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Direitalhos

por Manuel_AR, em 14.09.17

Direitalho.png

A direita normalmente não tem senso de autocrítica, e seguramente não se questiona sobre seus próprios equívocos. A direita perde a confiança do eleitorado, apesar de ter toda a máquina mediática nas suas mãos e começa a sentir que não têm líderes com credibilidade suficiente.

Não apresenta políticas inovadoras, mantem-se no neoliberalismo anti estado social que se provou fazer duvidosas privatizações. O conservadorismo religioso católico está colado à direita que pretende esta tome conta do país. A direita utiliza falsos discursos sociais democratas, mas que, prontamente, descarta uma vez chegada ao poder. Limita-se a reproduzir mantras repercutidos à exaustão como o de a esquerda é incompetente.

Com a economia em ciclo de crise tenta descobrir corrupção na esquerda para fazer esquecer a sua própria, que é mais eficaz, oculta e guardada por arames farpados e cães de guarda que a protegem para tachar a esquerda de economicamente incompetente e irresponsável.   

Poderiam, quando no poder, pensar num verdadeiro do sistema judiciário para lidar com a corrupção de maneira estrutural e institucional (porque corrupção não tem lado e não é apenas um problema pessoal) e acabar com a morosidade dos tribunais que impossibilitam o equilíbrio entre a presunção da inocência e a condenação necessários para a construção de um executivo ético. Mas não, limitaram-se a mudar o visível, o físico e o superficial, mantendo o que necessitava ser mudado.

Para esta situação contribuem os do clube dos direitalhos formado a partir de adeptos direitistas que são todos os que são da verdadeira direita democrática. Direitalho é uma palavra que não faz parte do vocabulário português e o seu antónimo é a palavra esquerdalho, mencionada com sentido pejorativo por alguns que se dizem contra a esquerda, seja qual for o motivo. A palavra esquerdalho faz parte do léxico dos direitalhos frequentadores das redes socias e dos comentários dos jornais online e nos blogs. Deixaremos para outra ocasião os esquerdalhos que, apesar de se encontrarem do lado oposto, abraçam a mesma linguagem, mas de sinal contrário.

Para os direitalhos, esquerdalhos são todos os que não são de direita, os que não são neoliberais, os que não são radicais de direita, os que não perfilham ideias e princípios fascizantes, os que são pela manutenção do status quo que abandona uns setores da sociedade em favorecimento de outros. Os direitalhos não sabem porque o são, nem lhes interessa saber. São direitalhos e chega.

Acham que lhes dá um certo estatuto e aceitação na ordem social. Muitos vivendo apenas do seu salário alinham com os que defendem baixar impostos para uns, os mais favorecidos, e aumentá-los para os outros, privatizar tudo porque acham que poderão vir a obter vantagens, gostam que outros pensem que o seu estatuto social é superior, apenas, e só, porque são direitalhos. Outros têm potencial financeiro, mas cultura, valores e ética são baixos, mas, por outro lado mostram o seu fervor religioso católico através de todos as organizações onde se infiltram e mostram a sua grande religiosodade. Não fazemos discriminação de género, as direitalhas também são deste grupo. Muitas conseguiram, por vários fatores, trepar a um patamar onde se julgam pertencer à “high society” e pretendem distinguir-se pelo tratamento dos filhos ou netos por você, evocando quando acompanhados nomes sonates da sociedade, dando-se ares perante vizinhos e amigos.     

Os direitalhos apenas falam na necessidade de reformas, papagueando o que outros dizem, mas não identificam quais. São pelo imobilismo e não mostram interesse em acompanhar a europa. São contra o investimento público e alguns pertencem ao grupo daqueles que esperam que caia do céu o investimento privado e anseiam para que haja uma mão de obra dócil e barata, e quanto mais barata melhor. Os investidores defendidos pelos direitalhos são os que pretendem que o investimento efetuado hoje, ao fim de alguns meses, tenha retorno do capital mais o lucro.

Os direitalhos são contra tudo o que seja social, mas são a favor de tudo o que lhes possibilite a livre especulação, de preferência sem legislação laboral. Neles incluem-se os revanchistas, os invejosos, os xenófobos, os racistas, os que acham que a direita, a deles, resolve os problemas que enfrentam e que ainda ninguém resolveu, os que vivem na espectativa duma viragem direitalha para os resolver.

Direitalhos são também os que enxovalham os outros, os que difamam, os que caluniam sem prova, os que, escondidos pela capa do anonimato lançam denúncias, (que mais fazem lembrar elementos pidescos infiltrados), guardam na gaveta do lixo os mexericos e as falsas suspeições para oportunisticamente os lançar para a opinião pública através dos media que lhes dão cobertura. Utilizam o lema do vale tudo desde que seja contra os outros, e nada contra eles.

