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Ricos e pobres2.png

Dediquei-me ultimamente a ler os programas (diria antes propagandas eleitorais) de dois partidos que vão ter assento na Assembleia da República, o Chega e o Iniciativa Liberal. Não admira que alguém que tivesse lido com atenção o programa do Iniciativa Liberal tenha colocado aí o seu voto, tal é aliciante devido à sua característica de rol de ofertas para proporcionar a venda do produto qual página de folheto de supermercado.

Este programa no contexto ideológico em que ele se insere conduziu-me a refletir sobre o problema da pobreza, as diversas discussões que se têm abordado e sobre as explicações sociológicas da mesma. Mas antes vejam este video.

 

Há autores que identificam, quer o percurso do neoliberalismo, quer o do liberalismo económico, como uma grave ameaça à democracia e à liberdade política, assim como o comunismo revolucionário defendido pelo marxismo-leninismo que conduziria ao totalitarismo são contrárias às propostas levantadas pelo socialismo liberal ou liberalismo social.

O socialismo liberal democrático inclui princípios liberais e democráticos sem pretender suprimir a economia de mercado nem o capitalismo em favor de uma economia estatizada.  O Estado liberal difere do Estado social liberal de Direito. O primeiro visa sobretudo garantir a liberdade e a propriedade privada e o segundo pelo contrário é mais abrangente porque, para além de defender a propriedade privada e a economia de mercado é complementado com uma economia mista, a propriedade pública e a propriedade privada dos bens de capital e intervém também na vida económica, nomeadamente ma segurança social. Isto é, não deixa o cidadão à sua sorte tal como faz o liberalismo radical e tal como pretendem o partido Iniciativa Liberal e o Chega.

Para os radicais do liberalismo toda atividade do Estado, quer política, quer económica, deve ter como objetivo criar uma situação que possibilite aos cidadãos desenvolverem as suas qualidades como pessoas, cabendo aos indivíduos, singularmente impotentes, buscar solidariamente em conjunto este fim comum.

As diferenças apontadas conduzem-nos á questão da riqueza e da pobreza que se refletem de forma diferente em cada uma das matrizes ideológicas de cada um deles.

Vejamos então as duas visões:

Liberalismo radical 

Socialismo liberal democrático

Teoria da culpabilização da vítima.


Os pobres são responsáveis pela sua própria pobreza. É transmitida entre gerações porque os jovens desde cedo não têm razões para aspirar a mais.
• Existe uma cultura de pobreza entre os pobres. Resultado da atmosfera social e cultural onde as crianças são socializadas.

 

Teoria da culpabilização do sistema.


A pobreza é produzida e reproduzida pelas forças estruturais da sociedade.
• Cultura da dependência. Os pobres dependem da segurança social.
• Ênfase nos processos socias que produzem condições de pobreza.
• Grandes dificuldades de superação.
Fatores que moldam a forma como os recursos são distribuídos:

Classe
Género
Etnia
Posição ocupacional
Escolaridade

Geram cultura de dependência

Pobreza e subclasse geram desvantagens

• Múltiplas privações
• Baixas qualificações escolares
• Baixos padrões de saúde
• Elevados níveis de vitimização criminal

Reduzem as hipóteses de integração social, política e económica.

 

O neoliberalismo - a ideologia económica dominante desde os anos 80 - tende a defender uma abordagem de mercado livre para a formulação das suas políticas: promovendo medidas como privatização, cortes nos gastos públicos e desregulamentação. Geralmente é contra o setor público e acredita que o setor privado deve desempenhar um papel maior na economia e que o mérito e o empreendedorismo são a única via.

No entanto, "Em vez de gerar crescimento, algumas políticas neoliberais aumentaram a desigualdade, comprometendo a expansão durável", afirmam os economistas do FMI num relatório que redigiram em 2016.

O partido Iniciativa Liberal insere-se precisamente no âmbito das ideologias radicais do liberalismo populista, pior ainda do que o neoliberalismo, o que confina com a tese e de Hall (2017) por estar longe de excluir pontos de vista autoritários e conservadores que legitimam a desigualdade económica para garantir a estabilidade social. A ideologia neoliberal promove a indiferença para com a situação dos mais desfavorecidos - as "rainhas de bem-estar" [1] na frase memorável de Reagan - tanto quanto a ideologia socialmente conservadora promove a indiferença à situação das minorias raciais e étnicas.

Pela pior das razões, o neoliberalismo é uma ideologia que culpabiliza a vítima, neste caso os mais desfavorecidos e os pobres como sendo os responsáveis pela sua própria pobreza e, ao fazê-lo, isenta instituições e pactos sociais, económicos e político do capitalismo. Isto é, não se opõe a seguir pontos de vista autoritários que uma sociedsde socialmente conservadora.

