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A televisão deveria ser uma referência de estabilidade, diante da violência da insegurança e da complexidade do cotidiano. Os telejornais deveriam funcionar como uma janela para a realidade, mostrando que o mundo circundante existe, está lá e que o mundo não se transformou num caos e a vida segue a sua normalidade. Infelizmente não é isso o que acontece, quanto mais caos e o passar do que é normal a uma anormalidade tanto melhor, porque também quanto mais audiências tanto melhor. Temos, por isso que nos capacitar da necessidade de uma leitura distanciada, mas atenta, do que as televisões e, já agora também, as redes sociais, nos dão para consumo para evitarmos ser manipulados.

Sobre o que afirmamos conhecer como sendo um facto objetivo e como uma verdade empírica, também estão envolvidos os nossos preconceitos culturais, interesses económicos, pontos de vista políticos e, ainda, as nossas crenças e perceções que também podem ser uma projeção induzida pelos meios de comunicação social, nomeadamente os canais de televisão.

Há duas realidades sociais: a objetiva que existe independentemente de cada um de nós e a realidade subjetiva contruída numa perspetiva que depende de cada um de nós que não é mais do que uma combinação de múltiplas subjetividades. A realidade é influenciada pelos meios de comunicação (imprensa, rádio, televisão, redes sociais) que leva as mesmas mensagens a múltiplos recetores cujo poder é manifesto porque uma ideia transmitida através deles pode modificar a realidade social, isto é, alterar a forma como a comunidade entende aquilo que acontece dentro da sua própria sociedade. Realidade social é então o conjunto das interações que os seres humanos estabelecem entre si e entre aquilo que os rodeia num dado espaço e tempo.  

Os meios de comunicação social, especialmente as televisões, são os que mais contribuem para informar acerca da

 

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publicado às 12:13

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Em certos momentos de acontecimentos da nossa política há um problema que aflige e agita a comunicação social e os jornalistas: quando não têm informação suficiente e exata sobre certos factos lançam para a opinião pública achas interpretativas e especulações sobre esses mesmos factos que, por vezes, se aproximam de oráculos.

É, por exemplo, o caso do roubo das armas de Tancos por causa do qual se tem estado a construir uma espécie de telenovela tipo mexicana a partir de alguns factos, outros pseudo factos, que surgem de penumbras que geram nebulosas segundo o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa e névoas segundo o primeiro-ministro António Costa. Pode até acontecer que as nebulosas e as névoas sobre os factos sejam, com finalidades várias, adensadas e difundidas pelos próprios envolvidos durante processo de averiguações.

Recorde-se que o caso de Tancos surgiu numa altura crítica em que Governo e o país andavam preocupados com a catástrofe incendiária que grassou, ou fizeram grassar, e que tiveram uma gravidade sem par e, na mesma altura, por coincidência, é divulgado pela comunicação social o facto do roubo das armas em Tancos. Ouro sobre azul para partidos da direita cavalgarem a onda e poderem fazer oposição.

E claro que a oportunidade surgiu para a oposição explorar com a tentativa de atribuir responsabilidades exclusivamente políticas ao que deveria ser responsabilidade da competência da hierarquia militar.

A direita aproveita os nichos de “mercado” da política partidária que a vão ajudar a concentrar esforços onde têm maior probabilidade de sucesso que, aqui e ali, vão surgindo e se abrem no espaço político para fazer oposição partidária; os órgãos de comunicação aproveitam os mesmos nichos para vender informação (por vezes especulando sobre os factos) em consonância. Ambos são, afinal, consumidores públicos suscetíveis de exercer influência. A venda da agitação política para os primeiros e a venda da informação para os segundos contribuindo ambos para o mesmo fim. Assim, quanto mais radicais e agressivos forem a trocar argumentos lançando dúvidas nas mentes e proferindo ofensas, a favor das suas “causas”, mais adeptos ganham no caso de uns, e leitores ou telespectadores no caso dos outros. Para isso os grandes media têm hoje, nas suas versões impressas ou on-line mais colunas de opinião e pouco espaço para reportagens e apresentações factuais sem comentários inseridos pelo jornalista.

A falta de casos concretos e objetivos sobre a governação propriamente dita e de projetos de governação alternativos a oposição procura potencias nichos de factos, por vezes marginais, que potencialmente possam ser associados à conduta do governo para a obtenção de futuros dividendos eleitorais.

Apesar da importância que, sem dúvida, o caso de Tancos merece temos à nossa volta a perceção de que o povo já começa a estar farto desta novela que passa na comunicação social com conveniências várias porque, até ao momento, não existe objetivamente nada que concorra para o esclarecimento. O caso do roubo das armas de Tancos afigura-se-me como estando nesta configuração.

Alguns meios de comunicação, quando não todos, em certas circunstâncias cuidam de apresentar factos por vezes sem relevância, mas jornalisticamente elaborados, dando-lhes enfase de modo a criar polémicas e a ter efeito jornalístico que estimule o leitor ou o espectador.

Uma emoção leva uma pessoa a reagir diante de um acontecimento mesmo que lhe seja apenas descrito e faz ativar sentimentos sendo estes definidos como a observação das emoções e das reações provocadas por elas.

Há vários exemplos do que se afirma que contribuem para preparar e criar clima na opinião pública para julgamentos emocionais e estimular a conduta de partidos na oposição, sejam eles quais forem.

Tendo em vista a importância do layout das primeiras páginas dos jornais, nomeadamente os portugueses, é evidente a construção e a reprodução de ideias e valores na sociedade, quando abordam questões relacionadas com a possível construção de significados sociais como o  objetivo de desencadear emoções e sentimentos (conceitos complementares) que possam ter muita importância quando se pretende induzir a opinião pública através da comunicação.

Vejamos dois exemplos ambos do Correio da Manhã.


CM dia 5 de novembro:

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Repare-se no layout do título da manchete “Juiz de Sócrates Liberta Traficante de Armas” aparece acentuadamente em destaque em fontes garrafais que sugere informações mais relevantes da página, bem como da sua localização no domínio do “Ideal” que está associado à seção superior da primeira página e sugere os elementos representados como dotados de idealização, abstração, generalização ou emoção.

