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Conluio do silêncio

Silenciar partidos não é boa estratégia

por Manuel AR, em 12.11.19

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Há por aí muita gente indignada a escrever artigos de opinião sobre um tema que, como grandes democratas que se consideram, insurgem-se sobre a discussão que se levantou sobre saber se os novos e únicos deputados de partidos entrados no Parlamento são, ou não, um grupo parlamentar referindo-se ao Chega, ao Iniciativa Liberal e ao Livre.

Antes de continuar devo dizer desde já que sou contra a limitação da palavra dos referidos partidos. As suas intervenções devem gerir-se pelo regimento parlamentar que é aceite e ter proporcionalmente o tempo que lhes confere a sua eleição, tal como a qualquer outro partido.

Um dos colunistas residentes no jornal Público, João Miguel Tavares coloca em título: “Os porteiros do regime não sabem fazer contas”. Outro, esse mais sofisticado na linguagem para que poucos o entendam, e à boa maneira salazarenta, dá o título, do meu ponto de vista insultuoso à maioria parlamentar democraticamente eleita de “A tentação do PS, do BE e do PCP de domesticar o Parlamento”.

Neste o artigo de opinião, Paulo Rangel, o seu autor, escreve:

“Percebe-se qual era o cálculo e a intenção pragmática das forças da esquerda. Por um lado, calar o Livre, que, por razões diversas, é percepcionado por todos eles como perigosa concorrência. Por outro lado, silenciar a Iniciativa Liberal, que, alinhando por um credo nos antípodas dos socialismos, não terá qualquer pejo em enfrentar desabridamente a esquerda. Por outro lado, ainda, apagar o Chega, que, sendo um movimento conservador e populista de direita radical, agita todos os fantasmas. A estas razões, acresce uma outra que é comum a todos e talvez a principal. É que os três novos partidos com representação parlamentar não são nem esperam ser “partidos de Governo”; num certo sentido, e cada um à sua maneira, são ainda partidos de protesto. Esta natureza tribunícia de partidos de protesto – de partidos “fora do sistema” – dá-lhes uma liberdade e latitude de discurso que nenhum dos outros pode ter”.

O ponto de vista de Paulo Rangel coloca-se numa posição hipocritamente democrática porque se trata de falar de forças de direita com a qual também se identifica e porque dois deles combatem, como ele, a esquerda sendo, por isso, também potenciais aliados e por haver uma maioria parlamentar de esquerda democraticamente eleita. Por interesse ideológico convém-lhe defender esses partidos, talvez por pensar que não lhe fazem “mossa”. Incluir aqui também o Livre não poderia deixar de ser, justificando-o por ser um concorrente da “outra” esquerda, o que lhe interessa. Caro dr. Paulo Rangel, nós não temos um olho tapado com uma pala! Sim, já sei, estou a fazer juízos de intenção. Pois estou, e então, posso fazê-los ou não?

Paulo Rangel está a esquecer-se de que foi assim, com paninhos quentes da direita democrática mais conservadora, juntamente com outros fatores, que a extrema direita em Espanha, o Vox, subiu estrondosamente.

Para Rangel o Chega, o Iniciativa Liberal e o Livre são simplesmente partidos de protesto. Talvez o sejam agora! Ver-se-á depois. Silenciador foi o seu partido no tempo em que apoiava incondicionalmente Passos Coelho. E apagavam o mais possível a pegada dos potenciais “competidores” de esquerda que dizia serem, na altura, partidos de protesto e perigosos comunistas que queria voltar ao PREC. Sim, mais uma vez, pode ser juízo de intenção e escrever o que não disse. Mas sabe, como nas leis, é preciso saber ler nas entrelinhas. Os partidos de extrema-esquerda que antes intitulava de protesto estão agora implantados na Assembleia da República.

Esquece-se que André Ventura afirmou há relativamente pouco tempo que agora é apenas um mas no futuro serão muitos mais. São de protesto, mas vejamos se no futuro próximo não serão também concorrentes do seu partido.

João Miguel Tavares é mais lógico, mais racional, coloca os pontos nos “is” e, sem grandes delongas, vai ao cerne da questão e é mais realista ao escrever que:

“É um absurdo silenciar três deputados com a desculpa que não são um grupo parlamentar, até porque a melhor forma de os transformar num grupo parlamentar é mesmo fazendo tudo para que não abram a boca. A pressão política e mediática vai obviamente ser insustentável, a esquerda vai obviamente ceder e os três novos partidos vão obviamente poder falar nos debates quinzenais, como têm direito.”

Ponto de vista com que não se pode deixar de concordar. Quanto mais se proíbe mais o emergir na opinião pública se torna viral o que apenas contribui para esses partidos se auto vitimizarem. Por vezes deixar falar ajuda ao enterro de quem fala pelo surgir de contradições.

O dr. Paulo Rangel pretende chegar à mesma conclusão, mas encheu-se de demagogia e de democracia hipócrita. Tenha presente que aqueles partidos que desvaloriza e que são próximos da extrema-direita, para crescerem, não vão buscar eleitores e consequentes votos às esquerdas, vão procurá-los à direita. A intenção é boa, mas a sua razão de fundo tem como base a maioria estar agora do lado da esquerda. O resto é conversa mole.

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publicado às 19:12

Rangel_Passos e a Cereja.png

Rui Rangel é um dos representantes de um passado triste do PSD e cuja estratégia errada nesta campanha eleitoral manteve sem qualquer mutação. Rangel é a personificação do liberalismo de Passos trazido para 2019 e a recusa da social-democracia que Rui Rio defendeu no início do seu mandato. Rangel quer manter-se à tona, mas a boia que usa parece já estar furada.

