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Telhados de vidro e chuva em casa

por Manuel AR, em 25.06.14

É costume o povo dizer que "enquanto o pau vai e vem folgam as costas", acrescento, do Governo, o que poderá ser traduzido por: o Partido Socialista, especialmente os adeptos de António José Seguro, estão a dar uma ajudinha aos partidos do Governo para que ganhem as eleições legislativas em 2015.

Só faltava agora quatro ex-dirigentes do PS virem também contribuir para a divisão do partido com um manifesto em defesa de Seguro adotando os mesmos argumentos que o PSD e o CDS utilizam como oposição aos socialistas. Não sei como é que aquelas individualidades querem que o partido ganhe as próximas eleições. Entrando no jogo dos partidos do Governo talvez…

As declarações daqueles socialistas são tiros nos pés do próprio partido e são o replay do que temos ouvido por elementos do PSD e comentadores da sua proximidade. Afirmações como "os mesmos que conduziram Portugal para o desastre" que têm sido pronunciadas pelo PSD para atacar o PS são agora proferidas por alguns, poucos, dos seus militantes como arma de arremesso a António Costa. É de lamentar.

Por sua vez José Seguro, atual Secretário-geral do PS, faz afirmações que são do domínio da impossibilidade. Como é que pode garantir que não teria assinado em 2011 o memorando de assistência externa, sabendo ele, se é que alguma vez soube, das pressões exercidas sobre o governo na altura. Ou será que, se fosse primeiro-ministro na altura, faria o mesmo que Passos Coelho fez até agora?

Atirar pedras ao telhado de quem vive na mesma casa em nada resolve qualquer problema e apenas serve para deixar entrar água na própria casa.

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publicado às 23:23

Tenho andado atento ao vários noticiários das televisões e, estou muito enganado ou a maior parte dos canais está num alinhamento pró-governo, com algumas exceções, não estivesse já a preparar o caminho para as eleições. Por todo os canais proliferam notícias otimistas de sucessos do Governo no que respeita a índices macroeconómicos que, dizem, estão a revelar a recuperação económica.

Os dados são de otimismo e, como é costume dizer, os números não mentem, o que podem é estar enviesados, não premeditadamente mas conjunturalmente. Mas de qualquer forma o que pretendem é mostrar que se deu nestes últimos meses um "autêntico milagre", pelo menos no que respeita aos anúncios dados pela comunicação social.

Alguns canais de televisão e comentadores políticos parece que foram tomados por vigor apologético pró-governamental, muito bem encoberto de isenção, como preparação para a campanha eleitoral.

Penso que nenhum canal salientou, não sei se intencionalmente, uma frase da intervenção do primeiro-ministro hoje, salvo erro, em Viseu, que se referia a Portugal e aos portugueses e passo a citar: “Estão a falar de uma Europa que não existe, nem existirá e ainda bem, porque ninguém aceitaria uma Europa em que uns poupam para que outros possam gastar”

Por acaso alguém se apercebeu da gravidade do que disse hoje o primeiro-ministro, colando-se nitidamente à linha da direita mais radical da Europa. Analise-se a frase e vejam o desrespeito pelos portugueses e a falta de patriotismo. No meu entender é estar a comunicar para o exterior que os portugueses são gastadores ao lado dos outros países, conhecendo ele os dados que saíram sobre a pobreza em Portugal. Sobre isto os mercados já não o preocupam.  

Um primeiro-ministro que expõe e difama o povo que governa perante o estrangeiro e que, em vez de o defender, alinha com as críticas que têm sido feitas aos portugueses do exterior, não merece ser ministro de um país, como afirmou Constança Cunha e Sá na TVI24.

É por estas e por outras que, nas eleições europeias, todos em conjunto devemos bater-nos para que a direita mais radical saia derrotada a fim de que todos possamos, na UE,  ter uma esperança no futuro.  

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publicado às 23:36

Os almofadados

por Manuel AR, em 18.03.14

Será que já não se pode, nem deve, discutir os problemas do país por causa dos mercados?

Será que já não se pode apresentar alternativas diferentes do poder estabelecido?

Será que passou a haver uma censura, já não através do lápis azul, mas de pressões de outra natureza por causa dos mercados, da Merkel ou de qualquer outra desculpa?

 

O manifesto "Preparar a Reestruturação da Dívida" provocou no primeiro-ministro e nos setores neoliberais uma polémica desnecessária, nomeadamente nos comentadores e jornalistas que apoiam e defendem as medidas do Governo.

Escreveram-se e verbalizam as maiores atrocidades e disparates, algumas ofensivas, sobre as personalidades que subscreveram o manifesto, para além de mentiras descaradas ditas por irritadiços jornalistas dos jornais económicos onde a falta de isenção foi mais do que evidente.

Foi longe demais o descaramento ao expressarem nos seus comentários sectários, frente às câmaras de televisão, mentindo sobre o conteúdo do manifesto deturpando o seu sentido e acrescentando da sua lavra o que muito bem entendiam para confundir a opinião pública.

Estes sujeitos sabem que aqueles para quem falam e escrevem não têm acesso ao documento ou, não têm a formação suficiente para o descodificarem e, por isso, reservam-se o direito de fazer interpretações falseadas do seu conteúdo. Para o confirmar bastaria que fosse lido com atenção.

Clara Ferreira Alves, no último programa Eixo do Mal, foi clara no seu esvoaçar de borboleta, desta vez, fazendo voos de toca e foge às posições defendidas por Passo Coelho no que respeita ao momento próprio para o manifesto que, segundo ela, já devia ter sido feita há mais tempo e referindo-se à Alemanha como a "Grande Alemanha". Até falou em "haircut" da dívida coisa que nem está no manifesto. É notório, ao longo dos programas, o seu esvoaçar de pensamento errático não clarificando a sua posição. Como ainda não tem almofada procura uma com todo o afinco.

