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Pandemia coronavírus e o efeito terceira-pessoa

Quanto maior a percepção do efeito da terceira-pessoa, menor a probabilidade de as pessoas tomarem p

por Manuel_AR, em 25.03.20

O que nos leva a pensar o que acontece de mau não nos acontece a nós, mas aos outros? Não é porque pensamos que somos invencíveis, é porque gostamos de pensar que somos imunes às influências das mensagens da comunicação social de massa e de fatores adversos. É isto que a teoria do “efeito de terceira pessoa” estuda.

Epidemia_efeito terceira-pessoas1.png

Apresentação.

Estamos em fase de pandemia derivada ao COVID-19 e as medidas a tomar têm duas vertentes a primeira obviamente ligada à saúde e a outra são políticas adotadas para lidar com o problema. Esta última é a que tem mais impacto na solução para mitigação das dificuldades mais graves que hoje vão começar, não podem estar sujeitas a pressões seja de que lóbis forem por estar em causa as pessoas e o travão à propagação da epidemia. Se a coisa agrava por falta de coragem política quem deverá ser responsabilizado? Em caso de falha, e numa circunstância como esta, assumir a culpa e fazer pedidos formais de desculpa à posteriori não serve de nada nem a ninguém. Para situações drásticas impõem-se medidas drásticas.

Vemos exemplos por esse mundo fora a serem tomadas medidas que por cá se recusam ou recusava-se que fossem tomadas apontando as mais diversas justificações e cautelas, algumas até com risco de agravamento da situação.

Artigos de opinião rebelam-se contra medidas mais severas que possam vir a ser tomadas, parecendo preferir que a doença alastre sem controle em nome de ideologias que defendem, como que a dizer que isso só acontece aos outros, a nós não!

Vem isto em relação à decisão que tardou de fechar as escolas

entários ao blogue.

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publicado às 18:25

Condicionamento pré-eleitoral

por Manuel_AR, em 27.09.13

Uma coisa é certa, a abstenção não é solução, votar na manutenção dos que têm conduzido e vão continuar a conduzir o país para o abismo também não é. A mudança por vezes é necessária até ao nível do poder local afeto ao regime.  

 

Os partidos da coligação, nomeadamente o PSD o CDS e o chefe do executivo Passos Coelho, têm vindo a fazer dos portugueses parvos e, mais uma vez, tentam manipulá-los com a tática do medo, da insegurança e da instabilidade.

Nos períodos que antecedem atos eleitorais proliferam as agências de rating e personalidades cimeiras de organismos internacionais que fazem comunicados, “press releases” e outras formas de intervenção tentando dar uma ajudinha através do condicionamento pré-eleitoral que possa ir de encontro aos interesses da direita. Apareceu em Portugal há poucos dias, por coincidência (?), o secretário-geral da OCDE que fez declarações, muitas delas num registo de elogio à ação do governo. O mesmo acontece com a esquerda que, a maioria das vezes, produz ideias contraditórias à semelhança do governo, repetindo até à exaustão as mesmas propostas pouco claras, causando confusão e ruído nas mensagens.

Estamos no âmbito da teoria do condicionamento social segundo a qual o ambiente social como a família, o emprego, e outros, que incluem formas de manipulação como a publicidade e a propaganda política, influenciam e modelam o comportamento dos indivíduos.

Condicionar os eleitores é objetivo fundamental para os enganar induzindo-os a uma opção de voto que mais convenha ao manipulador. Todos os partidos tentam o mesmo, mas, o caso mais paradigmático tem sido o do governo de coligação PSD/CDS que a utiliza para atingir os seus fins, centrados na manutenção do poder a todo o custo, e tentando evitar o mínimo abanão possível nas eleições autárquicas.

Preferem suscitar reações afetivas fortes na expectativa de, não só captar a atenção, mas também de mudar a atitude e o comportamento político dos eleitores de forma captar o sentido do voto em vez de sobrecarregarem os recetores das mensagens com argumentos intermináveis. As mensagens persuasivas que são emitidas, especialmente durante a campanha eleitoral, apelam aos sentimentos e às necessidades das pessoas têm um objetivo óbvio.

De acordo com estudos efetuados provou-se que os sujeitos gostam tanto mais de um estímulo quanto mais vezes o vêm ou ouvem. É a teoria da exposição simples segundo a qual, uma maneira simples de modificar as atitudes das pessoas consiste em apresentar-lhes o mesmo estímulo muitas vezes.

