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Rui Rio e Passos Coelho.png

A) O Pedro

O 37º Congresso do PSD abriu a porta com o já esperado discurso de Passos Coelho que, dito à laia dum mestre-escola do passado, foi enfadonho e não trouxe nada de novo. Foi uma volta e uma revolta com desabafos sobre o passado, foi a declaração da síndrome de perda de poder e a tentativa para capitalizar (para o seu ego) os sucessos do atual Governo com a demonstração de alguns laivos de usurpação descarada.

Mais uma vez Passos Coelho utilizou um apagador de giz para apagar o que foi gravado, pelo seu governo, com ferros em brasa na memória da maioria das pessoas. Mais uma vez, e como já nos habituou, omitiu, alterou, deturpou, misturou realidades diferentes, enfim, utilizou a demagogia para se autojustificar das políticas que conscientemente praticou e continuaria a praticar caso viesse a ser novamente governo.  A síndrome da perda de poder continua a fazer dele um político do passado, neoliberal, com uma ilusão doentia e persistente que também passou aos seus fiéis diletos, a de que poderia ter governado durante uma legislatura completa com uma minoria de direita da Assembleia da República.

Para demonstrar a sua tese do diabo apresentou uma lista de países com índices de crescimento muito superiores ao nosso para ignorante iludir. Uma comparação linear, sem sequer tomar em conta outros indicadores, com países de realidades políticas e sociais diferentes das nossas, com governos de direita cujas práticas democráticas levantam sérias dúvidas, alguns deles até com governos próximos da extrema direita. Terá sido uma projeção/ identificação com as políticas que Passos gostaria de ver implementadas no nosso país?  Por outro lado, são países que não estiveram sujeitos a intervenção financeira nem tiveram durante esses períodos governos que destruíram a economia em nome do que chamavam reformas estruturais.

Mas tanto se fala no PSD de reformas estruturais que se esquecem de que estiveram cerca de dez anos consecutivos no poder com Cavaco Silva mais cinco consecutivos com Passos Coelho que como já disse várias vezes, fez promessas que não cumpriu e mentiu ao prometê-las e omitiu sobre o que pensava fazer quando estivesse no governo, isto entre 2011 e 2015.

Enfim, um lamento do poder perdido e o anseio pela vinda do diabo que o ajudasse.

 

B) O Rio

Rui Rio no seu discurso de abertura foi mais coerente e forte do que o seu antecessor. Não agitou as águas do congresso com aplausos e é compreensível. Nas eleições diretas Rui Rio não obteve uma vitória retumbante, ganhou com escassa margem tendo obtido 54,3% dos votos relativamente a Santana que obteve 45,6%. A vantagem de apenas 8,7% dos votos não lhe irá dar margem de manobra suficiente para poder agradar à ala neoliberal apoiante de Passos Coelho que foi muito aplaudido.

O partido está radicalmente dividindo entre duas forças que se querem fazer ouvir uma com potencial matriz social-democrata e outra de direita neoliberal com saudosismos dum passado e que, como Passos Coelho ainda não se purificou do trauma das eleições ganhas, mas perdidas no Parlamento.

Tenho afirmado neste blogue que o PSD com Passos Coelho perdeu a sua identidade como partido social-democrata, embora saiba que não foi bem assim. O que se passou foi a radicalização do partido à direita que, por si mesmo, já era de direita. Aliás no Parlamento Europeu o PSD está inserido na família dos liberais e não dos sociais-democratas. Este conceito voltou a aparecer com Passos Coelho no último congresso quando surgiu o slogan “Social-democracia sempre!”. Volta agora a surgir com Rui Rio como uma espécie de libertação do passado neoliberal preconizado pelo anterior líder.

Não nos iludamos, o PSD continuará a ser um partido de direita que se radicalizou, basta ver o germe deixado por Passos Coelho que não deixarão que Rio faça uma ligeira inclinação mais para o centro. Nem tao pouco o discurso conciliador de Santana Lopes irá possibilitar isso. Está como afirmei infiltrado o vírus do “passismo”. O descontentamento dessa “pedra mental” que é Hugo Soares e a intervenção de Luís Montenegro, entre outros não manifestos, são disso a prova. Rui Rio ainda sem começar já tem a cabeça a prémio e sofre ameaças cuja origem está definida: os eis passista ressabiados. Disse Montenegro que, à semelhança do seu mentor dileto, também anseia pela chegada dos diabos, mas desta vez dos externos e dos internos e recomenda ao atual líder para “se afastar da intrigalhada”. Sabe do que fala, porque ela virá por certo, e sabe-se qual poderá ser a sua origem.

