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Do socialismo gastador à direita salvadora e regeneradora

Orçamento de Estado e intervenção externa

por Manuel AR, em 18.12.19

Orçamento de Estado 2020.png

Portugal já foi intervencionado três vezes pelo Fundo Monetário Internacional. A primeira foi em 1977, seguiu-se 1983 e por fim 2011. Portugal e os portugueses não querem que isso volte a acontecer. Todavia, parece haver interessados sobretudo da direita que fiquemos novamente com a corda na garganta. Excluo destes os bem-intencionados que, felizmente, ainda os há, embora sejam cada vez menos.

Desde a tomada de posse do Governo na anterior legislatura que comentários nas redes sociais defendiam que o Governo, por ser socialista, iria conduzir o país para nova intervenção. Era a estratégia do medo já conhecida.

Nas últimas semanas começaram a circular na comunicação social certas notícias que avançavam existir uma contenda não bem explícita entre António Costa e Mário Centeno com o apadrinhamento de alguns ministros. O último aproveitamento foi o empolamento das posições sobre pontos de vista diferentes nas estratégias seguida entre Costa e Centeno durante o Conselho Europeu. Até esse demagogo Paulo Portas no programa que lhe deram aos domingos na TVI teceu considerações éticas por causa das posições divergentes entre ambos, insinuando que estavam em causa os interesses do país? Conhecemos bem os comportamentos e atitude democrática de quem se afastou da política ativa, mas que fala de política, (ou será uma estratégia para preparar cargos que se avizinham?).

Há uma diferença: uma coisa é a imparcialidade que deve ter um cargo de presidente do Eurogrupo, outra é a de um Chefe de Estado que deve defender os interesses do país que governa. A democracia não é uma visão monolítica das questões o debate e os confrontos são evidentes. O problema de quem preside ao Eurogrupo e ao mesmo tempo ocupam pastas no governo dos seus países é de terem de representar dois papéis. É como ser uma espécie de Dr. Jekyll e do Sr. Hyde.

Não conheço o que de facto se passa entre Costa e Centeno a não ser o que se diz na comunicação social, (o que se diz nas redes sociais está fora de causa se não for sustentado por factos considerados como validades e com fontes credíveis e não apenas em opiniões), mas há interesse para a direita em alimentar este tipo de confrontos. Porque como alerta o diretor do Gabinete de Estudos do Fórum para a Competitividade, Pedro Braz Teixeira, “a eventual alteração do ministro das Finanças durante a atual legislatura pode traduzir-se em “alterações significativas na condução da política orçamental”. “Uma alteração do ministro das Finanças pode significar alterações significativas na condução da política orçamental, tanto mais que tem havido uma cativação fortíssima das despesas” que o próximo ministro pode não conseguir manter.”.

Mário Centeno é um alvo a abater pelo menos por um motivo, a sua intransigência no que respeita ao acerto e excedente das contas públicas. É aqui que retomo a questão das intervenções externas.

Segundo especialistas, a consolidação orçamental, para a qual este orçamento parece apontar, é um conceito material que identifica o resultado das medidas de política financeira destinadas a reduzir o défice e a dívida e tem o seu antecedente imediato no equilíbrio orçamental e surge nos últimos trinta anos perante a proposta de recusar a criação de mais dívida pública.

Não é novidade que as esquerdas radicais pretendem aumentar cada vez mais a despesa pública sobretudo em aumentos e benefícios salariais para toda a função pública. Como não foram abertos os cordões á bolsa, daí a probabilidade de haver descontentamento à esquerda e à direita esta por motivo diferente e por mera oposição ao Governo, embora não se tenham pronunciado claramente. Para já a direita PSD “adiantou uma primeira opinião negativa sobre o documento”, “ainda que preliminar e à espera de uma avaliação mais cuidada” e "traduz claramente uma diferença absoluta" disse um porta voz do PSD, pelo que parece estar em desconformidade com o seu ponto de vista.

As opiniões da direita, consoante está ou não no poder, tem pontos de vista diferentes principalmente porque, durante anos, censurou o despesismo e a vocação dos governos socialistas por darem sinais de se poder viver acima das possibilidades.  

