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Partido para deserdados de pelouros

por Manuel AR, em 10.02.19

Santana Lopes.png

Imagem de Jornal de Notícias

Todos conhecemos Santana Lopes há muitos anos e pelo menos sabemos tudo sobre a sua vida, a política, a de comentador desportivo, e a outra, a privada que menos interessa. Nós os do povo, o que sabemos tem sido, ao longos dos nos da democracia, através da imprensa, da televisão e também pelas revistas cor de rosa. Sabemos o que conseguiu ser Presidente do PSD entre novembro de 2004 e abril de 2005 e, com a sua mania da originalidade, desastroso primeiro-ministro de Portugal apenas e porque Barroso abandonou o país para ir para Bruxelas após a cimeira das Lajes e ao o ataque de Bush ao Iraque. Santana Lopes sempre foi politicamente ambicioso e gosta da visibilidade dos media e, ao longo do tempo em que esteve no PSD, sempre tentou ser líder do partido pelo menos candidatou-se várias vezes.

Não é a errante biografia política de Santana Lopes que me interessa, mas o a motivação que lhe deverá ter dado a derrota nas eleições em competição com Rui Rio para a liderança do PSD. Desconheço as reais motivações que o levaram a constituir o partido Aliança, nome que me faz recordar a semelhança com os dos partidos de extrema-direita que creio não o vir a ser, podemos, contudo, especular se foi por despeito, por ambição, por uma questão de poder ter mais intervenção nos meios de comunicação social, talvez até como tubo de ensaio para uma futura candidatura à Presidência da República, enfim, de Santana Lopes, podemos esperar tudo e tudo irá depender das próximas eleições que se avizinham.

Há, todavia, algumas questões com que nos devemos preocupar. É o tipo de pessoas, no que se refere ao quadrante ideológico, de que se vai rodear. No congresso do novo partido que está a decorrer está previsto para a vice-presidência a escolha do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de Durão Barroso, António Martins da Cruz, que em 2003 pediu a demissão, na sequência do alegado favorecimento da sua filha no ingresso ao ensino superior em medicina. Recorde-se que este ex-ministro saiu do PSD quando Rui Rio ganhou as eleições   

Há, todavia, outra questão, ainda mais importante, e com que os que são europeístas se devem preocupar, é com a utilização do partido Aliança para campanha anti U.E. alinhando por questões diferentes com o são o PCP e o BE.  

Que é um partido de direita está claro, mas em que quadrante deste espetro ideológico vai alinhar é pouco claro. O que se sabe é que pelas propostas mais ou menos radicalistas sobre a U.E., quem é pela democracia e pela U.E. embora com algumas alterações, não se espera nada de bom. Enquanto o PSD e o CDS tecem têm algumas críticas, não demonstraram até agora um radicalismo antieuropeu ao contrário deste novo partido que tem um discurso demasiado agressivo embora dizendo-se não eurocético.

É por isso que se deve estar alerta porque nem tudo o que é novidade é, necessariamente bom para as pessoas e para o país. Embora não esteja ainda nas expectativas, nós, um país sem grande capacidade de negociação e sem grande força para se fazer impor internacionalmente, nada teríamos a ganhar com uma espécie de Portexit.

De partidos como o Aliança apenas podemos contra com demagogia e populismo barato para levar atrás alguns incautos. Este partido Aliança, no meu entender, é um partido para servir para realização de ambições políticas e pessoais de alguns deserdados de pelouros, especialmente as do seu próprio líder, Santana Lopes.

 

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publicado às 20:05

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O senhor Santana sonhou há muito em ter o seu próprio partido e surgiu agora a sua oportunidade. A maneira mais fácil que encontrou para tal foi a fragilidade e a divisão que encontrou no seu partido o PPD/PSD como ele gosta de chamar.

No seio do PSD encontra-se bem instalada a sucia admiradora e seguidora de Passos Coelho que apesar da sua saída continua a manter-se no ativo. Não admira que, portanto, logo a seguir à constituição do partido Aliança do senhor Santana causou um cisma no partido mais pela emoção da perda para Rui Rio do comando.

Entretanto, pelo meio das convulsões provocadas pelo cisma os que ainda não foram convencidos pelo senhor Santana organizam-se para tentarem acabar com o que restará dos destroços do PSD.

Nesta linha encontra-se o movimento “Chega” à frente do qual se encontra André Ventura, anti cigano, “passista” neoliberal de tendência anti étnica e pro racista que foi candidato pelo PSD à Câmara de Loures.

O movimento “Chega” lançado pelo atual vereador do PSD em Loures destina-se a substituir Rui Rio na liderança e colocar o partido no "espectro ideológico do centro-direita português", com grande objetivo da eleição de uma nova liderança do PSD e a apresentação, a todas as distritais do partido, de um documento global de compromisso com os valores da social-democracia portuguesa (?). Será quer podermos esperar de gente como esta que o PSD restabeleça os valores da social-democracia. Todos nos recordamos como o slogan para reeleição de Passos Coelho no congresso era “Social-democracia, sempre!”, coisa que, ele e o seu grupo que deixou como semente, nunca foram.

