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Voltar ao passado, não obrigado

por Manuel AR, em 04.12.19

Voltar ao passado.png

Todos queremos tudo, esquecendo-nos que ainda somos devedores de parte dos empréstimos que a troika nos trouxe em troca de medidas que a todos prejudicaram.

Quem está atento ao desenvolvimento das notícias ao longo dos anos, ou dos meses, sobre a política em Portugal acha, decerto, estranho alguns desenvolvimentos noticiosos que se vão repetindo exaustiva e sucessivamente ao longo de tempos bem definidos que nos podem levar a pensar num possível objetivo estratégico.

Poucas semanas após a tomada de posse do novo Governo os media TV iniciaram uma campanha de procura de “notícias” negativas sobre o SNS emitidas vezes sem fim, o Tejo sem a água que deveria vir de Espanha, os olivais do Alentejo e a degradação dos solos, as plantações em estufas e os abrigos contentores para os trabalhadores, a falta de médicos e enfermeiros nos hospitais, a falta de funcionárias auxiliares nas escolas, um rol sem fim. A estas e outras notícias acrescente-se ainda as greves para aumentos na função pública, reivindicações da PSP e da GNR, à esquerda e à direita do PS exige-se baixar o IVA da eletricidade de 23% para 6%, atrasos nos pagamentos do estado a empresas, enfim, a falta disto e daquilo, pressões para baixar impostos, aumentar a despesa, exige-se investimentos que faltam aqui e ali, e reivindicam-se subsídios para tudo e mais alguma coisa.

Todos queremos tudo e cada vez mais fazendo passar a imagem de que os recursos não são finitos e que há prioridades. O desconhecimento desta realidade parece ser intencional. A direita, em especial os dois candidatos à liderança do PSD, dizem que tudo está por fazer, mas que eles tudo poderem fazer pelo país. Prometem reformas do Estado nada dizendo como, nem quais, nem com que recursos.

É por demais conhecido o que a direita prometeu durante a campanha eleitoral se fosse poder: baixar impostos, fazer mais investimento, melhorar o SNS, o que é de facto, necessário, sem apresentar um projeto concreto, sem dizer como, nem como obter o financiamento para tais aventuras. Rui Rio apresentava na altura uma contas atabalhoadas em nada convincentes.

Porque as contas públicas estão certas e o défice diminuiu e há uma pequena margem orçamental passámos a reivindicar mais do que é possível ameaçando o que todos conseguimos com o nosso esforço ao longo dos últimos quatro anos e meio.  

Um apagador parece ter passado pela nossa memória coletiva, social e histórica, somatório de todas as memórias individuais, pelo menos de algumas, a maioria.  O esquecimento da tragédia do passado que pode representar um alívio pode voltar a repetir-se novamente no futuro. Para que tal não aconteça é necessário que as lembranças sejam reconstruídas e reconhecidas por todos.

Há reivindicações justas, necessárias, obrigatórias até, mas também acho que ninguém pretende voltar a um passado constrangedor causado por pressões sucessivas sobre os governos com reivindicações por vezes irrealistas e oportunistas sem ter em conta que todos, mesmo os que reivindicam, vão pagar com impostos tudo aquilo que obtiverem.

Para quem quiser reavivar a memória abaixo faço uma síntese, ainda que incompleta do passado relativamente recente que nos levou a uma austeridade desenfreada. O despesismo foi o mote para outros que a seguir nos governaram poderem retirar o pouco que já tinha sido conseguido, elegendo como meta o empobrecimento da maioria e o enriquecimento de poucos, é o que as estatísticas e estudos nos dizem. Penso que ninguém quer novamente voltar a um tempo como esse.

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Para contextualizar é inevitável regressar um pouco ao passado ainda presente nas nossas memórias antes da troika atracar em Portugal para corrigir desmandos da governação de Sócrates com a aceitação implícita do então seu ministro das finanças Teixeira dos Santo que quase nos conduziram á bancarrota. Desmandos despesistas e gastos desnecessários em contrapartida com cortes em salários, despesas necessárias e aumentos de impostos não nos salvaram dum governo de direita em comunhão com a intervenção externa.

Tudo começou com cedências sucessivas às pressões dos vários lóbis de modo semelhante aos pedidos e exigências de modo idêntico ao que agora se passa.

Ao apresentar o Orçamento de Estado para 2009 dizia o primeiro-ministro José Sócrates garantir programas para o alargamento da rede de creches e lares de idosos. Sobre o Orçamento de Estado de 2009 dizia o então primeiro-ministro que as instituições particulares de solidariedade social beneficiariam de transferências de meios públicos na ordem dos 1,2 milhões de euros. Além destas áreas sociais, Sócrates referiu que o Orçamento investiria na melhoria dos cuidados de saúde Na sua intervenção, José Sócrates procurou também evidenciar que, no ano seguinte, 2009, os funcionários públicos seriam aumentados acima da inflação (2,9 por cento) e afirmava que “o Governo fará do sector da educação ‘uma prioridade’, a par da ciência”.

Durante o seu segundo mandato, iniciado em outubro de 2009 e que não chegou ao fim, o primeiro-ministro José Sócrates anunciava em setembro de 2010 um novo pacote de medidas de austeridade como o aumento do IVA para 23% e um corte de até 10% na despesa total de salários do sector público, entre outras medidas de austeridade aprovadas em Conselho de Ministros extraordinário como o aumento de impostos, corte de salários e prestações sociais, congelamento de todo o investimento público até ao final do ano e redução do número de contratados na função pública. Entre as dez principais medidas de abate da despesa destacadas pelo primeiro-ministro conta-se a redução média da massa salarial dos funcionários públicos em 5% nos vencimentos entre 1.500 e 2.000 euros, a redução será de 3,5% nos escalões mais elevados, o corte chega aos 10%.

Estimava então que iria reduzir a despesa do estado em 3.400 milhões de euros e aumentar a receita em 1.700 milhões de euros.