Rui Rio quis dar sinais de abertura para as duas correntes em “confronto”, porque é disso que se trata, e tenta, com o convite a Santana Lopes agradar aos “troianos” e co Elina Fraga para agradar aos “gregos”, mas a tentativa de unidade foi ensombrada e confronto esteve patente com Montenegro, muito aplaudido, sabemos porque ala, e por motivo contrário Elina Fraga apupada pela mesma ala. A surpresa polémica foi a escolha de Elina Fraga para uma das vice-presidências. A ex-bastonária dos advogados atacou o Governo PSD de Passos Coelho com um processo devido ao mapa judiciário, em 2014.

Nada mais a acrescentar na ocorrência que foi este congresso do PSD. Abertura de Rui Rio, para o interior e para o exterior do partido, radicalização da ala neoliberal, ameaças de candidaturas à atual liderança do partido caso esta não ganhe as eleições em 2019. Em conclusão: Rui Rio vai ter uma dura tarefa pela frente porque não vai ser fácil expurgar a ideologia, que os neoliberais dizem não existir. Foi muita a retórica, mas com pouco conteúdo objetivo, nem por parte dos seus aposentes e muito menos dos seus opositores que continuam na bancada parlamentar à espreita e cuja estratégia vai ser, mesmo com um novo líder de bancada, e até á eleições, mais do mesmo.

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publicado às 19:14

Paradigma Socialista.png

Uma notícia da jornalista Sónia Sapage publicada no jornal Público de hoje vem confirmar o que ultimamente tenho vindo a prever. O grupo de sapa da ala neoliberal do PSD, devota de Passos Coelho e apoiante de Santana Lopes nas eleições diretas, estão  a levantar a voz com exigências a Rui Rio.  

Segundo aquele jornal Miguel Pinto Luz ex-líder do PSD-Lisboa e atual vice-presidente do Município de Cascais assinou uma longa carta, com quatro páginas A4, dirigida ao líder eleito do PSD. O atual vice-presidente de Carlos Carreiras na Câmara de Cascais traça as linhas vermelhas que Rio não pode ultrapassar: na descentralização, no orçamento, em questões europeias. E deixa sete perguntas a Rui Rio.

Ainda segundo o mesmo jornal aquele que esteve para ser candidato a líder do PSD para além de propostas e sugestões a Rui Rio, como por exemplo a da limitação dos mandatos dos deputados, deixa, sobretudo, sete perguntas à espera de uma resposta de Rui Rio e que são apresentadas abaixo e que podem confirmar aqui:

  1. O que pensa sobre a sustentabilidade do Estado social em Portugal? Como deve ser reformado?
  2. O PSD vai defender o aprofundamento da liberdade de escolha para as famílias, nomeadamente na educação e na saúde?
  3. Como garantir a sustentabilidade do sistema de pensões, respeitando os pensionistas sem penalizar as novas gerações?
  4. Qual a sua proposta para harmonizar o contexto laboral num país com milhares de trabalhadores com vínculos precários?
  5. Que medidas vai apresentar para reter o talento dos nossos jovens, produzidos pelas universidades?
  6. Qual o papel do Estado no apoio à Ciência e à Inovação?
  7. A atividade cultural deve merecer apoio público?

Uma análise atenta às perguntas mostra que podem ser uma espécie de armadilha para obrigar o atual líder a definir a posição ideológica orientadora do partido e não parecem ser de resposta fácil. Para quem quer o regresso do partido à social-democracia real que não esteja apenas num nome, mas que seja exercida na prática é mesmo uma armadilha.

As perguntas são uma forma de pressão sobre o líder eleito para o cumprimento dum programa neoliberal que possibilite uma reversão das medidas tomadas pelo Governo com o apoio da atual maioria parlamentar.

A primeira pergunta, sobre a questão da sustentabilidade e já mais do que conhecida e sobre as quais o Governo já fez algumas alterações. A pergunta é uma armadilha ao dizer de forma vaga “respeitando os pensionistas” sem mais. Sobre esta questão todos ficámos a saber no passado o que se pode esperar.

