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Encontro-me no interior norte, Beira-Alta, rodeado por vegetação e pequenos terrenos cultivados para subsistência para uns e passa tempo para outros. Os pássaros cantam e a vida decorre no seu dia-a-dia como se Passos Coelho e o seu Governo nunca tivessem existido. Viseu é um distrito politicamente conservador e, tradicionalmente, votante no PSD desde a revolução do 25 de abril. Receios arcaicos que lhes foram incutidos pela ameaça da perda das suas pequenas courelas, caso certos partidos ganhassem as eleições. Nas últimas eleições de 4 de outubro a coligação de direita PáF do PSD e do CDS ganhou aqui no distrito com 51,05% contra 29,65% do PS. O BE conseguiu apesar de tudo 6,7% BE dos votos, mais do que o PCP-PEV que conseguiu apenas 3,5%.

Foi apenas após a demissão do Governo de Santana Lopes, e pela primeira vez, que o Partido Socialista, com José Sócrates, conseguiu penetrar no distrito e ganhar aqui as eleições. Embora tenha havido algumas mudanças nas mentalidades especialmente em Viseu, grande centro urbano da região, a fidelidade ao PSD mantem-se embora haja vozes discordantes sobre a forma como este PSD de Passos Coelho governou que não é o mesmo em que tradicionalmente votavam. A campanha negra contra José Sócrates (independentemente de haver acusação formada ou não) durante toda a legislatura de Passos Coelho levada ao extremo por órgãos da comunicação social afetos ao seu governo deu os seus frutos aqui para estes lados.

No “campo” os populares com a sua ingénua forma de ver a política votam muitas das vezes em pessoas que acham muito simpáticos, porque falam muito bem e prometem muito. Nas eleições autárquicas o processo refina-se pois que “os influentes” da vila, da aldeia e do lugar dominam e controlam com a sua influência as populações.

Hoje em dia, nesta beira profunda, o modo de vida em nada se compara ao que foi antes do 25 de abril de 1974 que trouxe às terras do interior desenvolvimento e qualidade de vida próxima da das grandes cidades, graças às televisões e à influência de “modas” difundidas por familiares emigrantes. Permanecem contudo hábitos e costumes do modo de vida rural muito conservador e voltado para o passado que à religião católica também ela muito conservadora ajuda a manter. A democracia para esta gente limita-se a votar nos calendários e sempre naqueles que lhes prometem um “status quo” tranquilizador para as suas vidas e que fazem apelos ao passado.      

Fora dos centros urbanos do distrito não se compram jornais porque não lhes chegam às mãos e, mesmo que assim fosse, não pagariam para os comprar, e depois há o café da proximidade onde leem o jornal regional. Os recursos financeiros são escassos e, quando os têm, poupam para a compra dum “carrito” em segunda mão, o resto é investido nas courelas e em equipamento para o cultivo sazonal. O que colhem é para consumo próprio e para distribuir pela família que, de tempo em tempo, vem à terra. O excedente que não consomem é, a maior parte das vezes, oferecido e o resto desperdiçado. Falam sobre política, mas daquela que lhes chega pelos quatro canais da televisão e seus comentadores.

Sobre a política que lhes chega a reflexão que fazem “ao seu jeito” nem sempre é acrítica mas de senso comum repetindo chavões que ouvem nas televisões na maior parte das vezes veiculados pela propaganda da direita. É uma região de pequenos proprietários com parcelas de terra dispersas e onde o sentimento de posse da está muito arreigado e plena de receios ancestrais cultivados pelo antigo regime. A palavra socialismo é conotada com algo que lhes retira o que têm e não com o que possam, num futuro próximo possam vir a usufruir em termos sociais. Para muita gente que vive por estas bandas o conceito de Estado Social é ainda sinónimo de estado socialista que tudo tira.

É gente com filhos e netos que deixaram o campo e foram para a cidade, capital do distrito, ou para as grandes capitais tirar um curso superior para obtenção de um canudo que lhes traga promoção social que, grande parte das vezes, não terminam. No caso contrário a maior parte das vezes, de nada lhes vale por falta de ofertas emprego, ficando alguns por balcões do comércio porque não querem seguir a profissão dos pais. Por sua vez estes procuraram dar aos filhos uma forma de vida que não fosse cavar a hortas para cultivar batatas, couves e cebolas para consumo interno.

