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Após a “bronca” do convite de Luís Filipe Vieira  para que o senhor primeiro-ministro António Costa integrasse a Comissão de Honra de candidatura à presidência do Benfica, após a retirada da dita comissão e após as vozes contrárias ao convite se terem aparentemente calado o senhor primeiro-ministro António Costa parece estar possuído de uma qualquer síndrome de incertezas quando comunica ao país medidas tomadas, a tomar, ou a não tomar, para debelar ou mitigar a crise que ataca a saúde pública no que se refere à covid-19.

Contrariamente à primeira fase da pandemia onde as medidas foram enérgicas e atempadas nas suas últimas intervenções, talvez devido ao cansaço, parece apresentar uma falta segurança quanto ao que diz no que à covid-19 se refere. Esta insegurança poderá ter como causa os contactos com entidades e especialistas que lançam para o ar pontos de vista contraditórios que me parecem ser mais opiniões do que dados científicos.

Na semana passada na conferência de imprensa, após a reunião do gabinete de emergência para a vovid-19, António Costa lança para o ar nada de novo, colocando-se numa atitude de vocês aí amanhem-se e protejam-se uns aos outros porque se a coisa agravar a responsabilidade é vossa.

"A manter-se esta tendência, chegaremos aos mil novos casos por dia. Temos de travar esta tendência. Não podemos parar o país", declarou o primeiro-ministro na conferência de imprensa. E acrescentou ainda: "Agora, não vamos poder voltar a parar o país, como aconteceu em março. Agora, o controlo da pandemia depende da responsabilidade pessoal de cada um de nós. Não podemos voltar a privar as crianças do acesso à escola, não podemos voltar a proibir as famílias de visitarem os seus entes queridos nos lares, não podemos separar as famílias no Natal como fizemos na Páscoa. Temos mesmo de travar a pandemia por nós próprios através da nossa responsabilidade pessoal".

São verdades que aparentemente parecem ser incontornáveis. A escolha é uma das três: economia, infeção covid ou morte. Claro que a economia prevalece porque sem economia a infeção covid continua e a morte surge lenta, mas inexoravelmente. A morte social pela morte da economia conduz à morte física no seu todo quando não pelo menos ao nível psicológico.

O que o primeiro-ministro disse na conferência, contrariamente ao que disse na primeira fase da pandemia, demonstrou falta de sensibilidade social para com setores mais frágeis e desresponsabilização pelo que venha a acontecer no futuro próximo, mesmo que ao Estado caiba a responsabilidade pela saúde pública.

Se no início de setembro António Costa se indignava porque o governo britânico condicionava os seus cidadãos que regressassem de Portugal a uma quarentena obrigatória agora deixou de fazer parte das suas preocupações.

Quando o resto da Europa reage a escalada de novos casos com restrições parciais devido à aceleração no ritmo de contágio está a ser evidente que na maior parte dos países europeus os Governos evitam confinamento total, mas adotam medidas focadas em regiões e sectores específicos para tentar travar número de novos casos, em Portugal parece vir a seguir-se o modelo da Suécia pela estratégia do chefe de governo António Costa. Modelo mais desumano e de despreocupação pela saúde publica e de desinteresse pelos mais idosos do país.

Se há poucas semanas os noticiários das televisões nos atulhavam e atulham nas horas de ponta com o que se passa nos lares de todo o país António Costa agora até já nem se importa com isso quando afirma que “não podemos voltar a proibir as famílias de visitarem os seus entes queridos nos lares.”. Estranha-se esta afirmação quando é sabido que o vírus é transportado para o interior dos lares por pessoas do exterior. Ou será que são produzidos pelos velhinhos que lá se encontram acamados ou não? Podemos colocar ironicamente a seguinte questão: será que transportar o coronavírus para o interior lares de idosos poderá ser bom para segurança social que, com um maior número de mortes, acaba por pagar menos reformas.

O primeiro-ministro António Costa pretende agora adotar o modelo sueco esquecendo-se de que na Suécia o comportamento social dos suecos nada tem a ver com o dos latinos a que, nós portugueses, feliz, ou infelizmente, pertencemos. Os suecos são um povo dado a poucos contactos considerados socialmente físicos de abraços e beijinhos. Dão muita importância e gostam de manter a distância do seu espaço pessoal e, como tal, gostam que não o invadam, evitam toques e contactos físicos desnecessários. Assim, para eles o combate à covid-19, é visto hoje como uma visão totalmente normal. Nós os latinos somos especialistas nos contactos físicos os suecos encantam mais pelo uso da palavra e pela maneira como expressam exteriormente emoções

O Governo sueco deixou a cargo dos cidadãos a responsabilidade pela sua saúde. Não impôs um confinamento à população, antes apelou às pessoas para que aplicassem o distanciamento social físico, comportamento que não é muito difícil de adotar num país com baixa densidade populacional e cuja cultura valoriza o individualismo e a autodisciplina e onde restaurantes, bares, ginásios, lojas e cabeleireiros mantiveram-se em atividade. Desligando-se dos problemas dos locais descurou também a situação dos locais onde se encontram os seus idosos.

A população da Suécia é de 10 milhões e 278 mil habitantes aproximadamente o mesmo número de população de Portugal 10 milhões e 286 mil habitantes, (fonte PORDATA estimativas em 2019). A Suécia apresenta hoje, 20 de setembro, um total de 88237 casos e 5865 óbitos por covid-19 contra os 68025 casos e 1899 óbitos de Portugal, números muito menores do que os da Suécia.

No início de agosto de acordo com a Bloomberg o Produto Interno Bruto (PIB) sueco foi de -8,2% no segundo trimestre numa primeira estimativa do Instituto Nacional de Estatística da Suécia. As previsões dos economistas apontavam para uma queda homóloga de 7,4%. Os dados provisórios representam o pior desempenho económico trimestral desde que há registos.

Ao contrário dos outros países nórdicos, a Suécia não impôs um bloqueio total na economia e na vida dos cidadãos, tendo apenas dado indicações gerais sobre o confinamento parcial da sociedade. Esta estratégia resultou numa das taxas de mortalidade mais elevadas de toda a Escandinávia. No entanto, a Bloomberg aponta que as novas informações indicam que, apesar da estratégia suave, o país poderá não ter conseguido manter o nível de consumo por parte dos cidadãos.

Na passada quarta-feira, o banco central sueco manteve as previsões realizadas em abril. No primeiro cenário, o produto interno bruto (PIB) poderá contrair 6,9% em 2020, antes de voltar a crescer 4,6% em 2021 e numa previsão mais negativa, prevê que o PIB poderá contrair 9,7% e a recuperação mais lenta, crescendo apenas 1,7% em 2021.

Se comparamos com as previsões em Portugal as diferenças são relativamente poucas, mesmo tendo em conta as diferenças das economias até 17 de setembro e de acordo com o Conselho de Finanças Públicas Portugal terá em 2020 uma queda no PIB de -9,3% prevendo-se que irá crescer em 2021 4,8%.

António Costa parece assim querer aguentar a economia mesmo que tenha de recorrer às ideias da espécie de cientista louco, Anders Tegnell, epidemiologista chefe da Agência de Saúde Pública da Suécia que tem aconselhado o governo sueco. Aliás o primeiro-ministro da Suécia foi criticado e admitiu ter havido erros. Mas disse também querer manter a sua estratégia. O epidemiologista Anders Tegnell, que desenhou a resposta da Suécia à pandemia também admitiu que morreram demasiadas pessoas e que podiam ter sido impostas mais restrições.

Por aqui também alguns jornalistas traçam opiniões favoráveis à estratégia sueca e não me parece que “a pulsão de vida, de vida em sociedade, é aquilo que, em última análise, vai conseguir a cura.”. O medo e o controle pela segurança de cada um individual e coletivamente quebram a produtividade e a insegurança por desconhecimento do que o futuro lhes reserva não faz gastar dinheiro aos cidadãos para que ajudem a funcionar a economia. Um dos maiores problemas não é a perda de consumo interno é o recuo das exportações devido ao recuo de encomendas do estrangeiro que está também a braços com um perigoso aumento de casos covid.