Há antigos líderes que, à falta de melhor, transformaram-se em formadores de putativos direitalhos da JSD, como o fez Cavaco Silva no Pontal. Desdenhou a ideologia, como se ele próprio não tivesse uma, e lançou disparates como duma possível realização duma revolução socialistas através do Governo. Identificou-se assim ele próprio como possível direitalho.

É importante esclarecer que no grupelho dos direitalhos não incluo os da verdadeira direita democrática, os que valorizam os valores democráticos, os que têm uma visão socialmente diferente para as soluções e problemas do país e das pessoas, e que, através duma oposição construtiva e de verdade, consigam ganhar o poder através dos mecanismos que a democracia proporciona.

Os direitalhos não são de direita, são contra a esquerda porque consegue baralhar os seus pobres espíritos politiqueiros. Não sabem o que é ser de direita, nem sabem o que é ser de esquerda. Porque não sabem o que é, nem uma, nem outra. Todos os que não sejam direitalhos são “comunas” e perigosos revolucionários. Imitam alguns esquerdalhos que dizem que os de direita são todos fascistas.  

Recorrendo a uma metáfora e como mero exercício intelectual podemos imaginar uma entrevista a um adepto dum clube de futebol e estabelecer uma analogia com o pensamento político do direitalho. Porque não se trata de qualquer crítica ao espírito desportivo dos que gostam de futebol o leitor deve ter em mente que esta analogia trata duma transposição a partir do espírito clubista.  A ideia é que leitor substitua a palavra clube pela palavra partido, a que um direitalho pertença, e imagine uma entrevista nesse sentido.

-Porque é do clube A?

-Porque os meus pais sempre foram desse clube e os meus vizinhos também são.

Pergunta-se a outro:

-Porque é do clube B?

-Porque me inscreveram no clube desde muito pequenino e dei por mim sendo sempre desse clube.

-Alguma vez criticou o seu clube?

-Só nas alturas em que perde. Mas luto sempre por ele.

-Acha que o seu clube lhe traz algumas vantagens pessoais e familiares?

-Sim porque me dá alegrias quando vence.

-Como considera os outros clubes?

-São do pior que há. São todos uns…E porque, “ó meu”, fico lixado por terem ganho. São todos trapaceiros.

 -E quando o seu clube ganha?

-Ah! Isso é diferente. Isso é devido à sua própria capacidade e competência.

-Pensou alguma vez mudar de clube?

-Nem pensar, serei deste clube até ao fim dos meus dias.

 

Os direitalhos que colocam posts aqui e ali são assim, de pensamento oco, e de menoridade mental e não entendem que a democracia possui um vasto espectro de opções e um enorme potencial para a resolução de problemas sem a necessidade de golpes baixos e  assim haja vontade participativa de todos.

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publicado às 21:08

Ideólogos.png

Para quem escreve Paulo Rangel do PSD? Para quem, do povo, menos iletrado, o leia e não percebe patavina. É um discurso hermético apenas para alguns eleitos a quem provavelmente se dirige.

A sua retórica é a de alguém que procura exibir um conhecimento intelectual levando leitores a desistir da sua maçadora prosa. Eu, cá por mim, não me considerando, de todo, um desses eleitos e iluminados a quem os seus textos parecem dirigir-se lá vou tentando fazer um esforço para o ler e compreender.  

O último artigo desse supremo intelectual e ideólogo da política neoliberal por onde enveredou o PSD é um caso paradigmático do que acabo dizer. Na amálgama de conceitos sócio-político-filosófico-partidários o leitor desprevenido, e, como escrevi em parágrafo anterior, sem a formação adequada perde-se pelos diversos e complexos conceitos da política do partidarismo e da sociologia sem tirar conclusão plausível, mantendo-se em explicações e argumentos já cansativos que volvem sempre ao passado onde não se vislumbra qualquer projeto para o futuro, ainda que o seu líder tenha utilizado no último congresso o chavão “Social-democracia sempre”.

Paulo Rangel, desde qualificar o PSD como partido que não é de massas mas um “partido de eleitores” de “abertura” e de “adaptabilidade” do seu “leque ideológico” lá vai dizendo que os “eleitores e militantes não são atraídos por um programa” e devem ser os “produtores de um programa que os atrai”. Se bem se percebe aos eleitores e simpatizantes do PSD não interessa uma ideologia, um programa, um projeto, são eles que o irão construir ao votar no desconhecido.   

