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Novo ciclo neoliberal em marcha no PSD

No PSD atravessa-se um momento conturbado com as eleições diretas para eleger um novo líder

por Manuel_AR, em 26.11.19

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Dentro do PSD atravessa-se um momento conturbado com as eleições diretas para eleger um novo líder. O intuito é tentar afastar da liderança a ala social democrata de Rui Rio que se opõe aos neoliberais e companhia criados por Passos Coelho.

Antes das eleições em que o ato eleitoral fez ascender a primeiro-ministro, Passos Coelho prometeu que melhoraria o nível de vida dos portugueses e mal chegou a São Bento desencadeou uma política de confessado empobrecimento com uma governação neoliberal favorecida e justificada pela presença da troika, apesar de ter declarado alto e bom som que a sua política seria mais radical da que a troika pretendia.

Era a altura em que o PSD se desfigurou num partido neoliberal pela mão daquele “grande timoneiro” que conseguiu o poder num partido que sempre foi do centro direita e social-democrata. Passos capitaneou   o embuste de que a crise tinha resultado de os portugueses viverem acima das suas possibilidades, (que o sistema financeiro estimulou), escondendo que tinha sido o sistema financeiro internacional que, por contágio, tinha provocado a crise em Portugal.

A população portuguesa sofreu, na altura, económica, social e moralmente. Quanto aos donos disto tudo, os DDT como agora lhes chamam, nunca disse uma única palavra de crítica.

De acordo com os órgãos de comunicação e associações várias com o partido de Passos Coelho os que eram pobres ficaram mais pobres, como ele próprio reconheceu. Muitos dos remediados ficaram pobres. A classe média encolheu. Uma minoria ínfima ficou mais rica.

Passados quatro anos começam a surgir por aí uns movimentos opinativos ainda tímidos tendentes a desculpabilizar Passos, quiçá para preparar o seu regresso, numa espécie de encarnação de D. Sebastião que virá para vingar e destruir os “desregramentos” da geringonça.

Para muitos militantes e para muitos mais portugueses, mesmo para os não apoiantes do partido, o anterior líder do PSD parece uma assombração que ainda paira por aí. Houve já que o assemelhasse a uma espécie de D. Sebastião, esperando que ele regresse ou através de outros dos seus seguidores ideológicos. Estão nesta situação dois deles que têm pretensões a controlar o partido.

Estes pretendentes ao “trono” são, como se sabe, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz, ambos herdeiros da linha Passos Coelho ou sua aproximação. Quanto ao primeiro às pretensões políticas pessoais juntam-se as pretensões dos seus “irmãos” da organização a que pertence,  rodeada de secretismo, de ritos e rituais, de regras, simbolismos, hierarquias e compromissos que não estará isenta de possibilidades de atividades de lobby e de interesses com as da associação a que pertence.  

Ambos os candidatos afirmam que querem um PSD do centro direita, mas as suas tendências são da ala neoliberal e pretendem que o partido seja aglutinador das direitas. Para Montenegro os seus aliados naturais são os da direita, não se distanciando sequer do Chega. Para este qualquer um serve aos seus intentos.

Montenegro tem afirmado que vai conseguir uma maioria absoluta para fazer as reformas, (conceito muito vago que nada diz quando não são especificadas), que ainda não se fizeram. Algumas já as conhecemos do tempo da coligação PSD-CDS quando foi líder da bancada do PSD.  Penso que ninguém tem dúvidas sobre estas pessoas, que dizem pretender mudar Portugal, o que pretendem de facto é ascender ao poder movidos por interesses pessoais e de alguns setores privados, partidários e de compadrio, relegando os interesses do país e das pessoas.

Passado o desvairo da campanhas eleitoral, Rui Rio, o atual presidente do PSD e candidato à liderança parece ser o candidato cujo perfil é já bem conhecido quer pela narrativa clara e frontal quando voltou a afirmar que, se ganhar as eleições no partido, estará disponível para acordos “estruturais” em nome do país, mesmo que o critiquem.

A história da última década já nos mostrou aonde nos pode conduzir um povo desinformado e muito recetivo aos rumores e falsas notícias cujo objetivo é o de avivar emoções e obscurecer a razão.

 

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publicado às 17:45

A guerra do trono no PSD

por Manuel_AR, em 11.10.19

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O PSD não é monárquico nem tem trono, mas tem a cadeira do poder partidário como trampolim para outro poder. O lugar de líder é, por isso, muito apetecível quer pelo prestígio pessoal, quer pelo orgulho partidário e ambição pelo outro poder, o que lhe pode conferir o apetecível lugar de primeiro-ministro do país.

