerca de 16% dos 80 milhões de habitantes, era uma das principais incógnitas do referendo e poderia fazer pender o resultado para o "sim" ou para o "não". Diversos setores curdos conservadores apoiaram o AKP, mas a maioria tem-se reconhecido no Partido Democráticos dos Povos (HDP, terceira força política no parlamento), que apelou ao voto contra a revisão constitucional e denunciou uma campanha desigual, em particular um tempo de antena quase inexistente.

É bom recordar que a integração europeia foi construída graças aos cidadãos que agora são os velhos que acusam de ser os causadores da saída. Em Portugal foram também esses que deram o seu apoio à adesão de Portugal à Comunidade Europeia (então CE), consumada pelo tratado de Lisboa - Madrid assinado em 12 de junho de 1985.

Aliás, pode constatar-se donde provem a tendência mais conservadora nas eleições em Portugal, se dos velhos que viveram o 25 de abril ou dos novos que nem sabem como isso foi. Para estes jovens dinâmicos, cosmopolitas e abertos ao mundo recomendo a leitura de Portugal em Chamas” de Miguel Carvalho.

Todos se recordam que aquele tipo de ideias tinha já sido lançado por um jovem dinâmico do PSD através do slogan “peste grisalha” para além doutros impropérios provenientes da mesma área.

Conservadores ou progressistas podem ser todos, novos ou velhos. Não depende dos desejos ou dos interesses de quem queira arranjar desculpas para a frustração das suas expectativas. As sociedades humanas são demasiado complexas onde inúmeras variáveis em presença não tem contemplação com análises simplistas com base em informações especulativas. Os que votam hoje conservador poderão amanhã votar progressista.

Das doutas opiniões destes jovens sabedores que não calcorrearam os caminhos do sucesso porque tudo lhes foi oferecido, não digo de mão beijada, mas pelas oportunidades que lhes foram proporcionadas pelos mais velhos, podemos tirar a conclusão de que o envelhecimento da população empurra as sociedades para o conservadorismo, mesmo aqueles que, quando jovens eram acusados pelos mais velhos da altura de serem revolucionários. 

Não servindo de comparação, recordo que há várias formas de se criarem bodes expiatórios como aconteceu no Terceiro Reich ao ser lançada pela propaganda nazi a mensagem de que a causa de todos os males que assolavam a Alemanha de então eram os judeus. Após a perda da Primeira Guerra Mundial os judeus passaram a ser bodes expiatórios da ruina financeira e económica que a Alemanha atravessava já que, quase metade de todos os bancos privados alemães pertenciam a judeus, a bolsa de valores era dominada por negociantes judeus, quase metade dos jornais da nação eram comandados por judeus assim como 80% das lojas de departamentos.

 

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publicado às 20:27

O Brexit de Theresa May e o namoro de Trump

por Manuel_AR, em 12.02.17

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Os países que atualmente integram a UE - União Europeia, nomeadamente os países de leste, não foram obrigados, quiseram entrar e fizeram tudo para isso. Considerassem ou não as regras para a entrada sabiam ao que estariam sujeitos, conheciam-nas e aceitaram-nas. A UE não os recusou descorando o que poderia a acontecer.  

Agora, com a saída do Reino Unido a intenção da senhora Theresa May do Partido Conservador, a quem entregaram o governo do Reino Unido para a negociação da saída, é a de apostar na divisão entre membros da UE para daí tirar proveito e iniciar o seu desmantelamento e, daí, ser uma grande aliada para Trump. May já disse que "Este é o primeiro passo para um futuro acordo comercial com os EUA, que poderia proporcionar enormes benefícios para o nosso músculo econômico e dará às empresas mais certeza e confiança". Trump não se faz rogado e corresponde dizendo que “queria que a Sra. May fosse a primeira pessoa que vê quando chega em uma visita de estado para ver a rainha e que ele disse a um funcionário que guardasse o cardápio da Casa Branca para almoçar juntos como lembrança Reunião”.

Inclusivamente a simpatia por aquele indivíduo é tal que já fala no restabelecimento de fronteiras com a Irlanda, talvez por timidez não tenha falado de construção de muro. Theresa May, ao contrário do que vinha dizendo está a voltar a face e o discurso. Diz agora que a fronteira será um mal menor em relação aos problemas que podem surgir. É uma espécie de ameaça porque, tal como a Escócia, a Irlanda votou a favor da permanência na UE e a saída poderá obrigar à reposição de controlos na fronteira que desapareceram com os acordos de paz de 1998.

