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  <title>Governo e Políticas. Debates, COMENTÁRIO e OPINIÃO - Sociedade, Comunicação e Política</title>
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  <lastBuildDate>Sat, 10 Feb 2018 18:07:13 GMT</lastBuildDate>
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  <pubDate>Sat, 10 Feb 2018 18:07:00 GMT</pubDate>
  <title>Igreja católica portuguesa regressa ao passado ou a Fraternidade S. Pio X </title>
  <author>Manuel AR</author>
  <link>https://zoomsocial.blogs.sapo.pt/igreja-catolica-portuguesa-regressa-ao-198706</link>
  <description>&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img style=&quot;padding: 10px 10px;&quot; title=&quot;Papa Francisco.png&quot; src=&quot;https://c026204.cdn.sapo.io/1/c026204/cld-thumb/1426522730/6d77c9965e17b15/a738d99b092f1bd798bca471e4b6e35f/autoreszoom/2018/Papa Francisco.png?size=l&quot; alt=&quot;Papa Francisco.png&quot; width=&quot;500&quot; height=&quot;311&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 18pt;&quot;&gt; OU&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt; &lt;img class=&quot;&quot; style=&quot;padding: 10px 10px;&quot; title=&quot;Missa antiga.png&quot; src=&quot;https://c026204.cdn.sapo.io/1/c026204/cld-thumb/1426522730/6d77c9965e17b15/a738d99b092f1bd798bca471e4b6e35f/autoreszoom/2018/Missa antiga.png?size=l&quot; alt=&quot;Missa antiga.png&quot; width=&quot;500&quot; height=&quot;375&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Abordar qualquer problemática que envolva religiões e, neste caso a religião católica, num artigo de opinião é uma tarefa melindrosa porque entramos no campo das crenças e da fé mais ou menos profundas da religiosidade de cada um e por isso mesmo tenho adiado escrever sobre o tema.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A decisão que hoje tomei veio no seguimento da notícia de primeira página do jornal Público cujo título, não sendo estranho do que é a posição corrente dos clérigos católicos portugueses, apresenta alguma estranheza, “Igreja aconselha abstinência aos católicos recasados” tendo como fundo uma fotografia do Cardeal-patriarca de Lisboa D. Manuel Clemente.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Os movimentos mais conservadores da Igreja portuguesa estão a organizar-se. É a igreja portuguesa antiPapa Francisco. O conservadorismo mais radical dentro da Igreja católica em Portugal está presente numa organização católica cristã que conhecida por Fraternidade São Pio X que pode &lt;a href=&quot;http://visao.sapo.pt/actualidade/sociedade/2018-01-24-Como-sao-as-missas-da-igreja-portuguesa-que-afronta-o-Papa-Francisco&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;ver aqui&lt;/a&gt;. Alguns destes radicais costumam reunir-se aos domingos num oratório para ouvir a missa com rituais antigos praticados antes da última reforma em meados do século XX quando a missa em latim foi substituída pelas línguas nacionais por uma das determinações do Concílio Vaticano II, aquela que foi sentida como uma grande mudança.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Nesta igreja que vai tendo cada vez mais adeptos impera o rito antigo, as mulheres cobrem a cabeça com véu, o padre está de costas para os fiéis e onde outras práticas rituais antigas voltam a ser praticadas. Isto é deixar de serem os fiéis os protagonistas da celebração, isto é um retorno ao individualismo da divindade enquanto tal. Os crentes desta fraternidade assunem-se comos sendo ultraconservadores. Há todo um extrato social que está a aderir a estas práticas. Aquela fraternidade está no ponto oposto ao do Papa. Para estes ditos católicos “está fora de causa a questão dos recasados poderem comungar.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Será que é neste contexto que D. Manuel Clemente se refere à abstinência dos recasados?&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Hoje aquele clérigo superior da hierarquia da igreja católica portuguesa veio justificar-se dizendo que não era bem assim e recorre aos papas anteriores já disseram de certo modo criticando implicitamente o Papa Francisco.&lt;/p&gt;
