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O aquecimento global não é só climatérico é também político

A necessidade de protagonismo é uma praga que, cada vez mais, atinge e se estende a vários grupos so

por Manuel AR, em 05.11.19

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A necessidade de protagonismo é uma praga que, cada vez mais, atinge e se estende a vários grupos sociais e a pessoas da política e fora dela. Utilizam todos os meios convencionais que têm ao dispor para alcançar esse objetivo e, falhado esses, são as redes sociais o seu meio preferencial.

A política não tem sido parca a esse fenómeno, nomeadamente os populistas de extrema-direita e também, em menor escala, a extrema-esquerda, cada um à sua maneira, que têm começado a ter cada vez mais protagonismo. Será este um dos males trazido pela exigência com que os mentores da mais e melhor democracia nos têm invadido como se a que temos já não chegasse? Os resultados, mascarados com a mais democracia, começam a ser visíveis na Europa e no resto do mundo.

 A temperatura das manifestações sociais espontâneas ou manipuladas por vários grupos extremistas tem subido em vários locais do mundo prevendo-se temperaturas muito mais extremas provindas de fenómenos políticos atípicos.

Justificadas por várias causas, quer remotas, quer próximas, com diferentes virulências e motivações específicas, estão a verificar-se conturbações e crispações sociais em várias nações. No Líbano, no Iraque, em Hong Kong, em Paris, Londres Barcelona entre outras. A estas vieram acrescentar-se recentemente e agora com mais vigor as lutas em prol do ambiente.

Todos parecem estar empenhados, negros, brancos, várias etnias e religiões, árabes, asiáticos, homens, mulheres ou crianças. Nesses países as palavras de ordem são semelhantes. Seja em castelhano, inglês, árabe ou qualquer outra língua, é surpreendente a semelhança dos cartazes e das palavras de ordem.

Nenhum dos protestos pode ser reduzido a uma só questão nomeadamente a económica. Muitos dos protestos desencadeados por indivíduos ou grupos que se distinguem pela violência e pelo alimentar do medo nas populações a forma de serem ouvidos e colocados nas primeiras páginas do jornais e aberturas da informação televisiva. E os noticiários televisivos dão-lhes cobertura e relevância porque o medo e a violência compram audiências.

As consequências destes movimentos inorgânicos ou organizados, alguns pouco democráticos demonstrado pelas suas atuações violentas, são a satisfação das exigências e a cedências às suas reivindicações feitas pelos governos. Mas, mesmo com a satisfação das exigências esses movimentos continuam com os protestos.

O que aparentemente desencadeia as manifestações com consequente violência desenfreada nas ruas é normalmente a pretexto de alguma coisa de concreto, como por exemplo a lei da extradição num território (p.e. Hong Kong), o aumento de preços dos combustíveis num lado, o custo de vida no outro, as prisões ditas políticas aqui, as desigualdades ali. São algo de concreto, mas são motivos que apenas servem para disfarçar outras realidades ainda ocultas, disseminadas, mas em estado mais do que embrionário prontas a emergir em qualquer momento. Os geradores destes embriões, os que os alimentam, não se conhecem exatamente quem são, mas andam por aí dispersos.

Todas estas manifestações já são mais do que isso, são insurreições, são o caldo de cultura virulenta que pode conduzir aos populismos e totalitarismos, soluções que muitos acham que poderão resolver o objeto do descontentamento.      

Coincidência, ou não, o crescendo da turbulência que já tinha sido semeada agravou-se com a política de desorientação, desvario e confusão resultante da eleição de Donald Trump nos EUA.

 A direita, e sobretudo a extrema-direita, mais do que a esquerda, têm nas redes sociais uma rede de gente cuja missão é a desinformação, a difusão de propaganda e notícias falsas de forma a descredibilizarem, as instituições democráticas e os políticos. Utilizam as liberdades democráticas para promover a erosão da confiança nas autoridades, encorajar a militância que nutra a raiva contra o sistema político através de publicações sobre assuntos como a raça, imigração, género, convocações de manifestações inorgânicas, etc. São uma espécie de departamentos idênticos aos que engendravam desinformação e conspirações no tempo do estalinismo soviético e do nazismo, mas que utilizam agora as redes sociais e a Internet como veículos de difusão. 

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publicado às 19:17

Intocáveis

por Manuel AR, em 31.07.19

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Uma comunicação social livre e independente são bases fundamentais para a democracia sem a qual deixaríamos de ter um escrutínio do poder.