Nestes locais interiores o acesso aos cuidados de saúde sempre foi no passado um problema e continua a sê-lo e cada vez pior, resultado da governação de Passos Coelho. Para quem não tem transporte próprio a deslocação à cidade para tratar de qualquer assunto e assistência médica significa a perda de um dia completo devido à escassez de transportes públicos. A “carreira” passa às sete horas da manhã e depois só lá para o fim da tarde regressa. É o problema que sempre se segue às privatizações tão valorizadas pela direita que perdeu o poder. Há transportes se rentável caso contrários acaba-se com esses percursos se não forem subsidiados. Isto é, justificava-se a privatização para tornar os transportes mais eficazes e rentáveis, depois subsidiam-se os privados para manterem certas carreiras. Dinheiro que sai dos contribuintes na mesma. Onde está o ganho?

É o dia-a-dia das pessoas do interior norte que se vai queixando mas que continua a colocar o seu voto na direita que nada lhes deu após o 25 de abril e que, passados 40 anos, lhes foi tirando o pouco que conquistaram…

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publicado às 22:48

Não sou muito pelo recurso ao passado no debate político, o mesmo não digo quando se trata de análise histórica enquanto tal. Todavia, já agora, e recorrendo ao modelo do debate político que a coligação de direita fez e faz, rebusco o passado para que, também ela, avive a sua memória.

Sem fazer mais considerações apresento na íntegra uma moção de rejeição ao Governo do PSD ao Partido Socialista citando João Galamba:  "Em 1999, o PS ganhou as eleições e teve mais votos e mais deputados do que na eleição anterior, em 1995. Mas não conseguiu a maioria absoluta, ficando com 115 deputados. Perante isto, e sem dispor de qualquer maioria ou solução de governo alternativa, PSD apresenta uma moção de rejeição e tenta derrubar o governo.".

Aqui está ela:

MOÇÃO DE REJEIÇÃO N.º 2/VIII

O Programa apresentado à Assembleia da República pelo XIV Governo Constitucional é, confessadamente, a simples reprodução do manifesto eleitoral com que o Partido Socialista se apresentou a eleições em 10 de Outubro último.

O seu conteúdo é, pois, em tudo idêntico àquilo contra o que o PSD, democrática e convictamente, se bateu durante a campanha eleitoral e que afinal não mereceu a adesão maioritária dos portugueses.

O PSD disputou as eleições combatendo os propósitos socialistas e apresentando propostas diferentes, que consubstanciavam claramente um governo e uma governação alternativa à governação socialista.

É precisamente em nome dessa clareza e da necessária transparência política de princípios e dos compromissos assumidos com o eleitorado, que o PSD afirma hoje a sua rejeição ao mesmíssimo programa político que ontem denunciou e combateu perante o País.

O programa socialista não era bom para Portugal antes das eleições e continua a ser mau nesta sua segunda edição, agora publicado pelo Governo.

Esse foi, também, o entendimento expresso pela maioria dos eleitores, pelo que competia ao Partido Socialista a procura de soluções que merecessem o apoio político que sozinho não obteve.

Não o ter feito é aos socialistas e apenas aos socialistas que naturalmente responsabiliza.

Nestes termos, ao abrigo do n.º 3 do artigo 192.º da Constituição e das normas regimentais competentes, o Grupo Parlamentar do Partido Social Democrata propõe que seja rejeitado o Programa do Governo apresentado à Assembleia da República pelo XIV Governo Constitucional.

Palácio de São Bento, 3 de Novembro de 1999. O Presidente do Grupo Parlamentar do PSD, António d' Orey Capucho.