Vem agora este falso social-democrata contribuir para mais divisões no PSD. Não é gente como esta, senhor Santana e senhor Ventura que farão que o PSD seja uma oposição credível. O que está em causa para aquele “senhor feliz” e para este “senhor contente”  são questões de projetos pessoais e de visibilidade política, ou, então, são apenas títeres de forças internas no partido, mais fortes do que se pensa que Passos Coelho deixou plantados e que não se mostram publicamente.

Aliás, no artigo de opinião contra a não nomeação de Joana Marques no cargo de PGR, escrito de Passos Coelho, publicado no órgão oficioso da direita encontramos alguns sinais se lido nas entrelinhas.

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publicado às 20:42

Aliança

por Manuel AR, em 27.08.18

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Cerca de um mês afastado do blogue, longe de Lisboa, embrenhado na região centro, cá vou sabendo das notícias pelos costumeiros meios de comunicação. Uma novidade que me despertou interesse no meio das notícias sensaboronas das TV’s foi o anúncio da constituição de um novo partido pelo senhor Santana.

O senhor Santana ao ser candidato à liderança do PSD terá apostado numa vitória mas, confirmada a perda, a amargura soltou-se (mais uma ao longo dos anos) também partilha pelos sem-lugar e os desamparados no partido após a saída de Passos Coelho. Terão sido ests as causas próximas conducentes à ideia para a constituição de um novo partido pelo senhor Santana. Tal ação divisionista terá tido também como causa questões de influência e de acesso ao poder perdidos pela mancha política da direita neoliberal do pós-Passos dentro do PSD que não concorda com a orientação de Rui Rio. A constituição do novo partido Aliança, a concretizar-se, vai criar brechas no partido onde o senhor Santana milita há décadas.

O nome Aliança é uma designação que me faz recordar nomes de partidos de extrema-direita como, por exemplo, o Aurora Dourada na Grécia ou Frente Nacional de Le PEN. Todavia não pretendo ir tão longe, limito-me a enquadrá-lo num espetro ideológico na linha dos que, agora sem rumo apoiavam Passos Coelho na orientação neoliberal e que agora estão descontentes com a orientação social-democrata que Rui Rio tem dado ao PSD.

Com o senhor Santana o Aliança vai ser um partido conduzido ao fracasso tais como outras das suas incursões políticas com a diferença de que, desta vez, não será para dizer vou andar por aí mas para dizer: Olá! Estou aqui!

Sobre o senhor santana e o Aliança João Miguel Tavares nos seus costumeiros exercícios anti PS faz um mix de futurologia e matemática tendo antes o cuidado de afirmar que “não votaria em Pedro Santana Lopes nem para delegado de turma…”, diz no jornal Público que, ao concorrer à próximas eleições, o senhor Santana foi esperto porque: “Imaginem que António Costa fica a dois ou três deputados dos 116 e que o novo partido de Santana Lopes tem esses dois ou três deputados — de repente, o novo Aliança pode conseguir um protagonismo, e um poder, que jamais alcançaria noutra conjuntura política. Era agora ou nunca”. Então, se assim for, digo eu, embora a conjuntura política seja diferente, o Aliança poderá vira a ter o mesmo papel do antigo partido PRD formado por Eanes em 1985 e, consequentemente o mesmo fim, o seu desaparecimento.

O senhor Santana dividindo o PSD com o apoio das fações neoliberais do partido pretende vir a ser uma espécie de bola de ping-pong no Parlamento, (se lá chegar a entrar), aliando-se ocasionalmente com um partido A, com um partido B ou com um partido C consoante as conveniências.

O senhor Santana pretende que o Aliança venha a ser o seu habitat porque só assim poderá lutar pela sua sobrevivência e continuar a existir politicamente. Quer ter a sensação de que vale mais estar aqui do que não estar, num mundo em que poderia não estar, mas está.

O senhor Santana empurrado pela ânsia do poder é arrastado pelas ondas da política e interroga-se sobre o que seria a política sem ele. Mergulha, mas, quando emergir, talvez olhe com espanto para a espada Dâmocles que presa por um fio ficará a pender sobre a sua cabeça. O que, para ele, talvez já não seja novidade.

O senhor Santana e os seus melros vão debicar o prado das eleições abrindo-se-lhes uma perspetiva muito prometedora sem se aperceberem de que vão viver uma constante fonte de angústia pela discrepância entre o comportamento político e o resto do universo partidário. Pelo que, a ter votações com alguma representação os votos virão do partido donde teve origem a fratura, o PSD, e do CDS/PP.

Hoje no jornal Público Leonete Botelho diz que “Ao “roubar” eleitores ao PSD, o partido de Santana Lopes fará aumentar a distância entre os dois maiores partidos portugueses…”

A lei de Lavoisier diz que a massa é conservada quaisquer que sejam as modificações químicas e/ou físicas que a matéria sofra: na natureza, nada se cria e nada se perde. Tudo se transforma. Na contabilização partidária a massa são os votos, assim, o alimento em votos do novo partido serão os do partido dividido que os perderá, podendo haver algumas exceções como fugas do PS, e um partido de direita não será alimentado pelos votos de partidos da chamada extrema-esquerda.