A manchetes mostram a informação relevante mais proeminente e do discurso noticioso. As manchetes simplesmente separam o evento principal da história e, portanto, são totalmente deriváveis da história. A chamada “Juiz de Sócrates Liberta Traficante de Armas” aparece com acentuado destaque, em função das fontes garrafais empregues seu respetivo título.

Assim, o diário Correio da Manhã pretende que o público faça a conotação do tráfico de armas com Sócrates aproveitando ser o mesmo juiz Ivo Rosa, a quem foi atribuída por sorteio a instrução da operação Marquês (que envolve entre José Sócrates e Ricardo Salgado, entre outros), associando-os ao tráfico de armas.  Não está claro no título porque o pretendido será a opinião pública possa fazer conotações do julgamento de Sócrates com o tráfico de armas por ser o mesmo juiz a tomar as decisões judiciais.

Outro caso ainda tendo em vista neste caso a amplificação dirigida de casos.

 

CM 9 de novembro:

 

 

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Como no primeiro exemplo nesta capa o layout do título da manchete “Juiz Apaga Teia da Máfia do Sangue” aparece acentuadamente em destaque com fontes garrafais em cor branca sobre fundo preto que sugere a informação mais relevante da página e o seu impacto bem como o da sua localização associada no domínio do “Ideal” ao centro da primeira página. Os significados sociais (re) produzidos pela composição das capas dos jornais estão ao nível do domínio do Ideais associados à seção superior da página e sugere os elementos representados como dotados de idealização, abstração, generalização ou emoção.

O tema principal da notícia está em letras reduzidas com cores e fundo contrastantes em fonte mais pequena, menos evidente e de difícil leitura. É obvio que neste caso o objetivo da redação parece ser o início da ofensiva contra o juiz Ivo Rosa com a procura de quaisquer decisões judiciais que tomar.

Este tipo de jornais e de jornalismo, e ainda os comentários e notícias que circulam nas redes sociais, procuram com títulos e frases persuasivos explorar o espaço emocional no corpo da opinião pública para desencadearem permanentemente o alerta emocional da sociedade e manter a atenção necessária para despertar em cada caso o correspondente conteúdo sentimental.

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publicado às 23:09

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Quem anda pelas redes sociais e escreve em blogs e escuta comentários nos canais de televisão lê e ouve o que gosta e o que não gosta, até mesmo o que vem de alguns energúmenos da asneirada ofensiva e da mentira que proliferam nas redes sociais. Daí é necessário ter a dose respetiva de capacidade psicológica para o encaixe, e a disposição necessária para o desprezo de certo tipo de comentários.

Veja-se o exemplo do que se passou durante a campanha eleitoral no EUA e continua ainda a passar-se e, mais recentemente, no Brasil com Bolsonaro. Fazer comentários nas redes sociais contra ou a favor do que quer que seja ou denunciar notícias falsas não vale a pena porque, quando se trata de campanhas que se apoiam principalmente nas redes socias, a maior parte das vezes as respostas que contestem tais notícias mesmo que falsas e respetivos comentários caem no saco roto nos eleitores porque o povo irá votar irracionalmente, tanto mais, quanto a irracionalidade das atitudes perigosas e grosseiras investidas por quem faz campanha e apoia certas ideias contra a democracia, os políticos,  os candidatos ou os partidos de forma radical, violenta, primitiva, brutal, deseducada.

Tenho-me referido várias vezes aos comentários e artigos de opinião escritos na imprensa alguns deles escritos para elites digerirem. José Miguel Tavares, uns dos liberais com o qual raramente estou de acordo que escreve artigos de opinião para o jornal Público, referiu naquele jornal, a propósito das eleições no Brasil, que: “as elites artísticas, intelectuais e jornalísticas têm de meter na cabeça de uma vez por todas que a sua influência sobre o povo, na hora do voto, é nula. Que os seus poderes de mediação e de persuasão, na era das redes, evaporaram-se de vez. Que ter escritores, comentadores, historiadores, músicos ou jornais a criar vídeos, e manifestos, e hashtags, e editoriais, e o diabo a quatro, onde do alto da sua imensa sabedoria tentam explicar ao povo brasileiro (como já haviam tentado explicar ao povo americano) em quem ele deve votar, é uma ridícula figura, por uma razão muito simples – aquele voto, o voto de dezenas de milhões de brasileiros e de norte-americanos, também é contra nós”.

Face a isto o confronto democrático e o debate político deve passar a seguir outro caminho porque a exigência do povo pela qualidade intelectual e cultural tem vindo a deteriorar-se progressivamente devido às redes sociais onde alguns exprimem o que lhes vai na alma através de grunhidos grosseiros rebuscados nas profundezas das cavernas mais obscuras de certa política partidária e ideológica que por vezes são mais eficazes do que dissuasores.

Nesta era das tecnologias da informação e comunicação todos passámos a ser, para além de consumidores, produtores de informação, falsa ou não, boa ou má, sem censura, enfim  sem quaisquer riscos que não sejam os comentários dirigidos. A informação que antigamente era validada, e conferida segundo critérios pelos órgãos de comunicação social – felizmente alguns ainda continuam a seguir – deu lugar à desinformação desenfreada nas redes sociais e à contra informação, numa competição sem tréguas do quanto mais falso e ofensivo melhor que contribui para confundir opiniões, até as dos bem intencionados, numa espécie de rodopio de notícias confusas, e não factos, difundidas pelas redes.

Quem mantém blogs de opinião política seja qual for o quadrante, mesmo de visão sectária, está no seu direito de liberdade de expressão que a democracia lhe confere. Já no que diz respeito á comunicação social, nomeadamente a imprensa, a coisa é diferente. Detesto jornais de orientação tendencialmente unilateral. Em jornais online com opiniões provenientes de vários quadrantes ideológicos e partidários aparece de tudo na zona dos comentários, desde os que se insurgem contra a opinião do autor fazendo comentários insultuosos até aos que defendem as suas opiniões e criticam outros como se fossem eles os proprietários de verdades absolutas. Nestas tarefas de crítica e opinião no domínio da política temos de ter a capacidade de encaixe suficiente para podermos ler e ouvir quer o que gostamos ou com que concordamos, quer o que não gostamos ou com que não concordamos e se assim não for o melhor é: não comentar.

