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Na proximidade de anos de eleições e as redações dos principais jornais e, sobretudo os canais de televisão preparam novas grelhas e novos programas de opinião política. Convidam novos diretores, quer porque estes saem de livre vontade, quer porque são substituídos por outros. Basta ver alguns casos como exemplo, mas com certeza que haverá outros.

Em outubro de 2018 a jornalista Maria Flor Pedroso foi escolhida para substituir Paulo Dentinho no cargo de diretora de informação de televisão da RTP. A substituição surge depois de Paulo Dentinho, anterior diretor de informação da televisão, ter colocado o seu lugar à disposição. Este foi um caso especial de substituição.

Em julho de 2108 o jornalista Manuel Carvalho é o novo diretor do PÚBLICO, que substitui David Diniz. Diretor do Público até 2 de agosto, David Diniz iniciou no mês de setembro uma colaboração com o jornal online ECO dedicado à informação económica ao qual também pertence António Costa, jornalista de economia, neoliberal convicto, (desculpe o epíteto). Diniz vai iniciar uma “colaboração regular” que incluirá não só uma coluna de opinião semanal, mas também “outros trabalhos jornalísticos, como reportagens e entrevistas sempre que a atualidade e interesse editorial o justificarem”. Recorde-se que o jornalista se demitiu da direção do Público, que ocupava desde outubro de 2016, na sequência do despedimento do seu adjunto, Diogo Queiroz de Andrade.

Luís Montenegro sai da “sombra política” a que se remeteu quando da eleição de Rui Rio, e surge, em finais de 2018, como comentador relâmpago no jornal das 8 da TVI.

Miguel Sousa Tavares como comentador político e editor do Jornal das 8 às segundas feiras na TVI. José Eduardo Moniz ergue-se novamente nos ecrãs da TVI com o programa das segundas feiras “Deus e o Diabo”.

O programa humorístico da RTP1 TDT dos sábados à noite acabou e, por outro lado, na TVI, na hora nobre do Jornal da 8, inicia-se outro programa com Ricardo Araújo Pereira. Se bem se lembram em 2015, também ano de eleições, Ricardo no mesmo horário teve um programa de humor.  A Quadratura do Círculo da SIC Notícias vai também sair de cena, o que virá  a seguir.

Estes são apenas casos, que, de certo, poderão ser coincidências. Mas que houve alterações, lá isso houve com o aproximar a entrada de um ano eleitoral muito especial e com característica que não se verificaram noutros anos. Compreende-se, é que este é um ano em que o partido que está no Governo é o PS que tem tido o apoio parlamentar do PCP e do BE. Esta geringonça não convém à direita e, como tal, há que fazer tudo para que o PS reduza substancialmente os valores que as sondagens lhe atribuem, nem que tenham de pedir ajuda ao diabo, mesmo que tenham de renegar a Deus.  Mas há um segundo alvo e também uma pedra no sapato que, para essa direita é António Costa.

A propósito, também Centeno tem sido alvo de algumas críticas e provocatórios subtis ataques, quer à direita do PS por uns motivos, quer à esquerda por outros, desvalorizando até, o ser presidente do Eurogrupo, assim como outros aspetos relevantes. Viu-se por declarações que eurodeputados da direita José Manuel Fernandes e Paulo Rangel, do PSD, que foram particularmente críticos da atuação de Mário Centeno, durante um debate com o presidente do Eurogrupo no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, acusando-o de inexistência e insucesso. Esses homens foram um desprestígio para Portugal e o para os portugueses.  Será que teriam feito o mesmo com o desempenho incompetente de Durão Barroso? A direita que temos esta. É assim!

Recordo-me dos elogios e relevo que a direita fez da importância que teria para Portugal quando da “escolha” de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia, o que foi enormemente festejado e elogiado. Há portugueses que são assim, afagam as invejazinhas que têm de alguns e fazem o elogio de outros, mesmo que estes não convenham.

Enfim, tudo são suposições da minha parte, nada disto é assim, são meras coincidências, disparates sem lógica, tudo faz parte das programações das televisões que nada têm a ver com ser ou não ano de eleições. Tudo isto não é mais do que a acidez do meu limão.

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publicado às 18:59

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Quem anda pelas redes sociais e escreve em blogs e escuta comentários nos canais de televisão lê e ouve o que gosta e o que não gosta, até mesmo o que vem de alguns energúmenos da asneirada ofensiva e da mentira que proliferam nas redes sociais. Daí é necessário ter a dose respetiva de capacidade psicológica para o encaixe, e a disposição necessária para o desprezo de certo tipo de comentários.

Veja-se o exemplo do que se passou durante a campanha eleitoral no EUA e continua ainda a passar-se e, mais recentemente, no Brasil com Bolsonaro. Fazer comentários nas redes sociais contra ou a favor do que quer que seja ou denunciar notícias falsas não vale a pena porque, quando se trata de campanhas que se apoiam principalmente nas redes socias, a maior parte das vezes as respostas que contestem tais notícias mesmo que falsas e respetivos comentários caem no saco roto nos eleitores porque o povo irá votar irracionalmente, tanto mais, quanto a irracionalidade das atitudes perigosas e grosseiras investidas por quem faz campanha e apoia certas ideias contra a democracia, os políticos,  os candidatos ou os partidos de forma radical, violenta, primitiva, brutal, deseducada.