A contribuição do senhor Santana para a boa imagem do PSD e da social-democracia - que está a ser recuperada por Rui Rio – foi e tem sido nula tendo consistido em aparecer em momentos oportunos, despertados por sentimentos egocêntricos, de certo modo também atávicos, para defender ou conquistar um espaço no mundo da política a que pensa ter direito.

A decisão da constituição de um partido de direita pela cisão do PSD e da atual orientação social-democrata é necessária não para o país mas para a imagem do senhor Santana. Foi necessária uma revolução interior na mente do senhor Santana colocando acima do país as suas emoções e sentimentos, de acordo com os seus ritmos mentais, para conseguir prever os efeitos que efetivamente terá o novo partido os quais consegue apenas imaginar em teoria sobre. Ao senhor Santana apenas lhe interessa o protagonismo que tem vindo a perder politicamente e o que este lhe possa render e não o país e, com ele, estão os que, como ele, pensam.

O senhor Santana tem uma visão política e partidária familiar e fragmentada pela perceção individual que pode ser constatado pela sua atuação no passado, até mesmo quando Durão Barroso lhe entregou de mão beijada o poder do país XVI Governo Constitucional com a duração de 7 meses e 23 dias. “Vamos ver… nem quero pensar nisso”. Terá sido assim que Pedro Santana Lopes reagiu quando Durão Barroso lhe pediu pela primeira vez que o substituísse na chefia do Governo no verão de 2004. Na altura Barroso tinha sido sondado para o cargo de presidente da Comissão Europeia e queria assegurar que a transição era feita sem eleições legislativas antecipadas.

O senhor Santana para poder vingar terá de enveredar pelo populismo demagógico de direita para que o seu discurso tenha efeito, tática a ser utilizada por muitos partidos europeus quer de esquerda quer de direita. O primeiro sintoma tem a ver com a recusa aceitar “dogmas da construção europeia, como refere a Declaração de Princípios do Aliança sobre a União Europeia referindo que “Portugal tem-se dado ao luxo de estar na linha da frente da aplicação de deliberações da União Europeia que têm prejudicado importantes unidades do sistema económico e financeiro”. Uma versão mais soft do que tem sido defendido pelos partidos europeus da direita radical, estes anti U.E.

A Declaração de Princípios não apresenta nada de novo que não tenha sido já mencionado nos conteúdos programáticos de todos os partidos com exceções dos mais radicais de esquerda. É uma espécie de “copy paste” melhorada daqui e ali, nomeadamente no que se refere ao liberalismo e personalismo cristão que, ideologicamente, é semelhante à do CDS/PP.

O senhor Santana limita o seu partido Aliança a ideia imediatas que lhe foram sendo sugeridas e diz assentar, a sua matriz em três eixos fundamentais: Personalismo, Liberalismo e Solidariedade. Afinal, todos os partidos de direita, e alguns do centro esquerda também os reclamam. São três conceitos filosóficos muito complexos mas que, assim colocados não passam de chavões cuja aplicabilidade é vaga e praticamente exequível enão passam de mera propaganda.  

Em teoria, para o senhor Santana, o partido Aliança será a concretização de um novo paradigma no panorama partidário português, porque é novo e inovador nos seus traços ideológicos, mas não o é. Menos do que uma declaração de Princípios é uma declaração de intenções perigosa, demagógica, popularucha, inexequível a prazo. São boas e más intenções que estão implícitas. É uma espécie de neoliberalismo com pinceladas de preocupações sociais restritas para mostrar um rosto humano, mas não passa disso.

Estranho no que respeita à ambiguidade do que se refere à política externa a referida declaração refere em certo ponto que: “Vemos com otimismo, apesar dos riscos, a construção de um equilíbrio mundial inovador, assente na realidade multipolar, intransigentes que somos na defesa da Paz e dos direitos fundamentais”. Frase ambígua, pouco clara que sugere interpretações polissémicas. Para um leitor como eu, ver com “otimismo apesar dos riscos a construção de um equilíbrio mundial inovador”, é preocupante por presumir a concordância incondicional com a forma como a política internacional tem vindo a ser conduzida pelo atual presidente dos E.U.A e que tem vindo a ser contestada no próprio país e noutros países e a vários níveis.

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publicado às 18:57

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A) O Pedro

O 37º Congresso do PSD abriu a porta com o já esperado discurso de Passos Coelho que, dito à laia dum mestre-escola do passado, foi enfadonho e não trouxe nada de novo. Foi uma volta e uma revolta com desabafos sobre o passado, foi a declaração da síndrome de perda de poder e a tentativa para capitalizar (para o seu ego) os sucessos do atual Governo com a demonstração de alguns laivos de usurpação descarada.

Mais uma vez Passos Coelho utilizou um apagador de giz para apagar o que foi gravado, pelo seu governo, com ferros em brasa na memória da maioria das pessoas. Mais uma vez, e como já nos habituou, omitiu, alterou, deturpou, misturou realidades diferentes, enfim, utilizou a demagogia para se autojustificar das políticas que conscientemente praticou e continuaria a praticar caso viesse a ser novamente governo.  A síndrome da perda de poder continua a fazer dele um político do passado, neoliberal, com uma ilusão doentia e persistente que também passou aos seus fiéis diletos, a de que poderia ter governado durante uma legislatura completa com uma minoria de direita da Assembleia da República.