O que é grave é que António Costa agora pareça agora querer seguir o modelo que se reconhece estar errado por muitos elogios lhe façam em vez de adotar modelos mais originais é para isso que servem os gabinetes de crise de saúde pública em situação pandémica.

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publicado às 17:41

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A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente.

Albert Einstein

Vivemos dependentes da inexorabilidade do tempo. Ao longo de décadas impõem-nos o ritmo alucinante do quotidiano. No exato momento em que escrevo estas linhas, o tempo deixou de ser presente, pertence já ao passado. O que escrevo projetam-se para um futuro mais ou menos próximo até que eu, ou algo, as destrua, sem o que será mais uma pegada digital.

Toda a interação humana ocorre num determinado espaço e tem uma duração específica de tempo. O conceito de tempo faz parte do homem, mas para Kant, filósofo do século XVIII, o tempo não é um conceito é uma intuição, é uma forma a priori da sensibilidade, juntamente com o espaço. O tempo é uma intuição pura a priori no plano da sensibilidade, é uma noção objetiva de observação e não é extraído da experiência e é prévio a qualquer experiência.

Esse conhecimento denomina-se a priori e distingue-se do empírico, cuja origem é a posteriori, ou seja, baseado na experiência. Todavia, alguns conhecimentos vindos da experiência já são conhecidos a priori, porque não são extraídos desta, mas sim de uma regra geral, que foi de início buscado na experiência, assim Kant nomeia os juízos a priori puros, aqueles que são independentes de qualquer experiência, como o de tempo.

Filósofos de várias correntes do pensamento refletiram sobre a questão do tempo mostrando que ele indica o caminho do homem, e das sociedades como entidades coletivas do passado que foi presente, do presente que deixa de o ser quando passa a futuro que é uma continuação do presente.

Cada um de nós desde criança teve e tem o seu espaço vivido que se prolonga, alarga, estabiliza e adensa de experiências múltiplas que se quebram por descontinuidades. A primeira descontinuidade, a mais relevante, marca a passagem da adolescência ao universo dos adultos que por norma acontece através da dupla experiência do casamento e do primeiro trabalho. Esta sequência que no passado parecia imutável foi quebrada no presente pelo ritmo frenético das sociedades com a permanência na casa dos seus progenitores prolongada no tempo pela difícil procura de trabalho que abre novas relações sociais e cria rigorosas obrigações, mas que escasseia e sem remunerações que permitam uma independência para constituição de família.

O espaço vivido da idade adulta tem de se integrar num espaço ordenado que por ser cada vez mais social deixa de ser apenas pessoal e passa a alinhar com obrigações de outras pessoas e dos próximos é um problema da liberdade individual que se coloca em termos de espaço físico. Pessoas e coisas movem-se através do espaço num determinado tempo. O espaço virtual da World Wide Web com as redes sociais quebraram as barreiras do espaço físico vivido nas sociedades muito urbanizadas alcançando contactos com pessoas distantes de outros espaços e sociedades. 

A Internet veio encurtar o tempo de interações com outras pessoas independentemente do espaço e da distância em que se encontram e também alterar a perceção do tempo pela comunicação é imediata.

Ao longo da sua vida o homem alcança espaços diferentes ao ritmo do tempo e da escala das distâncias. A não ser o espaço da divisão do apartamento onde vive, cujas paredes pode alcançar apenas com o estender dos braços, o resto da casa, o bairro, o centro da cidade, a região, o resto do mundo são articulados com o quotidiano, o semanal, o mensal, o excecional, respetivamente.  

O registo da passagem do tempo é feito pela escrita através dos livros e também pelos arquivos virtuais da tecnologia digital que oferece a possibilidade de conhecer o que se passa e se passou com as pessoas, a natureza e a sociedade que servem para compreendermos a sequência dos acontecimentos. São registos de escrita sequencial, ou fragmentada pela hipertexto quando em ambiente digital, da sucessão dos acontecimentos. Todavia há uma diferença entre o que se lê e que foi registado e o que é percebido por quem lê o registo escrito; a visão do quadro descrito muda de pessoas para pessoa.  A escrita aprisionou o tempo para, ao saber o que aconteceu no passado e com os olhos no presente, tentar hipoteticamente prever “o depois”, o futuro.

O que hoje se ensina no mundo com os esquemas curriculares, obrigatoriamente lecionados nas escolas, já não será o que no futuro aqueles que se formaram irão encontrar e em que terão de atuar e intervir. Isto é tão evidente que a evolução se faz em tempo cada vez mais acelerado, exatamente o contrário do tempo demorado em que necessariamente se traduz a tentativa de integração social pela longa disciplina escolar.

O tempo condiciona em cada momento a informação que nos chega pelos meios de comunicação social. O que é verdade hoje pode não sê-lo amanhã e que deixa de ser presente passando a pertencer ao passado pelo que, no presente, podemos desmentir verdades que já o foram no passado.

 O jornalista, o cronista, o analista, o ensaísta e o cientista vivem o presente e servem-se do passado para explicar o presente, fazem prognósticos sobre o futuro, mas, quando leio o que escreveram ou disseram já é do passado.

O processo de registar o que se passa no tempo envolvendo simultaneamente os sentidos da audição e da visão, o audiovisual (os outros sentidos são acionados pela imaginação), é a televisão e o seu registo em videotape. Através deste meio o fator tempo entre um facto e o conhecimento público foi eliminado pelas reportagens em direto, gerando reações imediatas, muitas vezes emocionais. Muito tempo depois do facto acontecido, e conhecido pelo público, o registo em filmes ou videotapes possibilita reviver o acontecimento registado no passado. É o tempo aprisionado. Pela leitura temos de fazer um esforço para criar um quadro mental para reconstituição do facto, com o audiovisual temos o registo total. Revemos os acontecimentos e tomamos consciência como se estivéssemos presentes e dá-nos a sensação de sermos participantes do acontecimento. A televisão introduziu um elemento na noção de tempo. O tempo não pode ser parado daí o haver um histórico do passado o que a televisão possibilitou é registar o que acontece de maneira a poder repetidos como se fosse o original.

A televisão vista de forma global levanta-nos outro problema: a identidade nacional dos países. Os canais emissores estrangeiros transmitidos e controlados pelos grandes centros podem atingir os menos influentes e poderosos que começam a moldar a reação pública de acordo com os interesses de quem transmite, o que facilita que um grupo humano, em contacto contínuo com outro grupo humano de cultura diferente, adote os valores e práticas culturais desse outro grupo. O peso do que é enviado pelos canais transmissores à escala planetária atinge todos os países e Portugal não escapa a essa espécie de aculturação a distância.

Entre as várias questões que se levantam colocam-se duas que me parecem importantes e para as quais se procuram respostas: qual impacto da invasão pelos meios de comunicação televisivos e internet? O que acontecerá ou (o que está a acontecer) à identidade nacional face à massiva divulgação de hábitos, crenças, conhecimentos e orientação política vinda do exterior num contexto do interesse nacional dos produtores e emissores de conteúdos?

A assimilação pelas novas gerações de novos hábitos, modas e inovações que se desvia das culturas autóctones é facilitada por via da televisão e da internet e ainda pela facilidade de deslocação a outros países devida aos baixos custos de viagens aéreas low cost e a programas do tipo Erasmus.

O conceito de geração é mais amplo do que o conceito de idade e está estritamente associado

a influências de normas, fruto dos diversos papéis sociais exercidos ao longo da história. A noção clássica de geração fazia referência ao conjunto de pessoas que, por terem nascido no mesmo período histórico, receberam ensinamentos e estímulos culturais e sociais similares e, por conseguinte, têm gostos, comportamentos e interesses em comum. Isto é, definia-se geração como sendo o grupo de indivíduos que sucederam aos seus pais.

Nos últimos 50 anos assistimos a uma aceleração temporal quanto ao modo de fazer as coisas e aos modos de produção com o desenvolvimento das tecnologias que se marcaram sucessivamente no tempo. O intervalo entre uma geração e outra ficou mais curto. Hoje, já se pode falar em uma nova geração a cada dez anos. Os jovens que nasceram cercados pela internet e ligados o tempo inteiro cresceram. Eles têm entre 18 e 34 anos e são o futuro. Isso significa que mais pessoas com visões “diferentes” estão a conviver na escola e no mercado de trabalho.

