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Incerteza e Imprevisibilidade.png

A incerteza e a imprevisibilidade foram palavras muitas vezes utilizadas implícitas por comentadores ao fazerem as suas previsões para o Novo Ano que então se aproximava.

A incerteza constitui o denominador comum de todas as ciências sejam teóricas ou aplicadas, ciências da terra e ciências sociais e humanas.

O ano de 2017 tem sido associado a um ano de risco e de incerteza quer ao nível da política interna e externa e dos refugiados, quer ao nível social, financeiro e económico. É um ano de eleições em alguns países da Europa que que se prevê irão ser dominadas pelas subida das extremas direitas  nacionalistas populistas e nos EUA vai tomar posse o novo presidente. Estes dois acontecimentos conjugados provocam incertezas e as previsões não vaticinam ser dos melhores e estão a preocupar os Estados.

A economia sendo uma ciência humana não exata confronta-se, como quaisquer outras disciplinas científicas, com a incerteza. Ao tratar da produção, do rendimento e do consumo não é mais do que trabalhar num ambiente de incerteza determinado, a maior parte das vezes, pelas ações humanas.

A incerteza afeta fenómenos como os rendimentos futuros do trabalho ou os rendimentos do capital. Pode ainda afetar a inflação , o nível dos impostos, o investimento. Todas as atividades económicas estão marcadas pela incerteza em vários graus. Sempre foi assim, mas o ano que entrou traz-nos novas variáveis entre as quais a dimensão da prática criminosa do terrorismo.

A economia esforça-se por caracterizar a incerteza e os riscos que lhe estão associados  e as escolhas económicas em ambiente de incerteza apresentadas sob a forma de riscos e de oportunidades. Todavia, a ciência económica tem-se desenvolvido e progredindo no sentido e de modo a poder analisar o risco e a incerteza.

Portugal que é um país com vulnerabilidades financeiras e económicas poderá vir a ser atingido por um contexto internacional caracterizado pela incerteza e imprevisibilidade que a direita irá fazer por ignorar aproveitando para reforçar a oposição culpabilizando o atual Governo por fracos desempenhos mesmo sendo devidos a fatores exógenos.

A incerteza sobre o que irá acontecer na União Europeia ao nível político, agravado pelo fraco crescimento económico, dever-se-á a resultados eleitorais ditados por populismos que, recorrendo a egoísmos mais ou menos nacionalistas que ao serem despertados, poderão conduzir à queda da U.E. e, consequentemente, do euro. Mas até às eleições alemãs a chanceler Merkel, preocupada com problemas internos e com a subida da extrema-direita, não irá mexer uma palha no que diga respeito à U.E..

Ao longo dos tempos a Europa, sobretudo no século passado fez por ignorar factos e acontecimentos e, depois desculpou-se com a imprevisibilidade dos  acontecimentos políticos mais do que previsíveis que estavam progressivamente a conduzir a Alemanha para as mãos dum Hitler que ocupou o poder através das eleições. O que aconteceu na Alemanha não foi fruto da incerteza nem da imprevisibilidade estava em curso  o despertar de sentimentos que se encontravam latentes no próprio povo e que Hitler soube despertar. A sucessão de acontecimentos a isso estava a conduzir. O mesmo já tinha sucedido com a revolução bolchevique que implantou o regime soviético que culminou na ditadura Estalinista. Ela teve uma causa: a revolta popular  alimentada pelo Partido Bolchevique contra a Rússia dos czares. A causa não teve geração espontânea, estava no regime czarista. A consequência seria previsível.

Embora com características diferentes, mais recentemente, veja-se o caso dos EUA com a eleição de Trump que, repetidamente disseram, ninguém esperava. Será que foi uma imprevisibilidade?  Acho que não. Mesmo com as previsões das sondagens que davam demasiada aproximação entre os dois partidos em confronto negligenciou-se o adversário. Aliás a previsibilidade estava já nas eleições primárias. Não havia incerteza, a hipótese de Trump ganhar estava colocada mesmo sem ter o apoio da maior parte dos media.

Depois de Trump ter ganho as eleições a comunicação social do EUA e os comentadores de política laçaram para o ar a teoria da imprevisibilidade para o que aconteceu. Foi algo que não se previa. As sondagens foram subestimadas, quando deram pela aproximação cada vez maior das percentagens de intenção de voto algo estaria mal e a vitória de Trump não poderia vir a ser considerada como imprevisível.

A imprevisibilidade está associada a algo que não pode ser previsto a partir de coisa alguma que tenha ocorrido antes. Mas, em política, há sempre algo que ocorreu antes, há antecedentes, há pistas mais ou menos concretas, há sinais, acontecimentos que portadores de informação suscetível de desencadear uma resposta ou uma reação, e, portanto, potenciais ocorrências futuras podem ser sujeitas a análises preditivas.

Em política a imprevisibilidade não é o mesmo que incerteza para a qual podem contribuir várias variáveis (causas). A imprevisibilidade pressupõe, obviamente, algo que não pode ser previsto, que não é equacionado. O facto da possibilidade de Trump poder vir a ser eleito como presidente do EUA terá sido, de facto, uma imprevisibilidade, ou terá sido propositadamente negligenciada?

Hillary Clinton demonstrou que a sua administração seria mais previsível e segura e Trump mostrou que a dele iria ser o oposto. De fato, escolha final dos eleitores teria sido previsível com um grau de confiança muito estreito.

O referendo no Reino Unido sobre a saída da U.E. provou que previsões extemporâneas de políticos, ou melhor, inoportunas, feitas de ânimo leve, descurando realidades por desconhecimento ou demasiada confiança, com  base eleitoralista e  sem uma margem confortável da no sentido de voto do eleitorado mostrado nas sondagens tornou-se numa decisão tola. Ficamos muito admirados quando ao estarmos certos de que se verificou o oposto do que esperávamos. Não se trata de prever o futuro como um adivinho trata-se sim dum jogo de risco quando da tomada de decisões.

Em Portugal a atual maioria parlamentar face aos antecedentes históricos um acordo tripartidário à esquerda e tal não era previsível, mas os antecedentes verificados com a anterior maioria absoluta, e tendo em conta os resultados eleitorais, seria previsível colocar esta hipótese com o intuito de bloquear nova governação da direita. Seria isto imprevisível? Acho que não. Há dados e antecedentes que ajudam a que não se justifique algo como imprevisível. A imprevisibilidade em política acontece quando estamos cientes de que as ações e procedimentos que escolhemos estão certos e quando subestimamos as dos adversários.

No livro “A Arte da Guerra” de Sun Tzu o autor diz que “Não permitas que o inimigo tome a dianteira… Qualquer negligência nesse sentido pode ter consequências nefastas. Em geral, só há desvantagem em ocupar o terreno depois do adversário”. Isto é jogar na antecipação e na previsão.

Quando estamos confrontados com sistemas sociais em presença que são grande parte das vezes imponderáveis e dependem da criatividade humana desconhecemos como dominar cognitivamente todas as relações de causa-efeito, a imprevisibilidade não depende só do nosso desconhecimento  mas da instabilidade que limitam e até impedem qualquer previsibilidade confiável. Pensar o futuro, formular cenários, tem que mobiliza sentimentos de insegurança, vontade, temor, esperança, desejos, o que se torna difícil.