Para demonstrar a sua tese do diabo apresentou uma lista de países com índices de crescimento muito superiores ao nosso para ignorante iludir. Uma comparação linear, sem sequer tomar em conta outros indicadores, com países de realidades políticas e sociais diferentes das nossas, com governos de direita cujas práticas democráticas levantam sérias dúvidas, alguns deles até com governos próximos da extrema direita. Terá sido uma projeção/ identificação com as políticas que Passos gostaria de ver implementadas no nosso país?  Por outro lado, são países que não estiveram sujeitos a intervenção financeira nem tiveram durante esses períodos governos que destruíram a economia em nome do que chamavam reformas estruturais.

Mas tanto se fala no PSD de reformas estruturais que se esquecem de que estiveram cerca de dez anos consecutivos no poder com Cavaco Silva mais cinco consecutivos com Passos Coelho que como já disse várias vezes, fez promessas que não cumpriu e mentiu ao prometê-las e omitiu sobre o que pensava fazer quando estivesse no governo, isto entre 2011 e 2015.

Enfim, um lamento do poder perdido e o anseio pela vinda do diabo que o ajudasse.

 

B) O Rio

Rui Rio no seu discurso de abertura foi mais coerente e forte do que o seu antecessor. Não agitou as águas do congresso com aplausos e é compreensível. Nas eleições diretas Rui Rio não obteve uma vitória retumbante, ganhou com escassa margem tendo obtido 54,3% dos votos relativamente a Santana que obteve 45,6%. A vantagem de apenas 8,7% dos votos não lhe irá dar margem de manobra suficiente para poder agradar à ala neoliberal apoiante de Passos Coelho que foi muito aplaudido.

O partido está radicalmente dividindo entre duas forças que se querem fazer ouvir uma com potencial matriz social-democrata e outra de direita neoliberal com saudosismos dum passado e que, como Passos Coelho ainda não se purificou do trauma das eleições ganhas, mas perdidas no Parlamento.

Tenho afirmado neste blogue que o PSD com Passos Coelho perdeu a sua identidade como partido social-democrata, embora saiba que não foi bem assim. O que se passou foi a radicalização do partido à direita que, por si mesmo, já era de direita. Aliás no Parlamento Europeu o PSD está inserido na família dos liberais e não dos sociais-democratas. Este conceito voltou a aparecer com Passos Coelho no último congresso quando surgiu o slogan “Social-democracia sempre!”. Volta agora a surgir com Rui Rio como uma espécie de libertação do passado neoliberal preconizado pelo anterior líder.

Não nos iludamos, o PSD continuará a ser um partido de direita que se radicalizou, basta ver o germe deixado por Passos Coelho que não deixarão que Rio faça uma ligeira inclinação mais para o centro. Nem tao pouco o discurso conciliador de Santana Lopes irá possibilitar isso. Está como afirmei infiltrado o vírus do “passismo”. O descontentamento dessa “pedra mental” que é Hugo Soares e a intervenção de Luís Montenegro, entre outros não manifestos, são disso a prova. Rui Rio ainda sem começar já tem a cabeça a prémio e sofre ameaças cuja origem está definida: os eis passista ressabiados. Disse Montenegro que, à semelhança do seu mentor dileto, também anseia pela chegada dos diabos, mas desta vez dos externos e dos internos e recomenda ao atual líder para “se afastar da intrigalhada”. Sabe do que fala, porque ela virá por certo, e sabe-se qual poderá ser a sua origem.

Rui Rio quis dar sinais de abertura para as duas correntes em “confronto”, porque é disso que se trata, e tenta, com o convite a Santana Lopes agradar aos “troianos” e co Elina Fraga para agradar aos “gregos”, mas a tentativa de unidade foi ensombrada e confronto esteve patente com Montenegro, muito aplaudido, sabemos porque ala, e por motivo contrário Elina Fraga apupada pela mesma ala. A surpresa polémica foi a escolha de Elina Fraga para uma das vice-presidências. A ex-bastonária dos advogados atacou o Governo PSD de Passos Coelho com um processo devido ao mapa judiciário, em 2014.

Nada mais a acrescentar na ocorrência que foi este congresso do PSD. Abertura de Rui Rio, para o interior e para o exterior do partido, radicalização da ala neoliberal, ameaças de candidaturas à atual liderança do partido caso esta não ganhe as eleições em 2019. Em conclusão: Rui Rio vai ter uma dura tarefa pela frente porque não vai ser fácil expurgar a ideologia, que os neoliberais dizem não existir. Foi muita a retórica, mas com pouco conteúdo objetivo, nem por parte dos seus aposentes e muito menos dos seus opositores que continuam na bancada parlamentar à espreita e cuja estratégia vai ser, mesmo com um novo líder de bancada, e até á eleições, mais do mesmo.

