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Andamentos em Dó Menor do mestre escola

por Manuel AR, em 09.05.17

Mestre Escola_Passos Coelho.jpg

Primeiro andamento:

 

O nevoeiro que avassala o PSD, que tem sido manifesto nas declarações do seu líder Passos Coelho, é confrangedor. Não avançando com qualquer medida concreta para as reformas e especificamente a da Segurança Social em junho de 2016  vai argumentando que os sociais-democratas não querem contribuir para “inquinar o debate desde já”, o presidente do PSD disse ainda que a reforma da Segurança Social está a ser feita sem transparência.

Em junho de 2015, Passos Coelho desafiava os restantes partidos, em particular o PS, para uma Reforma da Segurança Social, assumindo a aposta de uma comissão eventual no Parlamento que discuta a questão nos próximos seis meses. Para os convencer definiu linhas vermelhas: não haveria cortes nas pensões, não se mudaria o sistema de solidariedade geracional e deixaria cair o plafonamento das pensões, deixava algumas garantias para obrigar o PS a ir a jogo.

Se estaria ou não com boas intenções não sabemos, apenas sabemos que, uma mudança radical da sua posição sobre o tema levanta à partida suspeitas visto poderrmos considerar que está a falar para um eleitorado que, entretanto, perdeu.

A 30 de abril disse em Arganil, “que esta maioria não sabe conviver com quem não seja obediente, que não seja concordante com o poder vigente. Uma democracia precisa de pesos e contrapesos, de uma avaliação de práticas que sejam transparentes, do respeito pelas instituições. Quando isso não acontece, a democracia passa a ser limitada”. Mais acrescentou noutra altura que o processo da reforma da Segurança Social não está a ser transparente, mas o facto é que a comunicação social tem dado bem conta disso. Não merece comentário, basta perguntar: e, então o que fez quando estava em maioria absoluta no governo?

O dr. Passos Coelho tem dificuldade em sair do discurso de cangalheiro que é aquele discurso de circunstância que se faz quando não há nada para dizer e são críticas que “não são feitas à essência das opções, mas sim a situações colaterais”.

O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, abordou o assunto à margem do congresso nacional da Economia Social, que se realizou na Póvoa de Varzim, lembrando que o Programa Nacional de Reformas, que depois de aprovado o ano passado tem este ano uma primeira revisão, “não sofreu alterações nos seus aspetos fundamentais”. Não foi o que Passos tinha dito antes?

 

Segundo andamento:

 

"Este Governo e esta maioria têm um único cimento, que foi repor rendimentos. O nosso problema não é repor rendimentos, é repô-los ao ritmo que não ponha em causa o equilíbrio de que precisamos para não voltar atrás", sustentou. O líder do PSD acrescentou que "o único cimento que esta maioria teve foi para reverter reformas estruturais importantes que se tinham feito".

Compreendi-te!

 

O líder social-democrata disse que os "Governos governam para o país, não governam para os seus eleitores nem para os militantes dos seus partidos" e "os países não podem ficar capturados por um determinado Governo ou maioria".

Parece que o anterior governo não era maioria e de que não estivemos reféns!

 

"Faz retaliação e a retaliação é um retrocesso democrático insuportável na época e que vivemos", afirmou.

Estou enganado. Ninguém foi retaliado democraticamente durante a maioria de direita.

 

"É preciso combater esta ilusão que se está a tentar criar de que os problemas estão resolvidos e que o que aconteceu em 2011 foi o resultado de uma conjuntura externa muito adversa e que não tem nada a ver com problemas estruturais que o país tenha"

Se bem me lembro este não era o discurso pré-eleitoral daquela época?

 

Terceiro andamento: reminiscência do passado, já lá vai quase um ano

 

O título deste post, “Dó Maior”  não se trata da nota da escala musical mas do nome masculino “dó”  que significa compaixão, piedade pelas atitudes da direita neoliberal do PSD e das suas juventudes que sofrem duma incultura histórica e política agravada.