Vamos então ver como poderá ser feito o referido condicionamento pelo que é necessário esclarecer alguns conceitos no domínio da psicologia social. Quem já ouviu falar no cão de Pavlov e do reflexos condicionados sabe à partida o que isso significa. Contudo, o condicionamento pré-eleitoral de uma sociedade já não tem origem em reflexos mais ou menos condicionados, é mais sofisticado, vai mais longe e tem outros objetivos. Entra-se então no domínio do instrumental ou operante.

É uma espécie de engenharia eleitoral em que, através de um esquema de reforços, se podem arquitetar alterações comportamentais de modo a poder fazer infletir, em certa medida, o sentido do voto dos eleitores. O propósito seria então moldar os indivíduos para melhor refletirem sobre os objetivos determinados por um partido, um governo, um grupo ou uma pessoa.

O que se pretende é condicionar a votação através do chamado condicionamento instrumental ou operante cujas respostas denominadas operantes, que dependem do sujeito mas que operam no ambiente para realizar uma mudança que leva à recompensa. Deste tipo de ambiente exterior ao sujeito fazem parte, entre outros, a difusão pelos órgãos de comunicação, em especial a televisão através da emissão de comunicados, reportagens, entrevistas, intervenções e até notícias que poderão servir de estímulo para a obtenção de uma determinada resposta.

Nos casos que se irão abordar e que têm estado mais presentes são que se pode designar por medo condicionado. Os estímulos puxam por um lado à racionalidade e, por outro, às emoções. Neste último caso é a fragilidade que é utilizada. Com o receio de perderem ainda mais regalias ou direitos sociais e cortes nos seus rendimentos, colocam de lado a racionalidade e votam tendo presente o medo como suporte.

Meter medo para convencer ou avançar com ilusões efémeras de crescimento ao mesmo tempo que faz cortes sociais e aumenta a austeridade é uma das táticas utilizadas por este governo ao mesmo tempo que fala num segundo resgate. Por sua vez para Paul Portas o ténue crescimento deve ser apenas um exercício de fé. Nada mais fácil do que encontrar exemplo nas declarações do primeiro-ministro por vezes até contraditórias com as que prestou em momentos anteriores dependendo das circunstâncias. Os exemplos que pendem agora são os da ameaça do segundo resgate, de medidas mais gravosas que serão tomadas se determinado diploma não for aprovado, ameaças de bancarrota para atemorizar parte da população, etc..

Outro exemplo caricato, como antítese à do medo, é o caso do candidato da direita para a Câmara de Lisboa que, através de cartazes espalhados pele cidade, oferece tudo no que respeita à proteção o que, em princípio, qualquer cidadão não acredita ser possível, nem mesmo em tempo de vacas gordas, quanto mais em tempo de vacas magras.

É a teoria da motivação aplicada dirigida ao instinto de proteção dos indivíduos. Isto é, as pessoas estarão mais motivadas para tomar determinada opção se a ameaça é real, criando a ideia de que fica em perigo se não fizer nada e que existem comportamentos que estão ao alcance que permitem reduzir os riscos de modo substancial. Assim, provocando sentimentos negativos, pode-se contribuir de muitas formas para reforçar o impacto de uma mensagem.

A exploração dos sentimentos de insegurança e instabilidade na população tem sido óbvia com este governo desnorteado que, à falta de argumentos claros e sólidos, utiliza a tática do terrorismo comunicacional. O que pretende é despertar na população emoções negativas sobre determinados grupos sociais ou profissionais que possibilitem justificar medidas impopulares que dirige apenas a alguns grupos alvo mais frágeis, sempre os mesmos, ou, até, para justificar decisões ou leis que foram rejeitadas por colocarem em causa a lei fundamental do país.

Veja-se, por exemplo, os seguintes casos: o primeiro-ministro menciona o perigo de um segundo resgate caso não sejam aprovadas medidas, mesmo que inconstitucionais e rejeitadas pelo Tribunal Constitucional, culpabiliza o Tribunal Constitucional por não deixar passar diplomas que vão contra a Constituição, utiliza argumentos para colocar os cidadãos contra aquelas decisões, lança para a opinião pública a ideia de que a Constituição é um estorvo e noutras declara que ela não é em si mesmo um problema, mas sim a sua interpretação.

