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Sacudir a água do capote

por Manuel AR, em 12.07.13

 

O Sr. Presidente da República criou uma autêntica balbúrdia com a sua comunicação ao país. Foi evidente a sua desresponsabilização do problema político que ele, indiretamente, ajudou a criar, apoiando um Governo cheio de lacunas e contradições. O que está e causa é ele próprio e não o país. A imagem dele acima de tudo.

Mas o mais grave é que, agora, pretende que os partidos intercalares do poder, (detesto arco da governação), por artes mágicas se juntem e encontrem uma alternativa talvez, no pensamento dele, uma espécie de “União Nacional” que agora designa por salvação nacional. Compreende-se, à medida que envelhecemos, e ele conta 73 anos, devido a problemas da memória de curto prazo começamos a virar-nos para o passado. Isto é, a partir dos 40 anos de vida começamos a esquecer-nos de ocorrências do presente mais recente, mas o que se refere ao passado longínquo volta a estar mais presente.

O Presidente da República esqueceu-se de que o Governo que tanto têm apoiado tem progressivamente vindo a cair na desgraça. Disto Passo Coelho, Miguel Relvas e também Vítor Gaspar são os grandes responsáveis. Não tanto pela austeridade, contra a qual a maior parte do portugueses tem vindo a reclamar, mas que aceitavam se fossem mobilizados com discursos de coesão e não de divisão.

Aqueles referidos senhores resolveram entrar por um processo divisionista, como já várias vezes tenho escrito, lançaram jovens contra cidadãos com emprego, acusaram os que o tinham como estando numa zona de conforto, lançaram jovens contra velhos, setor privado contra setor público, alimentaram rivalidades dentro do próprio setor público, criticaram os jovens porque não emigravam, desdenharam as organizações profissionais aceitando-os apenas, e quando, iam de encontro aos seus objetivos perversos e toda uma sucessão de material verbal de idêntico valor. Linguajar como este, como a já tão falada “peste grisalha”, entre outros disparates ofensivos sobre cidadãos. Não é de admirar que toda esta panóplia emergisse da ala mais neoliberal, com laivos nazificantes, que se infiltraram no PSD.

Vem agora o Presidentes da República sacudir a água do capote e pedir aos partidos para se entenderem, querendo envolver o PS, marginalizando outros partidos. Só se o PS estiver com instintos suicidas!

Agora que o PSD e o CDS, (este por arrasto), não sabem o que hão-de fazer, quer o Sr. Presidente de alguns portugueses, que outros venham ajudar a resolver os problemas que ele e os seus partidos criaram. Depois estamos mesmo a ver o que poderá vir a acontecer. Se correr mal, vocês também lá estiveram. Se correr bem, o que é duvidoso, fomos nós que conseguimos.

Presidentes assim há só há este e mais nenhum!

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publicado às 19:10

Estes partidos que nos governam

por Manuel AR, em 16.03.13

Reprodução: Agência Brasil


 

O que mudou no PSD nos últimos 20 anos que o conduziu a um programa e a políticas que nada têm a ver com a sua matriz ideológica que foi proposta aos portugueses e que nele acreditaram e votaram? A proposta do antigo PSD de um País, um Governo, um Presidente nada tinham a ver com esta falsidade que estes senhores criaram destruindo parte da base do apoio eleitoral do partido.

 

Tendo em conta afirmações de alguns “sujeitos”, há muito infiltrados no PSD que têm publicamente defendido posições políticas neoliberais radicais, podem colocar-se várias hipóteses explicativas e possíveis para a mudança de rumo do autêntico PSD. A que mais se poderá adequar é a de que, no PSD, se encontravam latentes, em alguns dos seus militantes mais antigos, ideias neoliberais radicais que foram catalisadas por outros militantes mais jovens, alguns oriundos da JSD, a quem foram impingidas teorias neoliberais radicais com uma visão distorcida da realidade portuguesa e absorvidas sem qualquer espírito crítico a serem aplicadas num curtíssimo espaço de tempo isto é, se possível numa legislatura de tal modo a impossibilidade de retrocesso, dificultando assim no futuro a governação por outras áreas ideológicas, nomeadamente do Partido Socialista, enquanto parido de alternância.

 

Em “posts” anteriores já associei a política de Passos Coelho àquela que Margarete Tatcher adotou para pôr em prática no Reino Unido nos anos oitenta do século passado que conduziram o país a um desastre social do qual, ao fim de todos estes anos, ainda não se libertou. Temos que ter em conta que, nos anos oitenta, aquelas políticas foram um fracasso apesar de os contextos e as condições políticas internacionais serem mais favoráveis.

 

Desconheço se Passos Coelho tem alguma noção histórica do que foram esses tempos, pois teria apenas uns vinte e poucos anos e se alguma vez se interessou por saber. Tendo em conta alguns economistas da sua área política que dizem que a história não serve para nada, é natural que não saiba. O certo é que ele e os seus protegidos do Governo (resta saber quem protege quem) pondo acima de tudo as ideologias politicas e económicas que professam, estão a conduzir Portugal para um caminho que, a continuar assim, será pior do que o da Grécia. Apenas com uma diferença, é que as políticas seguidas estão a ser implementadas com alguns adiamentos para que estertor não seja tão rápido. O receituário é o mesmo da Grécia, o que difere é apenas a posologia da medicação que passa a ser mais espaçada para que o doente sinta mais tarde os efeitos colaterais da morte.

 

O que é preocupante é que possam ainda existir portugueses que, de boa-fé, ao tencionarem votar no PSD, acham que estão a votar num partido em que acreditavam e que vai resolver os problemas para o desenvolvimento do país. Desenganem-se porque o tempo desse partido já lá vai! Proponho, assim, a mudança do nome de PSD para PUP-Partido Ultraliberal de Portugal para quem ainda tencione votar neste partido.


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publicado às 15:28


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