É uma ideologia, por excelência, justificadora do sistema. George Monbiot,  um colunista do jornal The Guardian e autor de “Feral, The Age of Consent and Out of the Wreckage: a New Politics for an Age of Crisis” (Selvagem, A Idade do Consentimento e Fora dos Destroços: uma Nova Política para uma Era de Crise) escreveu em 2016: "os ricos persuadem-nos de que adquiriram a sua riqueza por mérito, ignorando as vantagens — como  a educação,  herança e  classe — que podem ter ajudado a fixá-la. Os pobres começam a culpar-se pelos seus fracassos, mesmo quando podem fazer pouco para mudar as suas circunstâncias."

No site da Presidência Marcelo Rebelo de Sousa afirma que é necessário combater a pobreza “caso a caso, pessoa a pessoa”, como “um fenómeno mais global, de múltiplas causas, e abordagem transversal” e “com estratégia, juntando meios públicos e privados, experiência social e solidária, inspirando cidadãos para a causa de um Portugal mais justo e coeso”.

“Há tanta gente que mesmo trabalhando não consegue sair de uma situação de pobreza, percebemos o longo caminho que ainda temos para percorrer. E são mais de 10% os que não conseguem sair da pobreza apesar de estarem no mercado de trabalho” escreve Filipe Soares num artigo de opinião no jornal Público.

Foi a crise política que resultou do neoliberalismo que causou a crise económica e financeira de 2008.  À medida que o controle e a regulação pelo estado são reduzidos, a nossa capacidade de mudar o curso das nossas vidas através da votação também se contrai conduzindo um grande número de pessoas a desinteressar-se da política levando à abstenção ou na votação em partidos populistas.

Pode ler também:

Bárbara Reis, “Os novos liberais só têm ideias velhas”.

Pedro Miguel Cardoso, “A pobreza da riqueza”.

[1] Linda Taylor foi uma criminosa mais conhecida por uma fraude de bem-estar em larga escala e ficou conhecida como a rainha do bem - estar durante a eleição presidencial dos Estados Unidos, em 1976. Taylor era uma mulher branca que costumava fazer passar-se por diferentes raças, com diferentes pseudónimos e idades, a fim de aumentar sua atividade fraudulenta nos sistemas de assistência social de vários estados no EUA

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publicado às 18:53

Razões e não razões do Presidente

por Manuel AR, em 07.02.18

Presidente Marcelo.png

O Presidente da República tem razão quando pede que todas as boas notícias sobre o crescimento e o défice deixem de ser conjunturais e passem a ter um nível sustentável, o que pode ser entendido como um pedido ao Governo e, ao mesmo tempo, um aconselhamento. Para isso pede “tempo e trabalho” para se garantir que o crescimento e as contas públicas passem do conjuntural para o estrutural.

O Presidente da República tem razão quando diz serem necessários ir mais longe nos incentivos à iniciativa privada.

O Presidente da República tem razão quando salienta e faz lembrar que o Governo herdou em 2015 um “trilho aberto com inquestionável mérito” e tem “oportunidade única” para reformar o país", mas…

… O Presidente da República não tem razão quando omite o que estava previsto pelo anterior governo foi substituído em 2015. Promessas na campanha eleitoral da direita, então no poder, de um país melhor e as pessoas pior, esperando-se mais cortes, mais privatizações indiscriminadas, mais cortes na saúde, mais austeridade e tudo o que mais viesse.

O Presidente da República, com certeza não desconhece que, nas mesmas circunstâncias, num país com finanças exauridas e com endividamento extremo, qualquer outro governo teria feito melhor com outras políticas já que, as que foram adotadas não foram as mais saudáveis, nem para a economia, nem para as finanças. Sendo muito hábil na diplomacia interna sabe qual a oportunidade e o que dizer para agradar ao Governo e à oposição de direita fazendo a ambos ofertas de rebuçados verbalizados.

O Presidente da República tem razão quando elogia o Governo por ter mostrado que estavam enganados aqueles que, no início, o “condenaram ao fracasso”.

O Presidente tem razão quando diz que há que garantir que fenómenos de contestação inorgânica[i] não desestabilizam o ambiente social.

O Presidente da República tem razão quando lembra que “Portugal pode dispor de uma oportunidade única para se afirmar, virando definitivamente a página das crises endémicas, dos adiamentos, dos conjunturalismos, das soluções para o imediato se o contexto favorável na Europa e no mundo se mantiver “.

O Presidente da República está certo quando faz um aviso e implicitamente uma crítica aos partidos que têm dado apoio parlamentar ao governo para não prejudicarem o que sido conseguido.

O Presidente da República tenta agradar à oposição de direita ao mesmo tempo que atribui mérito ao atual Governo, evitando assim que a comunicação social pudesse aproveitar-se para insinuar confrontos de caráter institucional entre Presidência e Governo. Mas, por outro lado, a mesma comunicação social o que relevou como título foi que o Presidente elogiou o governo de Passos o que seria de esperar.

