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O preto

por Manuel_AR, em 18.01.18

Vestido preto (1).png

 

A grande atriz Ivone Silva numa das séries de humor que passou nos anos oitenta na televisão onde protagonizava a rábula Olívia Patroa e Olívia Costureira dizia "Com um simples vestido preto eu nunca me comprometo!"

O tema do assédio sexual, sem que tal conceito seja devidamente esclarecido, quer na sua veemência, quer nas circunstâncias, tem estado na ordem do dia da comunicação social. O assédio sexual, é uma violência sobre as mulheres seja a que classe social pertençam. Sobre este ponto de vista sobrescrevo as palavras de João Miguel Tavares no jornal Público apesar de, politicamente, termos pontos de vista opostos:

“A importância do movimento #MeToo é indiscutível, e desta vez não estamos a falar de picuinhices identitárias, nem dos insuportáveis trigger warnings que ameaçam a liberdade de expressão em todo o lado. O assédio sexual é um problema gravíssimo e transversal às várias classes sociais. É impressionante como nós ouvimos as maiores estrelas de Hollywood contarem histórias de assédio que poderiam ser relatos de agressões sexuais sofridas por uma qualquer trabalhadora a ganhar o salário mínimo numa fábrica do Vale do Ave. Denunciar o assédio sexual é urgente, é necessário e é absolutamente justo.

Tal como é necessário e justo criticar aquilo que se quer fazer passar por assédio sexual quando, de facto, não o é”.

O vexame a que uma mulher é sujeita para poder arranjar trabalho passa todas as marcas e não apenas a da decência. Desde que veio para a opinião pública a primeira denúncia de uma vítima de assédio sexual proliferam na comunicação social denúncias, em Portugal inclusive. Ainda hoje o jornal Público traz hoje mais uma notícia sobre um deste casos.

Como protesto, na entrega dos Óscares em Hollywood, as estrelas decidiram vestir-se de preto. Portugal nestas coisas faz questão de imitar seja a propósito ou a despropósito, e se não há motivo para a imitação inventa-se um. Pega-se, por exemplo no caso da rede de adoções ilegais de crianças da IURD em Portugal que a TVI denominou por «O Segredo dos Deuses» que revela uma rede de adoções ilegais de crianças da IURD em Portugal para imitar a “moda” do preto.

Se igrejas como a IURD que exploram a crença de cidadãos indefesos através de burlas fazendo-lhes autênticas lavagens cerebrais, e se servem da sua organização para proceder a outras ilegalidades, tanto pior e há que denunciar.

Outra coisa é a partir daqui umas “senhoritas” que à moda de Hollywood resolvem vestir-se de preto e criam um movimento e fazem uma campanha publicitada pela TVI destinado a emocionar a opinião pública exigindo comissões independentes para investigar as ditas adoções ilegais e exigir que o Governo intervenha sem que ainda se tenham quaisquer provas provenientes das investigações judiciais leva-me a desconfiar da seriedade da coisa e do que verdadeiramente estará por detrás deste pretenso movimento.

Resta a inspiração imitadora pelo dito movimento que também se veste de preto. O vestuário preto ficou agora mais na ordem do dia desde a última edição da entrega dos Óscares em Hollywood para quem quiser fazer movimentos do que é preto.

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publicado às 17:37

Woody Allen_Cafe Society.png

 

Desde muito jovem que sou um seguidor da obra de Woody Allen. Sejam as críticas boas ou más não perco nenhum dos seus filmes. Penso que poucos ou nenhuns filmes de Woody Allen me devem ter escapado. Tenho uma coleção de DVD’s de alguns dos seus melhores filmes que de vez em quando revejo no ecrã da televisão, mas não é o mesmo que os ver no cinema. Um dos que mais me marcou foi a “Rosa Púrpura do Cairo” que infelizmente emprestei a um aluno quando professor numa escola profissional de comunicação e cinema que não me foi devolvido.

Argumentista, autor dos diálogos e realizador, Allen é também o narrador, descartando-se  da sua participação como ator, como tem feito nos seus últimos filmes.

O seu mais recente filme, “Café Society”, lançado em 2016, tem a participação de Jesse Eisenberg, Kristen Stewart e Steve Carell entre outros. É um filme nostálgico, mas divertido, que nos leva aos anos trinta e ao esplendor hollywoodesco dos anos trinta do século passado.  Allen evoca nomes bem conhecidos do mundo do cinema daquela época e também dos anos vinte quer através dos diálogos, quer através de fotografias colocadas aqui e ali nos decores. Veja-se este diálogo entre dois dos personagens: “Este é o meu presente para o nosso primeiro ano. Veja... Uma carta escrita e assinada por Rudolph Valentino… descobri-a numa loja de presentes incrível…”.

Como sempre não faltou Nova York, presente em algumas sequências, assim como o jazz, banda sonora preferencial em quase todas as suas obras. O clássico triângulo amoroso centrado em Vonnie é tratado de forma engenhosa e surpreendente saído fora do “dejá vue”. A narrativa fluente apresenta-nos de forma ligeira e divertida curtos episódios que nos atiram para os clássicos filmes sobre famílias mafiosas do bairro de Bronx do Estado de Nova York. O ambiente de 1930, de Hollywood e Nova York são esboçados nitidamente com linhas “art déco” e iluminação à altura impecavelmente adequados à época tornando-se num dos principais ativos do filme.

Allen está à vontade ao trazer-nos uma história que presta homenagem a um tempo passado do cinema. Por outro lado, o naturalismo discreto de Kristen Stewart é atrativo e traz a personagem Vonnie para o centro do filme. O talento para conjugar a boa representação com a história é visível na subtileza continua patente em mais um dos seus filmes.

São cerca de uma hora e noventa minutos de boa disposição que nos diverte e transporta para um universo dos bastidores do cinema do passado.

 

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publicado às 13:26


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