As gerações não se avaliam apenas por cortes demográficos num determinado tempo. Envolvem segmentos sociais em que estão envolvidas relações familiares, relações entre amigos e colegas de trabalho, entre vizinhos, entre grupos de desporto, artes, cultura etc. Implicam estilos de vida, modos de ser, saber e fazer, valores, ideias, padrões de comportamento, graus de absorção científica e tecnológica.

As duas gerações anteriores cresceram num tempo histórico em que foram agentes ativos e conscientes da construção e consolidação da liberdade e da democracia. As gerações atuais são preponderantemente passivas e pouco ou nada contribuem para a identidade nacional que deve ser uma obrigação moral de todas as gerações e não estão a ser preparadas para serem a solução para os problemas que terão de resolver num futuro que está colado ao presente. Manifestam-se e reivindicam sem apresentarem soluções concretas, pedem às gerações anteriores que os geraram e que hoje os governam e nos governam que resolvam os problemas, mas não se envolvem, preferem que outros o façam. Pretendem liberdade plena sem responsabilidade.

Ocorrem-lhes momentaneamente ímpetos súbitos de indignação sobre algo traduzidos em movimentos de massas que esmorecem ao fim de algum tempo. Manifestações que servem para desencadear movimentos de rua temporários e curtos onde se extravasam emoções. Quando não são construídos movimentos com base sólida e ações concretas e objetivas resultam numa mão cheia de nada. As forças políticas e os seus aliados que reagem às reivindicações têm uma capacidade imediata de reação com mais poder de dissuasão, quando não abafar e levar ao esquecimento, mesmo que temporário, e à exaustão qualquer ação reivindicativa.  

Apresento um exemplo sobre as questões ambientais que foi o caso de Greta Thunberg cujo movimento parece ter adormecido limitando-se de momento a dar pequenos apontamentos de entrevistas como a que em junho de 2020 a deu à BBC sobre o movimento "Black Lives Matter aquando da manifestação anti racista devido à morte de George Floyd. Greta disse nessa entrevista que “não será um plano de recuperação ambiental que resolverá, por si só, todos os problemas, sendo necessário os decisores dedicarem à pandemia e aos problemas sociais a mesma atenção que vêm dando às alterações climáticas.”

Mais uma vez entra em jogo a questão do tempo presente e futuro traduzidos em espera para tomadas de decisão. Uma espécie de paragem do tempo, como se isso fosse possível! Para mim é uma questão de crença que, com a quebra drástica da economia e do crescimento provocados pela covid-19, mais uma vez os problemas ambientais e sociais vão ser enviados num saco para a arrecadação das prioridades.

Há problemas no nosso país para os quais que nos governa fecha os olhos esperando que o tempo passe mantendo-se sem que qualquer intervenção. No dia 13/07/2020 o Jornal das 8 da TVI passou uma pequena peça que deixou no ar algo que parece ser muito grave que as autoridades admitem e até apoiam, ao qual ainda não foi objeto de investigação.

A peça com o título “Estufas esgotam recursos hídricos da Costa Vicentinatrata do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e da Costa Vicentina que está a comemorar 32 anos e onde, longe vão os tempos, as paisagens eram naturais e hectares de plástico não manchavam toda a zona que se quer natural.

Os jovens vivem num presente constante, ininterrupto, sem futuro, pensando que vivem um presente que se traduz numa espécie de eterna juventude. Desdenham o passado, não se dando conta da velocidade a que a sociedade, movida apenas pelo lucro e pela imagem virtual dada pelas redes sociais, acentuando individualismos. Submetem-se às importações que lhes impõem todos os meios de comunicação social induzindo-lhes, valores, atitudes e modos de viver. É a utilização do veículo juventude como meio de aculturação.

Os conflitos de gerações dão-se entre os seus progenitores, o passado, e eles, o presente que eles vivem e que outros lhes “vendem”. A complementaridade de gerações quando de dá é apenas para a necessária sobrevivência do jovem. Atualmente à medida que o tempo avança regista-se uma clara e acentuada antecipação do choque geracional que sempre existiu embora a ritmo mais lento, mas agora em idades cada vez mais jovens.

Este é o tempo da pandemia da Covid-19. O presente cria-nos uma permanente ansiedade, mas também uma mera sensação de esperança no futuro quando conhecemos a informação do passado quanto ao número de infetados se juntam ao número dos anteriores infetados e óbitos. Haver recuperados é bom, mas o seu número não nos protege. Os recuperados que foram infetados com Covid-19 no passado continuam a pensar no futuro segundo, minuto, hora, dia, em que poderão voltar a ficar infetados porque não há evidência científica disponível à data, para confirmar se as pessoas infetadas com o SARS-CoV-2 desenvolvem imunidade protetora.

As investigações do presente são contraditórias e desatualizam-se no tempo em menos de vinte e quatro horas em alguns casos. Fazem-se outras que ficarão de imediato também desatualizadas.

O espaço pessoal é o espaço físico que os indivíduos mantêm entre si e os outros e varia entre a distância íntima para relações estreitas, a distância para encontros formais e a distância pública quando se enfrenta uma audiência. O tempo da Covid-19 é o tempo do espaço social restringido a que chamam distância social. Quando se sai à rua ou nos deslocamos a qualquer lugar o que importa é acautelar o futuro, o futuro imediato, não o presente, o nosso e de outros familiares ou não.

Os jovens são desafiantes do perigo e juntam-se em perigosos delírios gregários violando as regras de distanciamento social verificado pelos jovens mais velhos que parecem apresentar uma maior tendência a correr riscos e sentem que não vale a pena seguir as diretrizes.

É impressionante o quanto os(as) adolescentes mais velhos(as) se destacam em termos de violação das regras de distanciamento social com atitude extremamente negativas para, numa atitude distópica extremamente negativas criticarem a ordem social e/ou a política existente.

A necessidade de gregarismo dos jovens levanta dúvidas se expressa uma tendência natural, que os leva a desafiar as imposições necessárias para contenção da pandemia ou se será função de contingências adaptativas em face de situações de insegurança e decorrentes de ansiedades,  de motivações pessoais, egoísticas ou ainda e motivações sociais e altruísticas?

A mentalização dos jovens para os problemas da vida adulta começa mais cedo, e cada vez mais cedo. Pretendem que as suas reivindicações de emancipação sejam agora e já, no presente e para o futuro, sem regresso. O tempo leva-nos também à questão de qual o tempo da maturidade necessária para a emancipação. O presente dos jovens é o imediatismo.

Recordo-me de, quando ainda na universidade, e muitos também ainda se lembram do tempo em que os professores assistentes eram considerados jovens quando a maior parte deles ainda não tinham chegado aos 30 anos de idade; hoje os estudantes já não os consideram jovens e tendem a incluí-los no outro grupo, o dos não jovens.

Há políticos que quando no poder por questões de angariação de apoios tendem a virar as gerações umas contra as outras com ideias simplistas incutindo a ideia de que uma geração beneficia de um bem-estar económico à custa das outras. São os que acicatam os do presente e os do futuro contra os do passado. Afinal os do presente que conseguiram os privilégios que os do passado conquistaram para eles e que no presente pertencem ao grupo de privilegiados falhados que nasceram na abundância, que sempre viveram em liberdade e que dizem nada terem a ver com as gerações anteriores, os do passado. Há uma espécie de consciência de grupo nos jovens das sucessivas gerações que sugerem a ideia de um corte com o passado, mas que continuam a viver no seio desse passado do qual se querem afastar. Ouçam este podcast da Antena 3 “Pão para Malucos”.  

A invenção de léxicos ressonantes com que alguns pretendem representar a evocação de uma geração que terá na mão o futuro do mundo são verdadeiros truísmos. É o caso do neologismo millenials com que pretendem designar a geração que terá na mão a gestão e a governação do mundo. É óbvio que na linha do tempo e devido à finitude do ser humano todas as gerações terão, algum dia, o futuro do mundo nas mãos, seja a geração do milénio ou qualquer outra que se lhe siga.