São comentários a algumas das declarações do Presidente da República proferidas na Banking Summit, uma conferência organizada pela Associação Portuguesa de Bancos (APB) e pela SIBS, em Lisboa. Falando para banqueiros e outros afins, faze todo o sentido a lógica adotada no seu discurso.

É bom não esquecermos, como já afirmei neste mesmo espaço na altura da campanha para as eleições presidenciais, que Marcelo Rebelo de Sousa, apesar de moderado, é de direita e, como tal, tenderá a chegar a brasa à sua sardinha.  

Palavras dos Presidente da República:

“Aqui chegados, numa situação inversa àquela que no início muitos consideraram infalivelmente condenados ao fracasso”, Marcelo fala dos desafios para o futuro, desde os mais “simples aos mais complexos”:

Os mais simples: “manter o rumo financeiro percorrido, reforçar a sua interiorização pelos portugueses, continuar a reciclar a dívida pública, reduzindo-a, tirar proveito da possibilidade acrescida de investimento público, permitir a concretização de investimentos privados já projetados, manter e acentuar a abertura ao digital, ao turismo e às exportações e sua diversificação”.

Os mais complexos: garantir que fenómenos de contestação inorgânica não desestabilizam o ambiente social; ir mais longe nos incentivos à iniciativa privada, muito timidamente tratada no orçamento do Estado para 2018″

Em síntese: “Preparar para o futuro condições estruturais mais sólidas de competitividade e produtividade, para converter o conjuntural em sustentável, assegurando que o crescimento veio para ficar e de forma mais intensa, tudo evitando bolhas no consumo que possam fugir a uma sólida prevenção de desregramentos, depois, dificilmente controláveis”.

 

[i] Movimentos inorgânicos são movimentos de contestação e “indignação”, nos quais participam camadas e sectores variados que, apresentados como espontâneos e informais, se caracterizam essencialmente pela sua grande heterogeneidade social e política, por expressões, graus de consciência e organização muito diversos e por objetivos difusos, parcelares e mesmo contraditórios que se têm vindo a desenvolver em vários países, nomeadamente na Europa.

 

 

 

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publicado às 18:37

Um pouco de sensibilidade na política

por Manuel AR, em 16.12.17

Antonio Costa_esquecimento.png

As intervenções que o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa faz para comunicação social são muito bem pensadas e cuidadosas não se poupando a críticas diretas, mas subtis a algo com que não concorda por parte do Governo e mais especificamente sobre António Costa normalmente feitas após elogios também estes habilmente tecidos ao mesmo Governo.

 Raramente ou nunca me referi de forma favorável ou desfavorável a António Costa neste mesmo blog. António Costa é um político hábil e com faculdades negociadoras a que temos assistido, e sobretudo preocupado com o Governo que lidera. As preocupações nas suas intervenções são feitas assentam sobre aspetos programáticos e governativos presentes e em propostas para futuros próximos ou longínquos, esquecendo-se por vezes de sensibilidades e afetos também necessários a um político que deve também dirigir-se ao humano dos cidadãos que Marcelo Rebelo de Sousa tão sabe gerir.

Em Bruxelas onde decorre o último Conselho Europeu do ano, sem se referir e fazer comentários à atualidade nacional o primeiro-ministro António Costa disse que 2017 “Foi um ano particularmente saboroso para Portugal.” Após este declaração a comunicação social, sempre atenta a tudo quanto possa ser uma bom título aproveita um declaração de Marcelo para falar em “agulhas desalinhadas” entre Belém e São Bento” como diz o jornal Público que omite os elogios feito por Marcelo Rebelo de Sousa ao andamento da economia de das finanças dos país e centra-se apenas na frase de “Haja memória daquilo que aconteceu”, proferida por Marcelo que continua afirmando que  “Não haja ideia de que o ano foi todo muito bom, com um pequeno problema que foram as tragédias. Não é verdade. Houve neste ano o melhor e o pior”.

Tem razão Marcelo, o homem dos afetos, que não viu com bons olhos que, da parte do responsável pelo Governo não fosse dispensada uma palavra à parte amarga do ano que foi a tragédia dos incêndios. Não duvido que Costa não tenha o meso sentimento que Marcelo, seria uma demonstração pública de sensibilidade para com as populações atingidas. A euforia e o contentamento não podem fazer esquecer o que se deve fazer para remediar o mal que outros provocaram. Costa não esteve bem, este tipo de falhas em política não pode acontecer e não adianta correr logo para Pedrógão, após o regresso de Bruxelas, e depois do Presidente fazer a crítica. António Costa precisa de começar a jogar na antecipação.  

