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Nunomelo_marx.png

Segundo especialistas o trauma psicológico é um tipo de dano que ocorre como resultado de um evento angustiante vivenciado por uma pessoa e é, muitas vezes, resultado de uma quantidade esmagadora de stress que excede a capacidade da pessoa de lidar com um problema.  Alguns são mais duradouros como os devido a alterações bruscas de um modo de vida.

O caso de Nuno Melo pode incluir-se no trauma político causado pelo 25 de abril, tinha oito anos de idade, e a família terá sofrido um grande choque. Mais recentemente, a perda do número de deputados com o péssimo resultado de 4,22% das últimas eleições terá sido também traumática. Não, não estou a dizer que ficar traumático por motivo de stress significa estar louco, nada disso. Não surpreende é que o deputado europeu pelo CDS, Nuno Melo, esteja com stress político e veja conspirações marxistas, comunistas e socialistas na educação e em todo o lado.

A psicanálise talvez pudesse explicar o trauma e o stress de Nuno Melo teve, e que parece ainda ter, com a exibição de uma curtíssima peça, sem importância relevante, sobre a exposição do Mundo Português no tempo do Estado Novo na qual Rui Tavares teceu um breve comentário que serviu para introdução a uma aula da disciplina de história. Será que Nuno Melo agora forja fake news? Parece que sim porque é falso o que escreveu!

Segundo o jornal online Polígrafo “acontece que Rui Tavares não deu qualquer aula no âmbito do projeto #EstudoEmCasa, nem foi “escolhido para a Telescola”. As imagens em que o porta-voz do Livre fala sobre a “expansão do mundo português” não são novas e o conteúdo está disponível desde dezembro de 2018 na RTP Play. Quem o confirmou ao Polígrafo SIC foi o próprio Ministério da Educação: "Rui Tavares não é professor no #EstudoEmCasa. O que ocorreu no passado dia 24 de abril foi a utilização de um recurso pedagógico por parte das duas professoras de História e Geografia de Portugal do 5.º e 6.º anos.”

O problema de Nuno Melo é que a peça utilizada na televisão abrangia ao mesmo tempo dezenas de milhar de alunos, ainda se fosse apenas numa sala de aula restrita ainda vá!

 

 O problema dele, o de Nuno Melo, e de outros políticos do CDS é que Rui Tavares pertence ao Livre um partido da esquerda moderada com representação parlamentar por uma deputada, atualmente carta fora do baralho.

Tudo seria diferente se a intervenção tivesse sido feita por um deles, do CDS. Estaria tudo bem por aí porque esses são os fiéis depositários dos valores da História Pátria e parecem querer vir a ser na atualidade os defensores e conservadores dos valores do Estado Novo e do perdido Império.

Para Nuno Melo todos quantos sejam de esquerda não deviam atrever-se a falar sobre história de Portugal nem fazer interpretações dirigidas a um vasto público porque há o perigo do marxismo poder infiltrar-se na cabeça das crianças ou de quem ouvir. Mais ainda, devia-se abolir dos manuais certos conceitos que desagradam à direita e retirar das bibliotecas todos os livros que contivessem aquela palavra maldita que deveria ser proscrita e, já agora, todos quantos fossem de esquerda e ou marxistas deveriam ser banidos de qualquer intervenção públicas sobre História Pátria e sobretudo na educação onde pretendem dar injeções atrás da orelha.

Melo em vez de lançar para a praça pública intervenções pouco sensatas, como o fez, deveria dedicar-se a ser modelo de um qualquer atelier de roupa masculina tendo em conta a opinião da sua ex-líder Assunção Crista que elogiou os atributos do candidato centrista por altura das eleições europeias, quando, entre sorrisos da assistência, afirmou que o CDS "tem uma cara engraçada", referindo-se ao candidato.

Nuno Melo vê marxismo em todo o lado, ele é nas escolas, ele é na imprensa, ele é nas televisões. O trauma dos 4,22% das últimas eleições persegue-o e os culpados foram os políticos que, não sendo da direita, leia-se CDS, são todos marxistas, e o marxismo anda por aí.

Haja paciência!

 

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publicado às 16:19

A ditadura do professorado

por Manuel_AR, em 12.09.18

Professores e pedestal.png

1. A educação, com a participação de todos os seus agentes e atores, especificamente os professores, é o eixo fundamental para a continuidade dos valores e da cultura de uma sociedade democrática em que a relação professor-aluno, em parceria com as famílias, é geradora de responsabilidades mútuas no desenvolvimento das crianças e jovens.

A escola é corresponsável pela educação global dos alunos desenvolvendo-lhes competências, de participação democrática, responsabilidades coletivas e pela organização de funções pedagógicas e sociais que se projetam na área envolvente, isto é, a comunidade enquanto conjunto dos pais, famílias, encarregados de educação, juntamente com instituições locais e globais ao nível país. É neste meio que a escola executa a sua ação educativa, e a sua imagem projeta-se através dos professores; são eles que lhe dão visibilidade, a valorizam ou descredibilizam.

O modelo de escola democrática não é o conjunto das salas de aula, vai mais longe na sua dimensão, traz à luz novas e inesperadas dimensões e características nas práticas quotidianas do professor. Assim, é importante refletir sobre o paradigma que defende que o professor deve ocupar-se exclusivamente dos conteúdos programáticos deixando o desenvolvimento das competências sociais para momentos isolados da prática letiva e/ ou para outros profissionais, separando-os do conjunto das competências que são parte integrante do processo de desenvolvimento do aluno.

A crescente complexidade da profissão docente não se compadece com a enunciação sindical do papel do professor com o risco da normalização que não se adequa à complexidade das mudanças sociais que se operam.

O professor é confrontado com dificuldades da sua realização profissional e pessoal, condição base para o exercício da profissão e do sentido da sua ação, (preocupação canalizada pelos sindicatos apenas para o nível financeiro por si só mobilizador).

A complementaridade da ação educativa dos professores com outros profissionais da educação (psicólogos educacionais, assistentes sociais educacionais, entre outros) é a chave para a reorientação do papel do professor.

Aqui parece-me poder haver espaço para uma contribuição positiva por parte dos sindicatos que, nas últimas décadas, apenas se preocupam e mobilizam os professores para reivindicações desapropriadas e desajustadas através de movimentos grevistas de diferentes tipos que prejudicam a comunidade educativa no seu todo. 

Considera-se que o sistema de ensino, nomeadamente o ensino básico e secundário, pode constituir-se como um “campo social”, ou seja, um sistema onde se confrontam oposições entre diferentes classes e frações de classe que concorrem entre si e desenvolvem práticas que visam defender ou conquistar lugares na estrutura social operando através de “condutores sociais” de características reivindicativas para materializar a recomposição social desse campo.

A classe dos professores é um campo recetivo a lutas sociais e de reivindicações salariais, regalias, direitos, carreiras e outras de vária ordem de interesse corporativo que oneram o Estado desajustando-se de outros campos sociais do trabalho pela fatia do bolo do Orçamento que pretendem lhes seja distribuído.

Como deixei inicialmente transparecer a profissão professor não pode simplesmente ter por missão transmitir conhecimentos aos discentes e, por isso, é exigível uma formação profissional e avaliações adequados que deva passar apenas pela obtenção de uma licenciatura que lhe confere um posto de trabalho no Estado garantido para toda a vida.