Tenho-me referido várias vezes aos comentários e artigos de opinião escritos na imprensa alguns deles escritos para elites digerirem. José Miguel Tavares, uns dos liberais com o qual raramente estou de acordo que escreve artigos de opinião para o jornal Público, referiu naquele jornal, a propósito das eleições no Brasil, que: “as elites artísticas, intelectuais e jornalísticas têm de meter na cabeça de uma vez por todas que a sua influência sobre o povo, na hora do voto, é nula. Que os seus poderes de mediação e de persuasão, na era das redes, evaporaram-se de vez. Que ter escritores, comentadores, historiadores, músicos ou jornais a criar vídeos, e manifestos, e hashtags, e editoriais, e o diabo a quatro, onde do alto da sua imensa sabedoria tentam explicar ao povo brasileiro (como já haviam tentado explicar ao povo americano) em quem ele deve votar, é uma ridícula figura, por uma razão muito simples – aquele voto, o voto de dezenas de milhões de brasileiros e de norte-americanos, também é contra nós”.

Face a isto o confronto democrático e o debate político deve passar a seguir outro caminho porque a exigência do povo pela qualidade intelectual e cultural tem vindo a deteriorar-se progressivamente devido às redes sociais onde alguns exprimem o que lhes vai na alma através de grunhidos grosseiros rebuscados nas profundezas das cavernas mais obscuras de certa política partidária e ideológica que por vezes são mais eficazes do que dissuasores.

Nesta era das tecnologias da informação e comunicação todos passámos a ser, para além de consumidores, produtores de informação, falsa ou não, boa ou má, sem censura, enfim  sem quaisquer riscos que não sejam os comentários dirigidos. A informação que antigamente era validada, e conferida segundo critérios pelos órgãos de comunicação social – felizmente alguns ainda continuam a seguir – deu lugar à desinformação desenfreada nas redes sociais e à contra informação, numa competição sem tréguas do quanto mais falso e ofensivo melhor que contribui para confundir opiniões, até as dos bem intencionados, numa espécie de rodopio de notícias confusas, e não factos, difundidas pelas redes.

Quem mantém blogs de opinião política seja qual for o quadrante, mesmo de visão sectária, está no seu direito de liberdade de expressão que a democracia lhe confere. Já no que diz respeito á comunicação social, nomeadamente a imprensa, a coisa é diferente. Detesto jornais de orientação tendencialmente unilateral. Em jornais online com opiniões provenientes de vários quadrantes ideológicos e partidários aparece de tudo na zona dos comentários, desde os que se insurgem contra a opinião do autor fazendo comentários insultuosos até aos que defendem as suas opiniões e criticam outros como se fossem eles os proprietários de verdades absolutas. Nestas tarefas de crítica e opinião no domínio da política temos de ter a capacidade de encaixe suficiente para podermos ler e ouvir quer o que gostamos ou com que concordamos, quer o que não gostamos ou com que não concordamos e se assim não for o melhor é: não comentar.

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publicado às 23:10

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Quatro dos jornais diários em Portugal salientaram ontem nas suas primeiras páginas a notícia da eleição de Bolsonaro, cada um dando-lhe mais ou menos relevo o que pode mostrar maior ou menor simpatia pelo resultado de acordo com a sua tendência.

O Jornal de Notícias salienta que Bolsonaro promete resgatar o país e, em subtítulo menos evidente diz que Bolsonaro promete defender a democracia e a liberdade. Por sua vez o jornal i salienta com mais evidência a mesma frase do eleito Presidente. O Diário de Notícias em letras gordas

O jornal Público salientou que a extrema-direita chega à presidência num Brasil dividido.

O Diário de Notícias em letras gordas salienta apenas Brasil: Bolsonaro Presidente. O Correio da Manhã moderou na sua primeira página a importância da eleição de Bolsonaro colocando em lugar pouco destacado, no canto superior esquerdo da página, uma fotografia do eleito e a frase “Bolsonaro é o novo Presidente do Brasil”.

Através dos destaques podemos verificar o grau de apoio dado por estes órgãos de comunicação à fação que levou Bolsonaro a Presidente do Brasil.  As hipóteses a considerar é que:

Jornais diferentes encontram-se veiculados a ideias diferentes;

Consequente da anterior hipótese é de considerar que se façam juízos diferentes consoante os blocos;

Verifica-se a validade da existência dos juízos de valor diferentes sobre cada um desses blocos.

Assim, os critérios dos jornais analisados para os agrupamentos de blocos podem existir afinidades político-económicas e ideológicas e poder de intervenção e de potenciar influencia ideológica ao nível nacional.

Verifica-se então que, no que se refere à notícia em questão, o espaço ocupado pela respetiva notícia há disparidade no tratamento da notícia salientando-se o jornal Público como tratamento desfavorável e o Correio da Manhã apresentado neste caso uma certa neutralidade.

Por outro lado, há que referir ainda que são atribuídos juízos de valor diferente ao mesmo bloco dos jornais analisados em função da imagem ideológica que se possa ter de cada um dos jornais.

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publicado às 09:05

À direita, ao centro, e à esquerda

por Manuel_AR, em 28.10.16

Tendências de opinião.pngHá uma incessante preocupação da comunicação social pela procura de polémicas e mexericos jornalísticos que lhes cheguam por vias travessas posteriormente divulgados como sendo notícias importantes e essenciais para a informação do público

Talvez eu esteja a fazer uma leitura enviesada dos jornais, mas a sensação que tenho é de que há uma tendência para a procura do que é mau (as más notícias é que vendem é certo) secundada pelo superavit de comentadores que se esmeram no ataque a tudo quanto descubram que possa servir para atacar tudo do que a direita denomina de “geringonça”.

