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Dediquei-me ultimamente a ler os programas (diria antes propagandas eleitorais) de dois partidos que vão ter assento na Assembleia da República, o Chega e o Iniciativa Liberal. Não admira que alguém que tivesse lido com atenção o programa do Iniciativa Liberal tenha colocado aí o seu voto, tal é aliciante devido à sua característica de rol de ofertas para proporcionar a venda do produto qual página de folheto de supermercado.

Este programa no contexto ideológico em que ele se insere conduziu-me a refletir sobre o problema da pobreza, as diversas discussões que se têm abordado e sobre as explicações sociológicas da mesma. Mas antes vejam este video.

 

Há autores que identificam, quer o percurso do neoliberalismo, quer o do liberalismo económico, como uma grave ameaça à democracia e à liberdade política, assim como o comunismo revolucionário defendido pelo marxismo-leninismo que conduziria ao totalitarismo são contrárias às propostas levantadas pelo socialismo liberal ou liberalismo social.

O socialismo liberal democrático inclui princípios liberais e democráticos sem pretender suprimir a economia de mercado nem o capitalismo em favor de uma economia estatizada.  O Estado liberal difere do Estado social liberal de Direito. O primeiro visa sobretudo garantir a liberdade e a propriedade privada e o segundo pelo contrário é mais abrangente porque, para além de defender a propriedade privada e a economia de mercado é complementado com uma economia mista, a propriedade pública e a propriedade privada dos bens de capital e intervém também na vida económica, nomeadamente ma segurança social. Isto é, não deixa o cidadão à sua sorte tal como faz o liberalismo radical e tal como pretendem o partido Iniciativa Liberal e o Chega.

Para os radicais do liberalismo toda atividade do Estado, quer política, quer económica, deve ter como objetivo criar uma situação que possibilite aos cidadãos desenvolverem as suas qualidades como pessoas, cabendo aos indivíduos, singularmente impotentes, buscar solidariamente em conjunto este fim comum.

As diferenças apontadas conduzem-nos á questão da riqueza e da pobreza que se refletem de forma diferente em cada uma das matrizes ideológicas de cada um deles.

Vejamos então as duas visões:

Liberalismo radical 

Socialismo liberal democrático

Teoria da culpabilização da vítima.


Os pobres são responsáveis pela sua própria pobreza. É transmitida entre gerações porque os jovens desde cedo não têm razões para aspirar a mais.
• Existe uma cultura de pobreza entre os pobres. Resultado da atmosfera social e cultural onde as crianças são socializadas.

 

Teoria da culpabilização do sistema.


A pobreza é produzida e reproduzida pelas forças estruturais da sociedade.
• Cultura da dependência. Os pobres dependem da segurança social.
• Ênfase nos processos socias que produzem condições de pobreza.
• Grandes dificuldades de superação.
Fatores que moldam a forma como os recursos são distribuídos:

Classe
Género
Etnia
Posição ocupacional
Escolaridade

Geram cultura de dependência

Pobreza e subclasse geram desvantagens

• Múltiplas privações
• Baixas qualificações escolares
• Baixos padrões de saúde
• Elevados níveis de vitimização criminal

Reduzem as hipóteses de integração social, política e económica.

 

O neoliberalismo - a ideologia económica dominante desde os anos 80 - tende a defender uma abordagem de mercado livre para a formulação das suas políticas: promovendo medidas como privatização, cortes nos gastos públicos e desregulamentação. Geralmente é contra o setor público e acredita que o setor privado deve desempenhar um papel maior na economia e que o mérito e o empreendedorismo são a única via.

No entanto, "Em vez de gerar crescimento, algumas políticas neoliberais aumentaram a desigualdade, comprometendo a expansão durável", afirmam os economistas do FMI num relatório que redigiram em 2016.

O partido Iniciativa Liberal insere-se precisamente no âmbito das ideologias radicais do liberalismo populista, pior ainda do que o neoliberalismo, o que confina com a tese e de Hall (2017) por estar longe de excluir pontos de vista autoritários e conservadores que legitimam a desigualdade económica para garantir a estabilidade social. A ideologia neoliberal promove a indiferença para com a situação dos mais desfavorecidos - as "rainhas de bem-estar" [1] na frase memorável de Reagan - tanto quanto a ideologia socialmente conservadora promove a indiferença à situação das minorias raciais e étnicas.

Pela pior das razões, o neoliberalismo é uma ideologia que culpabiliza a vítima, neste caso os mais desfavorecidos e os pobres como sendo os responsáveis pela sua própria pobreza e, ao fazê-lo, isenta instituições e pactos sociais, económicos e político do capitalismo. Isto é, não se opõe a seguir pontos de vista autoritários que uma sociedsde socialmente conservadora.

É uma ideologia, por excelência, justificadora do sistema. George Monbiot,  um colunista do jornal The Guardian e autor de “Feral, The Age of Consent and Out of the Wreckage: a New Politics for an Age of Crisis” (Selvagem, A Idade do Consentimento e Fora dos Destroços: uma Nova Política para uma Era de Crise) escreveu em 2016: "os ricos persuadem-nos de que adquiriram a sua riqueza por mérito, ignorando as vantagens — como  a educação,  herança e  classe — que podem ter ajudado a fixá-la. Os pobres começam a culpar-se pelos seus fracassos, mesmo quando podem fazer pouco para mudar as suas circunstâncias."

No site da Presidência Marcelo Rebelo de Sousa afirma que é necessário combater a pobreza “caso a caso, pessoa a pessoa”, como “um fenómeno mais global, de múltiplas causas, e abordagem transversal” e “com estratégia, juntando meios públicos e privados, experiência social e solidária, inspirando cidadãos para a causa de um Portugal mais justo e coeso”.

“Há tanta gente que mesmo trabalhando não consegue sair de uma situação de pobreza, percebemos o longo caminho que ainda temos para percorrer. E são mais de 10% os que não conseguem sair da pobreza apesar de estarem no mercado de trabalho” escreve Filipe Soares num artigo de opinião no jornal Público.

Foi a crise política que resultou do neoliberalismo que causou a crise económica e financeira de 2008.  À medida que o controle e a regulação pelo estado são reduzidos, a nossa capacidade de mudar o curso das nossas vidas através da votação também se contrai conduzindo um grande número de pessoas a desinteressar-se da política levando à abstenção ou na votação em partidos populistas.

Pode ler também:

Bárbara Reis, “Os novos liberais só têm ideias velhas”.

Pedro Miguel Cardoso, “A pobreza da riqueza”.

[1] Linda Taylor foi uma criminosa mais conhecida por uma fraude de bem-estar em larga escala e ficou conhecida como a rainha do bem - estar durante a eleição presidencial dos Estados Unidos, em 1976. Taylor era uma mulher branca que costumava fazer passar-se por diferentes raças, com diferentes pseudónimos e idades, a fim de aumentar sua atividade fraudulenta nos sistemas de assistência social de vários estados no EUA

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publicado às 18:53

Endividamento e o medo do passado

por Manuel AR, em 15.06.19

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Para a direita e para os comentadores neoliberais que a apoiam a vinda do diabo é desejada em pleno. Todos sabemos porquê e para quê!

As eleições para as legislativas aproximam-se com tal rapidez que nem nos apercebemos devido às tarefas diárias e preocupações do trabalho que nos absorvem o tempo, mas a pré-campanha iniciou-se logo após as europeias. Os media, especialmente as televisões, já nos dão sinais disso.

A estratégia de envolvimento dos canais com a oposição de direita ao Governo denuncia-se de forma não claramente expressa durante o período dos jornais televisivos, mas evidencia-se através de pormenores identificáveis pela argúcia de quem os vê e ouve.

Repare-se que tudo quanto possa ser negativo que seja da responsabilidade do governo e possa ser utilizado é trazido à tona nos noticiários sendo editados e inseridos durante as peças televisivas por associações mesmo quando não seja um facto essencial para aquele noticiário.

Repare-se ainda que, apesar dos problemas que os há decerto e sempre haverá, à falta de melhor vão recuperar peças do passado já mais do que vistas. A pretexto de uma notícia recorre-se à memória jornalística para fazer recordar aos espectadores, talvez por conveniência, aspetos dos mais negativos que já foram noticiados e repesados no passado, mas que se trazem novamente para o presente.

É o recurso à estratégia da memória continuada do que é negativo e possa ter impacto como forma de induzir os espetadores a reconsiderações de opinião negativa sobre algo que possa ter sido, no presente e no passado, a governação socialista.

Os erros e as falhas no presente ou no passado, especialmente neste, em relação à direita e aos seus atores são, a maior parte das vezes, omitidas ou passadas sem ênfase.

Veja-se o caso dos incêndios de Pedrogão em 2017 dos quais, constantemente, e a pretextos vários, são feitas retrospetivas e mesmo quando não os haja, criam-se investigações várias, ditas jornalísticas, acerca do tema ou de outros. Podem alguns questionar se se deve passar um apagador pelas tragédias e fazê-las esquecer. Não advogo isso por ser uma espécie de censura à informação e, por isso, a resposta é, claramente, não. O que está em causa é a intensão e a oportunidade escolhidas à medida do momento. Veremos que, até às eleições legislativas, o tema dos incêndios e das pessoas por eles lesadas serão um dos temas, entre outros, a serem emocionalmente explorado pelas televisões.

