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A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente.

Albert Einstein

Vivemos dependentes da inexorabilidade do tempo. Ao longo de décadas impõem-nos o ritmo alucinante do quotidiano. No exato momento em que escrevo estas linhas, o tempo deixou de ser presente, pertence já ao passado. O que escrevo projetam-se para um futuro mais ou menos próximo até que eu, ou algo, as destrua, sem o que será mais uma pegada digital.

Toda a interação humana ocorre num determinado espaço e tem uma duração específica de tempo. O conceito de tempo faz parte do homem, mas para Kant, filósofo do século XVIII, o tempo não é um conceito é uma intuição, é uma forma a priori da sensibilidade, juntamente com o espaço. O tempo é uma intuição pura a priori no plano da sensibilidade, é uma noção objetiva de observação e não é extraído da experiência e é prévio a qualquer experiência.

Esse conhecimento denomina-se a priori e distingue-se do empírico, cuja origem é a posteriori, ou seja, baseado na experiência. Todavia, alguns conhecimentos vindos da experiência já são conhecidos a priori, porque não são extraídos desta, mas sim de uma regra geral, que foi de início buscado na experiência, assim Kant nomeia os juízos a priori puros, aqueles que são independentes de qualquer experiência, como o de tempo.

Filósofos de várias correntes do pensamento refletiram sobre a questão do tempo mostrando que ele indica o caminho do homem, e das sociedades como entidades coletivas do passado que foi presente, do presente que deixa de o ser quando passa a futuro que é uma continuação do presente.

Cada um de nós desde criança teve e tem o seu espaço vivido que se prolonga, alarga, estabiliza e adensa de experiências múltiplas que se quebram por descontinuidades. A primeira descontinuidade, a mais relevante, marca a passagem da adolescência ao universo dos adultos que por norma acontece através da dupla experiência do casamento e do primeiro trabalho. Esta sequência que no passado parecia imutável foi quebrada no presente pelo ritmo frenético das sociedades com a permanência na casa dos seus progenitores prolongada no tempo pela difícil procura de trabalho que abre novas relações sociais e cria rigorosas obrigações, mas que escasseia e sem remunerações que permitam uma independência para constituição de família.

O espaço vivido da idade adulta tem de se integrar num espaço ordenado que por ser cada vez mais social deixa de ser apenas pessoal e passa a alinhar com obrigações de outras pessoas e dos próximos é um problema da liberdade individual que se coloca em termos de espaço físico. Pessoas e coisas movem-se através do espaço num determinado tempo. O espaço virtual da World Wide Web com as redes sociais quebraram as barreiras do espaço físico vivido nas sociedades muito urbanizadas alcançando contactos com pessoas distantes de outros espaços e sociedades. 

A Internet veio encurtar o tempo de interações com outras pessoas independentemente do espaço e da distância em que se encontram e também alterar a perceção do tempo pela comunicação é imediata.

Ao longo da sua vida o homem alcança espaços diferentes ao ritmo do tempo e da escala das distâncias. A não ser o espaço da divisão do apartamento onde vive, cujas paredes pode alcançar apenas com o estender dos braços, o resto da casa, o bairro, o centro da cidade, a região, o resto do mundo são articulados com o quotidiano, o semanal, o mensal, o excecional, respetivamente.  

O registo da passagem do tempo é feito pela escrita através dos livros e também pelos arquivos virtuais da tecnologia digital que oferece a possibilidade de conhecer o que se passa e se passou com as pessoas, a natureza e a sociedade que servem para compreendermos a sequência dos acontecimentos. São registos de escrita sequencial, ou fragmentada pela hipertexto quando em ambiente digital, da sucessão dos acontecimentos. Todavia há uma diferença entre o que se lê e que foi registado e o que é percebido por quem lê o registo escrito; a visão do quadro descrito muda de pessoas para pessoa.  A escrita aprisionou o tempo para, ao saber o que aconteceu no passado e com os olhos no presente, tentar hipoteticamente prever “o depois”, o futuro.