Tendencialmente, a direita começou a ganhar cada vez mais espaço em alguns jornais diários onde, não raras vezes, se intercalam opiniões do jornalista vindas, a maior parte delas, através da correia de transmissão dos quadrantes da direita. O jornal Público com a nova direção de David Diniz melhorou substancialmente. Se, por um lado passou a ser um pouco mais pluralista e independente, por outro, em termos de opinião, tornou-se tendenciosamente propagandista das opiniões de direita.

É raro o dia da semana que não pegue naquele jornal diário e, na última página, não me depare com os títulos de João Miguel Tavares, cujos artigos ocupam metade e que me obrigo a ler. Apenas escapa a segunda feira onde, na mesma página, um escaço espaço está reservado à opinião de Rui Tavares.

Longe vão os tempos da malfadados da censura prévia. Hoje em dia não há censura, mas há interesses, favoritismo, pressões das mais variadas origens que conduzem a oportunos reajustamentos. Num regime democrático tem que haver pluralidade de opiniões desde que, sejam válidas, credíveis, construtivas, formativas, justas e não panfletárias, sejam de direita ou de esquerda. A comunicação social não se pode transformar numa espécie de blogue analógico da direita, ou da esquerda se fosse esse o caso. Não pode ser como um blogue virtual que sirva uma qualquer tendência de aplicação de práticas política e onde se pode escrever tudo e se exprimem as mais diversas emoções com calor expositivo liberto de qualquer censura, o que é diferente de dar notícias, fazer comentários, dar opiniões, colocar ideias, pontos de vista, traçar orientações que sirvam todas as tendências. No caso atual não é quem ganhou a eleições que deve ter a primazia de ter mais tempo e espaço na comunicação social, mas quem tem maioria efetiva de representatividade. Mas com isso a direita não consegue conviver.

O que se passou na imprensa que hoje li foi isto:

- João Miguel Tavares escreve em título “É difícil ser de direita em Portugal”. De que se queixa se pode escrever quase diariamente o que lhe apetece na sua meia página do jornal Público. Fala de desigualdade de oportunidades na governação. Voltou outra vez a dezembro de 2015? Diz que há cortes com outro nome. Insinua que antigamente se chamava cortes nas pensões e nos salários de agora se chamam cativações. Cortes? Agora? Será mentira ou verdade? O que diz são falsidades para que conste, e baralhar a opinião pública. O que o irrita é que os sindicatos estejam agora calados quando tudo está tão mal (como a direita pretende fazer crer).  E, espante-se quem for de esquerda moderada ou radical. O senhor Tavares reclama para a direita a igualdade de oportunidades que não existe na política portuguesa. Qual? Simplesmente esta: a esquerda e os sindicatos agora não protestam como protestavam quando a direita de João Miguel estava no poder. Por outro lado, acha que por a direita por estar em baixo a igualdade de oportunidades deve ser reivindicada. É caso para lhe perguntar se a direita deu alguma oportunidade ao governo que derrubou em 2011, com o qual tinha assinado um compromisso tácito para aprovação do Plano de Estabilidade e Crescimento.

- Lançar intrigazinhas entre os partidos da maioria parlamentar passou a ser o prato principal da comunicação social e dos partidos da oposição. O Diário de Notícias, onde o seu diretor Paulo Baldaia, chama a tudo trapalhadas, esquecendo-se também ele, das que houve no tempo de Passos Coelho. As intrigazitas estão lançadas na marcação das suas diferenças entre eles sobre pensões e reformas em vez de marcarem as diferenças com o Governo anterior. Como?  Com o Governo anterior???

Vejam esta achazinha: “numa geringonça em que o instinto de sobrevivência obriga cada um a puxar para o seu lado, mas revela apenas um grau de cansaço que é sempre superior a quem tem de negociar, de forma permanente, agendas que buscam a popularidade.”

E mais esta: “É por isso que os tiros nos pés virão sempre com mais frequência dos membros do governo, sujeitos a uma agenda parlamentar que é preciso driblar. Na CGD, por exemplo, alguém consegue perceber qual foi a participação do Bloco e do PCP nesta história? Zero ou pouco mais do que isso! Não vejas, não ouças, não fales e nada de mal que aconteça é tua responsabilidade. Há coisas que se governam em segredo, para bem da coligação e para mal de quem decide.”

- Já cá nos faltava novamente o abutre e azedo, como diz Ferreira Fernandes, Wolfgang Shcäuble a elogiar o que se tinha feito com o anterior Governo e criticar o atual. Preconceito pura e simplesmente ideológico de uma visão de direita radical que ele quer impor e que ofende os portugueses, cujos seus líderes são eleitos democraticamente por sufrágio universal. Ficou a falar sozinho, é o que merece.

- Tenho azar, também com o Diário de Notícias que, às quintas feiras, apresenta as desvairadas e radicais opiniões de César das Neves que monopolizam mais de meia página. Expectante de potencias instabilidades políticas faz espécie de intrigazinha dizendo que “…comprar a paz social é fácil. Afinal, comprar a paz social é fácil. Veremos por quanto tempo.”

