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O último estado de alma

por Manuel AR, em 25.11.15

Cavaco e Costa.png

Cavaco Silva não "indigitou" António Costa como primeiro-ministro para formar Governo, "indicou", forma subtil, mas soez, proveniente de quem se diz acima dos partidos. Foi a forma de Cavaco mostrar o seu desagrado com a decisão que tomou mas a que, na prática, foi obrigado. Ficará para a história da democracia portuguesa como figura politicamente sinistra.

Nos dicionários de português as palavras indigitar e indicar surgem como sinónimos mas ao nível institucional não tem qualquer valor a não ser como indicador do "estado de alma" de um Presidente de alguns que sempre se exprimiu em política por estados de alma e que ficará com eles na solidão nos seus últimos dias de mandato que já não o é de facto.

Também curioso foi o facto de pivôs da informação televisiva, como José Alberto de Carvalho da TVI, tenham utilizado e dado ênfase à palavra "indicado" ao referir-se à indigitação de António Costa, seguindo a linha de Cavaco Silva, quando este acorda com motivos aparentes do "sei lá o quê" lhe invadiu a alma, sem nada o conseguir animar...

Há o mínimo decoro nas relações institucionais que ele ajudou a degradar dando contributos ativos para a instabilidade política.

A direita enfurece-se, mas não sabemos o que pretendia. Ganhou a eleições, é certo, mas por minoria. Será que esperava manter-se assim pelo tempo duma legislatura? Que tempo de vida esperava ter enquanto Governo? Será que apenas desejaria criar instabilidade governativa, política e social que não servia a ninguém, para depois provocar eleições antecipadas que eventualmente lhe trouxessem nova maioria absoluta? Falam em radicais de esquerda quando foram eles, na prática, radicais de direita.

Aguarda-se agora que o PSD mude e volte ao que era dantes. Quanto ao CDS-PP quem és e onde estás que não te vejo?…

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publicado às 16:53

Invocar o medo.png

 

Há uma coisa que sabemos, o CDS-PP está dependente de Passos Coelho e refém do PSD.

O assustado e perplexo Nuno Melo, conservador de ultra direita, adepto duma democracia de partido único no governo, para sempre, quando abre a boca ou escreve não acrescenta nada de novo. Já conhecemos muito bem o seu discurso. Ao criticar a solução de Governo PS, por via do apoio apenas ao nível parlamentar dado pelo PCP, BE e PEV veio agora dizer que "Quem manda hoje no PS é o comité central do PCP".

Nuno Melo devia estar calado porque quem manda no seu partido, o CDS-PP, é Passos Coelho que o mantém refém do PSD através dum acordo que, se foi escrito, não se sabe o que dele consta porque nem foi divulgado. O CDS aceitou um acordo (?) apenas para se manter no poder.

Todos nos recordamos de em julho de 2013 Paulo Portas ter revogado o irrevogável e ter ultrapassado as linhas vermelhas que dizia não querer ultrapassar. Com que moral vêm agora estes senhores dar lições e tecer comentários, a maior parte das vezes sem fundamento.

Tudo o que está em causa é o medo da perda do poder já consumado neste momento. Resta-lhes andar por aí fazendo comícios, dizem de esclarecimento, à porta fechada prestando-se aos mais disparates ditos como o fez hoje o líder da coligação neoliberal Passos Coelho quando se declarou "inteiramente disponível" para apoiar "uma revisão constitucional extraordinária para dissolver a Assembleia e para que seja o povo português a decidir". Passos Coelho falava no encerramento das jornadas "Portugal: Caminhos do futuro", com militantes do PSD e do CDS-PP e, pela primeira vez desde o escrutínio de 4 de outubro, pediu eleições antecipadas.Revisão constitucional.pngRevisão da Constituição da República agora com quem e com que maioria de quatro quintos que seria necessária para uma revisão extraordinária. Nem dois terços, quanto mais! Será que a perda de poder o endoidou?

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publicado às 23:19

Favas e diamantes.png

 

A expressão favas contadas parece ter origem na forma de escolha do abade nos mosteiros por meio um sistema de votação de favas brancas e favas pretas. Contavam-se as favas e o monge que tivesse o maior número de favas brancas era nomeado abade do mosteiro.