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publicado às 21:44

Ler nas entrelinhas

por Manuel AR, em 24.01.17

Entrelinhas_1.pngEntrelinhas_2.png

David Dinis, diretor do jornal Público, disse que a entrevista dada por Marcelo Rebelo de Sousa à SIC é para ler nas entrelinhas. Ler nas entrelinhas serve para tudo, é uma leitura subjetiva, é ler aquilo que gostaríamos que fosse escrito ou dito.

Ler nas entrelinhas é ler o que está implícito ou subtendido, é uma inferência, que deduz o que está implícito. Muitas vezes o que se dia ou escreve tem um significado escondido, o autor não transmite diretamente por motivos por causas estranhas, significa encontrar a mensagem escondida que está implícita e propositadamente não foi explicitada.

David Dinis encontra, ao seu modo e ao seu agrado, mensagens implícitas no que o Presidente da República disse na entrevista. Ler nas entrelinhas é uma arte praticada conforme os interesses ideológicos e partidários de cada um que comenta mensagens políticas. Pessoas diferentes farão “leituras entre linhas” também diferentes. Veja-se as diferentes leituras que cada partido faz de discursos, entrevistas, mensagens de políticos relevantes seja um Presidente da República ou um Primeiro-Ministro.

Parece ser objetivo de comentadores e produtores de notícias criar confusão mental e cognitiva aos leitores ou ouvintes fazendo com que, por um lado, as pessoas menos avisadas se sintam impossibilitadas de pensar com clareza ficando desorientadas sobre acontecimentos, e por outro lado, lançar dúvidas, por vezes inexistentes, nos recetores das mensagens.

Só o incompleto e pouco desenvolvido espírito crítico de cidadãos autónomos que capacite para a interpretação das mensagens políticas, raciocinando com lógica não se deixando influenciar é que se compreende os que querem ser os intérpretes oficiosos, de forma subjetiva, das mensagens de terceiros que denominam de “leitura das entre linhas”.

Se eles sabem ler nas entrelinhas nós também, escusamos interpretações.

 

 

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publicado às 17:08

Vasculheiros e patrulhadores

por Manuel AR, em 29.12.16

Vasculhar.pngNo vasto campo da imprensa internacional dos países ocidentais onde a democracia existe é um facto que há jornais, diários e semanários, que podemos considerar tendencialmente de direita e de esquerda. Excluo aqui os jornais partidários que saem fora do âmbito.

Se afirmar que em Portugal não há jornais tendencialmente de esquerda e que todos são tendencialmente de direita, dir-me-ão que não é verdade, que há jornais independentes, isentos e equidistantes das duas correntes políticas. Independentes do poder político serão. Quanto à divulgação das diferentes correntes de opinião e ao espaço que lhes é destinado e à frequência diária ou semanal de cada corrente é discutível

É claro que todos os jornais nacionais têm representatividade das várias correntes, só que há correntes mais representadas e com periodicidade mais frequente do que outras. É por isso que, quando consulto jornais portugueses, saltam-me à vista as opiniões de direita e, raramente, opiniões de esquerda. Esclareço que leio ambas sem qualquer preconceito, o que me preocupa é parecer existir, por parte da direita, uma aproximação exagerada aos órgãos de comunicação para que estes lhes sejam favoráveis. A direita, como já disse noutro texto, quer controlar a agenda mediática.

Percorrendo os jornais os desejos da direita e dos seus jornalistas e jovens articulistas de serviço são transformados em prognósticos de que no próximo ano o Governo falhe e que se agrave a conjuntura política que garante o apoio parlamentar. Esperam com inquietude que tudo corra mal. A bem de Portugal, claro! E, como o Ano Novo nos vai trazer eleições autárquicas o desespero aumenta.  Anseiam pelas quedas nos indicadores económicos, pelo aumento dos juros da dívida, pelo aumento do desemprego e que, finalmente, nada corra bem ao Governo. Tudo a bem de Portugal, do país e dos portugueses, claro! Para isso procuram por todos os cantos da casa pó para levantar, mesmo que esse pó não exista, inventa-se para passar a existir.

São os palradores, os patrulheiros que vigiam, procurando, aqui e ali, algo indigente que possam transformar em parangonas, enriquecidas pelo empolar do oportunismo noticioso televisivo.

Para reforçar o que acabo de dizer li hoje algo que me causou alguma perplexidade sobre a opinião dum jornalística que mostra no seu artigo de opinião, publicado hoje no Diário de Notícias, indignação corrosiva com o Presidente da República, mas já lá vamos.

Sou do tempo em que vi a Princesa Leia da Guerra das Estrela, Carrie Fisher, que, infelizmente, faleceu há pouco tempo praticamente de seguida ao falecimento de George Michael. Carrie apesar ser uma argumentista conceituada o seu percurso enquanto artista não foi do mais proeminentes.