A segunda é mais do que evidente pretende o regresso à balbúrdia dos contribuintes voltarem a subsidiar os colégios do ensino privado através dos impostos e do qual apenas se aproveitam os que têm mais desafogo económico.

A pergunta três é demagógica e pretende mostrar hipocritamente que se interessa, como a esquerda, pelo problema quando durante os mandatos do governo PSD e CDS estes partidos nunca se pronunciaram nem tomaram qualquer medida objetiva para uma solução. Agora lembram-se!

A quarta pergunta é hilariante. Medidas para “reter o talento dos nossos jovens, produzidos pelas universidades”. A memória é fraca. Esquecem-se que milhares de jovens foram obrigados a sair país no governo do seu devoto e quase eis líder do partido. Ah! É verdade culpa da troica.

A quinta pergunta terá sido inspirada pela narrativa socialista e que consta do seu programa eleitoral. Ou terá sido mesmo plagiada?

A sexta pergunta sobre se a atividade cultural deve merecer apoio público, para além de ser ambígua parece ser tirada duma anedota.  Mas esta ala do partido o que pensa? Que seja ou não apoiado. Se ao responder disser sim eles dizem que não deve porque isso é socialização da cultura. Se ao responder disser não podem vir a dizer que sim pois que a cultura é importante para o país. Ou então pode ficar-se na chamada meias-tintas Estranho é que, quem passou a cultura para secretaria de estado venha agora pedir medidas sobre a cultura que a corrente que representam foi sempre residual.

O que se irá passar no PSD não interessa apenas aos seus militantes e aos seus eleitores crónicos, mas também a todos nós porque de armadilhas ficámos fartos durante os anos de governação PSD-CDS.  

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publicado às 18:28

Walking Deads da política

por Manuel AR, em 04.02.18

Politica_WalkingDeath.png

1. Depois dos discursos de revelações apocalípticas provindas do azedume duma perda, o PSD, ou melhor o seu quase eis líder Passo Coelho, lança-se numa nova cruzada que ainda faz eco em muitos dos que o apoiam e faz diatribes casuísticas de oposição ao Governo numa espécie de personagem do “Walking Death”. A última foi num encontro com autarcas na Guarda onde considerou ser "inquietante", numa alusão à falta de esclarecimentos do Governo sobre o caso de "irregularidades graves que ocorreram no âmbito da adoção de menores", referência a "casos de corrupção ao mais alto nível da sociedade" relacionado com adoções ilegais de crianças, (presumivelmente praticados por elementos da IURD), lamentando que o Estado "se refugie no andamento da Justiça”. Ora, a afirmação do quase eis líder do PSD vem de encontro às suspeições que publiquei num post, que podem ver aqui, sobre uma manifestação efetuada por um dito movimento cívico autodenominado Movimento Verdade, com senhoras vestida de preto, à moda dos óscares de Hollywood,  para "exigir respostas" sobre os casos de adoções ilegais que envolveram elementos da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) que está em investigação e que, como tal, não deverá haver lugar à intromissão do Estado como Passos defende. É legítimo fazer a ligação entre o dito movimento com as senhoras vestidas de preto sobre as quais afirmei na altura ser promovido pela direita aproveitando mais um caso para dar uma ajuda à oposição, ou à falta dela, através de populismo demagógico.

2. Os jovens de direita filiados na JSP em busca duma carreira política após as eleições no seu partido já se encontram muito ativos e estão a preparar programas à sua medida para não perderem o comboio com a eleição de Rui Rio. Defendem uma agenda focada na gestão dos fundos comunitários e no conhecimento como forma de reforçar a coesão territorial. Os jovens neoliberais também já falam na valorização do conhecimento. Terá sido inspirado no programa do PS?

Mas há uma palavra, essa sim, plagiada discurso de ano novo do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, reinventar. Dizem estes jovens que “Portugal precisa de se reinventar, garantindo a sustentabilidade dos territórios e das novas gerações. É aqui, na resolução dos problemas concretos que o PSD se deve apresentar com uma agenda capaz, um discurso claro e uma vontade férrea”. Palavras lindas, mas vazias de conteúdo para uma praxis “férrea”.