Para os da nova geração de 2001 a 2020 a geração dos anos 1981 a 2000, os tais, millenials já são velhos, pertencem ao passado. Os millenials começam já a ficar ‘velhos’ e a ser suplantados por uma nova geração nascida após 1996 que é problemática pelas suas conceções de vida que lhes foram induzidas e pelas distorções de perceção que geram.

Bourdieu, sociólogo francês, disse em 1983 que é uma manipulação utilizar o termo juventude para falar de jovens como se fossem uma unidade social, um grupo constituído, dotado de interesses comuns e relacionar esses interesses a uma idade biologicamente defina. No entanto, a questão central é a de explorar não apenas as possíveis ou relativas similaridades entre jovens ou grupos sociais de jovens em termos de situações, expectativas, aspirações, consumos culturais, mas também as diferenças sociais que entre eles existem decorrentes ou não das classe sociais das famílias a que pertencem. Os jovens não se englobam e agrupam numa mesma geração ou grupo não podem englobar-se numa mesma geração (num mesmo grupo) e que apesar de contemporâneos e terem a mesma idade e de serem portadores do sentimento comum de se encontrarem em presença de outras gerações na sociedade identificam-se a si mesmos como pertencendo, por exemplo, a classes sociais, grupos ideológicos ou grupos profissionais diferentes.

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Fonte: Purdue University Global

Especialistas das áreas de antropologia e sociologia tentam identificar seis gerações apesar de alguns perigos e equívocos devido a generalizações devido a diferenças que pendentem do universo de estudo: a Maior Geração, Geração Silenciosa, Baby Boomers, Geração X, Geração Y e Geração Z. Cada geração possui seu próprio conjunto exclusivo de características e normas. Por exemplo, a Maior Geração (nascida em 1901-1924) é conhecida por seu patriotismo, trabalhadores esforçados e lealdade às instituições. Os millenials (nascidos em 1980-2000) são caracterizados por sua dependência de tecnologia, distanciamento das instituições tradicionais, otimismo e mente aberta. Não é de admirar que muitas pessoas de diferentes gerações tenham dificuldade em se entender.

Começa a manifestar-se agora uma outra geração progressista destinada a salvar o planeta do apocalipse ecológico e da ganância capitalista, algo que as velhas gerações anteriores não quiseram fazer, ou então não souberam fazer. Mas não se muda o mundo à espera de que surjam ideias novas que o venham a transformar, venham elas de que geração vierem. Ou elas surgem com as gerações que temos no presente para preparar o futuro ou, então, quando a tal geração millenials e seus descendentes nos governarem deixar-se-ão minar como os seus antecessores ou então já estaremos todos mortos se a mudança verificar.

Se olharmos para o passado vemos que a anterior geração possibilitou a democracia terminou com totalitarismos em muitos países. Mas, se olharmos para as últimas 3 décadas (com um decréscimo apenas em 2009 devido à crise financeira) essa mesma geração que governou o Mundo contribuiu para a pobreza generalizada, para o enriquecimento de uns poucos que possuem a maior parte da riqueza global e para o neoliberalismo desregrado como modelo económico que causou a maior crise financeira e económica do século XXI.

As gerações que serão responsáveis por decisões no futuro estão a ser educadas para desdenhar o coletivo e a centrarem-se no interesse particular e individual para uma competição sem limite.

É intuitivo que o passado influencia o futuro e marca as diferenças entre gerações por taxas de mudança acelerada na sociedade, contrariamente aos desenvolvimentos lentos na sociedade do passado em que diferenças entre gerações não eram exacerbadamente relevantes.

Os avanços tecnológicos e sociais que ocorreram a partir de meados do século XX e durante o século XXI o estilo de vida de indivíduos com uma geração de diferença é drasticamente diferente um do outro e a taxa de mudança acelerou a limites tais que conduziram também a elevadas taxas de stress e de burnout.

Não se pretende uma guerra entre gerações, pretende-se complementaridade, mas para isso há que a juventude, adolescentes incluídos, percebam os momentos em que deve haver limites nas atitudes que os amarrarão e marcarão durante toda a sua vida. O hiato de geração refere-se a diferenças de ações, crenças, interesses, experiências de vida, visões do mundo e opiniões que marcam cada uma das diferentes gerações. Então, o que causa essas diferenças?  Há eventos históricos significativos que moldaram e moldarão no tempo cada geração.

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publicado às 17:59

O campeonato do empurra

por Manuel_AR, em 05.07.20

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O desconfinamento apressado na Região de Lisboa e Vale do Tejo (RLVT) e sem qualquer estratégia passou a ter, para além de responsabilidades sanitárias, responsabilidades políticas. O problema provavelmente não ficará por aqui; deixemos vir a “Champions League” e veremos.

O sentimento de fascínio de Fernando Medina e de António Costa pelo acolhimento daquele acontecimento desportivo que outros países provavelmente rejeitaram poderá vir a acentuar a propagação da epidemia covid-19. A ver vamos se não se agravará ainda mais em função da decisão de haver, ou não, espetadores mesmo com medidas de segurança.

Deslumbrados pelo dito sucesso inicial com que Portugal conseguiu de certo modo conter epidemia abriram portas ao desleixo pós confinamento na região de Lisboa criando uma espécie de corredor livre para o agravamento em Lisboa do covid-19.  Tudo entra em Lisboa minha gente, venha dondo vier, com ou sem controle que, quando existe, é apenas de fachada.

Costa deu o mote ao criticar a ministra da saúde e Medina agarrou a deixa e passou a acusar de incompetência os responsáveis pela saúde, seguem a regra da criação de bodes expiatórios. Face ao que está a acontecer na região de Lisboa desligam-se das responsabilidades que tiveram e apontam agora o dedo a outros. Ou não tenha de começar a preparar o terreno para as autárquicas.

Aliás tem sido notório os disparates e as contradições nas mensagens por parte do Governo e da autarquia de Lisboa através de Costa, Medina, ministra da saúde e ministro das infra estruturas Pedro Nunes Santos. O presidente da Câmara de Lisboa disse que "Não há nenhuma demonstração de que os casos se devam ao desconfinamento". Então se os casos aumentaram após os desconfinamento na RLVT como se explicam os números da região anteriores com o aumento de casos que foram divulgados após essa decisão.

António Costa lança o maior disparate, quiçá seguindo Trump, ao diz que o aumento de número de casos de covid-19 se deve ao aumento do número de testes. Vamos lá ver: então será que para diminuirmos o número de infetados o melhor é não fazer testes? Ou será que não há infetados e os testes é que os criam? Ou será que número de infetados depende do número de testes efetuados? Os infetados existem, mas se não se fizerem testes deixam de existir!

A ministra da saúde Marta Temido que no início era tão certinha também começou a meter os pés pelas mãos talvez por ordem Costa. Que pretende tapar o sol com uma peneira. Quanto à possibilidade de os transportes público na RLVT poderem ser causadores de propagação do vírus a ministra refere num dia o que no dia seguinte altera por força da linguagem. Vejam-se estas declarações mencionadas no jornal Público:

“Questionada sobre a situação de Lisboa e Vale do Tejo e a questão dos transportes públicos, Marta Temido explicou que o que disse foi que “não são conhecidos casos de contágio que tenham tido origem em transportes e não que os transportes não sejam pela sua sobrelotação, pelas suas condições, espaços a merecerem uma especial cautela”. “Se não fosse assim, não tinha o Governo decidido desde o primeiro momento que haveria uma coima pelas viagens em transportes públicos sem máscaras ou viseira”, salientou.”

O que se pode questionar é se utilização de máscaras pela maioria dos utentes é suficiente em situações de autêntico aperto nas carruagens ou autocarros para afastar quaisquer riscos de infeção.

