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Greve ou não greve? Eis a questão!

por Manuel AR, em 19.06.13

Há quem não saiba, como eu, o que é fazer greve porque nunca participei em nenhuma, apesar de reconhecer que algumas foram e são justas.

A questão sobre a greve dos professores é uma discussão inútil que se centra, a maior parte das vezes, sobre o prejuízo causados aos exames dos alunos e às famílias. Todavia, reconhecem os críticos que os professores têm, como qualquer outro trabalhador, direito a fazer greve.

Em qualquer greve que os professores façam, quer seja às aulas, às avaliações, aos exames, quer seja a qualquer outra forma relacionada com a atividade pedagógica e de docência, existe sempre o argumento de que prejudica os alunos e as famílias.

Assim sendo, parece existir um paradoxo porque os professores têm direito à greve, mas não devem, para não dizer não podem, exercê-lo desde que prejudique os alunos. Então quando é que os professores podem exercer o direito à greve para lutarem pela defesa de direitos ou contra qualquer decisão que lhes cause dano? Visto desta forma nunca. Não há qualquer momento na atividade docente que não prejudique os alunos a não ser nas férias e, mesmo assim, há sempre algo que pode colidir com os direitos dos alunos. Fará isto sentido? Claro que fica em aberto a possibilidade causal do menor dano possível. Mas, o objetivo das greves é o de criarem o maior impacto possível, sem o que se perderia o efeito desejado. A não ser assim não valeria a pena proclamar greves.

É neste sentido que talvez o primeiro-ministro tenha admitido no Parlamento a possibilidade de mudar a lei da greve porque, segundo ele, “Há desproporção entre o direito à greve e o interesse público. Assumo aqui publicamente o compromisso de mudar lei impedindo que as famílias e os estudantes sejam afetados.” Ora, mudando a lei esta fica limitada porque, como anteriormente foi afirmado, qualquer greve afetará sempre as famílias e os alunos. A lei ao ser mudada é previsível que não o seja apenas para os professores, mas também para toda e qualquer outra atividade profissional, visto que uma greve afetará sempre os utentes dos serviços sobre os quais ela for declarada e poderá ser sempre considerada desproporcional.


 

 


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publicado às 18:08

Os jovens e as propinas

por Manuel AR, em 21.03.12

Vivi a minha juventude na geração dos anos 60 e 70, uma geração que contribuiu para mudar alguma coisa no mundo. Em Portugal vivia-se sob uma ditadura que não nos deixava respirar, mas, mesmo assim lutávamos e manifestámo-nos pelo direito à liberdade de expressão com o risco de sermos levados para as prisões da PIDE/DGS. Época de grande criatividade musical e onde proliferavam as bandas que hoje em dia são apreciadas pela atual
geração de jovens. Bandas que ainda hoje são inspiração para as novas bandas da música rock.

Vem isto tudo a propósitos das manifestações de jovens e estudantes contra o pagamento das propinas, direito a bolsas, instalações, mais verbas e mais direitos. Perfilho e apoio, em parte, as suas reivindicações enquanto sustentáculo de uma marcação de posição, que é justa face a uma crise que se instalou e que estará para se prolongar mais do que se espera. Oxalá que não!

Voltando à questão, estas reivindicações, sobretudo a das propinas, penso que são excessivas. A minha perplexidade face a isto leva-me a um pequeno exercício comparativo que poderá ajudar a explicitar melhor o meu ponto de vista. Se pensarmos quanto custa mensalmente uma propina no ensino superior público, verificamos que em média não ultrapassa os 1000€/ano, o que equivale a 100€ mensais, se o pagamento do ano letivo for correspondente a 10 meses. Valor que, para algumas famílias, custará a suportar se a isto acrescentarmos os custos das inscrições, matrículas e todo o material necessário como livros, transportes, fotocópias, refeições, mesmo na cantina escolar,entre outros.

Quanto gastam os jovens durante um ano para frequentarem concertos, por vezes caríssimos, e que mesmo assim se esgotams com frequência? Para assistir a estes concertos, no caso de serem fora do local de residência há que acrescentar transportes ou gasolina, e alimentação, entre outros, para não falar de estadia mesmo que em parques de campismo. Mas há outros custos indiretos acrescidos no caso de bandas estrangeiras que vêm atuar em Portugal, pagas a preços do ouro, (que atualmente não está barato). São imensas as divisas que saem do país, isto é, funcionam como as importações. Se tivermos ainda em conta a ida dos jovens para as discotecas e restaurantes aos fins de semana, o que pode ser confirmado dando uma volta pelos locais mais frequentados nas grandes cidades, sobretudo Lisboa e Porto quanto é que não gastarão anualmente? A esta despesa há que acrescentar, por inerência, outras como sejam transportes, bebidas e, eventualmente, uma ou outra “guloseima”. Quanto não custa? Certamente quase o valor de um mês ou mais de propinas. O aumento das propinas não tem comparação percentual com o aumento que o preço dos bilhetes dos concertos tem vindo a sofrer que, mesmo assim, na maior parte dos casos como já referi se esgotam.

É desta perspetiva que as pessoas comuns se colocam quando assistem a reivindicações e a manifestações contra o pagamento das propinas e outros... Os jovens necessitam do apoio de todos e é sabido que, para se ter apoio nas pretensões, terão também de fazer alguns sacrifícios, dando o exemplo ao abdicar de algumas coisas, só assim captarão a população para o seu lado.

Claro que os jovens precisam e têm que se divertir e conviver, é imprescindível. Contudo têm que compreender também que as famílias poderão estar a fazer sacrifícios e com problemas financeiros provocados por governos geridos por pessoas que apenas vêm os seus interesses e os daqueles que representam, não cuidando dos interesses gerais da população à qual aumentam impostos, retiram e cortam salários injustamente. É contra esses que nos devemos manifestar e podem fazê-lo de outras formas que não e apenas através de reivindicações sobre o pagamento de propinas porque essas já não convencem ninguém.       

 

 

 

 

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publicado às 17:29


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