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Novo ciclo neoliberal em marcha no PSD

No PSD atravessa-se um momento conturbado com as eleições diretas para eleger um novo líder

por Manuel_AR, em 26.11.19

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Dentro do PSD atravessa-se um momento conturbado com as eleições diretas para eleger um novo líder. O intuito é tentar afastar da liderança a ala social democrata de Rui Rio que se opõe aos neoliberais e companhia criados por Passos Coelho.

Antes das eleições em que o ato eleitoral fez ascender a primeiro-ministro, Passos Coelho prometeu que melhoraria o nível de vida dos portugueses e mal chegou a São Bento desencadeou uma política de confessado empobrecimento com uma governação neoliberal favorecida e justificada pela presença da troika, apesar de ter declarado alto e bom som que a sua política seria mais radical da que a troika pretendia.

Era a altura em que o PSD se desfigurou num partido neoliberal pela mão daquele “grande timoneiro” que conseguiu o poder num partido que sempre foi do centro direita e social-democrata. Passos capitaneou   o embuste de que a crise tinha resultado de os portugueses viverem acima das suas possibilidades, (que o sistema financeiro estimulou), escondendo que tinha sido o sistema financeiro internacional que, por contágio, tinha provocado a crise em Portugal.

A população portuguesa sofreu, na altura, económica, social e moralmente. Quanto aos donos disto tudo, os DDT como agora lhes chamam, nunca disse uma única palavra de crítica.

De acordo com os órgãos de comunicação e associações várias com o partido de Passos Coelho os que eram pobres ficaram mais pobres, como ele próprio reconheceu. Muitos dos remediados ficaram pobres. A classe média encolheu. Uma minoria ínfima ficou mais rica.

Passados quatro anos começam a surgir por aí uns movimentos opinativos ainda tímidos tendentes a desculpabilizar Passos, quiçá para preparar o seu regresso, numa espécie de encarnação de D. Sebastião que virá para vingar e destruir os “desregramentos” da geringonça.

Para muitos militantes e para muitos mais portugueses, mesmo para os não apoiantes do partido, o anterior líder do PSD parece uma assombração que ainda paira por aí. Houve já que o assemelhasse a uma espécie de D. Sebastião, esperando que ele regresse ou através de outros dos seus seguidores ideológicos. Estão nesta situação dois deles que têm pretensões a controlar o partido.

Estes pretendentes ao “trono” são, como se sabe, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz, ambos herdeiros da linha Passos Coelho ou sua aproximação. Quanto ao primeiro às pretensões políticas pessoais juntam-se as pretensões dos seus “irmãos” da organização a que pertence,  rodeada de secretismo, de ritos e rituais, de regras, simbolismos, hierarquias e compromissos que não estará isenta de possibilidades de atividades de lobby e de interesses com as da associação a que pertence.  

Ambos os candidatos afirmam que querem um PSD do centro direita, mas as suas tendências são da ala neoliberal e pretendem que o partido seja aglutinador das direitas. Para Montenegro os seus aliados naturais são os da direita, não se distanciando sequer do Chega. Para este qualquer um serve aos seus intentos.

Montenegro tem afirmado que vai conseguir uma maioria absoluta para fazer as reformas, (conceito muito vago que nada diz quando não são especificadas), que ainda não se fizeram. Algumas já as conhecemos do tempo da coligação PSD-CDS quando foi líder da bancada do PSD.  Penso que ninguém tem dúvidas sobre estas pessoas, que dizem pretender mudar Portugal, o que pretendem de facto é ascender ao poder movidos por interesses pessoais e de alguns setores privados, partidários e de compadrio, relegando os interesses do país e das pessoas.

Passado o desvairo da campanhas eleitoral, Rui Rio, o atual presidente do PSD e candidato à liderança parece ser o candidato cujo perfil é já bem conhecido quer pela narrativa clara e frontal quando voltou a afirmar que, se ganhar as eleições no partido, estará disponível para acordos “estruturais” em nome do país, mesmo que o critiquem.

A história da última década já nos mostrou aonde nos pode conduzir um povo desinformado e muito recetivo aos rumores e falsas notícias cujo objetivo é o de avivar emoções e obscurecer a razão.

