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Hoje foi o dia da inauguração da mudança da embaixada do EUA transferida para Jerusalém. Manifestações resultaram em mortes de palestinianos. Enquanto isso Donald Trump não foi ao evento preferindo enviar um vídeo. A sua ausência, por mais que as suas estratégias comunicativas queiram fazer crer, a demonstra receios pela sua integridade física. No vídeo, depois da clara provocação, pretende acalmar os ânimos com um peculiar cinismo demonstrar que ao planos de paz para a zona vão permanecer.   

O Jornal de Negócios escreveu agora mesmo 14 de maio 16H45M que “O dia em que os Estados Unidos abriram a nova embaixada norte-americana em Israel, transferindo-a de Telavive para Jerusalém, hoje, é também o dia em que mais palestinianos foram mortos em confrontos com as tropas israelitas desde a guerra de 2014. Não é uma coincidência.” E, “para mostrarem ao mundo que apoiam a ocupação dos territórios palestinianos do Médio Oriente por parte de Israel. E não é apenas Jerusalém – cuja parte ocidental foi ocupada por Israel em 1967, na sequência da chamada Guerra dos Seis Dias – mas parte substancial do território que chegou a ser da Palestina.”

Ontem a Agência Lusa em noticia noticiava que “Portugal será um dos países ausentes na cerimónia de inauguração da embaixada norte-americana em Jerusalém, disse hoje à Lusa fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros português”.

O jornal Público, entretanto, acrescentava que “Portugal será um dos países ausentes na cerimónia de inauguração da embaixada norte-americana em Jerusalém, disse neste domingo à Lusa fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Ausentes estarão a Espanha, o Reino Unido, a França e Itália, entre dezenas de outros países, incluindo a maioria dos europeus. Com presença confirmada estão Roménia, Hungria, Áustria e República Checa. "Portugal não se fará representar na inauguração ", marcada para segunda-feira, afirmou a mesma fonte do Palácio das Necessidades.

Tendo em conta os regimes que estão nos governos de Roménia (entrou em janeiro de 2007, não faz parte da zona euro), Hungria (entrou em 2004, não faz parte da zona euro), República Checa (entrou em 2004, não faz parte da zona euro), exceção da Áustria que entrou em 1995 e que faz parte da zona euro, e percebe-se o porquê da comparência destes por enquanto quatro países.

Um dos objetivos a que Trump se propôs foi o de tentar enfraquecer ou até desmantelar a UE por todos os meios que tiver ao alcance. A U.E. é uma comunidade de países que estando unidos quanto à política externa podem ser uma força sem precedentes. As extremas-direita e também as extremas-esquerda são críticas em relação à permanência na CE apelam à sua saída.

Num mundo como o de Trump os países europeus que não façam passar a mensagem duma agregação e de força ficam à mercê das tempestades que este e outros políticos que começam a surgir mesmo dentro do espaço europeu.

Desde a invasão do Iraque em 2003 decidida por Bush em conivência com o Reino Unido de Blair, a Espanha de Aznar e com o beneplácito de Barroso.

Segundo o Der Spiegel a retirada americana do acordo com o Irão é a decisão da política externa do EUA mais perigosa e arrogante que um presidente dos EUA tomou depois de Bush. O risco é o de criar ainda mais instabilidade no Médio Oriente e levar a uma guerra liderada pelos americanos contra o Irão. Mais uma na zona.

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Imagem do Finacial Times

No jornal Financial Times, Philip Stephens escreveu em 10 de maio que “O realismo, no entanto, não requer submissão. A primeira prioridade deve ser manter juntos o que resta do acordo nuclear. Os EUA podem ter renegado, mas a Europa - e o resto da comunidade internacional - pode demonstrar que está preparada para manter o acordo com o Irã - o levantamento das sanções em troca da conformidade nuclear".

Não sei se Trump tem discernimento suficiente, mas são os seus conselheiros e quem está por detrás das suas decisões que o aconselham e o apoiam na sua estupida política externa provocadora de instabilidades que agravam conflitos.

Por outro lado, quando surgem planos para o desanuviamento por parte de países como as negociações entre a Coreia do Sul e a do Norte, Trump vem para a comunicação social colher os louros como se fosse ele o grande promotor da paz. Nem todos têm o mesmo grau de inteligência dele para perceberem a hipocrisia. 

No que respeita à U.E. Macron e Merkel poderiam ter procurado tranquilizar os povos da Europa e demonstrar que tinham um plano através de uma visão conjunta da política externa europeia e uma atitude firme dos políticos europeus. Mas nada disso aconteceu apesar da oportunidade para uma resposta unificada a Donald Trump. 

Na sexta feira passada o ex-embaixador do governo Barack Obama na UE Anthony Gardner vaticinou que "As relações entre Estados Unidos e U.E. vão ficar seriamente deterioradas".  Segundo a AFP – Agência France Press uma autoridade da UE que se reuniu com Trump durante sua visita a Bruxelas em maio de 2017 disse que o presidente americano é “incontrolável” e “não ouve opinião nenhuma”.

Também o presidente francês Emmanuel Macron salientou que "Não podemos mais deixar que outros decidam por nós", numa clara alusão aos Estados Unidos.

Angela Merkel mantém uma relação complicada com o presidente americano, Donald Trump, que multiplica as críticas em relação à sua política económica e as condenações públicas contra a sua recusa de assumir mais gastos militares na Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO). O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker afirmou também que "Washington não quer cooperar mais com o restante mundo, e estamos no momento em que nos devemos substituir aos Estados Unidos".

Por seu lado no jornal alemão “Suddeutsche Zeitung”, Marc Beise, comentava que:

“É claro que não ajuda enfrentá-lo (Trump) de maneira amigável e competente, como Angela Merkel fez, ou tão lisonjeira como o presidente francês Macron.” “…Trump conhece apenas a submissão, e mesmo aqueles que se lhe submetem não podem ter certeza por quanto tempo.”