Trabalha e interpreta os números do orçamento para 2017 de forma conveniente e de acordo com os seus interesses ideológicos. Sempre fiel à Opus Dei e á U. Católica.

- A tónica da direita para a oposição enquanto vem e não vem o debate final sobre o Orçamento de Estado é fabricar inventividades sobre austeridades, milhões e mais milhões escondidos sobre os cortes na despesa dos ministérios (escreve uma tal Paula Sá), dramatização sobre missivas de Bruxelas que, afinal, sobre as quais Moscovici disse em Bruxelas que era procedimento normal e que, em princípio, tudo estava bem com o orçamento. Se bem me lembro, como dizia Vitorino Nemésio nas suas palestras, também se ouvia falar no tempo do Governo de Passos que era necessário cortar na despesa dos ministérios. Mas também se ouvia falar no corte de salários, reformas e pensões, etc., etc... No mesmo alinhamento está Maria Luís Albuquerque que pergunta em nome do PSD de Passos Coelho, em que serviços públicos o Governo vai cortar. É descaramento demais fazer esta pergunta que merece uma outra. Onde estava Maria Luís quando era Ministra das Finanças?  Desfaçatez não lhe falta.

A intrigazinha do PSD lá vai falando do silêncio cúmplice da CGTP e da Fenprof. A já conhecida estratégia da direita, lançar achas e intrigas para desestabilizar a maioria parlamentar. Será que poderão esperar sentados? Penso que sim.

- A Ordem dos Advogados daqui a algumas semanas vai eleger o seu bastonário que agora é Elina Fraga. Escavaram, escavaram e alguns lá descobriram um certo plágio numa das suas intervenções. Recordemos que Elina Fraga contestou muitas das medidas de Paula Teixeira da Cruz quando era ministra da justiça, nomeadamente a dita chamada reforma da justiça que na altura foi catastrófica.

Por último, a televisão que alinha com a direita, e segue uma trajetória de consumir tempo dos noticiários à volta da CGD, com cartas de Bruxelas sobre o orçamento, declarações de Shcäuble sobre o antes e o depois de Passos que nada mais serve senão para distrair dos problemas da banca da Alemanha. Estes alinhamentos apenas têm o objetivo de influenciar a opinião pública sobre com aspetos negativos artificialmente criados, à falta doutros argumentos para fazer oposição, que a direita não tem.

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publicado às 00:17

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Raramente abordo o tema Sócrates, juízes como Carlos Alexandre e outros, as justiças ou injustiças a que ele possa estar sujeito e as acusações falsas que, segundo ele, lhe estão a ser imputadas. O que raras vezes aqui escrevi sobre Sócrates teve mais a ver com a comunicação social, não a nova, as das redes sociais, mas a clássica da imprensa,da rádio e da televisão.

Noutro blog escrevi vários textos a criticar Sócrates e a sua ação governativa estou, por isso, à vontade para dizer o que acho do desvairo que para aí anda sobre José Sócrates sem que isso me coloque a favor ou contra ele. Não ando por aí a procurar argumentos para lhe poder apontar o dedo ou para o desculpabilizar. Se não tenho a certeza não digo, não escrevo, nem me vou fiar no que dizem tabloides, jornalistas, comentadores e escribas de opinião, talvez ressabiados pelo que lhes aconteceu no tempo em que Sócrates foi desastrosamente governante. O que comento é a forma e a qualidade da substância que é passada pela comunicação social sobre o processo e o modo como é transformado de acordo com interesses. Nada me obriga a tomar o que dizem como sendo legítimo, válido, verdadeiro e indiscutível. O esclarecimento e a verdade virão apenas e aquando da acusação, do julgamento ou julgamentos e da condenação, ou não, do presumível réu.

Durante estes últimos três ou mais anos o assédio pelos órgãos de comunicação social que vivem do sensacionalismo e da baixeza jornalística tem sido mais do que evidente. Sócrates é uma fonte de notícia e rendimento para os jornais e estou em crer que vai sê-lo cada vez mais. Ao mesmo tempo é utilizado por uma oposição vazia, sem argumentos válidos e credíveis e de baixo caráter que se serve disso como arma de arremesso político. Para isso já basta Donald Trump.

É curioso como periodicamente se retira da gaveta da investigação da Operação Marquês e das gavetas da comunicação social o tema Sócrates, coincidindo com certos momento da política, ou de outros, com eles relacionados.

Também é verdade que ele anda a pôr-se a jeito. As deambulações que José Sócrates faz por aí para ganhar o espaço mediático que a comunicação social depois lhe dedica, as suas intervenções, os apoios de "amigos" e admiradores, sejam eles do partido ou não e, agora, um livro que vai ser apresentado em outubro põem muito boa gente da comunicação social e outros fora de si fazendo-os entrar em devaneios obsessivo-compulsivo de escrita por tudo quanto é jornal.

Criticar Sócrates e dizer que não se gosta dele pelos motivos que cada um entenda é legítimo. Deixa de o ser quando se fazem insinuações desonestas e sórdidas para se criticar seja quem for. Ou se conhecem dados exatos e informações sólidas do processo ou, então, as afirmações produzidas baseiam-se apenas e só no que alguns jornais por aí dizem a quem acusam de serem fugas ao segredo de justiça. Até existe quem ache que essa história do segredo de justiça foi uma má ideia talvez porque lhes limite condenações públicas sem julgamento. Ao mesmo tempo Sócrates serve também àqueles que o atacam como ajudazinha atacar o Governo e António Costa e aplaudem quando socialistas censuram Sócrates por prejudicar o partido.