A questão da interpretação da Constituição merece umas linhas porque não se percebe se, o que alguns senhores pretendem é que a lei fundamental possa ser interpretada conforme os interesses, a ideologia e as páticas mais ou menos democráticas, de quem está no poder. Segundo os argumentos dos iluminados dos partidos da coligação, num ano, porque A está no poder e quer implementar uma medida, faz-se uma interpretação, no ano seguinte, ao ficar B no poder far-se-ia outra interpretação. Fará isto sentido? Parece caricato mas pensamento idêntico tem o senhor bem-falante do PSD, Paulo Rangel, que tem a convicção de que a Constituição pode ter várias interpretações. Então se ela deve ser interpretada ao sabor dos governos qual a razão para a sua existência? Mas aquele senhor disse mais, que o Tribunal Constitucional da Alemanha, cujas decisões são por todos respeitadas e não postas em causa são, para ele, um exagero.

As opções que tomamos em situações eleitorais pode ser resultado de um conjunto particular de estímulos que nos foram sendo impingidos. Atualmente, a difusão de informação pelos órgãos de comunicação, muitas das vezes confusa e contraditória, controla o nosso comportamento. Muitas das pessoas já não são dirigidas pelos seus ideais, emoções pessoais fortes ou por ideias profundas mas pelo que diariamente lhes oferecem as televisões, órgão envolvido por excelência no condicionamento de atitudes e comportamentos através de reforços proporcionados. Técnicas de comunicação que produzam mudanças de comportamentos eleitorais significativos são utilizadas sem que o cidadão comum se aperceba que está a ser manipulado. Outras, são tão evidentes que cheiram a manipulação a distância, caso já anteriormente referido da campanha da coligação de direita à Câmara de Lisboa.

Votar nas eleições, segundo as convicções e valores pessoais e sociais de cada um, é um dever, com a devida distância do que possam dizer os arautos da propaganda para a sua manutenção no poder. Há que filtrar sempre o que nos dizem os detentores do poder e os órgãos de comunicação. Uma coisa é certa, a abstenção não é solução, votar na manutenção dos que têm conduzido e vão continuar a conduzir o país para o abismo também não é. A mudança por vezes é necessária até ao nível do poder local afeto ao regime.  

 

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publicado às 22:47

Portugal e as delícias do mês agosto

por Manuel_AR, em 27.08.13

Detesto viajar pelas estrada portuguesas durante o mês de agosto, especialmente pelas da Região Centro, Norte e Algarve. A cidade de Viseu e arredores, que visito frequentemente ao longo do ano, tornam-se insuportáveis naquele mês. Desde os anos setenta que é assim quando os emigrantes vêm passar férias às suas aldeias para visitar e apoiar os seus familiares.

 

Sobre este tema vi o filme A Gaiola Dourada de Rubem Alves que pinta um retrato de psicologia social e da mentalidade dos emigrantes da segunda geração que, no meu ponto de vista, não corresponde à realidade porque habituado a vê-los ao longo dos anos. Catarina D` Oliveira crítica de cinema da Vogue tece sobre o filme afirmando que “Uma das preocupações recorrentes relativas à “Gaiola” prendia-se com a possibilidade de retrato caricatural ou de observações pejorativas e preconceituosas que ainda hoje perduram no imaginário estrangeiro (e não só) sempre que questionado sobre a sua noção do povo português. Enquanto o filme de Ruben Alves nada faz para negar esse estereótipo nem sempre real, a verdade é que decide corajosamente “agarrar o touro pelos cornos”, e vestir essas noções pré-concebidas como uma armadura, usando-as mesmo para exaltar a natureza poderosa de um povo que tantas vezes se perde no seu próprio pessimismo e autocrítica esquecendo a sua grandeza – um pouco como acontece com o próprio filho dos Ribeiro, que afirma sempre com embaraço e temor as raízes.”. Apesar de tudo é um filme que aconselho vivamente a ver o que, eu próprio, irei fazer uma segunda vez para uma leitura com um outro olhar mais atento.

 

Gerações de emigrantes passaram e passam por aqui todos os anos. As mais novas à semelhança dos que antecederam trazem a sua bagagem recheada de bazófia bem típica do português.

 

As jovens gerações regressam às origens dos seus progenitores, também eles emigrantes, para reviverem amizades e tomar conta dos seus haveres que por cá deixam e do que, ano após ano vão construindo.