Os temas a explorar serão os que sendo pontuais e apesar de se encontrarem em fase de resolução, como o de alguns organismos ligados à saúde e a pretexto vários a ordem dos médicos e dos enfermeiros e também sindicatos ditos “independentes” alinham-se e ajudam a direita a fazer oposição ao Governo à falta de propostas concretas para apresentar. Os transportes coletivos são outro dos temas preferidos assim como o funcionamento de alguns serviços públicos, Outros surgem agora ainda ligados à calamidade dos incêndios, como o caso do SIRESP que a direita clamava que não funcionou por culpa do Governo e neste caso já não se olha para o passado do governo anterior quando também existia o SIRESP e houve gravíssimos incêndios com morte de bombeiros. Agora que o SIRESP passou para as mãos do Estado essa mesma direita inventa um negócio da china e quer saber como foi. E se fosse com eles?

A direita continua a fazer uma oposição de casos para mostrar trabalho, mas quanto às suas propostas e programa a cumprir caso venham a ser governo continuamos sem nada conhecer.

As opiniões de comentadores e de jornalistas especializados em áreas económicas escolhidos entre os conotados com a direita é outra das estratégias. Com base em factos verídicos e apresentando-se com uma postura que dê credibilidade frente às câmaras da televisão apresentam dados de fontes fidedignas entremeando opinião pessoal que altera o sentido e o objeto do facto no meio das suas análises.

Ainda não há muitos dias vimos e ouvimos na RTP1 a jornalista de economia Helena Garrido comentar, a partir do Boletim Económico de junho de 2019 do Banco de Portugal na parte que se refere ao comércio externo (exportações e as importações) cujo saldo tem vindo a ter tendência negativa e sobre risco da diminuição das exportações e do aumento das importações face ao aumento do consumo interno o que pode perigar o aumento da dívida.

O que diz o relatório do Banco de Portugal (o sublinhado é da minha autoria para salientar o importante):

“À semelhança do observado em 2018, ao longo do horizonte de projeção o contributo da procura interna para o crescimento do PIB será superior ao contributo das exportações. Este padrão de crescimento traduz-se num saldo negativo da balança de bens e serviços a partir de 2019, após um período relativamente longo de saldos positivos. Esta evolução exige uma atenção particular, uma vez que o endividamento externo da economia portuguesa permanece num nível elevado e constitui uma das suas principais vulnerabilidades latentes”. “Neste quadro, torna-se crucial que sejam criadas condições para um aumento do potencial de crescimento da economia portuguesa, em particular tendo em conta os riscos colocados pelos elevados níveis de endividamento e os desafios associados à evolução demográfica, aos baixos níveis de capital por trabalhador e de qualificação da mão-de-obra e às debilidades no funcionamento de mercados, que conduziram a afetações ineficientes de recursos no passado.

Tendo em conta o relatório do BP e tudo aquilo que os números das estatísticas permitem Helena Garrido, selecionou a partir do relatório de 58 páginas aquilo que achou importantes, e que o é de facto (ver sublinhados). Contudo, já parece estar a faltar à isenção e distanciamento partidário quando ameaça no meio da sua análise com o “medo de se repetir o passado”, com referência implícita  ao período de Sócrates que nos levou em 2011 ao colapso económico e financeiro.  Quem a ouviu falar mais pareceu um discurso colado ao de Passos Coelho do passado sobre os portugueses viverem acima das suas possibilidades.

A dita jornalista utiliza a sua credibilidade, se é que a tem de facto, para induzir medos, atualmente infundados, a partir de uma situação idêntica à que se verificou no passado. Na minha opinião Helena Garrido, enquanto jornalista, faz de auxiliar da direita na oposição ao governo utilizando a sua posição mediática privilegiada. Uma coisa é fazer, na sua perspetiva, comentário e análise, outra é fazer analogias com verdades do passado que não colam com a verdade da realidade presente. Isto é como divulgar uma “fake opinion” pronunciada com base em “true news” fazendo vir ao de cima emoções primárias das pessoas como as do medo, neste caso, com base no passado.

As “fake opinions” formulam de imediato juízos, opinam com dureza a partir de dados falsos, ou até de dados verdadeiros conotam com outros pela distorção e não costumam estar abertas ao contraditório.

Quem emite aquele tipo de opiniões vale-se da desinformação popular generalizada o que o torna, à luz de quem o escuta, mais convicto, fechado à possibilidade de ser contraditado sobre a forma como emitiu a opinião e avesso aos que veem a realidade de outro modo.

É certo que começa a subir o endividamento externo, graças ao consumo privado e ao endividamento das empresas, especialmente das famílias pela excessiva facilidade com que acedem ao crédito ao consumo. Temos de evitar a todos o custo que possamos voltar ao passado, mas não é utilizando a estratégia dos medos primários com objetivos e interesses político-partidários que se faz pedagogia.

Para a direita e para os comentadores neoliberais que a apoiam a vinda do diabo é desejada em pleno. Todos sabemos porquê e para quê!

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publicado às 22:58

Queremos tudo já, não importa como

por Manuel AR, em 24.11.18

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Segundo o jornal Público a bancada comunista vai votar a favor das propostas do PSD e do CDS sobre a contagem do tempo de serviço que esteve congelado das carreiras especiais da Função Pública, que incluem os professores, e que pretendem retomar as negociações entre os sindicatos e o Governo. Com esta posição assumida no âmbito do Orçamento do Estado (OE) para 2019.

O PCP tenta assim uma aproximação ao PSD, que é determinante na votação das propostas sobre esta matéria já que o PS deverá votar contra, tendo em conta o decreto-lei já aprovado pelo Governo sobre os professores.

As estratégias partidárias no que respeita ao congelamento das carreiras dos professores o PSD, CDS, BE e PCP e PEV cantam em uníssono já numa espécie de campanha pré-eleitoral onde o objetivo é evitar uma maioria absoluta do PS. Parece ser um entendimento para prejudicar o Governo e fazer uma oposição cínica, como o eram as combinações entre várias famílias da máfia que se juntavam para obterem vantagens em negócios (nesse caso ilícitos)  e depois se matavam entre si.

O PSD e o CDS votaram, ano após ano, o congelamento da carreira dos professores, dizendo expressamente que esses anos de congelamento não contariam como anos de serviço. O governo do PSD e CDS, com Passos Coelho como primeiro-ministro, tomou posse em junho de 2011 e durante o seu mandato de 2011 a 2105 o governo deles nada fez para o descongelamento das carreiras. Por outro lado, também nunca vimos do lado das organizações dos professores, especialmente da FENPROF, qualquer movimento para pressionar esse governo a descongelar as carreiras.

2011

2012

2013

2014

2015

"congelado"

"congelado"

"congelado"

"congelado"

"congelado"

365

366

365

365

365

A 1 de janeiro de 2011, então, a carreira voltou a “congelar”, situação que se mantém ainda hoje. Os professores que vincularam em 2013 e anos seguintes, independentemente do seu tempo de serviço, ficaram no 1.º escalão; há milhares de docentes retidos, há 7 anos, nos 4.º e 6.º escalões por nunca ter sido publicada a portaria de vagas para acesso aos escalões seguintes.

Ninguém lhes tira razão o que está em causa é a exigência temporal do pretendido. Não há dinheiro para tudo. Resta saber como a direita reagiria nas mesmas circunstâncias financeiras ao mesmo problema?

Claro que o CDS e o PSD, quando no governo, que foram os que mais arrasaram em direitos e salários a função pública, incluindo os professores, e muitos outros trabalhadores pretendem agora mostrarem-se os seus defensores, cavalgando a onda para obtenção de mais alguns votos.  Pela mesma e outras razões, mas incluídas na mesma maleta, o BE e o PCP pretendem o mesmo apesar de saberem da estreita margem que possam vir a conseguir. O seu número de votos para o PCP e para o BE não irão aumentar substancialmente e, por isso, adotaram outra estratégia bem definida: evitar a maioria absoluta ao PS, mesmo que, para isso, se aliem por conveniência à direita. Só com uma maioria relativa do PS o PCP e o BE podem conseguir uma aliança parlamentar na futura legislatura. Uma versão dois da “geringonça”. Todavia, segundo sondagem da Eurosondagem no dia 16 de novembro de 2018 e mantendo-se as pequenas oscilações parece que a coisa se complica mais para o PCP do que para o BE.

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Quando começa a verificar-se um ligeiro alívio da crise, sim, apenas ligeiro, que não dá para respirar fundo, as movimentações sindicais e outras inorgânicas da direita e da esquerda querem que tudo seja concedido com uma imediatez impossível. Esquecem-se de que há outros setores que, por não terem capacidade reivindicativa nem de mobilização para manifestações de rua ficam na escuridão vendo outros reclamar para obter o sol. Não são apenas os professores, cada vez são mais os pedem tudo ao Estado quando, no tempo em tudo lhes tiravam, retraíam-se e mesmo quando protestavam nada conseguiam.