A frase tem assim o sentido de coisa certa, negócio seguro, algo que já é certo que vai acontecer. Que não há dúvidas que vai acontecer. A direita não se pode arvorar a manter-se no poder sine die.

Durante quatro anos e meio a direita de Passos Coelho e de Paulo Portas rejeitaram todas e quaisquer propostas do PS. Lamentando o facto e vendo que as favas não estavam contadas após eleições, de aflitos, lembram-se até de propor a participação do PS no governo pensando que iria cair na esparrela. Em política não há favas contadas. Uma democracia parlamentar depende da conjugação de forças em presença. A vitória pode não ser favas contadas quando há adversários à altura.

Vamos até supor que não haveria qualquer acordo do PS com o PCP, o BE e o PEV, o que esperaria a coligação de direita da conjugação de forças parlamentares? Que a oposição parlamentar maioritária deixasse passar, após a experiência dos quatro anos anteriores, um Governo agora de apoio minoritário? A coligação de direita passaria a depender do Partido Socialista para fazer passar o seu programa de Governo, o orçamento e os diplomas que viessem a seguir. Era com isso que a direita contava, pensava serem favas contadas. Fazer com que, a prazo, o PS se tornasse num partido, aliado da direita, sem identidade política, como o é atualmente o CDS-PP.

A coligação de direita ganhou as eleições mas centra-se apenas no resultado percentual. Pretende fazer passar um apagador pela representatividade parlamentar. Isso não é possível. Face aos resultados eleitorais e escolhas do povo os partidos têm a liberdade de fazer acordos pontuais, ou não, com quem muito bem entenderem e com quem esteja em melhores condições de defender quem os elegeu.

Por mais que a direita faça e tenha ganho a eleições os resultados mostraram com clareza que foram 2736845 portugueses que votaram na esquerda e 1742012 que votaram na direita por mais jogos e joguinhos dialéticos que façam.

Não sou especialista em leitura de expressões faciais mas quem viu ontem o debate na Assembleia da República poderia notar em alguns deputados da direita, nomeadamente Telmo Correia expressões de fúria e oratória de sabor amargo.

A direita acha-se o diamante da democracia, da política e da governação, mas, contrariamente ao filme de James Bond, os diamantes em política não são eternos.

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publicado às 19:59

Debate_político.png

 

Estará prevista para o dia 18 de novembro um debate dos “compromissos de Portugal em matéria europeia” e ainda a “política externa e de defesa”. “Vai ser importante a clarificação da posição de cada um dos partidos”, disse Nuno Magalhães líder parlamentar do CDS e acrescentou “Mais vale tarde que nunca”. É o que se pode chamar conversa da treta, já que, a grande probabilidade é a rejeição do programa a apresentar pelo novo Governo da coligação que não será mais do que uma cópia revista, diminuída e anotada do programa apresentado pelo PS durante a campanha eleitoral.

Tudo isto não passa de hipocrisia da direita porque, é mais do que sabido, que, os partidos da coligação PSD e CDS são os que “pedem rapidez à Assembleia da República” mas, ao mesmo tempo, suportam um Governo que atrasa a entrega do programa de Governo que parece não ser entregue hoje, quinta-feira mas apontando agora para a sexta-feira.

A estratégia política dos partidos da coligação PPD/PSD e CDS-PP, face ao desespero em que se encontram, passou a ser a da chicana parlamentar apenas com o intuito de provocar divisões nas negociações que se fazem à sua esquerda que tem maioria parlamentar. Para tal,  prtende avançar para discussão temas despropositados no atual momento político que, neste momento, não faz parte das preocupações da maioria dos portugueses.

Aproveitar o debate sobre o Programa do XX Governo Constitucional para discutir neste importante momento político para a vida dos portugueses a posição de Portugal sobre a NATO e sobre o Tratado Orçamental, que são bem conhecidas, é um despropósito.

O que está em causa, e deve ser discutido, são as políticas internas e as medidas para quatro anos dum governo estável que tente reconstruir, dentro do possível, o que a coligação de direita PSD e CDS destruiu ao longo dos longos quatro anos, e não a política internacional nem as relações com os nossos parceiros internacionais que não estão, minimamente, a ser postas em causa.