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publicado às 19:14

Rui Rio líder do PSD: até quando?

por Manuel AR, em 16.01.18

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A liderança do PSD ficou entregue a Rui Rio após as eleições diretas do passado dia 13. Nas televisões comentadores diziam que Rio ganhou por uma maioria folgada. Considero que uma diferença com Santana Lopes de 8,7% nas circunstâncias em que o PSD se encontra não chega para dar volta ao partido. Repare-se que uma sondagem em dezembro dava a Rui Rio 70,5% e apenas 26,8% a Santana Lopes.

Dar a volta não é, como alguns dos apoiantes de Santana Lopes afirmaram durante a campanha, transformar o PSD num partido socialista, mas colocar o partido numa rota da social democracia, do centro ou do centro direita libertando-se do laço do neoliberalismo.

A renovação do PSD vai ser difícil de fazer mesmo com Rui Rio. As pressões internas, vindas de setores que ocupam lugares que Passo Coelho deixou como legado, para que o partido continue na mesma deriva ideológica, mesmo no contexto da atual conjuntura política e partidária, irão tentar sobreviver. Repare-se que alguns dos mais antigos do partido que apoiaram o PSD de Passos que apoiaram Santana Lopes querem manter os cargos e, por isso, irão resistir. Rui Rio foi claro na sua intervenção após a sua eleição ao dizer que “O PSD não foi fundado para ser um clube de amigos ou agremiação de interesses individuais”. Aliás um desses dos mais antigos apoiantes num debate sobre o resultado das eleições refugiou-se, mais uma vez, no passado e em elogios a Passo Coelho que dizia foi uma altura muito difícil que atravessou obrigado pela troika. Memória curta premeditada de Carlos Carreiras, atual Presidente da Câmara de Cascais, omitindo que Passos pretendeu fazer vingar medidas, e conseguiu, que foram muito para além da troika.

Não foi por acaso que Miguel Relvas, apoiante assumido de Santana Lopes, um dos braços direito de Passos Coelho e ex-membro do seu governo, afirmou durante a campanha que “Vamos ter um líder do PSD para dois anos, se ganhar as eleições continua, se não ganhar será posto em causa”. Deveria estar a referir-se a Rui Rio. Relvas já está a antecipar uma derrota do PSD visto que uma vitória vai ser muito difícil em 2019. Sonha, claro está, com a repetição de uma maioria absoluta para o partido.

O CDS-PP, pela voz de Cristas, qual espécie de fera à espera, já se perfila para futuras alianças direitistas, e vai dizendo que “está empenhada em "contribuir" para "uma alternativa séria ao governo das esquerdas unidas”. Quer voltar ás direitas unidas, claro que o poder sabe bem quando se ganha, mas é amargo quando se perde a maioria absoluta.

Disse Assunção Crista que "O CDS não está acantonado, o CDS está a crescer, o CDS está a dar mostras da sua vivacidade, queremos falar mais para todos os portugueses e a nossa estratégia é claríssima, é isso que queremos dizer aos portugueses". Pois é, numa sondagem em janeiro o CDS obtém, 6,2% das intenções de voto, muito abaixo do Bloco de Esquerda e próximo do PCP.

 

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publicado às 00:19

O grande apostador

por Manuel AR, em 07.01.18

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 Na convenção promovida por Santana Lopes no sábado passado coloca-se a Pedro Passos Coelho e diz ao partido que esteve sempre lá.  Passos Coelho, diz Santana, “não pôde fazer mais e fez um trabalho absolutamente excecional”.

A razão desta colagem, na minha opinião, faz parte da sua estratégia na campanha eleitoral à liderança do PSD. E porquê? Poderá perguntar-se. Primeiro, porque Passos Coelho ganhou as eleições em 2011 embora com maioria relativa pelo qual teve de se coligar com o CDS. Segundo, porque Passos Coelho também ganhou as eleições em 2015, perdendo votos, ficando com o CDS com minoria parlamentar face à esquerda. Assim, Santana Lopes acha que os “fãs” de Passos Coelho o verão, a ele, Santana Lopes, como um futuro e potencial vencedor nas próximas eleições legislativas. A estratégia de colagem a Passos Coelho por Santana pode ser a de vir a conseguir captar a direita mais conservadora que se afastou para o CDS, contudo, esta pode ser espada de dois gumes virando-se contra ele porque alguns consideraram que Passos e as suas políticas já não teriam futuro.

Após o frente a frente entre Rui Rio e Santana Lopes, um dos comentadores que analisou o debate, José Manuel Fernandes, afirmou, em determinada altura, que as orientações ideológicas do partido para as eleições não interessam nada porque as pessoas iriam votar em pessoas e não em ideologias. É, também neste ponto, que Santana se apresenta pensando que, quem irá votar, é uma espécie carneirada destituída de qualquer ideologia e que irá votar apenas pelo “look” do candidato. É nisto que Santana aposta. Aliás, parece que apostas são com ele porque aprendeu enquanto esteve à frente da Santa Casa da Misericórdia que, segundo parece, até desempenhou bem a função, exceto no caso da intervenção no capital do Montepio e foi ainda um dos motores para a abertura do Casino de Lisboa.

Para bom entendedor meia palavra basta. Se Santana Lopes ganha o PSD teremos um novo Passos Coelho, mas para pior, se, por mero acaso, vier a ganhar as próximas legislativas. E os neoliberais do PSD estarão nessa. Se, pelo contrário perder as eleições, o PSD bem pode pedir uma reforma de fundo.