Rui Rio é um social democrata convicto cujo pensamento e dinâmica não são compatíveis com neoliberalismos e muito menos com obsessão pelo poder. Os neoliberais que ele varreu e que vinham do tempo do anterior líder Passos Coelho valeram-lhe muitas inimizades e oposições internas.

Essa figura sinistra que é Cavaco Silva, apresenta-se também e agora “Como social-democrata com fortes ligações à história do PSD” e diz ficar entristecido por o PSD ter perdido as eleições.  

O ex-Presidente da República Cavaco Silva manifestou-se “entristecido com o resultado do PSD nas eleições de domingo defendeu que é urgente mobilizar os militantes que se afastaram ou foram afastados, apontando a ex-ministra Maria Luís Albuquerque”. Não o diz, mas é claro que, para ele, a culpa terá sido de Rui Rio. Isto não é reconhecido por Manuela Ferreira Leite que diz que “Rui Rio não deve sair do partido, mas manter-se, até porque "está num sentido ascendente". Na SIC a antiga líder do PSD Manuela Ferreira Leite defende que Rui Rio deve continuar à frente do partido, considerando que este está numa "trajetória ascendente" e que impediu uma maioria absoluta do PS.

O Cavaco Silva pretende é o regresso ao passado neoliberal do partido que de social democracia nada teve.  Apesar de escrever memórias a sua deve ter sido parcialmente apagada, porque se esquece de que o PSD que Rui Rio lutou para liderar vinha já contaminado negativamente por Passos Coelho e pelo próprio Cavaco Silva. Miguel Relvas não falta à festa para enterrar Rui Rio e quer antecipar congresso eletivo. Aqui está ele de novo a desejar um títere que lhe seja propício como o foi Passos Coelho.  

Mesmo sem Rui Rio na liderança não era expectável que o PSD ganhasse as eleições. As lutas pela cadeira do poder no PSD são apenas ambições pessoais e o país ficará em segundo lugar. Não se sabe ainda o que vai acontecer no partido durante as próximas semanas meses, mas a alcateia esfomeada de poder vai assaltá-lo.

Rui Rio passou de uma campanha inicialmente elucidativa para outra casuística e demagógica que em nada a enriqueceu, nada conseguiu a não ser a subida de uma ligeira percentagem de votos. Não há certeza de que qualquer outro que tivesse ligações ao anterior líder e estivesse a liderar o partido conseguisse melhor resultado, nem tão pouco ganhar as eleições. Refiro-me a Luís Montenegro que está a posicionar-se para assumir o poder no partido. Esta circunstância a verificar-se teremos um PSD a fugir do centro direita ao jeito do neoliberal. Isto é, um partido à Passos Coelho versão 2.0 já que Montenegro era, na altura, o líder parlamentar de confiança.  

Assim, as críticas a que estão a sujeitar Rui Rio para justificarem a corrida ao assento do poder no PSD é uma injustiça feita ao seu atual líder que apenas se explicam pela pretensão do regresso à ideologia passado neoliberal e erradicar a social democracia e do centro direita.

O desfasamento entre a bancada parlamentar anterior vinda de Passos Coelho da qual se queixava Rui Rio não pode acontecer novamente. Um novo líder do PSD viria a lamentar-se dos deputados escolhidos por Rio. Para António Costa seria muito favorável que a oposição de direita entrasse em disputa interna.

Rui Rio na noite das eleições, terá alguma razão quando diz que fez subir aos poucos o PSD, embora trazendo para o lugar público uma campanha menos “saudável” devido ao cunho que lhe imprimiu próximo do populismo.  O que Luís Montenegro irá provocar é algo que poderá a prazo desestabilizar o partido que diz querer unir. Não se sabe é como.

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publicado às 23:41

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Alguns dias de silêncio foram-me úteis para acalmar alguns aspetos emotivos gerados pela panóplia oportunista da oposição que politicava com a gravidade dos incêndios que ainda vão dar muito que falar quando se debater o reordenamento florestal com a direita a querer deixar tudo como está com as justificações costumeiras.

O orçamento foi aprovado na generalidade apesar das catástrofes anunciadas pelas bancadas da direita. A oposição de direita tem sido um calhambeque que segue em contramão numa paisagem de desolação argumentativa confrangedora. Acompanham-na comentadores e economistas provenientes da sua área que debitam ou rabiscam opiniões, mais parecendo jericos que olham sempre na mesma direção, e improvisam argumentos com fundamento incipientes, cozinhados ao momento, servidos até à exaustão com um certo cariz de calúnia. Calha, aqui, a citação de Francis Bacon “Calomniez, calomniez, il en restera toujours quelque chose”.

Curioso é que até hoje os líderes e a sua trupe do calhambeque não conseguem fazer melhor do que rebuscar as mesmas críticas querendo passar um apagador pelo seu passado governativo sem apresentarem nada de novo. Mantêm a mesma estratégia do embuste, tão do agrado do por enquanto “amado líder” do PSD que tenta imputar a outros as responsabilidades que lhes coube enquanto foram Governo.

