Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Uma vitória difícil e amarga

por Manuel_AR, em 16.03.17

Holanda_Eleições.png

Na Holanda concorrem às eleições 29 partidos, (ainda há quem proteste porque em Portugal há demasiados partidos). Não houve um partido vencedor e em eleições anteriores também não. Na Holanda costuma ser regra fazerem-se coligações entre duas ou mais forças com ideias diferentes. E tem sucedido não ser o partido vencedor, não tendo maioria parlamentar que venha a formar governo. Já houve alturas cujas circunstâncias levaram à formação de geringonças que funcionaram.

O partido mais votado foi o VVD, Popular para a Liberdade e Democracia da direita cujo resultado foi muito inferior a 2012 quando obteve 26,5% contra 21,3% em 2017. A extrema direita (PVV), do populista Geert Wilders consegue ficar em segundo lugar e foi um dos vencedores tendo conseguido mais 3% dos votos do que em 2102 com mais cinco deputados.  Mas olhando para o mapa eleitoral da Holanda podemos verificar que a extrema-direita ficou confinada a pequenos redutos como se pode verificar no mapa anexo.  

O Partido Trabalhista PvdA, de Jeroen Dijsselbloem, e ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo, perdeu 29 deputados, ficando em sétimo lugar. Este desastre eleitoral terá sido devido ao PvdA, partido trabalhista holandês equivalente ao Partido Socialista português, ter feito uma coligação com a direita no poder tendo, por isso, sido penalizado. O mesmo poderá acontecer ao PS se alguma vez se aliar à direita do PSD para formar governo. Sobre este assunto já me pronunciei no tempo em que, após as eleições o PSD pretendia aliciar o PS para algo que a que chamavam entendimento e sobre o qual vinham insistindo desde o tempo de António José Seguro.

Na Holanda a semente da extrema-direita foi lançada os partidos democráticos terão que arranjar soluções para que o vírus vá por si mesmo sendo exterminado. Enquanto tal não acontecer a Europa não se pode congratular com as pequenas vitórias dos partidos europeístas.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:44

 

A União Europeia com as políticas de austeridade que tem imposto, por força da Alemanha, tem andado distraída e está a dar lugar ao surgimento de e fortalecimento de movimentos populistas da extrema-direita cujos discursos anti Europa e anti-imigração tentam interpretar o sentimento dos povos, incentivando e fazendo apelo a sentimentos nacionalistas, xenófobos e racistas. Ao mesmo tempo, mascarando-se com roupagens e linguagens de falso apoio ao Estado social, apropriam-se de conceitos e ideias chaves utilizadas pelos partidos de esquerda.

Há dois exemplos que muito nos devem preocupar, a nós portugueses enquanto cidadão de Portugal e pertencentes, quer queiramos, quer não, a uma União Europeia mesmo que a muitos nada diga. O primeiro, na França, parece muito longe mas não é, onde o Partido da Frente Nacional de Marine Le Pen está à frente nas sondagens. É dada como a vencedora das europeias com cerca de 24%, seguida pela UMP (União para um Movimento Popular) partido de direita de Sarkozy com 22%  e, em terceiro lugar, o Partidos Socialistas Francês com 18% a 20%.  A FN atualmente com três eurodeputados está a prever chegar aos 20 eurodeputados nas próximas eleições do dia 25 de Maio.

Na Holanda, o partido da extrema-direita PVV, Partido da Liberdade holandês de Geert Wilders entre outros tais como Liga do Norte italiana, o FPOe Partido da Liberdade da Áustria, o flamengo Vlaams Belang, os Democratas da Suécia e o SNS Partido Nacional da Eslováquia -deverão eleger ao todo cerca de 40 eurodeputados.

É muito natural que, se uma maioria de direita e extrema-direita forem eleitas com maioria de eurodeputados, através de arranjos e combinações de conveniência possam cooperar em matérias vão contra os interesses das populações e da desvalorização do trabalho, direitos sociais e Estado social, o que, se sem dúvida se irá refletir em Portugal.

Atualmente a Frente Nacional encontra-se inscrita no grupo dos "Não Inscritos" no Parlamento Europeu, isto é, não está inserida em nenhum grupo. Todavia, é muito bem possível que as extremas-direitas se unam e forme um grupo próprio como a própria Le Pen já afirmou.

A história tem-nos dados exemplos do caminho a que conduzem os populismo de direita e de extrema-direita e os seus discursos falsamente apoiantes de sistema sociais prósperos, recuperar a liberdade, a segurança e a prosperidade, como a própria Le Pen tem afirmado em campanha eleitoral em França que acabam por desembocar, quase sempre, em ditaduras mais ou menos violentas mas, todas elas ditaduras.

Nós, por cá, parecemos estar longe com tudo isto a passar-se aqui ao nosso lado. Uma forte votação nas esquerdas poderá colocar um pouco de água na fervura das direitas radicais e extras-direitas que, passo a passo, começam a mandar e a comandar a Europa que vai ditar muito de tudo aquilo que não queremos ser e que, ao longo de 40 anos, ambicionámos.

Devemos apelar aos mais jovens, que desconhecem o que é viver com uma extrema-direita a governar o seu país, para estarem alerta para a falsidade dos símbolos verbalizados que lhes propõem, e tão do agrado da juventude, mas que não são mais do que armadilhas para a conquista de um poder que, rapidamente, limitará a democracia utilizando as desculpas do costume… Por exemplo, consensos que partidos de direita pretendem fazer com a esquerda mais moderada, são parte do seu projeto de desvalorização da esquerda afogando-a pelo comprometimento para de certo modo vir a ser limitada a democracia tal qual ela existe.

O que sustenta este tipo de cultura já não são os antigos medos incutidos pelo fascismo mas novos medos generalizados e propagandeados pelos órgãos do poder, e nos ambientes de trabalho, organizando inseguranças que alimentam novos medos como, por exemplo, medo do despedimento, insegurança no trabalho, - estes ao nível das empresas, - a bancarrota, novos programas de assistência financeira, acenar com hipotéticos cenários de despesismo, subida de taxas de juros dos empréstimos, avaliação pelas agências de rating, a insustentabilidade da segurança social e, consequentemente, as reformas atuais do no futuro, etc., etc..  

Estar atento nunca é demais!...

 

Previsão para o Parlamento Europeu 2014

pela POLLWATCH

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:02


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.





Twitter