Mas vejamos esta complexa e ambígua frase que caracteriza o seu discurso: “Os eleitores e militantes não são o propriamente atraídos por um programa; eles foram e são – e, questão decisiva no futuro, devem novamente ser - os produtores de um programa que os atrai. Dito de um modo mais apelativo: no PSD, os simpatizantes e os militantes não veem um programa, eles revêem-se no programa - porque o programa é pela própria elasticidade genética ou constitucional (constitutiva) do partido, de algum modo, um reflexo ou uma refracção da afinidade sociológica da sua composição.”

Tudo isto para dizer que simpatizantes e militantes revêm-se no programa do PSD. Eles não veem um programa, reveem-se nele – diz ele. Fantástico!

Atenção, isto não fica assim, porque vai deambular para a sociologia eleitoral caracterizando a base de apoio do partido afirmando que, ao contrário do que escreveu anteriormente, não se pode “enganosamente” caracterizar o partido “como um partido de classe” (classe média, de feição pequena e médio burguesa ou de pequena e média propriedade rural e de uma boa parte das profissões liberais ou com formação universitária…) e que, se assim fosse, agora recorrendo a Marx, afasta o PSD desse cálice. Nada disso porque, a ser assim, o PSD seria uma instituição encarregada de politicamente zelar e velar por esse agregado de interesses e valores.

Basta olhar para as estatísticas eleitorais ao longo dos anos e para trabalhos estatísticos no âmbito da geografia eleitoral como por exemplo “Comportamento eleitoral e o voto através de indicadores regionais nas eleições de outubro de 2015: Uma análise geográfica do voto” que mostra que é precisamente nas regiões onde esses eleitores, de feição pequena e médio burguesa ou de pequena e média propriedade rural e camponeses de parcos recurso como ele diz, se concentra em maior massa o eleitorado do PSD.

Mas lá vai argumentando Rangel que, “Sem nunca desdenhar da pertinência duma análise social e até da categoria “marxiana” da classe social – análise, em todo o caso, sempre parcelar, relativa e redutora – não é esse o traço que aqui se pretende realçar. Por mais dialética que se reclame, uma análise de classe seria, hoje e irremediavelmente, uma análise estática, conservadora, imobilizadora.”. Essa categoria “marxiana” (neologismo inventado pelo super intelecto ideólogo do partido) não é mais do que um contrassenso.

Rangel vê em Marx o imobilismo? Se assim for, então qual a finalidade ideológica da contínua luta de classes que Marx preconizava senão a de potenciar, através da luta permanente, (do meu ponto de vista, hoje em dia, essa apologia da luta de classes é destrutiva e injustificada da forma como partido mas radicais a propõem), em que uma classe ascende a outra sem olhar a meios para tingir os fins, em direção a uma sociedade sem classes, essa sim conduzindo ao imobilismo? Sem que Rangel se aperceba o imobilismo talvez esteja mesmo no PSD com Passos Coelho na liderança. Mais ainda, esse tal eleitorado do PSD tem-se mostrado ao longo do tempo com uma instabilidade eleitoral conjuntural.

Poderíamos continuar por este caminho, mas o título do artigo de opinião de Paulo Rangel publicado no jornal Público de 12 do corrente diz tudo: “Mobilidade social: um desígnio para o PSD pós-troika (2)” que pode resumir-se, segundo as suas próprias e demagógicas palavras proclamadas no último congresso do PSD, a que “o partido deve fazer da mobilidade social a sua “grande bandeira para os próximos anos” e considerou que está na hora de Portugal deixar de ser “o país dos doutores” e “virar a página na estratificação social e na estrutura elitista e aristocrática da sociedade portuguesa”.

Não tenho a certeza se Rangel, licenciado em Direito pela Universidade Católica, sabe o significado do conceito sociológico de mobilidade social, algo complexo que, lançado para o ar, pode levar à confusão. Mobilidade social entendendo-a como sendo movimento de indivíduos entre diferentes posições sociais. Este mesmo conceito divide-se ainda em mobilidade vertical e mobilidade horizontal. A qual delas se refere Rangel? Será à mobilidade vertical definida como movimento ascendente ou descendente na hierarquia de posição num sistema de estratificação social? Ou refere-se à mobilidade horizontal que é o movimento físico de indivíduos ou grupos entre regiões.

Estranhamente, e se bem percebi, Rangel, com esta frase, mais parece um esquerdista radical da altura do 25 de Abril. Tece uma viragem populista do partido que nos últimos anos ficou virado para si mesmo, que foi, e é elitista, afirma agora que tem que se combater a estratificação social e a estrutura elitista e aristocrática da sociedade portuguesa, e fora com o doutorismo. Paulo Rangel mais parece um revolucionário marxista ressuscitado que defende levar Portugal no sentido da sociedade sem classe. Aonde chega o desplanto!

Afinal, quem és tu PSD?

 

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publicado às 16:09


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