O que hoje se ensina no mundo com os esquemas curriculares, obrigatoriamente lecionados nas escolas, já não será o que no futuro aqueles que se formaram irão encontrar e em que terão de atuar e intervir. Isto é tão evidente que a evolução se faz em tempo cada vez mais acelerado, exatamente o contrário do tempo demorado em que necessariamente se traduz a tentativa de integração social pela longa disciplina escolar.

O tempo condiciona em cada momento a informação que nos chega pelos meios de comunicação social. O que é verdade hoje pode não sê-lo amanhã e que deixa de ser presente passando a pertencer ao passado pelo que, no presente, podemos desmentir verdades que já o foram no passado.

 O jornalista, o cronista, o analista, o ensaísta e o cientista vivem o presente e servem-se do passado para explicar o presente, fazem prognósticos sobre o futuro, mas, quando leio o que escreveram ou disseram já é do passado.

O processo de registar o que se passa no tempo envolvendo simultaneamente os sentidos da audição e da visão, o audiovisual (os outros sentidos são acionados pela imaginação), é a televisão e o seu registo em videotape. Através deste meio o fator tempo entre um facto e o conhecimento público foi eliminado pelas reportagens em direto, gerando reações imediatas, muitas vezes emocionais. Muito tempo depois do facto acontecido, e conhecido pelo público, o registo em filmes ou videotapes possibilita reviver o acontecimento registado no passado. É o tempo aprisionado. Pela leitura temos de fazer um esforço para criar um quadro mental para reconstituição do facto, com o audiovisual temos o registo total. Revemos os acontecimentos e tomamos consciência como se estivéssemos presentes e dá-nos a sensação de sermos participantes do acontecimento. A televisão introduziu um elemento na noção de tempo. O tempo não pode ser parado daí o haver um histórico do passado o que a televisão possibilitou é registar o que acontece de maneira a poder repetidos como se fosse o original.

A televisão vista de forma global levanta-nos outro problema: a identidade nacional dos países. Os canais emissores estrangeiros transmitidos e controlados pelos grandes centros podem atingir os menos influentes e poderosos que começam a moldar a reação pública de acordo com os interesses de quem transmite, o que facilita que um grupo humano, em contacto contínuo com outro grupo humano de cultura diferente, adote os valores e práticas culturais desse outro grupo. O peso do que é enviado pelos canais transmissores à escala planetária atinge todos os países e Portugal não escapa a essa espécie de aculturação a distância.

Entre as várias questões que se levantam colocam-se duas que me parecem importantes e para as quais se procuram respostas: qual impacto da invasão pelos meios de comunicação televisivos e internet? O que acontecerá ou (o que está a acontecer) à identidade nacional face à massiva divulgação de hábitos, crenças, conhecimentos e orientação política vinda do exterior num contexto do interesse nacional dos produtores e emissores de conteúdos?

A assimilação pelas novas gerações de novos hábitos, modas e inovações que se desvia das culturas autóctones é facilitada por via da televisão e da internet e ainda pela facilidade de deslocação a outros países devida aos baixos custos de viagens aéreas low cost e a programas do tipo Erasmus.

O conceito de geração é mais amplo do que o conceito de idade e está estritamente associado

a influências de normas, fruto dos diversos papéis sociais exercidos ao longo da história. A noção clássica de geração fazia referência ao conjunto de pessoas que, por terem nascido no mesmo período histórico, receberam ensinamentos e estímulos culturais e sociais similares e, por conseguinte, têm gostos, comportamentos e interesses em comum. Isto é, definia-se geração como sendo o grupo de indivíduos que sucederam aos seus pais.

Nos últimos 50 anos assistimos a uma aceleração temporal quanto ao modo de fazer as coisas e aos modos de produção com o desenvolvimento das tecnologias que se marcaram sucessivamente no tempo. O intervalo entre uma geração e outra ficou mais curto. Hoje, já se pode falar em uma nova geração a cada dez anos. Os jovens que nasceram cercados pela internet e ligados o tempo inteiro cresceram. Eles têm entre 18 e 34 anos e são o futuro. Isso significa que mais pessoas com visões “diferentes” estão a conviver na escola e no mercado de trabalho.