Uma das estratégias da oposição de direita e dos seus adeptos comentadores e jornalistas ressabiados é a de tentarem estabelecer uma colagem de António Costa a Sócrates. É esta a oposição duma direita desorientada que diz ser social-democrata. Por outro lado, há jornalistas ineptos, lamentavelmente à frente de jornais que deviam ser exemplo de seriedade que chegam tendenciosamente ao desplanto de associar os grupos que por aí andam em reuniões e almoços a apoiar Sócrates aos saudosistas de Estaline na Rússia. Afirmarem coisas como estas só pode ser considerado como ódio pessoal e político que lhes tolda a razão.

Muitos não suportam Sócrates não apenas pelos traumas que lhes causaram no passado mas também pela sua capacidade de defesa e recuperação perante fatores e condições adversos.

Os que apanharam a síndrome do socratismo afirmam categoricamente, como se isso fosse determinante para um caso do âmbito da justiça, que é um dado adquirido a culpa baseada "no que se vai sabendo sobre os esquemas que Sócrates utilizaria para fazer circular o dinheiro" e continuam dizendo que a outros "apenas lhes interessa que parte do que foi divulgado pelos jornais devia estar em segredo de Justiça.". Isto não é nada mais, nada menos, senão um manifesto apologético dos julgamentos na praça pública através da comunicação social. Grandes jornalistas estes não há dúvida.

Temem Sócrates e não estão interessados em que ele recupera a imagem e volte à cena política. Eu, cá por mim, estou-me nas tintas, mas as probabilidades podem ser significativas, tudo depende do julgamento, quando for.  

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publicado às 22:05

A castração dos media

por Manuel_AR, em 04.01.16

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As tentativas e as estratégias de alguma direita para "controlar" ou enfraquecer o Estado de direito democrático são um atributo dos seus governos seja, aqui em Portugal, seja em qualquer outro país.

É o caso da orientação que o Governo da Polónia seguiu, tomando como modelo o que fez a Hungria em relação à liberdade de imprensa. Em março de 2013 a Polónia abriu-se à democracia e aderiu à EU. Das eleições de outubro saiu um novo Governo do Partido Direito e Justiça, partido de direita nacionalista, conservadora, ultracatólica e eurocética. Não tenho nada contra os católicos, eu próprio o sou, mas, coincidentemente, os católicos surgem envolvidos e ligados ideologicamente a medidas de direita.

 O Governo polaco aprovou uma lei que permite nomear e demitir diretores dos meios de comunicação social públicos para os controlar. Os media públicos (rádio e televisão) passarão a ficar sobre controlo do Governo. O mesmo já foi feito para controlar o Tribunal Constitucional pelo mesmo Governo. Ao escrever isto vem-me à memória o Governo da coligação neoliberal de Passos Coelho e de Paulo Portas quando tentaram privatizar a RTP, claro que para entregar a privados da sua confiança, e recordo ainda o que, na altura, foi proferido contra o Tribunal Constitucional chegado até alguém dizer que esse Tribunal não servia para nada. Podemos ou não concordar, mas nas atuações do anterior governo estava implícito um desejo de implementar o que se está agora a fazer na Polónia ainda que deforma ténue e subtil (começa sempre assim). Ainda bem que a nossa democracia funcionou porque, se houvesse uma maioria absoluta dessa direita, nada nos garantia que assim não fosse no futuro.

Apoderarem-se do controlo dos media é o apetite dos conservadores quando chegam ao poder e, no caso da Polónia, ainda só passaram dois meses. Justificam dizendo que o Governo anterior, de centro-direita, "tinha um conceito político de esquerda" e acrescenta que o mundo não pode ir apenas segundo um modelo marxista. Pela voz de um seu ministro a direita que agora governa a Polónia defende que "o governo anterior, de centro-direita, seguiu um certo conceito político de esquerda", disse o ministro. E continua: "Como se o mundo devesse ir apenas num único sentido, segundo um modelo marxista – uma nova mistura de culturas e de raças, um mundo de ciclistas e vegetarianos, que só se interessa por energias renováveis e se opõe a todas as religiões. Isto não tem nada a ver com as raízes polacas tradicionais". Pensamento que defende e que se insere no Estado de direito democrático que segundo ele se deve seguir, está bem de ver! A direita é senhora da verdade absoluta. Que diria se isto fosse feito por parte da esquerda?

Noutro países não há controlo dos media pelo Estado, como em Portugal, mas, mesmo que entregues a empresa privadas nada a sua independência e não será por isso que se tornarão isentas. Se as entidades privadas, detentoras dos media, houver coincidência  ou relação de semelhança ideológica com quem governa, há o perigo de privilegiarem o governo estiverem em funções. É tudo uma questão de coincidência ideológica.

Mas não são apenas os governos de direita há muitos governos de esquerda radical por esse mundo que assim procede.

Devemos temer o efeito de contágio de termos a Polónia a aprovar uma lei que dá ao Governo o controlo efetivo dos media estatais. Os sistemas não são de todo perfeitos e, mesmo em Portugal, verificaram-se episódios de interferência do Estado no media, o erro não tem desculpa e não se poder tornar um preceito, seja qual for o sinal ideológico do governo.