O PSD e Paulo Rangel tentaram envolver Cavaco Silva na campanha para as eleições europeias vindo para o terreiro fazer afirmações sobre familiares, tendo sido arrasado achou melhor remeter-se novamente ao silêncio.

Falhada esta tentativa foram buscar Passo Coelho para salvar alguma coisa que pudesse ser salva como pretexto para lançarem acusações ao PS de esconder o passado. De facto, o caso Sócrates foi um anátema que marcou o passado do partido. Passos Coelho por seu lado é outro anátema do passado do PSD que  a pretesto de salvar Portugal deixou marcas profundas na população e caso não se tivesse encontrado outra alternativa estaríamos na mesma, senão pior, dento e no âmbito da U.E.

Passos Coelho é, de facto, a cereja colocada em cima dum bolo estragado que serviu apenas para recordar e comemorar nesta campanha um passado triste. Portugal e a população não querem recordar nem um, nem outro passado, ambos tristes cada um à sua maneira.

Paulo Rangel será visto sempre como o mentor do plano péssimo que tem prejudicado o PSD nesta campanha eleitoral. Aliás, todos sabemos que Rangel é uma espécie de rolha de cortiça que consegue vir à superfície sempre que oportuno. Rangel também não é a flor que se cheire no passado do PSD. Ele mesmo foi um grande defensor das medidas de Passos Coelho no tempo da troika.

Se o PSD ficar abaixo dos 25% há dois culpados: o primeiro Rui Rio por ter escolhido Paulo Rangel para cabeça de lista às eleições europeias e o segundo o próprio Paulo Rangel por insistir em temas já desgastado ao longo dos último quatro anos. Rui Rio, em vez de um bolo fresco e bem decorado para mostrar renovação insistiu em oferecer a fatia do mesmo bolo já congelado.

Paulo Rangel, em 2010, foi candidato à presidência do PSD perfilando-se desta forma como primeiro oponente de Pedro Passos Coelho. Esta candidatura serviu para dar imagem de democracia interna porque, de facto, a linha, e a proposta de Paulo Rangel eram muto idênticas. Rangel foi uma espécie de peão para passar uma imagem de concorrência interna. Após o PSD ter ganho as eleições e durante toda a vigência de Passos Coelho ele foi um dos seus mais acérrimos defensores.

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publicado às 19:12

Temas à solta II

por Manuel AR, em 07.03.19

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Hoje vou começar com uma parte da letra da cantiga “Vamos prá festa” de um tal Gilberto Amaral que inicia assim:

 

Ora vira, vira, vira

Ora vira sem parar (bis)

Quantas volta dá a vida

Onde eu hei de te encontrar (bis) 

Me diz de lá, ó cara linda

Onde é que tens andado

O que fazes nesta vida

Não me importa o passado

 

Esta letra conduziu-me ao percurso das narrativas de alguns políticos que dizem ser grandes defensores da democracia e fazem oposição com críticas ao desbarato para caça ao voto a qualquer preço.  

Os versos são representativos das trocas e baldrocas que certos deputados da direita fazem e as voltas que dão com as palavras para dizerem aquilo que gostariam que fosse, mas que, afinal, não é.

Veja-se o caso de Paulo Rangel e o seu apoio a Viktor Orbán a que já me referi no “post” Temas à solta I. Aquele apoio foi objeto de discussões opinativas plenas de riqueza de conteúdo filosófico que a maioria dos portugueses não lê, e, provavelmente, nem entende, devido à existência de uma multiplicidade de elementos que estabelecem relações intrincadas no plano filosófico que podem ler aqui e aqui.

A mim interessa-me mais o cerne da questão que foi, de forma bastante clara, tratado num artigo de opinião por Rui Tavares no jornal Público do qual passo a citar uma parte. Apesar de a orientação político e ideológica de Rui Tavares não ser coincidente com a minha reconheço-lhe, todavia, o seu valor enquanto cronista, investigador e historiador. Escreve então Rui Tavares:

A semana passada Paulo Rangel escreveu uma crónica sobre a “democracia iliberal”, a propósito da Venezuela, referenciando como antecedentes da tendência de autoritarismo e desmantelamento do estado de direito o líder russo Putin e o turco Erdogan. Adivinhem quem não era mencionado uma única vez sequer? Viktor Orbán da Hungria, nem mais nem menos do que o inventor da expressão “democracia iliberal” e orgulhoso precursor do movimento.

Mas esta semana Paulo Rangel dedica toda uma crónica a uma "Declaração para memória passada, presente e futura” a explicar como assumiu sempre, “sem tibieza”, posições críticas de Viktor Orbán.

O que aconteceu entre uma crónica e outra? Um grupo de partidos escandinavos e do Benelux iniciou procedimentos para votar a expulsão do Fidesz de Orbán do Partido Popular Europeu de que PSD e CDS fazem parte, o calendário faz com que essa possível expulsão tenha de ser debatida a 20 deste mês, até o CDS ultrapassou o PSD juntando-se ao grupo de partidos que pedem a expulsão de Orbán, e a aproximação das eleições europeias aconselha a que tudo seja resolvido rapidamente, aumentando fortemente a possibilidade de que o PPE se desfaça de Orbán a dois meses de ir a votos — mas quase uma década depois de ele ter começado a destruir o Estado de Direito húngaro. São estes acontecimentos que se interpõem entre uma crónica em que Rangel faz uma genealogia da “democracia iliberal” dela omitindo extraordinariamente Orbán e outra em que alegadamente documenta uma oposição de sempre a Orbán”. Pode continuar a ler aqui.