Ao contrário do PSD e do CS que congelaram carreiras esquecem-se de que já foram neste momento descongeladas as carreiras de 32 mil professores e que até ao final deste mês,  conforme parece lhes foi prometido, mais 12 mil professores verão a sua carreira descongelada e no próximo ano serão mais 19 mil e até 2020, não haverá nenhum professor que não tenha tido uma progressão na sua carreira. Para quê colocar em perigo as finanças públicas que poderão por em risco aquilo que já foi conseguido e voltar tudo outra vez à mesma. Parece aqui haver uma teimosia dos sindicatos que possa por em causa a autoestima dos seus líderes enquanto dirigentes sindicais.

Para concluir parece que somos um país rico com crescimento económico e PIB exemplares:

Baixar já o IVA das touradas.

Baixar já o IVA dos festivais.

Queremos, já, aumentos salariais acima do razoável.

Queremos, já, integração de precários sem condições.

Querem, já, descongelamento de carreiras e que se conte os anos  e dias dos professores.

Os juízes vão na mesma onda.

Os médicos e enfermeiros também.

A FESAP quer o salário mínimo maior do que no privado. Aqui recordo-me de Passos Coelho quando lançava trabalhadores do público contra o do privado. Teria ele razão?

Etc., Etc.

PCP e BE apoiam. Estarão o PSD e o CDS a reboque?

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publicado às 18:57

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Atenção a todos o que se atrevam a comentar positivamente a política económica do atual Governo e os seus resultados, fiquem sabendo que não estão habilitados a tal. Apenas instituições nacionais e internacionais e europeias, independentes e iluminadas se podem dar a essa magnificência, embora saibamos que são políticas, mas Maria Luís Albuquerque quer dar a entender que são independentes.

Senhor Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, veja lá se tem tento, porque isso de falar sobre a economia do país não é para si, aliás, nem devia falar em nada do que se passa no país, porque o Senhor não tem competência, tá a ver!? O senhor não deve falar em nada, deve ficar lá no seu buraquinho caladinho e, quando falar, deve fazê-lo criticando, apenas, e só, o Governo. Está é uma das formas como podemos interpretar o que Maria Luís Albuquerque, Mulher Maravilha e girassol da economia e finanças, disse numa entrevista. Tal como o girassol ela é um heliotrópico (segue o movimento do sol) que indica o seu caráter solar de esplendor derivado da forma radiada da flor, aplicado às finanças e à economia.

Lamentável a prosápia desta senhora quando, em entrevista em 2016 ao jornal de Negócio, de direita, “critica o modelo económico que está a ser seguido pelo atual Governo, baseado no consumo interno. “O modelo económico não funciona” e “já tinha sido demonstrado no passado”. “O erro deste modelo não é matéria sujeita a opinião. Estamos a falar de factos”.

Agora que parece estar a funcionar mantém-se na dela juntamente com o seu grande amigo líder do ex-governo em que participou.

No Olimpo dos deuses da economia e das finanças só alguns tecnocratas de direita podem penetrar porque só a eles pertencem as verdades absolutas, inflexíveis, invariáveis e inalteráveis. Maria Luís acrescenta maior esplendor ao seu prestígio com a auréola da candidatura pelo PSD à Assembleia Municipal de Setúbal. O seu esplendor não a irá abandonar!

 

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publicado às 16:03

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Dos Estados Unidos da América conheço apenas Nova York e, mesmo assim, não tão bem quanto gostaria. O resto que sei daquela América é através de notas de viagens, livros, revistas, jornais locais, documentários e filmes filtrados com espírito crítico assim como o que a internet nos permite consultar com a devida preocupação de filtrar a fidedignidade da informação.

Em Portugal somos tentados a considerar os Estados Unidos como uma nação unitária e não nos dando conta de que são apenas Estados duma União diferente nas mentalidades, na imprensa, na política, nos costumes e na justiça. Os Estados Unidos estão marcados pelo sentimento muito fundo pelo menosprezo sistemático por tudo o que é estrangeiro e por um chauvinismo reacionário e absurdo que durante as últimas décadas estiveram ocultos. Foi isto que Donald Trump conseguiu perceber, e foi nessa base que construiu a linguagem das suas intervenções de campanha e que assim continua. Interpretado o sentimento de muitos americanos utilizou a estratégia populista e com um discurso de ação política para conquistar apoio através da manipulação de emoções populares em prejuízo de argumento lógicos e racionais para captar votos.

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Mapa dos estados dos Estados Unidos da América

O que ultimamente se tem visto nos EUA é o aproveitamento dos media para uma campanha de marketing e de relações públicas nunca vista com anteriores presidentes fabricando e difundindo notícias de populismo favorável a Trum ao mesmo reduz as notícias desfavoráveis grande parte das vezes sem obter sucesso já que de modo geral os artigos de opinião sobre o seu executivo não lhe têm sido em quase nada favoráveis. Pelo que tenho percebido pela informação publicada parece que nesta nova administração existe uma força contrária que está a bloquear e a reduzir a influência das notícias desfavoráveis. Um dos exemplos foi caso das imagens divulgada pelos media sobre a população que assistiu à cerimónia da tomada de posse de Donald Trump que, em comparação com a de Obama, teve muito pouca afluência. O que sucedeu de seguida foi uma estratégia de contra informação que acusou a comunicação social de falsear as imagens que, como se sabe eram fiáveis e verídicas.

Pelas notícias veiculadas pela maior parte dos media dos EUA podemos caracterizar Trump, sem grande margem de erro, como a máscara assumida da prepotência e da presunção de quem não conhece, nem pressupõe, a existência de nada fora de si mesmo. Propagandismo rude e infantilizado, muito parecido ao da ex-união soviética no tempo de Estaline que mostra o rosto do americanismo mais rude e grosseiro de outrora manifesto no interior do país.

Do meu ponto de vista Trump fez promessas eleitorais a uma América, intelectualmente menor, das pequenas cidades do interior, dos estados onde prolifera aquilo que muitas das vezes os documentários, não propagandísticos, nos mostram: os bares com as paredes ornadas com troféu de caça das próprias florestas, os camponeses jogando às cartas, os chapéus à cowboy nas cabeças, as mulherzinhas sentadas à espera de engate, os bêbados que armam brigas saudosos do tempo dos duelos e da caça ao índio,  enfim. E, quem não frequenta estes bares, passa o seu tempo livre enterrado num sofá a comer calorias em catadupa e a ver televisão sintonizada nos canais de propaganda conservadores como a da Fox Broadcasting Company. Haverá muitos que nunca votaram (e ainda bem que não), nem sabem o que isso é que, por isso, talvez Trump não tenha tido mais votos.

Há, todavia, uma situação poderá explicar a deslocação do voto tradicional nos democratas na região dos grandes lagos e na região nordeste, o denominada Manufacturing Belt, Cintura Industrial dos EUA (Mapa 1), como era conhecida nos anos 70 do século passado.

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 Mapa 1 – Cintura industrial EUA

Foi nos estados de Wisconsin, Ohio, Michigan, Indiana, parte de Illinois, West Virgínia e Pensilvânia, donde foram deslocalizadas muitas empresas fabris, muitas delas para fora dos Estados Unidos, e onde outras fecharam portas.

Foi naqueles estados que votaram nos democratas em 2008 e que em 2017 votaram nos republicanos com Trump. Podemos comparar as cartografias das eleições em 2008, quando os democratas ganharam, com as de 2017 em que ganharam os Republicanos (dos mapas 2 e 3).

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Mapa 2 - Eleições de 2008. Os estados a vermelho correspondem a votações no Partido Republicano

Fonte: Geoawesomeness

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Mapa 3 - Eleições de 2016. Os estados a vermelho correspondem a votações no Partido Republicano (Trump)

 

Comparando os dois mapas observa-se que foram os estados do nordeste do EUA que abandonaram a votação nos democratas em favor de Donald Trump. O mesmo se passou com o estado da Califórnia, mas por causas diferentes.

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Mapa 3 - Eleições de 2016. Os condados a vermelho foi onde o Partido Republicano (Trump) aumentou as suas votações

Fonte: New York Times


Os condados, (subdivisão administrativa de cada um dos estados nos Estados Unidos), onde o Partido Republicano, com Trump, aumentou as votações estão evidenciados por uma linha a preto. Trump conseguiu vencer em estados em que os republicanos não tinha ganhado desde 2000 (ver evolução no Mapa 4).

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 Fonte: Geoawesomeness

Recordando alguns trabalhos sobre geografia industrial e económica dos EUA e recorrendo a uma recensão que fiz nos anos 80 de um artigo que Allan Pred publicou na revista Economic Geography sobre a região industrial dos Grandes Lagos constatava-se que era naquelas regiões onde a maior parte das indústrias de alto valor acrescentado estavam localizadas. Indústrias de alto valor acrescentado são aquelas cujas diferenças entre o valor total de receitas das vendas e o custo total de componentes, materiais e serviços adquiridos de outras empresas dentro de um relato período é mais elevada.

Foi no extremo nordeste que no princípio do século passado foram criadas estruturas onde se concentrava um número crescente de habitantes que obtinham empregos nas indústrias.

Era naquelas regiões onde se localizava também a indústria automóvel como por exemplo Detroit no estado de Michigan.