De censura nos chegou cinquenta anos de ditadura. Mas a liberdade de expressão que todos queremos manter parece ter-se transformado numa ditadura de outra espécie de polo contrário, isto é, a ditadura da pressão dos órgãos de comunicação social, sobre o poder mesmo sem causa fundamental.
A forma como a comunicação social reage em bloco quando alguém fala mais duro com os senhores jornalistas que se sentem virgens ofendidas conduziu a ser ponto assente para eles reservarem-se o direito de passar a ser ponto assente a procura de pretextos, ou factos, que sirvam para atacar quem lhes causou tal agravo.
Mal-habituados que estão a críticas e porque têm o poder na mão, desencadeiam ações a propósito de pretextos casuísticos para desenvolverem junto das suas redações movimentos que “punam” com severidade na praça pública quem tais pretensas ofensas lhes faça. Quando tal se proporciona entram em ação os “justiceiros” da comunicação social do século XXI apedrejando publicamente os hereges que não se portem na linha.
São os alarmistas da nossa praça. Não há ninguém que lhes toque. Se tal acontecer seja por críticas ou comentários que se lhes façam soltam-se grito de alarme no mercado dos ecrãs televisivos e nas primeiras páginas dos jornais: “Ai que estamos outra vez na censura!”. Chovem então críticas sobre os atrevidos dos políticos tentando por todos os meios ao seu alcance destruí-los na praça pública.
Intocáveis e incorruptíveis, para além do mercado da informação entram também pelo campo da política partidária, sendo brandos com uns e inflexíveis com outros.
 
E com isto vou para Londres que me espera hoje mesmo.

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publicado às 16:07

A União Europeia pode estar em perigo - I

por Manuel AR, em 16.04.19

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O que se passa na Europa: o regresso às ameaças do passado?

Falta aproximadamente mês e meio para as eleições europeias e, segundo as sondagens, parece haver na U.E. uma tendência de subida de partidos extremistas de direita, populistas e nacionalistas.

Segundo um estudo que analisou quase 48 milhões de mensagens publicadas entre 15 de dezembro de 2018 e 20 de janeiro de 2019, realizado pela Alto Analytics, Big Data and Artificial Intelligence os partidos mais mencionados na Europa em debates públicos online são os eurocéticos, nacionalistas, extremistas de direita e anti-imigração.

Antes de continuar convém clarificar o que, baseado em vários investigadores, se entende por populismo no contexto deste artigo. Populismo pode ser encarado sob três conceitos principais: como ideologia, como um estilo de discurso e de narrativa e como uma forma de mobilização e estratégia política. Como ideologia é um conjunto de ideias inter-relacionadas sobre a natureza da política e da sociedade. Como estilo e característica de discurso e de narrativa tende a ser uma forma de fazer afirmações sobre política para captar através do sentimento e emoção a atenção do público a que se dirige. Como forma de mobilização e estratégia política uma forma de mobilização e organização.

Todos eles, sendo enquadrados em vários contextos sociais e políticos o discurso e as narrativas têm características populares de significado “altamente emocional e simplista” e dirigido aos "sentimentos viscerais" das populações. Guiam-se por uma política oportunista com o objetivo de, rapidamente, agradar às pessoas, potenciais eleitores. Assim, podemos considerar o populismo ainda como uma ideologia que considera a sociedade separada em dois grupos homogéneos e antagónicos, "o povo puro" versus "a elite política corrupta”.

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A intensificação e o crescimento dos votos em partidos da extrema-direita populista em vários países da U.E. começam a ser preocupantes e as vozes extremistas que aparecem nas redes sociais são também uma prova disso. Para poderem justificar as alarvidades que pronunciam aquele tipo de partidos utiliza a argumentações de que, nas atuais democracias, não há liberdade de expressão. Quem sempre restringiu a liberdade, tirando a extrema-esquerda que hoje deixou de ter influência significativa, foi a extrema-direita quando esteve ou quando está no poder (censura na imprensa como na Hungria hoje em dia).

Extrema-direita e o mimetismo da democracia

Os partidos da extrema-direita, mal-aceites no passado por outros partidos mesmo os considerados de direita, apresentam-se agora nos parlamentos da maioria dos países da Europa Ocidental e participam no governo em vários deles tendo, portanto, a capacidade para influenciar a formulação de políticas nesses países, nomeadamente no impacto que possam ter nas políticas públicas.

A presença das ideias políticas de extrema-direita deve ser um desafio ético-político fundamental aos que recusam o irracionalismo, os discursos populistas e as práticas racistas, étnicas, xenófobas, sexistas e opressoras apelando a nacionalismos radicais e autoisolacionistas.

No plano político, conservadores, e os politicamente reacionários a tudo o que advenha dum sistema democrático ou até mesmo do centro-direita pertencem em parte ao campo ideológico da direita extrema, resistindo a mudanças estruturais que sejam favoráveis às classes trabalhadoras e que levem a perdas de poder económico e político. No outro lado encontram-se os reformistas, socialistas e comunistas que se têm constituído, cada um por seu lado, em frentes comuns de defesa da democracia política. Cada um reivindica para si a defesa da democracia atacando-se mutuamente de serem causadores da sua perda em favor da extrema-direita, ou reivindicam eventuais vitórias como o que se tem verificado em Portugal onde existe um acordo parlamentar entre partidos de esquerda e de centro-esquerda.

(Continua...)

 

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publicado às 21:36

Democracia, anarquia e redes sociais

por Manuel AR, em 04.12.18

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O que se está a passar em França leva-nos a refletir sobre a decisão de voto consciente e informado. Sobre a política interna francesa pouco ou nada sei a não ser a informação que me chega pelos órgãos de comunicação, daí que a minha opinião se centra apenas na forma e não no conteúdo justo ou não das reivindicações aprovadas, apresentadas por meios formalmente pouco democráticos.

