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Os voláteis

por Manuel AR, em 05.10.19

Eleitores voláteis.png

Não são apenas os indecisos que podem determinar uma campanha eleitoral. A volatilidade é outro fenómeno eleitoral que se deve ter em conta para se ganharem eleições. Mas quem são os eleitores que se encontram nesta margem?

O fenómeno da volatilidade acontece quando um indivíduo muda de opinião entre duas eleições denominada volatilidade inter-eleitoral, ou ainda, quando parte dos eleitor oscilam as suas preferências ao longo duma campanha eleitoral, também denominados flutuantes.

O ponto de vista psicossociológico assenta a volatilidade nos indivíduos com baixo nível de educação, com apatia, falta de identificação partidária e ideológica como determinantes. Há, contudo, uma outra perspetivas que identifica a instabilidade eleitoral pelo acesso esses eleitores têm no que se refere ao acesso a mais recursos informativos que incentivam a flutuação, tendo assim uma maior sofisticação política e apresentando um nível de conhecimento superior ao eleitor médio.  

Há estudos que apontam para que os eleitores voláteis apresentam um nível de educação mais elevado e pertencem a faixas etárias mais novas e demonstram uma maior instabilidade nos alinhamentos de preferências político-partidárias.

Outra perspetiva que pode estar associada à volatilidade relaciona-se com o papel dos meios de comunicação. Sobre esta questão há pontos de vista contraditórios. Verificou-se que os eleitores voláteis situavam-se num nível baixo de exposição aos meios de comunicação, mas noutros casos justificaram estas conclusões pelo facto de os meios tradicionais se focarem sobre questões conjunturais associadas a fatores de curto prazo, como os temas da campanha à transitoriedades, como escândalos, ou sondagens. Também foi verificado noutros estudo que a quantidade dos meios de comunicação utilizados durante as campanhas não tem efeito sobre a volatilidade dos eleitores.

Os eleitores flutuantes dependem mais do nível de conhecimento do que das características sociodemográficas ou de interesse pela política. A avaliação do desempenho do governo reflete uma componente conjuntural e de protesto que leva os eleitores a mudar o sentido do voto entre eleições sucessivas. Isto é, quanto mais positiva é a avaliação do desempenho do governo, maior a tendência para manter o sentido de voto, e reciprocamente.

Os que decidem na proximidade do dia das eleições são também os mais propensos a oscilar nas suas escolhas eleitorais. Ao nível das atitudes os voláteis estão associados com uma identificação partidária mais fraca e um menor interesse pela política.

As escolhas eleitorais baseiam-se num processo cognitivo que parte das predisposições políticas, as quais são atualizadas com novas informações que emergem durante a campanha eleitoral ou durante a legislatura.

O chamado efeito líder não é de somenos importante na escolha para a decisão de votar. É frequente a imagem dos líderes ter uma grande visibilidade e ter espaço privilegiado na opinião pública e nos media durante as campanhas eleitorais e no período inter-eleitoral.

O marketing político tem feito por evidenciar a importância da “personalização” da política dos candidatos para avaliação pelos eleitores que passaram a ser considerados como consumidores de imagem. Ainda há quem vote pela imagem dos candidatos e não pela eficácia governativa durante os mandatos.

A individualização, ou melhor, a fulanização da política e o aumento da mediatização sobre ela pode levar a que o efeito líder possa ser um fator conjuntural importante isto porque os líderes representam a face humana dos partidos. Não é por acaso que as características pessoais são informações fáceis de recolher e de utilizar pelos órgãos de comunicação para construir ou destruir avaliações positivas ou negativas sobre posições dos candidatos e dos partidos em função das preferências e orientações ideológicas daqueles órgãos.

 

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publicado às 18:56

Propaganda, compadrios e promoções

por Manuel AR, em 16.03.15

Propaganda_clube de amigos.png

 

  1. A volta a Portugal em bicicleta só em agosto, mas a volta ao Portugal regional já começou com Poiares Maduro, ministro da propaganda do Governo, a andar por aí, não a "cortar fitas" como Américo Tomás mas a anunciar fundos vindos da Europa programados para sete anos. Distribuição de dinheiros em troca de votos. Uma das distribuições de 230 mil euros foi para uma salsicharia Bísaro em Trás-os-Montes, expansão e remodelação, dizem. Mas Maduro garante não estar a trabalhara para as eleições.Já que Passos Coelho não tem tempo para estar em todo o lados pois há tanto para fazer e tão pouco tempo para as eleições. Estudar dossiês não é com ele, andar a discursar por aí é o seu forte.
  2. A Cresap - Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração pública, foi introduzida em 2012 por Passos Coelho para terminar, afirmou-se na altura, com as escolhas de dirigentes para o Estado através do "clube de amigos" e evitar os tais compadrios do costume tornando a competência e o mérito como base para os cargos na administração pública. O que eram boas intensões não foi mais do que uma fachada. De boas intensões está o inferno cheio e parece ser o caso. O que está a acontecer é que são excluídos candidatos selecionados com altas classificações que passaram pelo crivo da Cresap, comissão de recrutamento, mas nunca conseguiram qualquer cargo público. A maioria dos casos é devido ao facto de os candidatos estarem conotados com o Partido Socialista, apesar de poderem não ser militantes. As alegações são das mais diversas e injustificáveis. As exclusões são direcionadas para quem não tenha qualquer ligação com os partidos que sustentam a maioria do Governo, PSD/CDS. Caso curioso é que "os escolhidos para a Segurança Social tinham fortes ligações ao PSD e CDS. Claro que o ministro do CDS Mota Soares quer criar internamente uma espécie de clube dos amigos. O apoio à incompetência tem que ser premiada e o clube de amigos sempre tem a vantagem de evitar que saia para fora das paredes do ministério algo incomodativo para o ministro e para a maioria do Governo.
  3. Cavaco Silva tinha que justificar o que escreveu no prefácio dos Roteiros IX sobre experiência em política internacional dum Presidente da República. Assim hoje e amanhã vai a Paris para se reunir com Hollande e OCDE. A utilidade desta visita é dúbia a não ser a do costume, promover Portugal como um destino para investimento, angariar possíveis interessados… Resultados práticos é que não se irão saber quais foram. É mais uma visita promocional do Presidente Cavaco Silva.

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publicado às 19:45


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