Como a previsão depende de muitas outras variáveis que são controladas por diversos atores em vários contextos específicos sempre nebulosos e impossíveis de predizer só o passado e a simulação do futuro permite diminuir a possibilidade de surpresas contrárias ao que seria de esperar.

Neste novo ano de 2107 que apenas tem três dias as bolsas e os fundos preveem ficar em alta face às políticas que Trump se propõe executar na dinamização económica dos EUA daí o assédio aos clientes dos bancos para captar poupanças para investirem nestas áreas.

A ver vamos!

A prudência é a melhor estratégia. Não é imprevisibilidade é incerteza sobre o que se poderá passar com a direção do cata-vento Trump.

 

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publicado às 15:02

A conversa do costume

por Manuel AR, em 14.09.15

O PSD se quiser voltar a ter o prestígio e credibilidade que teve terá que lavar e desinfetar a ferida causada pela tribo que o infetou.  

A coligação compara com a Grécia, ameaça com a Grécia, volta ao passado, agita com a troika, desfralda a bandeira do medo porque nada mais tem para propor. Todos os que não concordem com o seu não programa querem que Portugal seja uma nova Grécia. Tretas!  

Quem estiver atento, não apenas à forma mas ao essencial do conteúdo das mensagens, verificará que a campanha eleitoral da coligação PAF (Portugal à Frente) formada pelos partidos PSD e CDS não tem programa credível e não tem uma posição clara sobre o que pretende fazer se for novamente governo.

Ainda bem que Sócrates existiu e existe porque passou a ser um refúgio e um recurso para Passos Coelho e a coligação fugirem como o diabo da cruz à discussão do presente e do que pretende fazer para o futuro caso ganhe as eleições. Uma coisa sabemos é que, apesar de pequenos ajustes mais ou menos formais, manterá o mesmo rumo que seguiu até aqui sem mudar uma vírgula como Passos Coelho já afirmou.

Não é segredo para ninguém que o governo de Passos Coelho foi, e por enquanto ainda é, um acidente na democracia portuguesa. Foi, e é um acaso. Limitou-se a aplicar as medidas que a troika lhe ia prescrevendo de três em três meses, que eram por ele agravadas porque correspondiam à matriz ideológica da tribo neoliberal que se encaixou no PSD cujas medidas tirou da manga somente após as eleições que a levaram ao poder. 

Para esta tribo a democracia tem sido um obstáculo e fizeram todos os possíveis para ir contornando simulando o cumprimentos de formalismos. A Constituição era uma treta que devia ser totalmente revista e que saiu dos famigerados tempos da revolução de abril e do tempo em que Sá Carneiro solicitou a admissão do PSD na Internacional Socialista. Alguns até disseram por aí que o Tribunal Constitucional não servia para nada, como se países da Europa, como a Alemanha, não tivessem o seu e o respeitassem. Falaram nas limitações à lei da greve como um espécie de ensaio para outras limitações à democracia.

Na política em relação à Europa o governo andou e falou baixinho e estremeceu quando o ministro das finanças alemão Schäuble abria a boca e a direita europeia impunha soluções.  

A privatização da RTP foi uma autêntica peripécia sem transparência de avanços e recuos no sentido de a controlarem, não através do Estado, mas através dos privados que a comprassem, o que deu até um processo disciplinar a um diretor da informação.

Paulo Portas, face a protestos vindo dos mais diversos setores dizia na altura sermos um protetorado e que nada podíamos fazer, agora diz que somos soberanos. Ainda há semanas atrás a venda do Novo Banco tinha que ser vendida rapidamente até fins ade agosto e sem prejuízo para os contribuintes, vêm agora dizer que não há pressa na venda e que ficará para a próxima legislatura. Passos Coelho diz hoje o que já não dirá semanas depois. Pontapear para a frente a bola para não haver golos na própria baliza antes das eleições.

Passos Coelho faz comparações entre o BES e o caso BPN que era controlado por gente afeta ao partido a que pertence e que foi nacionalizado na altura em que o PS era governo. O caso do BES teve contornos totalmente diferentes do BPN em que está envolvido Dias Loureiro, penso que constituído arguido há mais de três anos e que foi publicamente elogiado pelo próprio Passos Coelho.

Não fala por exemplo do caso da venda do BPN ao BIC por preço abaixo do seu valor de mercado, 40 milhões em vez de 80 milhões, e que em 2013 o BIC Portugal reclamava do Estado reembolsos no valor de cerca de 100 milhões de euros, relativos ao BPN, e que estão relacionados com as contingências decorrentes do acordo de privatização celebrado em Março de 2012 como, por exemplo, os custos derivados da venda como indeminizações e outros.

Passos Coelho omite, desvia, engana e deturpa as realidades, como sempre o fez ao longo dos quatro anos e seis meses de governo. Agora nada por aí em fantochadas eleitoralistas a ver se não se afoga.

O que podemos esperar dum futuro governo com esta direita coligada é isto e muito mais. Volto a repetir que o PSD, se quiser voltar a ter o prestígio e credibilidade que teve, terá que desinfetar a ferida causada por esta tribo que o infetou. Quanto ao CDS nada a dizer, é e será sempre um partido que nunca enganou ninguém e que serve para animar a festa enquanto Paulo Portas lá estiver se tal não for irrevogável.

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publicado às 16:00

O diabo das promessas

por Manuel AR, em 27.07.15

 

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Quatro anos de Passos Coelho e do seu governo provocaram nos portugueses divisões e feridas sociais que irão levar muito tempo a sarar e a esquecer.

Diz ele que não lhe interessam as eleições e que, por isso, irá continuar a seguir o mesmo caminho seguido até aqui mas, ao mesmo tempo, vai abrindo aqui e ali “os cordões à bolsa” distribuindo umas benesses que, caso ganhe as eleições, irá recuperar à custa de alguns e a qualquer preço. Os discursos laudatórios ao fim da crise e ao crescimento anémico e vão ter custos agravados ao chegarem ao poder. Serve para obter o poder a qualquer custo.

Não haverá ninguém que não ache positivo a redução ou a eliminação da sobretaxa do IRS, lá para 2016 se a receita fiscal aumentar conforme preveem, (espécie de cenoura para enganar os potenciais votantes que o ajudem a manter-se no poder). É mais uma das artimanhas, mas, entre linhas também vão dizendo que, se a receita fiscal diminuir, este imposto da sobretaxa do IRS pode voltar a subir.

Não é preciso lançar cartas do Tarot para se adivinhar o que vai acontecer caso a coligação, apoiada por Cavaco Silva, ganhe as eleições para justificar recuos no processo de austeridade que, dizem, ter abrandado ou terminado: o perdão ou a reestruturação da dívida grega, uma crise financeira de última hora, a dificuldade do cumprimento das metas do défice por causa das pensões em pagamento, os custos salariais com a educação pública, ou qualquer outra desculpa que não será difícil encontrar no atual contexto europeu, serão o motivo para retirar o que andam por aí a distribuir voltando às mesmas políticas que os moveram até aqui e, se possível, procederem ao seu agravamento.   

Passos Coelho, diz por aí, querer travar um combate sem tréguas às desigualdades sociais e à pobreza, fala em promessas e esperança de prosperidade coisa que esqueceu durante quatro anos escudando-se com o programa imposto no memorando da troika, mas lá ia dizendo que o seu programa era o mesmo e que tencionava ir mais além.