Falam também da “necessidade de reforçar a coesão territorial, um conceito que a JSD diz ainda estar em construção”. Pois é isso de estar em construção pode ser por tempo indeterminado, também já ouvimos isso do seu quase eis líder ao longo que quatro anos sobre cortes e tudo mais que não me apraz repetir. Mais uma tirada com referência ao “relatório europeu mais recente sobre a coesão que é citado onde reconhecem que "as disparidades regionais no PIB per capita permanecem pronunciadas, o que reflete a intensa concentração de crescimento em áreas metropolitanas." Que grande novidade! Esta foi mesmo reinventada. O tema das disparidades territoriais já estudava na faculdade em planeamento regional e local. Até hoje quantas vezes é que o PSD esteve no governo e alguma vez teve a vontade política para tratar este tema. Mas agora sim, é que vai ser.

Outro ponto parece ser também quase plagiado do programa do PS mudando as palavras quando abordam o tema mais uma vez, a área do conhecimento e da digitalização, fazem uma “agenda para a valorização económica destas matérias e a definição de planos de desenvolvimento regional que passem por aplicar estratégias da especialização inteligente”. Que frase bonita para apresentarem. É caso para se perguntar se foi apenas agora que descobriram esta necessidade do país depois de tantos anos. Caros “jotasdeanos”, disso já o PS falava no tempo de Sócrates, lembram-se?

3. Entretanto os apoiantes de Rui Rio começam a preparar-se para o congresso de fevereiro que irá confirmá-lo como presidente social-democrata e onde irão apresentar uma revisão estatutária para ir a votos apresentando uma proposta "séria, que pusesse o partido a olhar para si", dizem. Da proposta fazem parte medidas como a adoção do voto eletrónico, a obrigatoriedade de referendar coligações pós-eleitorais e a necessidade de o candidato a presidente do partido ir a votos com os nomes que pretende que façam parte da sua Comissão Política Nacional. A maior mudança pode mesmo vir a ser a das eleições diretas. O grupo sugere que aconteçam em simultâneo com o congresso, devolvendo ao PSD a mística dos grandes congressos.

Tudo isto parece ser promissor o que Rui Rio não pode esquecer é da oposição que os neoliberais do partido criados à volta de Passos Coelho estão preparados para uma oposição férrea após Santana ter perdido as eleições internas. Os fiéis seguidores da linha de Passos como Luís Montenegro autoexclui-se da futura direção de Rui Rio e assume divergências sobre a estratégia política. Outro da ala direita mais radical, membro da equipa de Santana Lopes, Carlos Carreiras, quer construir uma “proposta radicalmente alternativa ao socialismo”. Muitos outros estão a postos numa atitude conservadora e de oposição à inovação do partido e ao seu regresso a uma espécie de social democracia.

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publicado às 19:44

Abandono da social-democracia pelo PSD já!

por Manuel AR, em 06.04.16

Hoje resolvi incluir aqui um e-mail que escrevi a João Miguel Tavares sobre o artigo de opinião que escreveu no jornal Públicohttps://www.publico.pt/politica/noticia/o-tempo-corre-a-favor-de-passos-1728040 relativo ao passado Congresso do PSD que tem a ver, segundo ele, com a a ultrapassada social-democracia. Posso colocar a questão das seguintes formas: social-democracia eis a questão ou, abandono da social-democracia pelo PSD já!

Boa tarde Caro  João Miguel Tavares,

Duvido que o tempo corra a favor de Passos, mas não é por isso que lhe vou fazer perder o seu.

 

Li com muita atenção o artigo de opinião publicado no jornal Público de 5 do corrente. Raramente os leio e quando o faço também raramente concordo consigo, digo isto percepcionando que isso também não lhe faz diferença alguma.

Independentemente da concordância ou não com os seus pontos de vista eles apresentam, não raras vezes, um explícito cariz de facciosismo. Não tome isto como ofensa é apenas um ponto de vista político e não pessoal.

Mas voltemos ao seu artigo. Face ao argumentário apresentado não seria despiciendo que apresentasse sugestões nos seus artigos para que o PSD – Partido Social Democrata abandonasse esta designação e fosse substituída por uma outra em que as palavras social, democracia e social-democracia deixassem de vigorar no programa já que afirma explicitamente: “Só que essa definição de social-democracia vai invariavelmente desembocar num modelo de sociedade estatista, alumiado pela eterna lamparina de São Bento, que se mostra esgotado há 20 ano. São aqueles que gostavam que o PSD fosse um bocadinho mais parecido com o PS.”. Será que deveremos concluir que, quem como eu, atribui a Passos Coelho o epíteto de liberal ou neoliberal têm razão? Senão, que outra designação se poderia atribuir ao partido que ele lidera?