O primeiro-ministro, na altura José Sócrates assumiu perante os portugueses que as medidas do pacote eram “difíceis e exigentes”, com a necessidade de honrar compromissos internacionais e enviar «sinais convincentes e claros» aos mercados, que nas últimas semanas tinham colocado Portugal sob fortes restrições à obtenção de crédito e afirmava que «estas medidas só são tomadas quando um político entende em consciência que não há nenhuma outra alternativa. foi essa a conclusão a que cheguei agora e não em maio». Teixeira dos Santos desafiava quem achasse que se deve cortar mais na despesa para evitar aumento de impostos que apresente propostas adicionais.

Face a estas medidas a CGTP, UGT e STE (Sindicatos dos Quadros Técnicos) ficam contra cortes de salários na função pública e dizem que são sempre os mesmos a pagar a crise.

As estruturas sindicais da administração pública, da CGTP e da UGT, em uníssono diziam que o corte em 5% nos salários da função pública anunciados pelo Governo iria suscitar protestos por parte dos trabalhadores porque para a coordenadora da Frente Comum da Administração Pública (CGTP) Ana Avoila, as novas medidas de austeridade eram «provocatórias e inaceitáveis».

«O descontentamento dos trabalhadores vai decerto culminar numa greve». O secretário coordenador da Frente Sindical da Administração Pública (UGT), Nobre dos Santos, também se mostrou preocupado com as «medidas anunciadas pelo Governo, porque levam a uma perda efetiva de rendimento dos trabalhadores». São os mesmos argumentos de sempre «mais uma vez quem paga a crise são os trabalhadores portugueses: os da administração pública e de uma forma, e os do sector privado de outra».

Para o ministro das finanças Teixeira dos Santos as remunerações iriam ser reduzidas e seriam mesmo para continuar e as reformas que até ali não eram tributadas em IRS passariam a sê-lo com a frase na altura “…mas por que é que os reformados não hão de pagar IRS?...”.

Apesar da grave situação económica (e agora também política) que o país enfrentava, as medidas de austeridade apresentadas pelo XVIII Governo não convenceram o Parlamento e a oposição alega que este novo Programa de Estabilidade e Crescimento vai prejudicar ainda mais os já desfavorecidos. A votação contra o PEC 4 do PSD, CDS, PCP e BE fizeram com que o primeiro-ministro viesse demitir-se e a afirmar que a oposição rejeitou não o PEC4, mas "as medidas que o Governo propôs para evitar que Portugal tivesse de recorrer a um programa de assistência financeira externa."

José Sócrates apresenta a demissão em 23 de março de 2011, devido à rejeição do novo Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) 2011-2014. Manteve-se em funções como Governo de gestão até 21 de junho de 2011. Foi ainda este XVIII Governo Constitucional a negociar com a “troika” o pedido de ajuda financeira internacional.

Rematou com a passagem de culpas para Passos Coelho e para os outros partidos ao dizer que a “crise política, neste momento, tem consequências gravíssimas sobre a confiança que Portugal precisa de ter junto das instituições e dos mercados financeiros. E, por isso, os que a provocaram, sem qualquer fundamento sério e sem alternativas, são responsáveis pelas suas consequências."

O que se passou então com a tomada de posse do XIX Governo Constitucional depois da demissão de José Sócrates e das eleições que elegeram uma maioria absoluta em que dois partidos, PSD e CDS, se coligaram para formar governo?

Várias foram as causas que antecederam este desfecho: no dia 12 de março, Pedro Passos Coelho, presidente do PSD, afirmava que as novas medidas do PEC que previa, entre outros, a revisão em alta da taxa de desemprego de 10.8% para 11.2% e o corte nas pensões acima dos 1500€ através da aplicação da Contribuição Extraordinária de Solidariedade, não contariam com o voto dos sociais-democratas.

José Sócrates, em entrevista à SIC, advertia na altura que a inviabilização do PEC abriria uma crise política com consequências «terríveis» para Portugal e falou do FMI e das suas consequências a 23 de março, o Parlamento aprovou os projetos de resolução que rejeitaram o PEC por parte da oposição a o país.

Sócrates classificou a atual crise como «desnecessária, evitável e inoportuna», a acontecer no pior momento para Portugal. Culpou os cinco partidos da oposição que apelidou de «coligação negativa», lamentando que nenhuma força política tenha estado disponível para a negociação do PEC, acusando os partidos de nunca terem querido comprometer-se com a governação

Em Bruxelas, Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, não vê «nenhuma razão» para alterações ao PEC e afirmou que obteve garantias claras de Pedro Passos Coelho de que as metas do programa de estabilidade acordado entre Portugal e a Zona Euro serão cumpridas caso o PSD venha a liderar o próximo Governo. Isto é, a rejeição do PEC 4 que serviu para a demissão do primeiro-ministro e lançar eleições antecipadas foi o conteúdo do mesmo PEC 4 que Passos Coelho assumiu como metas a cumprir para coma U.E.

Em julho de 2011 Passos Coelho, já primeiro-ministro, admitiu que o Governo foi além das medidas incluídas no acordo com a troika, mas salientava que isso era essencial para o regresso de Portugal mais cedo aos mercados internacionais e admitia que o Governo tinha incluído no seu programa não apenas as orientações que estavam incorporadas no memorando de entendimento mas também "como várias outras que, não estando lá, são essenciais para o sucesso desta transformação" do país.

Passos Coelho referiu-se, na ocasião às medidas a antecipar de 2014 para esse ano com o objetivo de reduzir a despesa pública em "cerca de 600 milhões de euros", tendo informado na sua comunicação ao país que seriam centradas nas áreas da segurança social, saúde, educação e empresas públicas.

Não se ficando por aqui tratou dos cortes de salários e pensões. Cerca de dez dias após ter tomado posse, o novo primeiro-ministro anunciou a criação de uma sobretaxa de IRS, equivalente a 50% do subsídio de Natal que fique acima do salário mínimo (485 euros) que afinal verificou tal medida tinha sido desnecessária porque a meta do défice para esse ano, na altura 4,2% tinha sido cumprida.