 

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publicado às 17:45

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O senhor Santana sonhou há muito em ter o seu próprio partido e surgiu agora a sua oportunidade. A maneira mais fácil que encontrou para tal foi a fragilidade e a divisão que encontrou no seu partido o PPD/PSD como ele gosta de chamar.

No seio do PSD encontra-se bem instalada a sucia admiradora e seguidora de Passos Coelho que apesar da sua saída continua a manter-se no ativo. Não admira que, portanto, logo a seguir à constituição do partido Aliança do senhor Santana causou um cisma no partido mais pela emoção da perda para Rui Rio do comando.

Entretanto, pelo meio das convulsões provocadas pelo cisma os que ainda não foram convencidos pelo senhor Santana organizam-se para tentarem acabar com o que restará dos destroços do PSD.

Nesta linha encontra-se o movimento “Chega” à frente do qual se encontra André Ventura, anti cigano, “passista” neoliberal de tendência anti étnica e pro racista que foi candidato pelo PSD à Câmara de Loures.

O movimento “Chega” lançado pelo atual vereador do PSD em Loures destina-se a substituir Rui Rio na liderança e colocar o partido no "espectro ideológico do centro-direita português", com grande objetivo da eleição de uma nova liderança do PSD e a apresentação, a todas as distritais do partido, de um documento global de compromisso com os valores da social-democracia portuguesa (?). Será quer podermos esperar de gente como esta que o PSD restabeleça os valores da social-democracia. Todos nos recordamos como o slogan para reeleição de Passos Coelho no congresso era “Social-democracia, sempre!”, coisa que, ele e o seu grupo que deixou como semente, nunca foram.

Vem agora este falso social-democrata contribuir para mais divisões no PSD. Não é gente como esta, senhor Santana e senhor Ventura que farão que o PSD seja uma oposição credível. O que está em causa para aquele “senhor feliz” e para este “senhor contente”  são questões de projetos pessoais e de visibilidade política, ou, então, são apenas títeres de forças internas no partido, mais fortes do que se pensa que Passos Coelho deixou plantados e que não se mostram publicamente.

Aliás, no artigo de opinião contra a não nomeação de Joana Marques no cargo de PGR, escrito de Passos Coelho, publicado no órgão oficioso da direita encontramos alguns sinais se lido nas entrelinhas.

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publicado às 20:42

A direita, o centro, e a esquerda

por Manuel_AR, em 14.10.17

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Tenho vários “posts” em que aponto Passos Coelho como causador do PSD ter abandonado a matriz ideológica social-democrata do partido ao avançar com um projeto neoliberal e de arregimentando os seus defensores que lá se encontravam encobertos.

Às portas duma nova liderança quem ficar à frente do partido tem que ter a noção das águas em que se moverá e a que correntes terá de resistir. Os comentários e opiniões que começarão a surgir sobre o que deverá ser o partido daqui para a frente serão espalhados pelos ventos da comunicação social e a tendência atual tentará fazer passar a sua mensagem.

No último congresso que reelegeu Passos Coelho o slogan era “Social Democracia sempre”. Rui Rio na apresentação da candidatura afirma que o PSD é um partido do centro, que vai do centro-direita ao centro-esquerda e que “não é nem nunca foi de direita como alguns o têm caracterizado”. Manuela Ferreira Leite tem afirmado o mesmo nos seus comentários semanais. Eu próprio tenho defendido a necessidade do PSD voltar ao seu estatuto de social-democrata. Quando defndia a ideia de que o PSD devia regressar à sua matriz social-democrata centrava-se na esperança de que o partido podesse vir a deixar de ser conduzido pelos neoliberais.

Mas será mesmo assim e irá haver de facto mudança com uma nova liderança?