Algo não bate certo. Tendo em conta as críticas que faz no seu artigo a quem não concorda com o atual líder do partido por defenderem, como diz, a ultrapassada social-democracia, como explicar então a frase “Social-democracia sempre” como slogan do congresso que Passos Coelho aceitou e recuperou? A honestidade de propor a mudança da sigla e denominação do partido evitaria confundir potenciais eleitores de estarem a ser enganados, como eu o fui em 2012, por uma sigla partidária a que está mais ou menos associada a uma ideologia política.

Claro que poderá sempre dizer-se que essas siglas e atributos são apenas chavões utilizados pelos partidos mas que propriamente não os define. Todavia, quem vota tem o direito de ser esclarecido sobre o partido em que pretende votar. É uma escolha que se traduz num programa de qualquer partido que apresente quer orientações de direita, quer de esquerda, quer de assim-assim. Se não houver orientações para opções de escolha a democracia não será mais do que palavreado para enganar. Então fora com a social-democracia do Partido Social Democrata.

 

Com os meus melhores cumprimentos,

 

Manuel Rodrigues

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publicado às 19:51

Parecer mais do que ser

por Manuel AR, em 19.03.16

Passos Coelho_15.jpg

Eleito por menos de metade dos militantes do PSD, mais propriamente 46% do eleitores, os quais o elegeram por 95% dos votos, Passos Coelho está convencido que é um grande líder e anda por aí freneticamente a segurar tudo quanto o possa ajudar a agarrar novamente a cadeira do poder.

Vale-lhe mais o look do que o que lhe vai na cabeça para captar algum eleitorado que desconhece ainda que a governação depende muito mais dum Parlamento que resulta das eleições do que do look dum líder dum qualquer partido.

Começa a haver por ai mudanças quer na comunicação social, com as administrações das empresas detentoras a saírem e outros a entrarem (Pires de Lima, o ex-ministro da economia do CDS, para a Média Capital), quer nos partidos que foram descadeirados do poder, como é o caso do CDS e do PSD.

Passos Coelho quer mostrar, mais uma vez, parecer aquilo que não é, e, daí, a sua tentativa para virar a página. O passado mostrou o que era o que veio a ser depois de ocupar o poder a que ficou agarrado durante quatro anos e meio, e mais houvera se não fosse a reviravolta inesperada com que não contava. Aliás, de qualquer modo, mais tarde ou mais cedo teria sido derrubado pela maioria parlamentar que se formou.

O “líder” do PSD quer agora reformular as estruturas do PSD, reativar, reorganizar um “governo sombra” que existia no Instituto Francisco Sá Carneiro. Governos-sombra, grupos de reflexão, plataformas de estudo, sinalização de potenciais ministeriáveis, enfim, antes do congresso do partido que se diz social-democrata mas que, com Passos Coelho se tornou ainda mais de direita, pretende agora mostrar o que não é.

Quando escrevo sobre Passos recordo-me do poema “If” de Rudyard Kipling que converto assim:

Se tantas vezes conseguiste manter a calma
quando te culparam de viveres acima das tuas possibilidades e te mandaram emigrar.

Se consegues ainda ter confiança em quem te governou e ofendeu a tua inteligência.

Se consegues esperar sem te cansares e ainda tens esperança que, quem te caluniou, odiou e culpabilizou pela tua profissão pública e pela tua velhice e lançou contra ti os jovens venha a mudar

Se acreditas em quem em vez de unir desuniu para manter o poder

Se consegues ainda ter esperança de que esse te fará ainda mudar e sonhar com a mudança.

Se ainda consegues vir a suportar
a escuta das mentiras ditas como verdades mas que sabes distorcidas pelos que te querem ver cair em armadilhas
ou encarar tudo aquilo pelo qual lutaste na vida
ficar destruído para reconstruíres tudo de novo.
Se consegues num único passo
arriscar tudo o que conquistaste
num lançamento de cara ou coroa, perderes e recomeçares de novo
sem nunca suspirares palavras da tua perda.

Se consegues aguentar quando já nada tens em ti
e ainda te dizem: "Aguenta-te!"