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publicado às 22:12

Fora da zona de conforto

por Manuel AR, em 05.10.15

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  1. A coligação PàF formada pelos partidos PPD-PSD e CDS-PP ganhou as eleições, ponto. Não há volta a dar. O PS perdeu a eleições, também não há volta a dar. Quem conseguiu ganhar em termos de número de votos e deputados foi o Bloco de Esquerda. Quanto a isto, tudo o que se possa depois dizer não são mais do que conversas fiadas e profecias.
  2. A coligação PPD-PSD e CDS-PP ganhou tendo dificuldade de revalidar a sua maioria absoluta.
  3. Mas, uma coisa é a maioria aritmética, outra são as correlações de forças no âmbito da Assembleia da República e a possibilidade de governação sem o conforto da maioria absoluta. Passos Coelho está agora fora da sua "sua zona de conforto".
  4. Sem querer desvalorizar a vitória aritmética da coligação PàF PSD e CDS o que o resultado das eleições nos mostra é que a esquerda ficará com 121 deputados e direita da PàF com 104. Isto pode não querer dizer nada, porque a esquerda não está coligada, todavia mostra uma tendência da escolha dos eleitores.
  5. À beira da maioria absoluta dizem os da PàF mas à beira pode ser um precipício.
  6. Já aqui disse que o PSD e o CDS podem agradecer o contributo da sua votação aos canais televisivos que, com alguma subtileza, acabaram de forma consentida condescender ao poder dos partidos do governo.
  7. A RTP Informação passou a ser RTP3 a partir de ontem, um dia ótimo. Do meu ponto de vista e olhando para a orientação editorial e para quem vai estar presente em diversas rubricas é mais um canal pró governo de direita com o objetivo de cativar as mentes dos cidadãos para os grandes ideais liberais neoliberais.
  8. Por curiosidade: terá alguém reparado que nos dois dias antes do ato eleitoral Judite de Sousa, exemplo do jornalismo isento, amiga de Miguel Relvas com quem passou em família férias no Algarve apresentou-se, no primeiro dia com um vestido laranja, e no dia seguinte com um vestido azul.
  9. Será mera coincidência o regresso de Miguel Relvas a comentador político nos canais da TVI?
  10. Nos canais de televisão os comentadores residentes são todos da mesma área partidária. São eles, por exemplo, Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes e Nuno Morais Sarmento. Deixou de haver contraditório. Os comentários políticos são sempre os mesmos a fazê-los, com exceção de debates pontuais. São elementos dos partidos (PSD) que estão lá a fazer política mais ou menos partidária. É um embuste que está a ser feito aos espetadores fazendo-lhes crer que são comentadores isentos.
  11. Os partidos e os candidatos temem a comunicação social, especificamente as televisões e, por isso, não os confrontam, nem os criticam pela forma como trabalham a informação. Medo do poder que se tornou capaz de destruir uns e de construir outros mesmo que falsos.
  12. Esta campanha foi excecionalmente tendenciosa quer pelos alinhamentos noticiosos, quer pelos enquadramentos escolhidos das peças selecionadas para emissão, quer ainda pela ênfase positiva que, não raramente, era dada aos partidos quando afrontavam António Costa e o PS.
  13. O Partido Socialista foi o "bombo da festa" e vai continuar a ser, porque tudo quanto está no meio está entalado. O PSD e o CDS vão utilizá-lo a bel-prazer para fazerem passar leis lesivas para a maior parte dos portugueses que também os elegeram. Se votam contra dirão: Estão a ver? Estão a criar instabilidade governativa. Se votam a favor dirão outros: Estão a ver? Nós bem dissemos, estão aliados à direita para destruir os direitos dos trabalhadores.

 

Nota final: Parece que as ofensas que fizeram aos idosos, uma delas chamando-lhes peste grisalha, parece que resultou como elogio.

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publicado às 19:57

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Se a coligação PPD-PSD.CDS-PP ganhar bem pode agradecer de todo o coração às televisões e a muitos dos seus comentadores e jornalistas. Todos os canais, sem exceção, mostraram uma parcialidade de tratamento nunca vista em eleições de anos anteriores. Foi uma espécie de retaliação contra o Partido Socialista. Resta-nos saber porquê.

Mas não foram só as televisões, estas serviram como veículo de partidos de todos os quadrantes para fazer campanha baseada no ataque ao Partido Socialista esquecendo grande número de vezes a coligação de direita PPD-PSD.CDS-PP que governou durante mais de quatro anos. O objetivo era simplesmente fazer com que o PS não tenha maioria o que servirá apenas para beneficiar a direita.

Dizia Eduardo Cintra Torres em janeiro de 1998 (p.168) que "Cabe aos mensageiros, (os jornalistas, os órgãos de informação) e aos recetores (os leitores, os espectadores) estarem atentos para que a realidade vista por cada um seja sua e não "deles". Essa vigilância é particularmente difícil no caso da televisão, porque as mensagens de propaganda se espalham temporalmente e se diluem em inúmeros blocos informativos - mensagens que são como pontos invisíveis, mas vão formando uma imagem, não no ecrã, mas dentro de nós, subliminar."

Cintra Torres, agora comentador no canal de televisão CMTV, escreveu isto quando no Governo em Portugal estava o Partido Socialista com António Guterres. Resta saber se hoje em dia ainda tem a mesma opinião com o Governo PSD/CDS ainda em funções.   

Como os portugueses estão agarrados aproximadamente quatro horas por dia a olhar para a televisão, é como se utilizassem uma ferramenta para mudança social, alterando a forma de pensar. O governo e a coligação PPD-PSD.CDS-PP seriam ingénuos se ignorassem o seu efeito. 

Assim como a televisão pode motivar através da publicidade para comprar roupas, música, jogos e por as pessoas dentro e fora de moda, o mesmo pode ser feito ao modo particular de pensar sobre quem governa.