“Aqueles que ainda não aperceberam, nem entenderam, devem prestar atenção ao novo embaixador dos EUA em Berlim. Apenas algumas horas depois de Richard Grenell ter sido credenciado como embaixador do EUA em Berlim emitiu o slogan no estilo de seu mestre Trump e num tweet “ordenou rapidamente que as empresas alemãs encerrassem os seus negócios no Irão imediatamente.” "Wind down operations immediately " - escreveu. Nenhum embaixador na Alemanha talvez falou tão diretamente. É um processo escandaloso, mas se encaixa na imagem da política de Trump.

Não ajuda, se os profissionais quiserem explicar o trabalho ao novo embaixador: um emissário deve explicar a política do seu país, mas nunca dizer ao país anfitrião o que deve fazer. Sob Trump, a diplomacia recebeu novas regras que são a zombaria e a ameaça e fala mal a pessoas e a instituições. Os contratos e os acordos são simplesmente abandonados quando não se adequam aos interesses de apenas um país. Estes são métodos que costumavam ser usados ​​principalmente por estados autoritários.

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publicado às 16:58

Incerteza e Imprevisibilidade.png

A incerteza e a imprevisibilidade foram palavras muitas vezes utilizadas implícitas por comentadores ao fazerem as suas previsões para o Novo Ano que então se aproximava.

A incerteza constitui o denominador comum de todas as ciências sejam teóricas ou aplicadas, ciências da terra e ciências sociais e humanas.

O ano de 2017 tem sido associado a um ano de risco e de incerteza quer ao nível da política interna e externa e dos refugiados, quer ao nível social, financeiro e económico. É um ano de eleições em alguns países da Europa que que se prevê irão ser dominadas pelas subida das extremas direitas  nacionalistas populistas e nos EUA vai tomar posse o novo presidente. Estes dois acontecimentos conjugados provocam incertezas e as previsões não vaticinam ser dos melhores e estão a preocupar os Estados.

A economia sendo uma ciência humana não exata confronta-se, como quaisquer outras disciplinas científicas, com a incerteza. Ao tratar da produção, do rendimento e do consumo não é mais do que trabalhar num ambiente de incerteza determinado, a maior parte das vezes, pelas ações humanas.

A incerteza afeta fenómenos como os rendimentos futuros do trabalho ou os rendimentos do capital. Pode ainda afetar a inflação , o nível dos impostos, o investimento. Todas as atividades económicas estão marcadas pela incerteza em vários graus. Sempre foi assim, mas o ano que entrou traz-nos novas variáveis entre as quais a dimensão da prática criminosa do terrorismo.

A economia esforça-se por caracterizar a incerteza e os riscos que lhe estão associados  e as escolhas económicas em ambiente de incerteza apresentadas sob a forma de riscos e de oportunidades. Todavia, a ciência económica tem-se desenvolvido e progredindo no sentido e de modo a poder analisar o risco e a incerteza.

Portugal que é um país com vulnerabilidades financeiras e económicas poderá vir a ser atingido por um contexto internacional caracterizado pela incerteza e imprevisibilidade que a direita irá fazer por ignorar aproveitando para reforçar a oposição culpabilizando o atual Governo por fracos desempenhos mesmo sendo devidos a fatores exógenos.

A incerteza sobre o que irá acontecer na União Europeia ao nível político, agravado pelo fraco crescimento económico, dever-se-á a resultados eleitorais ditados por populismos que, recorrendo a egoísmos mais ou menos nacionalistas que ao serem despertados, poderão conduzir à queda da U.E. e, consequentemente, do euro. Mas até às eleições alemãs a chanceler Merkel, preocupada com problemas internos e com a subida da extrema-direita, não irá mexer uma palha no que diga respeito à U.E..

Ao longo dos tempos a Europa, sobretudo no século passado fez por ignorar factos e acontecimentos e, depois desculpou-se com a imprevisibilidade dos  acontecimentos políticos mais do que previsíveis que estavam progressivamente a conduzir a Alemanha para as mãos dum Hitler que ocupou o poder através das eleições. O que aconteceu na Alemanha não foi fruto da incerteza nem da imprevisibilidade estava em curso  o despertar de sentimentos que se encontravam latentes no próprio povo e que Hitler soube despertar. A sucessão de acontecimentos a isso estava a conduzir. O mesmo já tinha sucedido com a revolução bolchevique que implantou o regime soviético que culminou na ditadura Estalinista. Ela teve uma causa: a revolta popular  alimentada pelo Partido Bolchevique contra a Rússia dos czares. A causa não teve geração espontânea, estava no regime czarista. A consequência seria previsível.

Embora com características diferentes, mais recentemente, veja-se o caso dos EUA com a eleição de Trump que, repetidamente disseram, ninguém esperava. Será que foi uma imprevisibilidade?  Acho que não. Mesmo com as previsões das sondagens que davam demasiada aproximação entre os dois partidos em confronto negligenciou-se o adversário. Aliás a previsibilidade estava já nas eleições primárias. Não havia incerteza, a hipótese de Trump ganhar estava colocada mesmo sem ter o apoio da maior parte dos media.

Depois de Trump ter ganho as eleições a comunicação social do EUA e os comentadores de política laçaram para o ar a teoria da imprevisibilidade para o que aconteceu. Foi algo que não se previa. As sondagens foram subestimadas, quando deram pela aproximação cada vez maior das percentagens de intenção de voto algo estaria mal e a vitória de Trump não poderia vir a ser considerada como imprevisível.

A imprevisibilidade está associada a algo que não pode ser previsto a partir de coisa alguma que tenha ocorrido antes. Mas, em política, há sempre algo que ocorreu antes, há antecedentes, há pistas mais ou menos concretas, há sinais, acontecimentos que portadores de informação suscetível de desencadear uma resposta ou uma reação, e, portanto, potenciais ocorrências futuras podem ser sujeitas a análises preditivas.

Em política a imprevisibilidade não é o mesmo que incerteza para a qual podem contribuir várias variáveis (causas). A imprevisibilidade pressupõe, obviamente, algo que não pode ser previsto, que não é equacionado. O facto da possibilidade de Trump poder vir a ser eleito como presidente do EUA terá sido, de facto, uma imprevisibilidade, ou terá sido propositadamente negligenciada?