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publicado às 23:10

1. Incêndios e incendiários da política.

 

A oposição de direita coadjuvada pela comunicação social ainda não largou os fogos da época passada, postos por incendiários cuja origem e motivos se desconhecem, e já a comunicação social e os partidos da oposição de direita estão a dar o mote para que os incendiários novamente se preparem. Portugal, como nenhum outro país da UE, é um país de incendiários por mais que nos queiram fazer ver o contrário.

Não se percebe como é possível que responsáveis partidários e políticos aparecem a falar assumindo a inevitabilidade dos incêndios em vez contribuírem com propostas para a sua prevenção.

A frase mais do que uma vez utilizada pela impressa e pela televisão é a “época dos incêndios que se avizinham”, como se estes fossem um determinismo. O pressuposto deveria ser que ninguém deita fogo às florestas, a menos que se aceite implicitamente a existência de a circunstância de há uma “causa terrorista”, e, a ser assim, haverá “interesses” a ela subjacentes para se retirarem dividendos.

Como iremos continuar a verificar durante toda a época de verão os incêndios não deixarão de ser o estribilho da oposição de direita e da comunicação social que a apoia. Partem da suposição de que eles se continuarão a verificar. E assim vai ser! Essa direita que, quando no governo, nada fez para alterar essa calamidade que assolam o país todos os anos, pretende agora que um problema de tal envergadura e complexidade seja resolvido em menos dum ano.

Pela rede da web não faltam comentários das notícias vindos da direita estão todos sintonizados na estação da culpabilização do Governo como se nada existisse antes…

Até Rui Rio já viu o filão pode explorar partidariamente e possa colher daqui e dali alguns votos.

O Presidente da República sobre os incêndios disse numa entrevista ao jornal Público que se “Voltasse a correr mal o que correu mal no ano passado, nos anos que vão até ao fim do meu mandato, isso seria só por si impeditivo de uma recandidatura”. Como se as causas dos incêndios fossem unicamente da responsabilidade deste Governo, e se, à simultaneidade da ignição dos mesmos fosse possível dar respostas imediatas.  António Costa parece ser mais sensato quando ao responder à pergunta se se demitiria se houvesse nova tragédia, diz que "Quando há um problema, a solução não é demitirmo-nos, é estarmos prontos para resolver o problema".

 

2. Sócrates e ódios de estimação

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Tocqueville, historiador e escritos francês do século XIX disse no seu tempo que, em política, a comunhão de ódios é quase sempre a base das amizades.

Nesta semana João Miguel Tavares num dos seus já habituais escritos de opinião no jornal Público veio defender uma tese muito interessante numa tentativa de desculpabilizar mais os que praticam um certo tipo de corrupção e de culpabilizar mais outros, conforme os níveis da sua prática quando se está no poder. Como se a corrupção tivesse níveis quando e como é praticada e consoante é em proveito próprio ou não. A corrupção por princípio tem como fundamento benefício próprio e ou de outrem.

João Miguel Tavares refere que “Uma das reacções mais estupidamente pavlovianas à invocação do nome de José Sócrates, e à sua cumplicidade com tantos socialistas, consiste em elencar de imediato todos os casos de Justiça envolvendo figuras da direita – e lá vem Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Duarte Lima, o BPN, os submarinos, Paulo Portas, Miguel Relvas, a Tecnoforma, e o mais que der jeito e assomar à memória.”

Ao contrário do que acha João Miguel as reações não são pavlovianas pois estas têm como base reflexos condicionados, e as que o autor se refere são reações comportamentais ou behavioristas como se quiser. Baseiam-se no condicionamento operante que é um processo pelo qual se pretende condicionar uma resposta de um indivíduo, seja para aumentar a sua probabilidade de ocorrência ou para extingui-la. No primeiro caso, são apresentados reforços (e o reforço são as notícias sobre a Operação Marquês e Sócrates).  Vale a pena ressaltar que o conceito de reforço está diretamente ligado a ocorrência da resposta, um estímulo só pode ser considerado reforçador se aumentar a probabilidade de determinado comportamento ocorrer.

Mas voltando ao que interessa, não assomou à memória de João Miguel Tavares o caso de Aníbal Cavaco Silva. Como liberal assumido defende os seus, os que agora se encontram do lado de lá, e centra-se nos que estão do lado de cá. Tem, todavia, alguma razão quando escreve que o caso de José Sócrates é um caso singular de corrupção. E, sê-lo-á, se vier a ser provado em tribunal, ao contrário da comunicação social que acusa, julga e condena. Não há que esperar, há que fazer notícia a qualquer preço.

Lembro-lhe que na oitava eleição presidencial portuguesa, em janeiro de 2011, foi reeleito Aníbal Cavaco Silva para um segundo mandato. Conforme divulgou o jornal Expresso, no mesmo ano, uma testemunha revelou em tribunal que Oliveira e Costa vendeu, em 2001, a Cavaco Silva e à sua filha 250 mil ações da Sociedade Lusa de Negócios, a um euro cada, quando antes as adquiriu a 2,10 euros cada à offshore Merfield. Respondendo a perguntas dos juízes do julgamento do caso BPN, o inspetor tributário Paulo Jorge Silva disse "não ter explicação" para o facto de o principal arguido, José Oliveira Costa, ter perdido 1,10 euros em cada ação que vendeu a Aníbal Cavaco Silva e à filha do atual Presidente da República, Patrícia Cavaco Silva Montez.

Em 2016 a revista Sábado publica o seguinte: Luís Montez "beneficiou" das mesmas facilidades que o antigo Presidente da República no BPN, mas ao contrário do que aconteceu com Cavaco Silva, não era "permanentemente fustigado" pelo Partido Socialista. Depois de em 2011 a SÁBADO ter avançado que o genro do antigo Presidente da República tinha renegociado uma dívida de 260 mil euros com o BPN, agora é Fernando Lima, antigo assessor de imprensa de Cavaco Silva, quem o escreve em "Na sombra da Presidência", livro que hoje é citado no jornal i.