Sobre os que dizem que não são, mas que são, ou vice-versa, encontramos mais uma vez Paulo Rangel nas bocas, se não do mundo, pelo menos na dos que escrevem opinião. Desta vez é João Miguel Tavares no jornal Público que escreve sobre o que Rangel diz que é, mas que afinal não é: “A sério, isto começa a ser ridículo: a quantidade de gente que pertence ao PSD que faz questão de dizer que não é de direita é totalmente absurda, e mostra bem o desequilíbrio do sistema político português e o complexo salazarista que ainda paira na cabeça da direita-que-não-o-é. Desta vez a negação coube a Paulo Rangel, cabeça de lista do PSD às eleições europeias. Vinha na primeira página do Expresso: “Nunca disse que era de direita.” Lá dentro, as explicações: “Posso garantir que nunca disse que era de direita, mas do centro ou centro-direita. E com posições sociais muito fortes, muitas vezes a chegar ao centro-esquerda em algumas matérias.”

Enfim, quanto ao cabeça de lista às eleições europeias pelo PSD que é Paulo Rangel estamos conversados, é o vira, que vira, vira sem parar.

Ia ficar por aqui, mas recuperei ainda da minha memória recente o caso de Cecília Meireles do CDS, em novembro de 2018, a quem causou estranheza o anúncio do facto Portugal pagar até ao final do ano a totalidade da dívida de 4,6 mil milhões de euros ao FMI, não o nega, mas acrescenta que o Estado o que ia fazer era “trocar a dívida”, isto é, “paga ao FMI e endivida-se noutras entidades a juros inferiores”. Mas esperem aí! Desculpem a minha ignorância! Não sabia que isso era mau. Então se estou a pagar juros mais elevado por determinado valor pedido e posso passar a pagar menos de juros pela mesma totalidade da dívida e pedir dinheiro a juros mais baixos para o mesmo empréstimo estou a engar-me a mim e aos outros? Expliquem-me com desenhos.

Mais uma vez, é “o vira, que vira, vira sem parar…”

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publicado às 18:11

Temas à solta I: eleições europeias

por Manuel AR, em 27.02.19

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Se acreditarem naqueles que dizem que são o que não são, depois não se admirem e digam: Pois, não sabíamos que era assim!

Parlapatão é um indivíduo que podemos designar por farsante, o que engana os outros com os seus argumentos intrujões, de meias verdades, omissões, quando não falsidades, é um fanfarrão, impostor, pantomimeiro. Um parlapatão pode ter todas ou só algumas das mencionadas propriedades.

Como cabeças de lista às europeias temos dois parlapatões cada um ao seu jeito. O parlapatão Pedro Marques do PS e o parlapatão Paulo Rangel do PSD. O primeiro, Secretário de Estado, agora saído do Governo para ser cabeça de lista às eleições europeias, já o conhecemos e identificámos o seu estilo palavroso, mais emotivo, diz mais do que devia não lhe faltando sobriedade. Quanto ao segundo, esse é mais subtil, confuso e ambíguo  na defesa dos seus pontos de vista sendo, por isso, perigoso devido ao seu canto de sereia.

Paulo Rangel tem andado ultimamente pela Venezuela com outros elementos da Comissão Europeia a fazer pressão contra esse ditador incompetente, obsedado, tarado, irresponsável que dá pelo nome de Nicólas Maduro. E, se por lá anda, ainda bem. Mas isso, tem para Rangel vantagem política pessoal para além de fazer parte da sua promoção de campanha para as eleições europeias de maio enquanto cabeça de lista pelo PSD.

Recuemos um pouco. Em setembro de 2018 o Parlamento Europeu aprovou o relatório que recomendava a instauração do artigo 7.º do Tratado da UE contra um Estado membro, a Hungria de Viktor Orbán. De acordo com aquele artigo o Parlamento Europeu pode ativar o mecanismo preventivo e pedir ao Conselho para determinar se existe um risco manifesto da violação dos valores da U.E.  pelo que a Hungria poderia, em última análise, perder direito de voto.

O relatório da comissão parlamentar das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos do Parlamento Europeu que considerava existir um risco manifesto de violação grave, pela Hungria, dos valores europeus, recebeu 448 votos a favor, 197 contra e 48 abstenções durante a votação realizada no PE, em Estrasburgo que pode conferir aqui.

Vejamos então as posições de Paulo Rangel quanto a esta posição da U.E.:

Paulo Rangel, cujo partido se encontra no grupo PPE da U.E., o mesmo a que pertence o partido de Viktor Orbán , afirmou que "O PSD sempre votou desde 2011 todas as resoluções que condenam a Hungria, ao lado das delegações holandesa, sueca, finlandesa, e nos últimos anos, das delegações romena e polaca.". Mas, a seguir Paulo Rangel lamentou "que não haja o mesmo procedimento para dois governos socialistas: a Eslováquia, onde jornalistas foram assassinados por investigarem corrupção ligada ao governo, e a Roménia". Isto é, por estar em desacordo com as sanções à Hungria defende o prevaricador apontando o dedo a outros e apenas por motivos ideológicos sem que o objeto da acusação estivesse no mesmo âmbito.