Se consegues ouvi-los falar para multidões
e permaneceres com as tuas virtudes
ou andares e agires naturalmente.

Se não te conseguiram ofender

Se todas as pessoas contam contigo para os defenderes

Então português, militante e simpatizante tens pela frente o teu líder predileto!

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publicado às 17:37

A propósito do congresso do CDS

por Manuel AR, em 16.03.16

Cristas e Passos.pngA propósito do congresso do CDS-PP do passado fim de semana que culminou com o discurso de Assunção Cristas, eleita como líder do partido, recuperei da minha memória o congresso do PSD onde foi eleito Passos Coelho com 95% dos votos. Este feito que foi por aí muito notado omitiu contudo outra realidade que foi o facto de apenas 46% ditos sociais-democratas é que votaram.

O ar contido e entristecido de Passos Coelho enquanto assistia ao congresso do seu ex-aliado CDS-PP que pretendia mostrar para as câmaras das televisões o seu ar enternecedor era música para os ouvidos de quem ainda o vê como primeiro-ministro no ativo mas por outro lado alguma preocupação face ao discurso de Assunção Crista

Passos Coelho diz, agora, querer que o PSD regresse à social-democracia numa tentativa de abandonar o seu cunho de direita. Neste mesmo local afirmei várias vezes que o PSD com Passos Coelho tinha abandonado a sua matriz social-democrata, o certo é que o PSD sempre foi de direita. O PSD insere-se no conjunto do Parlamento Europeu, juntamente com o CDS-PP, no agrupamento político e partidário que é o PPE - Partido Popular Europeu onde se encontram partidos do centro-direita e conservadores. O Partido Socialista, por sua vez, pertence ao grupo do PSE onde se encontram os partidos sociais-democratas e socialistas, e também partidos trabalhistas dos estados membros como por exemplo o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) e o Partido Social-Democrata da Áustria, entre muitos outros.

O extraordinário Passos Coelho, resta-lhe apenas o ex, afirmou, quando foi eleito líder, que o PSD é um partido “que não quer gerir o dia-a-dia, que não quer andar para trás, que não quer populisticamente procurar aquilo que é mais fácil ou mais demagógico”, mas antes, com “mais algum esforço, um futuro melhor”. Que é isto senão populismo e demagógico! E isso de não querer andar para trás o que é? Quem quis colocar o país aos níveis de há vintes anos atrás? Sim, já sabemos, foram os outros que obrigaram ao resgate.  A direita PSD e CDS-PP utilizam, não raras vezes, para justificarem as suas opções políticas que são em nome dos “altos interesses da nação”. Podemos perguntar quem é, ou o que é para direita o conceito de nação. Será para eles apenas uma pequena parcela da população que pretendem favorecer?

Depois do congresso do CDS-PP Passos Coelho passou a ter dois adversários eleitorais de sentidos diferentes. O Partido Socialista é, por princípio, o que agora o preocupa mas, a médio e a longo prazo, vai ter também que enfrentar o seu antigo parceiro de coligação que irá tentar ocupar parte do seu espaço.

O PSD de Passos Coelho não aceitou a mudança e a sua estratégia de oposição irresponsável não terá sido a melhor.

Recordo-me dum livro milenário chinês que é a Arte da Guerra de Sun Tzu que em determinado passo diz: “O general deve conhecer a arte das mudanças. Se ele se fixa num conhecimento vago de certos princípios, numa aplicação rotineira das regras da arte bélica, se os seus métodos de comando são inflexíveis, se examina as situações de acordo com esquemas prévios, se toma as suas resoluções de maneira mecânica, é indigno de comandar.”.

O CDS-PP de Assunção Cristas enquanto partido de direita está a criar espectativas e não será fácil para Passos Coelho lidar com ela quando chegar a altura própria. Ela irá tentar ocupar parte do espaço do seu adversário mais próximo que é o PSD de Passos Coelho.

Ontem, 15 de março, Assunção Cristas foi recebida por Passos Coelho na sede do PSD com muitos beijinhos e abraços. Passos talvez ainda tenha uma vaga esperança de obter uma nova coligação que o leve de novo ao poder. Espera que nas próximas eleições, quando as houver, terá uma votação confortável, mas Assunção Cristas, a menina “bem” e agora a mais que tudo do CDS irá, nessa altura, fazer-lhe frente para lhe captar algum eleitorado. E começou agora com a tomada de posição sobre o atual governador do Banco de Portugal iniciada no congresso por Paulo Portas.  