A televisão através de informações selecionada e tratada com muito cuidado pode motivar e até manter um povo enganado através da seleção de temas e condicionamento de opiniões para servir a critério dum governo, dum partido ou outros.

O elemento principal do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o público de prestar atenção ao que verdadeiramente interessa e se passa na política. Manter a atenção do público distraído, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real.

Usar aspetos emocionais é uma técnica para causar uma espécie de curto-circuito na análise racional e no sentido crítico dos indivíduos. Além do mais, a utilização das emoções permite abrir a porta de acesso para fazer entrar ideias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos. Esta última fez parte da campanha da coligação de direita PSD/CDS.

A estratégia passa pela divulgação preferencial de conteúdos medíocres, e pela coroação de ícones políticos popularuchos que em geral não apresentam demasiada  cultura, nem inteligência mas que a televisão transforma.

Se a coligação PPD-PSD.CDS-PP ganhar bem pode agradecer de todo o coração às televisões. A todas sem exceção. Diretores de informação, alguns jornalistas, comentadores mostraram uma parcialidade nunca vista em anos anteriores. Foi uma espécie de retaliação contra o Partido Socialista.

Colocavam no ar tudo o que era bom da campanha PAF e horas a fio de Passo Coelho a falar monocordicamente e por outro lado quase tudo o que era mau na campanha do PS. Não havia censura, mas a forma como a informação é tratada e alinhada para ir para o ar pode também ser uma espécie de censura no sentido de avaliação negativa. Se, de facto, se acreditar em conluios, esta campanha foi bem disso a prova de como a direita teve uma influência que penetrou em todos os canais de televisão, mesmo naqueles cuja informação se diz ser independente. Somos livres de pensar de por portas e travessas não terá havido promessas a esses canais, alguns deles não são mais do que "canis" que abrigam cães rafeiros da desinformação.

Uma análise ao conteúdo das campanhas comprovaria o que acabo de dizer. Porque não é apenas o que dizem a quantidade do que dizem nem a quantidade do que passam é, também, a seleção tendenciosa das imagens e os comentários por vezes sem isenção e ao belo prazer e interpretação livre do jornalista que os faz  

Tirando alguns frente a frente onde por vezes estavam políticos de partidos à esquerda do PS (também era o que faltava que assim não fosse) os comentadores de serviço em todos os canais generalistas e de informação eram conhecidas figuras do PSD. Onde estava o contraditório?

Eu não acredito da independência e isenção de militantes sem contraditório quando comentam política nas televisões.

Para a maior parte das pessoas a fonte de informação é a televisão mais do que de qualquer outra fonte de notícias e daí há sempre uma maior preocupação pela forma como os canais cobrem uma campanha política. Estudos em outros países têm demonstrado a predisposição para a cobertura de notícias que se concentram mais na imagens dos candidatos, e para um jornalismo direcionado para quem está a ganha, quem está a perder, divulgação dos resultados das pesquisas de opinião, do que numa apresentação séria sobre as propostas que os partidos candidatos têm para oferecer. Veja-se o caso da discussão do programa da coligação PSD/CDS que na prática nunca foi conhecida e votado a um ocultismo propositado.

A cobertura televisiva das campanhas dos partidos dependeu quase exclusivamente em quantidade e extensão de "soundbites", trechos de mensagens de candidatos ou de excertos de comentário que tiveram especial atenção nos candidatos da coligação que tiveram tempos de antena privilegiado em tempo e qualidade de captação de imagem. No último dia da campanha até o Bloco de Esquerda foi contemplado em tempo e imagem.  

 Além de dependência de "soundbites" a cobertura de notícias das televisões da campanhas também foi caracterizada por "peritos" comentadores quase sempre do mesmo quadrante partidário que interpretaram os eventos para os telespectadores moldando, dirigindo, e centrando-se observações para favorecer mais um lado do que outro.

Houve um excessos de enviesamento político na campanha direcionada mais para o lado dos partidos do governo havendo diferenças entre os canais sobre a atenção privilegiada que davam a uns candidatos.  

Além do enviesamento político-partidário imediato as notícias das televisões colocaram demasiada ênfase em alguns dos candidatos. Para uns, discriminação positiva, para outros, discriminação negativa pelos extratos da campanha que eram escolhidos durante a edição de imagem assim como o tratamento que era dado pelos jornalistas que acompanham as campanhas dos partidos.

A cobertura televisiva pode ajudar a determinar como os candidatos são percebidos pelo eleitorado que pode influenciar o sucesso ou insucesso. Esta capacidade de provocar a retenção da atenção é vista como a influência da televisão no processo político duma forma muito decisiva, uma vez que um candidato que não se sai bem enfrenta não só uma batalha difícil mas podem ter dificuldade em levantar-se para continuar. Daí que é muito importante a leitura que se deve fazer de tudo quanto se vê.