 

As remessas de dinheiro que enviam ou trazem para Portugal, ao contrário dos seus antecessores que serviam para aforrar preparando os seu regresso à sua terra natal, destinam-se a apoiar os seus familiares tentando minimizar os efeitos da crise que os atingiu. As poupanças já não vêm para Portugal mas ficam no país onde trabalham e vivem. É assim esta geração de emigrantes.

 

A boçalidade cultural típica do português, essa nada mudou. Quando chegam assumem o seu papel transformista adaptando-se ao meio dos seus conterrâneos mas espaventando o seu sucesso por vezes aparente.

 

Combinam almoçaradas em restaurantes com os seus familiares e amigos, onde num papaguear misto de franciú e portuga tecem as mais variadas calinadas ao mesmo tempo que repreendem os filhos mais pequenotes num franciú e se viram para os outros convivas em portuga.

 

Experiência muito pouco edificante foi aquela a que assisti à hora de almoço num restaurante a caminho de Sátão, muito conhecido e frequentado por várias pessoas de vários estratos sociais que procuram iguarias típicas da região. O restaurante praticamente esgotado. Mesas ocupadas por grupos famílias onde se poderiam distinguir crianças, pais, avós e amigos cujas conversas entrecruzadas originavam um bruaá ensurdecedor. Numa mesa ao dado daquela onde me consegui instalar um grande grupo que tinha chegado antes de nós aguardava pelos pitéus encomendados. Já no final da refeição, bem comidos e bem bebidos um dos elementos, ao ver aproximar-se o que eu supus ser um amigo ou conhecido do grupo, à laia de brincadeira (?) lança para o ar em altos gritos um léxico de palavras do mais vernáculo e boçal português de obscenidades que se possam imaginar. E tudo isto, imagine, em presença de crianças e esposas (?) que se encontravam na mesa da suposta família, para não falar nos restantes que se encontram no restaurante. Tudo isto sem que qualquer reparo fosse feito pelas empregadas de mesa. É este o povo que somos, são estes os emigrantes que nos visitam.

 

Contudo, é bom notar que, felizmente, ainda há exceções e são muitas.

 

 

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publicado às 23:48

Pessoas que têm responsabilidades sociais ou que se evidenciam como elementos notáveis devem acrescentar-se a necessidade de ter cuidados redobrados no que dizem. Sobre este assunto li hoje o editorial do jornal i que aborda este tema de forma muito clara. Assim, cito com a devida reverência, alguns pontos. O texto completo poderá ser consultado no portal do referido jornal.

“Infelizmente verifica-se com alguma regularidade que certas pessoas não têm noção do papel mesmo simbólico que têm socialmente.

O caso mais recente tem a ver com a filha de um banqueiro que disse gostar de ir para a Comporta por ser como brincar aos pobrezinhos. Convenhamos que é de mau gosto e de quem não sabe o que é a pobreza.”

“Em tempos houve outros casos chocantes, como o da líder de um banco alimentar que afirmava que tínhamos de comer menos bifes (cita- -se de memória) ou a jovem que assegurava que o melhor que lhe podia acontecer este ano era tornar-se proprietária de uma carteira Chanel.

Há depois casos variados, como o dos excêntricos jogadores de futebol que se adornam com brincos e relógios pimba de milhões, expondo com estardalhaço a sua riqueza recente e normalmente passageira.”

Vale a pena ler o artigo.

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publicado às 22:06

Os arautos

por Manuel_AR, em 10.12.12

 

 

Imagem de http://calcorreando-ideias.blogspot.pt/2011/11/manipulacao-mediatica-final.html


Estou farto que me tentem fazer lavagens ao cérebro efetuadas por comentadores políticos através de vários canais de televisão que, com o seu “look” intelectual de independência face ao governo, mas, ao mesmo tempo, militantes no partido que o apoia, tentam fazer-nos passar palavras de ordem oficiais, à boa maneira das ex-união soviética, chinesa e coreana do norte, mas com a sofisticação das técnicas mais modernas da psicologia social para a manipulação de massas.

Para que estes arautos possam demonstrar independência e credibilidade também criticam umas poucas vezes algumas medidas e os seus pares partidários no governo. Na primeira oportunidade aí estão eles a tecer louvores a outras medidas que, supostamente, farão esquecer as anteriores. Técnicas de manipulação que, aos mais atentos, não escapam.

A psicologia de massas e a sua manipulação é uma matéria que se estuda na psicologia social em que alguns “adviseres” contratados, isto é, consultores, são especialistas.