Quando Macron foi eleito o povo francês com a experiência que teve com François Holland não quis que o PCF voltasse ao poder e votou no centrista Emmanuel Macron, [República em Marcha, partido de Macron], alguém fora dos partidos convencionais, tendo sido eleito em 2017 com 66,10% dos votos, contra 33,90% da candidata de extrema direita Marine Le Pen, na segunda volta das eleições presidenciais francesas.

Os franceses quando votaram Macron não sabiam ao que iam? Um povo que se diz politizado, e é, foi engando por um político sem experiência governativa? Os franceses escolheram sem saber o que escolhiam, ou foi o desaire do período Holland que os levou a eleger um candidato liberal do centro direita sem saber o que faziam?

Direita é direita seja do centro, ou não, mas há diferenças com a extrema-direita a quem deram 33,9% dos votos e que agora, no Parlamento, incentiva e apoia manifestações violentas.

Esta espécie de rebelião dos autodenominados “coletes amarelos” agrada à extrema-direita e à extrema-esquerda, a cada um por razões diferentes. Para os franceses Macron terá salvo a França dos socialistas, e agora?...

No meio da rebelião de descontentamento generalizado aproveitado por movimentos inorgânicos de cariz caótico, sem liderança efetiva e onde surgem espontâneos representantes ad hoc para dialogar com o Governo, Marine Le Pen faz o seu caminho e apanha a boleia reivindicando eleições antecipadas. É a extrema-direita em oposição com a própria direita que governa o país!

Estas manifestações que se tornaram violentas, sem horizonte de responsabilidade, são uma ameaça democrática à democracia porque apoiadas pela imaturidade, debilidade, incerteza e impaciência de alguns cidadãos. É um paradoxo ter de proteger a democracia dos cidadãos. A democracia é demasiado importante para ser deixada nas mãos de um povo que se deixa conduzir por movimentos sem liderança e destituídos de qualquer ideologia. Uma espécie de anarquismo dos tempos modernos que reivindicam tudo o que lhes passe pela cabeça sem acautelar consequências.

Há quem faça comparações ao maio de 1968. Parece-me que não, o maio de 68 tinha na sua génese princípios e conteúdos ideológicos nos discursos e na liderança. Atualmente este tipo de movimentos, ditos espontâneos que se tornaram violentos, parecem-se mais com os movimentos juvenis que eram estimulados pela extrema-direita nazi na Alemanha no tempo do Hitler, mas, até nesses, existia uma base ideológica.  

Uma das palavras de ordem dos manifestantes é a descrença nas elites e fazem reivindicações que pode ler aqui, muitas delas irrealistas e infantis parecendo redigidas por adolescentes em fase de revolta interior e plenas idealismo.

Para os franceses o palco de violência reivindicativa que se instalou em Paris, causador desta constante insegurança semanal, mostra ser mais importante do que o terrorismo vindo de fora que a França tem que enfrentar e combater, pois, parece que grande parte da população apoia estes distúrbios reivindicativos.

Hoje soube-se que o Governo francês recua e suspende aumento dos combustíveis e um tal Benjamim Cauchy dos coletes amarelos diz como se fosse um adolescente a despertar para a autonomia dos pais diz: "Não somos marionetas de políticos que querem continuar a dar-nos lições. E é isso que nos diz a linguagem dos deputados do República em Marcha [partido de Macron] nas declarações que têm feito aos media". Mas que sabem eles de gerir uma Nação, um Estado? E, claro, ontem, segunda-feira, os partidos da oposição foram dizer ao primeiro-ministro, Édouard Philippe, que é urgente satisfazer algumas exigências das pessoas que protestam nas ruas. A oposição aproveita sem esforço a deixa que lhes foi dada pelo movimento. Só que essa tarefa está a ser dificultada pela falta de uma frente unida de interlocutores no lado dos "coletes amarelos", o que faz com que este movimento se coloque numa posição de anarquia sem objetivos políticos bem definidos.

Como escreve Edgar Morin no jornal Le Monde de hoje:

"Nenhum líder, nenhum chefe, nenhuma estrutura, nenhuma ideologia, que reúna o descontentamento, deceções, frustrações, raiva heterogénea e diversa, do aposentado ao fazendeiro, o membro do Encontro Nacional aos jovens urbanos não subjugados.

Mas essa força inicial tornou-se uma desvantagem no momento em que era necessário anunciar um programa de outra forma, pelo menos, uma orientação para reformas, e não remoções fiscais ou a renúncia do presidente. Certamente, várias alegações formuladas por meio de diversas vozes incluem sugestões relevantes misturadas a ideias improvisadas. Mas carece totalmente de um pensamento orientador e tal pensamento levaria a uma divisão entre os componentes heterogéneos de um movimento onde a raiva unida contra o poder são, na verdade, antagónicas entre si. Portanto, qualquer coisa que poderia ser um movimento bem-sucedido pode levar a uma falha final”.

Veja-se abaixo as reivindicações exigidas do tipo caseiro e alguma difícil execução numa democracia liberal e até mesmo socialista. Que partido acham os ditos “coletes amarelos” poderão satisfazer todas estas reivindicações?