Quanto à esquerda mais radical tem motivos e legitimidade para contestar o primeiro superavit histórico da democracia. Se, em vez de se abrandar o esforço de consolidação orçamental, fosse transformado em despesa pública o BE e o PCP estariam em grande e aprovariam o orçamento e os sindicatos e corporações que gravitam à sua volta exultavam de alegria.    

Havendo contas certas e excedentes há que, segundo as centrais sindicais, começar a pressionar para se gastar apenas num sentido como têm demonstrado as ameaças públicas de luta que, os trabalhadores da função pública irão decidir, sejam manifestações, greves ou outras formas de luta.

Sindicatos, e também “ordens”, associam-se a lutas reivindicativas, até então geridas apenas pelos primeiros, são manobrados por líderes de esquerda e de direita, abrem e conduzem ao caminho que leva ao despesismo do Estado e consequente posterior aumento dos impostos que todos pagamos. Sendo grande parte reivindicada para salários o que resta para investimento público em setores mais carenciados como as polícias, a saúde e educação entre outros?

Se tudo o que se conseguiu nos últimos quatro anos derrocar teremos uma certa direita”, na retaguarda com timbre de hiena a rir com o significado social do grupo e a estabelecer entre si direitos ao “alimento”.

Permito-me fazer juízos de intenção e dizer é imaginável que a direita, hipocritamente, diga aos quatro ventos baixar impostos ao mesmo tempo que diz poder fazer mais investimento público e aumentos salariais como justeza reivindicativa, dizendo que não deseja instabilidade social, mas que afinal anseiam por ela. Lembremo-nos dos professores e da aliança negativa. Governo que cedesse às reivindicações e provocasse desvios orçamentais significativos seria a forma para fazer soar as vuvuzelas do socialismo gastador e da direita salvadora e regeneradora.

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publicado às 18:19

Psicanálise do PSD.png

Como se costuma dizer grão a grão a galinha enche o papo e a direita, com as suas frustrações, assim vai fazendo, (não, não me estou a referir à galinha Assunção Crista, se era nisso que estavam a pensar), nada disso, a metáfora é para a direita do conjunto CDS+PSD. Para ajudar, sindicatos e outras forcinhas que há por aí têm deitado alguns grãos para ela vir comer á mãozinha.

Iniciaram com o ataque ao ministro das finanças, Mário Centeno quando do caso da administração da Caixa Geral de Depósitos e não conseguiram; forçaram e pediram a demissão da anterior ministra da Administração Interna e conseguiram; quiseram a demissão do ministro da Defesa Nacional com o caso de Tancos e ainda não conseguiram. Chegou a vez da Ordem dos Enfermeiros ao arrepio do previsto surto de gripe alertar para “eventuais complicações nos hospitais e centros de saúde, na ausência de reforço dos serviços, e culpa o ministro da Saúde, cuja manutenção no cargo questiona”. Está feito o pedido de mais uma demissão de mais um ministro através de uma porta travessa da direita. A direita quer é demissões, demissões e mais demissões de quem não lhes convém. É assim que esta direita obsoleta faz oposição. Será que vai mudar com a nova liderança no PSD?

Com a eleição de Mário Centeno para o Eurogrupo e face aos indicadores económicos, o diabo regressou a casa e retirou à direita PSD a sua ajuda, restando-lhe os casinhos que vai encontrando aqui e ali, através de infiltrações de adeptos casos e casinhos para dizer que está a fazer oposição já que as suas teses sobre a condução da sua política económica do Governo tiveram ontem um ponto final.

Todavia, as opiniões que por aí se escrevem na imprensa vindas do setor da direita apresentam agora nova estratégia para proceder à fragilização do Governo e apontam como solução a sua remodelação. O editorial do jornal Público de hoje para tal justificar faz um breve historial de casos e casinhos dos últimos três meses e, com palavrinhas mansas lá vai fazendo a sua crítica dita isenta e, ao mesmo tempo, cínica, para justificar tal remodelação. Não sei o que António Costa irá fazer. Acho, contudo que, havendo uma remodelação, será tema para que a oposição possa sobreviver mais uns dias com argumentos do tipo: «estão a ver, afinal nós tínhamos razão para criticar o Governo que acabou por ceder às nossas exigências!».