A resposta, até agora, é não. O ideário político do PSD, na prática, sempre foi de direita, de liberalismo moderado, e a história tem-nos dado provas disso. Teve alguns pequenos desvios pontuais, com alguns episódios de tímida e ligeiramente à esquerda (relativa, diga-se) ou ao centro, para captar algum eleitorado consoante o andamento das circunstâncias políticas do momento. Aliás é frequente os partidos servirem-se desta estratégia. O certo é que a representação que se tem do partido, dada a sua prática, é a de ser conservador de direita. A prova está em que o PSD no Parlamento Europeu, juntamente com o CDS, faz parte da ala conservadora e de direita que pretensiosamente dizem ser de centro-direita. Ao Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas fazem parte o PS, juntamente com o SPD (Partido Social Democrata) da Alemanha e outros partidos socialistas e sociais-democratas.

Voltemos agora às candidaturas à liderança. Um dos que não se candidatou foi Paulo Rangel, que se fosse candidato teria muitas dificuldades em se desmarcar de Passos Coelho. Se ganhasse seria mais do mesmo com algumas nuances.

A mensagem que algum candidato à liderança do PSD quer fazer passar é que o espaço ideológico do partido é a social-democracia, mas este é o espaço do PS. Se assim for a direita fica na mão do CDS e Assunção Cristas tirará dividendos disso ficando com o espaço do seu antigo parceiro de governo.

Depois temos os neoliberais que nos últimos anos tomaram conta do partido e que tentarão evitar heresias ideológicas, mas outros, para garantirem os pequenos poderes, irão converter-se. O PSD para nos enganar a todos está a começar a fazer um tirocínio para ser social-democrata ou até socialista a menos que aparece mais algum que o queira manter à direita onde pertence. Sobre esta tese sou levado a concordar com Rute Lima quando escreve no jornal Público: “De uma forma, de outra ou até entrando André Ventura na corrida à liderança do partido, de uma coisa todos temos a certeza: o trilho, a ideologia, o pensamento e a prática politica do PSD sempre foi neoliberal e o país ainda sofre na pele os resquícios da sua governação conjunta com o CDS.

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publicado às 20:34

Reformar os reformistas

por Manuel_AR, em 04.10.17

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Como tenho escrito em vários posts o partido reformista que pretensiosamente alguns querem ver no PSD esquecem-se que ele próprio tem que ser reformado na sua ideologia e colocar no seu devido lugar os neoconservadores aos quais Passos Coelho abriu a porta dando-lhes lugar para estacionar.

Sob a liderança de Passos Coelho não se deu uma “adaptação” temporária devido à crise, mas uma mudança qualitativa da linha política do passado, nem às “exigências” da troika, que, se sabe foram em grande parte propostas do PSD divulgadas como sendo da troika.

Essa mudança transformou o PSD um partido neoliberal, em que “a economia eram as empresas e os trabalhadores um custo que devia ser domado, apontando como alvo para a austeridade a classe média e deixando os pobres sofrer com o custo dos despedimentos e numa redoma assistencial” de acordo com o que Pacheco Pereira tem vindo a dizer. A ideia, continua Pacheco Pereira “era que, com o agravamento da desigualdade social se criava um polo de desenvolvimento que arrastaria os de baixo, desde que estes aceitassem baixos salários e a perda de regalias sociais”. Nada disto tinha a ver com o programa social-democrata do PSD que na atualidade se refugiou numa nostalgia dos bons velhos tempos da troika.

Ainda hoje no debate parlamentar quinzenal o atual líder da bancada PSD, Hugo Soares, numa atitude absolutamente acéfala no que diz respeito a questões importantes como a do orçamento para 2018 refugiou-se em questões casuísticas derivando para um passadismo e oposição casuística, mais do que uma vez regressando ao passado com intervenções politicamente irrelevantes e acéfalas para o que neste momento se pretende. Quanto ao orçamento nada disse. E será que tinha para dizer? Mostrou a sua atitude de animador da corte do PSD no Parlamento.  Prevejo que, até haver novo líder, assim vai ser naquele partido, desgastado e sem capacidade de intervenções relevantes enquanto oposição.

O PSD está agora querer ascender a um novo nível que pode ser suicidário e que é o do populismo resultante do acantonamento do partido sem ideias, sem propostas e refugiado no passado e consequente perda da sua autoridade democrática.

