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No meio do nada encontra-se o PSD

por Manuel AR, em 18.12.17

No meio do nada_2.png

No programa “Poder Laranja” do último sábado, moderado por Constança Cunha e Sá, foram convidados Feliciano Barreiras Duarte apoiante do Rui Rio, Duarte Marques apoiante de Santana Lopes, António Leitão Amaro sem candidato assumido e Sebastião Bugalho jornalista do jornal i.

Todos eles são militantes ou simpatizantes do PSD. O debate foi um vazio total de ideias, propostas e programas o que já seria de esperar especialmente por parte do apoiante de Santana Lopes. O apoiante de Rui Rio foi o que melhor defendeu a candidatura.

Em vez da defesa das candidaturas e da apresentação das propostas dos candidatos refugiaram-se no ataque ao Governo socialista com argumentos estafados e já por demais utilizados por Passo Coelho, não faltando até a evocação de Sócrates. Mais pareceu um debate sobre a defesa do ainda atual líder e o ataque ao Governo do que a defesa das próprias candidaturas.

A pobreza argumentativa foi evidente centrada na questão da identidade   e na posição do partido dentro do espetro partidário. Não se pode desejar que o PSD seja igual ao partido socialista dizia o apoiante de Santana. Dizia o apoiante de Rui Rio que havia que regressar às origens do partido, a social-democracia. Defendiam-se outros dizendo que o PSD não é de direita, mas do centro-direita ou de centro. No final não se ficou a saber qual é o espetro ideológico do partido. Mas a ideologia não interessa aos portugueses nada lhes diz, como disse o apoiante de Santana, o que querem ver é factos concretos. Já vimos e bastante no passado e o que prometiam para o futuro, diria eu!

Parece que, segundo se pode deduzir pelo debate, ao PSD nada interessa nem sequer a ideologia. A ser assim não se percebe ao que vão nem o que pretendem.

Parece que, segundo eles, lá para a semana vai sair um programa. Como já disse Santana Lopes numa entrevista ainda não há projeto, mas está tudo na minha cabeça.

Apesar de eu já ter escrito várias vezes que o PSD abandonou a sua matriz social-democrata acantonando-se na corrente neoliberal, coisa que refutaram alguns dos presentes no debate. De cada vez que os oiço falar mais me convenço de que não há volta a dar ao PSD, afinal não é social-democrata e não tem vontade de o ser, então, sem dúvida, é um partido de direita e com alguns laivos radicais e populistas que foram nascendo.

Foi um debate de nada, e sobre nada, um vazio total. Quem não estava esclarecido ou tinha dúvidas como eu ainda ficou pior.

Todavia Rui Rio é o único que se afasta um pouco da linha dos outros jovenzinhos que vieram da JSD, agora bem instalados no partido e com cargos políticos que vêm a público dizer balelas ou cantando o refrão do que ouvem por aí. Para mim, uma coisa ficou clara: o apoiante da candidatura de Santana Lopes e Leitão Amaro tentaram fugir ao rótulo de direita que, segundo dizem, lhes foi colocado pela esquerda. Ficámos sem saber no final e apesar de o negarem se não são de direita então o que são afinal…

Hoje a candidatura de Santana Lopes anunciou o seu programa que já tinha dito estar apenas na sua cabeça ao mesmo tempo que um dos elementos que o apoia invoca Deus para vir em seu auxílio ao dizer numa reunião que Santana “graças a Deus vai ser eleito”. É a primeira vez que em política se recorre claramente à religião como fonte aliciadora de almas simples e sãs para uma causa deveria ser estritamente laica.

Não é novidade que a igreja tenta em época de eleições influenciar eleitorado católico para a direita durante as homilias, o inverso para mim é novidade e, tanto mais, que chega já às raias do populismo de baixa ética. Invocar o nome de Deus em vão misturando-o com causas políticas parece ser a transformação duma candidatura dum político que mais parece ser a de uma espécie de seita religiosa.