2. Após o 25 de Abril de 1974, nomeadamente nos anos 80 e 90 do século passado, a mobilidade social ascendente intergeracional pelos descendentes de classes sociais e profissionais mais baixas realizou-se pela via da obtenção de um diploma de um curso superior que, aparentemente, fosse fácil e desse rendimento, status e consequente prestígio: ser professor (a) ou educador (a) de infância era passar a fazer parte duma classe média adquirida via profissão e, muitas vezes, complementada pelo casamento. É evidente que a partir desta análise não podemos generalizar.

No antigo regime, não havia a massificação do ensino e à profissão de professor apenas tinham acesso os oriundos das classes superiores. Após os anos 80 e 90 o acesso a esta profissão passou a ter acesso qualquer classe por mecanismos de condições salariais e sociais. Dado o aumento dos níveis de escolaridade e a antecipação de risco de potencial desemprego a estes fatores podemos acrescentar ainda uma potencial apetência pela profissão de professor(a), nomeadamente por parte do sexo feminino que, devido a uma tacanhez cultural socialmente herdada do passado se adequava mais a esta profissão. Não é por acaso que o sexo feminino é quem domina a profissão de docência no ensino básico.

Tudo isto me leva a refletir sobre as autodenominadas lutas dos docentes do básico e secundário do ensino público que se agravaram na altura do ministério de Maria de Lurdes Rodrigues em 2008 quando Mário Nogueira, o líder da Fenprof, iniciou o seu protagonismo contra a avaliação dos professores que aquela ministra queria introduzir. E, como outra coisa não seria de esperar, a classe colocou-se contra a medida. Afinal quem gosta de ser avaliado? Os professores acham que a obtenção dum curso, mesmo que para a docência, estão avaliados por natureza para toda a vida e que a avaliação foi feita na devida altura (argumento ouvido na altura por sindicalistas), como se nada evoluísse. O que estava em causa era a insegurança gerada pela avaliação devido às frágeis competências dos professores em vários domínios. As progressões nas carreiras e os salários têm de ser obtidos por mérito. Os professores não devem, não podem ser um bando de irresponsáveis que apenas olham para o que recebem e, se possível, sem esforço.

Se recordarmos as razões das greves estas têm sido contra os despedimentos (emprego no Estado, quais?), contra o horário de trabalho de 40 horas. Pelo direito ao emprego (reivindicação abstrata e subjetiva). Pela dignificação da aposentação. A estas misturam-se, para dissimular interesses corporativos, a luta pela qualidade do ensino e pelo futuro dos alunos, como se estes dependessem daquelas reivindicações e pela defesa da Escola Pública.  Uma amálgama de reivindicações que se cingem apenas às que aos professores interessam: mais dinheiro, menos trabalho e menos responsabilidades.

3. Os professores têm como missão muito especial a educação de gerações de crianças que é de grande responsabilidade e, mais do que qualquer outra profissão, exige sacrifício e dedicação, coisa que os líderes sindicais esqueceram há muito: estar à frente dos alunos. O seu intuito é terem  sempre à mão massas de professores contestatárias com promessas de aumentos salariais e redução de responsabilidades.

Os professores têm uma responsabilidade acrescida, e a mensagem que devem passar aos alunos não é o da defesa dos seus interesses, mas a da qualidade do serviço público que não é consentânea com boicotes a avaliações e faltas às aulas. Haverá, com certeza, outras formas de luta sem prejuízo dos alunos. Eles não são “patrões” são formandos em aprendizagem, também social.

As crianças em idade escolar para além das matérias reportadas às disciplinas estão também a fazer uma aprendizagem social por modelagem. Assim, quando o observador tem um modelo que, no caso, é o professor trata as pessoas que estão ao seu redor com respeito e consideração, o observador mesmo em situações novas irá apresentar comportamentos idênticos ao do seu modelo, tratando todos com respeito e consideração.

A aprendizagem por observação permite a aquisição de regras, conceitos e estratégias de seleção. Os professores são modelos para as crianças. As crianças ao observarem modelos de comportamento e atitudes inferem as regras de classificação e as generalizam em novos estímulos.

Os alunos avaliam o seu modelo enquanto professor: faltou às aulas para fazer greve; a nossa professora fala, durante as aulas, na defesa dos seus direitos; não tenho avaliação porque o professor faltou porque está em greve às avaliações por mais direitos e salários. E têm o direito de questionar se também podem fazer greve quando a professora falta aos seus compromissos. E o meu pai que faz sacrifícios para me manter na escola e não tem possibilidades de pedir aumento nem restrição de obrigações? O pai comentará lá em casa: é uma imoralidade!

Desta forma a modelação vai gerar um comportamento de respostas apropriadas quando o observador se encontrar em situações de padrões semelhantes. Demonstrou-se que a modelação no ensino de regras pode ser maior que a experiência direta.

4. O que está em causa não é o direito à greve a que os professores devem ter, mas não como quaisquer outros porque o prejuízo cai sempre nos alunos. Estes não são os patrões e não podem servir de meio de pressão. Os alunos não podem ser o meio pelo qual os professores se servem para atingir objetivos de classe e exercer “força” sobre a sua entidade patronal que é o Ministério da Educação.

Uma greve terá de causar prejuízo sem o qual não terá o efeito pretendido, mas no caso dos professores prejudica terceiros que nada tem a ver com a reivindicação. Em vez de se atingir a entidade com quem o sindicato está em luta atinge ainda mais os que se encontram à margem da greve, como é o caso dos alunos e das famílias, cujos elementos são trabalhadores e que também são os prejudicados.

A próxima greve está prevista para os dias 1 a 4 de outubro. Nada mais conveniente, já que o dia 5 é feriado e coincide com uma sexta feira. Uma semana inteira sem aulas sendo-lhes descontados apenas 4 dias devido à greve. Mas salve-se a situação nesse dia há manifestações! Para a maioria dos alunos, nesta fase inicial do ano letivo a falta dos professores às aulas pode ser uma festa, o mesmo não o será para as famílias que terão de arranjar soluções para que os seus filhos não fiquem á “solta” fora das escolas, com os consequentes prejuízos nos locais onde trabalham e onde terão de pedir dispensas.

O que os professores pretendem no que se refere à contabilização dos tempos de serviço é uma medida que, pelas contas do Ministério das Finanças - contestadas pelos sindicatos - implicaria um aumento de 31% na massa salarial dos docentes até 2023, ano em que os custos com os vencimentos seriam superiores em 635 milhões de euros aos atuais. O sindicato diz fazer outras contas, mas o que sabem eles sobre as finanças públicas no seu todo?  Terão eles a noção do impacto financeiro na despesa pública do eventual reposicionamento dos professores do tempo que lhe foi retirado por anteriores governos, mas que até agora mantiveram em silêncio absoluto? Ainda não fez quatro anos que estivemos sobre pressão duma troika imposta e colaboracionista com os neoliberais do PSD e CDS e, por isso, ainda não estamos a fim de libertar recursos financeiros sem controle.

5. O último número junho/julho da revista do SGPL - Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, Escola Informação, apresenta um extenso dossier sobre a greve às avaliações. Os artigos são uma espécie de panfletários de inspiração leninista aplicados à atualidade. Esta gente parece não entender o problema que existe em Portugal saído de uma grave crise financeira da qual está ainda longe de ser debelada. Os professores parece não quererem entender que ainda há uma larga maioria de portugueses que vive em situação difícil e que, indiretamente, estão a prejudicá-los com as suas reivindicações.

Os sindicatos e a Fenprof não ajudam com a procura dum remédio. Querem a cirurgia mesmo que ela possa vir, a prazo, causar a morte do paciente. Para a Fenprof e para Mário Nogueira tudo se resume à questão de poderem vir a gritar vitória aos quatro ventos.