Houve ainda mais, anunciou também a eliminação dos subsídios de férias e de Natal para os funcionários públicos e pensionistas que ganhassem mais de 1100 euros (o corte progressivo começa para quem recebe mais de 600 euros) e esta medida teria efeitos em 2012, 2013 e 2014., tendo todavia esclarecidos que o retorno dos subsídios seria provisório e que voltariam a ser pagos na totalidade apenas a partir de 2018. Se nessa altura viesse ser governo o que não se verificou seria a promessa cumprida. Desculpem-me a minha desconfiança, mas duvido.

Haveria muito mais para continuar, acho, todavia, que esta amostra é suficiente para termos todos cautela com o que se pretende impor ao Executivo pressionando no domínio do despesismo acelerado como aqueles com que somos diariamente confrontados nos jornais televisivo. Todos queremos tudo, esquecendo-nos que ainda somos devedores de parte dos empréstimos que a troika nos trouxe em troca de medidas que a todos prejudicaram.

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publicado às 22:57

Como chegámos ao CHEGA

por Manuel AR, em 09.10.19

Partido Chega.png

A entrada do “Chega” na Assembleia da República pode ser um rastilho para a xenofobia, o racismo e o populismo, esta última prática política também querida ao Iniciativa Liberal.

Se bem nos recordamos a personagem política André Ventura começou a ter visibilidade quando foi chamado para ser candidato do PSD à Câmara de Loures nas últimas autárquicas cuja responsabilidade podemos atribuir a Pedro Passos Coelho que, contrariamente aos valores a que estávamos habituados no PSD não retirou a candidatura a André Ventura quando este começou obsessivamente a fazer declarações racistas sobre os ciganos e outras enormidades, atributos do perfil das extremas-direita.

Imagem jornal Expresso junho de 2017

Façamos justiça ao CDS ao retirar-se da candidatura que tinha em coligação com o PSD que Pedro Passos Coelho ignorou. Passos Coelho não retirou o tapete partidário àquela figura moralmente condenável.  Partidos da extrema-direita como o de Ventura com discursos populistas e de índole racista e anti etnias poderão levar outros partidos da direita a uma inclinação para um discurso também populista para captarem alguma atenção da faixa de eleitores que, desnorteados, foram capturados pelo radicalismo extremista.

Não sei se o futebol influencia ou não alguns eleitores, o que se sabe é que Ventura é benfiquista e que desde há algum tempo faz no CMTV comentário desportivo, digo, futebolístico, e escreve artigos de opinião para o Correio da Manhã que, por norma, acolhe sempre de bom agrado todos quantos sejam do leque político e ideológico das direitas.

Não terá sido um caso pontual que, no concelho de Alvito no distrito de Beja, um sujeito questionado por uma equipa da TVI no Jornal das 8, em 8 de outubro, ao perguntarem-lhe porque votou no Chega ele tenha respondido: “primeiro porque o Ventura é do Benfica e segundo porque está contra os ciganos”.

Não me admiraria que alguns dos que o escutam naquele canal de televisão e que sejam do seu clube possam ter-se deixado influenciar devido, por um lado, à sua personalidade benfiquista e, por outro, pelo seu xenófobo-populismo. Atenção, este epíteto nada tem a ver com o clube de que ele é fã. Que fique bem claro.

Ventura é “um oportunista, levado ao colo pela comunicação social, cheio de dinheiro, com outdoors em todo o país, apropriando-se de parte do nosso discurso - sem convicção - rouba-nos anos de trabalho” quem afirmou isto foi o seu opositor e ao mesmo tempo concorrente do PNR. “É muito triste” terminou ele.

Ontem no Prós e Contras assistimos a André Ventura, essa pessoa(?) não apenas anti ciganos, mas, quiçá, imbuído também pelo ódio para com outros setores sociais mais fragilizados e outras etnias, a insurgir-se, indignado, contra a imprensa internacional que se tinha referido a ele e ao seu partido como sendo de extrema-direita (podem ver aqui o vídeo aos 44 minutos) e não se referiram à extrema esquerda. Acrescentou ainda que, a comunicação social portuguesa deu cobertura a essas notícias. Será que para André Ventura a censura será o meio para os fazer calar? Ou será também um princípio a encarar no chamado projeto desse abjeto partido. A cegueira política de Ventura é tão evidente que nem se dá conta do que diz, nem do que diz pretender fazer.

A perda de votos do CDS e a pouca ou nenhuma dinâmica que Cristas imprimiu ao partido e até alguns neoliberais descontentes com o PSD terão optado por colocar o seu voto de protesto no Chega e, também, no da Iniciativa Liberal. A mensagem que foi sendo passada de que os partidos tradicionais eram todos a mesma coisa e onde grassava a corrupção contribuiu para a eleição de partidos envoltos em nebulosas contradições nas propostas a maior parte, senão todas, demagógicas, disparatadas e inexequíveis.

O PCP e o BE não terão sido responsáveis pela ascensão de partidos da extrema direita, mas noutro sentido o PCP deve fazer a sua autocrítica. Se perdeu votos nos grandes centros urbanos aos sindicatos por ele controlados o deve. Os portugueses não gostam de greves e manifestações sistemática de cariz mais ou menos corporativa desencadeados por Mário Nogueira da FENPROF com os professores, e da CGTP com o radical anti patrões Arménio Carlos. Veja-se também o caso dos sindicatos de direita como a dos motoristas de matérias perigosos cujo seu representante Pardal Henriques candidato pelo PDR que obteve 0,18% a nível nacional. Será a condução desta greve não terá tido influência.  

Até o PAN, o partido dos animais e dos vegans juntamente com uma miscelânea de ideias ecológicas, conseguiu aumentar substancialmente o número de deputados. Irá este contribuir para o desenvolvimento do país e as das pessoas? Penso que não. O que poderá acontecer é andar em círculos e saltitante durante a legislatura se ela chegar ao fim dos quatro anos.

Como é possível compreender que no nosso país o Partido Aliança de Santana Lopes que, apesar de ser da direita liberal é um democrata cujas ideias já são bem conhecidas e que poderia dar um contributo positivo no parlamento ficassem de fora e partidos com um discurso sem consistência e com mensagens fora do baralho como o da Iniciativa Liberal e outros como o Chega elegessem deputados?