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publicado às 15:42


9 comentários

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De Anónimo a 19.12.2017 às 12:15

Um debate, uma entrevista, uma qualquer outra coisa parecida com isto só tem qualidade se, quem dirige o debate, a entrevista ou essa outra coisa qualquer tiver qualidade. A Tancinha não tem. Exemplo: se a entrevistadora pergunta ao entrevistado se ele mija na cama, ele irá responder que, mijona, é a entrevistadora. E fica tudo dito quanto à entrevistadora e ao entrevistado.
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De Anónimo a 19.12.2017 às 15:26

PSD nunca foi social-democrata. Não é agora que vai passar a ser.
O PSD resulta de uma idiossincrasia lusa do pós-25 de Abril, onde ninguém era de direita. Mesmo Sá Carneiro nunca foi social-democrata. Sá Carneiro vem da ala liberal da União Nacional. Nunca o PSD pertenceu à família política internacional da social-democracia.
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De Anónimo a 19.12.2017 às 16:15

E isso da social democracia é quê? É levarem-me o pequeno almoço à cama e à hora que me apetecer?
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De Anónimo a 19.12.2017 às 16:52

Se não sabe, sugiro-lhe algumas leituras básicas. Pode começar por Eduard Bernstein. Se achar muito maçudo, consulte a wikipedia em https://pt.wikipedia.org/wiki/Social-democracia.
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De Anónimo a 19.12.2017 às 17:28

E leituras básicas são o quê? São os meus livros de leitura da primária, de 1955 a 1959? Que já eram os da minha irmã mais velha, de 1953 a 1957? E o Bernstein é o quê? Um safado dum revisionista marxista?
Por favor, afaste-se da minha praia, sob pena de se afogar na sua ignorância.
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De Anónimo a 19.12.2017 às 20:26

Se não sabe o que são leituras básicas, nem sei o que lhe diga.
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De João Gil a 19.12.2017 às 19:42

E o PS está no meio de tudo. É a nova “união nacional socialista”. Razão teve Morais Sarmento ao dizer que para ser igual ao PS mais vale ficar com o original. Para mau já basta a união nacional socialista que governa Portugal e tudo promete, tudo compromete, tudo reverte e tudo confisca. A alternativa ao PS e à esquerda social fascista só pode ser uma alternativa clara e sem ambiguidades. Portanto, de direita assumida, liberal porque a favor da liberdade, do progresso social, cultural e da justiça, contra o compadrio e nepotismo ultra conservadorista socialista basbaque circunstancialmente aliado do comunismo bolchevique e do social fascismo radical e moralista, feitos de sindicalismos selvagens, das falcatruas de Sócrates, do Guterrismo amorfo e funcionalista, do Sampaismo anódino e sem uma ideia para o país, que atiraram Portugal para o abismo social, para a emigração inevitável, para a regressão económica e para a bancarrota. Portanto, o PSD se quer ser alternativa a isto, é melhor pensar se quer o lugar do PS e a ideologia ( ou falta dela) pregada pelo PS. Se é isso que quer vai afundar-se até à irrelevancia na cena política portuguesa. Venha outro qualquer partido que protagonize à direita a vontade de mudança e represente verdadeiramente uma larguíssima maioria de portugueses que não se revê no comunismo, social fascismo e socialismo estatizante e claustrofobico que hoje nos domina e subjuga, para que tenhamos claro para todos quais são os caminhos diferentes para o país e possamos votar em liberdade por um novo rumo, que se oponha a esta união nacional socialista que mantém Portugal capturado e com o futuro e independência hipotecados.
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De Rui Nunes a 19.12.2017 às 20:45

Tanta parra para tão pouca uva... Bom, se tudo isso fosse verdade a laranjada era a bebida nacional sem concorrência. O que acontece é que contra o PS, social democrata, só vemos zurrapa da pior espécie... e sem classificação ideológica.
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De João Gil a 19.12.2017 às 21:02

Até às próximas eleições legislativas, ainda foi o PSD que ganhou as eleições e tinha um programa sufragado e legítimo para governar. A sua uva não foi a votos e não foi sufragada pelo povo em eleições. Tem mandato democrático porque este é o sistema eleitoral que temos. Mas para os que questionavam a legitimidade democrática do anterior governo e negaram a legitimidade para governar da coligação que ganhou as últimas legislativas impondo uma coligação negativa simplesmente para impedir o governo legítimo de quem ganhou com um programa eleitoral que foi mesmo sufragado nas urnas, ficamos bem esclarecidos quanto ao sentido de democracia e democraticidade de quem hoje representa a situação. O PS tem uma matriz ideológica marxista que não renegou, ao que se sabe, e que de todo não é social democracia coisa nenhuma. Portanto de zurrapa da pior espécie, sem ideologia, por comparação com um partido cujo fundador metia o socialismo (a social democracia, presume-se portanto) na gaveta e que foi liderado por um tipo infame como José Sócrates, corrupto como não houve outro e que nos levou a um resgate internacional de mais de 70 mil milhões de euros. Zurrapa, cada um bebe da que mais gosta. Não bebemos da mesma.

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