Jornalistas e comentadores têm o direito e a liberdade de exprimirem livremente a sua opinião dentro de uma ética e moral que não agrida a liberdade dos outros, o que nem sempre é praticado.

Aqueles a que me refiro defendem até à exaustão Passos Coelho e as suas políticas, e enodoam a maior parte das vezes a opinião pública com propaganda descarada, na expectativa de poderem obter uns cargozinhos pagos à custa dos nossos impostos. Veja-se a o caso de Pedro Lomba.

Mas há mais, por exemplo Henrique Raposo, nas suas opiniões demagógicas, às vezes futurológicas, transforma o manifesto como se fosse uma discussão menorizada sobre as reformas dos que a assinaram, o que revela a pequenez duma mente que avalia a dívida portuguesa, que é grave e necessita de alternativas, como uma questão de receber ou não receber reformas. Este escriba de opiniões tem responsabilidades porque escreve no Jornal Expresso. Apesar de muito expectante e pessimista no que se refere à sua futura reforma está de certeza bem almofadado. Como o estão, decerto, todos que ele apoia e fazem parte do governo.

Defendem medidas iníquas e desproporcionadas a aplicar a outros porque sabem que não serão atingidos por elas e, mesmo que assim fosse, estariam bem almofadados para ficarem sempre bem acomodados.

Eruditos jornalistas e comentadores, nas suas crónicas e comentários opinativos, têm vindo a alinhar e a subscrever as medidas do Governo e temem que se proponham outras alternativas que possam colocar em causa as suas próprias crenças que vêm apregoamndo durante tanto tempo. Até o próprio primeiro-ministro, creio que sem ler o documento, irracional e emotivamente, entrou quase em pânico atirando para os jornalistas disparates vagos e sem consistência.

A questão que se coloca é a saber qual é o problema de cidadãos chegarem a um consenso sobre determinados pontos, tão fundamentais para o país, e não poderem e não deverem ser discutidos publicamente. A desculpa já gasta é a dos mercados e da credibilidade. Quer dizer, qualquer debate interno, sobre política económica e assistência financeira, num país livre são à partida coibidos de poderem ser refletidos e discutidos. Será que já não se pode, nem deve, discutir os problemas do país por causa dos mercados? Será que já não se pode apresentar alternativas diferentes do poder estabelecido? Será que passou a haver uma censura, já não através do lápis azul, mas de pressões de outra natureza por causa dos mercados, da Merkel ou qualquer outra desculpa?

Apresentam os papões dos mercados, da troica, do protetorado, da credibilidade.

Os portugueses já não temem os papões porque maior papão do que este Governo não deve existir.

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publicado às 17:24

Imagem de: http://www.ctvclic.com/cccss/blog-21.05.2009.htm


 

Começa a ouvir-se e a escrever-se por aí contra o sentimento anti partidos e anti políticos que se está a gerar na sociedade sustentando que não há democracia sem partidos. Não haver democracia sem partidos é um facto pelo que, não devemos deixar que esse sentimento alastre por ser terreno propício ao estabelecimento de ideias mais ou menos populistas que, posteriormente, poderão gerar ditaduras ou “democracias musculadas”(?).

 

Tem-se desde há muito divulgado a ideia de que há partidos a mais, que os partidos não se entendem, etc.. Mas, por outro lado, avançam com a ideia contraditória de que estes partidos não nos representam e que nos enganam. Quanto à ideia de que os partidos não se entendem parece ser um pouco anedótico, pois se eles existem é porque têm princípios, propostas e programas diferentes de governo, caso contrário entraríamos num conceito de “união partidária” do tipo quase união nacional. Outra coisa são alianças partidárias pontuais por vizinhança ideológica, como é a do caso que nos governa. Mais difícil é fazer alianças quando há antagonismos ideológicos e programáticos mas, mesmo assim, é provável.

 

O que não é democrático é que partidos instalados, ou os seus elementos, venham opor-se publicamente, através de órgãos de comunicação, à constituição de novos partidos ou movimentos organizados de cidadãos , como se tem visto recentemente, com as ofensivas despropositadas a um manifesto subscrito de 60 cidadãos bem conhecidos que foram ou são de partidos diferentes.

 

Para vermos o que se está a passar com a democracia até o Tribunal Constitucional invalidou duas propostas para criação de partidos. Marinho Pinto, pessoa com cujas posições nem sempre concordo, também se insurgiu.  

 

Apesar de ser apenas um manifesto, acusam os seus promotores de se “aproveitarem da angústia e desespero das centenas de milhares de pessoas que têm vindo a manifestar-se contra este sistema… para proveito próprio”. Esta citação é de um elemento do PCP que, decerto, receia que alguém “fuja” para apoiar o manifesto.  

 

Os senhores que se levantam e indignam com este manifesto e com outros partidos e movimentos que possam surgir tendem logo a compará-los, sem qualquer argumento válido, a um partido que surgiu em Itália, liderado por um comediante que dá pelo nome de Beppe Grillo. Mas a realidade é que, não é apenas em Itália que há comediantes políticos, em Portugal existem há muito, e andam por aí.

 

Porque será que manifestos, movimentos e novos partidos assustam os já instalados que têm partilhado o poder e, também, os que, sistematicamente, se encontram na oposição? O receio da perda e dispersão de votos dos eleitores é a resposta. Novos partidos ou movimentos não são bem-vindos pelos partidos quer de direita, quer de esquerda, que se encontram mais ou menos na sua zona de conforto, (pegando na frase do malquisto Passos Coelho). Por fim, e é apenas uma constatação, enquanto a direita tende a unir-se a esquerda tende a dividir-se.


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publicado às 19:28


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