Mas há mais. Mário David que foi homem de mão de Durão Barroso, há mais de 26 anos que é amigo do primeiro-ministro húngaro Orbán amizade que lhe valeu a consultoria política sendo agora seu conselheiro, devido à relação de amizade antiga que tem com Viktor Orbán desde antes da sua entrada para o Partido Popular Europeu (PPE). Mário David esteve ao lado do polémico primeiro-ministro e defendeu os pontos de vista de Viktor Órban, apesar de o PSD ser crítico da atuação do Governo húngaro quanto aos pressupostos básicos do Estado de Direito. Se quer confirmar então veja aqui. Por sua vez Jószef Szájer, colega de Rangel no PPE, foi o autor confesso das alterações constitucionais que iniciaram o desfazer do Estado de Direito na Hungria.

É notório o sectarismo de Paulo Rangel. Enquanto alguns estão sempre disponíveis para denunciar com a mesma intensidade abusos cometidos por governos, quer de adversário, quer de aliados, no ataque à corrupção e à conivência governamental em países como Malta e Eslováquia, governados por socialistas, Paulo Rangel usa as críticas justificáveis, apenas aos regimes de adversários que violam direitos humanos para relativizar comportamentos iguais aos dos seus aliados.

O candidato que Paulo Rangel apoia para Presidente da Comissão Europeia, o conservador Manfred Weber, grande apoiante tácito de Orbán, é, também, o mesmo que é apoiado por Viktor Orbán.

Rangel é ardiloso ao ponto de esconder factos como estes quando fala aqui, em Portugal. Em vez de intervir com a palavra, quando as violações de direitos humanos, as normas e os valores da U.E., são infringidos. Opta por omitir, esconder e dissimular quando, politicamente, isso lhe interessa.

Se acreditarem naqueles que dizem que são o que não são, depois não se admirem e digam: Pois, não sabíamos que era assim!

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publicado às 18:17

Greves-Bart Simpson.png

Este título poderia ser uma frase que Bart Simpson escreveria no quadro como castigo da sua cabulice.  Em períodos de aproximação de eleições as oposições ao governo tomam vários matizes consoante os interesses político-partidários.

Segundo o jornal Público em dezembro do ano passado alguma coisa está a mudar no mundo sindical. Os sindicatos independentes estão mais ativos e surgem cada vez mais novos sindicatos. Dados fornecidos pelo Ministério do Trabalho ao Público há oito anos mostram que não se registava um número tão elevado de novos sindicatos. No ano passado, foram nove, entre 2014 e 2016, um ritmo de seis em cada ano. Sublinho que neste período já estava uma maioria de esquerda de apoio parlamentar ao Governo. Em 2011 e 2012, bem como em 2008 e 2009, quatro. Curiosamente, no ano em que a troika entrou em Portugal, 2011, não foi criado qualquer sindicato.

Mais de metade dos sindicatos que convocaram greves no final do ano passado e em janeiro são independentes, ou seja, sem filiação em qualquer central sindical, quer seja a UGT ou a CGTP, o que não me leva a concluir que sejam, de facto, como dizem, independentes. O não estarem filiados em nenhuma central sindical não me tranquiliza, levanta-me ainda mais dúvidas. Serão talvez sindicatos inorgânicos alguns dos quais até constituídos através das redes sociais. A forma de mobilização que hoje passa muito pelas redes sociais como é o exemplo do sindicato de professores STOP, aparecidos no ano de 2018, e que no mundo sindical tradicional é tratado como “o sindicato das redes sociais”.

Outra questão que me levanta algumas suspeitas sobre a falta de independência das organizações de trabalhadores com objetivos reivindicativos é a influência do PSD no movimento sindical. A greve dos enfermeiros, por exemplo, foi essencialmente impulsionada pela Ordem dos Enfermeiros cuja bastonária Ana Rita Cavaco ter sido até há pouco tempo membro do Conselho Nacional do PSD e ex-adjunta do secretário de Estado da Saúde de Durão Barroso, Carlos Martins que hoje está na administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte.

A direita tem sido acusando de falta de decoro e de hipocrisia por ter ajudado, no passado, a chumbar medidas para sectores que agora fazem greve, e agora o PSD e o CDS parecem ser os novos porta-vozes das reivindicações sindicais.

A independência dos sindicatos e algumas ordens profissionais, estas últimas associações públicas representativas, é relativa. Elas ao se proporem defender os interesses dos seus trabalhadores ou associados são muitas das vezes incentivadores de greves e manifestações atraindo-os com a cenoura de mais dinheiro e progressões nas carreiras a que, não raras vezes, se juntam motivações claramente políticas. Estas greves surgem, na sua grande maioria, originadas por sindicatos de trabalhadores da função pública. Nestas últimas, a razão é bem clara: os trabalhadores são conduzidos e mobilizados pelos seus dirigentes apenas e só com objetivo da obtenção de mais dinheiro, mais direitos e mais regalias que se traduzam em menos trabalho, mais promoções e menos anos de serviço.  Reivindicações justas? Talvez. Quantos outros milhares de trabalhadores neste país não teriam também mais razões para terem os mesmo direitos e regalias dos que trabalham para o Estado, mas cuja responsabilidade e insegurança dos seus postos de trabalho não lho permitem. Ser trabalhador da função pública já é, em si mesmo, um privilégio. A função pública é um maná para os que, em nome dos trabalhadores pretendem objetivos políticos, aos quais eles são alheios, paralisando com isso o país ou setores estratégicos como é o caso do SNS e a greve dos enfermeiros. Já aqui questionei várias vezes onde se encontravam os sindicatos que agora dizem que há mais de vinte anos têm as carreiras congeladas quando a direita esteve no governo?