E mais à frente relata o mesmo jornal:

“Penso que estes dois aspectos sublinham intensamente o ponto para o qual estava a chamar atenção e para aquilo que era sobretudo a substância da minha chamada de atenção. Estamos a enfrentar um fenómeno novo relativamente ao qual temos muitas incertezas e, em muitas circunstâncias, lapsos de conhecimento. Esta questão dos contágios em transportes é uma delas. Embora da nossa vida empírica percebamos que há um conjunto de circunstâncias para que sejam locais particularmente expostos. Mas se não tivermos estes dois argumentos em paralelo, penso que não estamos a prestar bom serviço ao conhecimento e à objectividade”, reforçou Marta Temido.”

A minha opinião é que estará a ser pressionada no Governo para fazer passar para a opinião pública uma falsa realidade. Aliás, o que também se tem verificado é que os números de infetados que são divulgados faltam num dia e no dia seguinte estão a mais e também a culpa deste caos é a de terceiros que informam mal as entidades de saúde que nos divulgam, a DGS.

Por outro lado, a mensagem que por vezes passam é a de que a medida da gravidade da situação está em saber apenas se há ou não número de camas suficientes no SNS para que este não fique superlotado e sem resposta, quanto ao resto deixa andar.

O caso do Reino Unido que nos coloca numa lista negra de países não seguros para os ingleses viajarem sem que no regresso não tenham de ficar de quarentena deve servir como sinal para enfrentar e superar o problema que o governo concorreu para o originar e para pedagogicamente reforçar a nossa determinação no combate. Os critérios para qualquer avaliação de avaliação devem ser iguais quando se comparam várias entidades e os números de novos casos de infeção pelo novo coronavírus por cada 100 mil habitantes tem sido o critério. Pode-se discutir se esse deveria ser o único ou o melhor critério. Mas, seja qual for a resposta, é o que está a servir de base às análises de todos os países que discutem a reabertura das suas fronteiras.

Com base neste critério Portugal é o segundo pior registo da Europa, com quase o dobro de novos casos em 14 dias contados até esta sexta-feira face aos registados no Reino Unido e para os quais a RLVT tem vindo a contribuir.

Gestos e palavras como as que se têm ouvido não vão nesse sentido. A perceção que os portugueses têm é que tudo quanto agora possam dizer sobre o covid-19 com todos os dias nos afrontam é que cabe na categoria das manobras de diversão.

Só esperamos é que as estratégias de Bolsonaro não sejam inspiradoras para o Governo de Portugal.

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publicado às 15:50

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Depois do choque inicial causado pelo coronavírus e vendo o que se estaria a passar noutros países fecharam-se em casa, isto é, confinaram não fosse o diabo tecê-las e de seguida “fecharam-se em copas” sobre a escrita que eventualmente fosse contra as decisões e precauções vindas da DGS e do Governo. Centraram-se a perorar sobre o coronavírus para aqui, coronavírus para ali e mais o que se deveria e não deveria fazer-se, tudo no bom recato da segurança caseira, um sem fim…

Terminado e aliviado o confinamento, pé ante pé, lá fomos todos abrindo mão das necessárias cautelas. A maior parte dos que tinham ido trabalhar por necessidade ou imperativo, assim continuaram após o confinamento e no estado de calamidade deslocando-se como de costume apesar dos perigos que sabiam existir. De regresso a casa talvez se juntassem aqui e ali para beber um copo. Há quem assim não fizesse nomeadamente os jovens, e não apenas eles, que organizaram festas e encontros como os de Lagos e Carcavelos. São os irresponsáveis que potencialmente alimentam o vírus predador que os devorará a eles e a outros e que pensam que só pode acontecer aos outros.

Depois da abertura parcial das portas e já refeitos, em parte, do susto que apanharam dedicam-se agora a elaborar pensamentos altamente que façam soar as campainhas do afinal estava tudo mal o que se fez. Tudo deveria continuar como dantes e apontam exemplos como o da Suécia. E tudo deveria ter continuado sem paragens em nome de “um bem maior”, dizem. Ora penso que o bem maior do que a vida e a saúde da população e de quem trabalha não é o bem maior a que esses se referem mas sim às grandes empresas e ao capital que se reclama defensor da economia, mas que se algum trabalhador adoecer, seja pela Covid-19 é logo dispensado ou melhor, despedido. Assim aconteceu com o caso de um jovem gestor de marketing que foi um dos primeiros infetados do país que foi demitido, relatado no Expresso do último sábado.

Mas voltemos aos jovens que pensam que nada lhes acontece. Pois claro! Para eles já tudo passou já se pode andar à molhada no meio da rua e promover encontros de dezenas ou centenas. Dizem: não se vê ninguém doente, nem na praia, nem no bairro e os amigos não estão infetados, como eles tivessem visão de raios X quais super-homens E vai daí, há um telemóvel que passa de mão em mão, há um copo que se passa a outro para dar um golinho de cerveja porque a dele já acabou, passa aí um cigarro que eu já não tenho tabaco, e todos petiscam metendo a mão no pacote de batatas fritas que está na mão do outro. Não há risco, pois não, são todos saudáveis. E, senão quando, passado algum tempo, lá vão uns tantos ao hospital à rasquinha, sabem lá eles com o quê!

Dos que chegam ao hospital alguns não foram contaminados em grandes festas e julgam que a doença só é transmitida por quem tem sintomas. Erradíssimo! Essas informações beberam-nas eles nos “bafons” e nas traseiras das redes sociais.

Hoje no jornal Público saiu um artigo com o “Os jovens não se estão nas tintas para os outros, mas apenas fartos” e que começa assim:

“Os jovens que estão a fazer aumentar os casos de contágio porque se reúnem em festas ilegais e aos magotes nas praias e espaços públicos são os mesmos que, em Março e Abril, cumpriram zelosamente o confinamento, completaram a escolaridade à distância e até se prontificaram a ajudar os mais velhos nas compras. “Não são pessoas que se estejam nas tintas para os outros e para o país”, lembra a psicóloga Margarida Gaspar de Matos. Mas, agora que o desgaste lhes pesa, as aulas acabaram e vêem as praias e os festivais de verão escapar-se-lhes entre os dedos, mantê-los distantes socialmente, exige uma campanha feita à medida.

Não senhor, não são os mesmos jovens a que a psicóloga se refere ao fazer suposições sem dados empíricos sustentáveis para o comprovar está a cair em perigosas generalizações e, como sempre, as generalizações confundem as pessoas. Esses a que a senhora psicóloga se refere pertencem a uma outra classe, a dos responsáveis. Os outros os que estão fartos e só pensam em concertos são os provocadores, os da irresponsabilidade. Estarem fartos, é sinónimo de pôr em risco a saúde pública por negligência o que pode ser considerado crime.

Ignoram que até sábado segundo a DGS mais de 5500 infetados tinham até 30 anos, quase 2000 a mais do que no mês passado. Estes são os jovens que organizam jantares em casa e que acham que por ser em casa não há perigo, são os que no trabalho usam máscara e desinfetam as mãos, mas à noite reúnem-se em grupo sem proteção, são os que foram visitar amigos que estavam infetados e não se protegeram. Parecem que não lhes cabe responsabilidade. Ostentam a irresponsabilidade na prática diária desconhecendo que, segundo profissionais de saúde, muitos dos doentes mais velhos que passam pelos cuidados intensivos saem de lá mais rapidamente do que os mais jovens.

Para finalizar transcrevo parte de um caso relatado no jornal Expresso do dia 20 de junho que pode ser elucidativo para perigos que qualquer um pode correr.

“A recuperar em casa, onde vive com os pais, conta pelo telefone que enfrentar a doença não foi fácil, mesmo para quem praticava regularmente kickboxing e muaythai. “Sempre fui saudável e só quem passa por isto sabe o quanto é mau.” Luís nega qualquer comportamento de risco. Diz que ficava em casa e “só saía à noite para correr e fazer exercício, sempre sozinho”. Mas, então, como se terá infetado? “Talvez porque ao correr e exercitar-me, suava muito e punha a mão na cara, mesmo que antes tivesse colocado as mãos no chão para fazer flexões.” Pois, talvez. Mas não saía mesmo nunca? “Às vezes, à noite, ia às bombas de gasolina tomar café, mas ficava pouco tempo.” Pois, talvez.

Que fique o alerta os jovens, mas também os dos  grupos dos 30 aos 59 anos sem preocupação poderão ser os grandes causadores do agravamento da epidemia pondo em risco a sua vida e a de muitos outros para os quais foram cadeias de transmissão.