À volta da indústria automóvel foram criadas outras que serviam de fornecedoras de componentes e serviços às que ali se localizavam. Nestas regiões há ainda florestas de pinheiros, abetos e outras árvores que são utilizadas para a produção de papel e outras indústrias. Pred demonstrou no seu artigo que, na generalidade, as indústrias de alto valor acrescentado concentravam-se nas regiões tradicionalmente mais populosas e industrializadas do país. 

A conceção comum do “Manufactoring Belt” era a das grandes fábricas com um impacto ambiental significativo e provavelmente negativo. Empregavam mão-de-obra não qualificada, fazendo trabalho repetitivo nas linhas de produção. Entretanto as empresas industriais evoluíram significativamente e surgiram novas indústrias e, portanto, a perceção que se tinha de indústria está desatualizada.  A definição clássica circunscrevia o fabrico à transformação de matérias-primas em produtos acabados. Esta definição era limitada e não admitia a complexidade das modernas operações das atividades industriais. Daí o abandono e a deslocalização de muitas daquelas indústrias do “Manufacturing Belt” para outros países onde a mão de obra é mais barata e outros custos são menores. Muita coisa mudou no Mundo e nos EUA ao nível da produção industrial quer nos processos, quer na utilização de novas tecnologias. 

Os Estados Unidos têm tipicamente um grande desequilíbrio comercial com a maioria das regiões do mundo, mas o desequilíbrio com a Ásia, especialmente com a China, continua a aumentar como pude verificar nas estatísticas do comércio externo do país ver Mapa 5. Não é por acaso que Trump ora diz que vai modificar isso, ora fala telefonicamente com o presidente da China.

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Mapa 5 – Maiores parceiros comerciais das importações e exportações em cada estado em 2014

Segundo a revista US News Worls Report o presidente Donald Trump prometeu revitalizar a produção de bens nos EUA e recuperar milhares de empregos das industrias incluindo a mineira que se perderam ao longo dos últimos 20 a 30 anos. Parece, contudo, ser uma mistificação de Trump porque a retoma da produção já estava em andamento antes dele se candidatar a presidente e da tomada de posse no mês de janeiro. A US News cita o Bureau of Labor Statistics que mostra que a contratação de postos de trabalho em dezembro atingiu uma alta de quatro meses. Embora a produção de bens e de equipamentos nas indústrias de mineira exploração de madeira, construção e indústria mesmo que representem apenas 13% dos ganhos de contratação de dezembro, sua força relativa era difícil de perder. “As contratações na construção subiram para o nível mais alto desde dezembro de 2014. As contratações na indústria tiveram em novembro o melhor desempenho mensal desde 2010. As oportunidades de emprego na exploração mineira e exploração de madeira, entretanto, subiram para seu segundo maior nível de 2016.”.

Segundo as estatísticas do trabalho, numa entrevista reproduzida pela US News, e de acordo com dados de janeiro, em 2016 “os setores de produção de bens da economia verificaram uma perda mensal média de 2.000 empregos nos EUA, enquanto os setores de prestação de serviços cresceram a uma média de 166.000 empregos/mês”.

Foi esta situação que terá levado ao descontentamento que muitos trabalhadores dos estados industriais do denominado Manufactoring Belt estavam a sentir entre parte de 2015 e início de 2016. Este descontentamento manifestou-se pela votação em Trump naqueles estados (comparar Mapas 1 e 2).

Trump, durante a campanha eleitoral, sugeriu que a fabricação de peças de veículos, que já tinha subido 19% entre 2012 e 2015, seriam uma prioridade fundamental nas conversações com as administrações das fábricas de automóveis. A revista online US News afirma que o fabrico de peças par veículos automóveis, de acordo com o relatório, em 2015 representou 47% do emprego direto total em Michigan, Ohio, Indiana, Tennessee e Kentucky.

Várias situações destas foram aproveitadas de forma populista por Trump durante a campanha eleitoral para fazer promessas irrealistas que, a serem cumpridas, podem levar os EUA a recuar mais de 50 anos.

Trump prometeu uma nova era de produção de bens e mercadorias nos EUA através de impostos alfandegários e restrições comerciais para incentivar mais empresas a montar fábricas no país em vez de importar produtos do exterior. Não sou eu que digo, isto foi várias vezes ouvido nas televisões aqui em Portugal durante a campanha.

Economistas nos EUA têm feito críticas a esta política dizendo que “a automatização eliminou a necessidade de se manterem os mesmos tipos de cadeias de abastecimento de baixo nível de competência e mão-de-obra de baixa qualidade que estavam presentes no auge da fabricação americana.”, como era no passado. "Esses números mostram a associação de fabricantes e as suas empresas associadas estão a impulsionar a inovação, os empregos e o crescimento económico nos EUA, combinando fabrico e tecnologia"

O argumento de Trump é que as estatísticas são falsas, e que a taxa de desemprego nacional é "falsa", e que outros aspetos de indicadores económicos são de alguma forma imprecisos. Estes argumentos devem ter pesado em alguns eleitores nos estados de produção da indústria pesada a que me referi anteriormente e soou como verdadeiro para os eleitores nos estados da indústria pesada como o de Michigan onde as indústrias primárias não viram o mesmo tipo de crescimento de emprego e veio a perder o papel que tivera nos anos 70 do século passado quando pertencia ao grupo de estados de alto valor acrescentado. Sabendo isto, ou disseram-lhe, que Trump delineou a sua estratégia de modo a captar votos aproveitando o descontentamento localizado naquelas regiões que foram perdendo a sua hegemonia.

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 Gráfico 1- Total de empregados por setor de atividade 1970-2015

A mensagem de tornar a “América Grande outra vez” não sendo inovadora parece ser mais um espetáculo revivalista de Trump do que uma realidade. Os esforços para tornar a produção de bens novamente grande estão em curso há anos, tendo gerado mais de 2 milhões de empregos no setor da produção. Foi a depressão de 2009, provocada pelo sistema bancário, que levou a que os níveis mais baixos fossem atingidos em 2010. Apesar disso, no final da semana passada, Trump assinou uma Ordem Executiva para a revisão das regras aplicadas à banca no âmbito da lei Dodd-Frank, reforma aplicada à banca após o colapso do Lehman Brothers para evitar uma nova crise financeira mundial.

Segundo o que Trump, como afirmou durante a campanha contra Hillary Clinton, todo o sistema financeiro precisava de ser liberalizado, passando a estar sujeito a menos regras e supervisão para que possa tomar as melhores decisões de investimento. A teoria neoliberalista foi aplicada durante toda a presidência de George Bush, com resultados discutíveis porque, apesar de terem registado lucros históricos, os bancos criaram uma série de hipotecas tóxicas que fizeram rebentar a 'bolha' do imobiliário após a queda do Lehman Brothers. Parece que, não tendo percebido esta realidade, Trump quer agora voltar à liberalização total e desordenada dos bancos revogando uma lei que possibilitava um maior controle. Os neoliberais cometem sempre os mesmos erros, mas sabem que que beneficia e não é atingido são aqueles que eles favorecem quando estão nos governos.

Não fossem aqueles estados e condados, onde tradicionalmente votam nos democratas, terem votado em Trump e estaria ele agora com uma grande depressão provocada pela perda. Foram enganados e com eles também o Mundo. Temos pena.

O Estados Unidos da América são agora um feudo de Trump em que o modelo de desenvolvimento vai ser incompatível com a preservação ambiental afim de abastecer o seu parque industrial, o país vai continuar a ser o um dos maiores poluidores e devastador de recursos naturais do planeta.

Boa parte dos habitantes convive com sérios problemas socioeconómicos relacionados, especialmente, com a marginalização de segmentos da população e à discriminação racial decorrentes da concentração da renda, em que prevalece a busca pelo enriquecimento ainda maior de alguns já em si mesmo muito ricos.

Que país vai ser este a partir de agora?

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publicado às 18:35

Oposição e comentário político

por Manuel AR, em 07.02.17

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A oposição de direita ao Governo não é feita apenas pelos deputados dentro da Assembleia da República e pelos responsáveis partidários fora dela. Faz-se também por militantes dos seus partidos que, com aparência de credibilidade e isenção, são contratados pelos canais de televisão que lhes paga para fazer o dito comentário político. São comentadores partidários, propagandistas do PSD que, uma vez por outra, para darem ar de isentos, criticam também a oposição de que fazem parte.

Um destes comentadores ditos “isentos” é Marques Mendes que comenta no canal de notícias da SIC. Para ele o Governo está esgotado, porque os acordos estão esgotados, está parado porque nada faz. Gostaríamos de saber se, para ele, governar é simplesmente legislar por tudo e por nada sem qualquer efeito mediato ou imediato, sem reflexão sem estudo, sem debate, como fazia o líder do seu partido quando incentivou a divisão entre portugueses e fez atropelos sucessivos à Constituição. Como ele gostaria de ser o Trump português!

Se alguma coisa urgente há que fazer, é conter a dívida pública e dinamizar a economia e o crescimento. Como Marques Mendes muito bem sabe, o crescimento depende, em grande parte, de fatores exógenos a Portugal, que agora com Donald Trump na calha, e com a Europa no estado em que está nunca se sabe o que poderá acontecer.

