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Um sindicato de cerca de 700 e poucos trabalhadores formado apressadamente em novembro de 2018 paralisou parcialmente o país não fosse a resposta enérgica do Governo posteriormente criticada por Rui Rio, vá-se lá saber porquê.

Novos sindicatos de várias classes profissionais surgem quase espontaneamente e assumem o objetivo do endurecimento da luta não apenas sindical, mas também de perturbação social. São formas de ação coletiva inorgânicas e localizadas ditas espontâneas que surgem devido ao dito enfraquecimento da atividade sindical tradicional a que aqueles denominam de obsoleta dos quais alguns oportunismos para liderança podem surgir e impor-se para mobilizar a ação coletiva.

Curiosamente devemos notar que, em Portugal, estes movimentos manifestaram-se durante o período Governo socialista com o apoio parlamentar do PCP e do BE, a dita geringonça. Durante o governo anterior de Passos Coelho e da direita os movimentos profissionais deste tipo não existiram ou foram escassos.

Para alguns investigadores vários fatores podem estar a contribuir para aquele fenómeno inorgânico, nomeadamente o enfraquecimento da atividade sindical tradicional. Olhando para a realidade dos últimos dois anos e pela comunicação social não parece que aqui em Portugal tenha sido verificado, pois os sindicatos e centrais sindicais ditas tradicionais desenvolveram várias atividades.  Também fatores explicativos como as “novas tendências da economia, com um mercado de trabalho cada vez mais fragmentado, a crescente facilidade de deslocalização das unidades de produção, empresas ou serviços, os efeitos do desenvolvimento tecnológico e da automatização do trabalho, entre outros” segundo Elísio Estanque na prática parece não serem representativos para o fenómeno.

Há um défice de sindicalização por parte do setor privado e talvez por isso surjam grupos de individuos por profissão ou até função que se organizem em ditos sindicatos independentes cuja missão não será apenas a reivindicações de melhores condições laborais.

Este fenómeno de sindicatos independes são a melhor forma de enfraquecer a luta dos trabalhadores e fomentam o divisionismo e podem veículos para instrumentalizar os seus associados. Prescindem da luta coletiva e optam por individualismos umbilicais de profissão que levam à fragmentação sindical que sai prejudicada nas grandes lutas laborais quebrando, assim, o espírito de união de que uma luta sindical necessita para ser mais ampla.

Para Estanqueiro “estes sindicatos ditos independentes, mais do que as proclamações bondosas em defesa dos trabalhadores, trabalham sim para parar o país e lançar o caos”, afirmação que pode ler aqui.

Uma das justificações para estes sindicatos que vão surgindo sob lideranças autopropostas posteriormente validades em plenários é uma das características da formação destes sindicatos em que as radicalizações em vez de negociação podem pôr em causa o sindicalismo e a tradição de negociação coletiva e é um futuro que pode estar à vista.

Todos nos recordamos da greve nos blocos cirúrgicos proposta por um movimento informal de enfermeiros, que foi apadrinhada por dois sindicatos e que levou ao adiamento de milhares de cirurgias e nas quais terá estado envolvida a Ordem dos Enfermeiros.

O investigador do CES considera que essa falta de organização ou vazio de representatividade sindical advém de um “défice de consciência cívica, no contexto de uma sociedade muito atomizada e despolitizada”. “Os jovens precários não confiam nos sindicatos, não se revêm na cultura do movimento sindical, não participam, não se organizam, mas isso acontece também porque estão demasiado focados na sua própria sobrevivência. A instabilidade e as dificuldades são de tamanha magnitude que não têm disponibilidade para a atividade sindical”, diz.

Ainda me recordo de alguém afirmar, suponho que foi Maria José Nogueira Pinto na altura em que assumia o cargo de vereadora da Habitação Social da Câmara de Lisboa, terá dito numa reunião que, do que tinha receio não eram das manifestações ou movimentos organizados pelos sindicatos controlados pela Intersindical, mas sim dos movimentos e dos sindicatos inorgânicos, (ditos espontâneos e informais), sem qualquer controle. Isto foi dito em 2007 e é, de facto, o que atualmente está a acontecer.

No meu entender o que tem originados estes movimentos sindicais sem controle servem também de movimento de oposição ao governo PS para o “chatear” como algumas vezes já foi afirmado sendo os trabalhadores a arcar com a responsabilidade da ação que, para ter aparência democrática, são decididas em plenários sucessivos.

Num estudo publicado em 2018 com o título Rough waters - European trade unions in a time of crises “Águas agitadas - sindicatos europeus em tempos de crise” afirma que: “the union is better able to convince a wider public that better working conditions for employees are in the general interest  wider public that better working conditions for employees are in the general interest “, “Os sindicatos serem capazes de convencer a população que as suas lutas são no interesse geral e não servem apenas interesses particulares”.