Hillary Clinton demonstrou que a sua administração seria mais previsível e segura e Trump mostrou que a dele iria ser o oposto. De fato, escolha final dos eleitores teria sido previsível com um grau de confiança muito estreito.

O referendo no Reino Unido sobre a saída da U.E. provou que previsões extemporâneas de políticos, ou melhor, inoportunas, feitas de ânimo leve, descurando realidades por desconhecimento ou demasiada confiança, com  base eleitoralista e  sem uma margem confortável da no sentido de voto do eleitorado mostrado nas sondagens tornou-se numa decisão tola. Ficamos muito admirados quando ao estarmos certos de que se verificou o oposto do que esperávamos. Não se trata de prever o futuro como um adivinho trata-se sim dum jogo de risco quando da tomada de decisões.

Em Portugal a atual maioria parlamentar face aos antecedentes históricos um acordo tripartidário à esquerda e tal não era previsível, mas os antecedentes verificados com a anterior maioria absoluta, e tendo em conta os resultados eleitorais, seria previsível colocar esta hipótese com o intuito de bloquear nova governação da direita. Seria isto imprevisível? Acho que não. Há dados e antecedentes que ajudam a que não se justifique algo como imprevisível. A imprevisibilidade em política acontece quando estamos cientes de que as ações e procedimentos que escolhemos estão certos e quando subestimamos as dos adversários.

No livro “A Arte da Guerra” de Sun Tzu o autor diz que “Não permitas que o inimigo tome a dianteira… Qualquer negligência nesse sentido pode ter consequências nefastas. Em geral, só há desvantagem em ocupar o terreno depois do adversário”. Isto é jogar na antecipação e na previsão.

Quando estamos confrontados com sistemas sociais em presença que são grande parte das vezes imponderáveis e dependem da criatividade humana desconhecemos como dominar cognitivamente todas as relações de causa-efeito, a imprevisibilidade não depende só do nosso desconhecimento  mas da instabilidade que limitam e até impedem qualquer previsibilidade confiável. Pensar o futuro, formular cenários, tem que mobiliza sentimentos de insegurança, vontade, temor, esperança, desejos, o que se torna difícil.

Como a previsão depende de muitas outras variáveis que são controladas por diversos atores em vários contextos específicos sempre nebulosos e impossíveis de predizer só o passado e a simulação do futuro permite diminuir a possibilidade de surpresas contrárias ao que seria de esperar.

Neste novo ano de 2107 que apenas tem três dias as bolsas e os fundos preveem ficar em alta face às políticas que Trump se propõe executar na dinamização económica dos EUA daí o assédio aos clientes dos bancos para captar poupanças para investirem nestas áreas.

A ver vamos!

A prudência é a melhor estratégia. Não é imprevisibilidade é incerteza sobre o que se poderá passar com a direção do cata-vento Trump.

 

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publicado às 15:02

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Os textos que tenho vindo a escrever neste blog são uma espécie de cruzada política empreendida contra Passos Coelho, enquanto primeiro-ministro, e o seu Governo neoliberal e não subjugada a quaisquer interesses partidários. Uma cruzada, mesmo que no sentido figurado, não é um empreendimento de defesa mas de ataque para libertar algo ou alguém.

Durante os últimos anos de governação de José Sócrates já tinha feito o mesmo empreendimento. Só após a sua queda e após ter entrado em funções o Governo de Passos Coelho reconheci que tinha sido enganado e incorrido num erro grosseiro ao associar-me àquela expedição contra Sócrates devido a influências exógenas imanadas dos seus opositores e órgãos de comunicação a elas veiculados.

O meu arrependimento chegou quando afundei a minha cabeça entre as mãos e lamentei que tivesse havido desde o 25 de abril de 1974 um homem na política que me conseguiu enganar com o requinte com que Passos Coelho o fez. Como se costuma dizer, "comi gato por lebre".

Os próprios "ditos" de Passos Coelho que, ao negá-los afirma serem, como diz "mitos urbanos" que se criaram. Saberá ele por acaso o que é um mito urbano ou ter-lhe-ão soprado ao ouvido este conceito e ele apenas resolveu debitá-lo para a plateia que, como eu, ainda tem paciência para o ouvir.

O conceito de mito é complexo e tem várias formas de entendimento. O étimo da palavra tem origem grega (mythos) que significa narrativa ou lenda. O conceito mais genérico e comum de mito e, no caso mito urbano é uma crença imaginária baseada na credulidade daqueles que a aceitam. Isto é, o que foi dito por Passos Coelho sobre emigração dos jovens segundo o próprio não foi dito e não foi mais do que uma lenda e crença imaginária. Os órgãos de comunicação que replicaram o que ele disse não produziram mais do que uma narrativa dum acontecimento duvidoso, fantástica e inverosímil. Para bem da informação aquela ideia foi desmontada com as palavras do próprio primeiro-ministro.

Há afirmações que me ocorrem proferidas por ele ou outros do seu Governo que tinham a pretensão de colocar jovens contra pais, avós e idosos em geral, empregados contra desempregados, trabalhadores públicos contra trabalhadores privados baseando-se em postulados falsos. Será que tudo o que foi dito e ouvido por muita gente serão também mitos urbanos?

O meu empenho nesta cruzada aconteceu a partir de 2011 e levou-me a estar mais atento ao que se passava na política e a arriscar-me a todas as críticas contra os meus escritos que, por mais violentas, virulentas e contundentes, não me afastaram do meu objetivo.

Não se pode dizer que nada sabia e que inventava os assuntos porque o que soube, e sei, foi, e é, pelos órgãos de comunicação social. E das duas uma, ou estão todos errados ou eles próprios desconhecem os factos e os assuntos.

As minhas fontes não são os meandros da política são os órgãos de comunicação social, das conversas de café, dos taxistas e opiniões de conhecidos e desconhecidos.