Outra novidade é que o PSD, à falta de melhor, ameaça chumbar projeto de resolução socialista, que não impede Governo de concretizar a adesão à Pesco. A Pesco é o acrónimo de Permanent Structured Cooperation que em português é a Cooperação Estruturada Permanente e a direita PSD exige ver inscrita a recusa de um exército europeu e de especialização das Forças Armadas. Como PCP, BE e PEV são contra a adesão de Portugal, o projeto socialista pode chumbar com os votos de oposição da direita, o que, por estarem em causa resoluções, tem apenas significado político, não impede o Governo de concretizar a adesão à Pesco. Este é mais um casinho para o PSD mostrar prova de vida na oposição e para fazer acreditar que afinal também não contam com eles, como noutras ocasiões já fizeram. Afinal brincam aos meninos birrentos com coisas sérias que dizem respeito a todos. Centeno gravou-lhes ainda mais fundo a sua frustração que ainda não conseguiram sublimar.

Talvez seja necessário marcar uma consulta ao psicanalista para minorar as suas frustrações.

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publicado às 19:10

Operação limpeza

por Manuel AR, em 23.03.17

Limpeza_2.png

São os pequenos Marechais Pétain do século XXI. Alguns disfarçadamente lá vão criticando quem disse que os países do sul não podem gastar “dinheiro em álcool e mulheres e continuar a pedir ajuda” , no meio do discurso lá vão arranjando argumentos desculpabilizadores para a ofensa que o holandês Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, fez ao país e ao povo. Aliás é o que fazem Nuno Melo e o jornal observador tentando lavar o que disse Dijsselbloem.

Ao jornal alemão Frankfurter Allegemeine afirmou que "durante a crise do euro, os países do norte mostraram solidariedade com os países afetados pela crise. Como social-democrata, atribuo uma importância extraordinária à solidariedade, mas também temos obrigações. Não se pode gastar todo o dinheiro em mulheres e álcool e, depois, pedir ajuda".

O jornal Observador jornal bem assumido de direita José Manuel Fernandes o seu diretor, transcreve algo um pouco diferente: “Com a crise do euro, os países do norte na zona euro mostraram a sua solidariedade para com os países em crise. Como social-democrata considero a solidariedade extremamente importante. Mas quem a exige, também tem obrigações. Não posso gastar todo o meu dinheiro em álcool e mulheres e continuar a pedir ajuda.

Não está em causa ser-se de direita, de esquerda, liberal ou não, mas sentirmos que sujeitos como estes são uma espécie de gente que defendendo causas pessoais ou outras e com o “look” jornalístico de seriedade poderão ser capazes de desdenhar e trair o seu país alinhando e colando-se a quem vergonhosamente o ofende.

Não está em causa o direito à liberdade de expressão e de opiniões diferentes, mas há casos e casos! O que chamaríamos a alguém que, e colocando-nos numa situação hipotética de invasão do país, desse razão por meias palavras quem defendesse a invasão?

Poderá haver a atenuante de, por pretensão de querem ser originais, polémicos e diferentes da opinião corrente, poderem satisfazer os poucos que ainda os escutam.

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publicado às 19:06

O insulto

por Manuel AR, em 21.03.17

Bebados_Jeroen Dijsselbloem.png

Nós, portugueses, não podemos permitir que nos insultem, somos membros de pleno direito da União Europeia, temos os mesmo deveres e direitos que todos os outros países e, para tal, temos contribuído.

Não podemos permitir que um qualquer sujeito político dum qualquer país com problemas políticos de extrema direita faça afirmações que em nada contribuem para a credibilidade dos das instituições europeias e pelos que desempenham altos cargos da U.E. Refiro-me, está claro, ao sujeito que é do Partido Trabalhista social-democrata holandês, o PvdD, Presidente do Eurogrupo e também Ministro das Finanças da Holanda desde 2012 que dá pelo nome de Jeroen Dijsselbloem. Este senhor insultou os países do Sul, entre os quais estamos incluídos, eu, vocês, todos nós os portugueses, acusando-nos de gastarmos dinheiro "em copos e mulheres". “Acusou o Sul da Europa de desperdício de dinheiro em "copos e mulheres", durante a crise que conduziu ao resgate financeiro de países como Portugal, Grécia ou Espanha. E recusa pedir desculpas”.