Esta cultura da ignorância implica que o perfil cultural dos elementos dum partido político e dos seus satélites das juventudes partidárias, não é algo que possa ser considerado constante a partir dum qualquer curso ou de uma medida temporal localizada. Não se reduz aos níveis de escolaridade formal atingidos e não é encarado como qualquer coisa que se obtém num determinado momento e válido para todo o sempre.

A estas premissas acresce que a capacidade para desenvolver potencialidades e participar ativamente na sociedade tem de ser visto no quadro de níveis de exigências sociais em determinado momento para um bom desempenho de funções sociais diversificadas que corresponda ao exercício da atividade política. 

Neste contexto é manifesta a ignorância da montagem das imagens que em certas ocasiões a JSD faz proliferar que revelam confusão histórica e política, certamente premeditada. E, o que é mais grave ainda, têm a finalidade de confundir e amedrontar utilizando métodos idênticos aos já bem conhecidos utilizados no tempo do fascismo e das ditaduras idênticas às da Coreia do Norte.

Para estas juventudes politicamente formatadas, cultural e mentalmente alienadas, não podemos esperar, no futuro, nada de bom, ainda que Passos Coelho nos seus tempos de governação tenha sugerido várias vezes que, ao tomar medidas contra a grande maioria do povo, estava a pensar no futuro das novas gerações. Gerações como estas da JSD, geradas no casulo dum PSD cada vez mais neoliberal e radical, apesar do golpe de rins que nos últimos meses tem feito! Esperemos que, por isso, não venham a ter uma entorse de coluna.

Sobre a máquina da ignorância, digo eu, da incultura histórica, ao serviço da política Pacheco Pereira escreveu em tempo um artigo no jornal Público sobre o financiamento a algumas escola privadas, que vale a pena ser lido, e onde, a certa altura, escreve: “É de um ridículo atroz dizer que o cancelamento de alguns contratos com colégios privados, — que são negócios legítimos, mas negócios, — tem alguma coisa a ver com o estalinismo.”.

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publicado às 19:27

Os ruidosos

por Manuel AR, em 31.03.14

O que devemos reter sobre o que se passou a semana anterior em torno caso das pensões é que jamais se deve dar crédito aos elementos deste governo de Passo Coelho e a ele próprio, porque, para esta gente, o que é hoje já não é amanhã. É bom que todos nos lembremos disto quando formos votar, mesmo nas eleições europeias, porque seremos um reflexo na Europa do que formos em Portugal.

 

Estes senhores do faz de conta que governam, experientes em disparates, trapalhadas e enganos, quando os cometem refugiam-se e apressam-se a dizer que houve falha de comunicação e que, o que estava subjacente não era bem isto, mas aquilo… Outras vezes queixam-se do ruído da comunicação que eles próprios criam, propositadamente ou por incompetência. Mesmo tendo colocado Poiares Maduro como responsável pela dita comunicação do governo pouco ou nada melhorou, em alguns casos até piorou tal como se viu na semana anterior.

As declarações do secretário de estado da Administração Pública num "briefing" foram a base para o ruído causado, não digo pela comunicação o social já que ela foi mais ou menos coerente no relato das declarações, mas refiro-me à trapalhada e à atrapalhação de elementos do Governo onde claro está, não poderia deixar de estar incluído o primeiro-ministro Passo Coelho.

Aquela semana foi dominada por declarações contraditórias sobre os cortes de pensões e sobre a sua transformação ou não em definitivos. Os cortes de pensões e de salários são a matéria preferida do Governo, aliás única, sobre a qual conseguiu governar, mal, até hoje.

Quanto ao vice-primeiro ministro, como anda no joguinho do toca e foge, lança umas tantas bocas costumeiras, depois recua para não dar muito nas vistas.

Nesta polémica do diz, que diz, mas não disse o que disse, etc., estiveram no centro da polémica, para além do referido secretário de estado, Passos Coelho falando em prudência, Paulo Portas com o desmentido ao secretário de estado afirmando que foi um "erro" que não devia ter acontecido", Marques Guedes, dizendo que foi um "alarmismo injustificado" e Luís Albuquerque a dizer que nada estava decidido. A confusão e a trapalhada estavam lançadas.