Pretendendo colocar em confronto governos aumentado o risco das negociações falharem, ameaçando sobre o que fará com os impostos e com a segurança se não conseguir o que pretende, vira-se para países como a Hungria e Polónia, por enquanto, jogando com a diferença de interesses entre eles e os da Alemanha e França. Isto é o que Jean-Claude Juncker pensa e que somos levados os mais pessimistas nesta área pode vir a acontecer. Por isto se confirma o que escrevi atrás sobre países que andaram a pedir para entrar na UE e preparam-se para atraiçoar quem os aceitou.

A europa do euro tem que unir-se para manifestar, neste assunto um mesmo pensamento e ser exigente de modo a que o Reino Unido veja que não ficará melhor fora da UE do que dentro e que, face ao desastre que surgiu nos EUA, são mais importantes do que manter boas relações com o Reino Unido.

A UE têm que vacinar-se contra as ideias de isolamento com que tantos europeus se deixaram contaminar pelos nacionalismos e populismos bolorentos que voltaram a estar na moda incentivando os que gostam de se mostrar do contra corrente e muito “in”, mas que mais tarde se arrepende por ficarem “out”.

 

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publicado às 19:05

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O crescimento económico é um dos indicadores utilizados para avaliar o comportamento das economias. Em Portugal oposições aos governos, conforme se encontram num campo, ou noutro, aproveitam o argumento do crescimento para fazerem críticas ou autoelogios às medidas económicas tomadas que cada um toma quando em funções.

O crescimento anual do PIB - Produto Interno Bruto em volume é um indicador que reflete a variação anual da riqueza criada por uma dada economia. O mais utilizado é o PIB a preços constantes de modo a que apenas o crescimento real da produção seja levado em conta. É um indicador que possibilita comparações, quer ao longo do tempo quer entre economias de diferentes dimensões.

O PPC - Paridade de Poder de Compra é outro indicador que procura avaliar quanto a moeda duma determinada economia pode comprar em termos internacionais, utilizando como comparação o dólar. Isto porque, como os bens e serviços diferem os preços de um país para outro, esta medida procura relacionar o poder aquisitivo das pessoas com o custo de vida do local e se ela consegue comprar tudo o que necessita com seu salário.

Tendo em vista as previsões para o crescimento do PIB, do PIB per capita e do PPC na União Europeia para 2017 procedi a uma comparação através do cálculo de coeficientes de correlação entre aquelas três variáveis.

Os cálculos e os gráficos foram construídos tendo como fonte dados estatísticos do jornal Diário de Notícias de janeiro do corrente ano obtidos a partir de The Economist. Referem-se estes dados às previsões para o ano de 2017 e, de acordo com a informação publicada, foram aplicadas as taxas de câmbio do dólar com a conversão para euros feita segundo a taxa de câmbio de 7/12/2016.

Numa primeira fase, com base em dados estatísticos obtidos no INE, foi traçado um gráfico evolutivo do crescimento do PIB em Portugal comparativo com a evolução na União Europeia no mesmo período para mais facilmente se compararem diferenças.

Numa segunda fase foram traçados gráficos de dispersão das três variáveis em análise assim como o cálculo dos coeficientes de correlação. Para análise de alguns países da Ásia utilizei a mesma metodologia e os mesmos critérios feitos para a U.E.

Análise da evolução do crescimento.

Conforme mostra o Gráfico 1, desde 2000 que Portugal acompanhou o crescimento da U.E. apenas na evolução, mas apresentando sempre valores mais baixos. Partindo ambos dum valor muito próximo dos 4% no ano 2000. Assim, em 2000 o crescimento em Portugal está aproximadamente em conformidade com o valor da UE que acompanha até 2001. A partir deste ano inicia o seu afastamento gradual da UE distanciando-se da sua evolução verificando-se um distanciamento entre as variáveis crescimento enfatizando-se a magnitude da alteração ao longo do tempo que se agrava a partir de 2002.

Há dois momentos em que volta a aproximar-se, 2008 e 2010 acompanhando a queda brusca de 2009. Embora acompanhando a UE no crescimento negativo obtém um valor substancialmente menos negativo em 2009. Em 2010 o crescimento volta a crescer ficando em 2010 a par da UE ano a partir do qual a UE mantem o seu crescimento com valores positivos enquanto Portugal verificou uma queda brusca entre 2011 e 2012 durante o período do XX Governo Constitucional da aliança PSD-CDS recuperando timidamente os valores de crescimento negativo em que se manteve até meio de 2013, passando a acompanhar a UE a partir de 2014.