&lt;ol style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;li&gt;Manuel Clemente não está só porque párocos de igrejas localizadas em freguesias e predominantemente frequentadas por uma classe social alta e média alta politicamente conservadoras com evidente voto à direita mostrado nas leições concordam com a mesma perspetiva do cardeal-patriarca de Lisboa, nomeadamente o cónego Carlos Paes, pároco de São João de Deus, em Lisboa, a quem não choca que a Igreja (a portuguesa conservadora, é suposto) proponha a abstinência sexual aos casais recompostos, este pároco explica confundindo o acessório e casual com a prática permanente de modo a confundir os fiéis, o que já não admira, dizendo que “&lt;em&gt;A continência faz parte da conjugalidade. E acontece também quando, por uma questão de doença ou deslocação ao estrangeiro por motivos laborais, um dos cônjuges se ausenta ou deixa de estar disponível para a sexualidade&lt;/em&gt;”. Pode ler estas declarações &lt;a href=&quot;https://www.publico.pt/2018/02/09/sociedade/noticia/convite-para-a-abstinencia-sexual-dos-recasados-divide-igreja-portuguesa-1802541&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Recorrem estas mentes sãs luminárias ao cruzamento falacioso das possibilidades abertas pelo Papa Francisco com os posicionamentos mais conservadores de João Paulo II e Bento XVI e claro, para Manuel Queirós da Costa, do secretariado diocesano da pastoral da família de Vila afirma que “&lt;em&gt;Provavelmente essa proposta é um bocadinho irreal, mas efetivamente D. Manuel Clemente não disse mais do que disseram João Paulo II e Bento XVI&lt;/em&gt;”.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Todavia não é sobre a posição da igreja católica sobre sexo nem sobre abstinência, quer seja, consoante as circunstâncias, aconselhada, ou não, pela igreja católica portuguesa a que hoje me refiro. Prefiro abordar o tema de forma mais generalista no que se refere aos comportamentos, atitudes e tomadas de posição reveladoras do conservadorismo arreigado da igreja católica portuguesa.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O conceito de igreja pode ser tomado em sentido lato que é o conjunto do clero e fiéis católicos, ou, em sentido restrito, e é neste que me vou situar e que representa o &quot;conjunto das autoridades religiosas que formam a hierarquia católica&quot;. Numa análise de pormenor a Igreja Católica ou Igreja Católica Apostólica Romana, é uma Igreja Cristã, que tem por objetivo pregar o Evangelho de Jesus Cristo.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Muito se tem escrito e dito sobre o Papa Francisco cujas tomadas de posição têm sido acatadas por uns e, por outros, discretamente silenciadas, deturpadas ou até omitidas. É sobre esta particularidade, no que à igreja católica portuguesa se refere, que nos podemos centrar. Mais uma vez clarifico que, no presente contexto, a igreja é tomada no seu sentido restrito, isto é, a sua hierarquia dirigente e não os seus fiéis que apesar de tudo os seguem, até com alguma perplexidade, face às suas tomadas de posição.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Do que percebe de declarações de clérigos de base ou da mais alta hierarquia da igreja portuguesa há um descontentamento velado e murmúrios discretos acerca das posições do Papa e da estratégia seguida para a “envangelização” da própria hierarquia.  Esses murmúrios mostram dissidências contra o Papa.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Os clérigos estão dececionados porque estão a ser postas em causa as suas prerrogativas e a tudo quanto seja o sentimento de poder face aos fiéis. Sentem-se expostos publicamente e interiormente comprometidos pelas críticas que a alguns tem vindo a ser dirigidas por aquele se acredita ser o representante de Cristo na Terra.