Entre confiar em Passos Coelho e no se acólito Presidente Cavaco mais vale confiar no diabo que, de acordo com a mitologia judaico-cristã, é falso, tentador e perfilha a traição e a arte da manipulação. 

Não podemos esperar da coligação PSD/CDS qualquer mudança de rumo a não ser a continuação da mesma política social, económica e fiscal com que governou até aqui, e o mesmo pensamento político sobre a sociedade.

Passos Coelho entrou para a política pela mão da JSD não por convicção pelos ideais da social-democracia mas por interesse, assim como tantos outros que lá se encontram. Não é por isso difícil perceber a distorção que o partido de que é líder tenha vindo a degenerar e a esquecer as suas raízes.     

Seguir as políticas ditadas pela Alemanha e a dos seus aliados do norte desdenhando o povo do seu país para se mostrar um fiel e bem comportado bom aluno dos “mestres” da destruição duma Europa que se quer mais unida, é outro dos pressupostos convictos de Passos Coelho, talvez como forma de se perfilar para voos mais altos no domínio dos lugares europeus porque, se assim não for não terá emprego. Quem não o conhecer então que se atreva a comprá-lo.

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publicado às 22:52

A pedra no sapato e a bolha no pé

por Manuel AR, em 16.07.15

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Esperemos que a forma como a questão da Grécia tem sido tratada por Passo Coelho e António Costa não seja uma pedra no sapato do primeiro e uma bolha no pé do segundo.

A minha perceção sobre as intervenções do tipo mestre-escola do primeiro-ministro Passos Coelho sobre a Grécia é simultaneamente de saturação e desorientação ficando sem saber o que pensa de facto sobre o assunto porque avança ou recua consoante o que se vai falando na europa da Alemanha e sobretudo as do ministro das Finanças alemão.

Até para Schäuble parece que o problema da Grécia é mais complicado e que não se resolve apenas com mudanças de Governo nem com pressões exercido sobre partidos que governam e de quem não se gosta e continua a firmar creio que apenas para agora jogar com a vontade do povo grego se manter no euro.

Hoje Schäuble que pôs sobre a mesa no Eurogrupo a ideia de uma saída temporária da Grécia do euro durante cinco anos, sublinhou hoje numa entrevista rádio pública Deutschlandfunk que essa hipótese não era uma obrigação nem uma proposta para Atenas mas que a ideia se baseava no pensamento de muitos economistas, também na Grécia, que duvidam que o país possa solucionar os seus problemas sem um corte da dívida, que, precisou, é impossível de fazer no âmbito da união monetária.

Não parece ser inteligível que, como diz o ministro das finanças alemão, não existe a possibilidade de corte da dívida no âmbito da união europeia, como é que ele coloca a hipótese da Grécia sair do euro, mesmo que temporária, se essa hipótese não está contemplada nos tratados europeus.

Algo vai acontecer dentro de alguns meses e isto é uma forma de começar a preparar a opinião pública da Alemanha e da Europa.

Também hoje Draghi disse ser "incontroverso que o alívio da dívida é necessário e acha que ninguém ainda contestou isso". E acrescentava que "A questão é saber qual a melhor forma de alívio da dívida dentro da nossa estrutura, dentro do nosso quadro institucional legal. Eu acho que devemos concentrar-nos neste ponto nas próximas semanas."

Draghi disse ainda que o BCE continua a agir na suposição de que a Grécia era e continuaria a ser um membro da zona do euro.

Terá Washington pressionado nos últimos meses para haver um acordo que mantenha a Grécia no euro e que inclua o alívio da dívida do país?

Um relatório do FMI vem dizer que a restruturação proposta pelos credores europeus é insuficiente para responder à crise da dívida grega e aponta a deterioração dramática da sustentabilidade da dívida torna necessário o alívio da dívida a uma escala que teria de ir bem para além do que foi pensado até agora – e do que foi proposto pelo Mecanismo de Estabilidade Europeu”, diz o relatório.

 

 

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publicado às 19:29

Democracia: a nossa, a vossa e a deles

por Manuel AR, em 04.07.15

Faltam menos de 48 horas para o refendo na Grécia e as direitas europeias e portuguesa que, infelizmente, procuram deturpar os factos à sua maneira, interferem nos assuntos internos dum país soberano (?).

A democracia na União Europeia começa a estar em perigo. Através da miragem da adesão ao euro cuja permanência é vitalícia porque após entrar não há como sair e dos apetecíveis fundos países soberanos estão a ser "conquistados e ocupados" não pela força das armas mas por processos ínvios conducentes à passagem a protetorados passando pela perda de soberania e logo depois pela submissão mais vigorosa. Este é o que pretendem com o caso da Grécia como experiência exploratória para posterior alargamento a países mais frágeis como Portugal.

A interferência das instituições europeias nas eleições de países como a Grécia e Portugal direta tem sido uma evidência. Recorde-se o caso das eleições para o Parlamento Europeu em Portugal onde por várias vezes dirigentes europeus interferiram com conselhos, ameaças como as efetuadas por Durão Barroso.

Ter votado num partido diferente daqueles que a "democrática" União Europeia pretendia tem contribuiu para que fosse exercido um terrorismo, uma tortura psicológica e, sobretudo a criação de uma insegurança que os solidários governantes europeus exercem como castigo pelo atrevimento que tiveram em escolher quem pretendiam para o seu Governo.

Para os países que controla a União Europeia, nomeadamente a Alemanha e os países seus mandatários aos quais se juntam os subservientes, a democracia é só uma, a deles, a do poder alemão, e a do poder financeiro e mais nenhuma. O princípio para onde a Europa está a ser conduzida é a de manutenção no poder de partidos de ideologia única para o exercício de uma de forma de poder com forte controlo ditatorial disfarçado por laivos de democracia.

A democracia nos países mais frágeis da U.E., como a nossa em Portugal, está também em perigo porque o seu exercício está sujeito a influências e interferências exteriores em países supostamente soberanos que não teriam receber quaisquer recomendações, boas ou más, por parte das instituições europeias ou internacionais sobre os seus atos de escolha política e partidária.

A vossa democracia tem que ser aquela como nós a entendemos e queremos que seja e, quanto isso, não há como escapar, é a mensagem que transparece e nos chega da europa alemã.  

Uma coisa são manifestações de a favor ou contra, levadas a cabo por organizações e povos de outros países sobre acontecimentos (a nível estritamente político e não interferentes), outra são os responsáveis máximos e líderes políticos de instituições da U. E. que deveriam ficar distanciadas, o que não é o caso.

A questão da Grécia sempre foi financeira e económica mas deixou de o ser a partir do momento em que um partido como o Syriza ganhou democraticamente as eleições. O referendo que se vai realizar deveria ser um assunto deveria ser discutido internamente e a decisão, fosse qual fosse, democraticamente aceite.

O que se vê são as interferências descaradas das instituições europeias ora com ameaças, ora com ofertas de cenoura à frente do burro para o levar para onde queremos, ora através do medo e do terror propagado através dos media. É um terrorismo político.