Não seria também Cavaco Silva um caso singular de corrupção por ser na altura o mais alto magistrado da nação e que, por isso, deveria ser investigada até à exaustão? E alguns desses outros a que se refere não tiveram responsabilidades governativas? Mas não, foram enviados para os arquivos mortos.

João Tavares afirma que “Muita gente tem dificuldade em perceber isto – e daí a obsessão por tentar encontrar exemplos idênticos no partido ao lado.” Para ele são casos diferentes, e são-no de facto. Será por isso que uns devam passar impunes e outros sejam sistematicamente atacados e lançados desmesuradamente para a opinião pública?

Mas João Tavares não espera, Sócrates já é culpado e sentencia que Sócrates “utilizou a sua posição de poder para promover de forma ilícita o enriquecimento pessoal”. Lembro-me outra vez do que atrás referi sobre Cavaco Silva, sujeito que esta semana, na TVI24, José Miguel Júdice considerou ser a pessoa mais honesta do país e fora de qualquer suspeita.

Pela minha parte não faço juízos de intenção nem de valor sobre ainda presumíveis factos. O facto é que, o que tem sido divulgado pelos órgãos de comunicação sobre Sócrates e sobre Operação Marquês, que “opinion makers” aproveitam para tecer as mais diversas opiniões, são considerados. sem qualquer dúvida. como verdades. Podem vir a ser dados como provados (ou não), mas deixo sempre tudo em aberto até ao julgamento.

Com uma coisa concordo com João Miguel, é que “a corrupção é um mal transversal, que não olha a ideologias”, mas se assim é então há que combatê-la afincadamente, sem diferenciar tipologias consoante os interesses, dando-lhes o mesmo destaque e fazendo as mesmas críticas, porque corrupção no mundo da política é sempre corrupção seja, ou não, no sentido convencional do termo, mesmo quando governantes ou ex-governantes sejam eles quem forem estiverem presumivelmente implicados.

Caso curioso é que, quando as televisões avançam com notícias sobre o caso Sócrates de seguida colocam umas peças relacionadas com anteriores casos sobre os quais raramente se fala. É como nos quisessem dizer:

- Estão a ver como somos isentos também falamos de outros casos.

Não brinquem connosco.

 

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publicado às 13:13

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Segundo alguns dicionários um saco é uma "espécie de bolsa de pano, couro, plástico ou outro material, aberto em cima, geralmente com asas para facilitar o transporte". Há vários tipos de sacos: os sacos para batatas, os sacos de plástico, os sacos de papel, os sacos para dormir, etc., mas também há os sacos azuis e os sacos da política e do jornalismo donde se tiram peças para aproveitamento político.

Aqui entram hipotéticas teorias da conspiração cujo atributo é a crença de que certas forças poderosas, são responsáveis ​​por adversidades e infortúnios de outro modo inexplicáveis e cujo alcance se estende a governos, finanças, cultura e educação, e a ausência de evidência real da sua existência ou influência é simplesmente tomada como prova.  Algumas são baseadas na política e compartilham da crença de que uma “mão oculta e sinistra” pode estar a manipular eventos para o benefício dos conspiradores em detrimento de todos os outros.

No que respeita a estes últimos existem os que, como os incêndios de outubro na região de Pedrógão Grande e outros próximos, causaram lamentáveis vítimas, dezenas delas que terminaram em mortes trágicas de gentes indefesas daquelas regiões violentadas pelas chamas por assassinos a soldo de alguém.

Escrevi em tempos neste mesmo blog a minha opinião sobre a causa daqueles e de outros incêndios que me pareceram muito estranhos e arquitetados com bastante pormenor.  E, como resultado, o oportunismo com todo o fulgor da oposição de direita aproveita a tragédia. Em política nada acontece por acaso. Certas reportagens ditas de jornalismo de investigação da TVI, como foi por exemplo o caso das adoções pela IURD, presumivelmente ilegais, de crianças, são desenvolvidas e debatidas até à exaustão e outras como a reportagem sobre as presumíveis caudas dos incêndios, feita pelo mesmo canal, ficam-se pelo caminho.

Ao longo dos últimos meses noticiários e reportagens nos canais de televisão resplendecem com peças sobre os incêndios numa amalgama de acontecimentos trágicos e chamas. É uma espécie de cadinho onde se misturam episódios, atrás de episódios, que já não são notícias, são antes uma edição de construções ficcionadas aproveitadas a partir da triste realidade. Bem podiam dar um aviso aos espectadores, como naqueles filmes de ficção e em novelas, que alerta para que qualquer semelhança com personagens da vida real é pura coincidência. São imagens acompanhadas de palavras refeitas para públicos com iliteracia imagética.

Já afirmei em anteriores postes que até às próximas eleições a oposição de direita revisitará, sempre que lhe convenha, o mesmo tema atualizado e melhorado. Assim está a acontecer. Com a ajuda da comunicação social, cuja quebra de vendas a torna sedenta de más notícias, aos poucos vai tirando do saco o que lá vai guardando para ocasião oportuna.

É um cadinho onde se vão colocando casos da política relacionados com presumíveis corrupções misturados com químicos diversos, tendo Sócrates como catalisador, ou misturando outros elementos da química política que, eventualmente, possam reagir com o ingrediente Partido Socialista.

A pergunta que me tenho feito várias vezes é: porque será que, quando a direita está envolvida em corrupção o caldo não é aquecido à mesma temperatura e é colocado na gaveta mais fria do frigorífico da comunicação social, mas quando se trata da área da esquerda o caldo da corrupção é posto a ferver?

Tudo isto pode parecer mania da conspiração. Se há conspiração é a comunicação social que acompanho com frequência, e não as redes sociais, que me fornecem a informação e as notícias que me levam a colocar as hipóteses de conspiração.

Em março do corrente ano João Miguel Tavares chamou palermas aos que defendem teorias da conspiração dizendo que, “É precisamente porque o escrutínio do poder é um mecanismo de vigilância insubstituível que as teorias da conspiração só servem para entreter palermas “. Se lesse este artigo eu ficaria no seu rol de palermas.