Aquela personalidade do PSD faz oposição disfarçada de comentário, olhando tendencialmente para o negativo da solução governativa e ocultando o que é positivo.

Aliás o relatório da OCDE que ontem foi divulgado é mais objetivo do que as interpretações por vezes abusivas de quem faz comentários que mais parecem oposição.

Aquele relatório revela potencial existência de "imprevisibilidade, tensões e recuperação lenta da Europa que podem tornar o crescimento mais incerto.”. Há, portanto, causas perigosas que poderão ser derivadas de causas externas. Sobre o Governo de António Costa, o relatório traça elogios à orientação orçamental, mas deixa uma lista de avisos sobre a situação ainda frágil das finanças, sobretudo sobre a “conjuntura externa incerta, a situação da banca que é vulnerável, mas a margem de manobra nas contas públicas é estreita e a dívida pública elevada e o investimento escasso.”. “E o que vê é uma economia a recuperar de forma progressiva, mas onde as “vulnerabilidades estão a aumentar”.

Claro que não existe nenhum mar de rosas depois da coligação de direita ter quase deixado o país destruído a pretexto de “termos que ir para além da troika” e de, juntamente com ela, não ter detetado  mo nevoeiro denso que envolvia a banca ou parte dela.

Se a banca está como está deve-se sobretudo à desgovernação do PSD-CDS com a obsessão por reformas baseadas apenas num sentido, aumento de impostos e cortes de salários e pensões, de resto não passou de rabiscos escritos num papel que para nada serviram.

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publicado às 17:25

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O crescimento económico é um dos indicadores utilizados para avaliar o comportamento das economias. Em Portugal oposições aos governos, conforme se encontram num campo, ou noutro, aproveitam o argumento do crescimento para fazerem críticas ou autoelogios às medidas económicas tomadas que cada um toma quando em funções.

O crescimento anual do PIB - Produto Interno Bruto em volume é um indicador que reflete a variação anual da riqueza criada por uma dada economia. O mais utilizado é o PIB a preços constantes de modo a que apenas o crescimento real da produção seja levado em conta. É um indicador que possibilita comparações, quer ao longo do tempo quer entre economias de diferentes dimensões.

O PPC - Paridade de Poder de Compra é outro indicador que procura avaliar quanto a moeda duma determinada economia pode comprar em termos internacionais, utilizando como comparação o dólar. Isto porque, como os bens e serviços diferem os preços de um país para outro, esta medida procura relacionar o poder aquisitivo das pessoas com o custo de vida do local e se ela consegue comprar tudo o que necessita com seu salário.

Tendo em vista as previsões para o crescimento do PIB, do PIB per capita e do PPC na União Europeia para 2017 procedi a uma comparação através do cálculo de coeficientes de correlação entre aquelas três variáveis.

Os cálculos e os gráficos foram construídos tendo como fonte dados estatísticos do jornal Diário de Notícias de janeiro do corrente ano obtidos a partir de The Economist. Referem-se estes dados às previsões para o ano de 2017 e, de acordo com a informação publicada, foram aplicadas as taxas de câmbio do dólar com a conversão para euros feita segundo a taxa de câmbio de 7/12/2016.

Numa primeira fase, com base em dados estatísticos obtidos no INE, foi traçado um gráfico evolutivo do crescimento do PIB em Portugal comparativo com a evolução na União Europeia no mesmo período para mais facilmente se compararem diferenças.

Numa segunda fase foram traçados gráficos de dispersão das três variáveis em análise assim como o cálculo dos coeficientes de correlação. Para análise de alguns países da Ásia utilizei a mesma metodologia e os mesmos critérios feitos para a U.E.

Análise da evolução do crescimento.

Conforme mostra o Gráfico 1, desde 2000 que Portugal acompanhou o crescimento da U.E. apenas na evolução, mas apresentando sempre valores mais baixos. Partindo ambos dum valor muito próximo dos 4% no ano 2000. Assim, em 2000 o crescimento em Portugal está aproximadamente em conformidade com o valor da UE que acompanha até 2001. A partir deste ano inicia o seu afastamento gradual da UE distanciando-se da sua evolução verificando-se um distanciamento entre as variáveis crescimento enfatizando-se a magnitude da alteração ao longo do tempo que se agrava a partir de 2002.

Há dois momentos em que volta a aproximar-se, 2008 e 2010 acompanhando a queda brusca de 2009. Embora acompanhando a UE no crescimento negativo obtém um valor substancialmente menos negativo em 2009. Em 2010 o crescimento volta a crescer ficando em 2010 a par da UE ano a partir do qual a UE mantem o seu crescimento com valores positivos enquanto Portugal verificou uma queda brusca entre 2011 e 2012 durante o período do XX Governo Constitucional da aliança PSD-CDS recuperando timidamente os valores de crescimento negativo em que se manteve até meio de 2013, passando a acompanhar a UE a partir de 2014.

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 Gráfico 1

Nas evoluções do crescimento, Portugal e UE a magnitude da alteração ao longo do tempo mostra-nos que teve o seu máximo no ano de 2012 prolongando-se até 2014. É nítido o desvio entre os crescimentos das duas evoluções no mesmo período como mostra a área compreendida entre as duas linhas de evolução. A média do crescimento no período dos 15 anos analisados é, no caso de Portugal, nitidamente mais baixa, com 0,4, e 1,4 para a UE a 28.

Em síntese o crescimento de Portugal é nitidamente mais fraco do que a UE a 28, mas, por outro lado, acompanha a tendência deste grupo de países devido a conjunturas endógenas e exógenas a que todos os países ficaram expostos.

Previsão de crescimento e PIB per capita na UN: uma análise comparativa.

Efetuada a síntese do crescimento comparativo entre Portugal e a UE a 28 e alguns que não pertencem a este grupo, nomeadamente a Rússia, a Ucrânia e a Turquia, procedi a uma análise sobre as previsões de crescimento para 2017 entre os vários países. Para tal foi construído um gráfico de dispersão com a reta de tendência (reta de regressão) e calculou-se o coeficiente de correlação entre as variáveis em análise. Este coeficiente representa uma medida estatística determinada a partir da comparação entre as várias observações entre duas variáveis. Neste caso o cálculo foi efetuado entre as variáveis previsão do crescimento do PIB para 2017, com a previsão do PIB per capita e ainda com o crescimento da PPC cujo significado foi explicado no início.


A medida da variação conjunta das variáveis ou covariação observada num diagrama de dispersão é a correlação entre as duas variáveis. Essa medida é realizada numericamente por meio dos coeficientes de correlação que representam o grau de associação entre duas variáveis contínuas. As medidas genéricas de correlação, frequentemente são designadas por R e variam entre -1 e +1. No que respeita ao sinal + (mais) no coeficiente de correlação significa que as variáveis têm um comportamento no mesmo sentido, isto é, quando cresce uma também cresce outra. Um sinal - (menos) no coeficiente de correlação significará, ao contrário, que, quando uma varável cresce a outra decresce e vice-versa.

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 Gráfico 2

Efetuados os cálculos e traçados os gráficos observou-se que existe uma forte correlação negativa de -0,71 entre a variável previsão de crescimento do PIB e o PIB per capita entre os países da UE. Isto é, quanto menor é o PIB per capita maior é o crescimento, como mostra a tendência da reta de regressão e o sinal do coeficiente de correlação apresentados no Gráfico 2.


Pode observar-se pelo gráfico dois grupos de países que se aproximam pelas suas características segundo os PIB per capita e o crescimento. Um primeiro grupo com um crescimento relativamente elevado e um PIB per capita baixo. Estão neste caso a maior parte dos países do leste europeu e a Turquia onde um PIB per capita baixo, mesmo abaixo da média, correspondem previsões de crescimento mais elevados, todos acima da média de 2% do PIB. Destaca-se a Ucrânia com um dos rendimentos mais baixos, mas com uma previsão de crescimento acima dos 2,5% e a Rússia com baixo crescimento e PIB per capita também muito baixo. Após o “Brexit” o Reino Unido destaca-se pelo seu baixo crescimento e com o PIB per capita elevado.

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Gráfico 3

Os países com maior PIB per capita são os que apresentam uma previsão de crescimento mais baixos. Salientam-se a Grécia e Portugal com muito baixos crescimentos nas previsões, mas com um PIB per capita acima da média. Neste grupo destaca-se a Suécia cuja previsão do PIB per capita é elevado e com um crescimento relativamente elevado muito acima dos seus pares europeus.

Para Portugal prevê-se um crescimento muito abaixo do da Grécia, mas acima da Itália. Mesmo assim, as previsões apontam para que Portugal cresça significativamente ficando na 21ª posição do ranking alinhando com a Alemanha e acima dos países do norte da Europa dos quais seria de esperar melhores desempenhos. A Suécia salienta-se prevendo-se um crescimento acima da média tendo e com um PIB per capita elevado e muito acima da média.

No que se refere à correlação da PPC – Paridade de Poder de Compra, o coeficiente de correlação com a taxa de crescimento é também significativo e de sinal negativo, -0,61, que, embora menor, mesmo assim significativo, acompanha o do PIB per capita como mostra o Gráfico 3.