Criar a confusão na mente dos portugueses foi e continua a ser o lema do Governo anterior e que, a todo o custo, pretende revigorar.

Quanto ao PCP, com a sua ânsia vanguardista, e de querer mostrar posições de força, neste momento desnecessárias, vai retardando o acordo e, indiretamente, contribui para dar argumentos à direita e a Cavaco Silva, quando João Oliveira afirma que "A palavra de um comunista vale tanto como um papel assinado". Linguagem de negócios de rua que se selam com um aperto de mão…?

Haja paciência!

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publicado às 10:02

Segura o tacho ó Nuno este é o teu país

por Manuel AR, em 20.08.15

Nunomelo_país.png

Há um crédito que Nuno Melo, deputado europeu pelo CDS/PP, me merece, é poder rir à gargalhada à custa dele. Numa coluna, apenas uma, mas mais larga, denominada “Linhas direitas” cujo título mais apropriado seria o de “Linhas da direita”, escreve uma série de meias verdades bordadas com matizes de falsidades. Em síntese, a economia está a crescer, diz, está tudo bom, e Portugal está bem e melhor. Se assim for como será depois se a coligação ganhar as eleições? Voltamos à mesma conforme Passos Coelho disse em tempo não muito longínquo, manteremos o mesmo rumo e nada será alterado.

Somos os maiores, ou quase, da zona euro. Maravilha de país. Deve ser por isso que Portugal virá a ser, como diz o seu líder do Governo Passos Coelho, uma das maiores dez economias do mundo. Segura o tacho ó Nuno!

Esta direita é falsa como as cobras. Estas, ainda têm desculpa porque é da sua natureza, mas os partidos desta direita são premeditadamente falsos.

Nuno compara e mistura Portugal com tudo sobre a Grécia. Deve ser o único e fraco argumento sem sustentabilidade que tem. Torneia premeditadamente a questão real de Portugal. Talvez gostasse que a Grécia não fosse ajudada e entrasse num colapso irreversível. Mas foi. E foi-o também pelo Parlamento alemão. Com uma mãozinha de Merkel e de Schäuble, votou a favor de novo resgate com 454 votos a favor, 113 contra e 18 abstenções. Onde se posiciona agora o CDS e o PSD com a sua coligação?

Nuno Melo, no seu artigo, e também a sua gente, revertem para o passado, sempre o passado, até no da Grécia, e esquecem o presente.

Para Nuno Melo Portugal é o país das maravilhas, mas sem Alice. Como Alice, também sonha em grande. Pois então! De alguns dados positivos que nada têm a ver com a atuação do Governo embandeira em arco e canta loas épicas de crescimento e prosperidade. Todavia, omite propositadamente o outro lado do espelho do país maravilhoso que não é o de Alice mas o dele.

O que está por detrás do espelho por onde Nuno Melo mira Portugal? Apenas isto:

Trabalhar era para o objetivo para ter uma vida digna acima do limiar da pobreza, agora é a garantia a sobrevivência e, mesmo assim abaixo desse limiar. Há cada vez mais portugueses que trabalham mas continuam a depender de apoios sociais. Outros, ainda, contribuem para aumentar a sopa dos pobres. É o teu país ó Nuno!

A solidariedade foi substituída pela caridadezinha, sinal da decomposição social. É o teu país ó Nuno!

Desregulação e desvalorização do trabalho e respetivas consequências sociais em conivência com a troika e o entusiasmo de quem se preparava para ocupar o poder, (já agora também um pouco de passado). É o teu país ó Nuno!

Tornaram as pessoas mais pobres na impossibilidade de desvalorização da moeda. É o teu país ó Nuno!

Os salários reduzidos, quer pela subida brutal dos impostos sobre o trabalho, quer pelo desmantelamento das convenções coletivas e pelo corte das pensões, entre outras. É o teu país ó Nuno!

O emprego aumenta virtualmente com valores ínfimos. É o teu país ó Nuno!

Os salários baixos passaram a ser a regra, apesar de Passos Coelho umas vezes dizer que é preciso baixar salários e outras vezes dizer que se devem aumentar salários, e o ministro da Economia, Pires de Lima, diz que é preciso aumentar o salário mínimo. Balelas! É o teu país ó Nuno!