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publicado às 17:25

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O frente a frente entre Rui Rio e Santana Lopes na passada quinta feira foi duma confrangedora exibição e pobreza. Ambos estiveram mal e o jornalista moderador pelas questões colocadas contribuiu para o desinteresse também não esteve melhor. As questões que colocou interessavam-lhe. Terá sabido previamente como Santana iria atacar? De qualquer forma o papel dum jornalista nestas situações é sempre ingrata, mas, neste caso, Vítor Gonçalves também não esteve bem.

Santana refugiou-se em assuntos do passado para atacar Rui Rio com temas que apenas revelaram a sua fraqueza, fragilidade, contribuindo para a falta de nível do debate e o desinteresse pelo esclarecimento do futuro do partido e do país caso venha a ganhar as eleições. Baseou-se apenas em críticas ao seu adversário concorrente.

Santana Lopes, ao referir e criticar Rui Rio por ter aceite um convite para participar num evento na Associação 25 de abril, conotou esta como se fosse uma associação de malfeitores.

Santana faz lembrar os que fazem política e comentário à mesa de cafés ou à frente de imperiais em cervejarias.  Faz lembrar os propagandistas das televendas que fazem tudo para vender o produto com publicidade enganosa. Estes ao menos centram-se apenas no seu produto e não falam da concorrência.

A prestação de Santana Lopes, enquanto candidato a líder de um dos maiores partidos portugueses, fez política baixa mostrando que não tem qualquer projeto definido. Todavia, pelos comentários de alguns jornalistas parece-me que a direita neoliberal dentro do PSD está do seu lado e tenta ver Santana Lopes como o herdeiro do pensamento de Passos Coelho e da sua turba. Cola-se à direita passista talvez para captar votos que se desviaram desde as eleições autárquicas para o lado do CDS. É nisso que ele está a apostar já que parece claro que é um admirador do ainda atual líder do PSD e da sua política.

Santana é um fiasco político e quer vir a ser primeiro-ministro para continuar a ser fiasco como já mostrou ser no passado. Gerir um país não é o mesmo que gerir uma instituição privada ou pública e já tivemos oportunidade de o confirmar no passado. É senhor de uma conversa fiada, com palavreado por vezes doce, por vezes amargo, por vezes confuso e desarticulado, muito ao seu estilo pessoal. Santana Lopes fala muito, mas concretiza pouco. Santana gosta de espetáculo, gosta que o admirem, gosta que o adulem, disponibiliza-se e está sempre disponível para falar sobre tudo e sobre nada frente às câmaras da televisão e para elas fixa o seu olhar. É um narcisista nato.

Sabemos por anteriores afirmações que Santana Lopes diz hoje o que irá desdizer amanhã. Fala dos erros dos outros esquecendo os seus. Com Santana Lopes, como líder do PSD, e caso venha a ganhar as eleições em 2019, para o que diz estar preparado, vamos ter mais do mesmo à direita.

Pelo contrário, Rui Rio é objetivo, pragmático e diz o que pensa. É um homem do Norte, sem papas na língua, e, para o bem e para o mal podemos saber com o que contamos. Diz o politicamente correto e politicamente incorreto.

Não vai ser fácil para Rui Rio poder remodelar o partido visto que os neoliberais alimentados e protegidos por Passos Coelho estão bem assentes e não vão deixar que lhes tirem o tapete. Por outro lado, o país também não pode estar sossegado se Rui Rio vier a ser eleito e ganhar eleições em 2019. O PSD com Rui Rio não deixará de ser de direita, talvez seja mais moderada. Uma coisa é certa, Rui Rio tem propostas mais concretas que podem, ou não, ser concretizáveis, ao contrário de Santana Lopes que é um vazio confuso.

Parece-me que a direita, que domina em grande parte os media, parece ter uma preferência por Santana Lopes, talvez porque alinha pelo liberalismo do passado recente e talvez também porque lhes poder vir a dar material e palhaçada para temas a publicar.

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publicado às 18:38

O que eles desejariam para 2018

por Manuel AR, em 03.01.18

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Habitualmente a comunicação social avança com prognósticos de como os políticos vêm o novo ano. Como seria de esperar, quer a esquerda e a maioria que apoia o Governo, quer a direita têm visões diferentes para os seus prognósticos. Quanto aos primeiros não vale a pena falar porque são sempre positivos e os partidos mais à esquerda querem “prendas” para 2018 ainda maiores.

Dedico-me, portanto, aos pessimismos da direita que já vêm desde a célebre frase do “vem aí o diabo” quando o atual Governo tomou posse.

O jornal Público colocou algumas perguntas aos candidatos a líder do PSD e à centrista Assunção Cristas sobre como viam o ano que entrou em termos de oposição. Santana Lopes recusou responder, assim, apresento apenas as respostas mais representativas da direita PSD e CDS sobre como pensam vir a fazer oposição em 2018.