Na pesquisa social há outros métodos para obter dados que não envolvem recolha direta de informação a partir de algo investigado. É o que se denomina em ciências sociais métodos não interferentes. As entrevistas, os questionários e as sondagens criam atitudes por parte das pessoas alvo porque os que respondem tentam na generalidade suscitar impressões de si próprio a fim de manter o seu estatuto aos olhos do entrevistador mesmo que este não esteja na sua presença.

Estudos sobre comportamento eleitoral concluem que há pessoas que declaram nos inquéritos, mesmo que telefónicos, ter votado, ir votar num sentido ou não ter votado não o tendo feito de facto.

Era meu objetivo percorrer todos os anos de governação PSD/CDS até 2015 mas o tempo escasseou e não saiu mais do que uma tentativa de síntese incompleta, diga-se, do que se passou nos primeiros dois anos do Governo PSD/CDS. Fiquei por alguns factos que, embora sem uma sequência temporal, do meu ponto de vista, julguei serem mais relevantes. Correndo o risco de saturar e esgotar a paciência, até dos mais curiosos, resolvi anexar o ficheiro com a parte descritiva de partes dos referidos anos.

Coloco em baixo um pequeno extrato dos apontamentos que podem podem ser consultados na íntegra em Política vista por um cidadão comum_final.pdf

 

Pouco dias antes daquela data 6 de abril de 2011 Portugal tinha proposto um programa de austeridade denominado PEC 4 (Plano de Estabilidade e Crescimento IV, atualmente chamam-lhe apenas PE - Plano de Estabilidade) que tinha sido elogiado por Angela Merkel. Com o seu apoio e o do presidente da Comissão Europeia, Portugal poderia ter obtido um resgate mais suave.

Sobre este facto José Sócrates dá conhecimento disso ao líder da oposição Passos Coelho. Nessa altura era bem conhecido o apoio partidário, o poder e a influência que José Relvas exercia sobre o líder do PSD. Podemos afirmar que Passos Coelho era dependente de Relvas e por este influenciado, e por isso não deixa passar o PEC IV.

Passos Coelho, justificando que já tinha havido vários PEC’s, alegava desconhecimento do que se passava e que não queria que os portugueses passassem mais sacrifícios. É bom considerar este seu pensamento e compará-lo com as posições posteriormente efetuadas durante a campanha eleitoral e também com as  depois já no Governo as posteriores de Passos.

Objetivo principal, óbvio e oportunista era a queda do Governo e a tomada do poder através de eleições antecipadas, cujas sondagens devido às medidas já tomadas pelos PEC’s anteriores davam uma maioria ao PSD.

No discurso da tomada de posse como Presidente da República, a 4 de abril, Cavaco Silva faz um ataque ao então Governo de Sócrates afirmando que não havia espaço para mais austeridade, “Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadão”, dizia. Nesta altura começou a ser notado o alinhamento do Presidente da Repúblicacom o Governo e a sua falta de isenção e independência.

Entretanto os bancos pressionavam o ministro das Finanças da altura, Teixeira dos Santos que sem consultar José Sócrates anuncia publicamente que Portugal precisava de recorrer a ajuda financeira externa. Sócrates pede a intervenção da “troika”.

Angela Merkel que também desconhecia aquele facto mostra-se surpreendida e desconfortada com tal medida.

Claro que os partidos da oposição, obcecados pelo poder, e os comentadores neoliberais extremados e alinhados com o potencial futuro Governo de maioria, sem o mínimo espírito crítico, dão vivas ao memorando de entendimento que foi assinado como sendo o melhor que poderia ter acontecido a Portugal.

 

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publicado às 22:19

Histórica obsessão do triunvirato

por Manuel_AR, em 21.04.15

Triunvirato.pngAo longo dos últimos quatro longos anos de governação de Passos e Portas, abençoados pelo Presidente da República Cavaco Silva, muitos têm pretendido, através de afirmações contrárias à verdade, reescrever a história recente da política portuguesa para justificarem as medidas que tomam contra os portugueses que os elegeram e que, segundo eles, conheciam o programa. Será que conheciam?

É necessário que fique claro que nada justificou alguma da despesa exagerada do anterior Governo chefiado por José Sócrates, apesar das políticas de então, procedidas da Europa, fossem no sentido do investimento público que mais tarde veio a recuar que em Portugal não foi travado atempadamente mantendo-se uma política despesista.

Para o confirmar basta um pouco de tempo e paciência para consultar o que se publicou deste então na imprensa sobre o tema do pedido de ajuda internacional a Portugal que foi efetuado a 6 de abril de 2011 para se perceber a falta à verdade e a hipocrisia com que alguns senhores que por aí andam a tentar, mais uma vez, enganar os portugueses.

Se não vejamos.

Pouco dias antes Portugal tinha proposto um programa de austeridade denominado PEC 4 (Plano de Estabilidade e Crescimento 4, agora chamam-lhe apenas PE) que dias antes tinha sido elogiado por Angela Merkel. Com o seu apoio e o do presidente da Comissão Europeia Portugal poderia ter obtido um resgate mais suave.

Sobre este facto José Sócrates dá conhecimento disso ao líder da oposição Passos Coelho. Nessa altura era bem conhecido o apoio partidário, poder e a influência que José Relvas exercia sobre o líder do PSD. Diria que Passos Coelho era dependente de Relvas e por este influenciado, e por tal não deixa passar o PEC 4 justificando que já tinha havido vários PEC’s, alegava desconhecimento e que não queria que os portugueses passassem mais sacrifícios. É bom atentar nesta ideia e compará-la com as ideias posteriores de Passos.

Objetivo principal, óbvio e oportunista era a queda do Governo e a tomada do poder através de eleições antecipadas, cujas sondagens devido às medidas já tomadas pelos PEC’s anteriores davam uma maioria ao PSD.

No discurso da tomada de posse como Presidente da República, a 4 de abril, Cavaco Silva faz um ataque ao então Governo de Sócrates afirmando que não havia espaço para mais austeridade, “Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadão”, dizia. Nesta altura começou a ser notado o alinhamento do Presidente da Repúblicacom o Governo e a sua falta de isenção e independência.