A Fenprof faz comunicados tentando responsabilizar os partidos através de avisos ao exemplo de ultimato alertando que os professores estão atentos à postura que os partidos vierem a assumir no futuro próximo. Escreve-se no comunicado: “será com expetativa que, agora, os olhos dos professores se dirigirão para os partidos políticos, tanto os que negociaram e votaram o orçamento do Estado do ano em curso, como os que, não o tendo feito, têm assumido posições que reconhecem as razões da reivindicação dos professores." Isto é, vejam lá que as eleições estão á porta e nós somos muitos a votar.

Talvez os professores votem todos á direita para que ela lhes resolva o problema umbilical.

6. Já é bem conhecida a política do fartar vilanagem de partidos como o PCP e o BE quando se trata de distribuir dinheiro, com o pretexto da defesa dos trabalhadores. É a política do tudo pode ser dado e tudo é possível. Sabem que nunca terão responsabilidades governativas e, como tal, sacodem os pingos da chuva do capote quando calha. Todavia, no que se refere a este caso, parece haver por parte daqueles partidos alguma lucidez. Resta-nos esperar que sim.   

7. Não era necessário o estudo da OCDE para sabermos que os professores, são das profissões mais bem pagas e valorizadas face à riqueza do país.  Os salários dos docentes portugueses estão abaixo dos colegas estrangeiros, mais ricos e cujo nível de vida é bastante superior, mas acima dos outros trabalhadores nacionais com cursos superiores. Bem podem os sindicatos e Mário Nogueira fazer ginástica com os números, rebuscando aqui e ali aquele dado que está fora por baralho que são exceções que já não convencem ninguém.

As vozes de professores ululantes, atiçadas pelo seu líder Mário Nogueira, far-se-ão ouvir sem a tomada de consciência dos prejuízos causados que, com intransigência, querem ver satisfeita com avidez.

O que Mário Nogueira está a ver colocado em causa não são os direitos dos professores, mas ele próprio e a sua credibilidade. Daí a insistência no que ele sabe ser impossível de obter pelo menos no seu todo. Como já referi ele gostaria de cantar vitória porque isso iria colocá-lo-ia num pedestal esquecendo-se de que há outros milhares de trabalhadores, aposentados e reformados que aguentam em silêncio as mais variadas injustiças. Para os sindicalistas da Fenprof e para Mário Nogueira quando lhes convém o Estado somos nós (frase de Lenine), noutras circunstâncias o Estado é o patrão explorador. 

 

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publicado às 19:00

Professores em luta por mais dinheiro2.png

Professores que eventualmente leiam as minhas opiniões estarão em desacordo, mas dizer apenas o politicamente correto não tem cabimento, e a opinião umbilical nem sempre é a mais sensata.

As palavras de ordem do grande líder e educador do professorado do ensino público são sempre as mesmas, arrepio solidário, força da luta, respeito, justiça, etc. À volta destas lança também outras, sempre as mesmas, como gestão democrática, autonomias, estabilidade, etc.

As manifestações dos professores, tendo em conta o que Mário Nogueira demagogicamente pretende, são a reivindicar mais direito, mais regalias, menos trabalho, mais promoções, enfim, tudo traduzido em mais dinheiro com menos trabalho, menos horários, menos deveres, tudo, tendo em vista apenas e só os professores, o ensino e o direito dos alunos em aprender são de somenos importância para os docentes permanentemente reivindicativos.

A FENPROF que se transformou numa corporação de Mário Nogueira bloqueia tudo quanto seja a avaliação dos professores e, claro está porque o apoiam porque muitos reconhecem implicitamente as suas fragilidades enquanto professores e qualquer avaliação não interessa.

O desprestígio dos professores causado pelo divisionismo entre encarregados de educação e professores foi iniciado por Maria de Lurdes Rodrigues, ministra de educação do governo de José Sócrates que deu a Mário Nogueira a oportunidade reivindicativa anti avaliação de professores que na altura agarrou, e bem. Para manter o aquecimento reivindicativo despontou numa outra perspetiva: aproveitar tudo o que for possível para manter ininterruptamente aceso o extremismo das lutas reivindicativas da FENPROFE.

Fala da dignidade dos professores que lhes está a ser retirada, mas, se tal for o caso, ao líder sindical o deve. O pulsar de opiniões públicas sobre as ditas lutas dos professores está á vista e há um responsável por isso. É a sua prova de vida.

O pugnar pela estabilidade, dignificação e valorização dos professores tem diferente interpretação para sindicatos e ministério.  Se o Ministério da Educação não prima pela seleção probatória nas admissões e na avaliação formativa e de desempenho, o sindicato, por seu lado, centra-se apenas em mais direitos, menos deveres, menos trabalho e, sobretudo, na obtenção de mais dinheiro e por uma utópica igualdade com progressão automática por tempo de serviço, sejam bons ou maus professores.

Diz João Miguel Tavares, e mais uma vez tenho que “engolir sapos vivos” e concordar com ele, que “Anda por aí uma gritaria doida sobre se o Estado tem ou não capacidade para contar dez anos de carreira dos professores — mas a reivindicação só é um problema porque esses dez anos de senioridade docente custam muitas centenas de milhões de euros aos cofres do Estado em promoções automáticas. Ora, mais uma vez, não vejo debater aquilo que realmente importa: interessa-me pouco saber se os anos de serviço devem ou não ser contados; importa-me muito saber se faz algum sentido que o tempo a exercer uma profissão se traduza em aumentos automáticos de vencimento, quer o trabalhador se tenha comportado de forma exemplar, quer tenha sido uma lástima”.

Outras opiniões defendem, ajuizando em causa própria, que “estudos internacionais indicam que os professores portugueses são dos mais mal pagos em início de carreira e só no topo estão ao nível dos restantes países ou um pouco acima”. Há que relativizar, pois este tipo de comparação é falacioso e apresenta uma visão enviesada do tema.

Esses países que o autor não refere quais, têm uma economia e um nível de vida muito superior ao nosso que lhes permite ter remunerações mais elevadas. Se em Portugal os professores no topo da carreira estão ao nível deles algo está errado e, então, estão demasiado bem pagos face à nossa riqueza. Deixem-se de demagogias e de querer o sol e a lua ao mesmo tempo. Os recursos financeiros são escassos e há falta em muitos outros setores da população e dos serviços públicos, nomeadamente na educação e não só ao nível remuneratório.  

A Educação deve ser, para o Governo, uma área de investimento, mas investir na educação e na sua qualidade não é lançar mais dinheiro nos bolsos nos professores, sejam eles bons ou maus, sejam competentes ou não, como pretende Mário Nogueira. O desinvestimento que diz existir na educação é apenas e só, porque acha que se deve apenas embolsar os professores “tout court”. Os alunos que se lixem…

Desinvestir na educação é dar indiscriminadamente mais dinheiro aos docentes?

Olhe que não dr. Mário Nogueira… olhe que não!

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publicado às 18:58

Professores e polémicas.png

 A colocação de professores, tanto quanto me recordo, ao longo dos anos de democracia, esteve sempre sujeito a concurso e os professores provisórios, em concurso anual, selecionavam as escolas mais próximas possível das suas residências e as que mais lhe convinham em função dos critérios definidos.