Um dos tais jornalistas patrulheiros que parece ser um fã incondicional da artista, insurge-se por o Presidente da República não ter comentado a morte de Carrie, como o fez com Michael, e mais ainda, mostra-se também incomodado por Marcelo Rebelo de Sousa ter tentado negociações, através do ministro da cultura, para ver a possibilidade da continuidade do histórico grupo de teatro Cornucópia que vai fechar portas. O dito jornalista até invoca o artigo 191º da Constituição para criticar Marcelo e par o mandar limitar-se às suas estritas funções. Tão legalista e institucionalista é este jornalista! Não lhe agrada a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa e, por algum motivo (qual será?) descontente com a sua popularidade acha que devia colocar-se muito quietinho no seu lugar em Belém. Mas não contente com isso João Henriques, é o nome do distinto jornalista, termina chamando indiretamente potencial ditador a Marcelo Rebelo de Sousa:

“Alguém então que diga a Marcelo Rebelo de Sousa uma evidência: o que molda os poderes do Presidente da República é a Lei Fundamental. Não é, nem nunca poderá ser, a popularidade e a consequente tolerância dos eleitores. Isso, em Portugal, não é ser Presidente da República - é ser caudilho. Portugal já passou por isso - e deu-se mal.”

Este é um dos garimpeiros e patrulheiros que andam por aí e que, à falta de melhor, vão procurar o acessório para dar uma mãozinha à inconsolável oposição de direita.

 

 

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publicado às 17:05

Garimpeiros

por Manuel AR, em 27.12.16

Garimpeiro.png

O Natal já lá vai e a política da oposição de direita é a de continuar à procura de prendinhas preciosas para oferecer a si própria. Mas não é só a oposição, são também alguns que, não sendo da oposição de direita e considerando-se do PS, fazem oposição ajudando a meter golos na baliza do “clube” a que dizem pertencer.

A pesquiza de preciosidades e a procura de brechas insipientes na política do Governo são a oportunidade que resta à direita para fazer oposição fácil porque oposição afirmativa séria e alternativa, não sabem como fazê-la.

A oposição a Passos Coelho dentro do PSD começa a borbulhara e a fazer sair da penumbra a que se votaram, depois da perda do poder, alguns senhores que então o apoiavam.  Saltitam alguns reagindo a uma possível aliança do partido com o CDS para a Câmara de Lisboa. Autarcas e ex-autarcas sugerem um congresso extraordinário do PSD.  

Seguem-se outros de direita, nomeadamente colunistas de jornais diários que aproveitam para pegar em tudo quanto o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, diz ou possa ter dito para fazer manchetes e para o criticar oraculizando esboços de divergência institucionais com o Governo.

Há ainda outros, os que escrevem em editoriais que  o “Presidente não é o menino Jesus e que  por muita fé que tenha, o boletim meteorológico continua a apontar para mau tempo.” Fazem parte do grupo que, entrando na carruagem de Passos Coelho, esperam ansiosos pela paragem onde entra o diabo. Estes eram os defensores das políticas de Passos Coelho no passado.

Vão escavando, garimpam aqui e ali, em tentativas de procurar algo fazendo uma oposição sem consistência. Primeiro foi a CGD, agora são os lesados do GES para os quais Passos, enquanto esteve no Governo, não conseguiu, não quis ou não soube arranjar uma solução. Surgem como senhores das trevas que dizem defender o interesse de Portugal.

Timidamente vão saindo da nebulosidade outros comentadores e opositores vindos duma direita  enfezada, porventura devido a estarem próximo do diabo que dizem estar para vir. Tecem estes críticas veladas ao Presidente da República, ainda de forma comedida, mas que, entre linhas, vão insinuando que o Presidente está em consonância com o Governo por estar a fazer discursos pacificadores. Estes são os mesmos que, durante a campanha eleitoral, faziam campanha e elogiavam Marcelo. Anseiam agora por conflitos institucionais, querem instabilidade porque é isso que os torna vivos.

Estou à vontade para escrever porque sempre critiquei Marcelo Rebelo de Sousa para Presidente. Reconheço o meu erro, apenas, e só, porque, ao contrário do que pensava na altura, ele veio trazer um contributo para a paz social com uma atitude contrária ao passadista Passos Coelho que, durante o seu mandato, criou feridas, crispações e instabilidade sociais dividindo o que deveria unir, até porque Portugal estava confrontado com dificuldades a ultrapassar que necessitavam de união e não de divisão. Sobre esse tempo e essa atitude, neste mesmo sitio, várias vezes manifestei-me contra.

É mais do que certo que, nem tudo o que o Governo fez, ou se proponha fazer, está isento de críticas, nem tudo tem sido perfeito, mas qual foi a perfeição do Governo da passada legislatura. Aqui entram, mais uma vez, os que exaltam o que bom fez o Governo de Passos que preparou o terreno do que, dizem, estar o atual a aproveita-se.

Não falemos agora da saída limpa e do que, para isso, esconderam sobre o estado da banca!…

Garimpam desesperadamente em terrenos onde nada existe para garimpar.