Entretanto os bancos pressionavam o ministro das Finanças da altura, Teixeira dos Santos que sem consultar José Sócrates anuncia publicamente que Portugal precisava de recorrer a ajuda financeira externa. Sócrates pede a intervenção da “troika”.

Angela Merkel que também desconhecia aquele facto mostra-se surpreendida e desconfortada com tal medida.

Claro que os partidos da oposição, obcecados pelo poder, e os comentadores neoliberais extremados e alinhados com o potencial futuro Governo de maioria, sem o mínimo espírito crítico, dão vivas ao memorando de entendimento que foi assinado como sendo o melhor que poderia ter acontecido a Portugal.

Esta parte da história termina aqui. Mas quais foram as consequências daquela obsessão pelo poder, da intransigência em não reconhecer os erros cometidos, continuando com a mesma orientação e o apoio dado a esta política pelo Presidente Cavaco Silva sem o mínimo pudor político de alinhamento com o Governo?

Basta ler o memorando de entendimento ou o relatório de ajustamento 2011-2014 da altura e verificar as projeções para a economia portuguesa.

A austeridade seria de um ano. Passou a três. Não, agora já de quatro e continua até 2019

Recessão inferior a 4%. Real próximo de 8%.

Ajustamento previa 2/3 pelo lado da despesa e 1/3 pelo lado da receita. A realidade mostrou que o aumento de impostos foi muito superior à redução da despesa.

Desemprego previsto 13%. A realidade mostrou que atingiu mais de 17%. E assim continuaria se não fossem as manobras artificiais para a sua redução tais como os subsídios dados a empresas que aceitem desempregados através de estágios.

O memorando não aborda a questão da emigração, mas foi superior a 250 mil.

Previa-se uma forte recuperação da economia com base nas exportações e no investimento, mas a recuperação foi muito fraca e com solavancos, mais baseada no consumo interno e nas exportações também estas com oscilações face à oscilação dos mercados externos.

O sistema financeiro estava sólido garantiam. A realidade mostrou bancos a irem à falência e outros a recorreram à linha de capitalização de dinheiros públicos previsto no memorando. Outras instituições recorreram a aumentos de capital.

Financiamento nos mercados foi a única coisa aceitável mas, mesmo assim, continuamos a estar com a dívida pública nas zonas do lixo das agências de rating. Quando falam obtidos a juros mais baixos, estes não foram devidos ao bom comportamento de Portugal, aconteceu o mesmo em todos até com a Grécia.

Não previam crédito às pequenas para que as pequenas e médias empresas funcionassem com base nesse financiamento. A realidade foi o corte na concessão de crédito a estas empresas, logo, falências e aumento do desemprego.

Desconhecimento da realidade económica e social do país demonstrado pelo próprio memorando resultou na realidade mostrada pela destruição da economia e o aumento muito elevado de problemas socias e de pobreza.

Privatizações: venda a quem calhou, neste caso a chineses, (leia-se ao estado chinês) de empresas como a EDP e a REN tendo-lhes sido garantido que os otários dos portugueses continuariam a pagar a energia a preços elevados.

E, por aí fora…

Não digo mais, porque eram tantas as coisas que até me fartei e já tinha consumido muito tempo em pesquisas.

Repito, basta ter paciência para reler os jornais. Coisa chata aliás agravada por ter que voltar a encontrar os disparates que esta gente que nos desgovernou disse ao longo destes quatro anos. Quatro anos até parecem ser cinquenta, como os do outro, os de Salazar.

 

Fontes principais: Jornal Expresso, Nicolau Santos.

Outras fontes: jornais diários como Público, jornal i, revista visão, revista Sábado, Diário de Notícias.

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publicado às 17:55

Os vuvuzelas

por Manuel_AR, em 20.02.15

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As vuvuzelas dos políticos instalados no poder, Cavaco Silva, Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque e Pires de Lima entrte muitos outros já atormentam suficientemente os ouvidos dos portugueses com a sua propaganda em uníssono, faltava agora, a reboque da situação grega, a intromissão dum agente alemão a contribuir para a propaganda partidária interna. Os vuvuzelas fazem de Portugal uma espécie de cãozinho amestrado que, quando lhe esfregam o lombo, abana a cauda.

A falta de autoestima dos portugueses leva a uma necessidade de procura desesperada de elogios de outros como própria realização enquanto povo. Isto é verdade em todas as manifestações que vão desde o futebol à política. A inveja é outro dos pecados dos portugueses que é de nos congratularmos com o mal dos outros como forma de nos distinguirmos e distanciarmos.

O provincianismo bacoco de quem nos governa vão desde o Presidente da Republica ao primeiro-ministro e afins é evidente nas declarações que fazem sobre Portugal e sobre países que fazem parte do grupo a que nos obrigaram pertencer.

Os recentes elogios feitos a Portugal pelo ministro das finanças germânico, Schäuble, são uma dessas evidências do oportunismo do governo alemão face aos acontecimentos na Grécia. Para o ministro germânico das finanças "Portugal é aprova de que os programas de assistência funcionam" que, por outras palavras, quer dizer Portugal passou a ser um caso de sucesso da intervenção externa. O sabe aquele senhor sobre a realidade portugueses a não ser o que lhe "transportam" Passo Coelho e Maria Albuquerque.

