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Preparar vilanagem os milhões virão aí

por Manuel_AR, em 17.06.20

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O cansaço de António Costa e o de alguns dos seus ministros e secretários de estado estão a vir à tona depois destes meses todos de Covid-19, coronavírus, Novo coronavírus SARS-CoV-2 ou lá o que é que nos tem trazido a todos numa azáfama de paciência e de receios fundados empurrando a economia para o limite de um precipício no alto duma arriba.

O esforço de Mário Centeno e de todos nós foi destruído no espaço de três meses. Alguns comentadores da esquerda radical, um dos quais me escuso dizer o nome, escreve contra tudo e todos quantos têm elogiado Centeno pelo seu trabalho.  Se fossem potenciais candidatos a ministros diria que estariam no domínio da síndrome de que grande parte dos portugueses sofre: a chamada dor de cotovelo. Mas não, são apenas comentadores de política e partidários de uma esquerda que está sempre contra todos e tudo o que não provenha do seu sectário mundo político-ideológico, mesmo que, comprovadamente, seja bom e se mostre útil, eficaz, e traga riqueza que possa vir a melhorar Portugal e a vida dos portugueses. Convém aqui esclarecer que no quadro dos extremistas de direita também os há, e até piores, mas aí o que muda são as moscas e o resto. Para bom entendedor meia palavra basta!

Saiu no Expresso no dia de Santo António um artigo de Sousa Tavares muito acutilante sobre o pós Covid-19, com o qual em parte concordo,  e o que nos poderá trazer se forem cometidos os mesmos erros do passado. Refiro-me aos oportunistas e clientelistas dos costume no que se refere a verbas de milhões a fundo perdido que se esperam da União Europeia para fazer face à crise causada pela pandemia Covid-19 e às quais muitos se irão lançar como gato a bofe. Não apenas os que andam por aí, mas também novos que se estão já a perfilar e a elevar-se nos céus para vislumbrarem com olhos capciosos, quais abutres famintos, os dinheiros que hão de vir.  

O ministro da economia, Siza Vieira, numa entrevista à “Visão” refere-se ao apelo que anda a fazer às empresas: “Preparem-se, porque vão ter uma oportunidade provavelmente única na nossa História para aplicar recursos naquilo que faz falta e criar condições de crescimento, de competitividade e de produtividade para as vossas empresas.”

Se fizermos uma retrospetiva encontraremos na nossa história política governos onde houve promessas de utilização de dinheiro vindo da U.E. que viriam a incentivar a nossa economia e o nosso desenvolvimento. Entretanto no correr dos acontecimentos surgiram empresas efémeras que nasceram às centenas e que propunham para serem financiados projetos que era sabido serviam apenas para “sacar” dinheiro dos fundos europeus.

Muitos privilegiados de “famílias muito bem” criaram na altura empresas financiadas pela U.E. para darem cursos de formação nas mais variadas áreas com os dinheiros vindos de Bruxelas, muitas delas fictícias e autênticas burlas.

Muitas outras situações se verificaram. O caso da agricultura por exemplo em que dos cerca de 400 mil agricultores 220 mil receberam subsídios para não produzir. Eram agricultores que se encontravam num regime em que eram apenas obrigados a manterem-se em condições para voltarem a ter produção nos mesmo terrenos de onde arrancaram o que lá tinham, havendo outros dois mil que receberam mais 250 milhões de euros do que todos os outros juntos, tendo o país perdido entre 1999 e 2009 25% das explorações agrícolas segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.

No passado  também houve uma universidade privada situada lá para os lados do Príncipe Real, em Lisboa, o ISCEM que foi financiada por Bruxelas e licenciado pelo Governo em 1990 que acabou por ser extinta em setembro de 2019 tendo sido um dos seus alunos o chef José Avillez.

Agora são mais milhares de milhões de que alguns oportunistas estarão à espera. Cerca de 15,5 mil milhões de euros em subvenções (distribuídas a fundo perdido) e 10,8 mil milhões de euros sob a forma de empréstimos concedidos em condições de juros muito favoráveis que pode confirmar aqui,  ao que se acrescem os milhões do Quadro Plurianual 21-27 e os que ainda restam do de 20-23. Vamos a ver senão se isto não irá ser uma espécie de “bodo aos pobres” direcionado aos mais ricos.

