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O regresso dos papões

por Manuel_AR, em 11.10.14

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A sondagem da Aximage que o Jornal de Negócios publicou mostram resultados muito favoráveis a António Costa. Estes resultados são ainda muito precoces e muita coisa se irá ainda passar.

Ora, face a esta situação de popularidade de António Costa e do Partido Socialista, começam a despontar os arautos dos papões e o ciclo iniciou-se já com uma das aventesmas da política, António Barreto. Diz esta sumidade, que Costa deve ter cuidado com as alianças à esquerda dominada pelos comunistas e refere, pondo no mesmo baralho tudo qunto é esquerda do PS, misturando o Bloco de Esquerda e o Livre o que, para Barreto "põe problemas seríssimos" e "caminho perigoso ao estar a aliar-se a partidos comunistas". Mas quem lhe disse a ele que isso iria acontecer. Será que tem informação privilegiada? E alianças com a direita que problemas coloca? O facciosismo é lamentável num sociólogo.

Para quem não se recorde António Barreto foi ministro da Agricultura do 1º governo de Mário Soares que fez a célebre "Lei Barreto" sobre a reforma agrária e, porque atacado, naquela altura, por todos à esquerda do PS deve ter ficado com o trauma dos comunistas.

Num debate televisivo em 2102, na SIC, posicionava-se com Manuela Ferreira Leite numa uma solução em que no Serviço Nacional de Saúde quando estivesse em causa a manutenção da saúde através de meios dispendiosos e tivesse mais de setenta anos deveria pagar os tratamentos. Afirmações polémicas que causaram escândalo na altura.

Já este ano defendia na Rádio Renascença "tornar a Constituição mais simples para, depois, no plano político, ser possível ter mais liberdade de opção. E é no plano político e não constitucional que defende a manutenção de um sistema de saúde público, mas com maior liberdade de recurso ao privado, de contratualização com o privado.".

Mas há mais, diz que "os empresários não têm liberdade para dizer e fazer o que querem", talvez seja por isso que muitos enriqueceram num curto espaço de tempo. Então como é que se cosntruiram (e detruiram) grande gupos económicos. Veja-se para já o caso BES. É preciso lata. 

 Por outro lado, façamos-lhe justiça, nem tudo o que esta aventesma da política disse foi mau, entre outras afirmações também diz, quanto à educação, admitir a liberdade de escolha, mas sem que o Estado pague a privados. “Quem quer fazer educação privada que a pague. O Estado não deve pagar cheques ensino não deve estar a subvencionar as escolas privadas, como faz atualmente. O Estado gasta milhões e milhões nisso, nas escolas privadas e acho que não o deve fazer.”. 

Podemos e devemos levar a sério os professores catedráticos e investigadores em ciências sociais mas não podemos esquecer-nos de que em todas as formações sociais existe uma função da pluralidade contraditória de sistemas ideológicos de codificação do real e que, por isso, são as ideologias dominantes ligadas ao bloco do poder que retêm a atenção constituindo obstáculos fundamentais à elaboração de conhecimentos científicos.

Presidente do Conselho de Administração da Fundação Francisco Manuel dos Santos, António Barreto pediu a demissão prematura de Presidente do Conselho de Administração da fundação em abril de 2104. Para o Jornal Económico  a saída de Barreto deve-se a "diferenças de opinião com a família fundadora em torno da estratégia da instituição em áreas como o ensino superior" em cuja área Francisco Manuel dos Santos "defendia uma postura mais interventiva". Resta saber em que sentido...

Será que é apenas uma questão de opinião que conduziu a António Barreto à demissão ou estará a prepara-se para outros voos? O facto é que ele começou já a dar entrevistas com afirmações polémicas o que poderá dar mais protagonismo na comunicação social. Pelos vistos começa bem. lançando para opinião pública os papões do costume.

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publicado às 22:58

A cultura dos incultos na política

por Manuel_AR, em 22.09.14
Revi hoje algumas das intervenções do responsável pela realidade que se vive atualmente no médio oriente, nomeadamente no Iraque, que teve a sua génese numa época bem determinada com a participação de um ator principal bem identificado apoiado por atores secundários que se deixaram arrastar para uma armadilha.

Esse ator principal que ascendeu à política com empurrões paternais foi George W. Bush, Jr. que bem poderia ter-se dedicado à "stand up  Comedy".

Não admira que a impreparação, a incultura, o desprezo por tudo quanto não seja, como dizem, a ligação das escolas ao mundo do trabalho e uma visão tacanha de desprezo por tudo quanto sejam ciências sociais e humanas, (lembram-se do jornalista português da área da economia que disse publicamente que a disciplina de história não servia para nada?), traduz-se nisto.