Parangonas (do jornal Público) dizem agora que professores vão ter de mudar de escola outra vez, como se tal não fosse habitual. Diz o mesmo jornal que "esquerda e direita uniram-se, no Parlamento, para obrigar o Governo a abrir um novo concurso destinado a todos os professores do quadro. A Secretária de Estado alerta que vão ser postas em causa mais de 13.000 colocações".

Parece-me que o objetivo é criar entropias para que tudo corra mal na colocação de professores do próximo ano letivo. Para uns, é motivo para greves, contestações e manifestações lideradas pelo manipulador mor dos professores, o dr. Mário Nogueira. Para outros, a direita, é motivo para explorar o descontentamentos e, através disso, mobilizar professores para oposição ao Governo.

Tendo em conta a educação e os atores mais em evidência no processo educativo que devem ser os alunos, os professores devem deixar a observação do seu umbigo e centrarem-se mais sobre o tema da contextualização e da fundamentação sobre uma nova educação que mais tarde ou mais cedo virá a impor-se. Essa é a reivindicação!

 Manuel A Rodrigues

Março 2013

Educação e professores: contextualização e fundamentação

 - Poderia dizer-me, por favor, qual o caminho para eu sair daqui?

- Oh, mas isso depende muito, minha cara menina, do lugar para onde você quer ir...

- Não me importa muito para onde.

- Neste caso, não importa muito por onde você vá...

Lewis Carrell

Alice nos País das Maravilhas

 

Uma das principais características das sociedades contemporâneas é a rápida velocidade da mudança, donde a necessidade de lidar proactivamente com a mudança ao longo da vida que é marcada pela informação que tem de ser gerida, selecionada e transformada em conhecimento, pelo que se impõe uma mudança de paradigma educacional (Fullan, 1993).

Deste modo os professores precisam de ter clareza sobre o caminho educativo por onde querem ir. Isto significa que é preciso que, cada educador, se indague sobre o tipo de pessoa que pretende ser e sobre o tipo de sociedade que deseja ajudar a construir.

Numa sociedade, em processo de mudança acelerado, cada dia mais voltada para a tecnologia, é preciso refletir sobre se querem ajudar a construir sujeitos ativos, transformadores ou meros sujeitos passivos, recetores de conhecimentos.

A Sociedade da Informação exige novos conhecimentos, novas competências e novas práticas o que se reflecte numa necessidade de formação e aprendizagem permanentes que não se adequam em termos de tempo espaço com os atuais modelos praticados ainda na maior parte das escolas. A abertura à receptividade e à mudança inicia-se nas escolas e nas universidades, para que seja dada resposta à necessidade de professores mais flexíveis e dinâmicos.

É função inerente  dos professores contribuírem para a melhoria dos processos de ensino-aprendizagem, e o seu alargamento a grupos populacionais afastados geograficamente das Escolas e Universidades, pelo que existe a necessidade de desenvolvimento de conteúdos educacionais específicos para este tipo de ensino em quem as redes sociais podem ser um instrumento de comunicação  que  assumem um papel fundamental.

Por outro lado, os professores devem centrar-se eles próprios na importância da necessidade de educação/formação ao longo da vida decorrente da constante produção de novos conhecimentos, dinâmica que professores e escolas devem estar conscientes pela necessidade que se impõe no ensino e na aprendizagem.

Harasim, et al (1995) refere algumas investigações efetuadas em vários países desde a década de oitenta, que tiveram como base a utilização do correio electrónico, com crianças do ensino básico que se corresponderam com crianças do mesmo ou de outros países. Outras investigações pretenderam saber até que ponto a escrita dirigida para audiências reais através da socialização virtual poderia, ou não, melhorar a escrita, tendo concluído com resultados positivos.

Desde então as aulas em rede têm florescido, tirando vantagens das novas comunicações em rede para incluir discussões, projectos, pesquisa em actividades científicas, ambientais, sociais, políticos e económicos, etc..

Os professores precisam, então, ter um norte, um horizonte que os oriente. Quando o professor tem clareza sobre onde quer chegar, encontrará teorias que o ajudem a descobrir o melhor caminho para lá chegar. Se o horizonte da escola é a busca da construção da cidadania, serão procuradas respostas sobre o caminho a seguir com os alunos e espaços da construção de conhecimentos de forma autónoma e solidária.
Técnicas e métodos significam muito pouco se não se tem um horizonte em vista.
Cada professor terá de saber onde quer chegar. Sabendo o ponto de chegada fica mais fácil traçar o roteiro da viagem com os alunos.

Até há pouco tempo os currículos organizavam-se de forma disciplinar. Disciplinas estanques, sem integração entre si, eram discutidas com os alunos, através de conteúdos isolados, com finalidade em si próprios.

Atualmente, cada vez mais, os professores têm a oportunidade de poder articular entre si os conhecimentos das várias disciplinas, com maior razão quando se trata da formação de professores para o 1º Ciclo do Ensino Básico que irão exercer a sua actividade em regime de monodocência. Os professores devem repercutir na sua atuação devem evitar sempre tal for possível, discutir conhecimentos desvinculados da vida e fragmentados entre si.

A realização de práticas interdisciplinares depende de factores como sejam a humildade, a comunicação, espírito crítico, criatividade, compromisso e trabalho em equipa, que são pouco comuns nos espaços educativos das escolas sejam organizados segundo princípios de segmentação temporal, espacial e programática.

Os conteúdos das disciplinas tendo como eixo os princípios educativos e núcleos conceptuais, deveriam interpenetrar-se num todo harmónico e pleno de significado para os alunos, pelo que a interdisciplinaridade poderá ser uma via para atingir estes objectivos. A interdisciplinaridade exige uma mudança radical e uma flexibilidade para aceitar a inovação o que gera um confronto com as estruturas montadas, com a acomodação, com os dogmatismos e preconceitos ideológicos.

Não existindo aquela “ruptura” continuará a existir uma instituição cujo espaço e o tempo não coincidem com o espaço-tempo da cultura atual, que tenderá a manter-se anquilosada pelos discursos ideológicos conservadores da direita e da esquerda para se manter o status quo que lhes mantenha o poder de mobilização reivindicativa dos professores destituídos do interesse dos alunos

A vida moderna caminha cada rapidamente para a eliminação de fronteiras nos campos económico, político e cultural. O desenvolvimento das telecomunicações e das redes sociais e outros novos media vieram atenuar os limites geográficos. As ciências, progressivamente integram conhecimentos de várias áreas. A medicina, por exemplo, já incorporou ao seu campo de actuação princípios da moderna física, avançando na medicina nuclear. A agricultura tem beneficiado da engenharia genética. O mesmo deve acontecer em educação. Assim sendo, um professor de Geografia, por exemplo, não se pode isolar, nos limites de sua disciplina, sob pena de continuar a lidar com o saber de maneira fragmentada e desarticulada.

Não basta que alunos e professores, sejam capazes de realizar apenas procedimentos elementares nas suas aprendizagens, mas que desenvolvam também competências de aprendizagens transdisciplinares com um tempo significativo de prática sem afastamento das competências e objetivos curriculares venha a garantir aos alunos a transferência das aprendizagens e autonomia.

A perspetiva interdisciplinar visa preparar/formar alunos para novos ambientes de aprendizagem cuja vantagem se insere numa auto-formação ao longo da vida.

Experiências anteriores em redes de aprendizagem demonstraram que podem ser obtidos benefícios significativos na educação.  A qualidade das interações pode ser aperfeiçoada e melhorada, pois que, a interação, através de redes, ajuda a quebrar as barreiras e inibições da comunicação que limita a troca aberta de ideias nas salas de aula tradicionais (Eisenberg e Ely, 1993).