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publicado às 19:34

Preparar vilanagem os milhões virão aí

por Manuel_AR, em 17.06.20

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O cansaço de António Costa e o de alguns dos seus ministros e secretários de estado estão a vir à tona depois destes meses todos de Covid-19, coronavírus, Novo coronavírus SARS-CoV-2 ou lá o que é que nos tem trazido a todos numa azáfama de paciência e de receios fundados empurrando a economia para o limite de um precipício no alto duma arriba.

O esforço de Mário Centeno e de todos nós foi destruído no espaço de três meses. Alguns comentadores da esquerda radical, um dos quais me escuso dizer o nome, escreve contra tudo e todos quantos têm elogiado Centeno pelo seu trabalho.  Se fossem potenciais candidatos a ministros diria que estariam no domínio da síndrome de que grande parte dos portugueses sofre: a chamada dor de cotovelo. Mas não, são apenas comentadores de política e partidários de uma esquerda que está sempre contra todos e tudo o que não provenha do seu sectário mundo político-ideológico, mesmo que, comprovadamente, seja bom e se mostre útil, eficaz, e traga riqueza que possa vir a melhorar Portugal e a vida dos portugueses. Convém aqui esclarecer que no quadro dos extremistas de direita também os há, e até piores, mas aí o que muda são as moscas e o resto. Para bom entendedor meia palavra basta!

Saiu no Expresso no dia de Santo António um artigo de Sousa Tavares muito acutilante sobre o pós Covid-19, com o qual em parte concordo,  e o que nos poderá trazer se forem cometidos os mesmos erros do passado. Refiro-me aos oportunistas e clientelistas dos costume no que se refere a verbas de milhões a fundo perdido que se esperam da União Europeia para fazer face à crise causada pela pandemia Covid-19 e às quais muitos se irão lançar como gato a bofe. Não apenas os que andam por aí, mas também novos que se estão já a perfilar e a elevar-se nos céus para vislumbrarem com olhos capciosos, quais abutres famintos, os dinheiros que hão de vir.  

O ministro da economia, Siza Vieira, numa entrevista à “Visão” refere-se ao apelo que anda a fazer às empresas: “Preparem-se, porque vão ter uma oportunidade provavelmente única na nossa História para aplicar recursos naquilo que faz falta e criar condições de crescimento, de competitividade e de produtividade para as vossas empresas.”

Se fizermos uma retrospetiva encontraremos na nossa história política governos onde houve promessas de utilização de dinheiro vindo da U.E. que viriam a incentivar a nossa economia e o nosso desenvolvimento. Entretanto no correr dos acontecimentos surgiram empresas efémeras que nasceram às centenas e que propunham para serem financiados projetos que era sabido serviam apenas para “sacar” dinheiro dos fundos europeus.

Muitos privilegiados de “famílias muito bem” criaram na altura empresas financiadas pela U.E. para darem cursos de formação nas mais variadas áreas com os dinheiros vindos de Bruxelas, muitas delas fictícias e autênticas burlas.

Muitas outras situações se verificaram. O caso da agricultura por exemplo em que dos cerca de 400 mil agricultores 220 mil receberam subsídios para não produzir. Eram agricultores que se encontravam num regime em que eram apenas obrigados a manterem-se em condições para voltarem a ter produção nos mesmo terrenos de onde arrancaram o que lá tinham, havendo outros dois mil que receberam mais 250 milhões de euros do que todos os outros juntos, tendo o país perdido entre 1999 e 2009 25% das explorações agrícolas segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.

No passado  também houve uma universidade privada situada lá para os lados do Príncipe Real, em Lisboa, o ISCEM que foi financiada por Bruxelas e licenciado pelo Governo em 1990 que acabou por ser extinta em setembro de 2019 tendo sido um dos seus alunos o chef José Avillez.

Agora são mais milhares de milhões de que alguns oportunistas estarão à espera. Cerca de 15,5 mil milhões de euros em subvenções (distribuídas a fundo perdido) e 10,8 mil milhões de euros sob a forma de empréstimos concedidos em condições de juros muito favoráveis que pode confirmar aqui,  ao que se acrescem os milhões do Quadro Plurianual 21-27 e os que ainda restam do de 20-23. Vamos a ver senão se isto não irá ser uma espécie de “bodo aos pobres” direcionado aos mais ricos.

Em teoria à espreita também estrão o PCP e o Bloco de Esquerda cujo dinheiro quererão que seja distribuído para aumentos salariais da função pública e na admissão de pessoal para o Estado. Para eles quanto mais melhor até que em Portugal tudo seja, até a mercearia do bairro, estatizado sem qualquer critério. Padecem da síndrome da estatização de tudo quanto sejam empresas.  

Esperemos que a alcunha de despesista com que a direita denominava o Partido Socialista e que se foi esbatendo com António Costa e Mário Centeno não venha de novo à tona embriagados pelos milhões que, se espera, cheguem.

A distribuição e o seu destino sem critério e rigor de verbas que não sejam minuciosamente analisados é um perigo. Os lóbis que por aí devem andar irão pressionar no sentido de exigirem uma grossa fatia. Muitos irão sugerir, para distribuição das fatias do bolo, uma espécie de “simplex”, ou seja, o mesmo que alívio ou a eliminação da burocracia na distribuição das fatias por um Estado de clientelas e protetor dos amigos em vez do rigor e disciplina.

Que estes milhares de milhões não nos façam cair na desgraça idêntica à do passado em que alguns se aproveitaram da grande fatia do bolo em proveito próprio deixando desenvolvimento e recuperação económica de Portugal mais uma vez à míngua e a navegar à vela como no passado.

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publicado às 19:06

O partido acima de todos e de tudo

por Manuel_AR, em 13.05.20

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O facto de ser cordato com a maioria dos partidos e aceitar criticamente os seus pontos de vista não significa que não me oponha com firmeza quando resvalam para a irracionalidade e falta de senso que, por vezes, envolve alguns deles pressionados por ideologias militantes, herméticas e incompreensivelmente corporativas.

Antes de continuar esclareço desde já que não pertenço nem sou simpatizante do PCP, mas também não pertenço ao grupo dos irracionais, primários e viscerais anticomunistas. Sou, sobretudo, um crítico dos seus pontos de vista e da sua máquina sindical. Assim, para o PCP, serei “mais um” de direita que, embora lhes custe, não sou.

Os eventos culturais, musicais ou religiosos que envolvem multidões a que me vou referir não são os de uma centena de pessoas, mesmo que espaçadas entre si por mais ou menos metros, mas aos concertos, cerimónias e comemorações religiosas como a que teria sido as celebrações do 13 de maio em Fátima e as do NOS Alive ou o Paredes de Coura e Rock in Rio em Lisboa.

A deslocação a um evento como a Festa do “Avante” é também uma espécie de peregrinação à quinta da Atalaia, apenas que não é religiosa na aceção da palavra. A Festa do “Avante” organizada pelo PCP na quinta da Atalaia chamem-lhe o que quiserem, seja festival, feira, evento político, comício ou qualquer outro nome para o qual a imaginação daquele partido é prolífera é como os outros, a diferença está nos discursos político-partidários que se efetuam por lá.

Argumentos como o de querem calar-nos e de perdas de liberdades políticas e de reunião são demagógicas e fazem parte dos já tradicionais chavões do PCP como “Alguns queriam calar-nos. Mas não nos calamos. É um direito de que não abdicamos” disse o de Isabel camarinha líder da CGTP no último 1º de Maio ao condicionarem-se as comemorações por razões de segurança sanitária. 

Para o PCP a comparação com outros eventos já cancelados não faz sentido porque não se resume a um simples festival de música, mas antes a uma “grande realização político-cultural” que não se pode colocar no mesmo saco de eventos já cancelados.

Chamar à Festa do “Avante” evento político “grande realização político-cultural” não é desajustado, porque é de facto um evento político e é, especificamente, partidário, mas lá também se misturam cultura, música, dança, comércio de feira, convívio, copos, petiscadas, etc. colocados no mesmo saco. Mesmo que fosse exclusivamente um evento político e partidário, à semelhança de outros partidos que já os cancelaram, não haverá razão para que a dita festa se realize sob que pretexto ou configuração for.