Os países onde se verifica mais crescimento são também aqueles onde a PPC é também mais baixa, como seria de esperar, não se verificando alterações significativas em relação à análise efetuada entre o PIB per capita e as previsões de crescimento.

Previsão de crescimento e PIB per capita em alguns países da Ásia


Alguns países da Ásia pertencem ao grupo dos considerados como economias emergentes e que ainda apresentam níveis sociais e de distribuição de renda limitados, com elevada pobreza e falta de recursos em muitas áreas da sociedade, como educação e saúde.

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Gráfico 4

Os países emergentes são grandes exportadores de matérias-primas, grandes recetores de empresas multinacionais que para lá se deslocalizam à procura de mão-de-obra barata (além de também serem medianos fornecedores dessas mesmas empresas), e possuem um amplo e crescente mercado consumidor e uma grande capacidade de crescimento económico centrado no setor terciário. A questão chave é se o crescimento económico desses países está a promover a diminuição das desigualdades sociais internas e se a parte inferior da pirâmide social está a ser beneficiada.

Utilizando os mesmos critérios foi composto o gráfico de dispersão e calculado o coeficiente de correlação para as previsões de crescimento em alguns países da Ásia, representados no Gráfico 4, tendo em conta os indicadores de previsão do PIB per capita, a PPC e o crescimento. Foi ajustada uma curva de tendência polinomial que me pareceu ser a mais adequada a esta série de dados o que é demonstrado pelo coeficiente de correlação muito significativo de -0,76. O ajustamento da reta mostra um valor menor, -0.61.

Foram traçadas duas curvas uma linear e outra polinomial a fim de se ver qual se ajustava melhor à dispersão de dados. A linha de tendência polinomial é útil para quando há flutuação de dados no caso de se analisar os ganhos e as perdas de um conjunto de dados de grande dimensão (não foi este o caso, mas, devido aos valores do PIB, em dólares serviu o objetivo) e porque os dados mostravam que havia flutuações dos dados com grandes oscilações (máximos e mínimos). A curva polinomial foi a que mais se ajustou à dispersão dos dados com o valor de R ao quadrado 0,5711. A linha de tendência linear mostrou um menor ajustamento R ao quadrado 0,3711 pelo que se optou pela primeira.

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Gráfico 5

Como se pode verificar pelo Gráfico 5 a tendência nas previsões de crescimento para a PPC mantém-se apresentando, no entanto, um coeficiente correlação de -0,81 que evidencia uma forte ligação com o crescimento.

A correlação entre o crescimento e o PIB per capita verificado nos países da UE a 28 também se comprova em alguns países da Ásia. Isto é, a um menor PIB per capita correspondem maiores taxas de crescimento. Contudo, a leitura deve ser feita com algum cuidado já que outras variáveis importantes como, por exemplo, a população, podem influenciar os resultados. Tendencialmente, os baixos rendimentos das populações parecem ser condição de crescimento das economias. Conhecendo-se que no cálculo do PIB per capita estão incluídos os rendimentos agregados do produto a renda, podemos, embora com alguma margem de erro, pode considera-se que os rendimentos do trabalho, isto é, os salários e outras remunerações são uma componente importante para a formação do PIB sendo o rendimento das classes trabalhadoras influencia o PIB per capita. Assim sendo, nos países onde aquele rendimento per capita é mais baixo é onde verificam maiores previsões de crescimento.

 

Síntese.

O crescimento de Portugal entre 2000 e 2015 acompanha a evolução do crescimento dos países da UE a 28, apresentando, no entanto, valores mais baixos nos mesmo período com exceção do ano 2015. A área entre a evolução das duas variáveis da observação mostra-se elevada ao longo da série, mas mostra um desnível de afastamento da evolução da Europa. 

As correlações entre as previsões de crescimento do PIB para 2017 e as previsões do crescimento do PIB per capita e da PPC para o mesmos anos apresentam-se relativamente elevadas verificando-se o mesmo comportamento em alguns países da Ásia o que pode conduzir à conclusão que os crescimentos mais elevados das economia depende sobretudo dos baixos rendimentos per capita, todavia poderá ser uma conclusão apresada visto que há variáveis e fatores que podem influenciar os ditos crescimentos mais elevados.

Segundo analistas internacionais os principais riscos para as perspetivas económicas da zona euro são externos mas a maioria dos indicadores de sentimento econômico apontam para uma expansão na economia da zona do euro em 2017. Esperam a continuação da recuperação com probabilidade de enfraquecimento. Será a procura interna o principal motor do crescimento, e espera-se que tanto o consumo como o crescimento do investimento se moderem.

O crescimento do consumo vai provocar um aumento da inflação, uma vez que o efeito da queda dos preços da energia desaparecerá, como aliás temos visto com o aumento dos combustíveis.

Os riscos são elevados e provêm principalmente da política interna, com eleições planeadas nos Países Baixos, França e Alemanha e do setor externo teremos a influência a política comercial americana de Trump o que provoca incertezas.

Para finalizar não quero deixar de dizer que as críticas feitas pelo PSD e o CDS ao crescimento em Portugal e da responsabilidade do atual governo é mera retórica partidária. Esquecem-se de que são consequências do passado dos seus governos que, por sua vez, também arcaram com as do governo anterior de José Sócrates no qual, o então ministro das finanças Teixeira dos Santos, teve grande parte das responsabilidades no  que se passou com as finanças públicas.

 

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publicado às 23:01

Quem és tu Raquel

por Manuel AR, em 26.11.16

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Gosto muito da Raquel Varela. Acho que para além de fotogénica é uma mulher atraente, cativante, com ar sedutor. Para mim, claro, porque isso de gostos, sejam eles do que for, tem o seu quê de subjetivo.  Mas este é o ponto que menos interessa referir. Interesso-me mais pelos seus pontos de vista sociais e políticos.

Desconheço o seu posicionamento partidário, mas quanto ao ideológico vejo-a como uma marxista ortodoxa que segue os ideais clássicos daquela corrente económica com se fossem uma espécie de ensinamentos catalogados.

Raquel é historiadora, investigadora, comentadora e outras coisas mais. Podem muitos não gostar dela, nem concordar com os seus pontos de vista, mas o seu valor intelectual é inegável. Apesar de todos estes atributos a minha aceitação por tudo quanto diz não é de modo nenhum incondicional.

Provocadora por inclinação podemos ouvi-la contra a direita, contra o centro, contra a esquerda. Vejo-a como alguém com necessidade extrema de protagonismo que consegue através da controvérsia política.

Apoia quaisquer greves vejam elas donde vierem, sejam elas que objetivo tiverem. Faz parte da sua ortodoxia marxista. À luz da sua visão dependente dum certo e indefinido esquerdismo critica, a seu modo, a esquerda moderada e democrática, acompanhando as críticas feitas pela direita. O dilema que Raquel Varela me coloca é, por um lado, eu ter necessidade de encontrar um centro político-ideológico que me leve a compreender o essencial do seu pensamento e posicionamento e, por outro, o de saber qual a sua lógica dominante.

Como historiadora está atenta a tudo e a todos os que saiam fora dos factos históricos deturpando-os a seu bel-prazer ideológico, como o tem feito esse dito historiador Rui Ramos. Neste ponto estou de acordo com ela, porque para mim a história que Rui Ramos divulga não entra no campo da investigação em história, são escritos de opinião sobre história vista à maneira dele.

 Mas voltando à Raquel, talvez ainda se recordem do apoio que deu à greve dos estivadores em 2015 chegando a ir a um plenário daquele grupo de trabalhadores incentivando as suas mulheres, como mães e donas de cas a juntarem-se à luta tendo daqui surgido um blogue de apoio.

 Do meu ponto de vista Raquel Varela é uma convicta radical de esquerda e defende intensamente a luta da classe operária, se é que ainda existe essa classe enquanto conceito do século XIX. É contra quaisquer ideologias dominantes ligadas ao bloco do poder que é um obstáculo ao pensamento e à sua produção científica em ciências sociais que não consegue separar da ideologia.

Fala sobre a banca dizendo que deveria ser toda nacionalizada porque está a enriquecer e a empobrecer o país. O Estado deveria deixar falir a banca, é o seu lema que várias vezes defendeu em algumas das suas intervenções em programas de opinião. Não percebe porque a Caixa deve ser capitalizada, mas a banca deveria ser nacionalizada e a Caixa Geral dos Depósitos não é, de todo, um banco público é privado com dinheiros públicos e não serve os interesses do povo, perceberam? Não? Eu também não.

Esta posição aproxima-se em alguns pontos às da direita que pretende travar a recuperação da Caixa. Raquel Varela navega por todos os mares e cavalga todas as ondas, é preciso é ser contra o poder seja ele qual for. É por isso que não a identifico com uma esquerda que pretenda agir segundo um conceito ideológico que se mostre através dum programa político claramente definido. Ela é contra um qualquer poder e uma purista do marxismo. Talvez, até seja uma narcisista intelectual que gosta de ser original pelos pontos de vista que vai lançando para o ar tornando-se polémica e, evidenciando-se, dessa forma, por uma pretensa diferença.