Os professores que participam em comunidades profissionais de aprendizagem envolvem-se em reflexões e debates acerca do impacto que as tecnologias têm nas suas práticas e nos seus alunos (Shapiro eLevine, 1999). As ferramentas de cooperação “online” utilizadas em comunidades de aprendizagem e desenvolvimento profissional   podem ser usadas para o diálogo e para produção de produtos pelos professores para análise e discussão e avaliação entre os diferentes elementos do grupo. Daqui a lógica, que tem em conta o desenvolvimento dos professores para adquirirem competências no domínio do ensino on-line para que o possam utilizar para si ao longo da vida preparando também os seus alunos com a fluência necessária nestes domínios.

 A internet proporciona um nível motivacional muito elevado para professores e alunos que interagem com o computador com entusiasmo, o que falta normalmente nas aulas mais convencionais, estimulando ao mesmo tempo a partilha de ideias com outros colegas quer professores quer alunos.

A decisão para a adopção educacional de redes fundamenta-se segundo Kaye (1991) em desenvolver oportunidade para estabelecer interacções sociais como os seus parceiros.

Já em 1993 Harasim e Yung, num levantamento efetuado na Internet entre 240 professores e alunos, 70% mudaram a forma como eles viam a educação. Em 176 respostas à questão sobre o que é diferente na comunicação mediada por computador é diferente das aulas tradicionais 90% foram respostas positivas e notavam que:

  • O papel do professor mudava para o de facilitador e orientador;
  • Os alunos eram mais activos e participativos e as discussões eram mais detalhadas e profundas;
  • Os alunos tornavam-se mais independentes;
  • O acesso ao professor torna-se mais directo e como pessoa idêntica;
  • A aprendizagem torna-se mais centrada no aluno, e ao seu próprio ritmo;
  • A oportunidade de aprendizagem para todos torna-se mais equitativa e as interacções entre o grupo aumentam significativamente;
  • O ensino-aprendizagem é colaborativo;
  • Há mais tempo para refletir ideias e explorá-las;
  • A hierarquia professor-aluno é quebrada e os professores aprendiam e os alunos ensinavam.

As interacções on-line partilham muitas das características com o modelo da educação presencial, como sejam a entrada de ideias discussões de turma, debates, e outras formas de conhecimento através da troca de ideias. O conteúdo do currículo pode ser organizado por tópicos sequencial e atempadamente, e os alunos podem trabalhar em pequenos ou grandes grupos e individualmente. Desta forma os ambientes on-line facilitam o resultado da aprendizagem sendo iguais ou superiores aos gerados em situações presenciais. (Hiltz, 1994; Wells, 1990)

 

Bibliografia

Eisenberg, M. B.; Ely, D. P.

1993, Plugging into the Net. ERIC Review 2(3), 2-10

http://www.kidsource.com/kidsource/content2/ how_can_computer_network.html

Harasim, L.; Yungt, B.

1993, Teaching ans Learning on the Internet. Department of Communication, Simon Fraser University, Canadá

Hiltz, S. R.

1994, The Virtual Classroom: Learning without Limits via Computer Network. Human-Computer Interactions Series, Norwood, Ablex Publishing Corporation

Wells, R. A.

1990, Distributed Training for the Reserve Component: Remote Delivery Using Asynchronous Computer Conferencing, Idaho National Engineering Laboratory.

Shapiro, N. S.; Levine, H. J.

1999, Creating Learning Communities: A practical guided to winning support, organizing for change, and implementing programs. Josey-Bass Publishers, Inc, Sam Francisco

Fullan, Michael

193, Changes Forces, The Fal~mer Press, London

Gaspar, Maria Ivone

2001, Ensino a Distância e Ensino Aberto – Paradigmas e Perspectivas, Perspectivas em Educação, Nº especial, Junho 2001, U.Aberta

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publicado às 17:18

Feliz Ano Novo sem vir o diabo

por Manuel_AR, em 30.12.16

FelizAnoNovo.pngQuando leio algumas notícias que provêm de declarações do PSD não consigo deixar de sorrir e, até rio com vontade se estou em presença de pessoas conhecidas. Desta vez foi aquela do PSD pressionar o Governo para alargar o pré-escolar.

A exigência para o Governo avançar já em 2017-18, com a generalização da oferta da frequência do pré-escolar aos 3 anos de idade consta de um projeto entregue na Assembleia da República no qual o PSD acusa o executivo de António Costa de não se comprometer com qualquer data concreta para a promessa e acusam-no de propaganda. Aqui eu diria olha quem fala?

Rir, e depois sentir um sentimento de pena para com o PSD, lamentando a tristeza da política que por lá deve andar. Perguntam então os leitores deste “post”, porquê? A resposta é simples.

O alargamento do pré-escolar é uma proposta que consta do programa do PS que António Costa divulgou que é para ser implementado durante a legislatura e que, recordo, vai agora entrar apenas no segundo ano.

Agora o PSD apanha a boleia para a sua azáfama de propaganda e mostra que está muito interessado na educação pré-escolar, como se este projeto pudesse ser implementado em cima do joelho e posto em prática em meia dúzia de meses. Aliás, projetos elaborados em cima do joelho foi o que mais tivemos durante o governo do PSD-CDS. Nada se ouviu nem viu sobre a alargamento do pré-escolar durante os quase cinco anos que estiveram no governo, mas é agora que estão muito interessados na rapidez. Portam-se, como disse em “post” anterior como garimpeiros que, em vez de algo valioso, carregam para o saco umas pedrazinhas que cujo valor nem dão para o esfoço.

Apenas me resta desejar-lhes um Bom Ano Novo gasto à procura do diabo.

 

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publicado às 20:17

Escola do passado.pngTodos os professores, sejam do ensino público, sejam do privado, merecem o melhor respeito. Trabalham em condições de pressão psicológica impercetível à maioria das pessoas. Nos que trabalham nos colégios privados as pressões são acrescidas, não apenas pelas inerentes à sua profissão mas, também, pelas que as direções exercem obrigando-os a esforços suplementares e a submissão de vontades levando-os a tomar atitudes por vezes contrárias aos seus próprios princípios éticos e pedagógicos. Não pretendo com isto generalizar porque as generalizações e as extensões arbitrárias de valores são sempre arriscadas. Contudo, esta reflexão, conduziu-me a um regresso ao passado recorrendo à memória dum caso verídico e paradigmático de pressão exercida sobre professores.

Nos longínquos anos setenta, na chamada linha do Estoril, existia um colégio de meninas, onde as professoras eram consecutivamente desautorizadas. Um dia, uma jovem licenciada a que vou chamar M., foi admitida como professora para substituir uma outra que, temporariamente, se encontrava ausente por certo motivo.

O colégio era frequentado por meninas da sociedade mas, para que nada desse nas vistas admitiam também outras, muito poucas, de condição social baixa.

A diretora, que vou passar a designar pelo nome de L., era uma ex-professora do então chamado ensino primário, já com alguma idade, empedernida, submissa ao antigo regime de Salazar cuja continuidade de Marcelo Caetano acalentou mas com algum desânimo.

Coisa não rara na altura, a diretora mandava as empregadas a que chamava contínuas, nome porque eram conhecidas, escutar às portas das aulas para saber se, o que as professoras diziam nas aulas não saía fora dos cânones estabelecidos e, assim, travar qualquer resquício que, segundo ela, pudesse ser ensinado de forma subversiva.