Em teoria à espreita também estrão o PCP e o Bloco de Esquerda cujo dinheiro quererão que seja distribuído para aumentos salariais da função pública e na admissão de pessoal para o Estado. Para eles quanto mais melhor até que em Portugal tudo seja, até a mercearia do bairro, estatizado sem qualquer critério. Padecem da síndrome da estatização de tudo quanto sejam empresas.  

Esperemos que a alcunha de despesista com que a direita denominava o Partido Socialista e que se foi esbatendo com António Costa e Mário Centeno não venha de novo à tona embriagados pelos milhões que, se espera, cheguem.

A distribuição e o seu destino sem critério e rigor de verbas que não sejam minuciosamente analisados é um perigo. Os lóbis que por aí devem andar irão pressionar no sentido de exigirem uma grossa fatia. Muitos irão sugerir, para distribuição das fatias do bolo, uma espécie de “simplex”, ou seja, o mesmo que alívio ou a eliminação da burocracia na distribuição das fatias por um Estado de clientelas e protetor dos amigos em vez do rigor e disciplina.

Que estes milhares de milhões não nos façam cair na desgraça idêntica à do passado em que alguns se aproveitaram da grande fatia do bolo em proveito próprio deixando desenvolvimento e recuperação económica de Portugal mais uma vez à míngua e a navegar à vela como no passado.

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publicado às 19:06

 

 

 

Merkel defende o agravamento de sanções a países da zona euro que não cumpram os critérios de estabilidade, incluindo a perda de soberania. Se isto não é humilhação hegemónica para país como Portugal então o que é?

Será por acaso que em alguns países tentam fazer omparações com o passado alemão?

 

 

A Alemanha teve sempre projetos e ideais hegemónicos e de domínio sobre outros países e povos sustentados pelos mais variados pressupostos e pretextos. Duas guerras mundiais tiveram a sua génese com a Alemanha.

A construção europeia que começou com a Comunidade Económica Europeia e mais tarde com política da moeda única, foi um projeto que teve como objetivos unir a Europa, procura da solidariedade entre os povos e fazer face à concorrência económica por parte dos Estados Unidos da América. Na altura da sua formação não era suposto que países ricos quisessem oprimir e dominar os mais pobres. A prova está nos recursos financeiros, os chamados fundos europeus (FSE,FEADER,FEAMP,FEDER) que eram recebidos por estes países para o desenvolvimento das suas regiões mais deprimidas, para além dos QREN’s o último dos quais foi o QREN - Quadro de Referência Estratégico Nacional 2007/2013, novo ciclo na aplicação dos fundos comunitários.

A mobilização do povo alemão pela Chanceler Angela Merkel, coadjuvada por outros países do norte, contra os países do sul, gastadores e preguiçosos, e a cruzada em favor da austeridade custe o custar, que alguns governos do sul apoiam, tem a ambição de dominação e submissão subtil através da opressão económica e financeira do povos.

Não somos contra uma austeridade sustentada e a prazo para tentar compor as finanças públicas. O problema é quando a austeridade é imposta para deixar países sem folego e sem capacidade de reação. A opressão dos povos não é executada apenas pela invasão territorial de exércitos, tem atualmente formas mais subtis através do controle económico e financeiro. Veja-se o caso de Chipre. Vergar e submeter países é, atualmente, uma das funções de alguns países da EU liderados pela Alemanha.

Angela Merkel rejeitou esta segunda-feira, 22, a ideia de que a Alemanha procura exercer a hegemonia na UE, dizendo que "A Alemanha tem por vezes um papel complicado porque nós somos a maior economia europeia (...) Mas a Alemanha agirá unicamente em concertação com os seus parceiros. A ideia da hegemonia é-me totalmente estranha". Porque será que Merkel teve necessidade de se justificar? Não costuma haver fumo sem fogo…

Mais grave ainda é a afirmação por ela proferida em que defende o agravamento de sanções a países da zona euro que não cumpram os critérios de estabilidade, incluindo a perda de soberania. Se isto não é humilhação hegemónica para país como Portugal então o que é?

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publicado às 23:04


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