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Num artigo escrito em agosto de 2017 no &lt;a href=&quot;http://www.jesuitas.co/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;sítio Jesuítas Colômbia&lt;/a&gt; por Alberto Maggi também citado em setembro de 2017, Frei Bento Domingues num artigo de opinião publicado no jornal Público, afirma que “nunca pensaram que Bergoglio teria a intenção de reformar a Cúria romana, de eliminar os seus privilégios ou de que ele flagelaria as vaidades do clero. A sua simples presença, simples e espontânea, é uma constante acusação contra os pomposos prelados, os faraós anacrônicos cheios de si mesmos ...”. Mais adiante o mesmo autor afirma que os clérigos, os sacerdotes estavam,” acima do povo, e agora este Papa convida-os a descer e colocarem-se ao serviço dele. “.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Parte do clero português sente-se desapontado e deslocado devido a terem sido destinados para o estrito cumprimento da doutrina, indiferentes às pessoas, agora não sabem como comportar-se. A sua humanidade atrofiou-se no estrito cumprimento das normas da Igreja e os fiéis são seres passivos, a maior parte pelo menos, são despojados da consciência de si próprios e do mundo que os rodeia para se centrarem na consciência que os mentores da religião que professam lhes impõem em nome da divindade.   &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Dececionados estão clérigos e a sua hierarquia, tradicionalistas e conservadores agarrados ao passado. Para estes o Papa é um traidor que está a trazer a ruína à igreja. Diria antes a ruína ao poder clerical.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Este conservadorismo da igreja portuguesa é atávico, com características do passado em ideias, costumes e métodos enraizados e com dificuldade de se adaptar à mudança. A instituição clerical da igreja ao longo do processo histórico soube sempre dominar e controlar, ou se caso disso, aliar-se a classes sociais, pertença dos mais ricos e poderosos que, piedosamente, em conluio com a clerical igreja, contribuíam com caridadezinha para satisfação do seu sentimento de cristandade e ganho do céu com a subserviência da outra maioria arrastada como rebanho.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A clerical igreja sempre serviu ao lado dos possuidores de riqueza e de poder não hesitando me induzir os fiéis com homilias retóricas através da criação de texto fortemente persuasivos de cariz aparentemente religioso, adulterando na sua pregação o evangelho ou, até, selecionando partes cuja interpretação possa ser ambígua, difundindo dissimuladamente certas ideias ou doutrinas de tendência político ideológica perfilhadas por certos meios e poderes. Acontece, nomeadamente, nos meios rurais onde, população menos atenta ou preparada, e frequentadora da igreja local é mais recetiva à palavra do evangelho, segundo o prior da freguesia. E, quando este não satisfaz, pela sua abertura de mente, as ideias induzidas pelo anterior pároco afloram e há manifestação na aldeia.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;No dia 7 de fevereiro do ano corrente, no Salão Paul VI do Vaticano, na audiência geral, o Papa Francisco pediu aos sacerdotes que “&lt;a href=&quot;https://es.aleteia.org/2018/02/07/el-papa-homilias-aburridas-largas-e-incomprensibles-por-favor/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;não forçassem os fiéis com homilias longas, desfocadas e incompreensíveis&lt;/a&gt;”, advertindo também para o obstáculo do preconceito. Aconselhou, mas ao mesmo tempo criticando, as homilias longas e, sobre a preparação de uma homilia, pediu aos sacerdotes, aos diáconos, aos bispos para “prepararem com a oração, com o estudo da Palavra de Deus e fazendo uma síntese clara e breve: não deve ir além de dez minutos. Por favor!&quot;.