Quem trabalha tem cada vez menos a garantia duma vida digna. É o teu país ó Nuno!

Há 880 mil portugueses a receber o salário mínimo em 2011 eram 345 mil (Fonte INE). É o teu país ó Nuno!

Não se aumentou meio milhão de postos de trabalho, mesmo com salários baixos, mas os que perderem o emprego só puderam regressar ao mercado de trabalho aceitando condições degradantes. É o teu país ó Nuno!

Os jovens que ingressam no mercado de trabalho têm que aceitar salários mais baixos do que o que era oferecido aos seus pais. É o teu país ó Nuno!

A competitividade é conseguida através da escassez, da pobreza, da miséria e logo com o assistencialismo. É o teu país ó Nuno!

Portugal à Frente, nome dado à coligação significa: crescimento da taxa de pobreza, desemprego a baixar por obra dos salários baixos, pela emigração, subemprego, precarização e desistência de procura de trabalho nos centros de emprego, o que reduz estatisticamente a taxa de desemprego. É o teu país ó Nuno!

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publicado às 18:45

O assistencialista

por Manuel AR, em 26.11.13

É evidente e não há dúvidas da contribuição positiva dada pela instituições de solidariedade, nomeadamente as das igrejas, para minimizar a miséria que este Governo tem feito grassar pelo país.

Agora vem mais uma ajudazinha a ser paga, com os impostos de todos, àquelas instituições: a isenção do IVA em algumas circunstâncias.

A medida a constar no orçamento de Estado para 2014, foi dada a conhecer por Mota Soares, ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social para o qual proponho desde já a alteração do nome para Ministério do Assistencialismo que se adequa mais às políticas que têm sido implementadas pela pasta entregue ao CDS/PP.

Com a referida medida procura-se obter mais uns votitos, tão necessários aos partidos do governo, especialmente ao CDS, nomeadamente através de uma campanha favorável mas subtil que poderá ser efetuada por aquelas instituições.

Sabemos que muitas das instituições sociais são organizações da igreja católica que, através de alguns dos seus dignitários, tem sido bastante crítica. Há que acalmar as hostes!

Como já referi tenho o maior respeito por estas instituições da igreja e afins. Todavia, muitas delas, exercem práticas de apoio social pagas pelos seus utentes, entre as quais centros de dia e creches para algumas das quais delas o Estado contribui com financiamento provindo dos nossos impostos.

Apesar do apoio dado por essas instituições a cidadãos, alguns deles, senão a maior parte, não carenciados, há críticas a fazer e muitas. Algumas dessas instituições, normalmente associadas a paróquias, quando um utente ou família se atrasa um ou dois meses, por necessidade pontual, no pagamento da mensalidade contratada deixam de apoiar essa pessoa. Isto é mais ou menos assim, utilizando uma terminologia mais popular, "não há dinheiro não há palhaços!".

Pois agora aqui surge mais uma benesse que é retirada das receitas do Estado. Retira aos que necessitam subsídios para dar a outros que os apoiem. E isto, mais uma vez, através dos nossos enormes impostos. Que vantagem terá aquela medida de isenção de IVA? Diz o ministro assistencialista que é porque "assim estamos a reforçar o apoio que o Estado tem que dar a estas instituições, porque acreditamos que este dinheiro, quando fica nas instituições, é gerido e investido com mais qualidade e proximidade do que se fosse ao nível central".

Reparem bem "porque o Estado tem que dar a estas instituições…" e determina que a nível central do Estado não é investido com tanta qualidade. Então? São todos incompetentes (ou será corruptos?) porque não sabem gerir a coisa pública?!

Pensar só faz bem…

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publicado às 17:35

O grande iluminado cavaquismo

por Manuel AR, em 23.07.13

Em cena durante as últimas semanas, este circo da política foi prejudicial ao país. Tudo se teria evitado se comunicação do Presidente da República fosse unicamente aquela que fez no último domingo.

Poderemos perguntar-nos se a proposta apresentada pelo P.R. teria cabimento, sabendo-se há muito quais as posições assumidas pelo Partido Socialista. Foi uma tentativa falhada de entalar o PS querendo associá-lo à incompetência do Governo e querendo que passasse um cheque em branco sobre futuras medidas que, eventualmente, viessem a ser preparadas.