Para o escritor e jornalista liberal João Miguel os que apresentam opiniões a partir de evidências ou pressupostos causais sobre algo que se relacione com a direita são teorias da conspiração para entreter palermas, mas, quando, pelo contrário, os pressupostos têm em mira a esquerda que governa não são teorias da conspiração, são escrutínio do poder.

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publicado às 00:21

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 Começo com uma frase do artigo de opinião de Teresa de Sousa no jornal Público. Diz a jornalista em determinado ponto do seu artigo: “deixámo-nos cair no debate público pendurado numa sucessão de palavras que, sabe-se lá por quê, todos repetimos e que vão mudando quase todos os dias. Passámos da Raríssimas, que não permitiu derrubar um ministro, ao pernil de porco, do pernil de porco ao financiamento dos partidos, do financiamento dos partidos para qualquer outra coisa que chegue amanhã de manhã. E já me esquecia da “reinvenção” do país que Marcelo nos recomendou como mote do ano que agora começa e que já toda a gente parece disposta a adoptar. Temos o dever de acompanhar a realidade, mas não precisamos de fazer de cada pequeno episódio uma guerra total, todos os dias.”.

Esta frase foi o mote para abordar as formas como a comunicação social, as redes sociais e os blogs, como este onde escrevo e que por aí proliferam utilizam a informação. A crítica que se pode fazer, e que é legítima, é dizer que os autores, mais ou menos espontâneos (eu incluído) escrevem sobre o que desconhecem. Isto é um facto. Mas, daí dizer que escrevemos sobre o que se desconhece ou pensa conhecer com uma atitude de estar no centro dos acontecimentos políticos sobre o qual se escreve já é falso.

No centro dos acontecimentos e dos meandros do conhecimento do facto político apenas se movem políticos e jornalistas. Estes furam aqui e ali para obterem informações, muitas das vezes recebendo-as de fontes “secretas”.  Os jornalistas que se encontram nos meandros da política ouvem, perguntam, entrevistam e utilizam tais fontes “secretas” que podem ser pessoas quer de direita, quer de esquerda, que têm funções em instituições e organismos públicos. Aquelas fontes divulgam ao seu jornal ou jornalista preferido, por vezes deturpando a informação, se acharem conveniente para os objetivos em vista, que passam por denegrir personalidades que exercem determinados cargos ou desempenham determinadas funções focadas como potenciais elementos a abater. Enfim fazendo julgamentos formulados em opiniões ou raciocínios baseados em hipóteses ou suposições não confirmadas e muitas vezes com sentido pejorativo, isto é, fazendo juízos apriorísticos.

Não tenho acesso a fontes “não identificadas, privilegiadas e próximas de”, nem consigo entrevistas, nem tenho conhecimentos e amigos nas redações de jornais nem nos canais de televisão, nem entrevisto pessoas, nem ando atrás de personalidades da política para as entrevistar para poder conhecer com profundidade os assuntos sobre os quais escrevo.

As minhas fontes são a imprensa escrita, os jornais televisivos, os artigos de opinião, os debates televisivos, os comentários, a literatura disponível sobre os temas sobre os quais escrevo. É a partir destas fontes, a que todos também podem ter acesso, que me abalanço a escrever sobre alguns assuntos emitindo apenas a minha opinião e a minha visão perspetivada sobre o que se diz, vê ou escreve. Quando me engano é porque as minhas fontes também se enganaram. Privilegio sobretudo a honestidade nas opiniões ou críticas que formulo apesar de algumas vezes contundentes. Quantas vezes comentadores profissionais da política, que supostamente estarão dentro dos assuntos, divulgam publicamente informações dando-as como certas, anunciando que tiveram origem em fontes fidedignas ou do seu meio de conhecimentos e contactos, mas que, posteriormente, não são confirmadas.

O que escrevo não são “fake news”, são interpretações pessoais de notícias e de opiniões que, como é óbvio, podem ser concordantes ou discordantes dos seus autores.  

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Alguns dos profissionais da comunicação social, felizmente não todos, por vezes cumprem a sua função para agradar a quem lhes paga o ordenado, como uma espécie de “vozes do dono”, para manterem o emprego já que isto, para os lados do jornalismo, anda mal por todo o lado.

A maior parte da comunicação social, ao invés de dar as notícias faz manchetes preparadas para induzir à oposição política, por vezes até, hostil, a certos governos ou pessoas que exerçam funções públicas que não são seu agrado, político ou ideológico, diga-se. Essas manchetes como se sabe são suscetíveis de produzir respostas emotivas resultando em sentimentos emocionais provocados e desfavoráveis para quem as lê ou ouve, mas cujo desenvolvimento do conteúdo não acompanha a conotação do título.   

Vejamos este exemplo real que foi publicado ontem dia 10 do corrente.

O jornal Expresso escreve em manchete: “Mal-estar: Marcelo espera explicações de Costa sobre Marques Vidal”

O lead da notícia é o seguinte:

«Oficialmente, “o Presidente da República não comenta entrevistas da ministra da Justiça”, mas o mal-estar é indisfarçável.»

No desenvolvimento da notícia acrescenta-se que “Uma fonte próxima de Marcelo, não identificada, disse ao Expresso que este caso "é uma afronta ao Presidente" e que as declarações da ministra da Justiça e do primeiro-ministro “causaram mal-estar em Belém”. (Cá está nesta notícia uma das fontes próximas e não identificadas a que os jornalistas recorrem e que anteriormente referi).

O mesmo jornal Expresso, e no mesmo dia, a notícia refere que: “Para Marcelo Rebelo de Sousa, a questão que envolve a eventual não recondução de Joana Marques Vidal como Procuradora-Geral da República “não existe”, pelo menos “até ao momento em que tiver de exercer o meu poder constitucional”.

De acordo com a nota que ontem o Presidente fez publicar no site da Presidência é que “só se pronuncia sobre a nomeação de titulares de órgãos do Estado sob proposta do Governo, no momento da designação”.

Os jornalistas que redigem as notícias, digo notícias e não opiniões, afirmam, deduzem, especulam sobre as mesmas levantando dúvidas e suspeitas. Colocam partes de frases, tiram ilações e até, por vezes, fazem juízos de intenção e de valor quando redigem algumas notícias. Quais serão os objetivos?