Até Marque Mendes, um dos comentadores pró-governo da televisão, afirmou sobre os cortes nas pensões: "uma trapalhada monumental". “Mais do que um problema de comunicação, esta é uma trapalhada monumental, a grande trapalhada da semana”. 

O que devemos reter sobre o que se passou a semana anterior em torno caso das pensões é que jamais se deve dar crédito aos elementos deste governo de Passo Coelho e a ele próprio, porque, para esta gente, o que é hoje já não é amanhã. É bom que todos nos lembremos disto quando formos votar, mesmo nas eleições europeias, porque seremos um reflexo na Europa do que formos em Portugal.

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publicado às 17:07


O programa do PSD e deste Governo assentariam sempre na aplicação das mesmas premissas ideológicas ultraliberais mesmo que não tivessem existido os precedentes governativos que, de forma cansativa, tantas vezes referem.

 

 

 Imagem de: http://pyn-guyn.blogspot.pt/

 

 O que aconteceria se o governo atual (PSD e CDS) estivesse a governar sem a ajuda internacional da “troika”e com Passos Coelho como primeiro-ministro? Como nos encontraríamos agora? O que faria então o governo?

 

Tendo em conta as declarações atuais e os responsáveis pelo governo e os seus comentadores políticos a culpa é da “troika” e da intervenção externa que nos obrigou à perda de soberania e, por tal são justificadas as medidas até agora adotadas.

Sem a intervenção da “troika” que medidas e que caminho teria então tomado o Governo para equilibrar as finanças públicas e reduzir o défice para 3% a que obriga a EU? Com grande probabilidade seriam precisamente as mesmas das que tomou

com a presença da “troika”.

Vejamos então. Em 19 de maio de 2011 Passo Coelho apresentou, num hotel em Lisboa, as linhas mestras do programa eleitoral do PSD. Afirmou então com pena convicção que “este programa está muito além do memorando da troika”. Facilmente se poderá concluir que, com ou sem a “toika”, o programa do PSD seria, na prática, o mesmo que tem vindo a aplicar.

Para corrigir as conta públicas estava também implícito no programa do PSD que haveria na mesma cortes no Estado Social, redução das despesas do Estado e, consequentemente, cortes nos salários, nas reformas, nas pensões e dispensa de trabalhadores do setor público.

Quanto às privatizações o programa do PSD, pela voz de Passos Coelho, referia que “o plano de privatizações da troika não defende todas as privatizações. Nós queremos que isso se estenda aos órgãos de comunicação social.”. Referia ainda Passos Coelho que o país tinha um nível de desemprego que ameaçava a coesão e a justiça social pelo que era necessário colocar a economia portuguesa a crescer. Considerando que, como premissa inicial, o programa do PSD iria fazer reformas estruturais que iriam para além da “troika” como ele afirmou, logo, a aplicação das suas medidas, mesmo sem a “troika”, iriam conduzir aos mesmos resultados, isto é, o aumento desenfreado do desemprego como o  que se verifica atualmente.

O programa de governo do PSD/CDS entregue na Assembleia da República em 28 de junho de 2011 confirma o que se acaba de referir. É portanto, fácil concluir que, mesmo sem a “troika”, estaríamos na mesma situação em que nos encontramos ou pior ainda, mesmo que não tivéssemos a dívida e os juros adicionais que somos obrigados a pagar às instâncias internacionais devido à assistência a que estamos sujeitos.

Em conclusão, mesmo sem a “troika”, as medidas que foram tomadas e as que ainda irão ser tomadas por este Governo, e que nos afetam a todos, seriam as mesmas. Portanto, a responsabilidade da destruição do tecido social e empresarial não é nem só da “troika” nem só dos governos seus antecessores. Que fizeram mal já nós sabemos, mas não justifica tudo. O programa do PSD e deste Governo assentariam sempre na aplicação das mesmas premissas ideológicas ultraliberais mesmo que não tivessem existido os precedentes governativos que, de forma cansativa, tantas vezes referem. 

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publicado às 22:46

 

This Poor Guy Has Nothing... but a Bad Suit and Tie.

Imagem de principalspage

 

 

O que este governo propõe é uma austeridade perpétua e continuada que ultrapassa as medidas para redução e contenção do défice que ao longo de um ano não conseguiu.

