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Aos grandes causadores deixai-os morrer…

por Manuel_AR, em 21.04.20

Coronavirus-envelhecimento.png

Serem os idosos os mais vulneráveis não que dizer que sejam eles os principais transmissores da infeção para os outros. Pelo contrário, são os outros, os dos grupos etários mais baixos, quer sejam cuidadores, quer sejam familiares ou amigos que os contaminam nas suas casas, dentro e fora dos lares, nas casas de familiares e, pontualmente, noutros contextos que os contagiam. Parece querer-se criar nos mais velhos o estigma de causa e efeito da epidemia.

Notícias, informações, comentários, opiniões, contradições, conferências de imprensa, mesmo as da DGS, deixam no ar mensagens de ambiguidade aos auditores/recetores de apreensão e proporcionam interpretações erróneas e algo confusas.

Observa-se  no constante destaque sobre a incidência do Covid-19 relacionado com os idosos e os lares, parecendo sugerir que são eles os grandes causadores da propagação do vírus e também serem eles os que, em valor numérico e percentual são os mais contaminados quando haverá nas principais capitais portugueses hostels, pensões, alojamento locais e casas alugadas frequentados por imigrantes e outro tipo de pessoas que são potencias focos da epidemia.

Basta comparar os números oficiais dos infetados que tem vindo a aumentar diariamente independentemente do grupo etário; basta consultar os dados e os gráficos diários divulgados pela DGS e fazer as contas para saber os grupos mais infetados, para sabermos que a maioria dos infetados não são os idosos. Esses são de facto os mais vulneráveis, os que são contaminados, mas não são os difusores da doença apesar de serem os mais afetados pela mortalidade devido às suas inerentes fraquezas.

Miguel Sousa Tavares escreveu no Expresso do sábado passado um artigo de opinião, com alguma ironia, sobre o sentimento e o estigma que se pode estar a gerar contra e sobre os idosos ao escrever que “O que nos propõem é simples e convém que todos estejam cientes da proposta, para que cada um carregue consigo o fardo da escolha: os que não morreram da doença não querem agora morrer da cura. E morrer da cura é continuar a deixar a economia em coma induzido, sem a trazer de volta à vida. Devagar, por sectores, com vários cuidados recomendados e diversas precauções. E, ao mesmo tempo, libertando a população da prisão domiciliária onde estamos todos encerrados, mas por fases e segundo critérios etários: primeiro, adultos saudáveis, na força da idade laboral; depois, jovens; e, a seguir, crianças. Mais adiante “Porém, há uma excepção, e disso depende o êxito — ou a ousadia — de todo o plano: os velhos devem continuar encerrados, porque representam um perigo sanitário público e uma ameaça à sustentabilidade dos serviços de saúde. Devem, então, ser mantidos longe da vista, afastados de qualquer contacto com os outros, até que haja uma vacina e a sua distribuição seja universal — talvez no Verão do próximo ano, na melhor das hipóteses.” E continua, “Muitos deles, aliás, já cumpriram a sua função, deixando-se abater ao activo, vítimas do vírus ou de outras doenças que, por força do vírus, não foram tratadas ou eles próprios não quiseram tratar. Aqui, como em Espanha, um terço dos mortos da covid ocorreram em lares onde os velhos estavam acantonados e foram apanhados sem defesa, a coberto de uma ilusão de segurança que, de tão frágil, chega a parecer indiferença. Quando um utente infectado num lar é retirado dele, consegue recuperar cá fora e depois é devolvido ao lar onde permanece o foco de infecção, que outra palavra podemos usar que não indiferença?”. (Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 18/04/2020- Escreve segundo o antigo acordo ortográfico)

A ideia de uma espécie de “extermínio” dos idosos pelo isolamento a que muitos deles já estão sujeitos parece crescer impulsionado pelas mensagens veiculadas pelos órgãos de comunicação social e até por órgãos oficiais e oficiosos do Governo muitas vezes mascaradas de medidas de proteção para os salvaguardar da infeção.

Somos invadidos voluntária ou involuntariamente por informações de várias origens: informações provenientes dos nossos próprios sentidos, o que vemos à nossa volta; pela televisão e nos jornais; pelo que ouvimos no café da esquina ou através de outras pessoas que, por défice de esclarecimento, cada um interpreta segundo as suas conveniências, interesses ou posições ideológicas.