As gerações não se avaliam apenas por cortes demográficos num determinado tempo. Envolvem segmentos sociais em que estão envolvidas relações familiares, relações entre amigos e colegas de trabalho, entre vizinhos, entre grupos de desporto, artes, cultura etc. Implicam estilos de vida, modos de ser, saber e fazer, valores, ideias, padrões de comportamento, graus de absorção científica e tecnológica.

As duas gerações anteriores cresceram num tempo histórico em que foram agentes ativos e conscientes da construção e consolidação da liberdade e da democracia. As gerações atuais são preponderantemente passivas e pouco ou nada contribuem para a identidade nacional que deve ser uma obrigação moral de todas as gerações e não estão a ser preparadas para serem a solução para os problemas que terão de resolver num futuro que está colado ao presente. Manifestam-se e reivindicam sem apresentarem soluções concretas, pedem às gerações anteriores que os geraram e que hoje os governam e nos governam que resolvam os problemas, mas não se envolvem, preferem que outros o façam. Pretendem liberdade plena sem responsabilidade.

Ocorrem-lhes momentaneamente ímpetos súbitos de indignação sobre algo traduzidos em movimentos de massas que esmorecem ao fim de algum tempo. Manifestações que servem para desencadear movimentos de rua temporários e curtos onde se extravasam emoções. Quando não são construídos movimentos com base sólida e ações concretas e objetivas resultam numa mão cheia de nada. As forças políticas e os seus aliados que reagem às reivindicações têm uma capacidade imediata de reação com mais poder de dissuasão, quando não abafar e levar ao esquecimento, mesmo que temporário, e à exaustão qualquer ação reivindicativa.  

Apresento um exemplo sobre as questões ambientais que foi o caso de Greta Thunberg cujo movimento parece ter adormecido limitando-se de momento a dar pequenos apontamentos de entrevistas como a que em junho de 2020 a deu à BBC sobre o movimento "Black Lives Matter aquando da manifestação anti racista devido à morte de George Floyd. Greta disse nessa entrevista que “não será um plano de recuperação ambiental que resolverá, por si só, todos os problemas, sendo necessário os decisores dedicarem à pandemia e aos problemas sociais a mesma atenção que vêm dando às alterações climáticas.”

Mais uma vez entra em jogo a questão do tempo presente e futuro traduzidos em espera para tomadas de decisão. Uma espécie de paragem do tempo, como se isso fosse possível! Para mim é uma questão de crença que, com a quebra drástica da economia e do crescimento provocados pela covid-19, mais uma vez os problemas ambientais e sociais vão ser enviados num saco para a arrecadação das prioridades.

Há problemas no nosso país para os quais que nos governa fecha os olhos esperando que o tempo passe mantendo-se sem que qualquer intervenção. No dia 13/07/2020 o Jornal das 8 da TVI passou uma pequena peça que deixou no ar algo que parece ser muito grave que as autoridades admitem e até apoiam, ao qual ainda não foi objeto de investigação.

A peça com o título “Estufas esgotam recursos hídricos da Costa Vicentinatrata do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e da Costa Vicentina que está a comemorar 32 anos e onde, longe vão os tempos, as paisagens eram naturais e hectares de plástico não manchavam toda a zona que se quer natural.

Os jovens vivem num presente constante, ininterrupto, sem futuro, pensando que vivem um presente que se traduz numa espécie de eterna juventude. Desdenham o passado, não se dando conta da velocidade a que a sociedade, movida apenas pelo lucro e pela imagem virtual dada pelas redes sociais, acentuando individualismos. Submetem-se às importações que lhes impõem todos os meios de comunicação social induzindo-lhes, valores, atitudes e modos de viver. É a utilização do veículo juventude como meio de aculturação.

Os conflitos de gerações dão-se entre os seus progenitores, o passado, e eles, o presente que eles vivem e que outros lhes “vendem”. A complementaridade de gerações quando de dá é apenas para a necessária sobrevivência do jovem. Atualmente à medida que o tempo avança regista-se uma clara e acentuada antecipação do choque geracional que sempre existiu embora a ritmo mais lento, mas agora em idades cada vez mais jovens.