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publicado às 16:41

O diabo da ficção

por Manuel AR, em 30.08.19

Diabo foi embora.png

O jornal Público publicou um artigo de opinião que parece querer fazer dos leitores daquele diário ignorantes e patetas no que à política se refere, totós ou outros com idêntica terminação.

Não será por ignorância, mas por ideias preconcebidas que o artigo tenta baralhar e misturar os dois diabos a que se refere no que, decerto, estão também na cabeça da autora. Existe apenas um diabo o de Passos, o outro está a ficcioná-lo.

O “diabo” a que Passos se referia, cuja imagem parece querer adocicar, era outro, e noutro contexto. Não era o da recessão económica que viria com aquela solução, até porque, o executivo a que ele presidia,  na altura, disse várias vezes que a recessão estava a acabar e que  era a vez do crescimento económico.

O diabo a que Passos se referia era o que iria acontecer com medidas que poderiam vir a ser tomadas pelo governo então constituído pelo PS com o apoio parlamentar de partidos à sua esquerda (PCP e BE). Como por exemplo o regresso aodespesismo. Por favor, não queiram transformar Passos num adivinho que previu, na altura, o que está a acontecer agora, ao fim de cinco anos! 

Ao que António Costa refere não é nenhum diabo, é sobre a realidade que os organismos internacionais e a União Europeia preveem e que a Alemanha também já assumiu pelo que está a tomar medidas.

Se vai aparecer um diabo é uma recessão que nada tem a ver com os diabos internos e assombrações de Passos por a direita ter perdido o seu lugar na governação.

É um artigo de opinião e, como tal, vale o que vale. Mas isto é uma pequena amostra de potencial manipulação de leitores.

É este o jornalismo que temos e, cuja parte a que me refiro poderia muito bem ser colocada numa rede social com o objetivo de baralhar opiniões.

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publicado às 18:53

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Rui Rangel é um dos representantes de um passado triste do PSD e cuja estratégia errada nesta campanha eleitoral manteve sem qualquer mutação. Rangel é a personificação do liberalismo de Passos trazido para 2019 e a recusa da social-democracia que Rui Rio defendeu no início do seu mandato. Rangel quer manter-se à tona, mas a boia que usa parece já estar furada.

O PSD e Paulo Rangel tentaram envolver Cavaco Silva na campanha para as eleições europeias vindo para o terreiro fazer afirmações sobre familiares, tendo sido arrasado achou melhor remeter-se novamente ao silêncio.

Falhada esta tentativa foram buscar Passo Coelho para salvar alguma coisa que pudesse ser salva como pretexto para lançarem acusações ao PS de esconder o passado. De facto, o caso Sócrates foi um anátema que marcou o passado do partido. Passos Coelho por seu lado é outro anátema do passado do PSD que  a pretesto de salvar Portugal deixou marcas profundas na população e caso não se tivesse encontrado outra alternativa estaríamos na mesma, senão pior, dento e no âmbito da U.E.

Passos Coelho é, de facto, a cereja colocada em cima dum bolo estragado que serviu apenas para recordar e comemorar nesta campanha um passado triste. Portugal e a população não querem recordar nem um, nem outro passado, ambos tristes cada um à sua maneira.

Paulo Rangel será visto sempre como o mentor do plano péssimo que tem prejudicado o PSD nesta campanha eleitoral. Aliás, todos sabemos que Rangel é uma espécie de rolha de cortiça que consegue vir à superfície sempre que oportuno. Rangel também não é a flor que se cheire no passado do PSD. Ele mesmo foi um grande defensor das medidas de Passos Coelho no tempo da troika.

Se o PSD ficar abaixo dos 25% há dois culpados: o primeiro Rui Rio por ter escolhido Paulo Rangel para cabeça de lista às eleições europeias e o segundo o próprio Paulo Rangel por insistir em temas já desgastado ao longo dos último quatro anos. Rui Rio, em vez de um bolo fresco e bem decorado para mostrar renovação insistiu em oferecer a fatia do mesmo bolo já congelado.

Paulo Rangel, em 2010, foi candidato à presidência do PSD perfilando-se desta forma como primeiro oponente de Pedro Passos Coelho. Esta candidatura serviu para dar imagem de democracia interna porque, de facto, a linha, e a proposta de Paulo Rangel eram muto idênticas. Rangel foi uma espécie de peão para passar uma imagem de concorrência interna. Após o PSD ter ganho as eleições e durante toda a vigência de Passos Coelho ele foi um dos seus mais acérrimos defensores.

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publicado às 19:12

Cronistas.png

Para quem escrevem os autores de crónicas, opiniões, comentários e outras peças das mais variadas estirpes que se publicam na imprensa escrita? Para o comum do povo não será, com certeza, porque ele não compra jornais e, quando compra, prefere os tabloides de média e baixa qualidade jornalística. Mas vê televisão e compra revistas de coscuvilhices e outros assuntos do mundo caseiro com as últimas modas, ditos e mexericos das ditas “personalidades públicas”.

A pergunta mantem-se: para quem escrevem eles? Talvez para elites que compreendam o seu fraseado. São os fraseadores de opiniões, de escrita complicada lidas apenas pelos que já não precisam de ser doutrinados, isto é, algumas elites de intelectuais que entendem a linguagem rebuscada e metafórica dos escritos das opiniões dos factos mais correntes e comuns da nossa quotidiana política. Quem viveu no tempo da censura sabe que quem escrevia tinha que fazer ginástica para passar as suas ideias. Outra pergunta se pode colocar é a de saber se escrevem apenas para os seus fiéis leitores, sempre os mesmos?  

Então dirão alguns: viva a falta de qualidade e escreva-se tal e qual se fala e pensa no quotidiano popularucho! Veja-se o caso nas redes sociais como as mensagens (e fake news) passam, circulam e permanecem na memória de quem as lê.

Não, não viva a falta de qualidade!