Ignorância a quanto obrigas!

  • Acabar com os sem-abrigo urgentemente
  • Pagamento mais fatiado do Imposto sobre o rendimento
  • Favorecer o pequeno comércio nas vilas e centro das cidades (cessar a construção de grandes áreas comerciais em torno das principais cidades, que prejudicam os pequenos negócios
  • Mais estacionamento gratuito no centro das cidades
  • Que os grandes (MacDonald’s, Google, Amazon, Carrefour...) paguem muito e os pequenos (artesãos, pequenas e médias empresas) paguem pouco
  • Sistema de segurança social igual para todos (incluindo artesãos e empresários). 
  • Fim do aumento do imposto sobre o combustível
  • Nenhuma pensão abaixo dos 1200 euros
  • Os salários de todos os franceses, bem como as pensões e subsídios, indexados à inflação.
  • Proteger a indústria francesa, proibindo as deslocalizações
  • Fim do trabalho desvinculado
  • Limitar mais o número de contratos a termo nas grandes empresas
  • Fim da política de austeridade, interrompendo o pagamento da dívida considerada ilegítima sem fazer cobranças aos mais pobres e arrecadar 80 mil milhões de euros perdidos devido à evasão fiscal.
  • Resolução das causas que geram migrações forçadas
  • Que os requerentes de asilo sejam bem tratados. Colaboração com a ONU para criar centros de acolhimento em todo o mundo para instalar imigrantes e refugiados enquanto o processo de pedido de asilo decorre
  • Implementação de uma política de integração real. Curso de francês, de história de França de educação cívica, com certificação
  • Aumento do salário mínimo para os 1300 euros
  • Criação de empregos
  • Rendas mais baratas, sobretudo para estudantes e trabalhadores precários
  • Mais meios para o sistema judicial, polícia e exército
  • Todo o dinheiro gasto nas portagens deve ser investido na manutenção e desenvolvimento das estradas
  • Como preço do gás e da eletricidade aumentou desde que o sector foi privatizado, pede-se a nacionalização e a redução dos preços
  • Mais meios para a psiquiatria
  • Incluir o referendo na Constituição e consulta mais frequente do povo a nível nacional e regional
  • Voltar ao mandato presidencial de sete anos
  • Idade da reforma a partir dos 60 anos e para todos os trabalhadores com trabalho físico a partir dos 55
  • Fim do imposto retido na fonte
  • Fim dos subsídios vitalícios dos Presidentes

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publicado às 16:54

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De acordo com o jornal Le Monde  estará marcada um nova manifestação dos “coletes amarelos” em França para sábado 1º de dezembro?

Apesar do discurso de Emmanuel Macron em 27 de novembro, apesar da reunião de representantes do movimento com o ministro da transição ecológica François de Rugy (27 de novembro) e depois com o primeiro-ministro Edouard Philippe (30 de novembro), mais um dia de a mobilização está planeada em toda a França.

Marine Le Pen líder do partido União Nacional, ex FN, sob a capa da moderação, provoca implicitamente o confronto quando disse na Europe 1, segundo o jornal FranceSoir,  "Se os Champs Elysees forem interdito aos “coletes amarelos” eles sentirão isso como um ato de  mais humilhação, mais uma forma de desprezo", argumentou o Marine Le Pen. "Os Champs-Élysées é uma avenida que é o símbolo da França, ora os “coletes amarelos” são o povo francês…” Eles consideram isso como como sendo seu.”, afirmou Le Pen. Pode conferir aqui.

Segundo uma sondagem  em França que pode ver aqui são cada vez mais os franceses que apoiam os “coletes amarelos” e os protestos pela redução de impostos e reposição do poder de compra: 84%,. Os eleitores da União Nacional de Le Pen, antiga FN, são os que mais apoiam a contestação com 92%. Os apoiantes de Macron dividen-se: 50% apoiam e 50% não.

Isto leva-nos a refletir sobre este tipo de movimentos. As manifestações são ações democráticas em que se pretende expressar coletiva e publicamente um sentimento ou uma opinião podendo ser

 

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publicado às 18:58

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Quem anda pelas redes sociais e escreve em blogs e escuta comentários nos canais de televisão lê e ouve o que gosta e o que não gosta, até mesmo o que vem de alguns energúmenos da asneirada ofensiva e da mentira que proliferam nas redes sociais. Daí é necessário ter a dose respetiva de capacidade psicológica para o encaixe, e a disposição necessária para o desprezo de certo tipo de comentários.

Veja-se o exemplo do que se passou durante a campanha eleitoral no EUA e continua ainda a passar-se e, mais recentemente, no Brasil com Bolsonaro. Fazer comentários nas redes sociais contra ou a favor do que quer que seja ou denunciar notícias falsas não vale a pena porque, quando se trata de campanhas que se apoiam principalmente nas redes socias, a maior parte das vezes as respostas que contestem tais notícias mesmo que falsas e respetivos comentários caem no saco roto nos eleitores porque o povo irá votar irracionalmente, tanto mais, quanto a irracionalidade das atitudes perigosas e grosseiras investidas por quem faz campanha e apoia certas ideias contra a democracia, os políticos,  os candidatos ou os partidos de forma radical, violenta, primitiva, brutal, deseducada.