O media, nomeadamente em Portugal dão notícias veiculando mensagens de voto no SIM na Grécia como esta em que se diz que "líderes europeus, mas também os media gregos, continuam a pressionar pelo voto no “sim”. Varoufakis diz que "há demasiado em jogo" para que a Grécia saia do euro e que a União Europeia quer fazer do país um exemplo para Portugal e Espanha".

A pergunta que é efetuada ao povo grego para responder no dia 5 de julho, ao contrário do que as direitas por essa Europa querem fazer crer não é a saída ou não do Euro mas é simplesmente responder se SIM ou NÃO "Aceitam um documento projeto apresentado pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, na reunião do Eurogrupo realizada em 25 de junho?". Se vai haver ou não consequências para a Grécia sair do Euro isso depende exclusivamente da União Europeia.

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publicado às 17:19

Grécia: a outra realidade

por Manuel AR, em 19.06.15

Não me tenho pronunciado frequentemente neste local sobre o problema grego mas começa a ser grave o que está acontecer naquela que, apenas de nome, se apelida de União Europeia.

Sempre pensei que a U.E. está a forçar a todo o custo a cedência da Grécia apenas, e só, porque um partido de esquerda que não é do seu agrado foi eleito democraticamente pelo povo grego.

Não sou simpatizante deste tipo de partidos mas aceito que, se foi a escolha dos gregos e se quiser ser minimamente coerente com os princípios democráticos que adoto, tenho que aceitar tal decisão. A questão que coloco é: e se fosse um partido de direita, a europa estaria a tomar a mesma posição? Vários partidos já estiveram no poder na Grécia, nomeadamente de direita e em coligação e nada fizeram, mas a U.E. e o FMI não se tiveram posições tão radicais. Como explicar então este facto?

Alexis Tsipras escreveu um artigo sobre o sistema de pensões grego que foi publicado no jornal alemão Der Tagesspiegel , para tentar dissipar o mito de que os contribuintes alemães estão a pagar as pensões gregas. Neste seu artigo argumenta que o " mito popular de que o contribuinte médio alemão tem sido levado a acreditar [...] que ele está a pagar para os salários e pensões do povo grego [...] é absolutamente falso".

Em baixo transcrevo o artigo na íntegra que vale a pena ler e comparar como o caso português:

 

"Durante uma negociação, uma troca de argumentos é legítima, desde que haja sinceridade e boa-fé entre as partes. Caso contrário, quando o diálogo está em curso sem fim à vista a consequência é que os métodos utilizados são semelhantes aos descritos pelo grande filósofo alemão Schopenhauer em "A Arte de estar sempre certo"!

Por exemplo, é injusto para utilizar seletivamente índices estatísticos - mesmo se eles são dotados com o prestígio de economistas de renome, tais como Olivier Blanchard - para produzir generalizações infundadas de que a realidade obscura.

Como tal, gostaria de desconstruir um mito popular de que o contribuinte médio alemão tem sido levado a acreditar. Ou seja, que ele está a pagar os salários e pensões do povo grego. Isso é absolutamente falso.

Eu não nego que o nosso sistema de segurança social tem problemas. Mas é importante ressaltar a raiz do problema e como ele pode ser resolvido. Houve muitos cortes nos últimos anos, que só serviram para aprofundar a recessão e tornar o problema ainda pior.

Pode parecer um pouco suspeito que 75% da despesa primária é usada para pagar salários e pensões. Se isso soa inacreditável-isso é porque ele é: apenas 30% das despesas primárias das pensões. Além disso, é importante notar que os salários e as pensões não são a mesma coisa, e avaliá-los juntos é um erro metodológico grave.

A comparação com as pensões da Alemanha também é um pouco enganadora. De acordo com o Relatório de Envelhecimento (2009, 2015), as despesas com pensões na Grécia subiram de 11,7% do PIB em 2007 (um pouco maior do que a de 10,4% na Alemanha) e chegou a 16,2% em 2013 (enquanto na Alemanha os números mantiveram-se praticamente estável).

O que causou esse aumento? Foi devido a um aumento dos pensionistas ou um aumento no montante das pensões? A resposta é: Não. O número de pensionistas permaneceu essencialmente inalterado e as pensões têm diminuído drasticamente devido às políticas implementadas.

Aritmética simples é suficiente para chegar à conclusão de que o aumento das despesas com pensões em percentagem do PIB é inteiramente devido a um declínio no PIB (denominador), e não a um aumento das despesas (o numerador). Em outras palavras, o PIB declinou mais rapidamente do que as pensões.

No que diz respeito a idade de reforma, pode ser que em funcionários da Grécia se aposentem muito mais jovem?

A verdade é que a idade da reforma na Grécia é de 67 anos para os homens e mulheres, ou seja, dois anos mais do que na Alemanha.

A idade média de saída do mercado de trabalho para os homens na Grécia é 64,4 anos, ou seja, oito meses mais cedo do que os 65,1 anos na Alemanha, enquanto as mulheres gregas se aposentam aos 64,5 anos, cerca de 3,5 meses mais tarde do que as mulheres alemãs que se aposentam em 64,2 anos.

Eu quis destacar a -novamente acima, para não negar os males de nosso sistema- segurança social, mas para provar que o problema não é das supostas pensões generosas.

A rutura mais significativa para os fundos de pensão é devido a receitas mais baixas dramaticamente nos últimos anos. Estes foram causados ​​pela perda de bens devido à PSI (haircut de títulos gregos detidos pelos Fundos de Pensão, totalmente cerca de 25 milhões de euros), bem como - e mais importante - pela forte queda nas contribuições que resultou de aumento do desemprego, e a redução dos salários.

Em particular, durante o período 2010 - 2014, cerca de € 13.000.000.000 foram removidos do nosso sistema de segurança social por meio de uma série de medidas com uma redução correspondente em pensões e subsídios a uma taxa de cerca de 50%, o que esgotou qualquer margem para novas reduções sem prejudicar o núcleo operacional do sistema.

Além disso, temos de compreender que o sistema está sendo pressionado principalmente do lado da receita e menos em despesas, como é muitas vezes implícito.

Gostaria também de chamar a atenção de um assunto que é exclusivo da crise grega. O sistema de segurança social é o mecanismo institucionalizado de solidariedade entre as gerações, e a sua sustentabilidade é uma preocupação principal para a sociedade como um todo. Tradicionalmente, esta solidariedade tem significado que os jovens, através das suas contribuições, financiam as pensões dos seus pais. Mas durante a crise grega, temos testemunhado esta solidariedade está sendo revertida como pensões dos pais financiar a sobrevivência de seus filhos.  As pensões dos idosos são muitas vezes o último refúgio para famílias inteiras que têm apenas um ou nenhum membro trabalha em um país com desemprego de 25% na população em geral, e 50% entre os jovens.

Diante de tal situação, não podemos adotar a lógica de cortes cegos e horizontais, como alguns no têm pedido para fazer, o que resultaria em consequências sociais dramáticas.

Por outro lado, não somos indiferentes à condição atual do nosso sistema de segurança social, e estamos determinados a garantir a sua sustentabilidade.

O governo grego apresentou propostas específicas em matéria de reorganização do sistema de segurança social. Nós concordamos com a abolição imediata da opção de reforma antecipada que aumenta a idade média de aposentação, e estamos comprometidos em avançar imediatamente com a consolidação dos fundos de pensão, reduzindo as suas despesas de funcionamento e restringindo o regime especial.