Escrevo na casa de campo na Beira Interior, lá mesmo no meio, onde a Internet e o cabo ainda não chegam, e um modem tipo Hotspot faz o serviço pago ao dia ou ao giga. Citadino bem arreigado desde os meus cinco anos é na grande cidade onde me sinto bem, mas é aqui, rodeado de campo e de vizinhos cuja vida é passada no cultivo da terra para consumo próprio que, quando não consumido e em excessos é desperdiçado. É um modo de vida para fazer passar o tempo onde a monotonia dos dias apenas se altera nas épocas do plantio e da colheita para consumo próprio. Toda esta gente vive do que plantam num sem fim das estações do ano. É um carrocel onde os dias se sucedem sempre num ciclo infernal e espaçado pela obsessão do cultivo dos produtos das épocas. O que produzem não compram, se não compram não entra para o consumo interno. Mas compram. Compram sementes, compram os rebentos dos vegetais que plantam e regam depois do amanho da terra, mas é aqui que em algumas épocas que encontro a paz de espírito para olhar a política com outros olhares e perceber o conservadorismo destas espécies de gentes da beira interior.

Ao escrever esta pequena e simplista crónica, sim, simplista, porque nada tenho de arrogante, sou confrontado com a notícia de pré publicação cujo lançamento vai ser feito a 24 de outubro pelo ex-Presidente da República, Cavaco Silva, do segundo volume de memórias sobre os anos passados no Palácio de Belém, "Quinta-feira e outros dias". Ora aqui está o momento Zen do dia, estórias contadas ao nível do romance político contado ao seu modo. Como bom democrata se estivesse na capital não faltaria ao lançamento já que mais não fosse para fazer número para a enchente. Ficaremos a conhecer momentinhos deprimentes das historinhas de Cavaco quando foi presidente.

Nem de propósito, encontro-me na zona do que foi, em tempo, chamado o “cavaquistão”, tempo do qual muita desta gente das hortas ainda sente saudades, e salta-me esta boa notícia sobre a grande obra cavaquista que fala de Paulo Portas, António Costa, PCP, BE Passos Coelho e mais não digo.

Para terminar e agitar as águas sabem que Marco António Costa, ex-vice-presidente do PSD na anterior direção social-democrata, assume “que foi com “muito orgulho” que foi porta-voz do partido e diz esperar que Pedro Passos Coelho regresse”?

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publicado às 18:55

feliz e contente.png

O senhor Santana sonhou há muito em ter o seu próprio partido e surgiu agora a sua oportunidade. A maneira mais fácil que encontrou para tal foi a fragilidade e a divisão que encontrou no seu partido o PPD/PSD como ele gosta de chamar.

No seio do PSD encontra-se bem instalada a sucia admiradora e seguidora de Passos Coelho que apesar da sua saída continua a manter-se no ativo. Não admira que, portanto, logo a seguir à constituição do partido Aliança do senhor Santana causou um cisma no partido mais pela emoção da perda para Rui Rio do comando.

Entretanto, pelo meio das convulsões provocadas pelo cisma os que ainda não foram convencidos pelo senhor Santana organizam-se para tentarem acabar com o que restará dos destroços do PSD.

Nesta linha encontra-se o movimento “Chega” à frente do qual se encontra André Ventura, anti cigano, “passista” neoliberal de tendência anti étnica e pro racista que foi candidato pelo PSD à Câmara de Loures.

O movimento “Chega” lançado pelo atual vereador do PSD em Loures destina-se a substituir Rui Rio na liderança e colocar o partido no "espectro ideológico do centro-direita português", com grande objetivo da eleição de uma nova liderança do PSD e a apresentação, a todas as distritais do partido, de um documento global de compromisso com os valores da social-democracia portuguesa (?). Será quer podermos esperar de gente como esta que o PSD restabeleça os valores da social-democracia. Todos nos recordamos como o slogan para reeleição de Passos Coelho no congresso era “Social-democracia, sempre!”, coisa que, ele e o seu grupo que deixou como semente, nunca foram.

Vem agora este falso social-democrata contribuir para mais divisões no PSD. Não é gente como esta, senhor Santana e senhor Ventura que farão que o PSD seja uma oposição credível. O que está em causa para aquele “senhor feliz” e para este “senhor contente”  são questões de projetos pessoais e de visibilidade política, ou, então, são apenas títeres de forças internas no partido, mais fortes do que se pensa que Passos Coelho deixou plantados e que não se mostram publicamente.

Aliás, no artigo de opinião contra a não nomeação de Joana Marques no cargo de PGR, escrito de Passos Coelho, publicado no órgão oficioso da direita encontramos alguns sinais se lido nas entrelinhas.

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publicado às 20:42

Resistência à mudança no PSD

por Manuel AR, em 26.02.18

PSD_Mudança.png

Verifica-se no interior do PSD uma tendência para opiniões mais ou menos radicalizadas quanto a orientações de política partidária, mas que deveriam ser mais de reflexão ideológica interna. A exaustão neoliberal de partidários da linha seguida por Passos Coelho não abandonou o aquartelamento derivados da síndrome da perda do poder. Isto agrava-se pelo facto da tendência para resistir à mudança de opinião derivada das mudanças de opinião sobre o que ser o partido deve ser no futuro, mas há várias camarilhas, isto é, grupos colocados em lugares de influência que os utilizaram, ou não, em seu benefício e no dos seus protegidos lesando interesses mais gerais criados durante os longos anos de governação neoliberal do PSD de Passos Coelho.

No interior do PSD está formalmente estabelecida a resistência ao novo líder do partido, cometida pela direita neoliberal infiltrada durante o mandato de Passos Coelho, contra o restabelecimento ideológico dos princípios da social democracia.

Ouvem-se por aí militantes de destaque do PSD em debates a tentarem depreciar os aspetos ideológicos do partido que, por inerência, estão presentes em todos os partidos consignados nos seus programas que são, ou deveriam ser, uma orientação para os seus eleitores. Não se percebe, portanto, porque aqueles senhores afirmam que as questões ideológicas do partido não estão presentes. Esta tomada de posição serve os intentos das alas mais neoliberais do partido para nos fazerem crer que são um partido pragmático onde a ideologia não está presente.