Cobertura política pelas televisões não se limita a uma simples cobertura dos candidatos e atividades de campanha, os noticiários de televisão também tem desempenhado um grande papel na cobertura de outros aspetos do processo político pode por exemplo ajudar os eleitores a compreender melhor o processo de seleção política através do já referido enviesamento.

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publicado às 17:36

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Citações políticas e de mentira

Autores: Passos Coelho, seus ministros e apoiantes antes e após as eleições de 2011

Estas citações já foram por demais divulgadas mas é sempre bom avivar a memória que se diz curta do povo

  • Já ouvi o primeiro-ministro dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate (2011).
  • O desemprego é uma oportunidade
  • A emigração era uma forma de sair da zona de conforto
  • Há muitos que deviam pagar impostos e não pagam e são um peso para a sociedade porque não declaram as suas atividades.(fev/2014)
  • Este programa está muito além do memorando da 'troika'.
  • O plano de privatizações da troika não defende todas as privatizações. Nós queremos que isso se estenda aos órgãos de comunicação social.(maio/2011)
  • Portugueses são umas cigarras (não querem trabalhar)
  • Os empresários portugueses são uma cambada de ignorantes
  • Os portugueses devem deixar de ser piegas (2012).
  • O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento.
  • Os portugueses deviam emigrar
  • O desemprego é uma oportunidade
  • A Peste grisalha dita por um dos seus correligionários da JSD?
  • Jovens de hoje arriscam pouco, preferem trabalhar por contra de outrem em vez de serem empreendedores
  • Os portugueses andaram a viver acima das suas possibilidades. É preciso empobrecer.
  • Economia vai crescer a partir do último trimestre deste ano e de forma mais pronunciada a partir de 2013.
  • Os sacrifícios são para todos
  • Nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma, ou consegue (…) estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se, sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado de língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa (2011)
  • Quero afastar alguns preconceitos, falsos argumentos ou medos infundados baseados na ideia de que existe uma intenção subversiva de natureza ideológica contra o Estado Social. Nada mais absurdo.
  • Transformação das velhas estruturas e velhos comportamentos muito preguiçosos ou, às vezes, demasiado autocentrados

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publicado às 18:58

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A campanha eleitoral da coligação PaF do PPD-PSD e do CDS-PP no que reporta ao seu programa a aplicar no futuro caso venha a ser governo é uma espécie de ciência oculta. O ocultismo consiste no estudo e prática de ciências que se rodeiam de mistério. O programa de governo para a próxima legislatura é uma coisa sobre a qual se vai reger a coligação PPD-PSD e CDS-PP ainda não foram explicadas. É um conhecimento destinado apenas para certas pessoas e que deve ser mantido escondido. Isto é, oculto

Passos Coelho antes de ir para o Governo mentia, agora oculta.

A dita coligação passou o tempo todo a falar do programa de outros partidos que há muito se conhecem e não apresentou claramente o seu. Criam medo com os outros partidos mas ocultam o que aí vem se eles ganharem. É o culto do ocultismo.

Parece que até o Presidente da República Cavaco Silva já aderiu a esta nova ciência do ocultismo político. Passo Coelho diz que o Presidente da República "é transparente" e rejeitou qualquer desconforto pelo facto de o Presidente não ter sido mais explícito para si sobre o que vai fazer no pós-eleições. Mas o próprio Presidente diz saber "muito bem aquilo que vai fazer" mas não diz. Oculta. Todos els praticam uma ciência que se rodeia de mistério.

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publicado às 00:18

A reforma dos Estado e os pendurados

por Manuel AR, em 21.09.15

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O ilusionismo sempre foi a "arte" circense preferida de Paulo Portas e continua a sê-lo nesta campanha eleitoral. Para Paulo Portas está tudo bom e nem sei se os dedos das mãos, e já agora dos pés, chegarão para enunciar todo o sucesso do bom que o Governo fez e ao qual pertence.

Fiz um esforço para conseguir apurar o que o governo de Passos e Portas fizeram. Foi tanto que não o vou enunciar na íntegra porque seria tão exaustivo que até os que são contra a PaF desistiriam de ler. Então vejamos:

Os funcionários levaram cortes; redução de horas extra; perda de parte da pensão; congelamento de promoções; anulação de ascender a uma chefia; instalada uma ameaçadora possibilidade de despedimento. Tudo isto para que adjuntos e assessores sem competência ocupassem funções nos serviços; abertura de concursos que abrem para tapar os olhos que acabam por selecionar os três melhores e que um dado ministro acaba por escolher outros, os boys do PSD-CDS. Estes boys em vez da competência revelam a arrogância da incompetência que vai substituir a legitimidade pela pressão política que alastra sobre os serviços.