Como analisámos em detalhe durante as nossas discussões com as instituições, estas reformas funcionar de forma decisiva em favor da sustentabilidade do sistema. E como todas as reformas, os seus resultados não serão aparentes de um dia para o outro. A sustentabilidade requer uma perspetiva de longo prazo e não podem estar sujeitos a critérios fiscais estreito, curto prazo (por exemplo, a redução das despesas de 1% do PIB em 2016).

Benjamin Disraeli costumava dizer que existem três tipos de mentiras: mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas. Não permitamos que um uso obsessivo-compulsivo de índices para destruir o acordo abrangente que nós preparamos durante o período anterior de negociações intensivas. O dever recai sobre todos os nossos ombros."

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publicado às 01:01

A propósito das eleições no Reino Unido

por Manuel AR, em 15.05.15

 

A forma como a notícia da vitória dos conservadores no Reino Unido foi anunciada pode ter levado algumas pessoas, talvez a maioria que não conhece como funcionam os sistemas eleitorais adotados em cada país, a serem inadvertidamente enganadas.

Passos Coelho tentou comparar e criar esperança para que em Portugal suceda o mesmo quando afirmou publicamente que o "seu colega", Cameron também "desenvolveu uma política de recuperação económica nos últimos anos, que envolveu também a tomada de medidas bastante difíceis, que não eram nada populares. Quando se olhava para as sondagens, achou-se que a penalização poderia ser maior do que na realidade foi". A comparação mostra que, ou o primeiro-ministro está apenas a fazer propaganda política, ou desconhece que a realidade económica e a austeridade em Inglaterra em nada é comparável àquela que ele fez impor a Portugal.   

É certo que os conservadores ganharam com maioria absoluta mas porquê? A diferença entre conservadores e trabalhistas foi assim tão grande?

O sistema eleitoral britânico é um sistema desenhado para a obtenção de maioria absolutas entre dois partidos em que o mandato é atribuído ao candidato que obtiver no primeiro escrutínio a maioria absoluta dos sufrágios e se eventualmente nenhum candidato obtiver esse resultado realiza-se um segunda volta. Este sistema é defendido no sentido de manter a estabilidade política, do "tipo paz podre" e foi criado para manter a estabilidade do bipartidarismo e prejudicar o surgimento de minorias, sejam elas da direita ou da esquerda. O segredo deste sistema são os círculos uninominais, que tanto o PSD quanto o PS já tentaram defender para Portugal, com uma ou outra alteração.

Se analisarmos as eleições no Reino Unido em valores percentuais dos votos nas urnas estes estão longe da maioria absoluta porque o Partido Conservador obteve 36,9% dos votos tendo subido apenas 0,8% comparativamente a 2010. O Partido Trabalhista passou de 29% dos votos para 30,4%. O que sucede é que, devido ao sistema eleitoral britânico, os seiscentos mil votos a mais renderam-lhe 24 deputados. Para os trabalhistas os setecentos mil votos a mais renderam-lhe uma perda de 26 deputados. Isto tem lógica para o sistema eleitoral britânico mas, em termos de democracia e de vontade popular expressa nas urnas, não faz qualquer sentido.  

Defendem que aquele sistema facilita a formação de governos maioritários e, por consequência, maior estabilidade governativa. Argumentam que o sistema facilita uma maior relação entre os eleitores e os seus representantes, o que não é exatamente verdade porque um eleitor de esquerda não se sente representado por um deputado de direita e vice-versa. Outro argumento é o facto de afastar as forças extremistas do parlamento, mas, em democracia, as ideias combatem-se de forma leal e não com a marginalização dos adversários do debate.

Nos sistemas proporcionais como o método de Hondt está relacionado com vários círculos eleitorais definidos para o território. No caso português são círculos plurinominais, com vários candidatos e por lista que pretende garantir a expressão de várias correntes preponderantes da comunidade.

Na Alemanha o sistema eleitoral cria dificuldades para que um partido forme sozinho um governo. A regra é os partidos formarem coligações. Para que os eleitores saibam com qual o seu partido se vai coligar os partidos determinam antes das eleições as coligações.

Ao escolher um determinado partido, o eleitor já demonstra, por um lado, sua preferência por uma determinada coligação e, por outro, determina a relação de forças dos parceiros futuros da coligação governamental. Penso que em Portugal se pretenderia iniciar um modelo idêntico ao daquele sistema, dadas as insistências do Presidente Cavaco Silva para os tais "entendimentos" ou "compromisso de salvação nacional" que, gostaria tivessem sido concretizados.

Também há os defensores do princípio da rotatividade em que apenas dois partidos são sujeitos à escolha é um sistema democrático deficiente. Os povos são condicionados a uma ementa com apenas dois pratos que lhes dizem para selecionar um deles. É como se um restaurante tivesse apenas dois pratos do mesmo peixe, onde o que variava era a forma de confeção, um é peixe com molho de escabeche o outro é grelhado com molho de vinagrete.

Há países da Europa cuja tendência é para os sistemas de bipartidários ou de coligação que restringirão a prazo as escolhas democráticas. Um excesso de partidos não pode servir de justificação para se enveredar para um sistema eleitoral onde apenas os grandes tenham representatividade. A seleção dos partidos deve ser feita pelo povo através de escrutínio eleitoral. Serão eles quem decidirá os que, em função do número de votos, terão ou não representação no Parlamento.

A democracia representativa é a que melhor interpreta a vontade popular porque corresponde à representação parlamentar das várias tendências político-ideológicas de acordo com o escrutínio popular.

 

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publicado às 23:49

Populismo e o patriotismo de Marine

por Manuel AR, em 29.03.15

Marine Le Pen.png

A apresentação de diferentes pontos de vista sobre veracidade de factos políticos e a crítica a políticas que estão a ser seguidas deve servir para reforçar a democracia e não para a destruir.

Durante as campanhas eleitorais e, não raras vezes, durante debates parlamentares, partidos políticos das diferentes áreas, à direita e à esquerda acusam-se mutuamente de intervenções populistas. Mas será o populismo algo que deva ser rejeitado mesmo quando vai de encontro ao que o povo sente e pensa?

A utilização corrente do termo populismo pretende defender e ir de encontro aos anseios do povo em contraste com as elites do poder. Combina ideias de direita e de esquerda e frequentemente é hostil aos partidos socialistas e ou trabalhistas. Todavia, também são bem conhecidos populismos exacerbados por partidos ditos socialistas e comunistas durante a revolução soviética e cultural chinesa.

Na França o partido de Marine Le Pen, Frente Nacional, tem sido o mais mediático, intitulado de populista, nacionalista e de extrema-direita.

Onde começa e acaba o populismo de Marine Le Pen parece ser um tema de reflexão para quem passou a desconfiar desde as últimas eleições duma direita que se instalou em Portugal, apoiada por liberais, neoliberais e conservadores de toda a espécie, e de um partido socialista atrofiado que tem vindo a demorar a brotar do terreno de desconforto onde se aninhou.

Marine Le Pen moderou o discurso radical e extremista do seu pai, Jean Marie Le Pen, e hoje não se identifica com sendo nem de direita radical, nem nacionalista quando diz "não me sinto como sendo da direita radical. No plano económico não me sinto mesmo nada da direita. Não sou por menos Estado, não sou por mais privatizações, não sou pelo ultraliberalismo, não sou por essas leis do mercado que eu considero deverem ser controladas porque, caso contrário, conduzem ao esclavagismo...".