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publicado às 19:52

Abandono da social-democracia pelo PSD já!

por Manuel_AR, em 06.04.16

Hoje resolvi incluir aqui um e-mail que escrevi a João Miguel Tavares sobre o artigo de opinião que escreveu no jornal Públicohttps://www.publico.pt/politica/noticia/o-tempo-corre-a-favor-de-passos-1728040 relativo ao passado Congresso do PSD que tem a ver, segundo ele, com a a ultrapassada social-democracia. Posso colocar a questão das seguintes formas: social-democracia eis a questão ou, abandono da social-democracia pelo PSD já!

Boa tarde Caro  João Miguel Tavares,

Duvido que o tempo corra a favor de Passos, mas não é por isso que lhe vou fazer perder o seu.

 

Li com muita atenção o artigo de opinião publicado no jornal Público de 5 do corrente. Raramente os leio e quando o faço também raramente concordo consigo, digo isto percepcionando que isso também não lhe faz diferença alguma.

Independentemente da concordância ou não com os seus pontos de vista eles apresentam, não raras vezes, um explícito cariz de facciosismo. Não tome isto como ofensa é apenas um ponto de vista político e não pessoal.

Mas voltemos ao seu artigo. Face ao argumentário apresentado não seria despiciendo que apresentasse sugestões nos seus artigos para que o PSD – Partido Social Democrata abandonasse esta designação e fosse substituída por uma outra em que as palavras social, democracia e social-democracia deixassem de vigorar no programa já que afirma explicitamente: “Só que essa definição de social-democracia vai invariavelmente desembocar num modelo de sociedade estatista, alumiado pela eterna lamparina de São Bento, que se mostra esgotado há 20 ano. São aqueles que gostavam que o PSD fosse um bocadinho mais parecido com o PS.”. Será que deveremos concluir que, quem como eu, atribui a Passos Coelho o epíteto de liberal ou neoliberal têm razão? Senão, que outra designação se poderia atribuir ao partido que ele lidera?

Algo não bate certo. Tendo em conta as críticas que faz no seu artigo a quem não concorda com o atual líder do partido por defenderem, como diz, a ultrapassada social-democracia, como explicar então a frase “Social-democracia sempre” como slogan do congresso que Passos Coelho aceitou e recuperou? A honestidade de propor a mudança da sigla e denominação do partido evitaria confundir potenciais eleitores de estarem a ser enganados, como eu o fui em 2012, por uma sigla partidária a que está mais ou menos associada a uma ideologia política.

Claro que poderá sempre dizer-se que essas siglas e atributos são apenas chavões utilizados pelos partidos mas que propriamente não os define. Todavia, quem vota tem o direito de ser esclarecido sobre o partido em que pretende votar. É uma escolha que se traduz num programa de qualquer partido que apresente quer orientações de direita, quer de esquerda, quer de assim-assim. Se não houver orientações para opções de escolha a democracia não será mais do que palavreado para enganar. Então fora com a social-democracia do Partido Social Democrata.

 

Com os meus melhores cumprimentos,

 

Manuel Rodrigues

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publicado às 19:51

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Inicia-se hoje o 36º Congresso do Partido Social-Democrata onde se cantará aos quatro ventos o retorno à social-democracia com o slogan “social-democracia sempre”, que deverá ser apregoado por Passos Coelho que mostrou durante quatro anos que o seu slogan preferido foi ser um liberal sempre. Ou será neoliberal? Vamos lá ver se percebi: durante estes quatro últimos anos não foi social-democrata? Eu respondo. Não. Não foi. Passos nunca mostrou sê-lo e terá as suas razões porque o PSD sempre pertenceu na União Europeia à família dos partidos de direita, o PPE (Partido Popular Europeu) onde também está incluído o CDS-PP que ultimamente parece ser mais social-democrata do que o seu coligado do ex-Governo. Assim sendo como hoje é o dia das mentiras hoje é o dia preferido pelo líder eleito.

O cabotinismo que foi a eleição de Passos Coelho para liderar o PSD, em que voram apenas 46% dos potenciais eleitores, está a prejudicar o partido.Neste espaço escrevi várias vezes que o PSD com Passos Coelho tinha abandonado a sua matriz social-democrata que eventualmente terá sido, mas não na sua essência mas que le radicalizou.