Parece estar, assim, a começar a ser produzido na consciência coletiva - criada pelos indivíduos em muitas das suas práticas influenciados pela sociedade em que estão inseridos - a ideia da inutilidade dos idosos (o que também transpareceu numa entrevista que o já senil Ramalho Eanes deu há algumas semanas a um canal de televisão, numa demonstração de altruísmo hipócrita).

Teme-se em todo o mundo uma espécie de incentivo para encarar os idosos como os grandes causadores da proliferação da epidemia e de que a sua fragilidade em relação à doença é um a causadora do mal epidémico. Pode ser uma nova versão, mais drástica, da conhecida frase da “peste grisalha” que o deputado Carlos Peixoto utilizou em 2013.

Alguns pensarão, (mas não o dizem), que a elevada taxa de mortalidade provocada pela epidemia nos idosos irá aliviar os contribuintes do peso dos tratamentos e pensões a pagar pelos Estados. Trata-se de uma espécie de genocídio gerontológico ou gerontocídio que passou a ser socialmente aceite, já que o agente executor, o Covid-19, é algo invisível e incontrolável o que, por isso, o torna tranquilizador das consciências de cada povo e, ao mesmo tempo, socialmente útil por aliviar os problemas sociais e económicos originados pelo envelhecimento das populações.

Como apontamento final, e á margem, podemos pensar que, no passado, o Führer da Alemanha nazi se tivesse uma oportunidade como esta, tê-la-ia ajudado para uma “solução parcial” na questão judaica que ficaria resolvida sem problemas de consciência que, de qualquer modo, nunca teve quando prescreveu a receita da solução final.

 

NOTA: Conforme se pode verificar pelo gráfico o total dos grupos etários superiores a 60 anos é inferior ao dos grupos etários entre os 20 e os 59 conforme se pode confirmar. Os cálculos foram efetuados a partir dos dados da DGS.

CARACTERIZAÇÃO DEMOGRÁFICA DOS CASOS CONFIRMADOS     

Totais agrupados em 21/04/2020 (Dados a partir da DGS)

            Grupo etário   Total de infetados

0-19       946

20-59     12652

> 59       6881

Coronavirus-gráfico-2.png

Fonte: Gráfico construído a partir de dados da DGS em 21/04/2020

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publicado às 15:53

A mania da importância que nunca teve

por Manuel_AR, em 02.03.17

Cavaco Silva_7.jpg

Vale a bem apena divulgar transcrever este texto de Miguel Sousa Tavares publicado no jornal Expresso no passado sábado.  Apesar e não apreciar muito os artigos de opinião dele, talvez porque não me agrade a forma como ele brande argumentos contra tudo e contra todos, mas no meio de tudo alguns com alguma razão.

Há quem goste apenas de ler o que esteja de acordo com o que pensa e que lhe agrade. Quando não lhes agrada o que leem ou que esteja em desacordo com o seu pensamento e alinhamento politico ou partidário reagem mal e, não sabendo como argumentar, muitos há que estropiam a linguagem corrente com impropérios desajustados aos autores dos comentários. É o que mais se vê por aí no mundo das redes sociais.

Todavia não é este o caso de Miguel Sousa Tavares quando comenta sobre o livro dessa personagem sinistra que é, e foi, Cavaco Silva. Não utiliza impropérios, vai ao cerne da questão sobre o que ele sabe e nós não sobre Cavaco Silva. Assim, vale a pena ler o que Sousa Tavares diz sobre a adulteração feita por Cavaco. Apesar de já ter circulando por várias redes sociais e blogs vale pena a repetição.

«(...) Bem pode Cavaco Silva desfilar o rol de grandes do mundo que conheceu em vinte anos no topo da política portuguesa: nenhum desses grandes o recordará nem que seja num pé de página de memórias e a nossa história não guardará dele mais do que o registo de uma grandiloquente decepção.

Nos seus dez anos como primeiro-ministro, Cavaco Silva teve o que nunca ninguém tinha tido antes dele e não voltou nem voltará a ter depois dele: uma maioria, tempo, paz social, esperança e dinheiro sem fim, vindo da Europa. Fosse ele, porventura, um homem dotado de visão e de coragem e conhecedor da nossa história e dos nossos males ancestrais, teria aproveitado as circunstâncias para inverter de vez o funesto paradigma em que vivemos há décadas ou séculos. Em lugar disso, aproveitou o dinheiro e os ventos favoráveis para engrossar o Estado, fazer demasiadas obras públicas inúteis e cimentar a clientela empresarial que sempre viveu da obra ou do favor público. Ele lançou as raízes do défice e da dívida pública, que, depois, tal como as obras (de Sócrates), passou a execrar. Cinco anos volvidos, regressaria para outros dez de Presidência. Por razões que já nem adianta esmiuçar, acabaria por sair de Belém com uma taxa de rejeição recorde e com 80% dos portugueses fartos dele e do seu pequeno mundo. Muita da popularidade de Marcelo deve-se ao facto de os portugueses o verem em tudo como o oposto de Cavaco Silva.

