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Despreocupação, desvairo ou deslumbre?

por Manuel_AR, em 23.06.20

Coronavirus_Lisboa.png

À custa disso estamos a abrir demasiado as “portas” e o perigo é estarmos a traçar o caminho para que Portugal venha a ser considerado um Corredor do Covid-19.

Portugal pode ser excluído da lista de países considerados seguros pelo Reino Unido. Segundo o The Times, a lista inclui países como França, Espanha, Grécia, Itália e Turquia, mas Portugal é objeto de um “debate intenso” devido ao recente surto no Algarve.

O que se tem vindo a passar na RLVT - Região de Lisboa e Vale do Tejo após o alívio do confinamento especialmente no concelho de Lisboa tem colocado em causa as medidas que foram tomadas inicialmente no ataque à Covid-19 e cujo poder, através do primeiro-ministro António Costa, tanto elogiou o povo português pelo seu comportamento durante o confinamento.

Como a economia não pode parar durante tanto tempo, e bem, após ter terminado o confinamento parece ter-se entrado numa desbunda a que chamam as medidas para entrada numa nova realidade em que as medidas tomadas são plenas de contradições.

Ontem no Jornal da Oito da TVI foi entrevistado o presidente da Câmara de Lisboa Fernando Medina sobre as diversas questões relacionadas com o aumento de infetados pelo Covid-19 na Região de Lisboa e Vale do Tejo e no concelho de Lisboa. Medina teve um desempenho inseguro e pouco convincente nos seus argumentos sobre o controle da epidemia e sobre a vinda da “Champions League”. Sobre este último o argumento de Medina foi o de Portugal e Lisboa passarem a ser conhecidos no estrangeiro. Resta-lhe perguntar à custa de quê?

Foi ainda infeliz ao comentar o pedido de cerca para Lisboa dizendo que “Salvador Malheiro estava com saudades de ir à televisão”. Salvador Malheiro até pode ter exagerado, mas o argumento de Medina foi fraco. O líder do PSD, Rui Rio, veio criticar as palavras do presidente da Câmara de Lisboa. Em causa está o desafio lançado pelo autarca de Ovar, que defendeu a criação de uma cerca sanitária na Área Metropolitana de Lisboa para conter a propagação do vírus.

A realização da final da Champions League em Lisboa, onde nos últimos tempos surgiram vários surtos de  Covid-19, está a causar polémica. No entender do primeiro-ministro, Portugal foi o escolhido entre outros para a realização do evento por ser seguro. Eu tenho outra leitura, Portugal foi escolhido porque outros países o terão rejeitado e porque Portugal abrindo as portas sem controlo e a quem quiser entrar e sem quaisquer medidas de segurança à entrada seria fácil calcular que Portugal iria receber o evento de braços abertos.

António Costa acrescentou que o evento "é também um prémio merecido aos profissionais de saúde", que demonstraram que Portugal tem um Serviço Nacional de Saúde (SNS) "robusto para responder a qualquer eventualidade". Esta frase caiu como uma afronta em alguns profissionais de saúde.

Todos sabemos, pelo menos os mais conscientes do problema que não estão em causa liberdades democráticas como muitos e muitas comentadoras a que se associam comentadores de traseira nas redes sociais nos querem fazer acreditar. O problema real está na economia e concretamente no turismo que se esvaiu. À custa disso estamos a abrir demasiado as “portas” e o perigo é estarmos a traçar o caminho para que Portugal venha a ser considerado um Corredor do Covid-19. Será possível que apenas a freguesia de Santa Clara seja a única que fica em situação de calamidade por ser limítrofe de outras fora do concelho de Lisboa? Será garantido que não haja freguesia no centro de Lisboa que não representem situações de risco até devido a agrupamentos de imigrantes ou refugiados que habitam em grupos que estão sem controle sanitário?

A quantidade de novos casos na região de Lisboa e Vale do Tejo, que há várias semanas é o "motor" da pandemia no país, preocupa as autoridades. A anunciada reunião de ontem da ministra da Saúde, Marta Temido, com António Costa, autarcas e com o presidente da Área Metropolitana de Lisboa foi mais um paliativo para mitigar a crise do aumento dos contágios nos concelhos da Região de Lisboa e Vale do Tejo.

Para ajudarem a desdramatizar e a tornear a questão os noticiários televisivos centram-se, mais uma vez, nos lares de idosos como se o real problema da expansão da pandemia estivesse aí. A pedagogia deve ser dirigida aos potenciais transmissores que são os dos grupos etários mais jovens como se mostra no gráfico seguinte.

Coronavirus_Gráfico grupo etário.png

O que se verifica é que a taxa de 4% de letalidade global por Covid-19 e de 17% acima dos 70 anos como afirmou a ministra da Saúde em conferência de imprensa. Está bem e então!? O que acontece é que são eles, os mais jovens, quem contagia os mais velhos e de outras idades mais novas com quem contactam.

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publicado às 18:18



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