Certo dia, na altura da saída das notas L. mandou chamar a professora M., a que, frente às outras professoras temerosas e submissas, com intuito humilhante, chamava de rapariguinha.

Chegada ao gabinete M. perguntou o que se passava. L., com semblante carregado e ameaçador inquiriu M. sobre a nota que tinha atribuído a C., uma menina de boas famílias, como ela dizia, nota com que não concordava e que, por isso, tinha que a subir. A menina tinha tido nove. Nove mal merecido, diga-se, porque, mesmo assim, tinha sido puxado para cima.

M., perplexa, justificou a razão de tal nota e recusou subi-la. Todavia, havia uma aluna, por entre as mais pobrezinhas, admitidas para mostrar que não havia segregação social, e a quem também tinha sido dada uma nota negativa e quem a professora M. propôs, nesse caso, fosse também levantada porque ambas se encntravam no mesmo patamar em termos de avaliação. Não valia a pena aumentar a nota a essa porque não merecia e que a essa não fazia difere disse a diretora. O diálogo com a diretora terminou aqui e a professora recusou-se a subir a nota.

Passados poucos dias, após a publicação das pautas, a professora M. deu-se ao trabalho de ir ver as notas da sua turma. Qual não foi o seu espanto quando viu que a menina C. apresentava na pauta a nota onze na sua disciplina. Nesse mesmo instante dirigiu-se à secretaria da escola. Lá chegada, perguntou se não teria havido engano na passagem da nota da aluna C. para a pauta. Muitas reticências, desconhecimento mal disfarçado, dúvidas, meias palavras esclarecedoras. Afinal, a diretora tinha dando ordem na secretaria para alterar a nota à menina C.

Moral da história? Cada qual tire a que quiser…

O que se passará hoje em dia em muitos colégios privados com ou sem com contratos de associação que se auto vangloriam duma dita qualidade? Não sei. Não quero fazer juízos de intenção.

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publicado às 20:01

Bebe_Chupeta.pngMamã, eu quero, mamã, eu quero

Mamã, eu quero mamar
Dá a chupeta, dá a chupeta
Dá a chupeta pro bebé não chorar

Primeiros versos da marcha

composta por Jararaca  e V. Paiva que foi  interpretada por Carmen Miranda

A polémica sobre os contratos de associação com o setor privado da educação deve servir para uma reflexão sobre a forma como o Estado gere os recursos financeiros provenientes dos nossos impostos e de cortes sociais de acordo com o que são as suas obrigações constitucionais, políticas e sociais.

Defendo a iniciativa privada como motor de desenvolvimento e de criação de riqueza e trabalho e, consequentemente, defendo incondicionalmente a iniciativa privada no âmbito da educação, seja ela de cariz religioso ou laico, que possibilita às famílias que quiserem e puderem a liberdade de escolha duma instituição de ensino e dum projeto educativo para os seus filhos e educandos. Eu próprio quando aluno frequentei sempre o ensino privado e, posteriormente, também, já como professor do ensino superior. Todavia, também defendo o ensino público e universal de qualidade que já o temos de facto. Basta conhecer os meandros das matrículas nas escolas públicas para sabermos que há famílias, mesmo com posses, que se esforçam para conseguirem matricular os seus educandos em escolas públicas, chegando a fornecer moradas de residência que não correspondem às suas áreas de residência a fim de poderem colocarem seus filhos e educandos em escolas públicas de qualidade.

As escolas privadas são um complemento indispensável ao ensino público, mas sendo uma forma de iniciativa privada na educação, e quando tanto se fala no mercado da livre elas devem ser concorrenciais entre si inclusivamente com as de oferta pública.

Não faz sentido que, em regime de iniciativa privada, seja a educação a ser privilegiada com subsídios quando existem ofertas públicas de proximidade e até privadas em regime de concorrência. O ensino privado é um mercado e tem os seus nichos e, foi por isso, que houve investidores que tomaram a iniciativa de abrir escolas e colégios que mesmo sem subsídios são rentáveis. Devem assim funcionar como qualquer setor de atividade. Se assim não for, o Estado estará, de forma encapotada, a proceder como numa economia centralizada como existia e ainda existe em alguns países ditos socialistas. Isto é, o ensino privado seria apenas de nome, e não de facto, por estar sujeito e dependente de subsídios estatais que a direita sempre combateu noutros setores e ainda bem. Acabar-se-ia assim com o ensino público passando o Estado a pagar a privados para fornecer o serviço público de educação onde apenas entrariam, após seleção, alguns alunos, ficando outros distribuídas por escolas públicas que acabariam por ficar cada vez mais degradadas destinadas apenas a desvalidos da sociedade.

Parcerias público privadas na educação, não obrigado!

Como já disse no último “post”, e é por demais sabido, os contratos de associação foram criados para garantir que nenhum aluno ficasse impedido de frequentar a escola, por não haver oferta na rede pública de estabelecimentos de ensino, prevendo-se, para esses casos, o financiamento da frequência em colégios privados.

Já perto do fim do seu mandato, o ex-ministro da Educação do Governo PSD/CDS-PP, Nuno Crato, numa tentativa de destruição lenta, mas progressiva, do ensino público para estimular o ensino privado alterou o modelo de financiamento para os colégios com contratos de associação com o Estado passando a ser plurianuais, com uma vigência de três anos.

A tentativa para destruir a escola pública era já evidente, em novembro de 2013 com Nuno Crato à frente d o Ministério da Educação, quando entrou em vigor o novo Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo que passou a flexibilizar as regras para este tipo de acordos que deixavam de estar ou não dependentes da oferta pública existente na mesma região, por exemplo. As intenções foram mais do que evidentes: destruir e desvalorizar o ensino público. Este estrangulamento era feito através do corte de verbas nas instituições públicas de educação, assim como de dinheiros públicos obtidos através do corte de salários, de apoios sociais, de pensões e também os provenientes do aumento de impostos. Parte destas valores eram  depois transferidos, através de modelos de financiamento sob a forma de contratos de associação e de subsídios, para algumas escolas e colégios do setor privado da educação que de deveriam reger de acordo com o mercado concorrencial da educação.

É por demais que evidente que muitos destes colégios, propriedade da igreja, venham a público, pela voz dos bispos, meter a sua colherada defendendo privilégios misturam mais uma vez a religião com a política (neste caso política educativa) porque é disso que se trata. Ao incitar famílias e alunos, através da manipulação, a maior parte deles desinformados nesta área, a uma levantamento mesmo que pacífico, está a defender apenas os seus interesses egoístas e não o das famílias e alunos.

Vamos ver se nos entendemos, o que este Governo pretende não é anular os contratos, mas manter a sua continuidade até os alunos que estão por ele abrangidos continuem a usufruir deste estatuto até completarem os seus estudos no básico segundo, terceiro ciclos e secundário que irão progressivamente caducando. Aliás, nada disto é novo, a 12 de janeiro deste ano o Ministério da Educação assegurava que “os compromissos assumidos pelo anterior Governo são para manter” e que “o financiamento do Estado aos colégios está garantido por mais dois anos”.

A frivolidade com que Passos Coelho faz comentários sobre esta matéria assume as raias de tristeza intelectual. Passos é uma espécie de alma penada da política que vagueia por aí fazendo uma oposição que envergonha. Sente-se em permanente campanha eleitoral não se apercebendo que, entretanto, muita coisa mudou e responsabiliza o Governo do que ele próprio deveria ser responsabilizado.