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publicado às 16:46

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Há uma interpretação possível para a vitória do Syriza, é que os gregos preferem, apesar de tudo, que um resgate e a austeridade sejam aplicados por uma esquerda do que a sua execução por uma direita. Isto pode se relevante.

O que se passa de relevante em países que fazem parte duma União Europeia a que pertencemos pode vir a ter a prazo maior ou menor influência no nosso. Hoje foi uma prova de como funcionam as redações de alguns jornais em Portugal. Em jornais europeus o mesmo. As eleições na Grécia foram varridas das primeiras páginas dos jornais diários impressos e, quando não o foram, apenas tiveram direito a uma pequena referência na capa. Em Portugal apenas o Jornal Público e o jornal i deram destaque à notícia em primeira página.

As eleições gregas não interessam porque quem ganhou foi um partido que não interessa que seja notícia e muito menos agora. Há que fazer esquecer a vitória. E se fosse o contrário? Se fosse a direita da Nova Democracia que ganhasse? Pois sabemos bem o que aconteceria, páginas e páginas com a notícia de letras gordas e bem nutridas.

Pois assim vai alguma da nossa imprensa.   

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publicado às 19:41

O direito à desconfiança

por Manuel_AR, em 20.06.15

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Ao longo do tempo transformei-me num cidadão muito desconfiado no que se refere à política e à justiça portuguesa, muito menos quando a linha que as separa é estreita. A comunicação social dá frequentemente cobertura a notícias ou opiniões onde se acusa ou ilibe através de provas presumivelmente factuais, mas que o não são, pelo que, sou levado a desconfiar de tudo quanto me pretendam "vender".

Raramente me tenho referido à prisão de José Sócrates porque nada tenho a comentar que seja merecedor de tal. Não me podem negar o direito de desconfiar o que certa imprensa e outros órgãos de comunicação têm noticiado e que são apresentados como sendo factos e provas, mas que mais não são do que insinuações que se fazem chegar aos jornais e aos canais de televisão por terceiros de acordo com uma agenda prévia.

Não sei se os crimes de que José Sócrates é indiciado e que têm saído para a opinião pública foram ou não praticados, os tribunais decidirão. Há indícios dizem, mas podem ser também uma narrativa que pretenda fornecer informação de natureza psicológica ou ideológica. Desconheço se tudo quanto veio a público, em ocasiões politicamente oportunas, estão ou não fundamentadas, e por aí fora.

Não importa se eu gosto ou não de Sócrates, se acho que possa ou não ser culpado, se defendo ou ataco o seu comportamento e atitudes, trata-se apenas e só de uma desconfiança quanto ao momento e a oportunidade política e judiciária durante o qual tem vindo a decorrer todo este processo.

A justiça faz-se través dos tribunais que são órgãos de soberania independentes e não podem guiar-se pelo tempo político. A justiça tem o seu próprio "timing" e, por isso, numa democracia exerce-se através dos tribunais. A principal função do poder judiciário é defender os direitos de cada cidadão, promovendo a justiça e resolvendo os prováveis conflitos que possam surgir na sociedade, através da investigação, apuramento, julgamento e punição.

Há demasiadas coincidências. Sócrates foi preso num momento em que decorria ao Congresso do Partido Socialista. Quando decorria a convenção do Partido Socialista para apresentação do seu programa eleitoral foram divulgadas "novidades" sobre o processo de Sócrates, dito em segredo de justiça.

Quando há algo que se deseja ser desviado da atenção da opinião pública lá se fazem chegar a alguns órgãos de comunicação social a tais "novidades" sobre o processo de José Sócrates.  

Só quatro anos após a ida de José Sócrates para Paris e depois de notícias sobre a relação da vida que levava com os seus rendimentos, num momento especial da vida da política nacional, quase no fim do mandato do Governo e quando já se falava nas eleições legislativas e o PSD e o CDS estavam em baixo nas sondagens, veio atabalhoadamente a público, com informação prévia a uma certa televisão e a um certo jornal, a prisão de José Sócrates e, posteriormente, conjunto de atos ligados a ela ligados que têm vindo a dar continuidade jornalística ao caso.  

Passei a ser desconfiado sobre tudo quanto se refira à política e à justiça, porque para mim deixou de haver coincidências.

Quem foi o cidadão comum que não acreditou no que dizia Passos Coelho antes de estar no Governo, e mesmo durante o mandato?

O caso Sócrates não é exceção para a minha desconfiança. É como um produto que me estão a vender e cuja embalagem ainda não abri para ver o que tem dentro, se apenas contem papel e espuma de polistireno ou se, em vez disso, algo valioso factual e consistente.

Por mais que o jornal X diga sobre determinada notícia "segundo documentos a que o jornal X teve acesso" ou coloque entre aspas o que alguém tenha dito, ou, ainda, o canal Y diga "segundo fontes a que teve acesso", não me tranquiliza sobre a veracidade nem me levam obrigatoriamente a acreditar acriticamente no que leio e ouço. A razão é simples, quem reproduz a informação em forma de notícia não me consegue garantir que não tenha havido premeditação na passagem intencional de certa informação e que a mesma tenha sido validada segundo critérios da veracidade, comunicabilidade, socio-referencialidade e inteligibilidade o que não é o mesmo que ser confirmada por outras vias, mas isso não é validar a informação, é confirmar por outrem o que já se sabia.