São políticas de esquerda mas quando confrontada com esse rótulo responde que é de extrema-esquerda para Nicolas Sarkozy e de extrema-direita para o Partido Socialista e afirma-se como sendo nem de esquerda, nem de direita, mas que é de França.

À data em que publico este "post" a FN de Le Pen ficou em segundo lugar nas eleições departamentais em França, com 25,2% dos votos na primeira volta das eleições.

Na entrevista concedida e publicada na Revista do jornal Expresso Marine Le Pen apresenta-se como representando o patriotismo, a defesa da França e do seu povo. Cá está. O apelo ao povo e contra a União Europeia e a globalização. Não há quem não reconheça que a União Europeia está a atravessar uma crise grave e, como se sabe, com problemas económicos e políticos de vária ordem. A austeridade tem tornado descontentes e céticos relativamente à Europa, cidadãos de vários países, nomeadamente os países do sul e o caso muito especial da Grécia.

Le Pen não esconde que tem o apoio de portugueses imigrantes em França porque "são respeitadores das leis francesas e criticam os abusadores estrangeiros delinquentes, os fundamentalistas islâmicos e os que abusam do nosso generoso sistema social".

O multiculturalismo para ela não tem que existir e defende a assimilação dos estrangeiros e não a integração e o ensino de línguas e culturas dos países de origem. "A escola deve fabricar franceses de corpo inteiro e não remeter as crianças para as suas diferenças". Pensamento nacionalista exacerbado e xenófobo com laivos de violência assimilacionista que não é mais do que uma assimilação forçada pela cultura dominante das culturas de povos que emigraram para um país.

Toda a filosofia e princípios multiculturalistas que foram construídos há mais de trinta e cinco anos na Europa são postos em causa. Mas Le Pen vai mais longe ao defender que "as sociedades multiculturais são sociedades, a prazo, multiconflituosas" e dá como exemplo "o desenvolvimento do islamismo radical".

O aproveitamento das emoções pessoais multiplicadas na sociedade devido aos ataques terroristas que geram o descontentamento popular é a cama para arranjar causas que sustentem e validem a tese da existência de um fundamentalismo islâmico, rejeitando o comunitarismo que está centrado nas sociedades, nas comunidades e nas suas tradições e culturas. Argumenta que a justiça não as pode levar em conta. Neste campo é este o pensamento de Marine Le Pen. O Nacional-socialismo numa primeira fase também escolheu os judeus como a causa de todos os males que afligiam a Alemanha.

O multiculturalismo nasceu com o aprofundamento duma União Europeia multicultural e multifacetada.

A indignação do povo francês sobre o atentado de janeiro é aproveitada por Marine Le Pen para despertar sentimentos populares primários de racismo, xenofobia e punição de tudo o que seja imigrante em França o que se depreende quando diz que "As autoridades não atacam as causas, apenas atacam as consequências. Quer dizer: metem na prisão os que apanham e que podem estar ligados a atentados. Mas não atacam as raízes desse mal para que não continue a disseminar no país os frutos podres do terrorismo islamita. Contra essas causas nada se faz. Perante as múltiplas reivindicações político-religiosas, de vestuário, alimentares, contra o código do trabalho, etc., nada tem sido feito. Pelo contrário, essas reivindicações comunitaristas tem-se intensificado".

Estas afirmações vão ao encontro do sentimento de alguns setores descontentes do povo. O discurso de Le Pen é claro, incisivo e de fácil assimilação para quem a escuta, condição essencial para fazer passar a sua mensagem.

O tema União Europeia capta as atenções dos que se opõem a uma austeridade imposta à França que Marine Le Pen aproveita para fazer a apologia da saída do euro como condição necessária para se assegurarem os interesses dos povos e explica a existência de tensões entre os povos europeus e exemplifica com as relações atuais entre a Alemanha e a Grécia afirmando que os fortes tratam os países do sul como "parasitas, gastadores, preguiçosos".

Há uma guerra económica que está a decorrer na UE através de um dumping social. Quando Le Pen fala de dumping social está a referir-se ao preço do trabalho que está a ser comparado com a venda de produtos abaixo do praticado no mercado, isto é, as empresas procuram eliminar a concorrência à custa dos direitos básicos dos trabalhadores. Os empregadores violam os direitos dos trabalhadores com o objetivo de conseguirem vantagens comerciais e financeiras justificando a necessidade de competitividade.

É evidente a sua posição é coincidente com opiniões de muitos políticos ao dizer que, "Quanto mais se avança mais a UE se transforma num palco… onde também decorre uma guerra psicológica que não une os diferentes povos mas sim, ao contrário, os divide cada vez mais e os põe em confronto. Penso que as nações são a estrutura mais adequada para ao mesmo tempo assegurarem a defesa dos interesses dos seus povos sobretudo para criarem relações equilibradas entre as diferentes nações".

Para Le Pen, Angela Merkel é a "patroa de tudo" a "diretora da prisão" que é a União Europeia e Durão Barroso era "o chefe dos guardas da prisão".

A atitude quanto à questão grega é muito próxima das posições da esquerda, pelo menos em Portugal. O que é imposto à Grécia sobre o que deve e como deve, ou não, fazer nada tem a ver com a soberania do povo grego é devido ao que ela apelida de "ditadura europeia". A "eurosteridade" é a ligação indissolúvel entre o euro e a austeridade.

Sobre este ponto merece a pena registar o que Marine Le Pen disse sobre Junker quase defendendo uma teoria da conspiração baseada no livero Clube Bilderberg de Daniel Estulin: " É o chefe dos guardas prisionais que sucedeu ao antigo chefe da guarda prisional, que era Barroso. Faz exatamente a mesma coisa. Eis dois exemplos de pessoas que vão para Bruxelas precisamente com urna ideologia do mundialismo porque eles nem sequer defendem os interesses da Europa. Passaram a vida a assinar acordos de trocas livres com o mundo inteiro. 0 objetivo deles não é defender os interesses dos europeus é o de criar um mercado único mundial. Vemo-lo com o Tratado Transatlântico[1], no qual os mais fortes ganharão, as multinacionais ganharão, e os fracos morrerão. E isso está a ser feito pagando o preço de sofrimentos horríveis. No vejo onde está o progresso, por exemplo na situação em que se encontra a Grécia ou Portugal, com as perdas de direitos das pessoas, os recuos de vantagens sociais, as perdas salariais, as privatizações forçadas. Mesmo com muita imaginação não consigo encontrar um pingo de progresso nessa situação. Apenas vejo regressões e recuos".

A questão das nacionalizações da banca que, ao longo dos tempos tem sido uma das bandeiras das esquerdas mais ou menos radicais, é recuperada por Le Pen ao defender que "Se um banco tem problemas é preciso nacionalizá-lo, mesmo de forma temporária… Por muito liberal que seja a Grã-Bretanha compreendeu que o Estado-estratego deve defender o interesse dos seus compatriotas e não hesitou em nacionalizar bancos quando foi necessário".

A troika, é um organismo tripartido que "está a reenviar os países para a idade média económica" e "cujo único objetivo é defender os interesses dos bancos das grandes instituições financeiras, dos credores dos países e de modo algum defender os interesses dos povos".