Este sujeito cujo partido esteve até então no poder descarrega a sua frustração pela perda das eleições sofrendo um desaire eleitoral nunca visto nas últimas eleições holandesas, passando para o décimo lugar. A responsabilidade da perda parece ser, segundo ele, dos países do sul.

Jeroen Dijsselbloem está equivocado. Quem vem para Portugal gastar dinheiro em copos são os dos países do norte, nomeadamente os holandeses (ainda bem para nós). É vê-los nas esplanadas do Algarve sempre com copos à frente durante todo o dia e, nas praias, consumindo garrafas atrás de garrafas de cerveja e de vinho. Mas não é só cá entre nós, lá na Holanda também, quando, nos fins de semana, apanham carraspanas de meia-noite.

O dito sujeito deve ter andado pelas casas de chuto que a Holanda criou e legalizou e, “pedrado” fez aquelas declarações.  

Alguém, talvez uma direita que também sofre síndrome da perda do poder, deve ter contado ao ouvido de Dijsselbloem uma novela, mas, ao contrário, o que o inclui no grupo dos disparatados ressabiados pela perda. Para ele fomos nós os portugueses e outros países do Sul que o fizemos perder as eleições ao seu partido.

Afirmações e linguagem digna dum Geert Wilders ou qualquer outro da extrema-direita e até de um Donalda Trump.

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publicado às 19:22

Dois jornais duas notícias

por Manuel AR, em 27.01.17

Correio da Manhã2 (1).pngJornal i (1).pngHoje, trago para aqui duas formas de dar a mesma notícia, sobre o mesmo acontecimento, em dois jornais. Ambos noticiam a reunião de ministros das Finanças dos países do euro conhecido por Eurogrupo.

Um dos jornais é o Correio da Manhã o outro é o jornal i este do mesmo grupo do jornal Sol. Não vou tecer quaisquer comentários, limito-me a transcrever as notícias de ambos os jornais para que cada um tire as suas próprias conclusões.

Note-se apenas a moderação de um, o primeiro, e o alarmismo tendencioso do segundo com seleção de algumas citações menos favoráveis para provocar preocupação. Não digo que as notícias tenham sido trabalhadas, falsas, nem tão pouco pretendo sugerir que as mesmas não fossem divulgadas. O que pretendo evidenciar são as citações escolhidas pelos jornalistas de cada um dos jornais retiradas de partes do contexto demonstrativas da tendência do jornalista que podem levar a interpretações erradas.

 

Notícia do CORREIO DA MANHÃ

 

Portugal está a tomar as medidas certas para tranquilizar mercados

O presidente do Eurogrupo considerou esta quinta-feira, em Bruxelas, que a volatilidade dos mercados sublinha a necessidade de Portugal prosseguir uma agenda de reformas e reforçar o setor bancário, mas manifestou-se convicto de que o Governo está a tomar "as medidas adequadas". Questionado durante a conferência de imprensa final da reunião de hoje do Eurogrupo sobre o aumento das taxas de juro da dívida pública portuguesa, Jeroen Dijsselbloem apontou que o assunto não foi discutido de forma detalhada mas foi registado "o facto de haver alguma volatilidade" dos mercados. "Penso que (essa volatilidade) sublinha uma vez mais a necessidade de Portugal fazer avançar a agenda de reformas, com a qual disseram estar comprometidos, e de dar mais passos para reforçar o setor bancário, o que está a ser feito neste momento. Penso, portanto, que estão a tomar as medidas adequadas", disse. O comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, disse partilhar a opinião do presidente do Eurogrupo, no final de uma reunião que tinha como um dos pontos em agenda as conclusões da quinta missão de monitorização pós-programa realizada em Portugal no final de 2016. " Analisámos a situação com um olhar construtivo e tomámos nota dos compromissos claros assumidos por Mário Centeno, com quem me encontrarei amanhã (sexta-feira) à tarde, num encontro bilateral", afirmou o comissário francês.

 

 

Notícia do Jornal I

 

Eurogrupo sem “espaço para complacência com Portugal”

 

O Eurogrupo deixou alertas sobre a situação financeira de Portugal e o governo garante que vai adotar as políticas que permitam cumprir todos os compromissos do país. Os juros da dívida pública são uma preocupação.