É costume ouvir dizer-se que "a televisão disse", ou que "eu vi na televisão". As notícias que se referem a assuntos que são do foro da justiça a televisão não mostra nada, nem pode, apenas diz, salvo casos que acompanhem o exercício das funções da justiça e, mesmo assim, apenas quando a informação do que irá acontecer seja passada para alguns órgãos de comunicação antes do próprio acontecimento. É o caso de buscas ou de prisões por exemplo quando têm esses órgãos têm informação privilegiada.

Já alguém viu passar nas televisões, ou ser relatado pela imprensa, um crime no exato momento em que está a acontecer, a menos que o seja numa reportagem casual. Seria possível apenas e se, quem fosse praticar o crime, avisasse previamente o dia e a hora em que o iria praticar.

A prisão de Sócrates foi um caso foi factual que se insere na obtenção de informação privilegiada dada antes do acontecimento. Mas apenas e só esse facto, porque o resto são rumores, provocados intencionalmente ou não, informação a que o jornal X ou o canal de televisão Y dizem ter tido acesso, etc.. As televisões neste caso dizem mas não mostram a não ser imagens de arquivo já antigas. O que os jornais dizem não provam e as fontes podem não me dar garantias para acreditar na veracidade do que afirmam.

É assim, sou livre de poder desconfiar de que foi criada uma cultura labiríntica sobre este processo que, intencionalmente ou não, pretende baralhar a opinião pública com objetivos e contornos que não posso deixar de duvidar sejam de cariz jurídico-político.

 

 

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publicado às 23:25

Os bons os maus e os vilões

por Manuel_AR, em 08.12.14

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A detenção de José Sócrates foi uma espécie de lotaria para comunicação social, nomeadamente para certa imprensa que aumentou as vendas e, à custa disso, também os noticiários das televisões têm dominado as atenções. Os comentadores e os entrevistadores pretendem brilhar colocando avidamente aos entrevistados as mesmas questões, até à exaustão, sobre Sócrates.

Já agora é de recordar à mesma comunicação social como se encontra o caso do BPN sobre o qual não tem sido violado o segredo de justiça e a comunicação social já nem dá cavaco? Ou será que enterraram definitivamente o processo e a culpa morreu solteira. Este processo parece ter caído nos meandros da obscuridade. E os vistos gold? Será que estão bem e recomendam-se?

O segredo de justiça ao ser violado e direcionado para órgãos comunicação preferido pelo seu violador deu lugar ao espetáculo mediático que se sabe. Não há revista nem imprensa que não esmiuce a vida de um cidadão que teve a particularidade de ter sido um primeiro-mistro de Portugal. Se bom ou mau, isso já pertence ao foro de apreciação no domínio da execução política. Se praticou, ou não, atos ilícitos isso é do foro da investigação judicial e da aplicação da justiça.

A manipulação da opinião pública é evidente, e os manipuladores que por aí proliferam são mais que muitos. Vejamos como podemos caracterizar os manipuladores sejam eles jornais, televisões, comentadores e "fazedores" de opinião:

Culpabilizam o alvo antes de qualquer acusação, fazendo sair rumores, suspeitas e indícios em nome da justiça.

  • Culpabilizam outros em nome de uma qualquer ligação sentimental, de amizade ou consciência profissional.
  • Dissimulam ódios pessoais sobre determinadas pessoas através de comentários e opiniões sobre factos sem que, na realidade, nada se comprove mas apresentam-se como pessoas idóneas e isentas.
  • Ilibam-se a eles próprios colocando a responsabilidade em outros e colocam-se acime de qualquer suspeita.
  • Comunicam as suas opiniões de forma clara sempre que as mesmas possam atingir outro ou outros e procedem contrariamente sempre que eles ou os interesses que representam são postos em causa.
  • Em entrevistas ou debates sobre questões que digam respeito a partido político da sua simpatia ou grupo de interesses responde de forma vaga ou confusa.
  • Emitem opiniões sem função de pessoas e situações presentes sem atenderem a quaisquer princípios morais ou éticos.
  • Evocam a perfeição que deveria existir nos visados esquecendo-se deles próprios.

Um dos casos, há muitos outros, é o de João Miguel Tavares que defendeu no jornal Público que diz que "os fazedores de opinião" deveriam culpar Sócrates porque "ali entre 2007 e 2011 boa parte da opinião pública preferiu fechar os olhos ao elefante no meio da sala. Se não havia provas, havia infindáveis indícios.".

É o velho ditado popular de que "não há fumo sem fogo". Só que, muitas das vezes, culpabiliza-se antes o que, depois, se verifica ser apenas uma fumaça que se esvai com o vento.

Não se trata de saber, agora, se José Sócrates é, ou não, inocente. Não se possui informação suficiente e fidedigna até ao momento, a não ser a que sai na imprensa a conta-gotas e cuja credibilidade das fontes se desconhece. Trata-se de proceder à exploração das emoções mais primários das pessoas, aproveitando a desinformação, para servir outros interesses, colocando de lado toda e qualquer ética e moral.