Não concordando com ela em muitos pontos, continuo a gostar da Raquel e leio quase tudo o que ela publica. Acredito, no que respeita à investigação, na sua credibilidade e fiabilidade científica. As ciências sociais como por exemplo a sociologia, a ciência política e a economia não sendo ciências exatas são permeáveis a ideologias e às suas tendências. O caso da economia é evidente no que respeita ao cálculo e à interpretação de indicadores. Daqui as várias teorias decorrentes.  Assim, a prática científica pode estar ligada a uma prática ideológica determinada considerando a produção científica em ciências sociais dum ponto de vista materialistas. É por este caminho que Raquel Varela segue sem perda de rigor. O mesmo já não posso dizer quando aborda certos aspetos da política que acabam por apoiar teses duma direita neoliberal que por aí se vai arrastando, sendo ela, como parece demonstrar, uma coletivista.

Não subscrevo a tese, como alguns dizem, de que Raquel Varela é uma pseudointelectual de Portugal. Posso questionar e responder de seguida, com margem de erro: Raquel Varela é de esquerda e faz o jogo da direita quando lhe convém? Sim. É contra o poder do Estado apenas em alguns casos? É. Defende um Estado que imponha a igualdade pelo coletivismo? Talvez.

Para mim é um enigma político onde se adivinham alguma demagogia populista. Talvez seja um protótipo duma esquerda caviar, sem ofensa para o caviar e para a Raquel.

Ainda no tempo do programa Barca do Inferno da RTP3 (fevereiro de 2015?), programa cujas opiniões não podiam ser levadas a sério Raquel Varela disse em determinado momento: “Não pagamos a dívida e usamos o dinheiro para empregar mais pessoas. Os restaurantes, por exemplo, se tiverem mais empregados, têm mais clientes e ganham mais”. Por tanto querer ser polémica por vezes sai disparate. Defesa intransigente dos trabalhadores sem critério.

É assim que os meus olhos vêm Raquel Varela.

A direita detesta-a e a esquerda tolera-a. Como a direita que anda por aí não gosta de ser contrariada e coloca-se na posição de ser a única detentora da verdade e da tese do não há alternativa que, ultimamente, tem estado a ser contrariada não gosta dela e, como tem vindo a ser o seu atributo, passa às ofensas pessoais como argumento.

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publicado às 20:31

A Conspiração

por Manuel AR, em 02.10.16

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Se alguém for de esquerda, moderada ou não, terá mais é que se converter. Se for católico, mas tiver ideias de esquerda converta-se na mesma.

Antes de começar a escrever este "post" pensei se deveria ou não fazê-lo, dado a náusea que me causa comentar as declarações patéticas dum sujeito que se deve julgar uma sumidade em economia política. Questionei-me se seria  merecido qualquer comentário dum simples cidadão desconhecido que em tempo colocou aqui um texto intitulado “Injustiçado ou perda da razão” sobre o douto professor. Gastar o meu tempo com ele seria continuar a dar-lhe importância, mas, por outro lado, não ficaria bem comigo se perdesse a oportunidade de lhe chamar alguns imagináveis e não explícitos nomes à boa maneira diplomática. Refiro-me ao senhor César das Neves, professor na Universidade Católica, cuja cristandade e consequente caridade andam muito afastados do seu pensamento hipócrita. Percebe-se pelas enormidades contraditórias que lança por aí.

As contradições entre o que diz e o que pensa são abissais. Quando numa entrevista foi confrontado com algumas afirmações do Papa Francisco, confundiu, baralhou, refugiou-se em questões retóricas que não se colocam nem estão implícitas em afirmações do Papa e tenta falaciosamente reconstruir a realidade.

Quando confrontado com questões objetivas desvia-se da objetividade refugiando-se em lugares comuns como defesa para a fragilidade dos seus argumentos. É o homem do talvez, e do não tanto. A ambiguidade é a sua arma de defesa.

Adoro uma boa teoria da conspiração, mas este sujeito passa das marcas ao afirmar enormidades como "Reformados e funcionários públicos controlam a política e a comunicação social". Ele deve estar enganado, mais parece ser o contrário, porque eu não vejo em nenhuma comunicação social nem reformados, nem funcionários públicos a fazer declarações nem a ocupar primeiras páginas de jornais nem canais de televisão.  É uma patológica falsa realidade por ele imaginada gerada por ódios pouco dignos de quem se diz um convicto cristão.

Fazer declarações polémicas desta espécie é ser um porta-voz em Portugal do pior que tem o neoliberalismo, embora afirme que não é neoliberal, nem sequer é liberal. Então afinal o que é?

César das Neves disse nas jornadas parlamentares do PSD em fevereiro de 2016 que "o país é mesmo socialista. Todos os partidos, do CDS ao Bloco de Esquerda, é tudo socialista". Esta frase terá várias leituras. A minha é simples, não sendo ele socialista, dizendo que não é liberal nem neoliberal, logo, um bom governo será uma ditadura de ultradireita. Aliás, muitas das suas afirmações parecem defender esse tipo de regime para Portugal. Aliás uma prova do que afirmo é está num comentário sobre um artigo que ele escreveu em 2013 e que pode ver em Mas que filme é este?

O oportunismo deste senhor é tal que aproveita o momento da visita do Papa Francisco a Fátima para lançar um livro onde se prevê desde já seja uma deturpação tendenciosa do que este Papa tem declarado.  “Os revolucionários querem usar o Papa como arma de arremesso”, disse numa entrevista. É uma tendenciosa inversão dos factos e o pressuposto da ignorância dos outros. Faz afirmações que não podemos aceitar como verdadeiras, porque acha que não se pode provar que é falso o que diz. Vejamos então. Será que alguns dos princípios e ideias do Papa Francisco que têm sido divulgadas são originais e nunca ninguém as pensou ou se pensou não as disse?

Sobre o assunto afirma que “a direita quer manter o que tem e os outros estão a atacar. Neste momento, a esquerda está em crescendo, o problema é uma crise do capitalismo. Temos a direita a resmungar que o Papa é desagradável, mas não se atrevem a dizer mal dele. Mas a esquerda está contente, não para se converter e ouvir o Papa como pastor, mas para o usar como arma de arremesso”. Reparem na palavra converter. Se alguém for de esquerda, moderada ou não, terá mais é que se converter. Se for católico, mas tiver ideias de esquerda converta-se na mesma.

A sua política, diz César da Neves, é a defesa da doutrina social da igreja, mas, ao mesmo tempo, acha que é preciso cortar nas reformas e nos salários da função pública. A conspiração deve ser uma das suas missões, pelo menos no que toca àquelas duas parcelas da sociedade, já que, segundo ele, são estes grupos instalados que controlam a nossa política e os nossos jornais. Quando se lhe pede uma explicação sobre qual o grupo de reformados tem jornais e a resposta é nada e vazia “Eu não vejo é ninguém a falar contra esses interesses instalados e preocupado com a criação da riqueza”.

Quando se pergunta a este professor da cadeira de História do Pensamento Económico na Universidade Católica se acredita que há uma ciência económica única e não várias abordagens responde que “talvez”, mas não tanto” e acrescenta o seu grande pensamento dizendo que “todos os modelos de compreensão da realidade são errados, mas alguns são úteis”. Poderá perguntar-se se será útil o que está errado, a não ser a utilidade para demonstrar que está errado? E se são úteis em quê e para quê? É claro a sua verbosidade é tal e inconsequente que até origina uma confusão mental em quem o lê.

Então mete-se por campos filosófico e diz que “a realidade não existe”, e retifica, “o que nós sabemos da realidade é uma apreensão humana”. A sua bazófia é tal que encaixa os factos que o circundam na sua própria definição de realidade em vez de fazer o contrário.

Para esta lente de sabedoria a todos os graves problemas económicos e sociais em Portugal e no Mundo se deve “responder com a doutrina social da Igreja: temos de responder recusando a luta de classes e, pelo contrário, falando na harmonia das classes; nós temos de criar uma integração daqueles que estão a ser marginalizados pelo processo…”. Se, por um lado, coloca a sociedade contra os reformados e os funcionários públicos, tomando-os como algo a marginalizar e a sair fora do processo, por outro, fala de integração de quem está a ser marginalizado pelo mesmo processo.

Baseia-se na doutrina social da Igreja e diz que é revolucionária, mas acrescenta que ela é revolucionária no sentido da mudança de corações, que é a única forma que garante a mudança do sistema. Refugia-se na confusão da espiritualidade teológica e nas palavras sem clareza que diz, apontam o caminho da mudança dos corações. E a praxis onde fica? Nada deve mudar, mas tenham esperança e fé.

Vejam a maravilha de resposta quando lhe foi pedido o que tinha a dizer sobre o que disse o Papa Francisco quando “chamou aos movimentos sociais, que convidou a colocarem a economia ao serviço do povo, “semeadores da mudança”, e nesse grupo estavam movimentos como os Sem Terra do Brasil.” Resposta clara e esclarecedora: “Sim, muitos deles ligados à Igreja. Estão lá a evangelizar. Estão lá a falar a favor dos pobres e em nome de Jesus Cristo. Estão lá a fazer aquilo que a Igreja está a fazer há muito tempo.”.  Isto é, à pergunta disse nada. Ficaram esclarecidos? Sim? Ainda bem porque eu não.