Este é o tempo da pandemia da Covid-19. O presente cria-nos uma permanente ansiedade, mas também uma mera sensação de esperança no futuro quando conhecemos a informação do passado quanto ao número de infetados se juntam ao número dos anteriores infetados e óbitos. Haver recuperados é bom, mas o seu número não nos protege. Os recuperados que foram infetados com Covid-19 no passado continuam a pensar no futuro segundo, minuto, hora, dia, em que poderão voltar a ficar infetados porque não há evidência científica disponível à data, para confirmar se as pessoas infetadas com o SARS-CoV-2 desenvolvem imunidade protetora.

As investigações do presente são contraditórias e desatualizam-se no tempo em menos de vinte e quatro horas em alguns casos. Fazem-se outras que ficarão de imediato também desatualizadas.

O espaço pessoal é o espaço físico que os indivíduos mantêm entre si e os outros e varia entre a distância íntima para relações estreitas, a distância para encontros formais e a distância pública quando se enfrenta uma audiência. O tempo da Covid-19 é o tempo do espaço social restringido a que chamam distância social. Quando se sai à rua ou nos deslocamos a qualquer lugar o que importa é acautelar o futuro, o futuro imediato, não o presente, o nosso e de outros familiares ou não.

Os jovens são desafiantes do perigo e juntam-se em perigosos delírios gregários violando as regras de distanciamento social verificado pelos jovens mais velhos que parecem apresentar uma maior tendência a correr riscos e sentem que não vale a pena seguir as diretrizes.

É impressionante o quanto os(as) adolescentes mais velhos(as) se destacam em termos de violação das regras de distanciamento social com atitude extremamente negativas para, numa atitude distópica extremamente negativas criticarem a ordem social e/ou a política existente.

A necessidade de gregarismo dos jovens levanta dúvidas se expressa uma tendência natural, que os leva a desafiar as imposições necessárias para contenção da pandemia ou se será função de contingências adaptativas em face de situações de insegurança e decorrentes de ansiedades,  de motivações pessoais, egoísticas ou ainda e motivações sociais e altruísticas?

A mentalização dos jovens para os problemas da vida adulta começa mais cedo, e cada vez mais cedo. Pretendem que as suas reivindicações de emancipação sejam agora e já, no presente e para o futuro, sem regresso. O tempo leva-nos também à questão de qual o tempo da maturidade necessária para a emancipação. O presente dos jovens é o imediatismo.

Recordo-me de, quando ainda na universidade, e muitos também ainda se lembram do tempo em que os professores assistentes eram considerados jovens quando a maior parte deles ainda não tinham chegado aos 30 anos de idade; hoje os estudantes já não os consideram jovens e tendem a incluí-los no outro grupo, o dos não jovens.

Há políticos que quando no poder por questões de angariação de apoios tendem a virar as gerações umas contra as outras com ideias simplistas incutindo a ideia de que uma geração beneficia de um bem-estar económico à custa das outras. São os que acicatam os do presente e os do futuro contra os do passado. Afinal os do presente que conseguiram os privilégios que os do passado conquistaram para eles e que no presente pertencem ao grupo de privilegiados falhados que nasceram na abundância, que sempre viveram em liberdade e que dizem nada terem a ver com as gerações anteriores, os do passado. Há uma espécie de consciência de grupo nos jovens das sucessivas gerações que sugerem a ideia de um corte com o passado, mas que continuam a viver no seio desse passado do qual se querem afastar. Ouçam este podcast da Antena 3 “Pão para Malucos”.  

A invenção de léxicos ressonantes com que alguns pretendem representar a evocação de uma geração que terá na mão o futuro do mundo são verdadeiros truísmos. É o caso do neologismo millenials com que pretendem designar a geração que terá na mão a gestão e a governação do mundo. É óbvio que na linha do tempo e devido à finitude do ser humano todas as gerações terão, algum dia, o futuro do mundo nas mãos, seja a geração do milénio ou qualquer outra que se lhe siga.

Para os da nova geração de 2001 a 2020 a geração dos anos 1981 a 2000, os tais, millenials já são velhos, pertencem ao passado. Os millenials começam já a ficar ‘velhos’ e a ser suplantados por uma nova geração nascida após 1996 que é problemática pelas suas conceções de vida que lhes foram induzidas e pelas distorções de perceção que geram.