Tive um breve mas arrepiante flashback deste pequeno mundo quando, na semana passada, Cavaco Silva lançou o seu livro de ajuste de contas. Pelas citações e declarações que li e ouvi, parece-me que a única coisa boa do livro é o título — (mas até esse li que não era original). No restante, Cavaco entretém-se a contar os seus “factos rigorosos” para“ informação dos portugueses”, e registados com base num método que diz ter inventado quando era estudante e que se presume não ser o do gravador oculto. A finalidade da história das suas quintas-feiras é atacar um homem já debaixo de todos os fogos — o que confirma a lendária coragem intelectual de Cavaco, tal como no seu discurso de vitória quando foi reeleito, atacando com uma raiva e um despeito indignos de um Presidente da República os seus adversários que já não se podiam defender. Parece que agora, com um absoluto desplante e tomando-nos a todos por idiotas, Cavaco Silva ensaia uma indecorosa falsificação dos tais “factos rigorosos”: a história de como ele e a filha ganharam 150% em dois anos com acções do BPN que não estavam cotadas em bolsa (jamais desmentida e bem documentada), não passou, afinal, de uma “calúnia”, vinda da candidatura de Manuel Alegre; e a célebre “conspiração das escutas” de Sócrates a Belém, engendrada entre o assessor de imprensa de Cavaco e um jornalista do “Público”, foi, pasme-se, ao contrário: foi o Governo que montou uma operação para fazer crer… que o Governo escutava Belém!

Ele (Cavaco Silva) que continue a escrever a sua história: a História jamais o absolverá

Mas não foi isso o que verdadeiramente me arrepiou nas notícias e imagens do lançamento do livro do Professor. Outra coisa eu não esperava dele nem do seu livro. O que me impressionou e arrepiou foi uma visão que diz tudo sobre quem foi e quem é este homem. Após mais de vinte anos na vida política e nos mais altos postos dela, tendo fatalmente conhecido não só vários grandes do mundo mas também toda uma geração de portugueses da política, da cultura, do empresariado, das universidades, etc., quem é que Cavaco Silva tinha a escutá-lo no seu lançamento? A sua corte de sempre, tirando os que estão a contas com a Justiça. Os mesmos de sempre — Leonor Beleza e o que resta da sua facção fiel no PSD. Mais ninguém. Nem um socialista, nem um comunista, nem um escritor, um actor, um arquitecto, um músico reconhecido. Nada poderia ilustrar melhor o que foi e é o pequeno mundo de Cavaco Silva. Ele que continue a escrever a sua história: a História jamais o absolverá.»

Miguel Sousa Tavares: "Sem sombra de grandeza". Texto publicado no Expresso de 25 de fevereiro de 2017.

 P.S.: Miguel Sousa Tavares não utiliza o atual acordo ortográfico pelo que mantive o texto original.

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publicado às 09:08

A inutilidade dos professores

por Manuel_AR, em 20.11.13

 

 Leio as crónicas de Miguel de Sousa Tavares sempre que posso. Claro que nem sempre são do meu agrado e nem me revejo em muitas das suas afirmações. Mas opiniões são opiniões e cada um pode ter as quiser, para isso vivemos em democracia. Todavia esta passou das marcas e merece críticas, e muitas. Por achar que a afirmação de Sousa Tavares que se lê abaixo é muito injusta e generalizante, resolvi publicar neste blog, e na íntegra, este texto da autoria de Ana Maria Gomes que retirei do Facebook e que merece ser divulgado. Sousa Tavares é mais um polémico que acabou por se revelar.

 

 

 Miguel Sousa Tavares afirmou que "os professores os inúteis mais bem pagos deste país.’ A resposta veio de Ana Maria Gomes, professora.

 "Sobre os Professores É do conhecimento público que o senhor Miguel de Sousa Tavares considerou ‘os professores os inúteis mais bem pagos deste país.’ Espantar-me-ia uma afirmação tão generalista e imoral, não conhecesse já outras afirmações que não diferem muito desta, quer na forma, quer na índole. Não lhe parece que há inúteis, que fazem coisas inúteis e escrevem coisas inúteis, que são pagos a peso de ouro? Não lhe parece que deveria ter dirigido as suas aberrações a gente que, neste deprimente país, tem mais do que uma sinecura e assim enche os bolsos? Não será esse o seu caso?

