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Campanha eleitoral e Debates. COMENTÁRIO e OPINIÃO - Sociedade, Comunicação e Política

O que outros pensam e comentam sobre a sociedade, política, economia, educação. Comunicações e opiniões pessoais sobre o dia a dia da política e da sociedade.

Quem mente uma vez mente mais duas ou três

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Ontem deram-se dois acontecimentos. O mais importante foi a efeméride da revolução do 25 de abril de 1974 marcado pelos desfiles de gentes das mais diversas idades e profissões. O outro, premeditadamente oportunista, foi a renovação de votos do casamento entre o PSD e o CDS.

Apesar dos momentos de pré rutura do casamento o “casal” reconciliou-se desistindo do divórcio. Por interesse de partilha de interesses de poder resolveram fortalecer a sua ligação.

Enquanto num casamento entre duas pessoas existe a formalização da aliança para uma vida em conjunto sem que haja submissão de um, face ao outro. Na aliança entre o PSD e o CDS, a chamada coligação, existe, na prática, uma espécie de sujeição.

O partido submisso é, neste caso, o CDS. Esta submissão era espectável uma vez que, se fosse isolado às eleições, haveria a possibilidade de ficar com uma percentagem de votos muito abaixo do previsto. Assim, apesar da subalternidade os resultados serão uma incógnita.

Analisemos a situação. Nas eleições em 2011concorreram separados tendo obtido em conjunto a maioria dos deputados no Parlamento e só após resolveram constituir um Governo em conjunto. Naquela altura o CDS obteve 11,71% e o PSD 38,66%. Que razão terá levado a que se coligassem agora antes das próximas eleições? O desespero da perda das eleições em 2015 leva-os a dar tudo por tudo.

Se ambos estivessem cientes de que obteriam bons resultados não haveria razão para tal. Se tivesse que haver coligação seria na altura da formação do novo Governo.

Por princípio uma coligação constitui-se quando um partido político não tem apoio suficiente numa legislatura como consequência dos resultados eleitorais e tem como condição que os grupos minoritários recebam contrapartidas estabelecidas, como pastas ministeriais que se costumam repartir de acordo com o peso parlamentar ou uma orientação determinada das políticas do novo governo.

Paulo Portas ganhou em todas as frentes neste acordo de coligação. Com a possibilidade de vir a ser o elo mais fraco devido às previsões uma votação muito inferior nas próximas eleições, para evitar a vergonha eleitoral, negociou a coligação e as listas com base nos resultados das últimas eleições legislativas. Ao fazê-lo obtém contrapartidas iguais às que tem atualmente em número de pastas e talvez até em determinadas orientações políticas. Se, por um lado, Paulo Portas se submete ao PSD de Passos Coelho tendo apenas na mira o poder e não Portugal como dizem, por outro, o PSD vendo que nunca obteria maioria absoluta resolve deitar-se novamente na mesma cama. É um casamento de conveniência por desespero.  

Neste casamento ambos se comprometem a prometer aos seus convidados um banquete diferente do anterior com as mesmas iguarias melhoradas. O grave é que, num banquete normal, os convidados, se não gostam das iguarias podem sair sem dar nas vistas. No banquete que este casal nos oferece ficamos presos por mais quatro anos a comer as iguarias que prometeram mas que, depois das portas fechadas, mandam o pessoal que serve o banquete retirar as iguarias prometidas das mesas ficando apenas os pratos de menor qualidade que quiserem impor.

Sabemos que Passos e Portas mentiram e mentem e, quem mente uma vez, mente mais duas ou três.

3 comentários

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    Isabel 28.04.2015 17:13

    Que país está melhor? Ou melhor quem no país está melhor?
    Alguns, poucos!
    Que sinais de melhoria se referem?
    É verdade, a grande maioria dos portugueses "não está a morrer de fome", também era melhor!
    E a situação da saúde?
    A situação do ensino?
    As privatizações a todo o custo? (espero que não surjam novos Sócrates).
    a Segurança Social (que o governo, ideologicamente, pretende privatizar e implementar apenas o assistencialismo)?
    E as penhoras às famílias que ficam sem habitação?
    E..., tantas outras coisas...!
    Eu tive o cuidado de ler as medidas apresentadas pelos economistas convidados pelo PS, assim como tomei conhecimento do PEC apresentado pelo Governo, será que quem as critica as leu ou se informou, ou apenas reproduz o que vai ouvindo?
  • Sem imagem de perfil

    Alda Silva 28.04.2015 17:36

    Apesar de não quererem ver, os sinais são vários: o consumo a subir, a confiança dos empresários a aumentar, assim como as exportações e o investimento, e o desemprego a descer (sim, a descer e não é por nos últimos três meses ter subido que isso significa que a tendência se inverteu)...e muitos mais sinais, como os novos carros nas estradas, por exemplo. Isso deve querer dizer alguma coisa, certo???
    Mas não vou fugir à questão. A saúde tem diversos problemas, é verdade. Mas será que alguém se lembra das dividas deixadas pelo Sócrates no que diz respeito ao pagamento a fornecedores??? E será que nos governos socialistas não havia problemas e gente a morrer nas urgências??? Se calhar não, por isso é que deixaram o SNS falido, como o país, aliás!
    Quanto à Segurança Social, não me parece que as propostas dos "apóstolos" do PS sejam o milagre de que precisamos, muito pelo contrário, e em relação às penhoras vamos ter que nos decidir, ou bem que queremos um fisco a funcionar ou não, era melhor antigamente quando os portugueses se gabavam de enganar o fisco???
    E o que é que está pior no ensino??? Ainda não me esqueci de como era no meu tempo e estamos conversados.
    Estamos no caminho certo e é assim que nos devemos manter, se os portugueses não tiverem memória curta. O problema é que toda a gente pensa primeiro no próprio umbigo e o país que se lixe. Vamos ver quanto tempo aguentaremos até termos a troika de volta com o PS de novo no Governo.
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