Apenas como uma nora final tomem nota senhores autarcas do PS, atuais, futuros ou recandidatos, os garimpeiros da política andam por aí e a caça ao nepotismo e a outras atividades menos éticas já começou com a aproximação das eleições autárquicas.  Essas vão ser duras, mais do que se estivéssemos num Governo do PSD onde muita coisa seria ocultada, desculpada e dada sombria visibilidade.

 

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publicado às 18:40

Defensor.pngO editorial do jornal Público na edição de 22 de abril, intitulado “Cala-te Sócrates” refere-se às intervenções que José Sócrates, também ele ex-primeiro-ministro, produzindo opiniões sobre a atualidade política portuguesa.   

Passos Coelho que deve achar que o patriotismo apenas se revela pelo uso de PIN na lapela, continua a comporta-se não como deputado da oposição mas como um primeiro-ministro que foi colocado no exílio. Este também ex-primeiro-ministro veio, com a sua postura e palavreado de mestre-escola, solicitamente em defesa de José Sócrates insurgindo-se, vejam só, contra o editorial do referido jornal por estar a colocar em causa a liberdade de expressão dum cidadão. Passos, ou não leu o editorial, compreende-se no meio de tanto evento não terá tempo, ou então, sopraram-lhe ao ouvido um resumo desvirtuado do sentido.   

Ao falar em liberdade de expressão Passos esqueceu-se que aproximadamente em março de 2014 quando da chegada de Miguel Relvas à reunião do Conselho Nacional do PSD, num hotel de Lisboa, o fotojornalista da Global Imagens (DN/JN/O Jogo), Paulo Spranger, tentava captar imagens do ex-ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, quando foi surpreendido por um pontapé desferido pelo assessor de imprensa social-democrata, Zeca Mendonça. Não houve insulto. Provocação. Um fotojornalista tentava tirar uma fotografia do momento. As imagens foram captadas pela CMTV.

O editorial do jornal Público é uma opinião, como tantas outras que se expressam de modo favorável ou desfavorável sobre a atualidade política. O editorial utilizou uma conhecida e divulgada expressão com que o rei de Espanha se dirigiu a Chávez, em junho de 2014, na altura Presidente da Venezuela, que não deixava Zapatero falar. O rei, então, surpreendeu-o, dizendo: – Por que não te calas? Terá sido isto limite à liberdade se expressão?

O autor do editorial expressa através duma opinião a intervenção que José Sócrates fez sobre António Costa e Rebelo de Sousa que também não passa de opinião e pontos de vista pessoal, como o fez dar a entender. De certo modo reconheço que Sócrates poderá ter razão em emitir os seus pontos de vista pessoais, mas não é por isso e por acaso que Passos Coelho se coloca contra aquele jornal de referência em nome da liberdade de expressão.

José Sócrates prestou-lhe um serviço com as declarações que fez ao juntar-se ao pensamento oposicionista sem critério nos corredores do PSD. Teríamos a mesma atitude do ex-primeiro-ministro “exilado” Passos Coelho se o mesmo jornal tivesse escrito mandar calar Sócrates caso este tivesse dito algo sobre ele que não lhe agradasse?

Porque não te calas Passos?

Já agora um conselho, valia mais que envidasse esforços para que os deputados do PSD no Parlamento Europeu defendessem os interesses de Portugal em vez de se juntarem às críticas que lhe são feitas. Isso é que é patriotismo senhor deputado Passos Coelho, não é o PIN na lapela.

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publicado às 22:37

Finalmente fora

por Manuel AR, em 10.03.16

Marcelo e Passos.png

Hoje foi a tomada de posse do novo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa e a saída de Cavaco Silva “o de má memória”.

À volta da tomada de posse do novo Presidente, alguns canais de televisão centraram as suas atenções, acho que em exagero, mais no que se passava à volta de Cavaco Silva do que com o novo Presidente.

Não votei em Marcelo porque considerei que foi um candidato fabricado com a ajuda, e foi muita, da comunicação social. É um candidato que, convictamente, segue uma orientação social-democrata que era a do PSD, antes de ter sido capturado e liderado por Passos Coelho apoiado pela sua camarilha liberal ou neoliberal, como lhe queiram chamar.

Escrevi em blogs anteriores, aquando da campanha eleitoral, que tinha dúvidas sobre a forma como Marcelo Rebelo de Sousa iria desempenhar a sua função como Presidente. Seria ele uma espécie de Cavaco em embalagem light? Não o será, por certo, e podemos esperar que não tenha perdido o seu pendor social-democrata. Entre o discurso da tomada de posse e a passagem à prática a distância poderá se grande.

Após ter ganho as eleições de 2009, (com maioria absoluta apenas conseguida com a grande ajuda do CDS-PP), os que o lançaram e apoiaram cerraram fileiras à sua volta, levando atrás outros que nada tinham a ver com a nova linha de direita que estava a ser seguida por Passos Coelho.  