As oposições, especialmente a de direita, desde os últimos meses de 2018 e com o aproximar das eleições, pretendem fazer-nos crer que existe um forte aumento da contestação social devida às políticas do atual Governo. Convém, antes de mais, saber o que a direita na oposição entende por contestação social. O que de facto se tem verificado é um aumento da contestação sindical ligada à função pública que incide sobretudo em aumentos salariais, progressões nas carreiras e contagens de tempo de serviço que também se vão traduzir em mais dinheiro o que poderá tornar-se insustentável a prazo, para o país e  para todos nós.  

Sobretudo a direita, tem aproveitado as reivindicações e as movimentações sindicais da função pública para fazer oposição ao Governo chamando-lhes contestação social.  Chama contestação social ao que de facto são greves por carreiras e mais salários como têm sido as dos professores e as dos enfermeiros. Podemos considerá-las isso sim, contestações sociais restritas e de âmbito profissional, conflitos laborais até.

O conceito de contestação social tem um sentido mais amplo sendo utilizado para classificar todas as manifestações de agitação e críticas radicais relacionadas às instituições e valores estabelecidos, quando elas são expressas para além dos planos institucionais da oposição política e parlamentar. Por outro lado, as referidas greves promovidas por sindicatos e até estimuladas por algumas ordens profissionais (caso dos enfermeiros), podem incluir-se no conceito de contestação exclusivo da oposição ao Governo em uníssono com a direita sendo facilitadoras para a oposição política de direita. Ao mesmo tempo, a greve dos enfermeiros, por exemplo, foi feita sob a forma extrema e absoluta com a intenção de se colocar à margem das normas aceites e das instituições. Esta greve tem corrido o risco de ser considerada ilícita, mas a contestação as suas finalidades objetivas para além de reivindicações também pretende colocar em causa o próprio Governo, já que a suspeita resulta da militância de uma das envolvidas que é  a bastonária da ordem dos enfermeiros que, podemos pensar, estar a utilizar os seus associados para fazer campanha de oposição ao Governo enquanto militante do PSD. Neste caso, apenas por análise semântica não nos permite aprofundar as analogias e as diferenças entre contestação sindical e oposição política. O protesto, ou “contestação social” camuflados por movimentos sindicais é uma forma de expressão política que tem buscado provocar mudanças sociais e ou políticas, para influenciar os conhecimentos, atitudes e comportamentos do público.  Os protestos muitas vezes tomam a forma de exibições públicas abertas, manifestações e desobediência civil, mas também podem incluir atividades secretas como petições, boicotes e várias atividades on-line, como é o caso dos sindicatos da função pública, dos enfermeiros e dos professores que pretendem envolver os manifestantes em atividades de protesto cujo cerne da questão são a luta por recompensas “individuais” que incluem uma variedade de benefícios e aumentos salariais pessoais a serem conseguidos através de movimentos coletivos.  

Para estes movimentos sindicais a comunicação, seja de massa ou interpessoal, é um elemento central no sucesso desses grupos ao facilitar a troca de informações, mobilização, coordenação, integração, formação de identidade e muitas outras funções essenciais. Muitas destas contestações vão, no extremo, contra a própria democracia e, não surpreende que, devido à importância da comunicação para estes grupos de protesto, haja uma relação por parte destes para que os media deem visibilidade aos protestos. 

Os protestos e as greves da função pública e no caso especial dos enfermeiros são sintomáticos de que, do meu ponto de vista, mostra-se distorcido, senão vejamos: uma greve é, em princípio, uma pressão exercida sobre os empregadores para conseguir regalias o que acontecerá de forma diversa consoante os vários setores. Ou seja, para que o atendimento das reivindicações seja levado em conta tem de haver transtornos à sociedade através da greve.  No entanto, há um ponto a esclarecer:  algumas greves prejudicam mais outros trabalhadores que nada têm a ver com o conflito do que o empregador, o Estado no caso da função pública, sobre a qual a pressão da greve é exercida.

Como forma de protesto um dirigente de um dos sindicatos dos enfermeiros resolveu fazer greve da fome. Isto não é mais do que a substituição da ação concertada do sindicato contra o Governo que tem sido alvo da ação grevista. Assim, procura o caminho que o pudesse tornar numa espécie de mártir, tal como se fosse um conspirador que preferisse a morte a renegar a própria convicção da necessidade da obtenção de mais salário e regalias, e a trair os seus companheiros de luta, arriscando-se a pagar o preço da vida, mas, ao mesmo tempo, resistindo ao poder colocando-o em xeque.

Isto pode ser uma forma, embora genérica, de exercer manipulação social, agindo sobre as crenças e as ações das pessoas, grupo ou sociedade no seu todo utilizando como auxiliar a chamada de atenção da comunicação social. Toda a opinião e todo o comportamento humano são guiados ou justificados pelos conhecimentos e juízos de valor dos sujeitos que fazem acerca do ambiente social e que percebem como sendo relevante para o formar da opinião ou para a ação. É possível, por isso, guiar de forma dissimulada as crenças e as ações de um indivíduo ou de um grupo, controlando e moldando as comunicações que ele recebe a respeito de um determinado ambiente distorcendo, ou suprimindo, a informação sobre o causador do ato centrando-se apenas na execução que tenha uma intenção comunicativa.

No tempo que atravessamos a falsidade é usada sem escrúpulo na propaganda de oposição aos governos. A mentira objetiva e a distorção de factos políticos não são propriedade exclusiva dos regimes iliberais ou das oposições a governos com o objetivo de os substituir pelos de outra orientação partidária. Podem ser também propriedade de grupos de indivíduos unidos pela defesa de interesses comuns. Enfim, são transversais a todos.

A supressão da informação pelos meios de comunicação não envolve exatamente uma mentira, mas, simplesmente, a não publicação de determinadas notícias, interpretações ou apreciações ou, ainda, o exagerar de outras que sejam favoráveis ou desfavoráveis em função dos objetivos pretendidos podem ser consideradas mentiras por omissão deliberada.   

