Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

ZOOM SOCIAL - Cultura, sociedade e política

Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

ZOOM SOCIAL - Cultura, sociedade e política

Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

Pedro e Rio a carga do passado e o trampolim para o futuro

Rui Rio e Passos Coelho.png

A) O Pedro

O 37º Congresso do PSD abriu a porta com o já esperado discurso de Passos Coelho que, dito à laia dum mestre-escola do passado, foi enfadonho e não trouxe nada de novo. Foi uma volta e uma revolta com desabafos sobre o passado, foi a declaração da síndrome de perda de poder e a tentativa para capitalizar (para o seu ego) os sucessos do atual Governo com a demonstração de alguns laivos de usurpação descarada.

Mais uma vez Passos Coelho utilizou um apagador de giz para apagar o que foi gravado, pelo seu governo, com ferros em brasa na memória da maioria das pessoas. Mais uma vez, e como já nos habituou, omitiu, alterou, deturpou, misturou realidades diferentes, enfim, utilizou a demagogia para se autojustificar das políticas que conscientemente praticou e continuaria a praticar caso viesse a ser novamente governo.  A síndrome da perda de poder continua a fazer dele um político do passado, neoliberal, com uma ilusão doentia e persistente que também passou aos seus fiéis diletos, a de que poderia ter governado durante uma legislatura completa com uma minoria de direita da Assembleia da República.

Para demonstrar a sua tese do diabo apresentou uma lista de países com índices de crescimento muito superiores ao nosso para ignorante iludir. Uma comparação linear, sem sequer tomar em conta outros indicadores, com países de realidades políticas e sociais diferentes das nossas, com governos de direita cujas práticas democráticas levantam sérias dúvidas, alguns deles até com governos próximos da extrema direita. Terá sido uma projeção/ identificação com as políticas que Passos gostaria de ver implementadas no nosso país?  Por outro lado, são países que não estiveram sujeitos a intervenção financeira nem tiveram durante esses períodos governos que destruíram a economia em nome do que chamavam reformas estruturais.

Mas tanto se fala no PSD de reformas estruturais que se esquecem de que estiveram cerca de dez anos consecutivos no poder com Cavaco Silva mais cinco consecutivos com Passos Coelho que como já disse várias vezes, fez promessas que não cumpriu e mentiu ao prometê-las e omitiu sobre o que pensava fazer quando estivesse no governo, isto entre 2011 e 2015.

Enfim, um lamento do poder perdido e o anseio pela vinda do diabo que o ajudasse.

 

B) O Rio

Rui Rio no seu discurso de abertura foi mais coerente e forte do que o seu antecessor. Não agitou as águas do congresso com aplausos e é compreensível. Nas eleições diretas Rui Rio não obteve uma vitória retumbante, ganhou com escassa margem tendo obtido 54,3% dos votos relativamente a Santana que obteve 45,6%. A vantagem de apenas 8,7% dos votos não lhe irá dar margem de manobra suficiente para poder agradar à ala neoliberal apoiante de Passos Coelho que foi muito aplaudido.

O partido está radicalmente dividindo entre duas forças que se querem fazer ouvir uma com potencial matriz social-democrata e outra de direita neoliberal com saudosismos dum passado e que, como Passos Coelho ainda não se purificou do trauma das eleições ganhas, mas perdidas no Parlamento.

Tenho afirmado neste blogue que o PSD com Passos Coelho perdeu a sua identidade como partido social-democrata, embora saiba que não foi bem assim. O que se passou foi a radicalização do partido à direita que, por si mesmo, já era de direita. Aliás no Parlamento Europeu o PSD está inserido na família dos liberais e não dos sociais-democratas. Este conceito voltou a aparecer com Passos Coelho no último congresso quando surgiu o slogan “Social-democracia sempre!”. Volta agora a surgir com Rui Rio como uma espécie de libertação do passado neoliberal preconizado pelo anterior líder.

Não nos iludamos, o PSD continuará a ser um partido de direita que se radicalizou, basta ver o germe deixado por Passos Coelho que não deixarão que Rio faça uma ligeira inclinação mais para o centro. Nem tao pouco o discurso conciliador de Santana Lopes irá possibilitar isso. Está como afirmei infiltrado o vírus do “passismo”. O descontentamento dessa “pedra mental” que é Hugo Soares e a intervenção de Luís Montenegro, entre outros não manifestos, são disso a prova. Rui Rio ainda sem começar já tem a cabeça a prémio e sofre ameaças cuja origem está definida: os eis passista ressabiados. Disse Montenegro que, à semelhança do seu mentor dileto, também anseia pela chegada dos diabos, mas desta vez dos externos e dos internos e recomenda ao atual líder para “se afastar da intrigalhada”. Sabe do que fala, porque ela virá por certo, e sabe-se qual poderá ser a sua origem.

Rui Rio quis dar sinais de abertura para as duas correntes em “confronto”, porque é disso que se trata, e tenta, com o convite a Santana Lopes agradar aos “troianos” e co Elina Fraga para agradar aos “gregos”, mas a tentativa de unidade foi ensombrada e confronto esteve patente com Montenegro, muito aplaudido, sabemos porque ala, e por motivo contrário Elina Fraga apupada pela mesma ala. A surpresa polémica foi a escolha de Elina Fraga para uma das vice-presidências. A ex-bastonária dos advogados atacou o Governo PSD de Passos Coelho com um processo devido ao mapa judiciário, em 2014.

Nada mais a acrescentar na ocorrência que foi este congresso do PSD. Abertura de Rui Rio, para o interior e para o exterior do partido, radicalização da ala neoliberal, ameaças de candidaturas à atual liderança do partido caso esta não ganhe as eleições em 2019. Em conclusão: Rui Rio vai ter uma dura tarefa pela frente porque não vai ser fácil expurgar a ideologia, que os neoliberais dizem não existir. Foi muita a retórica, mas com pouco conteúdo objetivo, nem por parte dos seus aposentes e muito menos dos seus opositores que continuam na bancada parlamentar à espreita e cuja estratégia vai ser, mesmo com um novo líder de bancada, e até á eleições, mais do mesmo.