Ontem, à saída da reunião dos ministros das Finanças dos países do euro, o presidente do Eurogrupo disse que “não há espaço para complacência com Portugal” e que há “riscos relevantes no médio prazo”. “A volatilidade nos mercados sublinha a necessidade de Portugal acelerar as reformas e fortalecer os bancos”, afirmou Jeroen Dijsselbloem, citado pela agência Bloomberg.

Por seu lado, e também à saída do mesmo encontro, o seu homólogo português afirmou que a análise feita pelo Eurogrupo tem uma perspetiva um “pouco mais longa”e salientou que “estamos num período de volatilidade no mercado e de incerteza que se instalou”.

Em relação ao sistema financeiro, Mário Centeno lembrou que “o governo delineou um plano que está a ser implementado” e, sobre a banca portuguesa, garantiu que o executivo está a “atuar” e que essa “foi essa a mensagem que aqui ficou”. “Nós mantemos sempre os compromissos. E mostrámos de forma muito evidente a determinação do país em cumprir os seus compromissos”, salientou o governante, citado pela agência Lusa.

Por seu lado, o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, afirmou ter analisado “a situação com um olhar construtivo e tomámos nota dos compromissos claros assumidos por Mário Centeno, com quem me encontrarei amanhã (sexta-feira) à tarde, num encontro bilateral”. Já Klaus Regling, presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), também salientou que os mercados estão “nervosos com o nível de dívida, o setor financeiro e a competitividade” do país, ao mesmo tempo que disse estar “confiante que, se derem resposta a estas questões, os mercados irão reagir positivamente”.

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publicado às 19:13

A pedra no sapato e a bolha no pé

por Manuel AR, em 16.07.15

Passos_Schauble.png

Esperemos que a forma como a questão da Grécia tem sido tratada por Passo Coelho e António Costa não seja uma pedra no sapato do primeiro e uma bolha no pé do segundo.

A minha perceção sobre as intervenções do tipo mestre-escola do primeiro-ministro Passos Coelho sobre a Grécia é simultaneamente de saturação e desorientação ficando sem saber o que pensa de facto sobre o assunto porque avança ou recua consoante o que se vai falando na europa da Alemanha e sobretudo as do ministro das Finanças alemão.

Até para Schäuble parece que o problema da Grécia é mais complicado e que não se resolve apenas com mudanças de Governo nem com pressões exercido sobre partidos que governam e de quem não se gosta e continua a firmar creio que apenas para agora jogar com a vontade do povo grego se manter no euro.

Hoje Schäuble que pôs sobre a mesa no Eurogrupo a ideia de uma saída temporária da Grécia do euro durante cinco anos, sublinhou hoje numa entrevista rádio pública Deutschlandfunk que essa hipótese não era uma obrigação nem uma proposta para Atenas mas que a ideia se baseava no pensamento de muitos economistas, também na Grécia, que duvidam que o país possa solucionar os seus problemas sem um corte da dívida, que, precisou, é impossível de fazer no âmbito da união monetária.

Não parece ser inteligível que, como diz o ministro das finanças alemão, não existe a possibilidade de corte da dívida no âmbito da união europeia, como é que ele coloca a hipótese da Grécia sair do euro, mesmo que temporária, se essa hipótese não está contemplada nos tratados europeus.

Algo vai acontecer dentro de alguns meses e isto é uma forma de começar a preparar a opinião pública da Alemanha e da Europa.

Também hoje Draghi disse ser "incontroverso que o alívio da dívida é necessário e acha que ninguém ainda contestou isso". E acrescentava que "A questão é saber qual a melhor forma de alívio da dívida dentro da nossa estrutura, dentro do nosso quadro institucional legal. Eu acho que devemos concentrar-nos neste ponto nas próximas semanas."

Draghi disse ainda que o BCE continua a agir na suposição de que a Grécia era e continuaria a ser um membro da zona do euro.

Terá Washington pressionado nos últimos meses para haver um acordo que mantenha a Grécia no euro e que inclua o alívio da dívida do país?

Um relatório do FMI vem dizer que a restruturação proposta pelos credores europeus é insuficiente para responder à crise da dívida grega e aponta a deterioração dramática da sustentabilidade da dívida torna necessário o alívio da dívida a uma escala que teria de ir bem para além do que foi pensado até agora – e do que foi proposto pelo Mecanismo de Estabilidade Europeu”, diz o relatório.

