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Estar contra alguma coisa é estar contrário a, expressa fundamentalmente oposição, direção contrária. Quando se fazem greves para aumento dos salários não se está a fazer greve contra o trabalho, mas contra a empresa que paga salários baixos, daí o prejuízo causado pela greve afetar diretamente, e num primeiro momento, as empresas.

Podemos estar contra as alterações climáticas, mas fazer-lhe oposição enquanto tal não podemos, elas são uma consequência, um facto, tendem a continuar a um ritmo tendencialmente catastrófico se nada for feito contra as suas causas e, sobretudo, contra os seus causadores. Não podemos culpabilizar o clima por estar a ser alterado. Fazer greves contra as alterações climáticas, manifestações contra as alterações do clima em abstrato parece-me ser contrário à razão.  Como já afirmei não são elas as culpadas, elas são a consequência e não a causa, como é óbvio, devemos é estar contra as suas causas e os seus causadores. Elas estão a verificar-se, estão cá, não as podemos combater podemos é obrigar os seus causadores a mudar-lhes o rumo, a retroceder o seu percurso. Devemos estar, isso sim, contra todos quantos contribuíram e continuam a contribuir para que elas continuem a verificar-se.

Quando se diz estar contra as “alterações climáticas” é em sentido figurado, e todos sabem qual o seu significado, mas não tem impacto direto, é demasiado abstrato e ilusório.  Por mais que eu seja contra as alterações climáticas elas não vão parar nem mudar, continuarão se ninguém obrigar a parar os que para elas ainda contribuem. Greve contra as alterações climáticas é ilusório, porque apesar de serem o cerne da questão ambiental, não sofrem as consequências dessa greve, quem sofre são os próprios mentores que as fazem. Não foi por acaso que Greta afirmou que “jovens faltarem às aulas para protestar ‘não é uma solução sustentável’”. O protesto só tem efeitos se for objetivo, ter alvos concretos

Sejam ele governos, empresas ou ditadores inconsequentes resguardados, “apadrinhados”, eleitos pela utilização do voto democrático que lá os colocaram, é contra esses que as greves e manifestações devem ser feitas nos países de todo o mundo.

Desde que Greta Thunberg surgiu a manifestar-se e a alertar consciências para as alterações climáticas para as quais os cientistas há décadas nos têm alertado apareceram com a imediatez inevitável por um lado os seus apoiantes e, por outro, os seus detratores. Uns com alguma timidez lá vão dizendo: - que diabo, vamos lá ter calma com o seu endeusamento. Outros dizem que começam a estar fartos dela porque isto não vai dar em nada, e ainda aqueles a quem interessa passar a mensagem de que é uma coitada que tem uma doença mental que a leva a ter uma obsessão com problemas climáticos e ecológicos. O que esta gente pretende com isso é por demais previsível. Dito por palavras rudes: calem essa tipa que nos está a complicar a vida e os nosso lucros, queremos lá saber do clima para alguma coisa…

Os adultos que têm o poder na mão e os possuidores de grandes empresas poluidoras nada têm feito.  São os adultos que estão contra Thunberg, veem-se ultrapassados e ameaçados pelos vários movimentos que tem motivado e que vão surgindo, uns com mais impacto, outros com menos, onde participam pessoas de todas as idades e, sobretudo, jovens.

Os que se queixavam que os jovens não têm ideais e outros que, falando em seu nome lançam frases como “dêem-nos alguma coisa em que acreditemos”, como o fez João Miguel Tavares no discurso do 10 de junho encomendado por Marcelo Rebelo de Sousa. Então aí estão eles a fazer-lhes a vontade.

Num artigo de opinião João Miguel Tavares também escreveu dirigindo-se a Greta que “Gostava que fosses um pouco menos alarmista, e que um dia destes admitisses que o mundo – e o combate às alterações climáticas, já agora – é um pouco mais complicado do que a forma como o retratas”. Conselho simplista inoportuno. Acreditar que ainda é possível alterar a situação ambiental, não é o mesmo do que fazer-lhes crer que devem acreditar na direita.

Claro que a resolução é muito complicada, é o único argumento no artigo que escreveu com validade objetiva. Se JMT duvida que ela não sabe, eu, simples cidadão, cuja opinião vale o que vale, não tenho dúvidas que ela sabe. O centro do problema não é que haja uma resolução imediata, mas prevenir rapidamente a potencial catástrofe com que as gerações futuras se irão confrontar se medidas progressivas não se tomarem.

É no mínimo estranho que JMT que apoiava e era consonante com Passos Coelho quando ele se referia à sustentabilidade da segurança social e dizia que tínhamos de proteger as gerações futuras para não ficarem sem reformas por causa das reformas de que os seus pais e avós estavam a usufruir. Parece-nos que, para JMT, os efeitos causados pela alterações climáticas sobre as gerações futuras já não importam.

É quase uma aproximação ao que disseram essas sumidades e estrategas da burrice política Bolsonaro e Trump. O primeiro afirmou aos jornalistas em Brasília: “A Greta já disse que os índios morreram porque estavam a defender a Amazónia. É impressionante a imprensa dar espaço para uma pirralha dessa aí. Pirralha”. O que fez Greta Thunberg a seguir? Atualizou a sua biografia no Twitter para “Pirralha”, o mesmo termo usado pelo chefe de Estado do Brasil para a descrever. Foi o melhor que podia ter feito.

Trump numa atitude de quase troça e de ironia comentou: “Ela parece ser uma jovem menina muito feliz, que está a caminho de um futuro maravilhoso e brilhante. Muito bom ver isso”.

E ainda hoje: “Primeiro "pirralha", agora "uma jovem a trabalhar nos problemas de gestão da raiva". Greta Thunberg já mudou a descrição biográfica na sua conta oficial de Twitter pelo menos duas vezes nos últimos dias, ora à conta dos comentários de Bolsonaro, ora de Trump.”

São formas de indiretamente desqualificar e silenciar pessoas especialmente as mais novas que querem a mudança. E por isso são silenciadas. Eles têm medo da mudança e de as nossas vozes serem ouvidas disse Greta em determinada altura.

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publicado às 18:39



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