Claro que em questões de opinião, para Tavares, vale tudo. O ódio de João Tavares para com José Sócrates data de 2010 quando este interpôs um recurso contra o jornalista por causa de um artigo de opinião posteriormente considerado improcedente pelo Tribunal da Relação de Lisboa, cujo acórdão dizia que "o texto em causa é um mero artigo de opinião e não uma notícia ou crónica. Ou seja, é um texto no qual o autor apenas exprime uma opinião e como tal não está sujeito à regra da prova da verdade dos factos.". Ventos de ódio causados, é certo, pelo próprio Sócrates, que não soube enquanto governante lidar bem com a comunicação social.

O que faria ele se alguém colocasse um artigo de opinião, num qualquer jornal que a publicasse, dizendo que tinha descoberto uma série de indícios supostamente verdadeiros sobre João Miguel Tavares no exercício da sua profissão, apelando às emoções da opinião pública contra ele. O melhor que podia acontecer era colocar-lhe um processo em tribunal. Provavelmente não aconteceria nada. Ora aqui está onde queria chegar, isto é, categorizando um meu artigo como de sendo opinião poderia sempre, mesmo que nada tivesse provado, forjar indícios, vilipendiar, acusar, ou o quer que seja, sobre João Miguel Tavares que teria como quase certo poder ser absolvido. O certo é que tinha contribuindo para manchar o seu nome perante a opinião pública. Onde estariam então a ética e a moral?

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publicado às 15:00

A fantasia do sobe e desce dos impostos

por Manuel_AR, em 17.09.14

 

Vem a propósito de um editorial que reli numa revista semanal de agosto de 2012. Entre vários outros assuntos abordados resolvi pegar no que se refere à função pública, sejam eles professores, administrativos ou outros. Quando leio o que alguns escrevem por aí tenho a sensação de que esses senhores nunca observaram, durante um ou dois dias, com olhos e ouvidos verdadeiramente isentos o que se passa no interior de uma repartição pública.

Antes de continuar devo esclarecer que nunca trabalhei nem trabalho na função pública e que o meu trabalho foi sempre no privado, ao contrário de alguns que já "mamaram na teta da vaca" seja de que forma fosse.

Quero ainda afirmar que tenho imenso respeito e admiração por todos quantos trabalham na comunicação social seja na televisão ou na imprensa, especialmente os jornalistas, cujo trabalho exige muitas das vezes risco e trabalho quantas das vezes em condições precárias e sem horário para que possamos conhecer o que se passa à nossa volta e no mundo.

Dito isto estou à vontade para expressar contraditório sobre opiniões, por vezes manipuladoras, que se pretendem passar para a opinião pública.

Quando se baixam os impostos deve ser para todos, quando aumentam também deve ser para todos sem distinção de classes profissionais ou setoriais. É assim a equidade.

Teimosamente muitos senhores comentaristas de jornais e revistas, apoiantes das políticas ultraliberais do governo, pensam apenas neles e nos seus bolsos em nome de todos (quais?). Para eles os funcionários públicos e os pensionistas são os causadores de todos os males e do despesismo do estado. Argumentam alguns que, por exemplo, ao cortar dois subsídios na função pública e um subsídio no privado não é a mesma coisa porque, no primeiro caso é um corte na despesa, no outro é um imposto. Isto apenas porque uns são do privado e outros são da função pública. Como se o setor privado, cidadãos e empresas, não tivesse contribuído, cada qual à sua maneira, para o estado a que chegámos. Isto parece mais um filme onde há os bons e os maus. Miopia maniqueísta. Como se os funcionários públicos e pensionistas não pagassem impostos como qualquer trabalhador do sector privado paga. Já agora, poderiam sugerir que se estabelecem tabelas de impostos diferentes consoante os setores e as profissões.

O Estado, ao retirar seja a quem for a totalidade ou parte de um rendimento que foi atribuído funciona como um imposto. O mesmo não se passa com um empresa privada que, ao baixar os ordenados aos funcionários, o corte reverte a favor da própria empresa, prejudicando ao mesmo tempo o Estado que passa a arrecadar menos imposto ou taxa que seriam pagos pelo trabalhador, caso do IRS, e de empresa e trabalhador no caso da segurança social. O que aqueles senhores pretendem é que os impostos quando aumentasse fossem apenas dirigidos a alguns e, quando baixassem, seria apenas também para alguns.

Falam com desconhecimento total do que se passa na função pública quando dizem que o Estado é o único patrão que não exige mais trabalho quando é preciso produzir mais. Não sabem do que falam porque apenas conhecem a função pública do "front office", do contacto com o público que continua a trabalhar mesmo após fechar o atendimento, desconhecendo o "back office" que trabalha quando é necessário até horas impensáveis para dar elementos que lhes são pedidos à última da hora sem quaisquer pagamentos extras. Isto passa-se em vários ministérios e direções gerais ao longo do ano. Já não falamos das vezes em que, por causa de compromissos, se adiam férias.

O ataque à função pública pressupõe uma invejazinha latente. É uma massada para estes editorialistas que têm que escrever uma vez por semana um editorial para uma revista ou artigo de opinião para um jornal.

Gostaria que estes senhores que trabalham nos jornais e revistas estabelecessem uma comparação significativa entre o que é produzir na função pública e produzir numa revista ou num jornal. Já agora que dissessem o que entendem por produção ao nível dos serviços.

O mesmo artigo, timidamente, aborda as questões da despesa do Estado com as PPP's e as rendas excessivas mas isto faz parte de uma falsa isenção por que o seu olhar dirige-se sobretudo numa direção, a mais fácil e a que está mais à mão.

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publicado às 15:52


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