Com os protestos sucedem-se frequentemente manipulações como a determinação intencional ou interessada do comportamento do público. A manipulação não procura só provocar intencionadamente o comportamento que se deseja do manipulado; procura também, de modo igualmente intencional, esconder a existência e a natureza da ação que irá provocar o comportamento do manipulado. A manipulação pode ser contraposta à de persuasão.

Quando um sujeito tenta persuadir outro a abraçar uma certa crença ou a adotar um determinado comportamento, ele indica-lhos explícita e abertamente, formulando de modo igualmente explícito e aberto as razões que favorecem essa crença ou esse comportamento. Dessa maneira, a persuasão, ao contrário do que ocorre com a manipulação, visa a obtenção do consentimento voluntário e consciente daquele a quem se dirige.

É o que tem acontecido com um dos advogados de um dos sindicatos dos enfermeiros, Garcia Pereira, que acusa o Governo de intoxicação e manipulação da opinião pública ao mesmo tempo que argumenta no âmbito das suas funções, com a pretensão de virar a opinião pública, com uma linguagem digna de comício político do tipo PCTP/MRPP contra o Governo.

São mensagens persuasivas a que se recorre para captar a desejada adesão dos destinatários a meios que são inadmissíveis dentro do modelo da persuasão racional e que se destinam a enganá-los e a moldar escolhas sem que eles o saibam: a distorção da informação, por exemplo, que é, afinal, uma verdadeira e autêntica mentira que fazem funcionar mecanismos psicológicos de aceitação da opinião. Estratégia também muito utilizada pelo agora cabeça de lista às eleições europeias pelo PSD, Paulo Rangel. Isto é, quanto a conteúdo objetivo nada e propostas nada ficamos a saber, mas, ficamos a saber sobre ataques cirúrgicos pessoais que faz aos seus oponentes. Um exemplo simples da manipulação da informação é a mentira que, ao fornecer falsas informações sobre acontecimentos relevantes para a sua escolha, um ator político pode levar outras pessoas a um certo comportamento enquanto, estas tomam as informações por verdadeiras e julgam estar a escolher livremente. É a importância da mentira em política, assim como a sua eficácia, quando orientada para obter o consenso do público ou de outros atores políticos.  

Quem defende os que dizem que são o que afinal não são, depois, admira-se e diz: Pois, não sabia que era assim!

 

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publicado às 17:48

O fiel da balança

por Manuel AR, em 04.10.17

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Escrevi, ou melhor previ, num dos últimos “posts” do blog zoomsocial que Passos Coelho não se iria demitir da liderança do PSD porque, escrevi, quem avançasse para a liderança não teria apoios suficientes, a não ser que fossem elementos da linha neoliberal e neoconservadora do ainda líder.

Apenas em parte me enganei, foi ao dizer que Passos não se iria demitir. Fê-lo, mas com algumas contradições pelo meio. Não ficaria a “rondar” nem a “assombrar” o partido, mas, por outro lado, diz também que não se vai “calar para sempre”.

O PSD vai entrar num momento perigoso da sua vida e isso está a ser evidenciado pelos candidatos que se estão a perfilar para ir concorrera às eleições internas. Alguns, são os da mudança na continuidade, como Paulo Rangel e Montenegro. Paulo Rangel que sempre defendeu as políticas de Passos Coelho e a atuação de Cavaco Silva, basta rever as suas posições nos debates da Prova dos Nove da TVI 24, moderada por Constança Cunha e Sá para conhecermos como Rangel é um habilidoso manipulador das palavras, é o sim, é o não e o vamos lá ver. Há quem o defenda dizendo que era opositor a Passos mas a lealdade leva-o a estar do seu lado. É um dos perigosos concorrentes porque poderá vir a ter o apoio dos militantes da continuidade. Montenegro é complicado porque a política seguida teria de ser a mesma já que não ser veria com bons olhos que mudasse de estratégia contradizendo tudo o que defendeu. Rui Rio? Bem, esse é um caso ainda para se ver, porque resta saber qual será a sua estratégia para o país. Mas se como já se fala que Miguel Relvas o vai apoiar isso traz-me muitas desconfianças. Foi Miguel Relvas o grande impulsionador e apoiante de Passos, basta recordarmos o que se passou na altura, até pelos discursos e argumentação de ambos.

Santana Lopes? É bom que fique onde está porque está bem e o seu trabalho parece que é apreciável.

Para mim que defendo um PSD social-democrata a sério e não um partido de direita neoliberal estou aguardando por mais. Vai ser difícil, porque Passos Coelho com ajuda de alguns que agora se escondem, encarregou-se de deixar minar o partido por uma ala de jovens direitistas neoconservadores que vai ser difícil expurgar.

André Ventura, o tal da xenofobia e racismo que concorreu à Câmara de Loures admite candidatar-se à liderança do PSD, isto se ninguém avançar contra Rui Rio. É neste estado que Passos Coelho deixou o PSD.

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publicado às 16:33

O espelho da direita

por Manuel AR, em 10.03.17

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Parece-me que a direita continua desvairada pela perda do seu ente querido, o poder. A ela vai-se associando uma extrema-direita que aos poucos vai fazendo ouvir-se através de estratégias de propaganda política da falsidade e calúnias de modo a criar crispações artificiais para fazer constar que a esquerda que apoia o governo está a pôr em causa e a tentar limitar as liberdades pretendendo controlar isto e mais aquilo com a popularmente chamada conversa da treta!