Bourdieu, sociólogo francês, disse em 1983 que é uma manipulação utilizar o termo juventude para falar de jovens como se fossem uma unidade social, um grupo constituído, dotado de interesses comuns e relacionar esses interesses a uma idade biologicamente defina. No entanto, a questão central é a de explorar não apenas as possíveis ou relativas similaridades entre jovens ou grupos sociais de jovens em termos de situações, expectativas, aspirações, consumos culturais, mas também as diferenças sociais que entre eles existem decorrentes ou não das classe sociais das famílias a que pertencem. Os jovens não se englobam e agrupam numa mesma geração ou grupo não podem englobar-se numa mesma geração (num mesmo grupo) e que apesar de contemporâneos e terem a mesma idade e de serem portadores do sentimento comum de se encontrarem em presença de outras gerações na sociedade identificam-se a si mesmos como pertencendo, por exemplo, a classes sociais, grupos ideológicos ou grupos profissionais diferentes.

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Fonte: Purdue University Global

Especialistas das áreas de antropologia e sociologia tentam identificar seis gerações apesar de alguns perigos e equívocos devido a generalizações devido a diferenças que pendentem do universo de estudo: a Maior Geração, Geração Silenciosa, Baby Boomers, Geração X, Geração Y e Geração Z. Cada geração possui seu próprio conjunto exclusivo de características e normas. Por exemplo, a Maior Geração (nascida em 1901-1924) é conhecida por seu patriotismo, trabalhadores esforçados e lealdade às instituições. Os millenials (nascidos em 1980-2000) são caracterizados por sua dependência de tecnologia, distanciamento das instituições tradicionais, otimismo e mente aberta. Não é de admirar que muitas pessoas de diferentes gerações tenham dificuldade em se entender.

Começa a manifestar-se agora uma outra geração progressista destinada a salvar o planeta do apocalipse ecológico e da ganância capitalista, algo que as velhas gerações anteriores não quiseram fazer, ou então não souberam fazer. Mas não se muda o mundo à espera de que surjam ideias novas que o venham a transformar, venham elas de que geração vierem. Ou elas surgem com as gerações que temos no presente para preparar o futuro ou, então, quando a tal geração millenials e seus descendentes nos governarem deixar-se-ão minar como os seus antecessores ou então já estaremos todos mortos se a mudança verificar.

Se olharmos para o passado vemos que a anterior geração possibilitou a democracia terminou com totalitarismos em muitos países. Mas, se olharmos para as últimas 3 décadas (com um decréscimo apenas em 2009 devido à crise financeira) essa mesma geração que governou o Mundo contribuiu para a pobreza generalizada, para o enriquecimento de uns poucos que possuem a maior parte da riqueza global e para o neoliberalismo desregrado como modelo económico que causou a maior crise financeira e económica do século XXI.

As gerações que serão responsáveis por decisões no futuro estão a ser educadas para desdenhar o coletivo e a centrarem-se no interesse particular e individual para uma competição sem limite.

É intuitivo que o passado influencia o futuro e marca as diferenças entre gerações por taxas de mudança acelerada na sociedade, contrariamente aos desenvolvimentos lentos na sociedade do passado em que diferenças entre gerações não eram exacerbadamente relevantes.

Os avanços tecnológicos e sociais que ocorreram a partir de meados do século XX e durante o século XXI o estilo de vida de indivíduos com uma geração de diferença é drasticamente diferente um do outro e a taxa de mudança acelerou a limites tais que conduziram também a elevadas taxas de stress e de burnout.

Não se pretende uma guerra entre gerações, pretende-se complementaridade, mas para isso há que a juventude, adolescentes incluídos, percebam os momentos em que deve haver limites nas atitudes que os amarrarão e marcarão durante toda a sua vida. O hiato de geração refere-se a diferenças de ações, crenças, interesses, experiências de vida, visões do mundo e opiniões que marcam cada uma das diferentes gerações. Então, o que causa essas diferenças?  Há eventos históricos significativos que moldaram e moldarão no tempo cada geração.