Passos Coelho e sua gente fizeram do PSD aquilo que nunca é hoje um partido vincadamente de direita apesar de agora apregoar aos quatro ventos que agora voltou o tempo da social-democracia. Noutras circunstâncias já ouvimos Passos Coelho a dizer e prometer e depois na prática executar o seu contrário.

Passos Coelho em 2016 voltou a ser eleito líder do partido por uma grande maioria que legitimou a sua liderança. Foi seguida a tática, como no do futebol, na equipa ganhadora não se mexe. Têm grandes esperanças de, a curto prazo, voltarem a ser poder à custa da “figura” de Passos qual estrela de cinema que capta imensos fãs apenas e só pela figura. Sim, porque os portugueses estimam muito as imagens que lhe são colocadas à frente não apenas na política mas noutras circunstâncias. Veja-se o caso da Cristina Ferreira da TVI! A qualidade dos políticos não interessa, podem até não servir para um cargo mas desde que tenham um boa imagem televisiva está tudo certo.

Ao contrário de Cavaco Silva que durante os seus mandatos foi apenas o Presidente de alguns, poucos, portugueses, o novo Presidente da República, social-democrata convicto, para ser considerado de todos os portugueses terá que alinhar pelo centro direita, mas terá que também alinhar pelo centro esquerda, e até, exatamente ao centro, equilíbrio que não será fácil de manter na estreita barra da política portuguesa. E como fará com a esquerda se pretende unir o que Passos Coelho desuniu? Só o seu desempenho mostrará, no tempo, do que será capaz. Como eu gostaria de me ter engando nas críticas que lhe fiz por altura da sua campanha eleitoral! Ele será talvez o único que nos possa fazer esquecer o anterior Presidente ou, pelo contrário, fazer-nos lembrar quão mau foi o seu antecessor.

Até lá aguardaremos positivamente com espectativa.

Bem-vindo ao inferno da política ativa Senhor Presidente Marcelo!

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publicado às 19:19

O mascarado

por Manuel AR, em 04.02.16

Máscara_Passos.pngEstamos na época carnavalesca uma boa oportunidade para falarmos acerca de máscaras e mascarados. Todos se lembram do filme "A Máscara" que conta a história de um funcionário que certo dia encontra uma misteriosa máscara viking no rio e o leva-o para casa. Ao chegar ao seu apartamento o protagonista coloca a máscara no rosto e de repente transforma-se num ser de cabeça verde completamente louco, com poderes fantásticos, com uma habilidade incrível de realizar seus desejos sejam eles bons ou maus, e isso mudaria drasticamente a vida do personagem. Mas não é sobre o filme que hoje escrevo mas de mascarados da política que se disfarçam consoantes os interesses.

A máscara era utilizada pelos atores no teatro grego clássico e era um objeto que colocavam sobre o rosto para emitirem a fala do ator e tinha a função específica de funcionar como intermediário entre o ator e o público.

A particularidade é que Passos Coelho resolveu recandidatar-se à liderança com o slogan "Social-democracia, sempre". Assume agora a máscara de social-democrata depois de, durante quatro anos, ter enganado e mentido à maior parte dos portugueses e ter continuado a fazê-lo durante a campanha para as eleições legislativas.

A realidade neoliberal que defendeu e praticou conduziu o PSD a sair do centro e a passar a ser duma direita radical quando ele, e o grupo de indivíduos que o apoiaram e em que se apoiou, lesaram a matriz ideológica do PSD e que em nome de Portugal o utilizaram em seu benefício.

A máscara que a partir de agora Passos Coelho irá usar tornará o PSD numa espécie de partido travestido que ora vira para a direita, ora vira para a social-democracia o que não lhe retira o caráter nem o estigma que Passos lhe colocou na fronte. O passado de mentiras e omissões de Passo Coelho convenceu muitos, mas levará muitos outros a desconfiar da mudança.

Quem defendeu determinados pontos de vista radicais de direita na prática política vem agora converter-se à social-democracia, ideologia que Passos nunca perfilhou.

Quando em janeiro de 2014, ao caraterizar um futuro Presidente da República, disse que devia ser alguém que devia ser um “protagonista catalisador de qualquer conjunto de contrapoderes ou num catavento de opiniões erráticas” referia-se por meias palavras a Marcelo Rebelo de Sousa. Quem é agora o catavento e o errático quando diz ser agora um social-democrata convicto. Disse Passos Coelho na apresentação da sua recandidatura a líder do PSD que “Criaremos uma oportunidade para mostrar que o PSD continua a ser um partido social-democrata com a capacidade de fazer, transformar o país, mobilizar os portugueses e oferecer do país uma visão ambiciosa que todos precisamos de concretizar”.

