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A casta de comentadores dum olho só

por Manuel AR, em 16.05.15

Marques Mendes_3.jpg

Comentadores políticos da área do PSD proliferam que nem coelhos pelo canais generalistas da televisão privada e também na RTP1. Devo andar distraído porque há muito que não vejo nos mesmos canais em horário nobre o contraditório por comentadores de outras áreas de opinião.

Uma das almas que por aí prolifera é Luís Marques Mendes do PSD dando-se ares de isenção política e partidária mas que é um mal disfarçado apoio ao seu partido que está no Governo.

Na revista Visão da semana que hoje termina, na sua habitual rubrica de opinião Marques Mendes tenta estabelecer comparações entre as eleições no Reino Unido e Portugal insinuando que a mudança não é boa e, referindo-se aos trabalhistas diz que "Esqueceram-se de um detalhe: a ideia de mudança é sedutora mas, depois da crise que tivemos, as pessoas não querem aventuras, não acreditam em facilidades, nem aceitam correr grandes riscos.".   

É evidente que no conteúdo da afirmação enunciada é uma comparação implícita ao caso português.

Em linguagem popular é como se estivesse a recomendar aos tolinhos dos portugueses que 'vejam lá tenham cuidado e juizinho com essa coisa da mudança (votar noutros partidos) que pode ser muito bonito mas não se metam em aventuras depois da crise que tivemos (tivemos não, temos!) não acreditem em facilidades'.

O que pretende este comentador senão fazer campanha em prol do Governo e da coligação pensando que são todos ineptos e não sabemos que a crise no Reino Unido e a sua superação nada tiveram a ver com que se passou com o caso português. O Governo de Cameron foi sério credível e honesto para com os seus cidadãos, ao contrário do Governo de Passos Coelho que foi trauliteiro e divisionista do povo.

Andam estes senhores a enodoar as mentes sem que, com a mesma oportunidade, se possamos escutar vozes contraditórias. Não só estamos fartos deste Governo de jumentude como começamos a fartar-nos também desta casta de comentadores que atacaram a comunicação televisiva.

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publicado às 23:04

A estratégia errada do PCP

por Manuel AR, em 17.11.14

PCP.png

 

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, é uma pessoa por quem tenho muita consideração devido às suas convicções e coerência política sem contudo perfilhar os seus princípios ideológicos. É muito raro termos a comunicação social audiovisual e escrita a conceder entrevistas a Jerónimo de Sousa a não ser em breves flashes nos canais televisivos sobre determinados momentos da atualidade política.

A revista Visão da semana que terminou concedeu-lhe uma entrevista e ainda bem porque passamos a saber mais do seu pensamento sobre a política que quase ou nunca varia. O que me leva a desconfiar é a oportunidade da entrevista num momento em que o contexto político-partidário está em mutação, não apenas devido às alterações em curso no Partido Socialista, mas também à pré-campanha eleitoral dos partidos da coligação governamental.

O PCP sabe que nunca será governo, mas também sabe que uma subida da pontuação eleitoral, por pouca que seja, lhe dará sempre muito jeito. Deste modo sabe bem onde pode com maior probabilidade ir buscar votos. Será sempre no espetro partidário do centro- esquerda, isto é ao Partido Socialista e a direita sabe disso.

O PCP foi sempre contra qualquer tipo de política e de governo de direita mas o seu erro estratégico tem sido uma postura de isolamento partidário e ideológico com alguma razão porque se deixar de ter pretensões de vanguarda das lutas das classes trabalhadoras as suas votações passarão a ser meramente residuais.

O PCP, para obter mais uns votinhos, prefere ter como alvo o PS, o que a direita agradece. Na entrevista publicada na Visão as questões colocadas a Jerónimo de Sousa vão desabar na sua maior parte no PS. Para ele a substituição da liderança no PS foi sobretudo "um processo de mudança de caras". Estas e outras afirmações ajudam a direita e o Governo que neste momento se transformou num elemento de oposição à oposição. Todos nos recordamos que a queda do último governo de José Sócrates foi apoiada com os votos conjuntos do PCP, BE juntamente com direita. Não é de admirar, portanto, que coloque O PS no mesmo saco da direita. Só tardiamente se apercebeu da diferença.

Que o PS neste momento é mais social-democrata do que socialista e tendo em conta a evolução seguida pelo PSD no sentido neoliberal, no momento como aquele em nos encontramos o ajustamento a alguns pontos de vista da direita não são despiciendos. O PS continua a ter no seu eleitorado as classes médias e média baixa que, enganados, terão contribuído para que a direita chegasse ao poder em 2010.

O PCP tem um defeito estratégico de fabrico, tudo quanto mexa e esteja, por pouco que seja, à sua direita é para combater, daí não fazer quaisquer distinções e incluir também o Partido Socialista. Por convicção ideológica o PCP tem uma estratégia concertada de oposição sistemática seja qual for o governo mesmo que de esquerda moderada. O seu apego a uma ideologia e a um programa rígido de opção política para o país torna-o irredutível para qualquer acordo com quem quer que seja. Para o PCP na política apenas existe o preto e o branco, não há cinzento. Dadas as circunstâncias que o mundo atravessa resta refletir se poderá ter, ou não, razão.

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publicado às 16:24

Léxico do politiquês

por Manuel AR, em 16.09.13

Marques Mendes na Revista Visão de quinta-feira defende a liberdade de escolha na educação que se prevê ser consubstanciada pelo governo num tal cheque-ensino ao qual nem sequer se refere, pelo menos enquanto conceito. Mas sobre este tema pode ler-se o blog seguinte.