Tenho-me referido várias vezes aos comentários e artigos de opinião escritos na imprensa alguns deles escritos para elites digerirem. José Miguel Tavares, uns dos liberais com o qual raramente estou de acordo que escreve artigos de opinião para o jornal Público, referiu naquele jornal, a propósito das eleições no Brasil, que: “as elites artísticas, intelectuais e jornalísticas têm de meter na cabeça de uma vez por todas que a sua influência sobre o povo, na hora do voto, é nula. Que os seus poderes de mediação e de persuasão, na era das redes, evaporaram-se de vez. Que ter escritores, comentadores, historiadores, músicos ou jornais a criar vídeos, e manifestos, e hashtags, e editoriais, e o diabo a quatro, onde do alto da sua imensa sabedoria tentam explicar ao povo brasileiro (como já haviam tentado explicar ao povo americano) em quem ele deve votar, é uma ridícula figura, por uma razão muito simples – aquele voto, o voto de dezenas de milhões de brasileiros e de norte-americanos, também é contra nós”.

Face a isto o confronto democrático e o debate político deve passar a seguir outro caminho porque a exigência do povo pela qualidade intelectual e cultural tem vindo a deteriorar-se progressivamente devido às redes sociais onde alguns exprimem o que lhes vai na alma através de grunhidos grosseiros rebuscados nas profundezas das cavernas mais obscuras de certa política partidária e ideológica que por vezes são mais eficazes do que dissuasores.

Nesta era das tecnologias da informação e comunicação todos passámos a ser, para além de consumidores, produtores de informação, falsa ou não, boa ou má, sem censura, enfim  sem quaisquer riscos que não sejam os comentários dirigidos. A informação que antigamente era validada, e conferida segundo critérios pelos órgãos de comunicação social – felizmente alguns ainda continuam a seguir – deu lugar à desinformação desenfreada nas redes sociais e à contra informação, numa competição sem tréguas do quanto mais falso e ofensivo melhor que contribui para confundir opiniões, até as dos bem intencionados, numa espécie de rodopio de notícias confusas, e não factos, difundidas pelas redes.

Quem mantém blogs de opinião política seja qual for o quadrante, mesmo de visão sectária, está no seu direito de liberdade de expressão que a democracia lhe confere. Já no que diz respeito á comunicação social, nomeadamente a imprensa, a coisa é diferente. Detesto jornais de orientação tendencialmente unilateral. Em jornais online com opiniões provenientes de vários quadrantes ideológicos e partidários aparece de tudo na zona dos comentários, desde os que se insurgem contra a opinião do autor fazendo comentários insultuosos até aos que defendem as suas opiniões e criticam outros como se fossem eles os proprietários de verdades absolutas. Nestas tarefas de crítica e opinião no domínio da política temos de ter a capacidade de encaixe suficiente para podermos ler e ouvir quer o que gostamos ou com que concordamos, quer o que não gostamos ou com que não concordamos e se assim não for o melhor é: não comentar.

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publicado às 23:10

Bolsonaro na imprensa internacional

por Manuel AR, em 27.10.18

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Sobre as eleições brasileiras abstenho-me de comentários porque não tenho acompanhado a a política do país. Sei que o PT devido à corrupção que fez grassar no seu interior cometeu erros sucessivos, agora irá pagar por isso. O PT, em vez de apoiar o político de centro-esquerda Ciro Gomes, que teria uma chance real contra Bolsonaro, insistiu no seu próprio candidato.  

Incluo abaixo alguns comentários da imprensa internacional sobre o candidato Bolsonaro, presumível vencedor que podem confirmar nos respetivos sites, na língua respetiva claro está.

 

Estados Unidos

  • The New York Times: "Brasil namora um retorno aos dias sombrios";
  • Financial Times: "O 'trágico destino' brasileiro de uma rebelião antidemocrática surge novamente";
  • Huffington Post: "Jair Bolsonaro e o violento caos das eleições presidenciais no Brasil";
  • Revista Time: "Jair Bolsonaro ama Trump, odeia gays e admira autocratas. Ele pode ser o próximo presidente do Brasil";

 

Alemanha

  • Deutsche Welle: "Analistas alemães veem democracia no Brasil em risco";
  • Zeit: "Um fascista apresenta-se como homem honesto";

 

Reino Unido

  • The Economist (capa): "A mais nova ameaça na América Latina";
  • The Economist: "O perigo representado por Jair Bolsonaro";
  • The Times: "Jair Bolsonaro, populista 'perigoso' promete tornar o Brasil seguro";
  • The Guardian: "Trump dos trópicos: o perigoso candidato que lidera a corrida presidencial do Brasil";

 

Austrália

  • The Australian: "Conheça o candidato que é um risco à democracia";
  • The Sydney Sunday Herald: "Porque é que alguns no Brasil estão a virar-se para um explosivo candidato de extrema-direita para presidente?";