Se não conhecêssemos a autora destas ideias poderíamos atribuí-las a um partido de esquerda radical.

Os milhões de euros transferidos para Grécia não chegaram à economia através do povo que nada recebeu, foi para salvar os bancos, especialmente franceses e alemães que transferiram os riscos para os estados. Aliás isto já foi confirmado por Philippe Legrain.

A saída do euro é uma hipótese que ela coloca, voltando não ao velho franco mas a uma moeda que será o novo franco. Concorda que não é fácil acabar com o euro de forma pacífica e afirma que tal é antidemocrático porque são os povos que decidem. Dá o exemplo do que se tem passado com a Grécia que demonstra que a europa diz que os povos devem votar mas que "o seu voto não tem qualquer importância nem influência, quer dizer que estamos numa ditadura" que ela denomina "euroditadura". Diz ainda que "não é o povo grego que é soberano na Grécia. É a ditadura europeia que impõe à Grécia o que deve ou deve fazer".

Aqui em Portugal a direita e a esquerda vão apelidando o pensamento de Le Pen de populista, de acordo o que lhes interessa ou não. A linguagem política de Marine Le Pen é direita e de esquerda tendo como objetivo agradar e captar votos à esquerda, à direita e ao centro. Tudo quanto vier à rede são votos.  

Muitas pessoas podem ser tentadas a reverem-se nas posições tomadas por Marine Le Pen que muitos dizem ser populistas. Sê-lo-ão de facto ou serão realistas face ao atual contexto europeu? O problema não está em saber se o discurso e as mensagens que transmite são ou não populistas, se algumas são ou não aceitáveis sejam de direita ou de esquerda mas, antes de mais, tentar perceber onde tudo isso poderá levar. Experiências de discurso idêntico, divergindo o seu conteúdo apenas no contexto histórico em que foram pronunciados foram de má memória.

Poderemos ser levados a pensar que, se o populismo defende os interesses do povo dum país e segue os preceitos dos regimes democráticos em liberdade, então seremos também populista. Mas quem garante que para cumprir o prometido e sua execução não seja lançado o germe de pré ditadura a reboque de implementação das tais medidas populares. Tanto mais que afirmações do seu pai, Jean Marie Le Pen, foram demasiado graves para que isso não possa acontecer.   

Se os 25,2% que o populismo de Marine Le Pen da Frente Nacional conseguiu são um facto inegável, então, deve tornar-se numa preocupação para os próprios franceses. Porque muito do que defende Marine Le Pen é o sentir de muitos, mas ditaduras também se geram aproveitando-se de regimes democráticos. Há oradores eloquentes e ardilosos que podem atrair um grande número de seguidores desesperados por mudanças.

Em 1932 os nazistas tiveram 33% dos votos, mais do que qualquer outro partido. Em janeiro de 1933, Hitler foi nomeado chanceler, o líder do governo alemão, e os alemães acreditaram que haviam encontrado o salvador de sua pátria.

Nós, por cá, ainda não nos preocupamos muito com partidos como a FN por que as direitas unem-se e as esquerdas dividem-se. Nunca se sabe quando poderá surgir alguém que se coloque entre as duas, não rigorosamente ao centro, mas aproveitando o que ambas possam ter de bom e poderemos ser levados por populismos.

Mas há sempre quem, em Portugal, com discursos desajustados à realidade venha dizer em público que "Polémicas político-partidárias não criam um único emprego". O debate político e o confronto partidário de ideias não servem para nada. É este tipo de pensamentos que revelam potenciais ideias de partido único. A apresentação e a discussão de diferentes pontos de vista sobre veracidade de factos políticos devem servir para reforçar a democracia e não para a destruir.

Um Presidente da República que se cola clara e descaradamente a um partido, neste caso que está no Governo, deve estar com uma qualquer pedra no sapato, esperando em troca uma proteção sabe-se lá sobre quê.

[1] O Acordo de Parceria Transatlântica (APT), negociado desde Julho de 2013 pelos Estados Unidos e pela União Europeia, é uma versão modificada do AMI. Prevê que as legislações em vigor dos dois lados do Atlântico se verguem às normas do comércio livre estabelecidas por e para as grandes empresas europeias e norte-americanas, sob pena de sanções comerciais para os países infractores ou de reparações de vários milhões de euros em benefícios dos queixosos.

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 18:36

O xadrez alemão

por Manuel AR, em 23.02.15

Xadrez alemão.png

O plano de Schäuble

Em Atenas admite-se que Schäuble estava a planear eliminar, ou melhor, neutralizar e imobilizar o novo governo de esquerda na Grécia.

Até ao final esteve aliado aos governos Espanhol e o Português, que em última análise, também abandonou.

A fim de alcançar o isolamento histórico do Sr. Schäuble nos bastidores foram necessários acordos com líderes europeus. O Primeiro-Ministro grego esteve pessoalmente em contato por três vezes com o presidente francês François Holland que, de acordo com fontes, prometeu ajudar.

O Sr. Tsipras terá dito que "eu não vou deixá-lo junto nessa negociação". Em alguns aspetos Hollande, em última instância, conseguiu isolar o Sr. Schäuble e, por extensão, a chanceler Angela Merkel . Os franceses têm as suas próprias razões, eles foram oprimidos pelos alemães nos últimos anos e, talvez, eles apostassem na derrota estratégica da Alemanha e, neste momento, parece que a Grécia lhe ofereceu essa oportunidade.

Além disso, os laços dos franceses com os americanos são muito fortes e influência de Washington em Paris é intensa. Como todos sabem, a administração Obama pressionou os governos europeus no sentido de encontrar uma solução para o problema grego.

Em qualquer caso, Tsipras considera sessão Eurogrupo de sexta-feira histórica, não apenas para a Grécia, mas para a Europa. "É a primeira vez que o alemão não está seguindo o seu rumo", disse aos seus parceiros, insistindo que o acordo tem grande importância para toda a Europa.

O Primeiro-Ministro, não se ilude. Ele repete que "nós simplesmente temos a nossa cabeça acima da água" e observa que "a partir de agora temos um grande caminho difícil de seguir". Ele não esconde o fato de que "a situação é terrível ", que "os cofres estão vazios" e que "os bancos foram paralisados por um clima artificial de incerteza e insegurança".

Na sexta-feira à noite, ele disse aos seus parceiros que "a situação continua crítica", mas que ele esperava que, após o acordo "o clima mudaria os mercados" e ajudaria o governo agir num ambiente mais estável. Ele não afastou a sua preocupação de que o governo pode ter que enfrentar as mesmas dificuldades em junho, mas estima que, entretanto, terá a oportunidade da estabilizar-se no plano interno e levar assuntos do país para a frente.

Além disso, Tsipras acredita que, entretanto, será capaz de tirar proveito da cooperação com as organizações financeiras europeias e internacionais e criar uma relação de confiança com eles, capaz de oferecer oportunidades e flexibilidade no exercício e desenvolvimento de políticas.