Os políticos que ocupam o Governo têm assim pessoal mais submisso, amigos que lhes cuidam da casa e arranjam sempre dinheiro necessário para pagar a esses tais assessores sem experiência que, nestas lides ainda precisam de "dodots" mas mostram-se como sujeitos experimentados que utilizam automóveis pretos e usam iphones que tocam a toda a hora.

Podemos perguntar para que serve esta gente toda nomeada para assessorar quem e o quê e onde a tal dita reforma do Estado não tocou, antes agravou? São varejeiras de propaganda que entraram pelas janelas da agência de emprego em que a PaF do PSD-CDS transformou o Estado.

Cada um que pense por si deixando de acreditar na ilusão vendida por Passos Coelho e Paulo Portas que não são mais do que ilusionistas da feira em que transformaram o Estado e a política.

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publicado às 16:29

Pafirizar o país outra vez?

por Manuel AR, em 21.09.15

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Passos Coelho e a coligação inventaram um novo verbo que é "Syrizar", coisa absurda não só pelo assassínio da língua com a introdução de neologismos absurdos e sem sentido. Assim, seguindo a mesma lógica, também podemos encontrar um verbo adequado para o que a coligação causou em Portugal. O verbo "Pafirizar" resulta de "PaF", acrónimo adotado pela coligação PSD/CDS liderada por Passos Coelho, e que poderá significar a ação que transformou Portugal num país espartilhado, vampirizado, empobrecido e deprimido.

Hoje foi iniciada oficialmente a campanha eleitoral e, pelo andar da carruagem, começa cada vez menos a haver paciência para ouvir as intervenções dos partidos, mas há um que já cansa: o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho que a maior parte das vezes fala sem que a maior parte das pessoas o entenda e nada diz o que irá fazer se for novamente governo. Discute o programa dos outros sem apresentar o seu. Mais parece estar a dar aulas de formação à moda antiga em que o formador fala… fala… fala cansando o seu auditório. Talvez lhe tenha ficado o jeito que dos tempos da formação na Tecnoforma.  

Explica… explica… explica… mas não convence a não ser os seus eleitores fixos e tradicionais. Quando faz as suas preleções do tipo mestre-escola, com uma voz abaritonada, o que me vem à memória são as "cantigas" que cantou antes de ganhar as eleições passadas para atrair votos e gerar simpatias e que, depois durante estes exaustivos e cansativos anos de governação, desafinou com armadilhas e embustes sucessivamente desmascarados.

O argumento mais utilizado é o de encontrámos um país a braços com a troika, mas não diz que contribuiu para o memorando que ajudou a negociar e que Eduardo Catroga, na altura o coordenador do programa eleitoral do PSD, reiterou a importância da "influência social-democrata no acordo com a "troika". Quem quer que na altura tivesse ido para o governo, sem radicalismos, teria feito muito melhor ao país sem a destruição social e económica há muito premeditada pelos ultraliberais infiltrados no PSD a que se juntou depois o CDS.

Se Portugal está mal os únicos responsáveis são o PSD e o CDS da coligação PaF que agora se apresenta com pretensões de ganhar as eleições.

Dizem agora que, daqui para a frente, tudo vai ser diferente e melhor pretendendo mostrar um rosto mais social-democrata com preocupações sociais contrariando até o que então disseram. Já demos para esse peditório. E não se podem queixar que não tiveram condições para governar porque fizeram tudo o que quiseram e apoiados por um presidente partidarizado que os apoiava e lhes desculpava as falhas.

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publicado às 00:03

Guerrinha da caça aos votos e votinhos

por Manuel AR, em 17.09.15

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 A coligação PSD/CDS (PaF - Portugal à Frente) tem a vida facilitada nesta campanha porque o trabalho que deveria fazer fica a cargo dos partidos à esquerda do seu adversário mais direto.

A esquerda radical abriu assim a caça aos votos e aos votinhos ao centro-esquerda deixando território livre para a direita penetrar sem muito esforço de progressão no terreno da caça ao voto.

Pelo andar da pré-campanha eleitoral e pelos debates podemos antecipar como vai decorrer a campanha que tem início no próximo domingo.

São quinze os partidos que se apresentam a disputar as eleições alguns apenas em todos os círculos eleitorais.