 

 A estratégia política e social deste governo foi posta a descoberto com a tentativa, esperemos que falhada, de transferir dinheiro do trabalho para o financiamento das empresas através da taxa social única (TSU) onde, quem fica a ganhar, são as grandes empresas pró-monopolistas de serviços não transacionáveis e não as empresas de bens e serviços transacionáveis. Isto é, as empresas exportadoras que, apesar de desempenharem um papel fundamental com a sua contribuição positiva da balança de pagamentos, não iriam durante muito tempo usufruir daquela vantagem, nem tão pouco iriam induzir significativamente o alargamento do mercado interno pelo crescimento económico pouco significativo para o qual iriam contribuir. Isto é percetível até para quem não é especialista em economia.

 

Os portugueses, em nome da diminuição do défice que o governo ainda não conseguiu travar, estavam(ão) dispostos a colaborar com a austeridade mas, o que se pretende fazer ultrapassa toda a ética social e política, daí o desacordo de praticamente toda a sociedade civil. Sobre este assunto está publicado online um artigo de opinião de José Gomes Ferreira, da SIC Notícias, que vale bem a pena ser lido.

 

Esta medida, entre outras que pretendem tomar, já nada tem a ver com a diminuição do défice mas apenas impor um modelo económico neoliberal muito mais radical do que Margarete Tatcher impôs na Inglaterra nos anos oitenta seguindo a mesma linha de Ronald Reagan nos Estados Unidos da América e, mais recentemente, durante o mandato de George W. Bush também nos EUA que consistiu em fazer baixar os impostos aos mais ricos e às grandes empresas, ao mesmo tempo que para os restantes aumentavam os impostos a todos os níveis e as contribuições sobre rendimentos do trabalho.

 

Este PSD, que nada em a ver com quele em que as pessoas acreditaram durante vários anos, o que pretende é beneficiar uns em prejuízo de outros, isto é, desequilibrar os pratos da balança que, diga-se, já estava bastante desequilibrada. Para além de uma falta de sensibilidade política e social parece existir uma aversão a todos os estratos das classes médias e trabalhadoras sustentáculos da maioria das pequenas e médias empresas que pretendem sacrificar até à exaustão, de modo a que se efetue uma transferência para outras mãos de tudo o que obtiveram, ao longo dos anos, com trabalho, alguma poupança, salários, pequenas propriedades, e outro bens. Daí o grito dado nas manifestações do “queremos as nossas vidas!”. Se as empresas e famílias se endividaram foi porque, quem nos tem governado ao longo dos anos ajudou a fomentar, com o apoio dos bancos, para esse endividamento. E todos aqueles que enriqueceram, desde o tempo de Cavaco Silva, através dos fundos estruturais, a maior parte das vezes utilizados indiscriminadamente e sem controlo não terão contribuído para o descalabro com que agora nos confrontamos?   Onde se encontram agora muitas dessas empresas que abriram para receberem as ajudas europeias?

 

Temos também agora o sr. ministro da administração interna que tem feito discretamente algum bom trabalho, dizer que Portugal não pode ser «um país de muitas cigarras e poucas formigas». Gostaríamos de saber se ele se está a referir às centenas de milhares de cidadão que têm vindo a protestar nas últimas semanas contra as medidas exageradas de austeridade que, até agora, em nada vieram contribuir para a diminuição do défice. Claro que depois deu uma desculpa esfarrapada que já não convenceu ninguém.

 

Este governo nunca explicitou, de acordo com a sua ótica o que eram medidas estruturais que, pelos vistos, são apenas tomadas para o lado do trabalho Quanto a outras medidas estruturais fica-se pelo silêncio. Está mais que visto que, o que este governo propõe, é uma austeridade perpétua e continuada que ultrapassa as medidas necessária para a redução e contenção do défice.

 

Quanto mais empobrecido vai ficando um povo e a diferença entre os ricos e pobres se vai salientando tanto mais se manifesta a sua capacidade de manifestação e de revolta. Não é por acaso que a repressão e a ditadura são uma constante em países onde a pobreza e a riqueza extremas são manifestas.

 

 

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publicado às 23:18


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