Extraído da versão inglesa do jornal Grego "TO BHMA"

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publicado às 00:46

Schauble_Passos_Maria Luis.png

 

  1. Diz-se que Portugal e a Espanha tentaram bloquear o acordo com a Grécia. Houve um desmentido muito pouco convincente. O presidente do Eurogrupo veio tentar dizer o contrário, mas não o disse nem, desdisse. "Por sua vez o ministro Varoufakis defende que Portugal e a Espanha tenham a política interna como preocupação. Ver vídeo.
  2. Cada qual assume as suas dores e as suas curas. A direita, preconceituosa pela vitória arrasadora da esquerda que eles dizem radical, afirmam categoricamente da sua cátedra, que a Grécia capitulou e retrocedeu, outros com pensamento mais moderado e claro afirmam que a Grécia tem um plano estratégico para ultrapassar este primeiro embate e que depois logo se verá. É isto que preocupa a direita. Portugal país governados por acólitos pró-germânicos já nem sabe o que há de dizer. E, cada vez que falam, afundam-se mais.
  3. Passos defendeu a criação de um Fundo Europeu para "retirar a fratura política" dos programas. Se bem me lembro isto do Fundo Europeu já foi proposto em tempos, não por ele, solução com que na altura não concordou. Mas quem se julga ele e que peso político e credibilidade pensa ele que tem na europa para ter a veleidade de propor seja o que for. Ele é apenas um joguete da Alemanha. Se não dá conta disto falta-lhe qualquer coisa…
  4. A bailarina acrobática, Paulo Portas, afirmou que Portugal mudou o ciclo económico. Está a defender uma das suas pastas gerida por Pires de Lima. Gostaríamos de saber qual a estratégia para pagar uma enorme dívida que um crescimento incipiente não vai ajudar. A recessão ficou para trás diz ele e que Portugal já passou pelos anos "mais difíceis". As aldrabices são tantas que se a coligação vier a ganhar as próximas eleições já sabemos com o que podemos contar. Só se deixa enganar mais do que uma vez quem quiser. A Grécia foi um exemplo de políticas idênticas postas em prática por sucessivos governos que seguiram a mesma linha. O povo grego foi enganado mais do que uma vez e fartou-se. A radicalização foi a solução.
  5. Façamos uma leitura atenta e interpretativa das seguintes palavras do ministro das finanças alemão Schüble: "Os gregos certamente vão ter dificuldades em explicar este acordo aos seus eleitores.". Conhecendo nós as declarações, pressões, e até ameaças, que alguns dos representantes do Eurogrupo fizeram sobre os representantes do governo grego, nomeadamente o ministro das finanças alemão, compreendemos bem onde este pretendeu chegar. O objetivo foi o de levar Varoufakis e Tsipras a ceder às exigências e às pressões de modo a provocar uma deceção nos eleitores quanto às promessas eleitorais do Syriza, pondo em causa o partido que os elegeram. Isto é um preconceito antidemocrático revelador das políticas de Merkel e Schäuble. Apenas os partidos que aprovem são os legítimos mesmo que o povo pense o contrário. Fartos como estão os gregos dos partidos que os governaram antes subservientes com uma austeridade sem resultados duvido que vão noutra direção.
  6. Passos Coelho diz que a dignidade nunca esteve em causa. Saberá por acaso o que isso é? Ele que sacrifica o povo aos números, assim como o que com mais gravidade aconteceu na Grécia, desconhece que a dignidade é o valor que tem todo o ser humano enquanto ser racional e livre e o respeito como pessoa, em si mesma e nos outros. Uma parte substancial da população lançada na pobreza donde nunca mais sairá não foi traduzida em perda da dignidade? Não admira que um político inculto como Passos e o seu governo não saibam o que significa o conceito do valor dignidade. A quase submissão cega e acrítica a um país estrangeiro não será perda de dignidade?
  7. Passos refugia-se no passado dizendo que, a com a entrada da troica, Portugal é que perdeu a dignidade. E, quando afirmou que o programa da troika era o seu programa e que tinha que ir para além daquele programa não pôs em causa a dignidade dos portugueses? Passos tem que rever princípios essenciais sobre valores humanos e sociais que um político tem por obrigação conhecer. Já houve alguns políticos que, no passado, os rasgaram e deitaram para o lixo. Recorde-se no que resultou. Estamos na agora a passar pelo mesmo mas em "modo soft".
  8. Diz Passos Coelho "temos hoje mais camas, mais médicos, é factual, mais atos praticados, mais assistência garantida" no SNS. A que país se está a referir? Será à Alemanha? Terá ele necessitado de frequentar o SNS e constatado o facto? O facto é: "hospitais públicos com menos de 430 camas em três anos". O facto é: haver médicos de família dos centros de saúde com receio de passarem exames auxiliares de diagnóstico. O facto é: corredores cheios de doentes em macas esperando horas para serem atendidos, alguns até falecendo de permeio. O facto é: diretores a demitirem-se nos hospitais por falta de meios. O facto é: redução de camas e queda de internamentos de 844 mil em 2012 para 687 mil em 2014 (ver Público p. 5).
  9. Num artigo de opinião embaixador da Alemanha em Portugal, Ulrich Bradenburg, vem ajudar o Governo de Passos Coelho e, ao mesmo tempo passar um detergente pela face da Alemanha dizendo que no "saldo comercial bilateral com a Alemanha, Portugal consegui abrir novos mercados" e que "jogamos todos ma mesma equipa: Europa". Claro que faz o seu papel tecendo elogios as seu país, contrariamente a Passo que faz o papel do bom aluno subserviente.
  10. Passos Coelho disse ontem no Parlamento a um deputada do Bloco de Esquerda que estava obcecada com a Alemanha. Face à subserviência e vénias ao ministro Schäuble quer do primeiro-ministro, quer da sua ministra da finança não será caso para isso? Diria mais, não é obsessão é antes preocupação. Penso que não se trata de ser ou não antialemão mas há limites para o que se diz e para a forma como se defende a política nacional na Europa. 
  11. Maria Luís aceitou acordo com a Grécia mas exige informação para acompanhar o processo. Governo "desmente categoricamente" ter estado contra o acordo. Ministra foi "exigente nos procedimentos" e quer conhecer compromissos gregos. Varoufakis alega "boas maneiras" para não comentar. Será que Maria Luís se enxerga para pensar que é um peso chave nas decisões em contexto europeu?
  12. A bacoca ministra das finanças Luís Albuquerque numa entrevista ao jornal alemão Handelsblatt explicou simploriamente a questão da dívida, tal e qual um aluno do nono ano de escolaridade, da seguinte forma: “Se eu pedir um crédito a um banco, eu tenho de reconhecer a obrigação de pagar o dinheiro de volta. Tenho também de oferecer garantias. Não funciona de outra forma”. A seguir explicou que é do interesse de todos que as regras sejam cumpridas. Se assim for, “são bem-vindos no clube”. A senhora bem se pode esforçar para explicar como faria com o crédito pedido para a sua casinha. A complexidade de um país é mais do que isso. O que não explicou foi como faria se, perdendo a capacidade de cumprimento porque a obrigaram a perder o emprego, lhe negaram a possibilidade de crescimento (leia-se não arranjava outro emprego), os impostos altos lhe levavam as poupanças e o negócio que ainda tinha em mãos não dava para o pagamento dos juros que consumiam o que lhe restava dos recursos. Pretendendo mesmo assim cumprir os compromisso perante o banco o que faria a senhora em elação a isso?

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publicado às 20:32


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