Com Passos Coelho o partido virou radicalmente à direita, agora, Rui Rio pretende virar-se contra a ortodoxia da oposição interna deixada pelo anterior líder e centrar o partido, isto é, colocá-lo no centro direita. O caso da bancada parlamentar do PSD é a outra parte oposicionista da oposição interna a Rui Rio conforme foi demonstrado pela a eleição atribulada dos votos em Fernando Negrão para líder da bancada.

Com Rui Rio as pressões internas irão manifestar-se ainda mais e no segredo dos corredores do partido para não se assumir o posicionamento ideológico da social-democracia que há muito perdeu, não havendo a certeza se alguma vez o tenha sido. Rio está a tentar retirar o partido do acantonamento neoliberal onde o colocaram a reboque da troica, ou melhor, aproveitando-a para os seus objetivos governativos cujos projetos e promessas pré-eleitorais vieram posteriormente a abandonar sempre a pretexto da intervenção externa. Os comentadores afetos ao PSD, quando atualmente pretendem referir-se ao governo da aliança PSD-CDS enquanto tal, em vez da utilização do nome do partido preferem mencionar apenas governo do tempo da troica. É o mesmo que ocultar o sol com a peneira.

Face à tentativa de Rui Rio pretender recentrar o partido para o retirar do seu acantonamento neoliberal o CDS reivindica agora que as ideias de Rui Rio são as mesmas do CDS chegando Assunção Cristas a afirmar que as prioridades de Rui Rio “já fazem parte do ADN do CDS”. O CDS quer mostrar uma viragem à esquerda e, ao mesmo tempo, mostrar que é de direita. No congresso que se vai realizar-se em março quer apresentar-se por um lado como um partido com preocupações sociais e, por outro, que é um partido de direita reformista para tentar captar os votos dos adeptos mais à direita e adeptos das políticas de Passos Coelho. O CDS,  depois de ter apoiando o discurso neoliberal e anti geracional de Passos, e de ter ultrapassado todas as linhas vermelhas quando esteve em coligação com o PSD, tem o descaramento de denominar o texto a apresentar ao congresso “Portugal: compromisso de gerações” e que pode ler no jornal Expresso. Segundo indica a moção, é livrar o CDS de “preconceitos” para se apresentar como um partido não de “quadros” e “ricos”, mas de todos, e até como a escolha mais fresca, “irreverente”.

Ao CDS pelo menos atrevimento e descaramento não lhe faltam. Para eles o que é hoje pode já não o ser amanhã.

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publicado às 21:11

Rui Rio e Passos Coelho.png

A) O Pedro

O 37º Congresso do PSD abriu a porta com o já esperado discurso de Passos Coelho que, dito à laia dum mestre-escola do passado, foi enfadonho e não trouxe nada de novo. Foi uma volta e uma revolta com desabafos sobre o passado, foi a declaração da síndrome de perda de poder e a tentativa para capitalizar (para o seu ego) os sucessos do atual Governo com a demonstração de alguns laivos de usurpação descarada.

Mais uma vez Passos Coelho utilizou um apagador de giz para apagar o que foi gravado, pelo seu governo, com ferros em brasa na memória da maioria das pessoas. Mais uma vez, e como já nos habituou, omitiu, alterou, deturpou, misturou realidades diferentes, enfim, utilizou a demagogia para se autojustificar das políticas que conscientemente praticou e continuaria a praticar caso viesse a ser novamente governo.  A síndrome da perda de poder continua a fazer dele um político do passado, neoliberal, com uma ilusão doentia e persistente que também passou aos seus fiéis diletos, a de que poderia ter governado durante uma legislatura completa com uma minoria de direita da Assembleia da República.

Para demonstrar a sua tese do diabo apresentou uma lista de países com índices de crescimento muito superiores ao nosso para ignorante iludir. Uma comparação linear, sem sequer tomar em conta outros indicadores, com países de realidades políticas e sociais diferentes das nossas, com governos de direita cujas práticas democráticas levantam sérias dúvidas, alguns deles até com governos próximos da extrema direita. Terá sido uma projeção/ identificação com as políticas que Passos gostaria de ver implementadas no nosso país?  Por outro lado, são países que não estiveram sujeitos a intervenção financeira nem tiveram durante esses períodos governos que destruíram a economia em nome do que chamavam reformas estruturais.

Mas tanto se fala no PSD de reformas estruturais que se esquecem de que estiveram cerca de dez anos consecutivos no poder com Cavaco Silva mais cinco consecutivos com Passos Coelho que como já disse várias vezes, fez promessas que não cumpriu e mentiu ao prometê-las e omitiu sobre o que pensava fazer quando estivesse no governo, isto entre 2011 e 2015.

Enfim, um lamento do poder perdido e o anseio pela vinda do diabo que o ajudasse.

 

B) O Rio

Rui Rio no seu discurso de abertura foi mais coerente e forte do que o seu antecessor. Não agitou as águas do congresso com aplausos e é compreensível. Nas eleições diretas Rui Rio não obteve uma vitória retumbante, ganhou com escassa margem tendo obtido 54,3% dos votos relativamente a Santana que obteve 45,6%. A vantagem de apenas 8,7% dos votos não lhe irá dar margem de manobra suficiente para poder agradar à ala neoliberal apoiante de Passos Coelho que foi muito aplaudido.

O partido está radicalmente dividindo entre duas forças que se querem fazer ouvir uma com potencial matriz social-democrata e outra de direita neoliberal com saudosismos dum passado e que, como Passos Coelho ainda não se purificou do trauma das eleições ganhas, mas perdidas no Parlamento.

Tenho afirmado neste blogue que o PSD com Passos Coelho perdeu a sua identidade como partido social-democrata, embora saiba que não foi bem assim. O que se passou foi a radicalização do partido à direita que, por si mesmo, já era de direita. Aliás no Parlamento Europeu o PSD está inserido na família dos liberais e não dos sociais-democratas. Este conceito voltou a aparecer com Passos Coelho no último congresso quando surgiu o slogan “Social-democracia sempre!”. Volta agora a surgir com Rui Rio como uma espécie de libertação do passado neoliberal preconizado pelo anterior líder.