Portugal

  • O Público: "Bolsonaro, o jagunço à porta do Planalto";
  • Diário de Notícias: "Jair Bolsonaro é perigo real no Brasil e segue passos de Adolf Hitler";

França

  • Le Figaro: "Brasil nas garras da tentação autoritária";
  • Liberation: "No Brasil, um ex-soldado para liquidar a democracia";
  • Le Monde: "Trump tropical, homofóbico e machista";

Espanha

  • El País: "Bolsonaro é um Pinochet institucional para o Brasil";
  • El Mundo: Líder polémico. Bolsonaro: o candidato racista, homofóbico e machista do Brasil";

 

Itália

  • Corriende della Sierra: "Um pesadelo chamado Bolsonaro";
  • La República: "Bolsonaro, líder xenófobo e antigay que faz o assalto à Presidência do Brasil";

Suíça

  • Neuen Zürcher Zeitung: "O faxineiro racista do Brasil";

Chile

  • El Mercurio: "Bolsonaro assusta com soluções simplistas e autoritárias";

Argentina

  • La Nacion: "Linha dura e messianismo: Bolsonaro, o candidato mais temido, se lança para a presidência";
  • El Clarín: "Jair Bolsonaro: militarista, xenófobo e favorito para a eleição brasileira".

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publicado às 17:37

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A direita e a esquerda são duas atitudes ideológicas de estar na política e de a praticar quer na forma quer nos procedimentos. No que se refere ao Estado Social, à economia e às finanças a direita e a esquerda posicionam-se em campos diferentes. Entre direita e esquerda a visão sobre alguns destes campos é diferente, noutros são idênticos nos objetivos, mas seguem cada um pelo seu caminho.

Antes de avançar que convém esclarecer a evidência de que, quer na direita, quer na esquerda situam-se espetros diferentes, uns com ideologias mais radicais, outros ainda com vias mais moderadas que muitos incluem no domínio dos centros: centro-esquerda ou centro-direita.

Nunca houve uma única esquerda nem uma única direita, mas várias. Os extremismos de direita e de esquerda são os filhos irreverentes, ou melhor, os filhos rebeldes, os que não são bem aceites em cada uma das duas famílias.

Para os radicais de esquerda o capitalismo é um mau sistema, para a esquerda moderada é uma forma de organização económica compatível com o Estado Social. O socialismo democrático e parlamentar e a “verdadeira” social-democracia aceitam o capitalismo e a democracia parlamentar, mas exigem que os recursos sejam distribuídos com mais equidade olhando também para os setores mais desfavorecidos.

A direita reclama o direito de ter sido a inventora da liberdade no seu sentido restrito da organização económica e afirma a sua incompatibilidade com o Estado Social que se deve situar apenas no assistencial. Certa direita entende por liberdade o direito a enriquecer. Entre a esquerda e a direita há por vezes uma confusão para o conceito de liberdade. Mário Soares defendeu logo após o 25 de abril a democracia e socialismo em liberdade para estabelecer uma linha divisória inultrapassável entre o socialismo democrático e parlamentar e o comunismo do PCP ditado pela ditadura da classe operária e de outras forças da extrema-esquerda e assim continua.

Com o neoliberalismo dos anos oitenta nos EUA com Thatcher e no Reino Unido com Reagan foi institucionalizada a guerra à assistência e, conforme tem sido demonstrado por vários economistas como Stiglitz (O Preço da Desigualdade) e Piketty (O Capital do século XXI), os americanos e os ingleses das classes médias ficaram mais pobres e os ricos ainda mais ricos.

O papel central das esquerdas, (cada uma  por vias diferentes), é o de incluir nos seus programas o papel central a redução das desigualdades sociais. Contudo, durante os últimos quarenta anos, a esquerda democrática foi perdendo a capacidade de criticar a direita, não se percebendo bem porquê, dando-lhe a primazia do controle ideológico.

A direita quando está no poder apenas acredita no mercado e afirma que os pobres apenas existem porque não querem trabalhar. Lembram-se da frase, “se vires um homem com fome não lhe dês um peixe, ensina-o a pescar?”. É o pensamento de alguma direita. Os governantes que exaltam a ganância como valor supremo estão a minar a coesão das sociedades.

No âmbito da direita são cada vez mais os que denunciam o Estado Social argumentando que este serve mais os funcionários nele integrados (os preguiçosos dos funcionários públicos) do que os utentes, e têm como objetivo deixar a cargo da caridade privada tudo o que seja de apoio social para onde, a prazo, alguma classe média seria também lançada.

A esquerda traça o retrato da direita como sectária, preconceituosa, inculta e atrasada movida pela ambição do lucro, insensível e relegando para segundo plano as preocupações o social.  

A direita, por seu lado, faz o retrato da esquerda como sendo clientelar em sentido lato, despesista, inepta a governar, isto é, acha-se única e com competência para governar. Como se a direita não fosse também clientelar.

Para a direita a esquerda é o pior dos mundos porque parasita o Estado para a partir dele distribuir lugares, subsídios à conta dos contribuintes. Ora o que temos visto ao longo dos anos de democracia são os escândalos da direita que, quando descobertos, são abafados, omitidos, esquecidos ou pouco divulgados pela comunicação social.