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A igreja católica portuguesa ao longo dos tempos revelou primor e dedicação ao obscurantismo, opondo-se ao progresso pelo facto o considerar perigoso para a sua estabilidade, pensamento idêntico ao do salazarismo no aspeto social. A igreja não se opõe a uma nova visão da sociedade e do cristianismo proposto por este Papa, resiste-lhe com todas as suas forças. É tudo uma questão de privilégios que as hierarquias da igreja portuguesa veem com preocupação. No antigo regime o poder clerical da igreja portuguesa foi a grande aliada do poder, dito laico, antidemocrático então instituído este também aliado da igreja. Interessava que as classes sociais não dominantes fossem docilizadas, acomodados e conformados pela igreja e esta cumpriu bem a sua missão ao longo das décadas com algumas exceções ocorridas aqui e ali que contrariavam o processo oficial estimulando condutas rígida para disciplinar o comportamento religioso e político dos fiéis. Esta visão ainda está muito presente não apenas na igreja católica portuguesa, mas também na maioria dos seus fiéis.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Salvo raríssimas exceções a igreja católica aceita com olhar de desagrado quaisquer políticas de esquerda mesmo que estas sejam em benefício dos mais desfavorecidos. No passado sempre teve, e quer continuar a ter no presente e no futuro, a primazia de ser a protetora dos desvalidos e dos desamparados para mostrar à sociedade que pratica a caridade em nome de Cristo com laivos de alguma hipocrisia e apoio de extratos sociais altos a ela ligados. Lembremo-nos da Inquisição no século XIV quando a igreja católica conluiada com a nobreza fazia julgamentos sumários e condenava à fogueira inocentes na mesma medida em que que louvava o Senhor e dizia praticar o Bem de acordo com a moral e a ética cristãs.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Com palavreado subtil muitos vão criticando o Papa Francisco porque extrapola muito deixando de falar do Evangelho de Nosso Senhor, para falar sobre as coisas do mundo e só fala em pobreza e em desigualdade.  E as coisas do mundo não interessam nem convêm desde que à igreja não digam respeito.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Para estes conservadores arreigados a igreja e os seus pastores devem servir os costumes tradicionais e exercer o culto através das suas liturgias pregando o Evangelho, mas não o seguindo a não ser com os olhares da conveniência estatutária da igreja.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Sem olhar para dentro de si a Igreja não deve ter o mando de criticar e ou aconselhar outros. A “nova” moral cristã que advém dos pregamentos de Cristo se por um lado não pode intrometer-se em política, por outro não deve estar de acordo com ideologias em que o individualismo exacerbado são práticas corrente servindo-se dos princípios da Igreja cristã para fomentar a manutenção das desigualdades extremadas das sociedades em que é usual aliar a prática da caridade com outros interesses.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Há alguns meses o Papa Francisco alertou para a “dramática desigualdade” de rendimentos entre ricos e pobres, numa audiência aos participantes no congresso que evocou os 50 ano da encíclica ‘Populorum Progressio’, de Paulo VI. Esta mensagem nada tem a ver com ser contra os ricos, mas a Igreja portuguesa tem o dever de não estar do lado do dinheiro porque &quot;O dinheiro deve servir e não governar&quot;, e a Igreja católica, juntamente com os mais ricos tem a obrigação de, não apenas de ajudar os mais necessitados, mas, mais ainda, respeitá-los, educa-los e, sobretudo, promovê-los socialmente.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Embora não concorde na íntegra com aquela posição, pois parece passar a mensagem de que os ricos são uma espécie de lepra da sociedade, o ponto de vista é parece ser mais o acesso ao poder pelo dinheiro e para o enriquecimento de alguns e, onde, há dinheiro por vezes a Igreja também lá está não expressamente envolvida. Pode &lt;a href=&quot;https://www.dn.pt/globo/europa/interior/papa-diz-que-exclusao-e-desigualdade-social-provocarao-a-explosao-3554319.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;ver aqui extratos da exortação apostólica do Papa Francisco &quot;Evangelii Gaudium&quot;&lt;/a&gt; (A Alegria do Evangelho).&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Desde quando é que os princípios éticos, morais e sociais da doutrina cristã revelada, não se devem aplicar à vida quotidiana? &lt;/p&gt;</description>
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