 

Santana Lopes ao formalizar ontem a sua candidatura à liderança do PSD, demonstrou falta de originalidade e colou-se à mensagem de Ano Novo do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa quando disse que “é preciso reinventar o futuro”. Santana, para além de se colar oportunisticamente ao discurso do Presidente, inscreve o termo no texto da sua moção.

Se podemos perceber, ou até imaginar, a mensagem que o Presidente Marcelo pretendeu o mesmo não se pode dizer com o que Santana pretendeu com o “reinventar o país” já que o conceito é aplicado de forma tão pouco clara, vaga e descontextualizada quanto a sua moção o é. Sabemos que “pretende honrar o passado e perspetivar o futuro”. Não sabemos a que passado se refere Santana Lopes, se ao passado longínquo do PSD ou ao passado mais recente. Frases vagas plenas de ambiguidades.

 

Rui Rio, candidato à liderança do PSD prevê para 2018 um maior desgaste do Governo, uma pressão maior dentro da coligação parlamentar com confrontos ao nível da Assembleia da República assim como ao nível do movimento sindical. E, como seria de esperar, para Rio haverá seguramente um PSD mais atuante depois “deste demasiado longo período de tempo dedicado à substituição da liderança”.

Quanto às prioridades para 2018 “ganhar as eleições internas no PSD. Se tal acontecer,

a construção de uma alternativa de governo à solução parlamentar atual”. Que base serão propostas nessa alternativa de governo é que ficamos sem saber. Será mais do mesmo do passado recente?

Para Assunção Cristas, presidente do CDS-PP, entusiasmadíssima com os 21% alcançados em Lisboa, diz que tem os pés bem assentes na terra e estar “otimista para a construção alternativa para os portugueses”, mas também ficamos sem saber qual é. Ao nível interno diz que 2017 foi um ano trágico e fala, mais uma vez, dos incêndios tragédia de que ela tão bem soube tirar partido. Diz ainda que o país (o deles, lá do CDS, digo eu), “deve estar particularmente atento ao que o Governo vai ou não fazer em matéria de prevenção e combate aos incêndios, nomeadamente se cumpre as promessas que fez”. Veremos quando o ordenamento do território e da floresta forem levados para a frente pelo Governo, se o forem, se o CDS estará na disposição de contribuir paral tal ou se atuará de forma reacionária e conservadora contra as medidas que forem tomadas.

E, para Assunção Cristas o país, (a vigilante do país deles, os do CDS, digo eu, mais uma vez) “deve estar particularmente vigilante em relação às tentações de uma governação eleitoralista, a par de um escrutínio grande da qualidade dos serviços públicos, cuja degradação é notória. Esqueceu-se, esta vigilante em nome do país, de dizer que a degradação dos serviços públicos foi devido ao contributo que o seu partido deu quando esteve no governo de coligação de direita PSD/CDS que originou tal degradação e que, depois da terra queimada, é difícil a reconstrução instantânea.

Vigilante relativamente às tentações eleitoralistas? Dr.ª Assunção lembramo-nos bem do seu eleitoralismo quando das eleições autárquicas em Lisboa.

Para Cristas as prioridades para 2018 à semelhança de Rio “é afirmar-se como uma alternativa sólida e credível ao Governo das esquerdas unidas, através de uma oposição firme e construtiva”. Mas vai mais longe, quer que o CDS seja a primeira escolha dos portugueses.  Com que projeto de governação é que também não sabemos. Ah! Já sei, o projeto é “Ouvir Portugal” como ela diz. Desejos há muito, é como os chapéus também há muitos.

Para terminar e numa antevisão do jornal Público O julgamento de José Sócrates poderá

começar ainda em meados de outubro de 2018 ou, na pior das hipóteses, em 2019, como anteciparam em outubro próximo passado vários juristas ligados ao processo Operação Marquês.  No final do pré-julgamento o juiz Carlos Alexandre decidirá se leva os arguidos todos a julgamento ou se arquiva o caso, se entender não haver indícios suficientes que possam conduzir à sua condenação pelos crimes que constam da acusação do Ministério Público.

Se assim for esta antecipação mostra que, mais uma vez, está-se a conjugar tudo para a proximidade das próximas eleições legislativas. Ou será mais uma vez uma invetiva da minha parte quando tenho escrito que, no que respeita ao caso Sócrates, há um calendário judicial alinhado com o calendário político?

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publicado às 18:22

PSD_eleições diretas.png

Um postal de Feliz Ano Novo.

Em 13 janeiro de 2018 vai haver eleições diretas para a liderança do PSD. Nos finais de ano e início do novo anos é costume desejarem-se felicidades e prosperidade. É, portanto, oportuno desejar aos dois candidatos à liderança do PSD as melhores felicidades que neste caso se devem traduzir no maior número de votos que permita a um, ou a outro, ficar na liderança do partido.

Desde o tempo em que o PSD mostrou ser, com Passos Coelho e a sua entourage, ser um partido que, apesar de direita, enveredou pelo caminho mais radical do neoliberalismo que tenho escrito sobre uma possível e desejável viragem para a social-democracia.