 O que escreveu é um atentado à cultura portuguesa, à educação e aos seus intervenientes, alunos e professores. Alunos e professores de ontem e de hoje, porque eu já fui aluna, logo de ‘inúteis’, como o senhor também terá sido. Ou pensa hoje de forma diferente para estar de acordo com o sistema? O senhor tem filhos? – a minha ignorância a este respeito deve-se ao facto de não ser muito dada a ler revistas cor-de-rosa. Se os tem, e se estudam, teve, por acaso, a frontalidade de encarar os seus professores e dizer-lhes que ‘são os inúteis mais bem pagos do país.’? Não me parece… Estudam os seus filhos em escolas públicas ou privadas? É que a coisa muda de figura! Há escolas privadas onde se pagam substancialmente as notas dos alunos, que os professores ‘inúteis’ são obrigados a atribuir. A alarvidade que escreveu, além de ser insultuosa, revela muita ignorância em relação à educação e ao ensino. E, quem é ignorante, não deve julgar sem conhecimento de causa. Sei que é escritor, porém nunca li qualquer livro seu, por isso não emito julgamentos sobre aquilo que desconheço. Entende ou quer que a professora explique de novo? Sou professora de Português com imenso prazer. Oxalá nunca nenhuma das suas obras venha a integrar os programas da disciplina, pois acredito que nenhum dos ‘inúteis’ a que se referiu a leccionasse com prazer.

 Com prazer e paixão tenho leccionado, ao longo dos meus vinte e sete anos de serviço, a obra de sua mãe, Sophia de Mello Breyner Andersen, que reverencio. O senhor é a prova inequívoca que nem sempre uma sã e bela árvore dá são e belo fruto. Tenho dificuldade em interiorizar que tenha sido ela quem o ensinou a escrever. A sua ilustre mãe era uma humanista convicta. Que pena não ter interiorizado essa lição! A lição do humanismo que não julga sem provas! Já visitou, por acaso, alguma escola pública? Já se deu ao trabalho de ler, com atenção, o documento sobre a avaliação dos professores? Não, claro que não. É mais cómodo fazer afirmações bombásticas, que agitem, no mau sentido, a opinião pública, para assim se auto-publicitar. Sei que, num jornal desportivo, escreve, de vez em quando, umas crónicas e que defende muito bem o seu clube. Alguma vez lhe ocorreu, quando o seu clube perde, com clubes da terceira divisão, escrever que ‘os jogadores de futebol são os inúteis mais bem pagos do país.’? Alguma vez lhe ocorreu escrever que há dirigentes desportivos que ‘são os inúteis’ mais protegidos do país? Presumo que não, e não tenho qualquer dúvida de que deve entender mais de futebol do que de Educação. Alguma vez lhe ocorreu escrever que os advogados ‘são os inúteis mais bem pagos do país’? Ou os políticos? Não, acredito que não, embora também não tenha dúvidas de que deve estar mais familiarizado com essas áreas. Não tenho nada contra os jogadores de futebol, nada contra os dirigentes desportivos, nada contra os advogados. Porque não são eles que me impedem de exercer, com dignidade, a minha profissão. Tenho sim contra os políticos arrogantes, prepotentes, desumanos e inúteis, que querem fazer da educação o caixote do (falso) sucesso para posterior envio para a Europa e para o mundo. Tenho contra pseudo-jornalistas, como o senhor, que são, juntamente com os políticos, ‘os inúteis mais bem pagos do país’, que se arvoram em salvadores da pátria, quando o que lhes interessa é o seu próprio umbigo. Assim sendo, Sr. Miguel de Sousa Tavares, informe-se, que a informaçãozinha é bem necessária antes de ‘escrevinhar’ alarvices sobre quem dá a este país, além de grandes lições nas aulas, a alunos que são a razão de ser do professor, lições de democracia ao país. Mas o senhor não entende! Para si, democracia deve ser estar do lado de quem convém. Por isso, não posso deixar de lhe transmitir uma mensagem com que termina um texto da sua sábia mãe: ’Perdoai-lhes, Senhor Porque eles sabem o que fazem.’

 

Ana Maria Gomes Escola Secundária de Barcelos "

 

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publicado às 19:00

A imprensa e as citações

por Manuel_AR, em 07.01.13

Hoje fico-me apenas por algumas citações.