Vejamos, por exemplo, o caso de um jornalista comentador económico que aparece alguns dias da semana num conhecido programa da manhã dum canal generalista da televisão que, numa simulada atitude pedagógica, tenta explicar por palavras simples a necessidade das medidas aplicadas pelo executivo, numa ótica que lhe seja mais ou menos favorável, sem que haja qualquer outro esclarecimento ou explicação alternativa.

Poderemos ainda exemplificar algumas situações em que se podem criar problemas para depois se tomarem medidas para serem apoiadas pelo público. É um método denominado problema-reação-solução. Cria-se um problema e uma situação para produzir no público uma reação de modo a apoiar medidas que se desejam fazer aceitar. Por exemplo, fazer passar a ideia de que não há dinheiro para salários, para se fazer passar uma medida de corte dos mesmos. Ou, ainda, criar uma crise económica para fazer aceitar, como mal necessário, a redução dos direitos sociais e desmantelamento dos serviços públicos. Provocar falsos distúrbios em manifestações pacíficas para se justificar cargas policiais e colocar o público contra as manifestações.

Outro tipo manipulação de massas pode ser também adequado quando se pretende fazer com que o público aceite medidas impopulares. Um exemplo é fazer passar a mensagem de que as medidas são “dolorosas e necessárias” para se obter a aceitação do público para uma aplicação futura e que, com o sacrifício exigido, poderão ser evitados males maiores. Isto porque está estudado que as pessoas aceitam mais facilmente o sacrifício futuro do que um imediato, ao mesmo tempo que há uma tendência para elas esperarem ingenuamente que tudo “irá melhorar no futuro” e que, “num futuro próximo irá haver crescimento e emprego” aceitando assim, as medidas a tomar com resignação.

Quando nos dizem que não há dinheiro e que temos que arranjar 4 mi milhões de euros estão a tentar convencer-nos de uma inevitabilidade porque o dinheiro existe foram contudo tomadas outras opções políticas de orçamentação e para haver para umas coisas não há para outras. Criam-se até à exaustão, através da comunicação social, falsas necessidades ou situações que levem à desmobilização das pessoas. Se cinco comentadores, cada um per si, forem a favor de uma medida, se aparece algum que tenha outro ponto de vista contrário à tendência é previsível que, a maior parte do público, reaja de modo a julgar que este último está desfasado da realidade. O objetivo é, então, atingido. Não é por acaso que se quer controlar a televisão.

Termino com a sugestão para que estejamos todos mais atentos e alerta a tudo quanto dizem os senhores comentadores pseudoindependentes, políticos e outros, afetos ao governo, (a este ou a outros), para podermos perceber quando e como estamos a ser manipulados.

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publicado às 22:24

 

 

 

http://joaotilly.weblog.com.pt/arquivo/280824.html

 

As crises, a austeridade desenfreada, os sucessivos golpes na coesão social dependentes de injustiças sociais aplicadas consciente e ideologicamente pelos governos geram, numa primeira fase, descontentamento e numa segunda fase manifestações mais ou menos pacíficas, podendo, em situações mais extremas, provocar convulsões sociais por vezes incontroláveis.

Uma das formas, politicamente aproveitada pelos governos, para manter uma paz social aparente através do medo. Para se compreender melhor a relação entre medo e a política vale a pena ler a primeira parte deste texto onde se aborda  o conceito enquanto fenómeno psicológico, para depois na segunda parte, se perceber como ele pode estar na base do que se tem vindo a passar em Portugal.

 

Parte I

O medo é considerado, por vários investigadores, como sendo um tipo de emoção primária. Há estados emocionais que parecem inatos como aflição e o sorriso, a frustração e o medo. Tendo em conta as diversas correntes psicológicas, uma emoção pode ter uma maior ou menor componente fisiológica ou cognitiva. A emoção é um comportamento observável através do rosto, voz, gestos posição corporal, sendo o rosto tema vantagem de expressar uma variedade de emoções. Também é uma experiência cognitiva conjunta do estado fisiológico e da situação que desencadeou a reação. Pode ser ainda uma experiência subjetiva sob a forma de alegria, tristeza ou pesar, que podem ser ao mesmo tempo agradáveis ou desagradáveis.