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publicado às 23:42

Os zombies da direita

por Manuel AR, em 13.12.17

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Hoje acordei virado para o lado da ficção de terror que atualmente está muito em voga, especialmente em séries televisivas só que, ao nível da política, infelizmente não é ficção.

O PSD, partido que nos últimos anos abandonou a social-democracia e passou a representar uma certa direita em Portugal, faz-me lembrar a série de televisão “Walking Dead” cujo enredo se baseia nos zombies que segundo o estereótipo popular são seres humanos dados como mortos que, após sepultados, são posteriormente reanimados por meios desconhecidos.

Esta direita zombie arrasta-se por aí, por todo o lado, sem rumo e sem projeto tendo como único propósito a assombração de tudo e de todos.

Com o auxílio de alguns media a direita vai desenterrando aqui e ali tudo quanto encontra e sirva para fazer oposição através de casos que os media lhe vão fornecendo, ou que ela vai fornecendo aos media. Estes zombies da direita têm alvos com prioridades estabelecidas e auxiliados pelas suas toupeiras no terreno.

Na campanha eleitoral interna para eleição do futuro líder do PSD, quer Santana, quer Rio, talvez com o objetivo de captar os fiéis neoliberais de Passos Coelho, não têm apresentado nada de novo e recuperam as teses do ainda atual líder. Rui Rio, por exemplo, sem nada propor de novo, volta à tese do “com o consumo interno não vamos lá”. Poderá até ter razão, mas onde está a alternativa que não coloque novamente o país como Passos Coelho o deixou? Claro que devemos reconhecer-lhe algum mérito como Santana Lopes já fez. Contudo, quais são as propostas que os candidatos a líder da direita PSD têm apresentado ao partido e ao país? Será a evolução na continuidade à semelhança do que foi a primavera Marcelista, mas em democracia?

Quem se disponha e tenha paciência para suportar ler manifestos inseridos nos comentários que encontramos nos artigos e opiniões dos jornais online onde sentimentos de ódio e frustrações se misturam terá a oportunidade de se deparar com uma outra espécie de zombies que, escondidos no anonimato, saem das profundezas das redes para atacar tudo e todos os que não pensam como eles, uma espécie de protofascistas. Para estes, todos os que não são de direita são comunas. Todos o que não sejam ideologicamente de direita ou apresentem formas alternativas para governação são comunas. Estes mortos-vivos são os mesmos que lançam chavões ofensivos e “fake news” (notícias falsas) por todos os meios que estejam ao seu alcance. A constatação deste facto não se resume apenas à direita, há também os fogosos(as) da esquerda que, embora proliferem em menos quantidade, não deixam de exagerar na sua linguagem de baixo calão.

Estes mortos-vivos, especialmente os da direita que atacam tudo quanto seja a responsabilidade social do Estado e apregoam reformas (seja lá o que entendem por isso), são os mesmos que, sem se fazerem rogados e sempre que podem, atiram-se por todas as formas a tudo quanto possam sacar ao mesmo Estado, mesmo em prejuízo de outros. Estes grupos, espécie de “batoteiros”, sempre que podem sentam-se à mesa do orçamento do Estado recorrendo a subsídios, fundos europeus a fundo perdido e outros a que se julgam com direito numa perspetiva egocentrista. Por outro lado, sentem-se lesados quando se lhes acaba o regabofe e, daí, o seu sentimento de perda de poder, prestígio, revolta, agressividade e ódio que se revelam por comentários com que povoam as redes sociais e áreas de opinião dos jornais online num impulso de destruir adversários virtuais que apenas existem na sua mente.

Este tipo de zombies maltrata os outros pela linguagem que utiliza nos seus argumentos, mas não gostam que os maltratem a eles. Até políticos ditos responsáveis (deputados normalmente) verbalizam ofensas muitas vezes pessoais, mas indignam-se e levantam-se para intervir em defesa da honra pessoal ou da bancada. Não seguem a regra de “tratar os outros como queremos que nos tratem”.

A questão que se coloca é a de saber se será possível argumentar e comentar bem e com eficácia sem pesquisar nem compreender os meandros do fenómeno sobre o qual se comenta? Eu diria que sim, mas com alguma reserva. Esta reserva reside na moderação do comentário que passa a ser uma opinião e não uma crença absoluta. A crença em política é acreditar, sem margem para dúvida, que aquilo em que acreditamos é a nossa verdade; ou podemos, por outro lado, acreditar que essa coisa deve ser verdade sem o ser.

Quem faz comentário político nas redes sociais e nos comentários dos jornais online (eu incluído) não pode conhecer factos de forma completa, exata e em todos os seus detalhes; o que acontece é que os fenómenos vão chegando ao nosso conhecimento de forma fragmentada, incompleta e aproximativa, como se fossem dados por um GPS a que falta uma ou mais referência duma localização. Todavia existem pessoas que os conhecem de forma completa e exata.  Por exemplo, não é racional acreditar como um facto sem margem para dúvidas numa coisa acerca da qual temos apenas um conhecimento fragmentar e incompleto, por muito verdadeira que essa coisa pareça.

Os comentários a que me refiro são reveladores de sentimentos de fúria, raiva, frustração e outros, cujas lógicas são difíceis de compreender e, como tal, só podem ser limitadas a crenças tipo seita religiosa que movem as pessoas envolvidas e que nos parecem por vezes estranhas convertendo argumentos políticos em ofensas pessoais onde se fazem até descabidas e irracionais conotações.

Transcrevo apenas alguns exemplos desses comentários, que não são dos que utilizam linguagem mais ofensiva, tal e qual foram publicados exceto o itálico.

Entrevistado e entrevistador são ambos bolcheviques, um do bloco, o outro da soeiro pereira gomes. Louçã a preparar o terreno para a crise que se avizinha, com a despesa descontrolada pela pressão permanente dos partidos bolcheviques que, para mais, impedem qualquer reforma relevante.

Preparar o terreno para ele é acima de tudo ilibar a extrema esquerda de qualquer responsabilidade!

