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ZOOM SOCIAL - Cultura, sociedade e política

Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

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Os professores e as suas lutas

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Professores lutas e greves

                        Alguns artigos e opiniões da imprensa                                        

1. A inglória luta dos professores

2. Luta dos professores não pode "pôr em risco o que foi conseguido"

 

3. Professores ganham mais 35% do que a média dos trabalhadores qualificados
4. Esticar a corda num contexto como o que a OCDE colocou em cima da mesa pode gerar danos de imagem que os professores vão ter de avaliar com muito cuidado.

5. Porque é que os professores irritam tanta gente?

Não percebo como os professores aceitam que bons e maus tenham progressões semelhantes; e no meio está Mário Nogueira a misturar tudo com o beneplácito da classe.

6. A Confap diz que entende que as greves às avaliações são “legítimas e permitidas” mas teme pelos efeitos das paralisações no percurso educativo dos estudantes, sobretudo aqueles que vão a exames nacionais em breve.

“Os pais compreendem a luta dos professores, mas não podem compreender esta forma de luta, que prejudica aqueles que trabalham” e que, sublinha o dirigente da Confap, Jorge Ascensão, não passam de uma “instrumentalização da educação” pelos sindicatos.

7. Professores. "Recurso sistemático às greves está a banalizar-se"

Pela lei, os professores têm direito a reivindicar os nove anos de carreira que estiveram congelados durante a crise. Mas, se assim for, "ficam em situação privilegiada em relação ao resto da Função Pública".

8. Qual é, afinal, a luta dos professores?

OPINIÃO DN - PEDRO MARQUES LOPES

Claro que há umas que têm maior capacidade reivindicativa do que outras. Em termos muito simples, quanto mais pessoas forem afetadas pela ação ou omissão de uma certa classe, mais probabilidades existem de se ter o que se quer. E, não há quem não saiba, os professores têm essa vantagem. Têm, aliás, uma bem maior: são os nossos filhos a estar em causa. Não é possível ter forma de pressão melhor.

Não se depreenda disto que o facto de os professores terem uma ação direta, e muitas vezes decisiva, na vida dos nossos filhos seja conscientemente utilizada como arma. Acho que a maioria dos professores acredita que as suas lutas são parte integrante da sua vontade de o ensino ser cada vez melhor.

Seja como for, o facto é que o papel que desempenham na comunidade lhes traz talvez a maior capacidade reivindicativa de todas as classes profissionais. Tem sido utilizando essa força que conseguiram afastar aquela que foi a melhor ministra da Educação da democracia portuguesa, Maria de Lurdes Rodrigues, que conseguiram um sistema de avaliação de desempenho que pouco conta para a progressão na carreira (chamar-lhe avaliação é, por si mesmo, abusivo), que são mais bem remunerados do que os seus congéneres europeus de países com índices de desenvolvimento similares ao nosso e que o decurso do tempo tenha mais relevância do que em relação a qualquer outra carreira da função pública.

Repito que será assim também porque pensam que isso é melhor para os alunos e para o sistema de ensino.

Estão errados, porém. Não é admissível que a avaliação conte tão pouco para a progressão na carreira e que a passagem do tempo seja um fator decisivo. É injusto e de certeza que não contribui para que os professores sejam melhores profissionais e para um melhor ensino. O paradoxo de quem avalia não ser avaliado seria argumento bastante.

E é a questão da forma como os professores progridem na carreira que inquina quase toda a discussão que está a ser feita entre professores e governo. Não se pode ter uma discussão séria quando há uma classe que reclama que alguém pela simples passagem dos anos seja considerado, de facto e com repercussões nas suas condições, melhor do que um outro.

É verdade que isto demonstra a força dos professores, mas mostra também e de forma clara a incapacidade política e mesmo a cobardia de muitos governos, este incluído. Os ministros da Educação e os primeiros-ministros deste e de governos passados deviam ter vergonha do que não fizeram nesta área. Mas os professores não podem fingir que a situação não é, no mínimo, anómala.

A crise impôs sacrifícios a todos, mais a uns do que a outros. E sendo verdade que os funcionários públicos, nomeadamente os professores, tiveram cortes nos salários e viram suspensas progressões na carreira - convém lembrar mais uma vez que a reposição da situação para os outros funcionários públicos não se pode comparar com a dos professores, já que nenhuma outra carreira na função públicaestá tão pouca sujeita a avaliação e depende tanto da simples passagem do tempo como a dos professores -, aquilo a que foram sujeitos não se pode comparar com o que aconteceu aos trabalhadores de empresas privadas.

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