Neste mesmo local já escrevi que durantes os anos conturbados do pós 25 de abril era comum controlar as reuniões gerais de alunos e assembleias dos sindicatos através de propostas de cariz radical apresentadas por grupos ocultos que se intitulavam de esquerda para as manipularem de modo a fazerem aprovar e votar propostas que eram de seguida utilizadas politicamente pela extrema-direita fazendo-as reverter para os seus desígnios.

Eu explico com um exemplo. Convoca-se uma reunião geral para debater um tema que se sabe à partida provoca controvérsia. De seguida, certos elementos convocam uma reunião geral de alunos para discutir a validade do tal evento. Alguns infiltrados da extrema-direita “mascarados de esquerda” fazem aprovar proposta de boicote ao evento que se irá realizar e, no final, é aprovada uma proposta radical contra o evento. De seguida a organização do evento vem a público divulgar que foi impedida a sua realização por radicai de esquerda que querem limitar a liberdade de expressão e de reunião e com o objetivo de criar instabilidade.  Teorias da conspiração? Olhe que não, olhe que não!... Nos meus tempos da universidade em assembleias gerais e em reuniões sindicais como independente de qualquer partido ou organização, assisti a isso mais do que uma vez.

É uma forma para se fazer constar para a opinião pública a ideia, falsa, de que as liberdades estão a ser postas em causa pela esquerda. Aliás, já tenho ouvido comentadores(as) políticos ainda de forma muito cautelosa lançar para o ar algumas insinuações.

Aproximam-se as eleições e nada está a correr bem para direita, assim, há que lançar mão a tudo, mesmo a baixa política, arte em que é eximia. É pena que não tenha nada na mão para nos apresentar de concreto. E não tem porque não consegue ou então teria defender o contrário do que defendeu no passado recente.

 

Para terminar uma nota à margem:

Ontem no programa da TVI24 “Prova da Nove” aquela sumidade que é Paulo Rangel e que, dentro do PSD, não sabemos onde se posiciona, se é na ala mais à direita, ou na ala à esquerda ou no centro. Quando falava sobre o banco de Portugal e sobre o evento que teria a presença de Jaime Nogueira Pinto, que foi adiado, fez-me lembrar aqueles palhaços que gesticulam muito, mostram expressões faciais de calma forçada e que olham fixamente para a câmara fazendo divertir as crianças.

Paulo Rangel é um ator da charada política, fala, agita-se, gesticula, deturpa, é um mestre do ilusionismo político. Tenta convencer os outros, e principalmente a ele próprio, que tudo quanto diz são verdades absolutas. Quando fraqueja nos argumentos utiliza a baixa demagogia que sabe pode ser eficaz para mentes menos conhecedoras do jogo onde se lançam as cartas. Enfim! Assim vai o PSD e a direita neste país!

 

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publicado às 23:07

É o desespero meus senhores

por Manuel AR, em 09.02.17

Espelho meu.png

É o desespero senhores, é o desespero! É um desespero nunca visto em Portugal pelo qual a oposição está a passar. Há um alvo que querem atingir e que não lhes agrada se mantenha no Governo. É o ministro das finanças. Pode perguntar-se porquê e resposta é fácil. Não lhes interessa que esteja em funções um ministro que tem cumprido, a nível das finanças, os objetivos a que Portugal se tem proposto interna e externamente.

À oposição de direita não é Portugal nem os portugueses que lhe interessam é o seu umbigo e a sua autoestima partidária que estão em jogo. Fazer o que eles nunca conseguiram fazer é algo que lhes custa engolir. É a questão do estar a haver alternativa no lugar do bolorento não há alternativa dos neoliberais.

Há uma estratégia construída pela oposição de direita com o objetivo de descredibilizar os que querem compor o Portugal que os neoliberais do PSD destruíram coadjuvados pelos senhores do irrevogável CDS.

Mário Centeno e a sua equipa das finanças é a pedra no sapato desses sujeitinhos, entre os quais Paulo Rangel. Não gostam da equipa. Faz-lhe mal à sua credibilidade que pensavam ter quando estavam no governo do país e que desgovernaram durante mais de quatro anos. Desculpavam-se com a troika mesmo quando o seu líder Passos Coelho clamava para se ir ainda mais além. Com isto pretendem a destruição da CGD a todo o custo. Esqueceram-se rapidamente de todas as trapalhadas que arranjaram quando eram governo sem que ninguém se demitisse.

É a oposição da imundície politiqueira porque não têm nada para apresentar. Desviarem as atenções com grandes tiradas demagógicas que em nada ajuda a compor o país que tiveram a oportunidade de compor, mas que pouco ou nada conseguiram anão ser prejudicar certos setores da população. Até dão a entender que querem a todo o custo uma cabeça seja de quem for, como desforra da demissão de Miguel Relvas.

A fúria e o desespero dessa gente cuja perda do poder parlamentar ainda não conseguiram ultrapassar não tem limites. Tudo serve.

Ideias não as têm e, as que tiveram antes, negam-nas no presente.  Ainda hoje na Assembleia o PSD votou contra uma proposta do CDS que no passado já defendeu. É a desorientação estratégica de tudo.

Pegam agora na discussão da sobre a eutanásia, com a qual não concordo por estar a ser tratada de ânimo leve, e gritam aos quatro ventos vamos propor um referendo.  Apenas têm na manga mexeriquices? Nada mais.

É um falhanço duma oposição que apenas clama nos corredores por vingança e vê tudo apenas com objetivos partidários. Para eles os portugueses devem ser uma cambada de tontinhos que se enganam com frascos de perfumes que apenas contêm água, acolitados pelos seus comentadores de mão que por aí proliferam.