Para ambas, estes pontos de vista são extremados e ultrapassam o racional situando-se no campo emocional.

Devido aos atentados terroristas a esquerda, nos países com problemas, teve que tomar medidas de controle e vigilâncias devido à ameaça real aos valores da democracia que normalmente são do âmbito da direita e que apelidava de fascizantes.

A direita quando critica a esquerda apaga do seu rol as crises financeiras e económicas que possibilitou e até facilitou. Refiro-me à direita global que fez abalar a confiança no sistema liberal e neoliberal e na sua capacidade de autorregulação dos chamados mercados e falhas de supervisão, não sabemos se voluntárias ou por incompetência. A direita esquece os sucessivos escândalos financeiros que têm provado que, num sistema liberal ou neoliberal, o capitalismo sem controle não tem nada de virtuoso. Nem todos os chamados capitalistas se enquadram no perfil de virtuosidade que muitos ideólogos dizem por aí.

A esquerda democrática, ou socialismo democrático, é favorável à convivência entre o Estado e o mercados/empresas e empresários e é defensor da UE e da moeda única. A chamada centro-esquerda e o centro-direita têm vindo a diluir-se cada vez mais, como se verificou por exemplo em Portugal pela deriva da social-democracia para o neoliberalismo verificado na última década deixando o papel que era atribuído para os socialistas.

A direita fala do seu pragmatismo, coisa que as esquerdas, as da extrema, pretenderam sempre contrariar, mas assumem hoje em dia que já não são como no passado uma alternativa ao sistema passando a querer integrá-lo. O mesmo se passa com a direita e as suas extremas com a nuance de que estas querem de facto passar a tomar conta do poder vendo para tal entreabertas as portas através nas eleições, graças ao populismo, como se tem vindo a verificar por essa Europa.

A bandeira das novas extremas-esquerdas deixou de ser a revolução para a tomada do poder, mas a defesa intransigente do Estado Social e a “luta”, dos direitos dos trabalhadores e contra o neoliberalismo.

Os defensores da direita agarram-se ao argumento baseado em que, antes da crise, havia desigualdade entre rico e pobres, mas havia salários aceitáveis(?) e empregos certos. Argumento este falacioso para a manutenção dum status quo que lhes interessa: a política da manutenção de salários baixos e uma mão de obra obediente que aceite qualquer trabalho passando uma mensagem na ótica do medo do desemprego, isto é, mais vale ganhar mal e ter trabalho certo do que não o ter.

Curiosamente, o modelo da esquerda radical, inspirado pelo maio de 68, a esquerda dos intelectuais foi o que permitiu a reconstrução da Europa no pós-guerra. Era os tempos do Chanceler Adenauer na Alemanha e do tempo do trinta anos gloriosos em França,   período de crescimento forte e contínuo que deu ao país o seu lugar como grande potência industrial e, à época, quase de pleno emprego, foi o da criação do Estado Social. Na Inglaterra surgia o Relatório Beveridge, o “Report on Social  Insurance and Allied Services” conhecido como Plano Beveridge (em1942), cujo mérito foi o de ser o precursor de um plano político concreto, com propostas de reformas sociais abrangentes e universalistas (Welfare State). Assim, foi capaz de implantar um avançado regime de proteção social obtendo ampla aceitação com repercussão na aplicação prática.

O modelo económico da esquerda radical, na altura e naqueles países, era baseado no consumo e no investimento privado, na segurança no emprego, no Estado Social e numa democracia representativa.

A direita, para obtenção, de votos tende a recorrer a formas de populismo inconsequentes que se aproximam das da extrema-direita, esta, por seu lado, através das suas promessas, capta à direita moderada eleitores insatisfeitos com o sistema.

Face ao cenário do que se tem passado na Europa, não será de depreciar que, a direita liberal, para manter a sua sobrevivência, evitar a sua queda lenta, mas contínua, e subir nas sondagens nas intenções de voto, ceda à pressão e à tentação dos extremos procurando cobrir áreas mais radicais do tipo popularucho e nos domínios casuísticos que sabem explorando os domínios emocionais das populações.

A radicalização dos discursos à direita ou à esquerda ou às esquerdas radicais terá sempre efeitos perturbadores que apenas as descredibiliza e mina a confiança de todos os cidadãos.

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publicado às 18:18

O dia do 25 de Abril

por Manuel AR, em 25.04.17

 

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Algumas recordações do 25 de Abril em 2017 vão ficar por aqui. Este dia é também um dia para reflexão sobre o passado e para alguma autocrítica sobre as opções tomei. Concluí que ao fim de 43 anos de democracia e de eleições livres cometi três erros nos últimos sete anos por falta de análise criteriosa da situação política e partidária, o  que me levou a tomar opções que depois verifiquei serem erradas. O voto não pode ser visto como algo sem importância, nem ser feito de ânimo leve porque os erros, por vezes, saem muito caros. Um deles, o último não terá sido por desconfiança e esta, às vezes, não é boa conselheira.

 

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publicado às 21:48

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Encontramo-nos nas proximidades das comemorações do 25 de abril, faltam 48 horas, e é bom relembrar e relacionar factos casuais de personalidades da política atual com o passado.