As emoções têm, entre outras, uma função adaptativa que ajudam um organismo a enfrentar questões de sobrevivência postas pelo ambiente, uma função perturbadora na tomada de decisões e uma ação desmobilizadora. Certos estados psicológicos e sociais podem perturbar a ação alterando e enviesando a maneira de pensar face a determinados contextos que podem ser recordações do passado, ou situações presentes relativas a insucessos, fracassos e receios de acontecimentos que transtornem a vida pessoal, familiar e social dos sujeitos. Assim, o medo é considerado um comportamento de proteção ao combinar-se com a antecipação dá origem à ansiedade e, combinado com a aceitação, dá origem à submissão.

Para os investigadores da teoria da avaliação cognitiva defendem que as emoções são o resultado direto de uma avaliação da situação e não apenas de elementos culturais e fisiológicos associados à emoção que, apesar de tudo, são indispensáveis na forma como a emoção é expressa. Como por exemplo o luto em diversas culturas.

A teoria da avaliação cognitiva assenta em pontos básicos dos quais se apresentam apenas dois:

a)    Para que uma emoção de verifique é necessário ter-se o conhecimento prévio do estímulo ou da situação que será avaliada em termos normais ou em termos de ameaça direta ou potencial.

b)    Quando uma resposta direta não pode ser dada, a pessoa desenvolve estratégias de adaptação à nova situação, tentando ajustar-se a melhor maneira possível.

Parte II

Voltando agora à exposição sobre o controle social através do medo, pode afirmar-se que algumas situações podem ser propícias a criar níveis elevados de stress e de ansiedade conduzindo a situações de incapacidade de resposta devids a um potencial medo. O medo é um fenómeno psicológico criado na nossa mente a partir de uma combinação de traumas, expectativas e receios. Podemos tentar afastarmo-nos dele mas, se crença que o alimenta não for alterada ele continuará ao nível do subconsciente.

Atualmente há sistemas de manipulação através do medo cada vez mais elaborados. Tudo o que tememos prende a nossa atenção e procura-se mais informações, que nesse sentido nos intencionalmente fornecidas, de modo a agirmos quando uma determinada situação ocorrer.

A manipulação e a exploração do medo e do terror são utilizados pelo mercado de trabalho. O medo de ficar desempregado é motivo para que as pessoas sacrifiquem a sua vida privada em função de algo que pode vir a acontecer. As empresas sabem disso e com o apoio dos governos manipulam as pessoas. Os trabalhadores acabam trabalhando mais e com menos salário mas, por outro lado, cria-se uma sociedade repleta de pessoas tristes e insatisfeitas que produzem apenas com receio de represálias. Na outra extremidade, mas muito raramente, temos aquelas que passaram pelo trauma de uma demissão, montaram seu próprio negócio e tornaram-se felizes e realizadas. Mesmo dentre estes, passado pouco tempo tiveram que abandonar o seu negócio.

Neste contexto, não terá sido por acaso que o primeiro-ministro Passos Coelho viesse dizer publicamente aos portugueses no 1º de Maio que espera nos próximos anos desemprego a que não “estávamos habituados”. Que leitura se poderá fazer desta mensagem lançada precisamente no dia em que largos milhares de pessoas se manifestavam e festejavam o dia do trabalhador? A resposta poderá ser incutir no seio dos cada vez menos trabalhadores que ainda mantêm um posto de trabalho o “medo” do despedimento.

Para isso serviu também a alteração aos contratos de trabalho, praticamente sem contra partidas. São atitudes que nos envergonham, face aos trabalhadores doutros países, e que esmagam a nossa identidade, a capacidade reivindicativa, de oposição e até de cidadania, o que, tendo em conta a teoria da avaliação cognitiva, se enquadra no princípio da ameaça direta ou potencial (por exemplo o desemprego), pelo que os sujeitos evitam todas as formas de participação anteriormente referidas tendo em conta o princípio das estratégias de adaptação à nova situação isto é, não participar e evitar qualquer confronto que os possa prejudicar.

Institucionalizaram-se as políticas do medo que se podem definir como a forma de os políticos e candidatos a lideranças utilizarem o medo como fator determinante ou como motivação para levar as pessoas a votar num determinado sentido ou para aceitarem políticas com as quais não concordam.