E termino citando mais uma vez Sun Tzu: “Uma das tarefas essenciais que deves realizar antes do combate é escolher criteriosamente o terreno do campo de batalha. Para isso, é preciso agir rápido. Não permitas que o inimigo tome a dianteira. Ocupa o terreno antes que ele tenha tempo de te reconhecer, antes mesmo que ele possa estar ciente de tua marcha. Qualquer negligência nesse sentido pode ter consequências nefastas. Em geral, só há desvantagem em ocupar o terreno depois do adversário”.

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publicado às 18:45

 

O conclave do PSD deste fim de semana foi o espetáculo circense do costume. Até nem faltou, ao contrário do que se previa, o pantomimeiro do costume em serviço num canal de televisão, cuja prestação artística ultrapassou os limites da palhaçada verbalizada. Encenação triste e nunca vista.

Não faltou também a verbosidade de um outro comentador televisivo que responsabilizou o PS pelos sacrifícios dos portugueses, dizendo que eles teriam sido menores e até evitados se o PS tivesse sido mais colaborante. Que grande lata!

Várias das intervenções mais pareciam histórias da carochinha que se contavam aos portugueses, antevendo o destino ainda mais trágico que ainda se lhes reserva, ou seja o caldeirão da feijoada que lhes foi preparado onde caíram e que, se não abrirem os olhos, ainda vão continuar a cair.

A história dos três últimos anos identifica-se bem com a da Carochinha que encontrou os cinco réis para a tomada do poder com a ajuda de outros pretendentes sem possibilidades de o obter se candidataram ao casamento porque era muito bonitinha.

Aperaltou-se a Carochinha para seduzir os portugueses (o João Ratão) a fim de lhe darem a mão nas eleições. Passados alguns meses, depois do casamento os João Ratão deste país viram que estavam a ser lançados no caldeirão da feijoada que a Carochinha lhe tinham preparado.

Falsamente aflita, a Carochinha, começou a gritar ai meu pobre João Ratão cozido e assado no caldeirão, ajudem-se a salvá-lo porque a culpa não foi minha.

A história da Carochinha ficaria por aqui se não houvesse outros João Ratão que andavam por aí a querer justiça e a condenar a Carochinha por ter assassinado o seu amado. Então, a Carochinha colocou-se novamente à janela mas desta vez para gritar e pedir para o seu vizinho mais próximo que a ajudassem a ultrapassar aquela crise de viuvez em que tinha caído e que fosse seu cúmplice para o que desse, e viesse.

A história é uma narrativa aberta e cada um pode continuar de acordo com o que achar que pode ainda vir a acontecer. 

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publicado às 19:10

Uma macacada qualquer

por Manuel AR, em 21.02.14

 

Vai começar hoje o congresso do PSD que se prevê dominado por um grupelho neoliberal que assaltou por dentro o partido e que nada tem a ver com a sua matriz política e ideológica. Este congresso fachada servirá apenas para manter Passos Coelho no poder e fazer pré-campanha eleitoral tendo em vista a eleições quer para o Parlamento Europeu que para as legislativas de 2015. Ao mesmo tempo irá seduzir e empurrar o Partido Socialista para, com eles, se amalgamar no colapso de Portugal e no falhanço das políticas praticadas que foram criticadas no relatório do FMI (cheio de contradições porque dá uma no cravo outra na ferradura). Como quem diz, está mal o que foi feito mas vamos fazer mais do mesmo.

É previsível que o discurso de Passos Coelho, a partir da moção de estratégia global, faça um olhar de sedução para atrair os incautos do costume e que ainda querem acreditar nas boas intenções e na política que foi praticada ao longo destes três últimos anos.  

Vai com certeza reproduzir-se por outras palavras, o que afirmou o líder da bancada neoliberal Luís Montenegro: "Vida das pessoas não está melhor, mas a do país está muito melhor". Como se o país fosse separado das pessoas. Mas afinal para quem está esta gente a governar?

Quanto ao resto já se sabe o que vai sair dali. Propaganda e mais propaganda, mais do mesmo disfarçado de boas intenções adoçadas pelos espertalhões do costume.