Miguel Júdice foi recrutado pela TVI 24 para o comentário político há alguns meses atrás. É claro o espírito deste comentador. Não vou sintetizar o que ele tem dito, mas limito-me a citar um dos comentários mais recente, este no que toca a Marcelo Rebelo de Sousa.

Até parece coincidência, mas o jornal i de hoje publicou uma entrevista com José Miguel Júdice, um militante da extrema direita do pós 25 de abril que se reciclou posteriormente em democrata militando no PSD. Na entrevista Júdice tece comentários pessoais a políticos denegrindo alguns de forma muito clara, mas politicamente correta como um oportunista da política. Um dos atingidos foi Marcelo Rebelo de Sousa que considera como sendo «maquiavélico de forma instrumental, é ácido, às vezes, com as pessoas, mas isso não é o objetivo da vida dele. Se ele achar que esse lado da vida dele, às vezes lúdico, outras vezes sarcástico, lhe é útil, não deixará de o usar, mas ele quer ficar na história como o melhor e o mais importante Presidente da República em democracia». Não ficando por aqui diz ainda que «é manipulador, é capaz de jogar com as pessoas, é capaz de dizer mal das pessoas quando elas não estão presentes... Tem esses defeitos, mas tem enormes qualidades cívicas e é uma pessoa de uma honestidade elevada. É uma pessoa que faz falta na política».

Miguel Júdice dá uma no cravo outra na ferradura, mas lá vai passando a mensagem negativa.

Este advogado, ex-dirigente do PSD, membro do secretariado em 1984 e do conselho Nacional em 1985, logo após o 25 de abril participou em ações da extrema-direita como dirigente do PP – Partido do Progresso integrando posteriormente o MDLP - Movimento Democrático de Libertação de Portugal que «Spínola liderava e que contava com uma organização espalhada pela Espanha (Alpoim Calvão, José Miguel Júdice, entre outros), França (Sanches Osório) e Brasil, tinha sido já anunciado um mês e meio antes e começava a articular-se com o Exército de Libertação de Portugal (ELP), que unira figuras da extrema-direita, incluindo ex-elementos da PIDE, apostadas em “limpar o país de todos os cães comunistas e traidores” e com o Movimento Maria da Fonte, liderado pelo editor da obra de Spínola Portugal e o Futuro, Paradela de Abreu, e por Jorge Jardim, em íntima conexão com o Arcebispado de Braga e sectores empresariais do Norte do país contra sedes de partidos políticos da direita com o objetivo de culpar os partidos de esquerda» escreveu o jornal Público em 26 de abril de 2014, também relatado no livro Quando Portugal Ardeu, p. 75.  

«ELR MDLP, Igreja, ex-agentes da PIDE e da Legião, elementos de guerrilhas e movimentos avessos à independência das ex-colónias, mercenários, ex-militares, serviços de inteligência estrangeiros, banqueiros, empresários e industriais. A extensão da rede de cumplicidades e ramificações para pôr o Portugal pós-revolução a arder não olhou a meios nem a divergências de pormenor.

Os vários exércitos, da contrarrevolução, alguns avulsos, foram responsáveis por 566 ações violentas no País entre maio de 197 5 e abril de 1977, uma média de 24 atos de terrorismo por mês, quase um por dia, causando mais de dez mortes e prejuízos incalculáveis no património de vítimas e instituições. os partidos à esquerda do PS, com o PCP à cabeça, a par de militares e sindicatos, foram os alvos preferenciais de quase 80 por cento das bombas, assaltos, incêndios, espancamentos, apedrejamentos e atentados a tiro. A contabilidade foi coligida num Dossier Terrorismo, elaborado pelo PCR mas os cálculos não merecem suspeita. "Muito do que eles escreveram naquele livro está correto reconheceu Francisco Van Uden, do ELP. Também é um indicador de que eles possuíam uma estrutura de informação muito bem organizada, assume». (In Quando Portugal Ardeu, Miguel Carvalho, p. 79)

Em julho de 2006 o jornal Correio da Manhã noticiava que Conselho Superior acusava Míguel Júdice de violação das normas deontológicas. Em causa estava «uma entrevista ao Jornal de Negócios, em 2005, após o longo período de silêncio que se seguiu ao fim do mandato como bastonário. Júdice defendeu que o Estado devia contactar as três maiores sociedades de advogados do País para serviços de consultadoria, entre as quais a PLMJ da qual é sócio e que conta com 220 advogados. A declaração soou a publicidade e deu origem a um processo disciplinar.»

Muita coisa estará por contar sobre as manigâncias da extrema-direita da qual muitos dos seus cabecilhas e dirigentes se reciclaram em democratas espalhando-se pelos partidos da direita democrática donde agora manobram lenta e engenhosamente para conseguirem os seus intentos servindo-se da voz que lhes é dada pela comunicação social.

Ainda bem! É sinal de que estamos a viver em democracia e liberdade de expressão de pensamento, o que nos obriga à responsabilidade democrática de, após 43 anos, continuarmos atentos.

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publicado às 17:15


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