O que achei espantoso, e apenas como um exercício de linguagem politica, foi o senhor propagandista em determinado momento do seu artigo de opinião se referir a uma coligação negativa de uma determinada direita burocrática com a esquerda mais conservadora. Espanto meu! Comecei logo a pensar em rever e reestudar toda a minha linguagem política. Estava perante uma autêntica revolução dos conceitos naquela ciência.

A literatura e jornalismo políticos sempre se referiram à direita como os conservadores (embora direita e esquerda não sejam fáceis de delimitar nos seus espectros políticos). Na Inglaterra há os Trabalhistas e os Conservadores, nos EUA os Republicanos, também denominados conservadores e os Democratas e, em qualquer dos países, segundo eles, os conservadores são assim chamados assumidamente com muita honra. Então fiquei baralhado.

A direita combate a esquerda por esta ser pelo progresso e pela evolução de uma política mais virada para o social em vez da manutenção das estruturas sociais mais clássicas e conservadoras.  Agora Marques Mendes chama-lhes conservadores. Para ele, com certeza, a palavra conservador, em política, adapta-se consoante os interesses do momento para confundir os patetas dos portugueses que este governo deve considerar mentecaptos. Pelo menos assim parece, de acordo com a baralhada das intervenções do primeiro-ministro, quer pelos termos utilizados quer pelo tipo de leis que manda elaborar e aprovar. Requalificação em vez de despedimentos, poupanças em vez de cortes, convergência em vez de cortes nas pensões, mobilidade especial em vez de deslocações forçadas… São tanta e tais que nem há paciência para escrever todas. Davam um dicionário de coelhês.

Já cá faltava também este com uma novilíngua como a do governo. 

 

 

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publicado às 23:16

 

Marques Mendes, uma das correias de transmissão de propaganda do governo, veio agora na Revista Visão de quinta-feira defender a liberdade de escolha na educação que se prevê ser consubstanciada pelo governo num tal cheque-ensino. Fala na liberdade de escolha entre ensino público ou privado onde as famílias possam educar os seus filhos, sem sequer, uma única vez, mencionar a palavra cheque-ensino que, ao que parece, é o que está em causa. Talvez para iludir quem o lê.

 Os argumentos que apresenta para criticar o que denomina de coligação negativa que, diz ele, se opõe à liberdade de escolha (leia-se cheque-ensino), são meramente de forma e não de conteúdo.  

Será de facto a questão da liberdade de escolha que se coloca? Se assim for Marque Mendes pressupõe que aquela, até este momento, não existe. Isto é, seguindo aquele raciocínio até agora quem tem filhos não os pode colocar onde achar mais conveniente seja ele no público ou privado, o que é mentira. Seria o tal cheque-ensino que iria possibilitar tal benesse?! Sim, mas aos que menos precisam.

O que se coloca em questão e se deve discutir é a atribuição de uma determinada verba por aluno, paga pelos nossos elevados impostos e pelos cortes que o governo tem feito, para que as famílias possam colocar os seus filhos nas escolas que tenham mais qualidade que, na ótica do governo são as escola privadas, mas para a qual se desconhecem critérios objetivos. E quem não desejaria, face à cada vez maior perda de qualidade da educação pública provocada pelo governo, colocar os seus filhos no privado?

Então vejamos: quer os que têm poucas ou muitas posses, ricos incluídos (não os ricos que, segundo o governo, auferem pouco mais de seiscentos euros), teriam direito a um cheque-ensino por cada filho optando desta forma por os colocarem na escola que achassem ser mais conveniente. Todos teriam então as mesmas oportunidades que, objetivamente, não são mais do que aparentes.

É sabido que, quem tem mais posses ou é rico já coloca os seus filhos no privado ou na escola privada que lhe aprouver, pelo menos a grande maioria. Certo ou errado? O cheque-ensino seria uma verba do Orçamento de Estado colocada à disposição de todos. Então, os de menos posses ou os que tenham salários mais reduzidos, que também pagam impostos, estariam a pagar indiretamente aos ricos uma verba pela qual iriam beneficiar como se não pudessem pagar na íntegra, como já pagam, para terem os seus filhos no ensino privado. Quer dizer, minimizava-se aos de maiores posses o encargo com a educação dos filhos, a troco do engodo de uma cenoura colocada aos restantes que seria o dito cheque-ensino o que, para a maioria, não chegaria para colocar os filhos num estabelecimento de ensino privado.

Pode argumentar-se que os ricos e os que têm mais posses também estão a pagar para os outros através dos impostos. É assim, uns pagam para os outros na proporção dos seus rendimentos. Mas a pergunta que se coloca é a de saber se a verba do cheque-ensino por aluno seria igual para todos. E é aqui que bate o ponto. Se assim for segue de acordo com a é ética e a moral deste governo e dos seus apoiantes que é a de prejudicar alguns para benefício de outros, normalmente os que não precisam.

Do ponto de vista económico poderia ser positivo pois dinamizava o mercado do ensino mas favorecia uma clique oportunista que se iria aproveitar do negócio colocando em segundo ou terceiro plano a qualidade do ensino. Veja-se o que aconteceu quando surgiram as primeiras universidades privadas, que algumas delas já não existem. 

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publicado às 23:06


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