Apesar da maioria absoluta da coligação Passos Coelho e o seu Governo precisavam de uma moleta. É verdade que o Partido Socialista assinou o primeiro memorando de assistência, assim como o fizeram o PSD e o CDS/PP e, desde aí, muita coisa mudou.

Não nos esquecemos que, naquela altura, após ter provocado a crise política, Passos Coelho afirmava que iria resolver os problemas do país e mentiu ao eleitorado. Obteve uma maioria e, como tal, deve cumprir sozinho a sua legislatura e ser ele o protagonista da salvação nacional. Ele assim o prometeu, já lá vão dois anos.

A solução do Presidente da República de querer colocar os três partidos num saco, misturar, e sair um grupo que falasse em uníssono ao país, como ele gostaria, era o mesmo que dizer como já o disse uma vez a cavaquista Manuela Ferreira Leite suspender a democracia. Depois logo se veria desde que beneficiasse o partido maioritário do Governo.

Cavaco lançou a rede para ver se, no lago governativo, já poluído pelos partidos do Governo, pescava alguma coisa. Mas o peixe rasgou-lhe a rede e fugiu.

A maior parte dos portugueses não se esqueceu de que, quem criou mais prejuízos ao país nos últimos dois anos foi a tónica de apoio sistemático dado por Cavaco Silva ao Governo.

Passos Coelho continua, após saber que vai continuar a desgraçar o que resta do país, a querer agarrar-se à boia de salvação do PS. Poderemos continuar questionar-nos porque será?

Passos Coelho sabe que não consegue sair sozinho do pântano em que meteu o país, ou que o aconselharam a meter, e, por isso, pede ajuda, em uníssono com o Presidente de República, utilizando até à exaustão o chavão de salvação nacional. A salvação nacional deveria ter começado logo após a intervenção da “troika” evitando conduzir o país a este descalabro. Mas não, Passos Coelho e o seu grupo de terror neoliberal e impreparado do PSD quiseram ir para além da “troika”. Agora querem ajuda!

Porque é que o PSD, no tempo dos PEC’s não negociou com o PS um acordo de salvação nacional porque nessa altura também era disso que se tratava? Apenas porque queria rápido chegar ao poder. Agora está à vista.

Os portugueses, nas últimas eleições, não votaram no PS para salvar o país, votaram e confiaram no PSD, porque acreditavam que seriam merecedores da confiança para salvar o país mas acabaram por enterrá-lo ainda mais.  

A democracia não é, nem nunca foi, a menos que consideremos a União Nacional como um exemplo de democracia, feita de pensamento e acordos sem limites. Sem representantes dos descontentamentos através dos partidos, sem oposição a medidas que são tomadas, sem haver diferenças ideológicas e económicas sobre caminhos a seguir não há democracia.

 

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publicado às 11:05

O ballet acrobático de Paulo Portas

por Manuel AR, em 12.05.13

Após a declaração de Paulo Portas no domingo passado muito se tem falado nos canais de televisão via comentadores políticos. O que apoiam Paulo Portas e o Governo desfazem-se em explicações mais ou menos confusas e omissas. Isto porque, na semana a seguinte Passos Coelho e um dos seus secretários de estado vieram falar de um corte nas reformas dos funcionários públicos que pertencem à Caixa Geral de Aposentações, para a qual descontaram durante dezenas de anos. A forma ardilosa que encontraram para as fazer baixar seria através da reformulação da fórmula de cálculo para todas as pensões que foram atribuídas por aposentação anteriores a 2005.

Ora, o Dr. Paulo Portas veio a público afirmar que se opunha a quaisquer taxas que viessem a incidir sobre as pensões de Caixa Nacional de Pensões, mas não se referiu a cortes nas pensões dos funcionários públicos nem a hipotética alterações de cálculo que as fizessem baixar. Tentou baralhar referindo-se a uma espécie de taxa TSU sobre as reformas nome que, segundo ele, foi dado pela imprensa. Apoiantes de Paulo Portas questionados sobre esta matéria já por várias vezes não esclarecem esta ambígua situação e reenviam para a concertação social e parceiros socias o que for decidido. Como? Então ele não disse que poderia sair do Governo se o limite fosse ultrapassado? Pelo menos foi uma das leituras que se poderia fazer.