Agora está em jogo a disputa pela liderança do PSD que se arrasta a meio gás. Cada um dos candidatos tenta chamar a si apoiantes e a coisa está feia devido ao estado ideológico em que Passos Coelho deixou o partido abandonando a social democracia para optar por uma orientação mais neoliberal. Ainda hoje o seu discurso é o do regresso ao passado e à perda do poder apesar de ter ganho as eleições com minoria.

No encerramento das jornadas parlamentares o líder do partido avisou os partidos que apoiam o Governo, como não se não o tivesse já feito, que não contam com o seu apoio em caso de uma eventual quebra dentro da 'geringonça' (foi uma das raras vezes que Passo utilizou esta palavra), como há muito não se soubesse.  A esquerda deve ter agradecido o aviso.

Substituiu o aviso do vem aí o diabo pela designação de morte lenta que “é uma coisa que às vezes demora imenso tempo, é penosa e tem custos elevados. Assim são os custos que a 'geringonça' nos está a deixar".

Passos Coelho parece continuar a não ter presente que, mesmo que continuasse, o seu governo estaria condenado a ser derrubado mais mês, menos mês. Ninguém esquece, a não ser os fanáticos da direita, que em 2011 Passos foi rápido na quebra de promessas eleitorais subindo a carga fiscal e levando a metade do subsídio de natal a quem trabalha entre outras “bem feitorias” aos portugueses quando apenas a população que o apoiava parecia dar vivas aos cortes que ele lhes causou nos rendimentos bebendo o seu discurso populista que era para salvar o país.

Prepara-se um novo ciclo para o PSD (será mesmo novo?) com dois candidatos a disputar a liderança.

Santana Lopes ao candidatar-se, mais uma vez, à liderança do PSD pretende recuperar a herança neoliberal que Passos deixou no partido só assim se percebe os elogios que lhe tem tecido justificando até muitas das medidas que foram na altura tomadas. A estratégia santanista é conseguir trazer para o seu lado a “mancha” neoliberal criada por Passos que se mantem viva e que não alinha com Rui Rio nem com a sua tentativa para reavivar a social democracia perdida. No dizer do próprio Santana "O PSD orgulha-se do trabalho de salvação nacional feito pelo Governo de Pedro Passos Coelho. Queremos um partido sem memória?" numa alusão aos sociais-democratas que se demarcaram do anterior executivo. Por outro lado, diz que pretende fazer tudo ao contrário do que fez Passos Coelho. Um partido, qualquer partido, deve ter memória, mas também deve fazer reflexão sobre essas memórias e fazer a autocrítica, digo eu.

Para além das divergências internas sobre a orientação ideológica que o partido deve seguir, há uma estratégia convergente de ataque ao Governo e ao seu apoio parlamentar. Ambos os candidatos fazem uma campanha interna para a liderança do partido e, ao mesmo tempo, e para o exterior, a campanha centra-se na oposição ao Governo potenciando a eventualidade de um deles vira a aceder no futuro ao cargo de primeiro-ministro. Aliás, nem outra coisa seria de esperar. Para disfarçar as divisões internas chamam as atenções para o que está fora.  

Santana Lopes, já sabemos, é um bom ginasta político dando cambalhotas sempre que lhe convém. A sua experiência como primeiro-ministro entre julho de 2004 e março de 2005, XVI Governo Constitucional, foi lamentável e caricata. Estava a deixar o país à deriva. Lembro a caótica confusão na colocação de professores em 2005 quando era ministra da educação Maria do Carmo Seabra.

Foi o auge da promoção de “santanetos” e de “santanetes” deixando pelo meio algumas tristes experiência governativas cujo realismo deixou muito a desejar. Face ao que ele tem afirmado por aí não se augura nada de bom se ele for eleito para líder do partido. Terão sido anticorpos de Rui Rio dentro do partido (talvez os da ala neoliberal de Passos) que moveram apoios a Santana.

Há vozes a criticar o almoço de Marcelo Rebelo de Sousa com Santana Lopes sendo visto como um apoio disfarçado. Talvez seja porque seja mais fácil lidar com ele do que com o assertivo Rui Rio.

Rui Rio parece estar empenhado em retirar ao partido a conotação de direita fazendo-o regressar à social democracia o que parece ser difícil devido à camada neoliberal instalada. De qualquer modo não prevejo que venham a verificar-se grandes mudanças. Contudo, poderá ser através dele o caminho mais viável para fazer oposição ao PS na legislativas de 2019.

A ver vamos como decorrem as diretas em janeiro de 2018.

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publicado às 18:46


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