 

 

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publicado às 19:29

Democracia: a nossa, a vossa e a deles

por Manuel AR, em 04.07.15

Faltam menos de 48 horas para o refendo na Grécia e as direitas europeias e portuguesa que, infelizmente, procuram deturpar os factos à sua maneira, interferem nos assuntos internos dum país soberano (?).

A democracia na União Europeia começa a estar em perigo. Através da miragem da adesão ao euro cuja permanência é vitalícia porque após entrar não há como sair e dos apetecíveis fundos países soberanos estão a ser "conquistados e ocupados" não pela força das armas mas por processos ínvios conducentes à passagem a protetorados passando pela perda de soberania e logo depois pela submissão mais vigorosa. Este é o que pretendem com o caso da Grécia como experiência exploratória para posterior alargamento a países mais frágeis como Portugal.

A interferência das instituições europeias nas eleições de países como a Grécia e Portugal direta tem sido uma evidência. Recorde-se o caso das eleições para o Parlamento Europeu em Portugal onde por várias vezes dirigentes europeus interferiram com conselhos, ameaças como as efetuadas por Durão Barroso.

Ter votado num partido diferente daqueles que a "democrática" União Europeia pretendia tem contribuiu para que fosse exercido um terrorismo, uma tortura psicológica e, sobretudo a criação de uma insegurança que os solidários governantes europeus exercem como castigo pelo atrevimento que tiveram em escolher quem pretendiam para o seu Governo.

Para os países que controla a União Europeia, nomeadamente a Alemanha e os países seus mandatários aos quais se juntam os subservientes, a democracia é só uma, a deles, a do poder alemão, e a do poder financeiro e mais nenhuma. O princípio para onde a Europa está a ser conduzida é a de manutenção no poder de partidos de ideologia única para o exercício de uma de forma de poder com forte controlo ditatorial disfarçado por laivos de democracia.

A democracia nos países mais frágeis da U.E., como a nossa em Portugal, está também em perigo porque o seu exercício está sujeito a influências e interferências exteriores em países supostamente soberanos que não teriam receber quaisquer recomendações, boas ou más, por parte das instituições europeias ou internacionais sobre os seus atos de escolha política e partidária.

A vossa democracia tem que ser aquela como nós a entendemos e queremos que seja e, quanto isso, não há como escapar, é a mensagem que transparece e nos chega da europa alemã.  

Uma coisa são manifestações de a favor ou contra, levadas a cabo por organizações e povos de outros países sobre acontecimentos (a nível estritamente político e não interferentes), outra são os responsáveis máximos e líderes políticos de instituições da U. E. que deveriam ficar distanciadas, o que não é o caso.

A questão da Grécia sempre foi financeira e económica mas deixou de o ser a partir do momento em que um partido como o Syriza ganhou democraticamente as eleições. O referendo que se vai realizar deveria ser um assunto deveria ser discutido internamente e a decisão, fosse qual fosse, democraticamente aceite.

O que se vê são as interferências descaradas das instituições europeias ora com ameaças, ora com ofertas de cenoura à frente do burro para o levar para onde queremos, ora através do medo e do terror propagado através dos media. É um terrorismo político.

O media, nomeadamente em Portugal dão notícias veiculando mensagens de voto no SIM na Grécia como esta em que se diz que "líderes europeus, mas também os media gregos, continuam a pressionar pelo voto no “sim”. Varoufakis diz que "há demasiado em jogo" para que a Grécia saia do euro e que a União Europeia quer fazer do país um exemplo para Portugal e Espanha".

A pergunta que é efetuada ao povo grego para responder no dia 5 de julho, ao contrário do que as direitas por essa Europa querem fazer crer não é a saída ou não do Euro mas é simplesmente responder se SIM ou NÃO "Aceitam um documento projeto apresentado pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, na reunião do Eurogrupo realizada em 25 de junho?". Se vai haver ou não consequências para a Grécia sair do Euro isso depende exclusivamente da União Europeia.

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publicado às 17:19

Os Eurogregos

por Manuel AR, em 11.05.15

O ministro das finanças alemão Wolfga  ng Schäuble disse hoje que um referendo sobre a saída da Grécia do euro até pode ser uma boa ideia. Tem agora uma posição muito democrática quando diz que “O governo tem o amplo apoio popular, é um mandado recente, não devem ter de maneira nenhum medo da vontade do povo” e "Se a Grécia quiser fazer um referendo, poderá ser útil".