E mais não digo porque, enquanto cidadão comum e pertencente à grande massa de ignorantes, não tenho categoria para comentar este omnisciente.

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publicado às 17:56

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A estratégia económica do anterior governo não trouxe crescimento mas desigualdade, os mais ricos ficaram-no ainda mais sem que o investimento aumentasse, o que parece provar a investigação agora publicada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, "Desigualdade do Rendimento e Pobreza em Portugal: As consequências sociais do programa de ajustamento".


A teoria ideológica do governo anterior baseava-se na ideia de que a distribuição a favor das classes de topo seria boa porque são essas classe que tomam decisões e passariam a investir melhor. A classe que detém o capital se ficasse melhor iria melhorar os que estão abaixo. Apesar dos cortes de salários, pensões, aumento de impostos nada disso aumentou o investimento como se pode verificar pelo gráfico Formação Bruta do Capital Fixo (indicador de investimento) caminhando no final da etapa 2014 para a estagnação dos 15% do PIB aproximadamente o que parece continuar em 2016, consequência do anterior governo que este não conseguiu estancar.

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Fonte: INE Set/2016

O que nos trouxe até aqui foram as declarações, plenas dum certo desvario ideológico e demagógico, de Mariana Mortágua do Bloco de Esquerda (BE) e também do PCP, de forma mais comedida, mas e indisposto com a antecipação pelo seu rival de esquerda. Em pleno Parlamento e em resposta a Passos Coelho dizia Jerónimo de Sousa em 2014: "Coitadinhos dos ricos, que foram tão explorados com impostos e conseguiram aumentar as suas fortunas". Esta afirmação parece estar atualmente comprovada. Independentemente da certeza deste facto o que se está a percecionar é uma espécie de ódio aos ricos, isto é, às grandes fortunas, como dizem, numa espécie de caça às bruxas através dos impostos.

Para aqueles dois partidos, especialmente para o BE, os ricos e a propriedade privada, seja ela produtiva ou não, são privilégios duma classe alvo a abater. Resta saber o que entendem eles por rico. Para Passos Coelho e o seu governo uma família que auferisse rendimentos mensais acima dos 1000 euros, isto é, aproximadamente 14000 euros por ano era considerada rica.

Todos temos uma perceção do que é ser rico muito pouco rigorosa e sem que se tenha uma definição precisa. Esta perceção varia de pessoa para pessoa em função da classe social onde se julga incluir e da forma como olha para a que lhe está acima. A definição de rico é subjetiva. Podemos definir rico como alguém que tem mais património e dinheiro do que necessita para viver do que outro. Isto não é mais do que uma apreciação subjetiva e varia de país para país. Por sua vez, o conceito de necessidade para viver varia também drasticamente.

Possuir um negócio e ter trabalhadores na sua empresa significa, para alguns, ser rico, independentemente de se tratar gradativamente de uma pequena loja ou de uma grande empresa multinacional.

Existirão de facto conjuntos neutros de parâmetros para classificar a riqueza? Uma forma de o fazer é através de escalões de taxas do IRS mas, mesmo assim, como se pode agrupar em cada escalão a riqueza maior ou menor por grupos de rendimentos. E estes grupos de rendimentos na sua grande maioria pertencem aos do trabalho. Mais uma vez entramos no campo da subjetividade classificativa. Porque deve uma pessoas estar incluída no mesmo escalão do que outros que auferem dezenas de milhares de euros por ano a mais não manifestos ou disfarçados. 

Dos que hoje se consideram ricos uma grande parte do dinheiro não virá apenas exclusivamente de rendimentos do trabalho, virá também de retornos de investimentos e legados e, a grande maioria, de lucros gerados pelos investimentos e outros rendimentos. Não há mal nenhum desde que contribua em função de todos os seus rendimento e património. 

Mariana Mortágua poderá ter boas intensões sociais mas tem uma visão demasiado romântica da economia sociopolítica do marxismo clássico e ortodoxo de meados do século XIX. Mas, não vou agora entrar por essa discussão.

O imposto sobre a totalidade do património imobiliário de que de fala Mariana Mortágua vai atingir quem tem património acumulado no valor acima de determinada verba, entre 500 e um milhão de euros. Não há certezas. Segundo alguns o novo imposto sobre o património destina-se a substituir o imposto de selo em vigor por outro de 1% sobre prédios com valor patrimonial tributário (VPT) superior a um milhão de euros. O que está em discussão é um novo cálculo em que o que conta não é o valor patrimonial de um edifício ou de um andar, mas a soma de todo o património.

Sobre isto, comentadores que mais parecem deputados da oposição de direita, são duma falta de seriedade notória. Insurgem-se alegando prejudicar o investimento e, como tal, o crescimento.

Antes de continuar recorde-mos o que dizia o deputado social-democrata Luís Menezes em agosto de 2011 quando considerava então que o projeto de lei do BE para taxar as grandes fortunas era "meritório", mas argumentava que "a pressa é inimiga da perfeição" e que o PSD está a "estudar" a matéria. O BE tinha apresentado naquela data um projeto de lei para a criação de um "imposto de solidariedade sobre as grandes fortunas", incidindo no património global acima de dois milhões de euros.

Esquecem-se também do disse Passos Coelho sobre este assunto agora em cima da mesa e que pode ser visto no vídeo que se segue, que está a ser utilizados como propaganda do BE , mas o certo é o que ele mesmo afirmou.

 

 

Aqueles comentadores que falam de catastróficos prejuízos no investimento procuram, rebuscam catastróficas previsões, sem ainda saberem ao certo os contornos desse tal imposto. Faço um investimento na compra duma habitação na cidade com um valor de mercado superior a 500 mil euros e mais uns terrenos, e, mais ainda, uma casa para férias num sítio localizado numa paisagem estratégica. A pergunta é: quantos postos de trabalho criou este investimento, sem contar com a pequena parcela no setor aquando da sua construção? E, quem o vendeu poderá ou não colocar o dinheiro que recebeu da venda ou parte, fora do país? Ah pois! Não está sequer em causa a dinamização do mercado da construção para um mercado especial de elevado capital que deve continuar. Mas a gente do meu país costuma que, quem quer luxos paga-os.

A confusão gerada pela comunicação social sobre este possível imposto foi culpa da própria Mariana Mortágua, mas lançar pressupostos para a opinião pública de que ele se destina à classe média e à habitação familiar não é mais do que um embuste argumentativo e uma falta de seriedade.

Afirmações de pessoas com responsabilidades como esta que incluo, “novos aumentos dos impostos sobre o imobiliário que, a exemplo do passado, apenas conduzem ao aumento da tributação sobre as famílias, à redução do investimento e a graves efeitos sobre a atividade económica colocando em causa o acesso a bens fundamentais, como a habitação”, são hilariantes. Os sublinhados são meus. Mas que famílias? Que bem fundamental? São patrimónios de valores astronómicos e de exceção. Claro que são legítimos, e estão de acordo com a capacidade financeira de cada um e ninguém coloca a sua posse em causa, mas deixem-se de demagogia mais ou menos de má qualidade e, sobretudo indefensável.

Eu, que tenho uma habitação de luxo no valor de 800 mil euros, e pedi um financiamento a um banco de 400 mil euros auferirei, com certeza, rendimentos suficientes para cumprir com as obrigações do financiamento e com a manutenção da habitação de família e se lhe juntar mais uma casa de férias no valor de 500 mil euros terei, por acaso, algum problema em pagar 1%, se for esse o caso, sobre todo o meu património, de cerca de 13 mil euros que corresponde a muito menos do que o valor anual dum ordenado mínimo.

Mas em que posição afinal me coloco neste caso? Pergunta pertinente de quem teve paciência para ler até aqui.

Voltemos então ao tema que interessa. Gerar na opinião pública um rancor contra quem é rico e aqui o conceito de rico é subjetivo como já vimos atrás, é tão negativo como gerar animosidade contra quaisquer outras classes sociais e trabalhadoras como já foi o caso num passado próximo de governação neoliberal.

Para parecer bem aos radicais do seu partido, e para se evidenciar politicamente pela diferença Mariana Mortágua tornou público algo ainda não definitivo, logo, a comunicação social especula, inventa, deduz sem premissas válidas, desestabiliza, influencia e, com isso, cria a dúvida na opinião pública levando a que, quem adquiriu casa para habitação familiar própria também já se vê a pagar esse tal e indefinido imposto.

Alguns comentadores, não isentos nas suas análises, parecem mais ser porta-vozes duma direita retrógrada e, na ansia de ser notados, só lhes falta dizer que retiremos os impostos aos ricos e aumentemos os impostos sobre o trabalho, cortemos nas pensões, não nos deles, claro. Não brinquemos com coisas sérias. Devemos hostilizar os ricos? Não. Precisamos de mais ricos? Sim. Mas a riqueza de que Portugal precisa é para investimento que crie riqueza, postos de trabalho e que contribua para as exportações e não uma fortuna originada apenas pela pura e simples especulação. Aí, os governos, sejam eles quais forem, em países como o nosso, têm o dever de criar incentivos e controlar os resultados desses incentivos.

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publicado às 16:18


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