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publicado às 19:49

A campanha das causas da violência

por Manuel_AR, em 09.06.15

Violência.png

 

Em plena campanha de captação de votos Passos Coelho e Paulo Portas, os dois evangelistas da coligação PAF, dizem cá para fora uma coisa, mas lá bem no fundo os seus “corações” pensam outra. Isto é, falam para os potenciais eleitores que, para eles, não passam de números expressos em votos, as pessoas enquanto tal não são o motivo das suas preocupações.

Durante estes quatro anos o discurso de Passo Coelho e a estratégia comunicacional do seu Governo não foi o de mobilizar a sociedade para um projeto conjunto, mas antes o de criar clivagens dividindo-a com objetivos bem definidos: dividir para poder governar sem contestação a fim de conseguir os seus intentos. Foi o setor público contra o privado, os jovens contra os idosos, os que não têm trabalho contra os que o têm, trabalhadores precários contra os trabalhadores a contrato, pensionistas contra pensionistas, professores contra professores, etc.. Não foi só ele, também elementos do seu Governo, como Miguel Relvas, o disseram. Escusa de desmentir e desafiar para que o provem porque é coisa muito fácil de fazer sem muito esforço.

Parece que aquele discurso tem dado os seus frutos. A desmobilização de contestações, a falta de interesse de discutir direitos e deveres, a indiferença perante tudo o que seja política, o comodismo, o conformismo, o desinteresse da sociedade por tudo o que seja política, o cultivo do individualismo feroz e a competitividade por um posto de trabalho mal pago.

Não é por acaso que a violência em Portugal tem-se agravado e, nos últimos anos, tem verificado um aumento significativo dos números. Há vários fatores explicativos. Os alinhados com a atual política do governo desvalorizam estes números e afirmam que sempre houve violência mas que não lhe era dada visibilidade. Estas almas que tal afirmam pretendem tapar o sol com a peneira. A tal visibilidade dada pelos órgãos de comunicação social só é dado porque o fenómeno está em expansão e, por isso, não passa despercebida.

Sendo um fenómeno multifatorial pode por isso ter várias explicações. Algumas são devidas à mediatização dos casos, outras à variável socioeconómica, mas a forma como o Governo tem resolvido a crise tem ajudado a agravar a ansiedade e a desesperança que são contributos para a violência.

A perda do poder real de compra, a falta de recursos para cuidar da saúde, agravamento e as dificuldades criadas ao Serviço Nacional de Saúde, a forma como as pessoas fazem a leitura da impunidade para alguns e a severidade injustificada da justiça para outros, a perda de emprego, impossibilidade de cumprir compromissos por motivos não imputáveis aos próprios, privações económicas e familiares, entre outros, podem ter influência nos comportamentos individuais de violência familiar e social manifestada aos seu vários níveis. Há cada vez mais agressividade no dia-a-dia.

O fenómeno da violência para de associado aos fatores atrás referidos, a crise em si mesma gerou medidas imprevisíveis e draconianas num curtíssimo espaço de tempo, e o discurso político e as mensagens passadas pelo Governo têm dado sem dúvida o seu contributo, e muito.

A violência doméstica também subiu em flecha. Ela é uma das causas da degradação social provocada pela violência das medidas cegas tomadas por um Governo que vê apenas nos números da macroeconomia o seu único objetivo colocando as pessoas ao nível de danos colaterais.  

Constata-se também a violência exercida por cidadãos sobre outros cidadãos funcionários das finanças, como se eles fossem os causadores das desgraças que lhes bateu à porta;

A violência sobre professores é outro dos fenómenos que piorou no tempo de Maria de Lurdes Rodrigues quando era ministra da educação e se agravou com o ministério de Nuno Crato que contribui em força para a continuar a descredibilizar e a desautorizar os professores. No campo da educação a forma e os processos utilizados contribuíram para um reforço dos comportamentos de violência por parte de alunos e de encarregados de educação.

Os Anuários Estatísticos do INE e as estatísticas da justiça mostram que no ano letivo de 2013/2014 foram registados 6693 ilícitos em ambiente escolar mais 5,4% que no ano letivo anterior, dos quais 1665 foram ofensas corporais. A justificação dada por pretensos especialistas em educação, afetos à maioria governamental, diz que não é bem assim, e que, muitas das vezes a responsabilidade pertence aos professores. Fala quem não está no terreno ou então tentam a desculpabilização dos responsáveis da tutela.

Por razões que afetam as suas vidas e talvez por desconhecimento da verdadeira causa dos problemas que enfrentam as pessoas tendem a manifestar a sua revolta e desagrado onde podem. A degradação do Serviço Nacional de Saúde pode ser um dos muitos exemplo. Veja-se o que aconteceu nas urgências dos hospitais durante o último inverno (só mês de janeiro). Segundo o Observatório Nacional da Violência contra os Profissionais de Saúde foram verificadas 33 notificações de violência contra profissionais do Serviço Nacional de Saúde, próximas das que se verificaram em todo o ano de 2007. Desde então os números nunca pararam de crescer como mostra o gráfico seguinte.

Violência_Prof_Saúde.png

A violência que nos últimos anos se tem manifestado dos modos mais diversos. Não ver que há uma associação entre o aumento da violência a crise e o projeto do Governo neoliberal que tomou medidas que nem o próprio memorando da troika contemplava e até as agravou, é viver um estado de fantasia política.

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publicado às 19:03

O Governo e as tretas eleitoralistas

por Manuel_AR, em 21.05.15

Enquanto o Partido Socialista lança a proposta de Programa eleitoral o PSD nada tem, a não ser apenas o mesmo programa para além da troika, mais do que gasto, e sem nada de novo que todos já conhecemos demasiado bem. Reclamava o PSD, aqui há alguns meses, que o PS não tinha nada para apresentar. Agora podemos perguntar se a coligação vai apresentar-se com o mesmo programa eleitoral de 2011?

Sem nada para apresentar de novo, Passos Coelho passa as contas do rosário do trabalho feito pela coligação PSD/CDS e repete até à exaustão que não foi ele que trouxe a troika e que o PS tem "saudades da troika". Mas foi ele que governou para além dela e nada mais tem para apresentar a não ser a continuidade herdada da troika. Quem tem saudades quem é?   

Entretanto, no Parlamento, Jerónimo de Sousa diz que será o povo a mandá-lo cantar para outra rua apesar de cantar muito bem. Isto sobre os benefícios fiscais ao Novo Banco. Corta-se a uns para dar a outros. Segundo o jornal Público Maria Luís Albuquerque garante a legalidade das isenções fiscais de que o Novo Banco vai beneficiar, e apesar do despacho do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, ter sido assinado antes de a Assembleia da República aprovar uma alteração legislativa relacionada com esta matéria. Mas ontem o primeiro-ministro Passos Coelho no Parlamento admitiu que surgiram dúvidas na concessão do crédito fiscal ao Novo Banco porque o Estatuto dos Benefícios Fiscais "não previa expressamente" confirma o Económico. O Estatuto dos Benefícios Fiscais (EBF) não era claro quanto à atribuição do crédito mas garantiu que a interpretação que mais tarde foi feita pelo legislador "é legal" acrescenta.

Os julgamentos na praça pública, ajudados pela comunicação social, parecem estar a institucionalizar-se. "Transformar os acontecimentos de domingo num caso de abuso policial, condenando um agente da autoridade sem qualquer investigação séria e profunda, é um deslocamento que indicia uma perigosa patologia coletiva. Não é aceitável passar para segundo plano a barbárie organizada, que com o envolvimento negligente de autoridades municipais, e contra as recomendações da PSP, se apoderou do espaço público, fazendo perigar a integridade física e a fazenda dos cidadãos." diz Vitorino Soromenho Marques no Diário de Notícias de hoje.