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publicado às 22:57

Oposição errática e seus segredos

por Manuel AR, em 27.01.17

Rangel_Oposição.png

Quem ontem, 26/01, viu e ouviu o programa “Prova dos nove” da Constança Cunha e Sá na TVI24 terá visto que Paulo Rangel comprovou mais uma vez que mistura, confunde, desordena quando faz intervenções. Constança faz os possíveis, como sempre, para manter a imparcialidade nas questões que coloca.

Rangel, face ao que se passou com o PSD e a TSU, sem argumentos válidos e sustentados sobre o que se passou e sobre a nova solução apresentada pelo Governo, enredou-se em raciocínios tortuosos, adulteradamente sofisticadas, fora da realidade e com argumentação dirigida a alguns fiéis e fãs da sua retórica. Acho até que já nem ele próprio se entende, tais são as contradições. Lamentável! Esta posição nada tem a ver com o ser-se mais de esquerda ou de direita, é uma questão de bom senso.

Paulo Rangel dá voltas e voltas para justificar e alterar a realidade histórica muito recente que o seu partido construiu, negando as evidências com argumentos cujas dialéticas chegam às raias do absurdo. Quando os argumentos dos seus opositores o contradizem e não lhe agradam interrompe criando propositadamente entropias na comunicação.

Por outro lado, Rangel diz que o que o PSD fez é oposição ao Governo. Lá nisso terá razão, mas é uma oposição sem lei nem regra gerada apenas por egoísmo partidário e revanchista. O PSD queria ser governo minoritário e como enfrentaria uma maioria parlamentar que, para todos os efeitos, lhe seria hostil? Foi isso que fez com a TSU, hostilizar o Governo.  

Álvaro Beleza do Bloco de Esquerda que ontem substituiu Fernando Rosas, apesar de estar à altura dos seus parceiros de debate está menos à vontade do que Fernando Rosas desta vez esteve ausente.

A estratégia adotada pelo líder do PSD da oposição pela oposição, do meu ponto de vista, tem os dias contados. Neste aspeto quem tem mostrado ter bom senso é o CDS tentando distanciar-se da oposição errática do PSD.

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publicado às 15:46

Desorientados

por Manuel AR, em 10.12.16

Desorientação.pngDurante os quatro anos no Governo acrescentando mais um do exílio que, pelas circunstâncias de todos conhecidas, foi imposto a Passos Coelho, a política interna do PSD esteve fechada a quatro chaves. Em surdina começam a questionar a liderança de Passos Coelho. Escreve-se aqui e ali. O partido entrou em desorientação de rumo face à tempestade que ele próprio gerou.

O partido faz passar agora para a comunicação social alguns movimentos internos com um propósito: testar a opinião pública sobre quem poderá ter melhores condições de vir a suceder a Passos Coelho como líder do PSD. Isto porque as autárquicas se aproximam e estão a ver que a floresta pode começar a queimar-se.

Há algum tempo que a comunicação social avança nomes como o de Rui Rio. Não sei se será boa ou má escolha, ou se será melhor ou pior líder do que Passos Coelho. Rui Rio foi um homem forte e com tomadas de decisões irrevogáveis (as dele sim, foram mesmo irrevogáveis) e, enquanto esteve à frente da autarquia da cidade do Porto, terá tido uma boa relação institucional com António Costa o que poderá ser positivo.

Outros nomes como Paulo Rangel, Aguiar-Branco e Luís Montenegro surgem da sombra para suceder a Passos Coelho. Nesta barafunda interna do partido aparecem ainda os nomes de Marco António Costa e Miguel Relvas (sim esse mesmo) para fazerem as contagens e reunir seguidores para conseguir a eleição do próximo presidente.

Dos potenciais candidatos Paulo Rangel, Aguiar-Branco e Luís Montenegro, se de facto o forem, o PSD passará de mal a pior. Rangel e Montenegro têm-se firmado como fiéis seguidores de Passos Coelho e, a serem eleitos, serão ferozes neoliberais piores do que ele. As suas intervenções nas várias oportunidades que têm na comunicação social quer escrita quer televisiva ao longo dos quatro anos, mais um, as suas posições de apoio à atual política do PSD têm sido muito claras. Não será de esperar que algo mude no partido com aqueles possíveis candidatos, bem pelo contrário.

Montenegro já o conhecemos bem como líder da bancada do PSD. Sempre a poiou as medidas do Governo de Passos e ainda segue as mesmas orientações e é pouco provável que as venha a mudar no futuro. Com ele nada irá mudar no partido. O mesmo se pode dizes de Rangel que, na altura da luta pela liderança do partido, concorreu em oposição a Passos Coelho e perdeu. Todavia devemos ter em vista que foi um número circense. Uma espécie de faz de conta.

Há uma crença no interior do PSD que tem sido comprovada, quem perde as eleições para a liderança do partido nas seguintes ganha. Rangel sempre defendeu intransigentemente o Governo de Passos e, embora faça propaganda de que o partido é do centro, as posições dele estão longe de serem as da social democracia ou até do centro. A sua candidatura, se vier a verificar-se, servirá para baralhar e dar de novo. Com alguma destas três candidaturas política será a mudança na continuidade.

Quem tem feito o jeito de ler o que escrevo neste blog sabe quanto tenho estado contra as posições da política de Passos Coelho, mas, ao confirmar-se qualquer uma destas três candidaturas para a sua substituição, excetuando Rui Rio, por enquanto, então, antes Passos do que qualquer um daquele.

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publicado às 17:27


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