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 Gráfico 1

Nas evoluções do crescimento, Portugal e UE a magnitude da alteração ao longo do tempo mostra-nos que teve o seu máximo no ano de 2012 prolongando-se até 2014. É nítido o desvio entre os crescimentos das duas evoluções no mesmo período como mostra a área compreendida entre as duas linhas de evolução. A média do crescimento no período dos 15 anos analisados é, no caso de Portugal, nitidamente mais baixa, com 0,4, e 1,4 para a UE a 28.

Em síntese o crescimento de Portugal é nitidamente mais fraco do que a UE a 28, mas, por outro lado, acompanha a tendência deste grupo de países devido a conjunturas endógenas e exógenas a que todos os países ficaram expostos.

Previsão de crescimento e PIB per capita na UN: uma análise comparativa.

Efetuada a síntese do crescimento comparativo entre Portugal e a UE a 28 e alguns que não pertencem a este grupo, nomeadamente a Rússia, a Ucrânia e a Turquia, procedi a uma análise sobre as previsões de crescimento para 2017 entre os vários países. Para tal foi construído um gráfico de dispersão com a reta de tendência (reta de regressão) e calculou-se o coeficiente de correlação entre as variáveis em análise. Este coeficiente representa uma medida estatística determinada a partir da comparação entre as várias observações entre duas variáveis. Neste caso o cálculo foi efetuado entre as variáveis previsão do crescimento do PIB para 2017, com a previsão do PIB per capita e ainda com o crescimento da PPC cujo significado foi explicado no início.


A medida da variação conjunta das variáveis ou covariação observada num diagrama de dispersão é a correlação entre as duas variáveis. Essa medida é realizada numericamente por meio dos coeficientes de correlação que representam o grau de associação entre duas variáveis contínuas. As medidas genéricas de correlação, frequentemente são designadas por R e variam entre -1 e +1. No que respeita ao sinal + (mais) no coeficiente de correlação significa que as variáveis têm um comportamento no mesmo sentido, isto é, quando cresce uma também cresce outra. Um sinal - (menos) no coeficiente de correlação significará, ao contrário, que, quando uma varável cresce a outra decresce e vice-versa.

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 Gráfico 2

Efetuados os cálculos e traçados os gráficos observou-se que existe uma forte correlação negativa de -0,71 entre a variável previsão de crescimento do PIB e o PIB per capita entre os países da UE. Isto é, quanto menor é o PIB per capita maior é o crescimento, como mostra a tendência da reta de regressão e o sinal do coeficiente de correlação apresentados no Gráfico 2.


Pode observar-se pelo gráfico dois grupos de países que se aproximam pelas suas características segundo os PIB per capita e o crescimento. Um primeiro grupo com um crescimento relativamente elevado e um PIB per capita baixo. Estão neste caso a maior parte dos países do leste europeu e a Turquia onde um PIB per capita baixo, mesmo abaixo da média, correspondem previsões de crescimento mais elevados, todos acima da média de 2% do PIB. Destaca-se a Ucrânia com um dos rendimentos mais baixos, mas com uma previsão de crescimento acima dos 2,5% e a Rússia com baixo crescimento e PIB per capita também muito baixo. Após o “Brexit” o Reino Unido destaca-se pelo seu baixo crescimento e com o PIB per capita elevado.

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Gráfico 3

Os países com maior PIB per capita são os que apresentam uma previsão de crescimento mais baixos. Salientam-se a Grécia e Portugal com muito baixos crescimentos nas previsões, mas com um PIB per capita acima da média. Neste grupo destaca-se a Suécia cuja previsão do PIB per capita é elevado e com um crescimento relativamente elevado muito acima dos seus pares europeus.

Para Portugal prevê-se um crescimento muito abaixo do da Grécia, mas acima da Itália. Mesmo assim, as previsões apontam para que Portugal cresça significativamente ficando na 21ª posição do ranking alinhando com a Alemanha e acima dos países do norte da Europa dos quais seria de esperar melhores desempenhos. A Suécia salienta-se prevendo-se um crescimento acima da média tendo e com um PIB per capita elevado e muito acima da média.

No que se refere à correlação da PPC – Paridade de Poder de Compra, o coeficiente de correlação com a taxa de crescimento é também significativo e de sinal negativo, -0,61, que, embora menor, mesmo assim significativo, acompanha o do PIB per capita como mostra o Gráfico 3.