Apesar de terem telhados de vidro que tapam com placas de zinco para não partirem mais, (Dias Loureiro e outros que por aí andam) o PSD anda às turras e muito preocupados com o enriquecimento ilícito sobre a organização de grupos de trabalho sobre o tema, Dias Negrão repreende por estar à frente de um desses grupos de trabalho que Teresa Leal Coelho diz ser informal de acordo com o Diário de Notícias de hoje. Mas que azáfama vai por lá! "Teresa Leal Coelho tinha sido nomeada coordenadora de um grupo de trabalho para discutir as propostas de enriquecimento ilícito, mas não convocou qualquer reunião. Presidente da comissão não gostou, é o "lide" do Observador de ontem.

Mais um pouco de propaganda eleitoral do PSD e da ministra das finanças Maria Luís com a velha e gasta conversa sobre o corte de 600 milhões de euros a cortar que ainda não sabe onde e, daí, pede acordo com o PS ao mesmo tempo o Governo prepara cerca de e 445 milhões para o Novo Banco. Diz Maria Luís que as medidas sobre as pensões sempre deixaram de fora as pensões mais baixas. Também era o que mais faltava, mas vontade de o fazer também perece que não.

É uma festa porque o país se financiou através de venda de dívida pública a seis meses com juros negativos. Isto a curto prazo de seis meses com 4,61 vezes superior à procura. Outros países também conseguiram essa proeza. Quando acabar a política monetária do BCE a ver vamos.

Aqui ao pé a Grécia continua a tentar ser vergada e a ser castigada por ter optado por eleger democraticamente um partido para o seu Governo de uma área que não agrada à Europa porque pode ser um mau exemplo a seguir por outros. E daí temos que pressioná-los ao falhanço com as mais diversas justificações algumas com razão, outras sem qualquer uma. Quando problema da Grécia abrandar ou passar a não interessar adivinhem que será o senhor que se segue?

Ameaças nas redes sociais à família do polícia do caso der Guimarães parece ter sido a motivação para o artigo de opinião da diretora do Dinheiro Vivo, Sílvia Oliveira, hoje no DN.

Na propaganda da coligação Nuno Crato também participa. Ontem dia do exame de Matemática do primeiro ciclo foi a uma escola nada mais, nada menos, do que a escola pública de elites do Parque das Nações. Os alunos tinham à sua espera o ministro. Estavam felizes porque, diziam, o exame tinha sido fácil e por isso tinha corrido bem. O tempo do facilitismo parece que abriu uma pequenina porta para contento de todos, encarregados de educação e alunos. E mais garantiu Nuno Crato, que não haverá mais cortes no sector. "Não estou a planear fazer mais cortes", disse. Pois também o seu líder do Governo prometeu muita coisa e fez outra, digo eu.    Os cortes na educação e na saúde não tiveram impacto na redução da despesa por terem sido totalmente compensados com gastos na segurança social. Pescadinha de rabo na boca.

A ministra das finanças abre porta a uma redução mais rápida da sobretaxa de IRS é mais uma medida a reboque das eleições e do PS. Parece que no espaço de um mês tas finanças e a economia estão em alta porque o que parecia impossível para a ministra agora já é tudo fácil e por isso esclarece que "a eliminação da sobretaxa pode ser acelerada" segundo o jornal Púbico. O PS tem mais do que uma vez apontado para que a eliminação da sobretaxa de IRS seja feita em dois anos. Maria Luís entra no jogo do que quem dá mais. Será por estas e por outras que o PSD e a coligação insistiam que o PS apresentasse o seu programa económico e financeiro e eleitoral? Se o que o Governo tem dito ultimamente poderia invocar um plágio se fosse um trabalho de um aluno que eu tivesse que avaliar na faculdade.

Pouco se tem falado da linha de crédito de 500 milhões de euros disponibilizados pelo Governo para apoiar empresas com negócios em Angola. Há falta de recursos financeiros para umas coisas mas o Governo arranja sempre dinheiro para outras desde que, quem usufrua, não sejam as pessoas e as famílias.

 

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publicado às 20:33

UGT.png

 

É uma leitura possível de um acontecimento que parece tornar evidente a promiscuidade entre alguns sindicatos, nomeadamente com a central sindical UGT, Passos Coelho e o governo. Pela primeira vez assisti pela televisão em 28 deste mês a uma sessão do seminário "Diálogo Social pela Educação e Formação - estratégias de intervenção e concertação para o desenvolvimento e o emprego", por ocasião do 36.º aniversário da UGT, para o qual foi convidado Passos Coelho que, pela primeira vez, foi aplaudido pela assistência. Resta saber que assistência. É tão mais patético quanto foi este primeiro-ministro que destruiu e contribuiu para o desnível das relações laborais em benefícios das empresas. Esclareça-se que nada tenho contra as empresas privadas, antes pelo contrário, o que acho é que cada qual no seu galho.

Lá estavam presentes, também, dirigentes sindicais que se dizem defender os trabalhadores que representam. Lá estava Carlos Silva ao lado de Passos e, pasme-se, também de Nuno Crato, claro, ou não se denominasse o seminário “Diálogo Social pela Educação e Formação”. Se foi o primeiro que convidou os segundos ou os segundos que convidaram o primeiro, para o caso é indiferente. Eu sou dos que acham que, nestas situações, a Deus o que é de Deus e a César o que é de César.

Os trabalhadores de qualquer setor, seja público ou privado, podem confirmar agora com que contar durante as negociações e que confiança podem ter naquela gente que diz defender os seus interesses. Terá sido um agradecimento ao primeiro-ministro pela voluntariedade que demonstrou pelo aumento do salário mínimo? Agora se percebe que, quando o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, diz que se opõe ao Governo de Passos Coelho não é mais do que fachada para enganar quem trabalha. Cortes, redução de férias, pagamento de horas extraordinárias em dias de descanso a metade do seu valor hora entre outras amabilidades em benefícios tudo foi negociado com a UGT em troca de um pseudo manutenção e criação de postos de trabalho, em empresas que acabam por fechar as portas, e posto de trabalho que não se criam ou então são precários.

Desde quando sindicatos convidam membros de um governo ou primeiros-ministros para atividades comemorativas seja do que for? Quando isso acontece não é mais do que um aval ao governo para a tomada de quaisquer decisões futuras. Com que cara se apresentará Carlos Silva?

Tendo em conta que Carlos Silva da UGT foi apoiante incondicional de António José Seguro durante as primárias no PS podemos fazer uma outra leitura para esta promiscuidade e que passa de uma certa forma por uma atitude provocatória  de desforra política normalmente designada por revanchismo tendo na mira António Costa. Ficámos agora a saber para onde José Seguro e Carlos Silva se encaminhavam conjuntamente.

À margem do seminário o secretário-geral da UGT veio tenta redimir-se ou, quiçá, assumido por um arrependimento súbito diz à lusa que “Achamos estranho que o secretário-geral da OCDE venha sustentar as teses que levam o Governo a continuar a apostar em políticas de austeridade para 2015, nomeadamente, para nossa estranheza e profunda crítica e desacordo, quando decidem suscitar a questão dos tetos para as prestações sociais que, pessoalmente, acho completamente estapafúrdio.”.

Será este o homem das duas caras do sindicalismo?

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publicado às 22:03


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