Não nos iludamos, o PSD continuará a ser um partido de direita que se radicalizou, basta ver o germe deixado por Passos Coelho que não deixarão que Rio faça uma ligeira inclinação mais para o centro. Nem tao pouco o discurso conciliador de Santana Lopes irá possibilitar isso. Está como afirmei infiltrado o vírus do “passismo”. O descontentamento dessa “pedra mental” que é Hugo Soares e a intervenção de Luís Montenegro, entre outros não manifestos, são disso a prova. Rui Rio ainda sem começar já tem a cabeça a prémio e sofre ameaças cuja origem está definida: os eis passista ressabiados. Disse Montenegro que, à semelhança do seu mentor dileto, também anseia pela chegada dos diabos, mas desta vez dos externos e dos internos e recomenda ao atual líder para “se afastar da intrigalhada”. Sabe do que fala, porque ela virá por certo, e sabe-se qual poderá ser a sua origem.

Rui Rio quis dar sinais de abertura para as duas correntes em “confronto”, porque é disso que se trata, e tenta, com o convite a Santana Lopes agradar aos “troianos” e co Elina Fraga para agradar aos “gregos”, mas a tentativa de unidade foi ensombrada e confronto esteve patente com Montenegro, muito aplaudido, sabemos porque ala, e por motivo contrário Elina Fraga apupada pela mesma ala. A surpresa polémica foi a escolha de Elina Fraga para uma das vice-presidências. A ex-bastonária dos advogados atacou o Governo PSD de Passos Coelho com um processo devido ao mapa judiciário, em 2014.

Nada mais a acrescentar na ocorrência que foi este congresso do PSD. Abertura de Rui Rio, para o interior e para o exterior do partido, radicalização da ala neoliberal, ameaças de candidaturas à atual liderança do partido caso esta não ganhe as eleições em 2019. Em conclusão: Rui Rio vai ter uma dura tarefa pela frente porque não vai ser fácil expurgar a ideologia, que os neoliberais dizem não existir. Foi muita a retórica, mas com pouco conteúdo objetivo, nem por parte dos seus aposentes e muito menos dos seus opositores que continuam na bancada parlamentar à espreita e cuja estratégia vai ser, mesmo com um novo líder de bancada, e até á eleições, mais do mesmo.

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publicado às 19:14

Paradigma Socialista.png

Uma notícia da jornalista Sónia Sapage publicada no jornal Público de hoje vem confirmar o que ultimamente tenho vindo a prever. O grupo de sapa da ala neoliberal do PSD, devota de Passos Coelho e apoiante de Santana Lopes nas eleições diretas, estão  a levantar a voz com exigências a Rui Rio.  

Segundo aquele jornal Miguel Pinto Luz ex-líder do PSD-Lisboa e atual vice-presidente do Município de Cascais assinou uma longa carta, com quatro páginas A4, dirigida ao líder eleito do PSD. O atual vice-presidente de Carlos Carreiras na Câmara de Cascais traça as linhas vermelhas que Rio não pode ultrapassar: na descentralização, no orçamento, em questões europeias. E deixa sete perguntas a Rui Rio.

Ainda segundo o mesmo jornal aquele que esteve para ser candidato a líder do PSD para além de propostas e sugestões a Rui Rio, como por exemplo a da limitação dos mandatos dos deputados, deixa, sobretudo, sete perguntas à espera de uma resposta de Rui Rio e que são apresentadas abaixo e que podem confirmar aqui:

  1. O que pensa sobre a sustentabilidade do Estado social em Portugal? Como deve ser reformado?
  2. O PSD vai defender o aprofundamento da liberdade de escolha para as famílias, nomeadamente na educação e na saúde?
  3. Como garantir a sustentabilidade do sistema de pensões, respeitando os pensionistas sem penalizar as novas gerações?
  4. Qual a sua proposta para harmonizar o contexto laboral num país com milhares de trabalhadores com vínculos precários?
  5. Que medidas vai apresentar para reter o talento dos nossos jovens, produzidos pelas universidades?
  6. Qual o papel do Estado no apoio à Ciência e à Inovação?
  7. A atividade cultural deve merecer apoio público?

Uma análise atenta às perguntas mostra que podem ser uma espécie de armadilha para obrigar o atual líder a definir a posição ideológica orientadora do partido e não parecem ser de resposta fácil. Para quem quer o regresso do partido à social-democracia real que não esteja apenas num nome, mas que seja exercida na prática é mesmo uma armadilha.

As perguntas são uma forma de pressão sobre o líder eleito para o cumprimento dum programa neoliberal que possibilite uma reversão das medidas tomadas pelo Governo com o apoio da atual maioria parlamentar.

A primeira pergunta, sobre a questão da sustentabilidade e já mais do que conhecida e sobre as quais o Governo já fez algumas alterações. A pergunta é uma armadilha ao dizer de forma vaga “respeitando os pensionistas” sem mais. Sobre esta questão todos ficámos a saber no passado o que se pode esperar.

A segunda é mais do que evidente pretende o regresso à balbúrdia dos contribuintes voltarem a subsidiar os colégios do ensino privado através dos impostos e do qual apenas se aproveitam os que têm mais desafogo económico.

A pergunta três é demagógica e pretende mostrar hipocritamente que se interessa, como a esquerda, pelo problema quando durante os mandatos do governo PSD e CDS estes partidos nunca se pronunciaram nem tomaram qualquer medida objetiva para uma solução. Agora lembram-se!

A quarta pergunta é hilariante. Medidas para “reter o talento dos nossos jovens, produzidos pelas universidades”. A memória é fraca. Esquecem-se que milhares de jovens foram obrigados a sair país no governo do seu devoto e quase eis líder do partido. Ah! É verdade culpa da troica.