A greve dos enfermeiros e a dos motoristas de matérias perigosas, movimentam-se no sentido contrário àquele que foi apontado naquele estudo. Sobre estes assunto pode consultar também aqui.

Se estivermos atentos todos aqueles sindicatos que se organizaram em sindicatos independentes como, por exemplo, o STOP – Sindicatos de todos os Professores e, posteriormente, o SNMMP formado a partir de uma associação de motoristas que se organizou em sindicato para poder ter capacidade de negociação tomara a iniciativa entre 2017 e 2019. Talvez tenha sido uma coincidência que a direita que tanto se insurgia com as greves decretadas pelos sindicatos afetos à CGTP, ter passado, com alguma cautela, a tolerar tácita e brandamente, algumas greves e, algumas vezes até, a dar o seu apoio colocando-se contra o executivo.

Os partidos de direita foram tacitamente discretos, mas Rui Rio salientou o exagero mediático e as medidas tomadas pelo Governo, já os partidos à esquerda do PS destacaram o direito à greve e criticando os "serviços máximos" que a limitaram.     

Foi com estranheza que se viu a direita, nomeadamente o PSD, muito mais ativa do que à esquerda do PS a criticar a eficácia da ação do Governo por limitar e de certo modo bloquear o direito à greve. Foi um ressalto positivo da direita no que se refere ao direito à greve. Talvez seja devido ao facto de esta não ter sido desencadeada pelos sindicatos afetos às clássicas Centrais Sindicais e por estas greves poderem ser pela desconfiança de eventual estratégia eleitoralista do Governo, colocou alguns segmentos de direita com mais destaque mediático na defesa explícita do direito à greve e, contrariamente ao que, como habitualmente, seria de esperar ter-se colocado do lado oposto aos dos empresários no que se refere ao apoio dado à conveniência das reivindicações salariais deste sector para as quais o sindicato SNMMP só agora parece ter despertado.

 

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publicado às 17:54

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Por vezes fico na dúvida se o que escrevem os profissionais dos artigos de opinião e de editoriais de jornais é sobre um mundo por eles criado ou se nos pretendem enganar e baralhar.

Os que estão a favor desta greve que é política e utiliza os trabalhadores do setor como frente de batalha mas fazem de conta que estão contra, estão também contra as medidas tomadas pelo Governo. É óbvio. Veja-se o caso por exemplo do PSD e os comentários de Rui Rio que quase responsabiliza o governo pela greve e porque está a tomar medidas exageradas de prevenção comparando-a com uma espécie de golpe de teatro como diz tger sido a greve dos professores.

Rui Rio esquece-se de algo importante, é que na greve dos professores era o Estado a entidade patronal e as negociações eram com o governo, no caso desta greve dos motoristas é com entidades patronais do privado e até os sindicatos rejeitaram qualquer mediação por parte do Governo. Assim a direita PSD e Rui Rio, desesperados, jogam com a campanha eleitoral a seu favor em detrimento e prejuízo de todos os portugueses. Será que se fosse o PSD no Governo estaríamos entregues ao nosso destino?     

Hoje no jornal Público Ana Sá Lopes no editorial do jornal e João Miguel Tavares num artigo de opinião, cada um defendendo sobre o mesmo tema argumentos cujos vetores convergem para o tempo passado, mas que me parecem estar a querer justificar através de comparações ficcionais entre uma greve no transato tempo com uma greve no presente. Isto é, e se, (condicional) o que se passa agora fosse no tempo do governo Passos Coelho? E respondem que tal não faltaria. Um, recua até ao PREC e imagina o secretario geral da CGTP a vociferar contra os que queriam limitar o direito à greve. A outra, coloca-se numa retrospetiva imaginativa e ficcional sobre o que faria o PS na mesma altura caso se limitasse no tempo de Passos Coelho e Cavaco Silva como se está agora a fazer ao limitar o direito à greve.

Alguns até recordam a greve dos trabalhadores das empresas do grupo TAP quando Passos Coelho fez a requisição civil apenas uma vez, em 2014 e partidos como o BE, o PCP e também o PS reagiram contra a decisão.

Esses senhores omitem o facto de que a situação atual da greve dos camionistas de matérias perigosos não é comparável com a da TAP pois atinge e prejudica apenas um setor que, apesar de importante na economia como esta que paralisa o país e atinge todos os setores e a população em geral. Por outro lado, tanto quanto me lembro, não de verificaram greves como as que, oportunisticamente, alguns desencadearam com objetivos politicamente encobertos por questões laborais e remuneratórias. Gostaria de saber como reagiriam as opiniões e os senhores comentadores se nada fosse feito para manter o normal funcionamento da economia do país num litígio entre empregadores e trabalhadores em que estes se colocam numa posição amplamente destrutiva.

A jornalista Ana Sá Lopes que sempre estimei desde o tempo em que trabalhou no Jornal i, agora a trabalhar no jornal Público do qual assinante, escreve um artigo dando aos leitores, aos mais desatentos, a ideia de que, para o caso da greve dos motoristas de matérias perigosas nada deveria ser feito tal como a decisão musculada do Governo no que se refere aos serviços mínimos que limitam o direito à greve, assim o interpretei. Permito-me colocar em dúvida a justeza da dita greve.