Há partidos e partidinhos para todos os gostos e opções, muitos deles, sabem à partida que não estarão em condições de eleger deputados e não terão na prática expressão eleitoral. Num regime democrático e multipartidário todos devem ter o direito de se apresentar a eleições. Quanto a isto nada a dizer. O já o mesmo não se pode afirmar ao que respeita à publicitação das suas campanhas cuja visibilidade não lhes é dada na comunicação social.

Num sistema multipartidário há partidos que concorrem às eleições que pertencem a vários espetros políticos e, em princípio, todos vêm uma hipótese de eleger deputados separados ou em coligação. Ao apresentarem-se a votos muitos daqueles partidos vão contribuir para a dispersão de votos, especialmente à esquerda, reduzindo a probabilidade de eleição de deputados.

 Os eleitores ponderam mais fortemente quando existem diferenças claras nas propostas entre os partidos.

Se os partidos não apresentam alternativas concretas e efetivas sobre determinado tema a preferência dos eleitores por um dos partidos não terá nenhum efeito sobre os resultados esperados daa política porque a política seguida será a mesma não importa qual o partido que vença as eleições. Supostamente os eleitores votam em propostas ou programas quando o sucesso de um partido sobre o outro resultará em políticas diferentes. Como os candidatos e os partidos clamam por atenção e disputam o apoio popular, o veredicto do povo pode não ser mais do que um reflexo seletivo por entre as alternativas e perspetivas claras que lhes apresentam.

A voz eleitoral do povo é uma espécie dum eco recebido que tem uma inevitável e invariável relação com o emissor. A clareza com que os candidatos e os partidos articulam a sua política e as suas posições influenciam a capacidade do eleitor para escolher entre candidatos e partidos com base em pontos-chave.

Outro aspeto igualmente importante é a quantidade de escolha dada aos eleitores pela diversidade de temáticas e alternativas propostas pelos partidos. Consideremos os eleitores motivados por apenas dois fatores: o estado da economia e as mudanças de política.

Se os eleitores são solicitados a escolher entre dois partidos que oferecem posições idênticas sobre a questão política, mas têm propostas diferentes sobre a economia, então não se pode prever qual foi o comportamento dos eleitores quando optaram pela questão política ou pela de economia para escolherem entre os dois partidos e poderem recorrer a critérios alternativos de seleção.

Quando votam têm que escolher entre os partidos disponíveis, utilizando informações sobre as diferenças económicas desses partidos, e serem capazes de distinguir quais os que forem substancialmente diferentes e entre os que oferecem posições muito semelhantes. Os eleitores podem tomar as suas decisões apenas se as partes apresentarem distintas plataformas ao eleitorado.

Isto conduz-nos a um ponto crucial que é o de os eleitores conhecerem claramente as propostas e programas dos partidos que se candidatam às eleições.

Nesta campanha nem a coligação PSD/CDS nem os partidos mais pequenos apresentaram ainda um programa credível e mais ou menos detalhado e quantificado. Limitam-se a lançar para o ar chavões que proferem até à exaustão no sentido de captar a atenção dos eleitores mas cujo resultado prático, caso fossem governo, não poderiam concretizar e então enganariam que os elegeu.

Dos quinze partidos que vão constar nos boletins de voto, a maior parte deles, uns mais à direita da coligação PSD/CDS e outros mais à esquerda do PS, batem-se por captar aqui e ali uns votinhos dos partidos à sua direita ou à sua esquerda respetivamente.

Os que mais proliferam são os partidos à esquerda do Partido Socialista cujo objetivo é retirarem alguns votinhos a este último. Aliás, a argumentação destes partidos tem sido na prática não combater a direita mas em ir buscar votos onde acham que podem ser bem-sucedidos. Não se está a ver que partidos como o PCP e o Bloco de Esquerda e outros como eles possam ir buscar votos à direita e ou ao centro, logo, por uma questão de proximidade, tomam como alvo preferencial o partido onde poderão ir conseguir uns votinhos.

Para atingirem estes objetivos, e com a demagogia do costume e à falta de um programa coerentemente exequível, gastam o seu discurso fazendo passar mensagens, mais ou menos falaciosas, com base em interpretações livres dos programas dos seus adversários políticos mais próximos.

A coligação PSD/CDS (PaF - Portugal à Frente) tem assim a vida facilitada nesta campanha porque o trabalho que deveria fazer fica a cargo dos partidos à esquerda do seu adversário mais direto. A esquerda radical abriu assim a caça aos votos e aos votinhos ao centro-esquerda deixando território livre para a direita penetrar sem muito esforço de progressão no terreno da caça ao voto.