Uma análise sócio económica breve mostra-nos que Portugal devido à intervenção externa aumentou o desemprego de forma assustadora, embora o decréscimo artificioso apresentado pelas estatísticas, aumento do número de pobres, cidadãos em desemprego de longa duração e sem subsídios de desemprego, diretores clínicos que se demitem por falta de condições nos hospitais, dezenas de horas de espera nas urgências dos hospitais, doentes que morrem nas urgências por falta de assistência atempada, cortes em salários e em pensões, falta de condições nas escolas públicas, verbas dos impostos entregues a escolas privadas, aumento do número de crianças em estado de pobreza estrema, diminuição do investimento privado, redução do poder de compra das famílias, PME's sem crédito, empresas em situação de falência, milhares de famílias obrigadas sem possibilidades de pagamento de créditos à habitação, trabalhadores da função pública obrigados a entrar num corredor de despedimento que denominaram de requalificação, idosos sem possibilidades de aquisição de medicamentos, destruição de milhares de postos de trabalho, aumento em quantidade de instituições de apoio social que se transformou num negócio rentável que dizem sem fins lucrativos, desvio para bancos de dinheiro cobrado pelos impostos, privatização de empresas públicas rentáveis, venda de património nacional ao estrangeiro, rendas da energia elevadas a pesar nas faturas dos cidadãos, aumento de preços dos transportes e da energia sem que a inflação o justifique e em tempo de congelação de salários e pensões, previsões de crescimento anémico, dívida impagável pelo menos durante os próximos vinte anos, etc.,etc.. Estes são algumas das provas de que o programa de assistência funcionou em Portugal.

Portugal atualmente já não tem nem património económico nem dignidade que lhe foram retirados com a cumplicidade dos vuvuzelas alojados no governo e na presidência da república. Segundo o jornal Público Jean Claude Juncker o atual presidente da Comissão Europeia e ex-presidente do Eurogrupo aponta o dedo a Durão Barroso e reconheceu na quarta-feira à noite que “falta legitimidade democrática" à troika e que a Europa atentou “contra a dignidade” dos países que pediram resgates. “Pecámos contra a dignidade dos povos, especialmente na Grécia, em Portugal e também na Irlanda. Eu era presidente do Eurogrupo e pareço estúpido em dizer isto, mas há que retirar lições da história e não repetir os erros”, disse Jean-Claude Juncker, em declarações no Comité Económico e Social Europeu, em Bruxelas.

Pressurosamente veio o ministro Marques Guedes a dizer que "Jean Claude Juncker foi “infeliz”. O ministro da Presidência falou no Conselho de Ministros, esta tarde, e considerou que "em momento algum a dignidade dos portugueses foi posta em causa pela troika acolitado também pela ministra Teixeira da Cunha. Mas o que entendem estes sujeitos por dignidade que fizeram perder aos portugueses, não apenas no que se refere à pessoa humana enquanto tal mas também ao país como um todo. Que interesses está esta gente a defender? Os de Portugal não serão com certeza.

A chanceler Merkel para salvar a face perante o que está a acontecer na Grécia encarregou o seu número um das finanças de se bater a todo o custo pela passagem da mensagem de "sucesso" do programa por eles implementado em países como Portugal e a Irlanda, os mais frágeis. Seria um desastre político tremendo para o governo e a opinião pública alemães a demonstração do insucesso do programa, e a Grécia agudizou-lhes esse receio.

Há um quarto vuvuzela que é o ministro Pires de Lima, mas desse falaremos mais tarde.

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publicado às 01:18

O que dizem e fazem sem qualquer vergonha

por Manuel_AR, em 05.02.15

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Leal da Costa coloca em primeiro o seu partido em lugar dos doentes e do serviço nacional de saúde. Médico humanista ou médico economicista que mente descaradamente e desconhece o dia-a-dia das pessoas que, para ele, devem ser apenas carne humana.

Uma outra diatribe de Passos Coelho foi a de criticar os órgãos de comunicação social, nomeadamente as televisões, de populismo porque dão as notícias que sabem que vão ter audiências nas aberturas dos telejornais. Isto ao comentar os acontecimentos nos hospitais e com os medicamentos para a hepatite C.

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 Passos Coelho passa agora à diplomacia cínica compondo o ramalhete do disparate quando afirmou que o perdão da dívida grega não é mais do que um "conto de crianças". Muitos comentadores até tentam fazer o pino para desculpar e justificar aquelas suas palavras. Diz agora que  terá muito gosto em receber representante do Governo grego. Terá este senhor sentido de estado? Como Passos Coelho com certeza sabe outros chefes de estado receberam o ministro das finanças grego e que até Merkel lhe desejou felicidades, agora muda de estratégia para enganar papalvos.

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Um colete de aço para proteção a Cavaco pelo PSD e CDS. O que há temer?

Maioria chumba audição de Cavaco Silva na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES.

Os grupos parlamentares do CDS e do PSD vetaram os requerimentos enviados pela oposição à Comissão de Inquérito para enviar perguntas a Cavaco Silva sobre o teor dos seus encontros com Ricardo Salgado. Argumento: separação de poderes. Bah!

Amor com amor se paga. Se considerarmos que o Presidente Cavaco tem sido a muleta de sustentação do Governo. Há que pagar favores.

As explicações sobre as cartas da Salgado e as consequentes declarações de Cavaco sobre a confiança a ter no BES ficam assim, mais uma vez, escondidas dos portugueses.

Por sua vez o caso BPN tem ficado cada vez mais nas brumas da memória. Onde está quem lucrou, e muito, levando o banco ao estado que se sabe. Estarão em prisão preventiva?

 

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O cerco de boicote por países da União Europeia e pelo BCE está a fechar-se sobre a Grécia. É uma espécie de círculo de fogo traçado pela Alemanha como revanche sobre o grego por ter escolhido para o seu país partidos que não foram os que eles pretendiam. Uns por convicção, outros por medo, outros ainda com posições tímidas e ambíguas. Há quem acredite que as negociações irão continuar sem ser na praça pública e alguma solução será encontrada salvo risco de instabilidade da zona euro e o que não interessa à Alemanha é a fuga da submissão e do jugo pelos países que quer controlar.

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publicado às 23:44

A Grécia perdeu o medo. Viva a Grécia!

por Manuel_AR, em 27.01.15

Não alinho com os partidos radicais de esquerda como o Syriza, se é que ainda há radicalismo no Syriza. Todavia, vejo com agrado a coragem do povo grego ao votar sem medo apesar de chantagens e pressões dos poderes oligárquicos da europa. Para além destes também jornalistas e comentadores de alguns órgãos de comunicação diabolizaram e diabolizam até à exaustão aquele partido Grego porque sabem que o estigma de radical de esquerda ainda assusta, como se ainda estivéssemos em meados do século passado.