O atual líder do partido, depois de se ter mostrado um liberal convicto, estando do lado das direitas europeias com posições contrárias às do grupo PSE, família dos partidos socialistas e sociais-democratas europeus, afirma querer ser um social-democrata. Desfaçatez gritante! Se há um retorno é porque houve um afastamento ideológico do qual Passos Coelho não é o único responsável mas muitos outros que desejavam o poder o levaram para essa linha e que, agora, acham que soube a pouco.

Nos comentários semanais da TVI24 Manuela Ferreira Leite tem afirmado várias vezes que acha mal que digam que o seu partido é de direita quando não o é, porque sempre foi social-democrata. Bem, sobre isto já emiti a minha opinião anteriormente. Ela poderá ter razão relativa porque o principal causador do seu mau estar foi Passos Coelho. Pode ele arranjar os argumentos que entender da fama já ninguém o livra.    

As intervenções de Passos Coelho assim como as dos seus fiéis seguidores durante os seus quatro anos e meio de poder quase absoluto contribuíram para crispações sociais que já não se verificavam desde os anos logo após o 25 de abril. Apoucaram os portugueses, provocaram a degradação das condições de coesão social, incentivaram e agudizaram conflitos entre gerações, não é por acaso que um estudo efetuado pelo jornal Público mostra que um aumento considerável deste tipo de violência, provocaram conflitos entre trabalhadores de diferentes setores e funções, colocaram o Serviço Nacional de Saúde num estado caótico em que ainda hoje se encontra, fizeram com que o estado de direito constitucional, assim como o estado social, fossem desconsiderados.

Quando em fevereiro de 2016 Pedro Passos Coelho se recandidatou a líder do partido “surpreendeu a direção do PSD ao divulgar um vídeo no Facebook a anunciar o ‘slogan’ “Social-democracia, sempre” com o qual pretende descolar-se da imagem liberal. Escrevia na altura o Diário de Notícias: “Social-democracia sempre? Tem dias...”. Este diário acrescentava ainda: “Há mais de 40 anos que o PSD mantém uma relação conturbada com o ideário social-democrático. Passos Coelho quer reabilitá-lo”. É uma desfaçatez que um liberal cujo discurso mostrou sempre qual era a sua convicção queira, agora, fazer inversão de marcha. Será mais uma falsidade com a origem de marca como tantas outras.

O PSD sempre foi um partido de direita, embora tivesse momentos com algumas pinceladas do ideário social-democrata nas quais Passos Coelho lançou o diluente final, querendo agora reabilitar o partido mas, especialmente, reabilitar-se. Talvez já venha tarde.

Os que falam e comentam em prol do PSD de Passos Coelho, já em decomposição, tecem rosários de ladainhas monótonas rezados à pressa para comunicação social passar em horários nobres. São os filhos extra matrimónio do PSD que viram em Passos Coelho o seu legítimo pai que o congresso irá ligar à máquina do “look” da sobrevivência mas que cerebralmente já está em degradação. Nada de novo tem para nos mostrar senão o mesmo regresso ao passado recente, voltando depois a dar o dito por não dito como sempre nos foi habituando. Passos Coelho é um “cadáver” político adiado.

Não podemos esquecer-nos que ele quis restabelecer como única via, em parte conseguida com a ajuda do CDS-PP, a “sociedade providência”, termo que Boaventura Sousa Santos utilizou em tempo em alguns dos seus trabalhos, com uma articulação formal e de providência tipo mercantil, donde o Estado se retira mas contribui com uma quota-parte dos impostos pagos por todos. No fundo alguém rebe para ser providencial. É o que agora se passou a designar por economia social.

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publicado às 11:40

A propósito do congresso do CDS

por Manuel_AR, em 16.03.16

Cristas e Passos.pngA propósito do congresso do CDS-PP do passado fim de semana que culminou com o discurso de Assunção Cristas, eleita como líder do partido, recuperei da minha memória o congresso do PSD onde foi eleito Passos Coelho com 95% dos votos. Este feito que foi por aí muito notado omitiu contudo outra realidade que foi o facto de apenas 46% ditos sociais-democratas é que votaram.