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publicado às 17:59

 

A União Europeia com as políticas de austeridade que tem imposto, por força da Alemanha, tem andado distraída e está a dar lugar ao surgimento de e fortalecimento de movimentos populistas da extrema-direita cujos discursos anti Europa e anti-imigração tentam interpretar o sentimento dos povos, incentivando e fazendo apelo a sentimentos nacionalistas, xenófobos e racistas. Ao mesmo tempo, mascarando-se com roupagens e linguagens de falso apoio ao Estado social, apropriam-se de conceitos e ideias chaves utilizadas pelos partidos de esquerda.

Há dois exemplos que muito nos devem preocupar, a nós portugueses enquanto cidadão de Portugal e pertencentes, quer queiramos, quer não, a uma União Europeia mesmo que a muitos nada diga. O primeiro, na França, parece muito longe mas não é, onde o Partido da Frente Nacional de Marine Le Pen está à frente nas sondagens. É dada como a vencedora das europeias com cerca de 24%, seguida pela UMP (União para um Movimento Popular) partido de direita de Sarkozy com 22%  e, em terceiro lugar, o Partidos Socialistas Francês com 18% a 20%.  A FN atualmente com três eurodeputados está a prever chegar aos 20 eurodeputados nas próximas eleições do dia 25 de Maio.

Na Holanda, o partido da extrema-direita PVV, Partido da Liberdade holandês de Geert Wilders entre outros tais como Liga do Norte italiana, o FPOe Partido da Liberdade da Áustria, o flamengo Vlaams Belang, os Democratas da Suécia e o SNS Partido Nacional da Eslováquia -deverão eleger ao todo cerca de 40 eurodeputados.

É muito natural que, se uma maioria de direita e extrema-direita forem eleitas com maioria de eurodeputados, através de arranjos e combinações de conveniência possam cooperar em matérias vão contra os interesses das populações e da desvalorização do trabalho, direitos sociais e Estado social, o que, se sem dúvida se irá refletir em Portugal.

Atualmente a Frente Nacional encontra-se inscrita no grupo dos "Não Inscritos" no Parlamento Europeu, isto é, não está inserida em nenhum grupo. Todavia, é muito bem possível que as extremas-direitas se unam e forme um grupo próprio como a própria Le Pen já afirmou.

A história tem-nos dados exemplos do caminho a que conduzem os populismo de direita e de extrema-direita e os seus discursos falsamente apoiantes de sistema sociais prósperos, recuperar a liberdade, a segurança e a prosperidade, como a própria Le Pen tem afirmado em campanha eleitoral em França que acabam por desembocar, quase sempre, em ditaduras mais ou menos violentas mas, todas elas ditaduras.

Nós, por cá, parecemos estar longe com tudo isto a passar-se aqui ao nosso lado. Uma forte votação nas esquerdas poderá colocar um pouco de água na fervura das direitas radicais e extras-direitas que, passo a passo, começam a mandar e a comandar a Europa que vai ditar muito de tudo aquilo que não queremos ser e que, ao longo de 40 anos, ambicionámos.

Devemos apelar aos mais jovens, que desconhecem o que é viver com uma extrema-direita a governar o seu país, para estarem alerta para a falsidade dos símbolos verbalizados que lhes propõem, e tão do agrado da juventude, mas que não são mais do que armadilhas para a conquista de um poder que, rapidamente, limitará a democracia utilizando as desculpas do costume… Por exemplo, consensos que partidos de direita pretendem fazer com a esquerda mais moderada, são parte do seu projeto de desvalorização da esquerda afogando-a pelo comprometimento para de certo modo vir a ser limitada a democracia tal qual ela existe.

O que sustenta este tipo de cultura já não são os antigos medos incutidos pelo fascismo mas novos medos generalizados e propagandeados pelos órgãos do poder, e nos ambientes de trabalho, organizando inseguranças que alimentam novos medos como, por exemplo, medo do despedimento, insegurança no trabalho, - estes ao nível das empresas, - a bancarrota, novos programas de assistência financeira, acenar com hipotéticos cenários de despesismo, subida de taxas de juros dos empréstimos, avaliação pelas agências de rating, a insustentabilidade da segurança social e, consequentemente, as reformas atuais do no futuro, etc., etc..  