Estranho estas afirmações depois das pressões feitas sobre a Grécia após as eleições que levaram o Syriza ao poder. Afinal parece que a saída da Grécia do euro não terá tanta importância quanto se pretendia fazer crer. Ou será que é apenas para afastar os receios da saída daquele país do euro.

Algo me diz que deve haver outros propósitos para além dos que se revelam se houver uma falta de acordo entre a Grécia e os credores.

A ver vamos.

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publicado às 18:04

A pele de cordeiro dos neoliberais

por Manuel AR, em 10.03.15

Economia neoliberal.png

 

Sabendo-se que no mundo atual o motor da economia deve ter sempre por base uma forte iniciativa privada nos dias que correm, serão poucos aqueles que, mesmo sem o saberem, são liberais. Aliás, todos os partidos com exceção dos ortodoxos de esquerda têm um gene liberal no seu ADN ideológico, sejam eles democratas-cristãos, sociais-democratas ou socialistas (estes últimos consoante os países) para isso basta assumirem a importância da iniciativa privada como motor da economia.

Para que não haja equívocos de interpretação consideramos neste contexto que os liberais sociais defendem os direitos humanos e as liberdades civis e, neste âmbito, combinam o apoio a uma economia em que o Estado desempenha essencialmente um papel de regulador e de garantidor que todos têm acesso, independentemente da sua capacidade económica, a serviços públicos que asseguram os direitos sociais fundamentais.

Neste contexto o PSD e o CDS são hoje partidos que deixaram as suas raízes e passaram a ser neoliberais que apregoam a redução do estado à sua expressão mais simples, seja lá isso o quer que seja. Dizem que o Estado tem demasiado poder e intervém em excesso na economia. Tem-se provado a falsidade destas afirmações demonstrada pelo recente caso do BES, entre outros.

Fora de Portugal o caso da Grécia é a prova onde a imposição de medidas neoliberais conduziram a um desastre financeiro e económico onde os neoliberais da Nova Democracia perderam as eleições e o partido socialista grego PASOK, ficou reduzindo a uns escassos 4,7%. É isso que os neoliberais pretendem ficarem apenas eles com o controle da democracia. Mas, no caso da Grécia, enganaram-se fazendo disparar o Syriza e, em Espanha, veremos o que vai acontecer com o Podemos.

Como se tem visto nas reuniões do Eurogrupo as pressões sobre a Grécia são tentativas para derrubar o atual Governo e menos para tentar ajudar a Grécia a sair da crise. Após seis anos de austeridade a Grécia cresceu apenas 0,6%.  Com mais austeridade o que pode acontecer é ainda uma incógnita cujo resultado pode ser conhecido em breve. As afirmações de Schäuble sobre a Grécia são a prova quando disse hipocritamente que "Sinto muito pelo gregos. Elegeram um Governo que, neste momento, comporta-se de maneira bastante irresponsável" e rematou a reunião do Eurogrupo com "Os gregos vão ter certamente dificuldades em explicar este acordo aos seus eleitores...". 

Senhores financeiramente bem instalados, cujos rendimentos lhe proporcionam dispensarem o que for do Estado seja ao nível da saúde, da educação ou quaisquer outros serviços. Defendem um Estado do todos cada um per si e o do salve-se quem poder. Daí que defendam a privatização de toda a economia desde que lucrativa incluindo os serviços que devem ser da exclusiva responsabilidade do Estado. Isto é, o Estado deve privatizar tudo quanto for lucrativo e assumir tudo o der prejuízo. Aliás em muitas das privatizações é isso que se passa quem compra fica apenas com os ativos e o Estado com os passivos.

Todavia, defendem parcerias público privadas e subsídios a setores de atividade através dos impostos pagos por todos de que beneficiam apenas alguns cidadãos.

Foi esta a base ideológica da política em que o nosso atual Governo de baseou. À despesa exagerada e incontrolada do Governo anterior com a finalidade de dinamizar a economia através do consumo interno, o atual baseou o controlo da despesa apenas em cortes no setor social, salários da função pública, pensões de reforma, deixando à revelia outras áreas, nomeadamente no que se refere a sectores para onde o Estado canaliza verbas dos impostos que resultam na acumulação dos lucros em grandes empresas.