O ar contido e entristecido de Passos Coelho enquanto assistia ao congresso do seu ex-aliado CDS-PP que pretendia mostrar para as câmaras das televisões o seu ar enternecedor era música para os ouvidos de quem ainda o vê como primeiro-ministro no ativo mas por outro lado alguma preocupação face ao discurso de Assunção Crista

Passos Coelho diz, agora, querer que o PSD regresse à social-democracia numa tentativa de abandonar o seu cunho de direita. Neste mesmo local afirmei várias vezes que o PSD com Passos Coelho tinha abandonado a sua matriz social-democrata, o certo é que o PSD sempre foi de direita. O PSD insere-se no conjunto do Parlamento Europeu, juntamente com o CDS-PP, no agrupamento político e partidário que é o PPE - Partido Popular Europeu onde se encontram partidos do centro-direita e conservadores. O Partido Socialista, por sua vez, pertence ao grupo do PSE onde se encontram os partidos sociais-democratas e socialistas, e também partidos trabalhistas dos estados membros como por exemplo o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) e o Partido Social-Democrata da Áustria, entre muitos outros.

O extraordinário Passos Coelho, resta-lhe apenas o ex, afirmou, quando foi eleito líder, que o PSD é um partido “que não quer gerir o dia-a-dia, que não quer andar para trás, que não quer populisticamente procurar aquilo que é mais fácil ou mais demagógico”, mas antes, com “mais algum esforço, um futuro melhor”. Que é isto senão populismo e demagógico! E isso de não querer andar para trás o que é? Quem quis colocar o país aos níveis de há vintes anos atrás? Sim, já sabemos, foram os outros que obrigaram ao resgate.  A direita PSD e CDS-PP utilizam, não raras vezes, para justificarem as suas opções políticas que são em nome dos “altos interesses da nação”. Podemos perguntar quem é, ou o que é para direita o conceito de nação. Será para eles apenas uma pequena parcela da população que pretendem favorecer?

Depois do congresso do CDS-PP Passos Coelho passou a ter dois adversários eleitorais de sentidos diferentes. O Partido Socialista é, por princípio, o que agora o preocupa mas, a médio e a longo prazo, vai ter também que enfrentar o seu antigo parceiro de coligação que irá tentar ocupar parte do seu espaço.

O PSD de Passos Coelho não aceitou a mudança e a sua estratégia de oposição irresponsável não terá sido a melhor.

Recordo-me dum livro milenário chinês que é a Arte da Guerra de Sun Tzu que em determinado passo diz: “O general deve conhecer a arte das mudanças. Se ele se fixa num conhecimento vago de certos princípios, numa aplicação rotineira das regras da arte bélica, se os seus métodos de comando são inflexíveis, se examina as situações de acordo com esquemas prévios, se toma as suas resoluções de maneira mecânica, é indigno de comandar.”.

O CDS-PP de Assunção Cristas enquanto partido de direita está a criar espectativas e não será fácil para Passos Coelho lidar com ela quando chegar a altura própria. Ela irá tentar ocupar parte do espaço do seu adversário mais próximo que é o PSD de Passos Coelho.

Ontem, 15 de março, Assunção Cristas foi recebida por Passos Coelho na sede do PSD com muitos beijinhos e abraços. Passos talvez ainda tenha uma vaga esperança de obter uma nova coligação que o leve de novo ao poder. Espera que nas próximas eleições, quando as houver, terá uma votação confortável, mas Assunção Cristas, a menina “bem” e agora a mais que tudo do CDS irá, nessa altura, fazer-lhe frente para lhe captar algum eleitorado. E começou agora com a tomada de posição sobre o atual governador do Banco de Portugal iniciada no congresso por Paulo Portas.  

E termino citando mais uma vez Sun Tzu: “Uma das tarefas essenciais que deves realizar antes do combate é escolher criteriosamente o terreno do campo de batalha. Para isso, é preciso agir rápido. Não permitas que o inimigo tome a dianteira. Ocupa o terreno antes que ele tenha tempo de te reconhecer, antes mesmo que ele possa estar ciente de tua marcha. Qualquer negligência nesse sentido pode ter consequências nefastas. Em geral, só há desvantagem em ocupar o terreno depois do adversário”.