Os países onde se verifica mais crescimento são também aqueles onde a PPC é também mais baixa, como seria de esperar, não se verificando alterações significativas em relação à análise efetuada entre o PIB per capita e as previsões de crescimento.

Previsão de crescimento e PIB per capita em alguns países da Ásia


Alguns países da Ásia pertencem ao grupo dos considerados como economias emergentes e que ainda apresentam níveis sociais e de distribuição de renda limitados, com elevada pobreza e falta de recursos em muitas áreas da sociedade, como educação e saúde.

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Gráfico 4

Os países emergentes são grandes exportadores de matérias-primas, grandes recetores de empresas multinacionais que para lá se deslocalizam à procura de mão-de-obra barata (além de também serem medianos fornecedores dessas mesmas empresas), e possuem um amplo e crescente mercado consumidor e uma grande capacidade de crescimento económico centrado no setor terciário. A questão chave é se o crescimento económico desses países está a promover a diminuição das desigualdades sociais internas e se a parte inferior da pirâmide social está a ser beneficiada.

Utilizando os mesmos critérios foi composto o gráfico de dispersão e calculado o coeficiente de correlação para as previsões de crescimento em alguns países da Ásia, representados no Gráfico 4, tendo em conta os indicadores de previsão do PIB per capita, a PPC e o crescimento. Foi ajustada uma curva de tendência polinomial que me pareceu ser a mais adequada a esta série de dados o que é demonstrado pelo coeficiente de correlação muito significativo de -0,76. O ajustamento da reta mostra um valor menor, -0.61.

Foram traçadas duas curvas uma linear e outra polinomial a fim de se ver qual se ajustava melhor à dispersão de dados. A linha de tendência polinomial é útil para quando há flutuação de dados no caso de se analisar os ganhos e as perdas de um conjunto de dados de grande dimensão (não foi este o caso, mas, devido aos valores do PIB, em dólares serviu o objetivo) e porque os dados mostravam que havia flutuações dos dados com grandes oscilações (máximos e mínimos). A curva polinomial foi a que mais se ajustou à dispersão dos dados com o valor de R ao quadrado 0,5711. A linha de tendência linear mostrou um menor ajustamento R ao quadrado 0,3711 pelo que se optou pela primeira.

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Gráfico 5

Como se pode verificar pelo Gráfico 5 a tendência nas previsões de crescimento para a PPC mantém-se apresentando, no entanto, um coeficiente correlação de -0,81 que evidencia uma forte ligação com o crescimento.

A correlação entre o crescimento e o PIB per capita verificado nos países da UE a 28 também se comprova em alguns países da Ásia. Isto é, a um menor PIB per capita correspondem maiores taxas de crescimento. Contudo, a leitura deve ser feita com algum cuidado já que outras variáveis importantes como, por exemplo, a população, podem influenciar os resultados. Tendencialmente, os baixos rendimentos das populações parecem ser condição de crescimento das economias. Conhecendo-se que no cálculo do PIB per capita estão incluídos os rendimentos agregados do produto a renda, podemos, embora com alguma margem de erro, pode considera-se que os rendimentos do trabalho, isto é, os salários e outras remunerações são uma componente importante para a formação do PIB sendo o rendimento das classes trabalhadoras influencia o PIB per capita. Assim sendo, nos países onde aquele rendimento per capita é mais baixo é onde verificam maiores previsões de crescimento.

 

Síntese.

O crescimento de Portugal entre 2000 e 2015 acompanha a evolução do crescimento dos países da UE a 28, apresentando, no entanto, valores mais baixos nos mesmo período com exceção do ano 2015. A área entre a evolução das duas variáveis da observação mostra-se elevada ao longo da série, mas mostra um desnível de afastamento da evolução da Europa. 

As correlações entre as previsões de crescimento do PIB para 2017 e as previsões do crescimento do PIB per capita e da PPC para o mesmos anos apresentam-se relativamente elevadas verificando-se o mesmo comportamento em alguns países da Ásia o que pode conduzir à conclusão que os crescimentos mais elevados das economia depende sobretudo dos baixos rendimentos per capita, todavia poderá ser uma conclusão apresada visto que há variáveis e fatores que podem influenciar os ditos crescimentos mais elevados.

Segundo analistas internacionais os principais riscos para as perspetivas económicas da zona euro são externos mas a maioria dos indicadores de sentimento econômico apontam para uma expansão na economia da zona do euro em 2017. Esperam a continuação da recuperação com probabilidade de enfraquecimento. Será a procura interna o principal motor do crescimento, e espera-se que tanto o consumo como o crescimento do investimento se moderem.