A política do medo é então aplicada para que um governo possa agir como muito bem entender face a uma população assustada sem muitos questionamentos. Quer isto dizer que, apresentando às pessoas uma suposta ameaça ao seu bem-estar, (ou à sua zona de conforto como agora alguns comentadores e políticos passaram a dizer, mas cujo conceito é muito relativo), para provocar uma forte resposta emocional que, substituindo-se à razão, vai evitar uma avaliação crítica dessas políticas. Exemplos de situações deste tipo têm-se verificado nos últimos anos desde a governação Sócrates até à governação Coelho, para já não falarmos de Durão Barroso com a sua célebre frase “estamos de tanga!”.

Veja-se, por exemplo, as afirmações do ex-primeiro ministro José Sócrates que, no seu discurso do estado da nação em julho de 2010, afirmou o seguinte:

“Ou escolhemos a atitude daqueles que querem somar às dificuldades económicas uma crise política artificial; ou escolhemos a atitude dos que sabem que só a estabilidade contribui para incutir confiança nos portugueses e para reforçar a credibilidade do país. Ou escolhemos a atitude daqueles que não resistem à tentação do aproveitamento oportunista das dificuldades conjunturais; ou escolhemos a defesa do interesse público. O tempo não é das pequenas vantagens políticas, o tempo é de responsabilidade nacional” .   

 

Poderíamos traduzir estas afirmações como: ou nós ou o caos. Nesta comunicação está implícita uma indução emocional através do medo a fim de evitar uma mudança política naquele período. Como sabemos, uma mudança política aconteceu não tendo funcionado a motivação pelo medo. O certo é que, neste caso, a prática nos tem vindo a mostrar aquelas afirmações efetuadas pelo enunciador eram justificadas.

Há vários exemplos para o caso do atual primeiro-ministro não sendo difícil encontrá-los. O mais recente foi aquele que já referimos anteriormente, sobre o aumento do desemprego e do qual se poderiam tirar várias conotações uma das quais poderia ser um aviso aos trabalhadores para não levantarem problemas, para se acomodarem, não se manifestarem ou então o que os espera é o desemprego que vai continuar em alta.

Outra manifestação de inspiração do medo às populações foram também as afirmações da ministra da justiça Paula Teixeira da Cruz em 20 de abril, frente às câmaras da TVI, ao revelar que “o país chegou, de facto, à bancarrota” e “que não há outra solução”. Face a esta última enunciação seria legítimo pensarmos que, se para este governo não há outra solução, então, qualquer outro governo poderia desempenhar o mesmo papel que este. Por outro lado, revela de facto a sua incompetência para a descoberta de outras soluções, endossando, através da mesma afirmação, a qualquer outro governo a mesma incompetência.

A política do medo pode ser da responsabilidade de governantes e comentadores políticos que se refugiam em frases como “uma crise política pode colocar-nos como a Grécia”, “não há volta a dar”, “este é o único caminho”, “isto foi o que a troika nos impôs”, “não podemos assustar os mercados”, etc.., geram na população e na opinião pública proposições como “não há alternativa”, “os outros farão a mesma coisa”, “são todos o mesmo”, “para ficarmos pior mais vale ficarmos como estamos”, entre outros chavões de desânimo que frequentemente são ouvidas nos mais diversos locais.

Para minimizar o impacto do medo incutido aos portugueses o governo também os ilude criando falsas expetativas. Dá-se como exemplo a divulgação pública da “possibilidade” do estado, a partir de 2015, começar a pagar os subsídios de férias e de natal, data mais do que uma vez alterada, agora colocando essa possibilidade como uma hipótese técnica, segundo as palavras do ministro das finanças. Porém, uma hipótese é sempre passível de se poder ou não verificar de acordo com os pressupostos de partida pelo que, aquela afirmação, colocada daquela forma salvaguarda qualquer outra solução, mesmo aquela de nunca mais serem pagos!

Veja-se recentemente a exploração do medo no caso da Grécia hoje noticiado. Como se sabe na Grécia a esquerda aumentou a sua votação e, segundo as sondagens, se houver novas eleições em Junho, caso não consigam formar governo até lá, a dita a esquerda irá ganhar as eleições. Neste mesmo dia 11-05-2012 foi noticiada uma declaração da Alemanha a dizer que, se tal acontecer, não poderá haver mais ajuda financeira. Que será isto se não um condicionamento do resultado das eleições através do medo!

Para finalizar e não como conclusão, o medo, utilizado por regimes fascistas e totalitários, é agora aproveitado de forma mais subtil por algumas ideologias político-partidárias possibilitado pelo regime democrático.

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publicado às 23:46


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