Este conclave não é mais do que o apoio a um grupelho clientelista do PSD, esvaziado de quaisquer expectativas sobre um verdadeiro debate político sério sobre o país. Sairão deste conclave discursos impregnados de mensagens divisionistas dos portugueses que colocarão em causa, mais uma vez, a coesão nacional, conceito desconhecido pela que a ignorância destes senhores, que apenas empinaram manuais e os aplicam com palas laterais (antolhos).

Vai longe o tempo dos verdadeiros congressos do PSD antes da viragem da seta ao contrário. Este congresso vai ser mais uma macacada qualquer.

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publicado às 19:45

Encantadores e mentirosos

por Manuel AR, em 11.02.14

A "cassete" eram um termo que se utilizava para se fazerem críticas às intervenções do Partido Comunista Português devido à repetição de determinadas frases e chavões repetidos até à exaustão. Hoje em dia a tecnologia da cassete foi abandonada e deram lugar aos CD's que também se podem repetir e que têm a vantagem de poder ser ouvidos nos computadores portáteis. O PCP nos últimos tempos reajustou o seu discurso e esta técnica foi mais ou menos minimizada.

Os partidos do Governo passaram a adotar agora a estratégia do CD. Basta analisar as intervenções dos que dele fazem parte e dos que o apoiam para se verificar isso. Quanto mais nos aproximamos das eleições tanto mais se torna evidente a repetição ad nauseam de chavões, uns reportados ao passado, outros em relação ao futuro brilhante em que todos (?) os portugueses devem acreditar.

Não nos esquecemos que Paulo Portas, em maio de 2011, afirmou que a intervenção do FMI em Portugal deve ser aproveitada para ter "um Estado mais decente", depois de um processo que vai tornar o país "transitoriamente num protetorado". Veja-se a semelhança do discurso com o de Passos Coelho que dizia então que devemos ir para além da troika, Portas dizia que a intervenção deve ser aproveitada.

 Agora há um novo CD da maioria e do Sr. vice primeiro-ministro, o das reviravoltas, que ainda pensa que pode convencer os portugueses das suas boas intenções através da repetição de "não queremos que o FMI volte para Portugal como já o foi por três vezes, por isso temos que continuar o mesmo rumo" rumo que, como se tem visto, é bastante promissor para os portugueses que se devem limitar apenas à esperança…

É uma cassete para lançar aos olhos dos portugueses que andam distraídos não apenas poeira, mas um nevoeiro tão denso que os impeça de ver e de pensar.

Os CD's passam a ser vários e vão ao mesmo tempo em sentido contrário. Veja-se por exemplo a simultaneidade da narrativa do estamos no rumo certo e vamos continuar com a narrativa do crescimento, com a manutenção do rumo de austeridade e cortes, mas agora vêm propor o contrário do que têm vindo a fazer. Basta vermos as propostas a apresentar pela concelhia do  PSD/Lisboa ao congresso com o mandato de Passos Coelho renovado como líder. O partido, com a sua marca vincada e claramente neoliberal, vem agora reivindicar-se como de matriz social-democrata. Ao lermos algumas das propostas não deixamos de poder fazer um rasgado sorriso de gozo e perplexidade. Veja-se só por exemplo isto:

O bom senso e a responsabilidade social aconselham que após o período de intervenção se faça o aumento do salário mínimo de 500 euros a partir de outubro de 2014; diminuição do IVA da restauração a partir de julho; mais economia com mais sensibilidade social; defende a revisão da lei das rendas; introduzir correções que protejam os mais idosos e o pequeno comércio…bla...bla...bla...

Mas alguém acredita nisto? Sai a troika e vai ser o abrir dos cordões à bolsa que é o contrário de, a austeridade é para continuar como afirmam. Afinal não há dinheiro? Gozam com pagode. Só pode.

Dizem ainda que a economia cresce mas que tal não se vai sentir no modo de vida dos portugueses. Mas então de que serve a economia crescer. Será apenas para uma minoria usufruír?

Percebe-se que estas medidas e o regresso às origens ideológicas do PSD sejam o que poderá servir de isco para captar votos dos crédulos para que após ganharem as eleições possam voltar a aplicar políticas ainda mais gravosas. Aliás Poiares Maduro já o disse nas entrelinhas ao falar para quem nada percebe. As primeiras são as reformas, depois virão os senhores que se seguem.

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publicado às 23:13


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