O crescimento do consumo vai provocar um aumento da inflação, uma vez que o efeito da queda dos preços da energia desaparecerá, como aliás temos visto com o aumento dos combustíveis.

Os riscos são elevados e provêm principalmente da política interna, com eleições planeadas nos Países Baixos, França e Alemanha e do setor externo teremos a influência a política comercial americana de Trump o que provoca incertezas.

Para finalizar não quero deixar de dizer que as críticas feitas pelo PSD e o CDS ao crescimento em Portugal e da responsabilidade do atual governo é mera retórica partidária. Esquecem-se de que são consequências do passado dos seus governos que, por sua vez, também arcaram com as do governo anterior de José Sócrates no qual, o então ministro das finanças Teixeira dos Santos, teve grande parte das responsabilidades no  que se passou com as finanças públicas.

 

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publicado às 23:01

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A incerteza e a imprevisibilidade foram palavras muitas vezes utilizadas implícitas por comentadores ao fazerem as suas previsões para o Novo Ano que então se aproximava.

A incerteza constitui o denominador comum de todas as ciências sejam teóricas ou aplicadas, ciências da terra e ciências sociais e humanas.

O ano de 2017 tem sido associado a um ano de risco e de incerteza quer ao nível da política interna e externa e dos refugiados, quer ao nível social, financeiro e económico. É um ano de eleições em alguns países da Europa que que se prevê irão ser dominadas pelas subida das extremas direitas  nacionalistas populistas e nos EUA vai tomar posse o novo presidente. Estes dois acontecimentos conjugados provocam incertezas e as previsões não vaticinam ser dos melhores e estão a preocupar os Estados.

A economia sendo uma ciência humana não exata confronta-se, como quaisquer outras disciplinas científicas, com a incerteza. Ao tratar da produção, do rendimento e do consumo não é mais do que trabalhar num ambiente de incerteza determinado, a maior parte das vezes, pelas ações humanas.

A incerteza afeta fenómenos como os rendimentos futuros do trabalho ou os rendimentos do capital. Pode ainda afetar a inflação , o nível dos impostos, o investimento. Todas as atividades económicas estão marcadas pela incerteza em vários graus. Sempre foi assim, mas o ano que entrou traz-nos novas variáveis entre as quais a dimensão da prática criminosa do terrorismo.

A economia esforça-se por caracterizar a incerteza e os riscos que lhe estão associados  e as escolhas económicas em ambiente de incerteza apresentadas sob a forma de riscos e de oportunidades. Todavia, a ciência económica tem-se desenvolvido e progredindo no sentido e de modo a poder analisar o risco e a incerteza.

Portugal que é um país com vulnerabilidades financeiras e económicas poderá vir a ser atingido por um contexto internacional caracterizado pela incerteza e imprevisibilidade que a direita irá fazer por ignorar aproveitando para reforçar a oposição culpabilizando o atual Governo por fracos desempenhos mesmo sendo devidos a fatores exógenos.

A incerteza sobre o que irá acontecer na União Europeia ao nível político, agravado pelo fraco crescimento económico, dever-se-á a resultados eleitorais ditados por populismos que, recorrendo a egoísmos mais ou menos nacionalistas que ao serem despertados, poderão conduzir à queda da U.E. e, consequentemente, do euro. Mas até às eleições alemãs a chanceler Merkel, preocupada com problemas internos e com a subida da extrema-direita, não irá mexer uma palha no que diga respeito à U.E..

Ao longo dos tempos a Europa, sobretudo no século passado fez por ignorar factos e acontecimentos e, depois desculpou-se com a imprevisibilidade dos  acontecimentos políticos mais do que previsíveis que estavam progressivamente a conduzir a Alemanha para as mãos dum Hitler que ocupou o poder através das eleições. O que aconteceu na Alemanha não foi fruto da incerteza nem da imprevisibilidade estava em curso  o despertar de sentimentos que se encontravam latentes no próprio povo e que Hitler soube despertar. A sucessão de acontecimentos a isso estava a conduzir. O mesmo já tinha sucedido com a revolução bolchevique que implantou o regime soviético que culminou na ditadura Estalinista. Ela teve uma causa: a revolta popular  alimentada pelo Partido Bolchevique contra a Rússia dos czares. A causa não teve geração espontânea, estava no regime czarista. A consequência seria previsível.