Quando este padreca leninista do Louçã diz que nunca há controlo das taxas de juro mente conscientemente e descaradamente, quando sabemos que o Banco central Europeu tem mantido as taxas de juro a um nível baixo, através das compras dos activos dos bancos. Compras que para a nossa banca desde 2015 ascendem a uns 30 mil milhões de euros!

Este comentário é sobre uma entrevista dada por Louçã ao jornal i a propósito de um livro que foi lançado em outubro por ele e por Michael Ash. Este economista afirma ao jornal Público que “uma nova crise financeira internacional, ao estilo da vivida há uma década é neste momento provável”, alerta. Michael Ash é economista norte-americano, professor na Universidade de Massachusetts e juntou-se este ano a Francisco Louçã, economista e ex-líder do Bloco de Esquerda, para lançar o livro “Sombras - A Desordem Financeira na Era da Globalização”. Nessa obra, traça-se um cenário pessimista em relação à forma como os mercados continuam desregulamentados e ensaia-se uma explicação para o facto de, mesmo depois da crise, pouco ter mudado.

O comentário mostra que, ou não leu a entrevista ou não sabe do que o entrevistado está a falar. A entrevista referia-se às crises internacionais que podem surgir a qualquer momento.

Francisco Louçã tem diversas obras publicadas sobre as causas das crises cíclicas, algumas publicadas com autores estrangeiros, é um economista reconhecido lá fora por esse trabalho. Que não se goste dele ou da sua ideologia, da qual não sou adepto, isso é outra questão, mas suponho que não terá nada a ver com uma conclusão desfavorável em relação ao que ele escreveu.

 

*****

Outro comentário:

Ó pateta, vai lá pedir um empréstimo ao banco e vais ver a taxa de juro que te cobram!

A (baixa?) taxa de juro do BCE reflete-se nos ganhos para a banca ou em ganhos para a economia, para o cliente? E se assim é porque mistéio é que arrotamos milhares de milhões todos os anos para pagar os tais 35 mil milhões mais juros e o mais que virá?

Este comentário nem vale comentário.

*****

Mais outro, este, provavelmente de esquerda:

 

Afinal pagamos o que não foi para o povo, mas que foi assumido como dívida pública.

O dinheiro não veio para tapar os buracos no Estado, aliás inexistentes dado o saldo primário anual de cerca de 7.000 milhões de euros. Foram para outros buracos bem privados e foram pedidos com a assinatura de Sócrates, Passos e do panasca, que constam no documento em Bruxelas.

Os comentários parecem ter vindo de seres que saíram das trevas para tentar captar alguém para as profundezas onde se encontram.  Servem-se da ofensa pessoal, atributo de fraqueza argumentativa, e destilam sentimentos de ódio e de estigmatização. Todavia outros comentários salientam-se pela sua sobriedade e clareza sem que isso signifique ser verdade, ou de quem os faz ter razão.

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publicado às 19:40

Cães raivosos são eles

por Manuel AR, em 19.09.17

Cão Raivoso2.png

Não gosto de escrever utilizando uma linguagem idêntica à da direitalha porque passarei a fazer parte dum grupo de sinal contrário, pelo que desde já a desculpa pelo título. Mais adiante perceberão porquê.

Se nos dermos ao trabalho de pesquisar nos órgãos de comunicação informações sobre indicadores de economia, finanças, juros da dívida, mercados etc. e compararmos a informação noticiada nos períodos de 2012 e 2014 com as do período de 2015 até ao momento deparamo-nos com casos curiosos.

Durante o anterior governo, o da direita PSD/CDS, qualquer informação que houvesse sobre pequenos/ínfimos resultados positivos dos indicadores, alguns até pouco significativos, os portugueses eram bombardeados diariamente com a repetição exaustiva sobre aquela informação. Quando os resultados não eram muito favoráveis a notícia era dada rápida e parcimoniosamente.

O que vemos atualmente é precisamente o contrário. O que o atual governo tem conseguido é noticiado parcimoniosamente e sem grande impacto e tudo o que é desfavorável é noticiado com um relevo às vezes não justificado.

Se alguém acha que a comunicação social não tem animosidade com esta fórmula de governação à esquerda, então desengane-se. A direita toma conta de a crias com a ajuda da comunicação.  

Vamos a outro caso. Aqui há algum tempo atrás o Conselho Económico e Social pela voz de Teodora Cardos colocou de certo modo em causa as previsões do Governo para a economia, que ela dizia serem demasiado otimistas. Aliás basta comparar as previsões do CFP, que aparecem sempre no sentido do desfavorável, comparativamente com as restantes instituições internacionais e com as do Ministério da Finanças que se encontram em quadros publicados por aquele organismo. Será a metodologia utilizada pelo CFP para poder dar resultados convenientes? Mas o que interessa é que as previsões dadas quer pelo Governo, quer pelas instituições, são noticiadas pela rama e sem enfase, ao contrário do que se passava no anterior governo.

A partir daqui confluímos obrigatoriamente com as manobras de diversão que a direita pretende seja agenda política na abertura dos noticiários que é tudo o que menos interessa ao comum dos cidadãos, isto é, a chicana política de descredibilização.

Os bons resultados obtidos e a confiança das instituições europeias obtidos pelo Ministro das Finanças e pelo atual Governo revelado pela decisão da Standard & Poor’s (S&P), Portugal sentiu logo nos mercados o efeito positivo de ter tido uma das principais agências de rating mundiais a retirar o nível “lixo” que atribuía à sua notação de crédito assim como a saída de Portugal do lixo da agência de avaliação que foi noticiado pela rama no primeiro dia tentando que passasse pelos pingos da chuva.  A queda de juros registada esta segunda feira tem o potencial para gerar poupança anual de 37,5 milhões de euros em emissões de Obrigações do Tesouro (OT) a notícia foi dada sem grande relevo contrariamente ao que se passava no governo da direita. Tudo isto são pedras no sapato da direita e da qual não se consegue desenvencilhar e, por isso, procura o acessório, o desinteressante, o achincalhamento e a comunicação social sempre ávida de furos jornalísticos dá ajudinhas.