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publicado às 22:50

A conversa do costume

por Manuel AR, em 14.09.15

O PSD se quiser voltar a ter o prestígio e credibilidade que teve terá que lavar e desinfetar a ferida causada pela tribo que o infetou.  

A coligação compara com a Grécia, ameaça com a Grécia, volta ao passado, agita com a troika, desfralda a bandeira do medo porque nada mais tem para propor. Todos os que não concordem com o seu não programa querem que Portugal seja uma nova Grécia. Tretas!  

Quem estiver atento, não apenas à forma mas ao essencial do conteúdo das mensagens, verificará que a campanha eleitoral da coligação PAF (Portugal à Frente) formada pelos partidos PSD e CDS não tem programa credível e não tem uma posição clara sobre o que pretende fazer se for novamente governo.

Ainda bem que Sócrates existiu e existe porque passou a ser um refúgio e um recurso para Passos Coelho e a coligação fugirem como o diabo da cruz à discussão do presente e do que pretende fazer para o futuro caso ganhe as eleições. Uma coisa sabemos é que, apesar de pequenos ajustes mais ou menos formais, manterá o mesmo rumo que seguiu até aqui sem mudar uma vírgula como Passos Coelho já afirmou.

Não é segredo para ninguém que o governo de Passos Coelho foi, e por enquanto ainda é, um acidente na democracia portuguesa. Foi, e é um acaso. Limitou-se a aplicar as medidas que a troika lhe ia prescrevendo de três em três meses, que eram por ele agravadas porque correspondiam à matriz ideológica da tribo neoliberal que se encaixou no PSD cujas medidas tirou da manga somente após as eleições que a levaram ao poder. 

Para esta tribo a democracia tem sido um obstáculo e fizeram todos os possíveis para ir contornando simulando o cumprimentos de formalismos. A Constituição era uma treta que devia ser totalmente revista e que saiu dos famigerados tempos da revolução de abril e do tempo em que Sá Carneiro solicitou a admissão do PSD na Internacional Socialista. Alguns até disseram por aí que o Tribunal Constitucional não servia para nada, como se países da Europa, como a Alemanha, não tivessem o seu e o respeitassem. Falaram nas limitações à lei da greve como um espécie de ensaio para outras limitações à democracia.

Na política em relação à Europa o governo andou e falou baixinho e estremeceu quando o ministro das finanças alemão Schäuble abria a boca e a direita europeia impunha soluções.  

A privatização da RTP foi uma autêntica peripécia sem transparência de avanços e recuos no sentido de a controlarem, não através do Estado, mas através dos privados que a comprassem, o que deu até um processo disciplinar a um diretor da informação.

Paulo Portas, face a protestos vindo dos mais diversos setores dizia na altura sermos um protetorado e que nada podíamos fazer, agora diz que somos soberanos. Ainda há semanas atrás a venda do Novo Banco tinha que ser vendida rapidamente até fins ade agosto e sem prejuízo para os contribuintes, vêm agora dizer que não há pressa na venda e que ficará para a próxima legislatura. Passos Coelho diz hoje o que já não dirá semanas depois. Pontapear para a frente a bola para não haver golos na própria baliza antes das eleições.

Passos Coelho faz comparações entre o BES e o caso BPN que era controlado por gente afeta ao partido a que pertence e que foi nacionalizado na altura em que o PS era governo. O caso do BES teve contornos totalmente diferentes do BPN em que está envolvido Dias Loureiro, penso que constituído arguido há mais de três anos e que foi publicamente elogiado pelo próprio Passos Coelho.

Não fala por exemplo do caso da venda do BPN ao BIC por preço abaixo do seu valor de mercado, 40 milhões em vez de 80 milhões, e que em 2013 o BIC Portugal reclamava do Estado reembolsos no valor de cerca de 100 milhões de euros, relativos ao BPN, e que estão relacionados com as contingências decorrentes do acordo de privatização celebrado em Março de 2012 como, por exemplo, os custos derivados da venda como indeminizações e outros.

Passos Coelho omite, desvia, engana e deturpa as realidades, como sempre o fez ao longo dos quatro anos e seis meses de governo. Agora nada por aí em fantochadas eleitoralistas a ver se não se afoga.

O que podemos esperar dum futuro governo com esta direita coligada é isto e muito mais. Volto a repetir que o PSD, se quiser voltar a ter o prestígio e credibilidade que teve, terá que desinfetar a ferida causada por esta tribo que o infetou. Quanto ao CDS nada a dizer, é e será sempre um partido que nunca enganou ninguém e que serve para animar a festa enquanto Paulo Portas lá estiver se tal não for irrevogável.

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publicado às 16:00


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