A tal linha que Paulo Portas não estava disposto a ultrapassar, pelos visto é muito ténue e revela mais uma situação de dois pesos e duas medidas e mais uma tentativa de divisão entre sectores da sociedade. Não me venha ele desculpar-se depois que não sabia (esteve num conselho de ministros que durou várias hora) ou que a culpa é da “troika” porque não aceitou a proposta, como eu anteriormente escrevi em “post” anterior referente a esta matéria.

Já estamos fartos destas piruetas político-acrobáticas do Dr. Paulo Portas na caça ao voto. O que ele esquece é que apesar de se dizer que o povo tem memória curta, desta vez, quando chegar a altura, a situação é tão grave que irá, com certeza, recordar-se.

O líder do CDS/PP bem pode jogar ao “toca e foge” as já vem tarde. O estigma contra os idosos e os reformados foi lançado. Já só falta colocar uma marca obrigatória no braço como faziam na Alemanha nazi com os judeus, e ele deixou que isso esteja a acontecer.

Se considerarmos uma teoria da conspiração tendo em conta que, todos os que agora se encontram reformados ou aposentados e aqueles cuja idade é um obstáculo a encontrar trabalho, é como se estivesse a ser cometida uma vingança a todos os que fizeram ou viveram o 25 de abril. E, como a confiança que se tem neste Governo e nos partidos do mesmo é, na prática, nula, pode bem acreditar-se nesta tese.

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publicado às 16:24

 

Na sua comunicação o Dr. Paulo Portas falou nas pensões e no esforço que irá fazer para que o novo imposto sobre as reformas não vá para a frente, o que não irá conseguir. Mas um dado importante que ele se precaveu de dizer é que a pasta que tutela as pensões pertence ao CDS através do seu ministro Mota Soares, que tem aprovado todas as medidas sobre a segurança social. Mais uma vez a cegueira do poder faz com que nem se aperceba que quem o ouve já não nuvens a toldar-lhe a vista. Esperemos todos que o afirmei neste dois últimos "posts" não se venham a verificar. Resta-nos a esperança, coisa que, cada vez mais nos vai faltando.

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publicado às 19:31

 

Seja o que for decidido, Paulo Portas e o seu partido

estão no Governo e, como tal, estão veiculados às medidas

que irão, com certeza, ser aprovadas é, por isso, tão responsável

como os seu parceiro de coligação

 

A declaração de ontem de Paulo Portes foi um ensaio sobre a cegueira do governo e dele próprio. Mais pareceu uma apresentação lida de uma comunicação académica. A maior parte dos trinta minutos que durou a declaração foi passada na contextualização da situação financeira do país o que todos já estão fartos de ouvir e que não trouxe nada de novo.

Foi ainda uma tentativa de capturar votos, eventualmente perdidos, de alguns dos três milhões de reformados e aposentados. Fez os possíveis mas não conseguiu. Pressiona mas aceitou.  Diz que se opôs ao novo imposto sobre as reformas, dizendo que não concorda com a contribuição de sustentabilidade, denominada TSU das reformas mas garantiu que vai bater-se junto da “troika” para que não seja adotada, o que, só por si nada garante.

Ora, sabe-se que pode bater-se até à exaustão mas, também sabe que pode perder essa batalha, o que será o mais certo, ou então o que o primeiro-ministro propôs não passa de balelas.

Claro que deixou em aberto a hipótese de falhanço da tentativa de retirar o novo imposto sobre as reformas. Se falhar a culpa não seria dele seria de que não aceitou. Engana-se, porque a tentativa de desculpabilização não tem qualquer credibilidade. Seja o que for decidido Paulo Portas e o seu partido estão no Governo e, como tal, estão veiculados às medidas que irão, com certeza, ser aprovadas e, como tal, é tão responsável como os seu parceiro de coligação.

O apego ao poder é tal que Paulo Portas, declarando este domingo que a aplicação de uma sobretaxa aos pensionistas constitui uma linha vermelha para o CDS, não descola. 

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publicado às 18:11


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