Foi um facto incontestável os Gregos venceram o medo e disseram não à submissão e às pressões vindas de oligarquias europeias e à austeridade como castigo infernal imposto por pecados cometidos. Disseram não apesar de saberem que isso lhes poderá trazer, ou não, ainda mais sacrifícios que, com certeza, não serão piores do que aqueles que já enfrentam.

Tiveram coragem de mostrar que não têm medo nem dos mercados, nem de ameaças, nem de chantagens. Mostraram à europa e ao mundo que a indiferença, o alheamento e o desinteresse não são armas de luta política mas sim canais para uma cada vez maior submissão. Mostraram que em democracia a escolha é feita pelos povos e que não é imposta de fora.

A coligação do Syriza com o partido nacionalista aparenta ser contra natura. Sê-lo-á em muitos pontos, mas não tão importantes como aqueles onde há convergência que são de emergência e interesse nacional e de defessa do povo grego que se colocam neste momento à Grécia.

Paul Krugman, economista norte-americano escreve hoje no New Yorque Times que o novo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, "está a ser muito mais realista do que os oficiais" que querem continuar com a austeridade e defendeu que "o resto da Europa devia dar-lhe uma hipótese para acabar com o pesadelo que o seu país vive".

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Embora a nossa situação não seja idêntica, nós, portugueses, deveríamos aprender a lição que a Grécia nos dá. Há um ditado popular que diz "quanto mais te baixas mais o traseiro se te vê". É isto que Passos tem feito, levar Portugal a ser servo face à Alemanha da frau Merkel e não um parceiro na discussão de alternativas. Há um germanismo que emana de Passos Coelho, do seu Governo e dos que com eles alinham que vivem num Portugal virtual que apenas existe na sua imaginação.

As direitas, as direitinhas e os direitões, assim como os centros, os centrinhos e os centrões andam muito eufóricos (forma de esconder a sua preocupação) com os resultado eleitorais na Grécia fazendo passar a mensagem do seu futuro falhanço, fazendo disso a sua própria vitória.

Aquelas aves agoirentas divertem-se gozando com o povo grego, desejando subconscientemente a sua desgraça por se atreverem a rumar contra a corrente vigente seguidista da senhora Merkel que tem provado o seu falhanço mas que o quer ocultar.

Por aqui se pode ver a indigência sectarista desta gente que colocam à frente, quando lhes interessa, a ideologia e os interesses, não do interesse nacional e do povo que dizem defender, mas o de poderem ficar nas boas graças da Alemanha nos corredores de Bruxelas.

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publicado às 00:03

A chantagem da europa

por Manuel_AR, em 13.01.15

 

 

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A europa atravessa tendências radicais nos países que vão a eleições este ano, daí a aflição de alguns setores europeus, nomeadamente da Alemanha de Merkel e do seu ministro das finanças Schäuble que inauguraram as pressões e a chantagem sobre a Grécia, face às previsões das próximas eleições de janeiro coadjuvados pelo assustado Holland e outros. Antecipam as maiores desgraças, anteveem a catástrofes, obrigam a condições, ameaçam com sanções, chantageiam e atemorizando os povos. Fazem reinar o medo. Aliás, parece ser esta a política seguida na União Europeia com a Alemanha a comandar o que, a nós, portugueses, já não é estranho porque Passos Coelho também utilizou e ainda utiliza o método da chantagem e do medo não apenas relativo ao passado com projeção no futuro.

A possibilidade do Syriza, partido  da esquerda radical da Grécia, poder vir a ganhar as eleições assim como o Podemos em Espanha poder obter um grande votação põe a direita europeia nervosa. Esta é a grande preocupação da Alemanha e de outros países lacaios que vêm a democracia como válida apenas e só se os partidos que eles entendem ganharem as eleições. Caso isso não suceda apontam a povos soberanos a arma do medo.

A democracia passará a estar em perigo na Europa se aceitarmos que, em eleições livres, devam ganhar apenas os partidos que outros achem devam ganhar.

Veremos se a mesma atitude, face aos partidos extremistas da direita de Marine le Pen em França, se levantarão vozes ameaçadoras na Europa caso a tendência, em altura própria, seja a de poder vir a ganhar eleições.

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publicado às 00:23

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                                                 Cabaz de Natal

              Cartoon de http://felizardocartoon.blogspot.pt/2011_11_01_archive.html

Está bem de ver que os alemães estão bem satisfeitos com a política seguida por Angela Merkel, quer no país, quer no que se refere à sua política na União Europeia. Nem outra coisa seria de esperar. Tendo conseguido dominar e controlar a europa através da economia e com uma política de austeridade excessiva aplicada aos estados soberanos do sul, a quem chamou preguiçosos, é natural que a estima dos alemães esteja no auge.

As previsões de crescimento da Alemanha têm sido revistas em baixa com 1,4% do PIB em 2014 e 1,5% em 2015, a maior da União Europeia. O baixo desemprego e a defesa intransigente dos interesses nacionais durantes estes últimos anos contribuíram para a popularidade de Merkel dentro de portas.

À semelhança de Portugal também há um senão no CDU-União Democrata-Cristã da Alemanha onde também se encontram infiltrados jovens radicais neoliberais que são representados por um deputado que poderá vir a candidatar-se a um dos lugares elegíveis do partido.

O Congresso da CDU-União Democrata-Cristã da Alemanha debate a economia e o futuro da Alemanha tema que serve para disfarçar o ámen às políticas de Angela Merkel o que consignou a sua reeleição como líder com uma larga maioria de votos de 96,7% a curta distância dos históricos 97,9 por cento obtidos no congresso de Hannover, em 2012 o que, na prática, não tem qualquer significado.

Foi a oitava vez que Merkel foi eleita para a chefia do partido, que lidera desde 2000. O resultado foi o segundo melhor de sempre.