A Festa do Avante é um local onde se juntam milhares e milhares de pessoas de todas as idades e estratos socioprofissionais que por mais cuidados existam é grande a probabilidade de contaminação. O PCP coloca o partido acima de tudo, do a quem doer, castigue a quem castigar, das pessoas, da pandemia, da religião, do Estado e até da própria democracia que diz defender ao extremo.       

Na quinta-feira a Proposta de Lei do Ministério da Cultura sobre festivais e outros espetáculos musicais vai ser votada na Assembleia da República.

Não é admissível que se abra uma possível exceção à lei em relação à Festa do "Avante".  Se assim for também se poderá estender a muitos outros eventos, sobretudo de teor "não comercial". O argumento de “não comercial” do evento do PCP não é verdadeiro porque é também comercial pois se comercializam objetos, livros, bebidas e outras variedades alimentares, embora revertam para subsidiar o partido. E o preço das entradas também não é comercial?

É insensato avançar com a Festas do “Avante” no atual contexto da pandemia Covid-19 e o Governo, ao pretender negociar a realização do evento em troca da paz social ou de futuros orçamentos, mostra insegurança e arrisca-se a perder a popularidade que tem conseguido.

Um partido, seja ele qual for, não pode colocar-se acima de tudo e de todos, inclusive a de ameaçar a saúde dos cidadãos.

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publicado às 16:14

Aos grandes causadores deixai-os morrer…

por Manuel_AR, em 21.04.20

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Serem os idosos os mais vulneráveis não que dizer que sejam eles os principais transmissores da infeção para os outros. Pelo contrário, são os outros, os dos grupos etários mais baixos, quer sejam cuidadores, quer sejam familiares ou amigos que os contaminam nas suas casas, dentro e fora dos lares, nas casas de familiares e, pontualmente, noutros contextos que os contagiam. Parece querer-se criar nos mais velhos o estigma de causa e efeito da epidemia.

Notícias, informações, comentários, opiniões, contradições, conferências de imprensa, mesmo as da DGS, deixam no ar mensagens de ambiguidade aos auditores/recetores de apreensão e proporcionam interpretações erróneas e algo confusas.

Observa-se  no constante destaque sobre a incidência do Covid-19 relacionado com os idosos e os lares, parecendo sugerir que são eles os grandes causadores da propagação do vírus e também serem eles os que, em valor numérico e percentual são os mais contaminados quando haverá nas principais capitais portugueses hostels, pensões, alojamento locais e casas alugadas frequentados por imigrantes e outro tipo de pessoas que são potencias focos da epidemia.

Basta comparar os números oficiais dos infetados que tem vindo a aumentar diariamente independentemente do grupo etário; basta consultar os dados e os gráficos diários divulgados pela DGS e fazer as contas para saber os grupos mais infetados, para sabermos que a maioria dos infetados não são os idosos. Esses são de facto os mais vulneráveis, os que são contaminados, mas não são os difusores da doença apesar de serem os mais afetados pela mortalidade devido às suas inerentes fraquezas.

Miguel Sousa Tavares escreveu no Expresso do sábado passado um artigo de opinião, com alguma ironia, sobre o sentimento e o estigma que se pode estar a gerar contra e sobre os idosos ao escrever que “O que nos propõem é simples e convém que todos estejam cientes da proposta, para que cada um carregue consigo o fardo da escolha: os que não morreram da doença não querem agora morrer da cura. E morrer da cura é continuar a deixar a economia em coma induzido, sem a trazer de volta à vida. Devagar, por sectores, com vários cuidados recomendados e diversas precauções. E, ao mesmo tempo, libertando a população da prisão domiciliária onde estamos todos encerrados, mas por fases e segundo critérios etários: primeiro, adultos saudáveis, na força da idade laboral; depois, jovens; e, a seguir, crianças. Mais adiante “Porém, há uma excepção, e disso depende o êxito — ou a ousadia — de todo o plano: os velhos devem continuar encerrados, porque representam um perigo sanitário público e uma ameaça à sustentabilidade dos serviços de saúde. Devem, então, ser mantidos longe da vista, afastados de qualquer contacto com os outros, até que haja uma vacina e a sua distribuição seja universal — talvez no Verão do próximo ano, na melhor das hipóteses.” E continua, “Muitos deles, aliás, já cumpriram a sua função, deixando-se abater ao activo, vítimas do vírus ou de outras doenças que, por força do vírus, não foram tratadas ou eles próprios não quiseram tratar. Aqui, como em Espanha, um terço dos mortos da covid ocorreram em lares onde os velhos estavam acantonados e foram apanhados sem defesa, a coberto de uma ilusão de segurança que, de tão frágil, chega a parecer indiferença. Quando um utente infectado num lar é retirado dele, consegue recuperar cá fora e depois é devolvido ao lar onde permanece o foco de infecção, que outra palavra podemos usar que não indiferença?”. (Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 18/04/2020- Escreve segundo o antigo acordo ortográfico)

A ideia de uma espécie de “extermínio” dos idosos pelo isolamento a que muitos deles já estão sujeitos parece crescer impulsionado pelas mensagens veiculadas pelos órgãos de comunicação social e até por órgãos oficiais e oficiosos do Governo muitas vezes mascaradas de medidas de proteção para os salvaguardar da infeção.

Somos invadidos voluntária ou involuntariamente por informações de várias origens: informações provenientes dos nossos próprios sentidos, o que vemos à nossa volta; pela televisão e nos jornais; pelo que ouvimos no café da esquina ou através de outras pessoas que, por défice de esclarecimento, cada um interpreta segundo as suas conveniências, interesses ou posições ideológicas.

Parece estar, assim, a começar a ser produzido na consciência coletiva - criada pelos indivíduos em muitas das suas práticas influenciados pela sociedade em que estão inseridos - a ideia da inutilidade dos idosos (o que também transpareceu numa entrevista que o já senil Ramalho Eanes deu há algumas semanas a um canal de televisão, numa demonstração de altruísmo hipócrita).

Teme-se em todo o mundo uma espécie de incentivo para encarar os idosos como os grandes causadores da proliferação da epidemia e de que a sua fragilidade em relação à doença é um a causadora do mal epidémico. Pode ser uma nova versão, mais drástica, da conhecida frase da “peste grisalha” que o deputado Carlos Peixoto utilizou em 2013.

Alguns pensarão, (mas não o dizem), que a elevada taxa de mortalidade provocada pela epidemia nos idosos irá aliviar os contribuintes do peso dos tratamentos e pensões a pagar pelos Estados. Trata-se de uma espécie de genocídio gerontológico ou gerontocídio que passou a ser socialmente aceite, já que o agente executor, o Covid-19, é algo invisível e incontrolável o que, por isso, o torna tranquilizador das consciências de cada povo e, ao mesmo tempo, socialmente útil por aliviar os problemas sociais e económicos originados pelo envelhecimento das populações.

Como apontamento final, e á margem, podemos pensar que, no passado, o Führer da Alemanha nazi se tivesse uma oportunidade como esta, tê-la-ia ajudado para uma “solução parcial” na questão judaica que ficaria resolvida sem problemas de consciência que, de qualquer modo, nunca teve quando prescreveu a receita da solução final.

 

NOTA: Conforme se pode verificar pelo gráfico o total dos grupos etários superiores a 60 anos é inferior ao dos grupos etários entre os 20 e os 59 conforme se pode confirmar. Os cálculos foram efetuados a partir dos dados da DGS.

CARACTERIZAÇÃO DEMOGRÁFICA DOS CASOS CONFIRMADOS     

Totais agrupados em 21/04/2020 (Dados a partir da DGS)

            Grupo etário   Total de infetados

0-19       946

20-59     12652

> 59       6881

Coronavirus-gráfico-2.png

Fonte: Gráfico construído a partir de dados da DGS em 21/04/2020

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publicado às 15:53

Que se morra então, PIM!

por Manuel_AR, em 16.04.20

Coronavirus-economia.png

Sem economia morremos todos, sem pessoas morre a economia. A economia tem de funcionar sem desvalorizar a saúde pública. Pessoas aflitas, ansiosas, sem saúde e assustadas não reanimam a economia, afundam-na.