Até agora nem um, nem outro, têm mostrado que haja, de facto, uma viragem no partido. Rui Rio apenas lança slogans mais ou menos vagos sem dar a conhecer como o fazer. Lança frases como ″libertar o país da amarração à extrema-esquerda″; quer avançar com a reforma do regime com o PSD ″a fazer de motor″; quer reformar o regime e “colocar Portugal na primeira divisão do nível de vida”. Estes slogans parecem-me ser contraditórios. Tudo depende do que ele quer dizer com reformar o regime, libertar o país das amarras da extrema-esquerda, primeira divisão do nível de vida, etc., ao mesmo tempo que diz que PSD “não é um partido de direita, mas de centro”. A mim o que me interessa é saber como?

Por sua vez Santana Lopes vagueia por aí Santana Lopes e diz saber muito bem "onde é que está o PSD". Será à direita ao lado de Passos Coelho? Será ao centro-esquerda indefinida? Apenas ao centro? sabe-se lá onde estará de qual. Para ele o partido está em todo o lado, “do centro-direita ao centro-esquerda”, “reformista” e por aí fora. Por outro lado afirma que “o PSD precisa de se reencontrar consigo próprio para se reposicionar no lugar que é seu”. Certo? Certo...!

Para mim mesmo que Rui Rio ganhe a liderança nada poderá vir de bom. Se Santa ganha pior a emenda do que o soneto.

Porque Santana andará por aí!

 

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publicado às 20:43

No meio do nada encontra-se o PSD

por Manuel AR, em 18.12.17

No meio do nada_2.png

No programa “Poder Laranja” do último sábado, moderado por Constança Cunha e Sá, foram convidados Feliciano Barreiras Duarte apoiante do Rui Rio, Duarte Marques apoiante de Santana Lopes, António Leitão Amaro sem candidato assumido e Sebastião Bugalho jornalista do jornal i.

Todos eles são militantes ou simpatizantes do PSD. O debate foi um vazio total de ideias, propostas e programas o que já seria de esperar especialmente por parte do apoiante de Santana Lopes. O apoiante de Rui Rio foi o que melhor defendeu a candidatura.

Em vez da defesa das candidaturas e da apresentação das propostas dos candidatos refugiaram-se no ataque ao Governo socialista com argumentos estafados e já por demais utilizados por Passo Coelho, não faltando até a evocação de Sócrates. Mais pareceu um debate sobre a defesa do ainda atual líder e o ataque ao Governo do que a defesa das próprias candidaturas.

A pobreza argumentativa foi evidente centrada na questão da identidade   e na posição do partido dentro do espetro partidário. Não se pode desejar que o PSD seja igual ao partido socialista dizia o apoiante de Santana. Dizia o apoiante de Rui Rio que havia que regressar às origens do partido, a social-democracia. Defendiam-se outros dizendo que o PSD não é de direita, mas do centro-direita ou de centro. No final não se ficou a saber qual é o espetro ideológico do partido. Mas a ideologia não interessa aos portugueses nada lhes diz, como disse o apoiante de Santana, o que querem ver é factos concretos. Já vimos e bastante no passado e o que prometiam para o futuro, diria eu!

Parece que, segundo se pode deduzir pelo debate, ao PSD nada interessa nem sequer a ideologia. A ser assim não se percebe ao que vão nem o que pretendem.

Parece que, segundo eles, lá para a semana vai sair um programa. Como já disse Santana Lopes numa entrevista ainda não há projeto, mas está tudo na minha cabeça.

Apesar de eu já ter escrito várias vezes que o PSD abandonou a sua matriz social-democrata acantonando-se na corrente neoliberal, coisa que refutaram alguns dos presentes no debate. De cada vez que os oiço falar mais me convenço de que não há volta a dar ao PSD, afinal não é social-democrata e não tem vontade de o ser, então, sem dúvida, é um partido de direita e com alguns laivos radicais e populistas que foram nascendo.

Foi um debate de nada, e sobre nada, um vazio total. Quem não estava esclarecido ou tinha dúvidas como eu ainda ficou pior.

Todavia Rui Rio é o único que se afasta um pouco da linha dos outros jovenzinhos que vieram da JSD, agora bem instalados no partido e com cargos políticos que vêm a público dizer balelas ou cantando o refrão do que ouvem por aí. Para mim, uma coisa ficou clara: o apoiante da candidatura de Santana Lopes e Leitão Amaro tentaram fugir ao rótulo de direita que, segundo dizem, lhes foi colocado pela esquerda. Ficámos sem saber no final e apesar de o negarem se não são de direita então o que são afinal…

Hoje a candidatura de Santana Lopes anunciou o seu programa que já tinha dito estar apenas na sua cabeça ao mesmo tempo que um dos elementos que o apoia invoca Deus para vir em seu auxílio ao dizer numa reunião que Santana “graças a Deus vai ser eleito”. É a primeira vez que em política se recorre claramente à religião como fonte aliciadora de almas simples e sãs para uma causa deveria ser estritamente laica.

Não é novidade que a igreja tenta em época de eleições influenciar eleitorado católico para a direita durante as homilias, o inverso para mim é novidade e, tanto mais, que chega já às raias do populismo de baixa ética. Invocar o nome de Deus em vão misturando-o com causas políticas parece ser a transformação duma candidatura dum político que mais parece ser a de uma espécie de seita religiosa.

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publicado às 15:42


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