Vejamos alguns extratos de intervenções durante o mandato de George W. Bush Jr. como presidente dos Estados Unidos da América.  Se procurarmos bem encontraremos também bons exemplos em Portugal.

 

  • "Eu gostaria a de ter estudado latim, assim poderia comunicar melhor com o povo da América Latina.".
  • "A grande maioria das nossas importações vem de fora do país."
  • "Se não tivermos sucesso, corremos o risco de fracassarmos."   
  • "O Holocausto foi um período obsceno na História da nossa nação. Quero dizer, na História deste século". 15/09/95
  • "Uma palavra resume provavelmente a responsabilidade de qualquer governante. E essa palavra é estar preparado." 06/12/93
  • "Eu tenho feito bons julgamentos no passado. Eu tenho feito bons julgamentos no futuro."
  • "Eu não sou parte do problema. Eu sou Republicano."
  • "O futuro será melhor amanhã".
  • "Nós vamos ter o povo americano melhor educado do mundo.". 11/09/97
  • "Eu mantenho todas as declarações erradas que fiz.".
  • "Nós temos um firme compromisso com a OTAN. Nós fazemos parte da OTAN. Nós temos um firme compromisso com a Europa. Nós fazemos parte da Europa. "
  • Um número baixo de votantes é uma indicação de que menos pessoas estão a votar."
  • "Nós estamos preparados para qualquer imprevisto que possa ocorrer ou não.". 22/09/97
  • "O povo americano não quer saber de nenhuma declaração errada que George Bush possa fazer ou não.".
  • "Não á a poluição que prejudica o meio-ambiente. São as impurezas no ar e na água que fazem isso.".
  • "É altura de a raça humana entrar no sistema solar.". 

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publicado às 19:56


Apresentação

 

Já decorreram três semanas desde a comunicação da mensagem de natal de Passos Coelho ao país. Dispus-me então, nessa altura, levar a efeito uma análise de conteúdo da mensagem, seguindo critérios e metodologias de cariz científico recomendados para este tipo de análise. Todavia,  sobretudo nas conclusões e sem qualquer intencionalidade, pode não estar afastada alguma subjetividade. Tal, é devido a não estarmos em presença de uma ciência exata. Sobre este aspeto convém referir que, num trabalho como este, a bagagem supostamente teórica a ele inerente comporta numerosas armadilhas que são as aparências imediatas que nos são fornecidas, normalmente parciais. Daí que se tentou uma rutura com preconceitos e evidências aparentemente verdadeiras que nos podeiram vir a dar a ilusão de compreender as coisas.

Não se obtiveram dados que nos permitissem avaliar as permissas que conduziram à construção da mensagem analisada, a não ser a pré e a pós informação veiculadas pelos órgãos de comunicação social das quais, como já deixei antever, tentei afastar-me ideologicamente, o que não é fácil devido à existência de uma pluralidade contraditória de sistemas ideológicos presentes nos discursos concretos. Por outro lado, teve-se em consideração o afastamento das ideologias dominadas, as que se encontram fora da área do poder, e das ideologias dominantes, estas ligadas ao bloco do poder, que são as que mais prendem a nossa atenção, o que poderá ter sido um obstáculo ao trabalho produzido que pretendeu ser isento.

 

Posto isto apresento a seguir o resumo do trabalho efetuado.

 

Resumo da análise de conteúdo


A mensagem de natal de Passos Coelho revelou na análise de conteúdo efetuada que se presta a interpretações polissémicas ao nível político-partidária ao que se junta o elogio e o apelo ao narcisismo do telespetador tornando-o num herói. Tal e qual um horóscopo, o discurso da mensagem não revela um reino do fatalismo porque tudo é reposto na mão dos sujeitos objeto da mensagem. Isto é, estes podem atingir a felicidade, sem se saber quando, na condição de realizar o que para tal for necessário como por exemplo nas seguintes passagens:

“…sabemos que começámos a lançar as bases para um futuro próspero.”

“…todos beneficiarão das novas oportunidades que criaremos nos próximos anos…”

“…a certeza de que os dias mais prósperos  mais felizes do nosso País estão à nossa frente…”

O discurso é ainda, como num horóscopo, um orientador de consciência, antecipando de forma preditiva certezas, para os anos que virão, de oportunidades para todos os que estiveram presentes com “coragem” e “esforço”.

O discurso defende um sistema, aplicado a todos, que venha a corresponder à ideologia e ao modo de vida defendido pelo emissor. A essência do discurso é a consagração de um apelo ao comedimento pelos portugueses que, seguindo o que for prescrito, serão senhores do seu próprio destino. É um manual do esforço para alcançar a satisfação, cujo fruto não colherão ou cujo valor é menor do que o próprio esforço.

 

Para consultar o trabalho click aqui.

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publicado às 16:58


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