Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O problema do PSD não está em Rui Rio

por Manuel AR, em 06.06.19

Rui Rio e abutres.png

Houve quem criticasse a intervenção do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa quando afirmou que “Há uma forte possibilidade de haver uma crise na direita portuguesa nos próximos anos” e Rui Rio foi um deles ao responder que a crise não está na direita, mas no regime todo.

Desconheço em que base o Presidente da República se apoiou para fazer tal análise. Uma coisa é certa, aquela declaração do Presidente serviu para agitar o PSD e libertar os movimentos que estavam latentes e vieram agora à superfície da política interna do partido com respostas reativas.

Tomando como pretexto o desaire do PSD nas eleições europeias, esquecendo o seu passado desastroso, os resistentes desse passado tomaram como bode expiatório Rui Rio para o culpabilizar e pressionar a fazer uma oposição que leve o partido a ganhar as próximas legislativas. Como se tal dependesse apenas da vontade e da ação política do líder. Rui Rio é um líder direto, franco, sensato e confiável, características que, em política são raras e que para uma oposição não ligam muito bem. Fundamentalmente tem falta de matéria programática e dum projeto consistente e credível que atraia potenciais eleitores.

Esta corrente contra Rui Rio começou antes de janeiro de 2019 com Luís Montenegro a desafiá-lo para diretas relativamente à liderança. Recordemos que Hugo Soares acompanhou Montenegro quando este pôs em causa a liderança de Rui Rio. Por sua vez, em fevereiro de 2018, na altura o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, anunciou, que iria "devolver a palavra aos deputados para eleger uma nova direção parlamentar", depois de Rui Rio lhe ter manifestado o desejo de trabalhar com outra liderança de bancada apesar de as regras de escolha de deputados não poder "cada um" dos representantes no Parlamento ser escolhidos por Rui Rio.  Ora o busílis do atual líder é mesmo esse o ter que lidar com esse grupo que herdou do passado e que há limitações que se lhe impõem que apenas podem ser colmatadas após as eleições.

O enfileirar de interessados à liderança do PSD começam a delinear-se e a revelarem-se na ribalta da política partidária.

A liderança de Rui Rio desde que tomou posse não tem sido fácil. Herdou um partido que saiu dumas eleições que ganhou juntamente com o CDS, mas cuja minoria parlamentar face a um acordo do PS com as esquerdas PCP, Verdes e BE não lhes permitiriam estabilidade governativa.

Os deputados da minoria parlamentar de direita, especialmente do PSD, constituída após as eleições de 2015, sob a liderança Hugo Soares, ligado a Passos Coelho e com vínculo ideológico aos neoliberais do partido mantiveram-se e Rui Rio, como novo presidente do partido, manifestou "desejo de trabalhar com outra direção parlamentar".

Dentro do partido elementos neoliberais ligados à anterior direção não têm apoiado Rui Rio com suficiente convicção, bem pelo contrário, têm feito tudo para o colocar em causa. Enquanto não houver eleições legislativas e o atual líder não poder indicar nova lista para o Parlamento continuará a sua liderança a ser posta em causa pela pressão do grupo de contras que lhe fazem oposição interna.   

À parte de Luís Montenegro que não se sabe o que fará depois da primeira tentativa para “destronar” Rui Rio, há pelo menos três potenciais candidatos cujos nomes têm vindo a público numa tentativa de auscultar a opinião pública. Um deles é Miguel Pinto Luz vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais e ex-líder da distrital de Lisboa que é apoiado por Miguel Relvas e que já teve intenções de concorrer aquando da saída de Passos Coelho. Outro dos candidatos é Moreira da Silva, ministro do Ambiente no governo de Passos Coelho, que anda por aí discretamente a efetuar contactos com as bases do PSD. O discurso ambientalista de Moreira da Silva poderá ir de encontro às tendências atuais com a subida dos partidos de base ecologista. Há ainda um outro potencial candidato que poderá ser Carlos Moedas que, na minha opinião seria um candidato forte e credível que poderá causar alguns estragos à esquerda, distanciando-se ele dos neoliberais “passistas”.  

Pinto Luz disse em entrevista que não esperava resultados tão baixos nas europeias porque considerava “Paulo Rangel, de todos os cabeças-de-lista que se apresentaram nestas eleições, o mais bem preparado para desempenhar o lugar”.

Pinto Luz disse ainda que o PSD “não tem sido capaz de dizer bem alto e tornar clara a desgovernação deste Governo socialista.”, e acrescenta que “Tem sido, de facto, um desgoverno para este país”.

Parece-me que Pinto Luz está a passar um atestado de incompetência aos portugueses eleitores e, ao mesmo tempo, a passar-lhes um atestado de estupidez porque, a deduzir da afirmação, os portugueses não estão a ver a desgovernação. Tenha lá paciência Pinto Luz ainda está na fase de candidato potencial e já está a atacar e a ofender quem não vota em si ou no PSD?  

Paulo Rangel foi o grande erro de Rui Rio que, talvez iludido por ele, ao escolhê-lo para cabeça de lista fez uma aposta falhada porque, como alguém escreveu num artigo de opinião que subscrevo na íntegra: “escolheu um profissional da baixa política que fez uma campanha inane, sem qualquer ideia e a cuspir ódio sempre que abriu a boca. O próprio Rio assumiu a calúnia como arma eleitoral, destruindo de vez a sua credibilidade. Fez tudo exatamente ao contrário do que devia ter feito, perdeu uma ocasião histórica para deixar o seu nome na História”, que pode ler aqui.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:50



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D

Twitter