O lobo virou cordeiro e poderá vir a enganar muitos cordeiros a servirem de repasto ao lobo, mesmo alguns, os verdadeiros, sociais-democratas.

Em época carnavalesca Passos Coelho colocou a sua nova máscara para voltar com uma nova aparência enganosa que lhe possa trazer dividendos políticos. Começou já a fazer promessas dizendo que virá a governar sem austeridade. Vindo de Passos Coelho o mesmo é dizer que virá a rasgar as promessas, como se viu no passado. Um neoliberal não muda assim para a social-democracia, mesmo que diga que há interpretações diferentes da social-democracia. Quando esteve no Governo as políticas foram uma interpretação desastrosas da social-democracia que pretendeu alinhar com a direita da U.E. que nada tem a ver com a direita que defendeu durante intermináveis quatro anos. Bem pode ele vir agora desculpar-se com a conjuntura do passado.

Por favor, não continuem a brincar e a enganar os Portugueses. O PSD só voltará a ser o que era com uma nova liderança que não seja a de Passos Coelho nem ninguém que pertença ou tenha pertencido à sua trupe.

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publicado às 19:50

O pensamento dum candidato a presidente

por Manuel AR, em 17.01.16

Marcelo_Presidente.png

 

Podemos muito bem imaginar uma comunicação ao país do futuro Presidente da República se for Marcelo Rebelo de Sousa. A propaganda que Marcelo faz nesta campanha para as eleições presidenciais ainda tem o “tic” do comentador de política que, sozinho, e sem contraditório, mais parecia um comentador de futebol, com todo o respeito por estes últimos.

“ Bommm! Portugueses,

Tenho na minha posse uns diplomas para promulgar vindos da maioria de esquerda. Não precisei de os mandar analisar porque eu sou professor de direito constitucional e, como tal, analisei-os eu próprio. Não vou promulgar alguns por uma questão de conteúdo, mas não de forma, não que sejam inconstitucionais, mas porque eu acho que são, mas podem também não ser. Vou devolvê-los à Assembleia da República para mudarem a forma mas manter o conteúdo. Se viessem da direita devolvia-os também por causa da forma e não do conteúdo.

Bomm! Hummm!, à direita vou dar nota 19, porque o 20 é só para mim, e aos da maioria de esquerda vou dar nota 9. Aliás eu acho que a direita faz tudo bem, o que faz de mal são erros de comunicação.

 Portugueses,

Nas minhas intervenções vou passar a dar notas ao Governo e á oposição, como fazia quando comentei política unilateralmente na televisão, por mais de uma década. Como dei classificação negativa ao Governo vou ter que arranjar uma estrangeirinha para dissolver a Assembleia da República e convocar eleições.

Bommm!…, para terminar aconselho que leiam um livrinho que eu escrevi publicado pela editora MRS sobre como se deve exercer o cargo de Presidente da República.

E termino porque tenho que ir tirar umas “bejecas” para umas pessoas do povo que convidei para virem aqui ao palácio de Belém.”.

***

A campanha para estas eleições são uma espécie de circo e de teatro para a qual contribuíram algumas televisões, nomeadamente a TVI e, de certo modo, a sua direção de informação de alguns anos atrás, para a promoção de uma pessoa que, aproveitando isso se tornou popularucha retirando a dignidade ao cargo que pretende exercer.

Não sei se alguém se recorda de Peppe Grillo artista e humorista a quem chamavam “palhaço” que fundou em Itália o movimento 5 Estrelas que em 2013 obteve 25,5% (3º lugar, tendo em conta as coligações) dos votos. Grillo teve mesmo uma percentagem maior que o Partido Democrático (PD), de Pier Luigi Bersani, que teve 25,4%. Ainda assim, o PD coligado com o Esquerda, Ecologia e Liberdade e outras pequenas formações de centro-esquerda, obteve 29,5%.

Não está nas minhas intenções chamar palhaço a Marcelo Rebelo de Sousa, mas artista já não diria que não. Não está em causa a pessoa, mas a forma como ele encara a função presidencial e como fez, e faz, propaganda da sua imagem que o conduziu a esta corrida presidencial. Não é uma questão de conteúdo mas de forma como ele próprio diria.

Se para o Tino de Rans lhe podemos desculpar alguma coisa, a Marcelo Rebelo de Sousa não se lhe pode desculpar. Veja-se a pobreza de argumentação que Marcelo tem tido com outros candidatos frente a frente. Uma coisa é falar para quem o escute sem ninguém que o confronte com outros argumentos, outra é estar presente em debates. Uma coisa é o comentário político com linguagem popularucha para telespectador ver e passar um tempo frente à televisão, outra coisa é o debate e o confronto sério, coisa em que Marcelo não se sente à vontade, mas a maioria do povo parece gostar de poder vir a ter um presidente assim! Tristeza política confrangedora.

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publicado às 15:35


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