Apesar do abrandamento das medidas de austeridade e dos discursos de falinhas de mansas enganadoras do primeiro-ministro Passos Coelho e seus acólitos, elogiando um incipiente crescimento económico de 0,9% (relativamente às austeridades praticadas a Grécia conseguiu melhor) podemos ter a certeza que a austeridade apenas estacionou na berma devido à aproximação de eleições. Basta estar atento às declarações da ministra das finanças

No encerramento de uma conferência Maria Luís Albuquerque afirmou que os níveis de dívida pública e privada são elevados e que “o potencial de mais reformas é ainda grande” e, depois dos avisos deixados pelo Eurogrupo, Maria Luís Albuquerque manteve que Portugal vai ter um défice abaixo dos 3 por cento, saindo do procedimento de défice excessivo. Hoje, 10 de março, reafirmou que não serão precisas outras medidas para cumprir o objetivo do défice português para este ano mas, sobre a necessidade de mais reformas se for caso disso, afirmou: "…como já dissemos o Governo português mantem-se atento e ajustará a estratégia quando for necessário….". Deixa implícito o que poderá vir a acontecer. É apenas um ponto morto temporário até às eleições. Na eventualidade dos partidos do Governo ganharem as eleições já todos sabemos o que nos espera.

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publicado às 19:24

O xadrez alemão

por Manuel AR, em 23.02.15

Xadrez alemão.png

O plano de Schäuble

Em Atenas admite-se que Schäuble estava a planear eliminar, ou melhor, neutralizar e imobilizar o novo governo de esquerda na Grécia.

Até ao final esteve aliado aos governos Espanhol e o Português, que em última análise, também abandonou.

A fim de alcançar o isolamento histórico do Sr. Schäuble nos bastidores foram necessários acordos com líderes europeus. O Primeiro-Ministro grego esteve pessoalmente em contato por três vezes com o presidente francês François Holland que, de acordo com fontes, prometeu ajudar.

O Sr. Tsipras terá dito que "eu não vou deixá-lo junto nessa negociação". Em alguns aspetos Hollande, em última instância, conseguiu isolar o Sr. Schäuble e, por extensão, a chanceler Angela Merkel . Os franceses têm as suas próprias razões, eles foram oprimidos pelos alemães nos últimos anos e, talvez, eles apostassem na derrota estratégica da Alemanha e, neste momento, parece que a Grécia lhe ofereceu essa oportunidade.

Além disso, os laços dos franceses com os americanos são muito fortes e influência de Washington em Paris é intensa. Como todos sabem, a administração Obama pressionou os governos europeus no sentido de encontrar uma solução para o problema grego.

Em qualquer caso, Tsipras considera sessão Eurogrupo de sexta-feira histórica, não apenas para a Grécia, mas para a Europa. "É a primeira vez que o alemão não está seguindo o seu rumo", disse aos seus parceiros, insistindo que o acordo tem grande importância para toda a Europa.

O Primeiro-Ministro, não se ilude. Ele repete que "nós simplesmente temos a nossa cabeça acima da água" e observa que "a partir de agora temos um grande caminho difícil de seguir". Ele não esconde o fato de que "a situação é terrível ", que "os cofres estão vazios" e que "os bancos foram paralisados por um clima artificial de incerteza e insegurança".

Na sexta-feira à noite, ele disse aos seus parceiros que "a situação continua crítica", mas que ele esperava que, após o acordo "o clima mudaria os mercados" e ajudaria o governo agir num ambiente mais estável. Ele não afastou a sua preocupação de que o governo pode ter que enfrentar as mesmas dificuldades em junho, mas estima que, entretanto, terá a oportunidade da estabilizar-se no plano interno e levar assuntos do país para a frente.

Além disso, Tsipras acredita que, entretanto, será capaz de tirar proveito da cooperação com as organizações financeiras europeias e internacionais e criar uma relação de confiança com eles, capaz de oferecer oportunidades e flexibilidade no exercício e desenvolvimento de políticas.

Extraído da versão inglesa do jornal Grego "TO BHMA"

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