Quando foi colocada dívida pública cuja oferta superou a procura e a juros negativos, A TVI e a SIC noticiaram? Não. E a amortização da dívida com o pagamento ao FMI de 1700 milhões de euros? Foi dada timidamente. A TVI apenas deu uma pequena passagem de António Costa em que o divulgava, mas nem me recordo se foi passado nos noticiários em horário nobre ou se foi noutra altura e apenas uns breves 25 segundo, ficando-se por aí. Recordo-me que qualquer mexeriquice propagandística que vinha, e vem da direita, era, e é papagueada várias vezes ao dia.

Isto é falta de isenção, de independência, é informação de fação.

Alguns, como João Miguel Tavares, que escrevem nos jornais opiniões políticas sobre o Governo alinham pelo mesmo diapasão e logo surgem comentários online dos tais direitalhos contra quem não discorda de Miguel Tavares e contrapões com linguagem direitalha:

“Os cães raivosos do costume não conseguem esconder a sua irritação pois sabem que o João Miguel tem razão e tudo não passa dum castelo de areia e esses resistem muito pouco. É tudo uma questão de tempo. A única coisa que me deixa na expectativa é saber quem vão eles (os cães raivosos) culpar a seguir.”. Como já escrevi é esta a linguagem da direitalha. De certo que este termo também será um pouco pejorativo, mas é o nome para quem assim escreve, e este é uma pequeníssima amostra.

Bem, está visto quem são afinal os cães raivosos!

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publicado às 09:49

Não digam agora que é coincidência

por Manuel AR, em 07.09.17

Regressado novamente ao ambiente lisboeta e à política envolta e revolta neste momento pelas eleições autárquicas não registo a comentar, o que já fiz por várias vezes neste mesmo blog, a oportunidade de alguma espécie de comunicação social retirar da arca bafienta os seus rascunhos, conluiada com alguns falsos justiceiros que dizem andar a investigar a “Operação Marquês” e o seu estimado e querido tema Sócrates, pedindo adiamento atrás de adiamento de modo a coincidir com certos momentos políticos.

Como já disse várias vezes o adiamento e o tema acusação de Sócrates voltaria na altura em que se aproximassem as eleições autárquicas, saindo de novo do segredo de justiça para a comunicação social. Assim está a acontecer. Nem mais nem menos.

Coincidência, clamam em coro os intervenientes no processo cooperados com alguns órgãos de comunicação social.

Não se trata de defender nem acusar Sócrates, a isso não me atrevo. Não tenho dados que me permitam fazê-lo, até porque o que tem vindo a público não me dá garantias de nada e, qualquer observação que fizesse, seria mera especulação à partida viciada pelas fontes. O que para mim se deve colocar em causa não é Sócrates, é o processo estrategicamente definido no espaço jornalístico e no tempo, numa espécie de conluio temporal entre a investigação e ocasiões políticas relevantes.

Por favor não queimem os vossos neurónios, que lhes podem fazer falta, para justificarem que, afinal, não há qualquer espécie de coincidências.

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publicado às 15:12

Quando os abutres pairam

por Manuel AR, em 19.06.17

Incêndio Predrógão.png

Todos lamentamos as vitimas causadas pela imensa tragédia provocada pelos incêndios dos últimos dias na região de Pedrógão Grande que ultrapassou as regiões periféricas daquele concelho.

Para quem acompanhou as reportagens e noticiários dos vários canais televisivos terá tido oportunidade de confirmar que esta tragédia tem sido, e continuará a ser, um pasto fácil para captar audiências.

Reportagens repetitivas, debates televisivos, entrevistas que, para além de informarem, servem também para fomentar a dúvida, pôr em causa tudo o que se fez e o que deveria ser feito ou, ainda poder contentar certa espécie de audiências, lançando achas de outra espécie para fogueira da comunicação, arremessando descréditos e subentendidos a instituições, apontando as mais diversas responsabilidades.

Na imprensa o triste acontecimento é fonte de inspiração para opiniões dispares e de interpretação subjetivas, reclamando o que anteriormente não reclamavam... Uma oportunidade também para contestarem as declarações do Presidente da República. Esquecem-se estas aves de rapina do que foi o tempo dos incêndios no tempo do governo que apoiavam, "comendo" o que de lá vinha, sem pestanejarem. Veja-se por exemplo o caso do incêndio na Serra do Caramulo em agosto de 2013.

Aí estão eles, os da direita com uma fácies triste e a mostrar condolência quando os seus adeptos, mostrando a sua fúria desmedida e mal contida espalham comentários através dos jornais online atribuindo culpas a quem está mais a jeito. Na sua fúria insana procurando fragilidades que lhe lhes garanta ganhos que têm vindo a perder. É a fúria dos adeptos duma direita extremista, irresponsável e irracionalmente furiosa.

Judite de Sousa parece ser, no meio da terra queimada e de cinzas, vestida de preto a condizer para mostrar o seu enlutar (fica-lhe bem no avermelhado da paisagem, assim como o cabelo a que parece pertencer), um dos abutres da comunicação, eventualmente feliz por dentro, por a desgraça alheia lhe ter trazido algo para debicar e beliscar numa política que parece não lhe agradar e puder ter audiências durante semanas. Quando há notícia que deem visibilidade pela-se por aparecer.

Deixando de lado o seu valor como investigadora, Raquel Varela é outra, noutro estilo, não perde a mínima oportunidade para ter audiências, aproveita tudo para uma contestação, a tudo e por nada, deixando qualquer leitor ou espetador alguma vezes perplexo  sem saber onde ela se situa. É contra tudo e todos. Apenas porque sim!

Neste momento canais de televisão ávidos da especulação para traduzirem más notícias em emoções para os espectadores iniciaram já a preparação de reportagens pondo frente às câmaras voyeuristas pessoas e famílias enlutadas, agora empobrecidas física e psicologicamente pela tragédia, colocando-as em primeiro plano numa tentativa de exploração política e emocional de situações de tristeza e de luto com o objetivo de atrair publicidade não olhando a meios. Esta tragédia servirá, durante mais alguns dias, ou semanas, para os “abutres” da comunicação televisiva fazerem uma espécie de marketing para captar audiências, mais do que para dar apenas informação.

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publicado às 16:59


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