Por isso, é estranho que um diretor dum jornal online de tendência neoliberalista diga a seguinte frase: “Antes morrer livre do que viver escravo da Covid”. Não ouvi o que ele disse, nem me interessou, apenas me centrei no título como mote para o texto que hoje escrevo.

A frase fora de um contexto pode levar a várias interpretações. A minha é a de que ele não estará contra o distanciamento social, mas contra o confinamento e encerramento obrigatório das atividades e funções que fazem mover a economia. A decisão do confinamento obrigatório teve dois motivos bem explícitos: preservar dentro das limitações existentes a saúde pública e salvaguardar a população duma potencial catástrofe sanitária.

Na circunstância da pandemia Covid confrontam-se pontos de vista antagónicos, os que reverenciam Trump e Bolsonaro e os seus pontos de vista orientados para a política do laissez-faire aplicada à saúde pública com despreocupação, desvalorização e de não interferir na grave situação e que à vista do mundo são como ditadores de extrema-direita sustentados por regimes democráticos legitimado por eleições que os levaram a ocupar o poder, e os que como na Europa que, nem sempre em consonância, apoiam uma contenção e o confinamento como soluções minimizadoras, mas mais ou menos severas. Trump hoje mesmo invocou poder “total” para desautorizar governadores e agora ameaça suspender o Senado. Que dizem agora os adoradores de Trump?

Coloca-se para aqueles uma solução única: deixar que o vírus prolifere e se propague de forma irreversível para salvar a economia (talvez a dos grandes interesses) e que morram pessoas. Nesta solução encontrar-se-á possivelmente o autor da dita frase que opta por desejar para ele a morte, (será que, como ele, nós todos deveríamos dar o exemplo?). A economia acima de tudo e de todos, mesmo condenando a população à doença, à contaminação e até à morte. Podem ter a certeza de que, se tal acontecer, não serão apenas os idosos a ir, a coisa será bem mais grave.

A guerra das interpretações dos números oficiais e oficiosos surgem pela boca de muitos ditos líderes que, rodeados por interesseiros otimistas empedernido, tentam demonstrar à população de que tudo não passa de um exagero, muitas vezes forjados pelos seus adversários políticos e de comércio global. Outros chegam ainda ao ponto de considerar na estatística dos recuperados os que morreram do Covid-19 como o fez o presidente do Chile, Sebastian Piñera que revelou que o país está a contar as vítimas mortais provocadas pela covid-19 como "recuperados" porque “deixaram de poder contagiar a restante população”.

A pergunta que requer resposta é: estará a economia acima da vida?

A resposta ao autor da frase, pois então, será que MORRA O DANTAS, MORRA! PIM – alusão ao texto de Almada Negreiros no Manifesto Anti-Dantas.

Que seja então o autor da frase a morrer, como diz preferir, para salvar a economia como Jesus Cristo salvou a Humanidade com a sua morte.

Nota: O autor deste texto não deseja a morte de ninguém, nem tão-pouco a do dito diretor, trata-se apenas de uma ironia que veicula um significado contrário daquele que deriva da interpretação literal do enunciado.

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publicado às 17:00

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A limitação aos contactos sociais a que estamos sujeitos para proteção nossa e dos outros cria na maior parte das pessoas novos estados de ansiedade e emocionais. Até que se encontrem caminhos seguros devem ser dados apenas pequenos passos em direção à porta da liberdade. Até lá os canais de televisão e a imprensa têm-nos brindado com oráculos da desgraça que aparecem como cogumelos no espaço mediático com intervenções, entrevistas, divagações, propostas, palpites, comentários e opiniões das mais díspares e contraditórias.

Entre os que de modo imparcial e com base na ciência se pronunciam sobre a atual situação fazendo projeções com base no que a ciência conhece até ao momento, surge umas outras espécies que, de forma muitas vezes categórica, proferem sobre assuntos de que não são especialistas, mas apenas aprendizes de profetas da desgraça conforme as conveniências.

Acenam com ameaças terríveis que hão de chegar, por vezes contraditórias, pouco concisas e até redundantes que, embora possam parecer despejadas de intencionalidade, o objetivo parece ser o de influenciar, confundir e desorientar quem os escuta. Laçam para o ar medidas para responder às crise causada pelo novo coronavírus e consequente área socioeconómica, o que é  agravado pelo lixo de conselhos errados, perigosos e falsas e forjadas notícias difundidas por alienados (com objetivos obscuros) que não têm o mínimo pejo em troçar de populações desprevenidas, ansiosas e com fraca capacidade de avaliar e compreender as mensagens dos vários meios de comunicação social, ou seja, com fraca literacia mediática.

Na passada semana órgãos internacionais de comunicação social como New York Times, o El País ou o Der Spiegel dedicaram-nos artigos com elogios aos procedimentos no que respeita aos controle do COVID-19 mesmo que as coisas possam estar a correr bem, há que, para além de não aligeirar as  guardas, tentar descobrir maneiras de evitar a tempestade económica e social que se forma no horizonte. 

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publicado às 18:54

Botão da sabedoria

por Manuel_AR, em 02.04.20

Paulo Portas botão da sabedoria.png

Oscar Wilde escreveu que um cínico é um homem que sabe o preço de tudo, mas o valor de nada. Um cínico segundo os dicionários é alguém que age com sarcasmo. A ideologia trocou-se pelo cinismo e a desconfiança que alastraram especialmente sobre a política e os que na política se aproveitam de tudo, para si próprios. Veja-se o nível da corrupção que grassa em todo o mundo onde uns poucos aproveitam a política para “comer” à vontade o que quiserem. Há outros que anseiam por protagonismo e que, quando deixam de o ter por que já não têm a visibilidade num partido político, tendo-o feito talvez por motivos estratégicos, conseguem um “tacho” num qualquer canal de televisão que lhes dá a visibilidade e o protagonismo de que tanto necessitam para estimular o seu ego e também como estratégia para mais altas  e futuras  possíveis acometidas no mundo da política.

A propósito de cinismo recordei-me neste momento dos comentários do antigo líder do CDS, Paulo Portas, que arranjou um lugar cativo no jornal da 8 da TVI onde comenta tudo e mais alguma coisa, é uma espécie de homem

do Renascimento, qual Leonardo da Vinci, que tudo sabia e tudo conhecia. O Paulo Portas é tudo, é matemático, epidemiologista, especialista em saúde pública, estatístico, economista, cientista…, enfim, é um sábio homem que tudo sabe, tudo conhece e tudo crítica sempre com os olhos virados para o umbigo da sua visão ideológica. 

Mas, o que mais me impressiona é forma e a frequência com que olha para a câmara com aquele olhar e sorriso que nos faz percebê-lo como um trocista cínico como que a dizer que estou a rir-me para ti, mas estou a tramar-te. Ó dr. Paulo Portas, desculpe lá, mas é isto o que me parece. Apesar de não pertencer à sua banda ideológica nem partidária eu apreciava mais as anáforas que utilizava nos debates quando o senhor estava no Parlamento, mais do que aprecio ouvi-lo comentar todo o universo do saber na comunicação social.

Há ainda os tais das opiniões publicadas como a de João Miguel Tavares que exigem uma data ao fundo do túnel como se os governantes tivessem uma bola de cristal e antecipassem uma data para o fim da epidemia, mesmo que estimada. Uma data estimada, qualquer que fosse, teria duas consequências: uma, seria a possibilidade de a luz não se vislumbrar e adiar novamente a data do regresso dessa luz; quando novamente se vislumbrasse voltar a dizer nova data e assim sucessivamente. Se essa data fosse fixada e a pandemia não abrandasse iria decerto haver um agravamento e então a luz seria extinta, sabe-se lá até quando. Mas claro, isto de ser contra ou a favor das datas para se verem as luzes é uma forma de fazer oposição aos governos quando não pertençam à nossa área de preferência ideológica.

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publicado às 15:25


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