 

Miguel Sousa Tavares   

 

E agora, O Banif

Jornal Expresso


"... se o Tribunal Constitucional concordar com o Presidente, o Governo não sabe onde ir buscar €1500 milhões que passarão a estar em falta, mas soube onde ir buscar os €1700 milhões que deu e emprestou à banca privada."

 

 

O comentário de um leitor sobre o artigo no Expresso online:


É sabido por todos que esta intervenção é efectuada no âmbito do fundo de capitalização da banca (12 Mil Milhões), previsto no programa de assistência financeira celebrado pelo Estado Português e com a famigerada Troika. Trata-se do tal fundo de capitalização que os media tanto criticaram por tardar e, agora que aparece, se arranja outro assunto para retorquir. 

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/e-agora-o-banif=f777371#ixzz2HIlxQhab


O meu comentário:


Acho que Sousa Tavares sabe muito bem isto. Mas, o que eu sublinho é o de facto de nunca haver dinheiro para a Saúde, para a Educação e para outras despesas sociais do Estado e, por isso, há que aumentar impostos e reduzir a despesa social. Mas, quando se trata de outos fins aparece o dinheiro  venha ele de onde vier. 



Filomena Mónica


A repartição dos sacrifícios

Jornal Expresso


"Devo dizer que nada tenho contra os ricos e ainda menos contra os indivíduos que correm riscos ao fundar empresas num país politicamente instável, mas que tenho muito contra o chamado tráfico de influências." Por mais que me queiram convencer que foi o mercado a ditar o actual salário do dr. Catroga, não aceito a tese. 

Com ou sem chineses, a empresa para que foi contratado, a EDP, só me tem dado maçadas, revelando, o que é dizer muito, um nível de incompetência maior do que a PT. Segundo o “Correio da Manhã”, no passado ano, o dr. Catroga, alguém próximo de Cavaco Silva, auferiu, como presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, 45 mil euros brutos por mês, a que temos de juntar 9600 euros de reforma. Admitindo, como o próprio anunciou, que pagará metade em impostos, leva todos os meses para casa, 27 mil euros, por um cargo não-executivo. No primeiro semestre de 2012, período para o qual existem dados, teve de presidir a cinco reuniões, ou seja, a menos de uma por mês. Não se pode dizer que seja extenuante. 


 

O meu comentário:


Estes são apenas algumas das muitas situações de como se faz a transferência de riqueza de uns, que ficam mais pobres para outros que passam a ficar cada vez mais ricos. Depois lá está a maioria dos portugueses  a viver acima das suas possibilidades.


Contudo,  


Fortunas cresceram 13 por cento em Portugal no ano da austeridade

 

"As grandes fortunas em Portugal assinalam um aumento de 13 por cento, entre 2011 e 2012, de acordo com um estudo realizado pelo Dinheiro Vivo. O património da família Soares dos Santos foi o que mais subiu: cerca de 714 milhões de euros, no ano passado. Os milionários estiveram imunes à austeridade.".


Ler mais:

http://www.dinheirovivo.pt/Graficos/Detalhe/CIECO090051.html

http://www.ptjornal.com/2013010613156/geral/economia/estudo-fortunas-cresceram-13-por-cento-em-portugal-no-ano-da-austeridade.html



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publicado às 15:45

 

Nem tudo é mau neste Portugal triste e desiludido com tudo o que se vê, ouve e lê nos órgãos de comunicação social que, presumivelmente, Miguel Relvas pretende pressionar e chantagear como recentemente tem vindo a público, à boa semelhança de José Sócrates como na altura se dizia. É no domínio da leitura que acaba de sair um livro que é uma lufada de ar fresco no comentário político independente e sem papas na língua. “A historia não acaba assim” de Miguel Sousa Tavares, edição do Clube de Autor, é uma série de textos inteligentes, não comprometidos com nada nem com ninguém, com uma escrita racional e lúcida.

Alguns dos textos da obra não agradarão a todos, como alguns também a mim não me agradaram mais por uma questão de interpretação dos factos do que pela opinião em si mesma. Talvez não agrade a muitos porque, apesar de independentes, alguns textos poderão ir contra opções ideológicas adquiridas que, muitas vezes, funcionam mais como princípios clubísticos.  

Quer se goste ou não é uma leitura obrigatória a fazer porque nem só aquilo de que gostamos é com certeza o mais certo. Quando gostamos aceitamos quase sempre tudo o que lemos, vemos e ouvimos. É necessário conhecer outros pontos de vista mesmo quando não gostamos ou deles discordamos.

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publicado às 12:51


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