Escreve Ana Sá Lopes:

 

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publicado às 17:59

Movimento grevista e rampa de lançamento

por Manuel_AR, em 09.08.19

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Para Pardal Henriques este movimento grevista pode servir de rampa de lançamento para os seus projetos pessoais na política.

Em Londres no bulício estonteante da Oxford Street, avenida das marcas mais conhecidas, o movimento era tal que entupia os largos espaços dos passeios assim como na  Euston Road que nos conduz até ao Regent´s Park. Depois da Regente Street Picaddilly e Leicester Square abafadas por gentes de todas as nações, regressei a Lisboa no avião da TAP que chegou com uma hora de atraso logo à partida.

Os nossos canais de televisão nas horas noticiosas informavam ou desinformavam do mesmo de quando parti, numa espécie de frenesi sem fim sobre a greve dos motoristas de matérias perigosas dando visibilidade ao "senhor da greve" com o seu ar sombrio que, não sei porquê, associo aos homens que trabalhavam para a polícia política do passado.

O CDS, pela voz de Pedro Mota Soares, manifestava o seu apoio aos serviços mínimos mesmo que devem se mesmo para cumprir, e mostrava-se disponível para "propor uma alteração à lei dos serviços mínimos". Mota Soares falou aos jornalistas e defendeu a necessidade de fazer cumprir os serviços mínimos em prol da "normalidade" do país. Acrescentou ainda que não é possível vermos um sindicato de 600 ou 700 pessoas a bloquearem o país.

Finalmente o CDS começa a colocar o interesse do país acima dos interesses partidários e eleitoralistas. O PSD fez um comunicado com alguma ambiguidade, no qual, se coloca, por algumas palavras quase ao lado do líder grevista. Vejam-se as ambiguidades:

Se por um lado para o PSD se mostra contra “a perspetiva de uma greve por tempo indeterminado, que afetará a vida dos Portugueses e o funcionamento da economia com consequências graves para todos, merece da nossa parte as maiores reservas…”  e que “Já não são só os interesses das partes envolvidas que poderão ser afetados. São os interesses do País e dos Portugueses que estão seriamente ameaçados.” Secundando “a iniciativa do Governo em mediar o conflito e em garantir o funcionamento dos serviços indispensáveis” por lado “estranha a forma excessiva como se tem exposto perante a opinião pública no anúncio de medidas coercivas e de salvaguarda do funcionamento daqueles serviços.”

O PSD diz que está contra “exercícios desproporcionados de autoridade” na greve dos motoristas antes das eleições. O que faria o PSD se estivesse no Governo? Que medidas tomaria? Cederia a pressões manifestamente de cariz político e talvez até partidário? Deixaria o país entrar no caos para apoiar as chantagens de Pardal Henriques? Daqui surgem as minhas dúvidas.

Quanto a esta greve, radicais de esquerda e radicais do oportunismo populista sem ideologia estão de acordo. Uns como Marinho e Pinto dizem que «Esta greve é de saudar porque é uma greve genuína» outros como Joana Amaral Dias dizem: «Greve que não incomoda, não é greve!» É certo, mas não se trata de incomodar, trata-se de paralisar todo um país a todo o nível!

Está na cara que, como tem sido divulgado por alguns órgãos de comunicação, nomeadamente o Diário de Notícias, “o Partido Democrático Republicano, fundado (em 2014), liderado pelo advogado Marinho e Pinto, conquistou uma estrela mediática para cabeça-de-lista do partido às eleições legislativas pelo círculo de Lisboa: Pedro Pardal Henriques, o (também) advogado vice-presidente e porta-voz do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP). Segundo o DN soube, Marinho e Pinto deverá também ser cabeça-de-lista - mas pelo círculo do Porto, mas confrontado pelo DN, Marinho e Pinto recusou desmentir ou confirmar a notícia: "Não lhe posso dizer quem será ou não candidato. As listas ainda não estão definidas".

Estamos a ver que Pardal Henriques estará a preparar-se para obter vantagens pessoais preparando-se para a intervenção na política nacional utilizando o sindicato e os trabalhadores como forma propagandística de modo a obter visibilidade para futuros projetos e voos pessoais.

Para Marinho Pinto, se vier a concretizar-se a participação de Pardal Henriques nas listas do PDR, parece ser uma boa estratégia de marketing para o seu partido à custa da manipulação de trabalhadores dum setor essencial que merecem uma remuneração adequada à função que desempenham que é de louvar e apreciar e não merecem o que lhes estão a fazer iludindo-os com o acesso ao sol e à lua.

Para Pardal Henriques este movimento grevista serve de rampa de lançamento para os seus projetos pessoais na política.

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publicado às 16:24


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