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publicado às 18:45

O mascarado

por Manuel_AR, em 04.02.16

Máscara_Passos.pngEstamos na época carnavalesca uma boa oportunidade para falarmos acerca de máscaras e mascarados. Todos se lembram do filme "A Máscara" que conta a história de um funcionário que certo dia encontra uma misteriosa máscara viking no rio e o leva-o para casa. Ao chegar ao seu apartamento o protagonista coloca a máscara no rosto e de repente transforma-se num ser de cabeça verde completamente louco, com poderes fantásticos, com uma habilidade incrível de realizar seus desejos sejam eles bons ou maus, e isso mudaria drasticamente a vida do personagem. Mas não é sobre o filme que hoje escrevo mas de mascarados da política que se disfarçam consoantes os interesses.

A máscara era utilizada pelos atores no teatro grego clássico e era um objeto que colocavam sobre o rosto para emitirem a fala do ator e tinha a função específica de funcionar como intermediário entre o ator e o público.

A particularidade é que Passos Coelho resolveu recandidatar-se à liderança com o slogan "Social-democracia, sempre". Assume agora a máscara de social-democrata depois de, durante quatro anos, ter enganado e mentido à maior parte dos portugueses e ter continuado a fazê-lo durante a campanha para as eleições legislativas.

A realidade neoliberal que defendeu e praticou conduziu o PSD a sair do centro e a passar a ser duma direita radical quando ele, e o grupo de indivíduos que o apoiaram e em que se apoiou, lesaram a matriz ideológica do PSD e que em nome de Portugal o utilizaram em seu benefício.

A máscara que a partir de agora Passos Coelho irá usar tornará o PSD numa espécie de partido travestido que ora vira para a direita, ora vira para a social-democracia o que não lhe retira o caráter nem o estigma que Passos lhe colocou na fronte. O passado de mentiras e omissões de Passo Coelho convenceu muitos, mas levará muitos outros a desconfiar da mudança.

Quem defendeu determinados pontos de vista radicais de direita na prática política vem agora converter-se à social-democracia, ideologia que Passos nunca perfilhou.

Quando em janeiro de 2014, ao caraterizar um futuro Presidente da República, disse que devia ser alguém que devia ser um “protagonista catalisador de qualquer conjunto de contrapoderes ou num catavento de opiniões erráticas” referia-se por meias palavras a Marcelo Rebelo de Sousa. Quem é agora o catavento e o errático quando diz ser agora um social-democrata convicto. Disse Passos Coelho na apresentação da sua recandidatura a líder do PSD que “Criaremos uma oportunidade para mostrar que o PSD continua a ser um partido social-democrata com a capacidade de fazer, transformar o país, mobilizar os portugueses e oferecer do país uma visão ambiciosa que todos precisamos de concretizar”.

O lobo virou cordeiro e poderá vir a enganar muitos cordeiros a servirem de repasto ao lobo, mesmo alguns, os verdadeiros, sociais-democratas.

Em época carnavalesca Passos Coelho colocou a sua nova máscara para voltar com uma nova aparência enganosa que lhe possa trazer dividendos políticos. Começou já a fazer promessas dizendo que virá a governar sem austeridade. Vindo de Passos Coelho o mesmo é dizer que virá a rasgar as promessas, como se viu no passado. Um neoliberal não muda assim para a social-democracia, mesmo que diga que há interpretações diferentes da social-democracia. Quando esteve no Governo as políticas foram uma interpretação desastrosas da social-democracia que pretendeu alinhar com a direita da U.E. que nada tem a ver com a direita que defendeu durante intermináveis quatro anos. Bem pode ele vir agora desculpar-se com a conjuntura do passado.

Por favor, não continuem a brincar e a enganar os Portugueses. O PSD só voltará a ser o que era com uma nova liderança que não seja a de Passos Coelho nem ninguém que pertença ou tenha pertencido à sua trupe.

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publicado às 19:50


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