A quinta pergunta terá sido inspirada pela narrativa socialista e que consta do seu programa eleitoral. Ou terá sido mesmo plagiada?

A sexta pergunta sobre se a atividade cultural deve merecer apoio público, para além de ser ambígua parece ser tirada duma anedota.  Mas esta ala do partido o que pensa? Que seja ou não apoiado. Se ao responder disser sim eles dizem que não deve porque isso é socialização da cultura. Se ao responder disser não podem vir a dizer que sim pois que a cultura é importante para o país. Ou então pode ficar-se na chamada meias-tintas Estranho é que, quem passou a cultura para secretaria de estado venha agora pedir medidas sobre a cultura que a corrente que representam foi sempre residual.

O que se irá passar no PSD não interessa apenas aos seus militantes e aos seus eleitores crónicos, mas também a todos nós porque de armadilhas ficámos fartos durante os anos de governação PSD-CDS.  

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publicado às 18:28

Walking Deads da política

por Manuel AR, em 04.02.18

Politica_WalkingDeath.png

1. Depois dos discursos de revelações apocalípticas provindas do azedume duma perda, o PSD, ou melhor o seu quase eis líder Passo Coelho, lança-se numa nova cruzada que ainda faz eco em muitos dos que o apoiam e faz diatribes casuísticas de oposição ao Governo numa espécie de personagem do “Walking Death”. A última foi num encontro com autarcas na Guarda onde considerou ser "inquietante", numa alusão à falta de esclarecimentos do Governo sobre o caso de "irregularidades graves que ocorreram no âmbito da adoção de menores", referência a "casos de corrupção ao mais alto nível da sociedade" relacionado com adoções ilegais de crianças, (presumivelmente praticados por elementos da IURD), lamentando que o Estado "se refugie no andamento da Justiça”. Ora, a afirmação do quase eis líder do PSD vem de encontro às suspeições que publiquei num post, que podem ver aqui, sobre uma manifestação efetuada por um dito movimento cívico autodenominado Movimento Verdade, com senhoras vestida de preto, à moda dos óscares de Hollywood,  para "exigir respostas" sobre os casos de adoções ilegais que envolveram elementos da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) que está em investigação e que, como tal, não deverá haver lugar à intromissão do Estado como Passos defende. É legítimo fazer a ligação entre o dito movimento com as senhoras vestidas de preto sobre as quais afirmei na altura ser promovido pela direita aproveitando mais um caso para dar uma ajuda à oposição, ou à falta dela, através de populismo demagógico.

2. Os jovens de direita filiados na JSP em busca duma carreira política após as eleições no seu partido já se encontram muito ativos e estão a preparar programas à sua medida para não perderem o comboio com a eleição de Rui Rio. Defendem uma agenda focada na gestão dos fundos comunitários e no conhecimento como forma de reforçar a coesão territorial. Os jovens neoliberais também já falam na valorização do conhecimento. Terá sido inspirado no programa do PS?

Mas há uma palavra, essa sim, plagiada discurso de ano novo do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, reinventar. Dizem estes jovens que “Portugal precisa de se reinventar, garantindo a sustentabilidade dos territórios e das novas gerações. É aqui, na resolução dos problemas concretos que o PSD se deve apresentar com uma agenda capaz, um discurso claro e uma vontade férrea”. Palavras lindas, mas vazias de conteúdo para uma praxis “férrea”.

Falam também da “necessidade de reforçar a coesão territorial, um conceito que a JSD diz ainda estar em construção”. Pois é isso de estar em construção pode ser por tempo indeterminado, também já ouvimos isso do seu quase eis líder ao longo que quatro anos sobre cortes e tudo mais que não me apraz repetir. Mais uma tirada com referência ao “relatório europeu mais recente sobre a coesão que é citado onde reconhecem que "as disparidades regionais no PIB per capita permanecem pronunciadas, o que reflete a intensa concentração de crescimento em áreas metropolitanas." Que grande novidade! Esta foi mesmo reinventada. O tema das disparidades territoriais já estudava na faculdade em planeamento regional e local. Até hoje quantas vezes é que o PSD esteve no governo e alguma vez teve a vontade política para tratar este tema. Mas agora sim, é que vai ser.

Outro ponto parece ser também quase plagiado do programa do PS mudando as palavras quando abordam o tema mais uma vez, a área do conhecimento e da digitalização, fazem uma “agenda para a valorização económica destas matérias e a definição de planos de desenvolvimento regional que passem por aplicar estratégias da especialização inteligente”. Que frase bonita para apresentarem. É caso para se perguntar se foi apenas agora que descobriram esta necessidade do país depois de tantos anos. Caros “jotasdeanos”, disso já o PS falava no tempo de Sócrates, lembram-se?

3. Entretanto os apoiantes de Rui Rio começam a preparar-se para o congresso de fevereiro que irá confirmá-lo como presidente social-democrata e onde irão apresentar uma revisão estatutária para ir a votos apresentando uma proposta "séria, que pusesse o partido a olhar para si", dizem. Da proposta fazem parte medidas como a adoção do voto eletrónico, a obrigatoriedade de referendar coligações pós-eleitorais e a necessidade de o candidato a presidente do partido ir a votos com os nomes que pretende que façam parte da sua Comissão Política Nacional. A maior mudança pode mesmo vir a ser a das eleições diretas. O grupo sugere que aconteçam em simultâneo com o congresso, devolvendo ao PSD a mística dos grandes congressos.

Tudo isto parece ser promissor o que Rui Rio não pode esquecer é da oposição que os neoliberais do partido criados à volta de Passos Coelho estão preparados para uma oposição férrea após Santana ter perdido as eleições internas. Os fiéis seguidores da linha de Passos como Luís Montenegro autoexclui-se da futura direção de Rui Rio e assume divergências sobre a estratégia política. Outro da ala direita mais radical, membro da equipa de Santana Lopes, Carlos Carreiras, quer construir uma “proposta radicalmente alternativa ao socialismo”. Muitos outros estão a postos numa atitude conservadora e de oposição à inovação do partido e ao seu regresso a uma espécie de social democracia.

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publicado às 19:44


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