Embora com características diferentes, mais recentemente, veja-se o caso dos EUA com a eleição de Trump que, repetidamente disseram, ninguém esperava. Será que foi uma imprevisibilidade?  Acho que não. Mesmo com as previsões das sondagens que davam demasiada aproximação entre os dois partidos em confronto negligenciou-se o adversário. Aliás a previsibilidade estava já nas eleições primárias. Não havia incerteza, a hipótese de Trump ganhar estava colocada mesmo sem ter o apoio da maior parte dos media.

Depois de Trump ter ganho as eleições a comunicação social do EUA e os comentadores de política laçaram para o ar a teoria da imprevisibilidade para o que aconteceu. Foi algo que não se previa. As sondagens foram subestimadas, quando deram pela aproximação cada vez maior das percentagens de intenção de voto algo estaria mal e a vitória de Trump não poderia vir a ser considerada como imprevisível.

A imprevisibilidade está associada a algo que não pode ser previsto a partir de coisa alguma que tenha ocorrido antes. Mas, em política, há sempre algo que ocorreu antes, há antecedentes, há pistas mais ou menos concretas, há sinais, acontecimentos que portadores de informação suscetível de desencadear uma resposta ou uma reação, e, portanto, potenciais ocorrências futuras podem ser sujeitas a análises preditivas.

Em política a imprevisibilidade não é o mesmo que incerteza para a qual podem contribuir várias variáveis (causas). A imprevisibilidade pressupõe, obviamente, algo que não pode ser previsto, que não é equacionado. O facto da possibilidade de Trump poder vir a ser eleito como presidente do EUA terá sido, de facto, uma imprevisibilidade, ou terá sido propositadamente negligenciada?

Hillary Clinton demonstrou que a sua administração seria mais previsível e segura e Trump mostrou que a dele iria ser o oposto. De fato, escolha final dos eleitores teria sido previsível com um grau de confiança muito estreito.

O referendo no Reino Unido sobre a saída da U.E. provou que previsões extemporâneas de políticos, ou melhor, inoportunas, feitas de ânimo leve, descurando realidades por desconhecimento ou demasiada confiança, com  base eleitoralista e  sem uma margem confortável da no sentido de voto do eleitorado mostrado nas sondagens tornou-se numa decisão tola. Ficamos muito admirados quando ao estarmos certos de que se verificou o oposto do que esperávamos. Não se trata de prever o futuro como um adivinho trata-se sim dum jogo de risco quando da tomada de decisões.

Em Portugal a atual maioria parlamentar face aos antecedentes históricos um acordo tripartidário à esquerda e tal não era previsível, mas os antecedentes verificados com a anterior maioria absoluta, e tendo em conta os resultados eleitorais, seria previsível colocar esta hipótese com o intuito de bloquear nova governação da direita. Seria isto imprevisível? Acho que não. Há dados e antecedentes que ajudam a que não se justifique algo como imprevisível. A imprevisibilidade em política acontece quando estamos cientes de que as ações e procedimentos que escolhemos estão certos e quando subestimamos as dos adversários.

No livro “A Arte da Guerra” de Sun Tzu o autor diz que “Não permitas que o inimigo tome a dianteira… Qualquer negligência nesse sentido pode ter consequências nefastas. Em geral, só há desvantagem em ocupar o terreno depois do adversário”. Isto é jogar na antecipação e na previsão.

Quando estamos confrontados com sistemas sociais em presença que são grande parte das vezes imponderáveis e dependem da criatividade humana desconhecemos como dominar cognitivamente todas as relações de causa-efeito, a imprevisibilidade não depende só do nosso desconhecimento  mas da instabilidade que limitam e até impedem qualquer previsibilidade confiável. Pensar o futuro, formular cenários, tem que mobiliza sentimentos de insegurança, vontade, temor, esperança, desejos, o que se torna difícil.

Como a previsão depende de muitas outras variáveis que são controladas por diversos atores em vários contextos específicos sempre nebulosos e impossíveis de predizer só o passado e a simulação do futuro permite diminuir a possibilidade de surpresas contrárias ao que seria de esperar.

Neste novo ano de 2107 que apenas tem três dias as bolsas e os fundos preveem ficar em alta face às políticas que Trump se propõe executar na dinamização económica dos EUA daí o assédio aos clientes dos bancos para captar poupanças para investirem nestas áreas.

A ver vamos!

A prudência é a melhor estratégia. Não é imprevisibilidade é incerteza sobre o que se poderá passar com a direção do cata-vento Trump.

 

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publicado às 15:02


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