Estar atento nunca é demais!...

 

Previsão para o Parlamento Europeu 2014

pela POLLWATCH

 

 

 

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publicado às 19:02

Os jovens e as propinas

por Manuel_AR, em 21.03.12

Vivi a minha juventude na geração dos anos 60 e 70, uma geração que contribuiu para mudar alguma coisa no mundo. Em Portugal vivia-se sob uma ditadura que não nos deixava respirar, mas, mesmo assim lutávamos e manifestámo-nos pelo direito à liberdade de expressão com o risco de sermos levados para as prisões da PIDE/DGS. Época de grande criatividade musical e onde proliferavam as bandas que hoje em dia são apreciadas pela atual
geração de jovens. Bandas que ainda hoje são inspiração para as novas bandas da música rock.

Vem isto tudo a propósitos das manifestações de jovens e estudantes contra o pagamento das propinas, direito a bolsas, instalações, mais verbas e mais direitos. Perfilho e apoio, em parte, as suas reivindicações enquanto sustentáculo de uma marcação de posição, que é justa face a uma crise que se instalou e que estará para se prolongar mais do que se espera. Oxalá que não!

Voltando à questão, estas reivindicações, sobretudo a das propinas, penso que são excessivas. A minha perplexidade face a isto leva-me a um pequeno exercício comparativo que poderá ajudar a explicitar melhor o meu ponto de vista. Se pensarmos quanto custa mensalmente uma propina no ensino superior público, verificamos que em média não ultrapassa os 1000€/ano, o que equivale a 100€ mensais, se o pagamento do ano letivo for correspondente a 10 meses. Valor que, para algumas famílias, custará a suportar se a isto acrescentarmos os custos das inscrições, matrículas e todo o material necessário como livros, transportes, fotocópias, refeições, mesmo na cantina escolar,entre outros.

Quanto gastam os jovens durante um ano para frequentarem concertos, por vezes caríssimos, e que mesmo assim se esgotams com frequência? Para assistir a estes concertos, no caso de serem fora do local de residência há que acrescentar transportes ou gasolina, e alimentação, entre outros, para não falar de estadia mesmo que em parques de campismo. Mas há outros custos indiretos acrescidos no caso de bandas estrangeiras que vêm atuar em Portugal, pagas a preços do ouro, (que atualmente não está barato). São imensas as divisas que saem do país, isto é, funcionam como as importações. Se tivermos ainda em conta a ida dos jovens para as discotecas e restaurantes aos fins de semana, o que pode ser confirmado dando uma volta pelos locais mais frequentados nas grandes cidades, sobretudo Lisboa e Porto quanto é que não gastarão anualmente? A esta despesa há que acrescentar, por inerência, outras como sejam transportes, bebidas e, eventualmente, uma ou outra “guloseima”. Quanto não custa? Certamente quase o valor de um mês ou mais de propinas. O aumento das propinas não tem comparação percentual com o aumento que o preço dos bilhetes dos concertos tem vindo a sofrer que, mesmo assim, na maior parte dos casos como já referi se esgotam.

É desta perspetiva que as pessoas comuns se colocam quando assistem a reivindicações e a manifestações contra o pagamento das propinas e outros... Os jovens necessitam do apoio de todos e é sabido que, para se ter apoio nas pretensões, terão também de fazer alguns sacrifícios, dando o exemplo ao abdicar de algumas coisas, só assim captarão a população para o seu lado.

Claro que os jovens precisam e têm que se divertir e conviver, é imprescindível. Contudo têm que compreender também que as famílias poderão estar a fazer sacrifícios e com problemas financeiros provocados por governos geridos por pessoas que apenas vêm os seus interesses e os daqueles que representam, não cuidando dos interesses gerais da população à qual aumentam impostos, retiram e cortam salários injustamente. É contra esses que nos devemos manifestar e podem fazê-lo de outras formas que não e apenas através de reivindicações sobre o pagamento de propinas porque essas já não convencem ninguém.       

 

 

 

 

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publicado às 17:29


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