Com Merkel bem posicionada na Alemanha nada faz supor qualquer mudança na política europeia já que, no seu partido e no país, há um grande consenso daí a popularidade. A austeridade ao modo Merkel será para continuar sobretudo nos países do sul.

A União Europeia é dela, o resto são balelas e assim será, até que os países do sul cheguem a um consenso sobre as políticas a prosseguir para lhe poderem fazer frente, o que não será possível porque há governos subservientes em alguns desses países que se lhe submetem com subserviência.

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publicado às 19:27

 

A direita neoliberal extremista que governa Portugal anda sem rumo e à deriva. O seu chefe Passos Coelho contribui para isso. Na festa dos direitinhas apoiantes do PSD de Passos, (ainda restam alguns), ouviu-se um discurso em que ora estava no passado, ora estava no presente ora dirigia-se ao futuro, com a agravante de voltar tática da divisão dos portugueses, novos contra velhos, tudo à roda das decisões do Tribunal Constitucional. Os líderes de países civilizados fazem tudo para unir o seu povo e não dividi-lo como o tem feito Passos Coelho. Apenas ditadores que querem lançar estigmas dentro do próprio povo que governam o fazem tendo em vista intuitos maquiavélico. Homens como este não merecem continuar a ser líderes.

Relativamente à contribuição de sustentabilidade apelou ao Partido Socialista que o ajudasse na elaboração de uma proposta conjunta para a reforma da segurança social, caso contrário, ameaçou, não tocaria mais no assunto. Hoje, aí está ele a pedir reunião urgente da Comissão Parlamentar permanente da Assembleia da República para discutir o assunto e, recentemente já voltou a lançar a ideia.

Sobre o caso BES teve a genial ideia do conotar com governos anteriores que apoiavam os grandes bancos, mas ele, santinho, era a favor da transparência e pela separação do Estado do mundo das finanças. O que lhe deu? Então não é ele e a ideologia que sustenta a favor dos negócios com os privados (leia-se privatizações, PPP´s) e que tem vendido Portugal ao capital estrageiro (leia-se Angola e Estado chinês).

Não é no seu governo que se passam coisas escandalosas como o caso do esquecimento da declaração às finanças de oito milhões de euros por Ricardo Salgado e que ainda beneficiou de uma amnistia fiscal feita quase à medida? Quando se esquecem oito milhões que outras verbas não poderiam estar em causa. Não foi durante o seu governo que prescreveram processos como o do BCP com explicações de credibilidade duvidosa e que raiam os limiares da incompetência? E a Ministra da Justiça que tinha afirmado há meses atrás que ninguém ficaria impune e que o "tempo da impunidade tinha acabado" numa alusão ao anterior governo. Referia-se a quem ou a quê?

As eleições de 2015 aproximam-se e começam a preparar a campanha eleitoral. Há que meter esqueletos no armário e novas mentiras que iludam os ainda muitos e incautos portugueses.

Quando o PSD e o CDS são confrontados com situações que os envolvem a primeira reação é a negação, a segunda a teoria da encenação montada pelos inimigos políticos, no abstrato, digo eu.

Escândalos financeiros como o do BES e do BPN e de corrupção que envolvem personalidades influentes, (as chamadas elites), atiçam o desprezo do eleitorado pelos políticos que andam de mãos dadas com a alta finança e com a côrte dos senhores do governo. Os que gravitam à sua volta disfarçam, evitando falar dos casos como namorados que não querem ser vistos juntos em público para não serem apanhados.

Tudo isto se passa enquanto o Partido Socialista atravessa dificuldades internas e o seu atual líder está mais preocupado em fazer campanha que o mantenha no poder do que fazer oposição certeira e transparente ao governo de Passos como se verificou no passado recente, daí ter sido confrontado por António Costa.

Todas estas derivas podem abrir caminho a novos partidos à solta que, aproveitando-se da situação, poderão tirar vantagem do descontentamento e da descredibilização dos atuais partidos, já que, em Portugal, partidos como a Frente Nacional de Marine Le Pen ainda não tiveram coragem de se apresentar sem preconceitos. Ainda bem porque não é desejável.

Passos Coelho, apesar da intervenção da troika, sabendo que Portugal teria que ser considerado junto da União Europeia e da Alemanha como um caso de sucesso, não se mostrou audacioso no plano diplomático. Veja-se a subserviência com que ele tem atuado junto das instâncias europeias.

Passos Coelho, aquando da campanha eleitoral, na ânsia de captar o poder para os neoliberais alojados no PSD, fez promessas que sabia não iria cumprir ou, não o sabia, e os seus “advisers” disseram-lhe para as fazer. António José Seguro começou a fazer promessas que diz vai cumprir, apesar das contas que ele tem no seu bloco pessoal poderem não estar certas e ameaça coma demissão se assim não for. Alguma vez se poderá ir votar num primeiro-ministro que à primeira contrariedade se demite? Neste momento que certeza pode ter do que se vai passar daqui a mais de um ano?

Recorde-se o exemplo de Passos Coelho que, já no poder, não se mostrou à altura das suas promessas desculpando-se dizendo que desconhecia o que encontrou. Então as medidas foram lançar um programa de reformas que apenas se baseou em cortes e mais cortes e tomar como lema o “temos que empobrecer”. Era o empobrecimento forçado dos portugueses sem qualquer explicação que não fosse o passado, fazendo letra morta das promessas de reformas sem tocar violentamente nos benefícios sociais, nos salários e nas pensões. Optou por reformas radicais do tipo “tatchariano”, mas nem ele é Thatcher nem estamos nos anos oitenta. Agarrou-se à Merkel e à austeridade que ela e outros países do norte como Finlândia e Holanda quiseram aplicar aos países do sul sem tentar perceber ou avançar com outras que alternativas que dizia não existirem que é o argumento preferencial dos neoliberais desta extirpe.  

A direita deve procurar outras personalidades menos manchadas e de vistas mais largas e menos anquilosadas do que estas que têm governado Portugal.

 

 

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publicado às 23:17


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