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O desemprego, independentemente da sua causa, para além de ser um flagelo social e económico é ainda um tormento para famílias e trabalhadores isolados que sofrem e sofreram da sua perda. Vivemos num sistema de economia de mercado onde as empresas sobrevivem apenas se tiverem resultados positivos. Quando estes resultados não se verificam há que garantir a viabilidade das empresas e então começa aquilo a que habitualmente se designa por reestruturação.

No mundo globalizado em que vivemos existe a necessidade de as empresas estarem atentas às mudanças políticas, económicas e sociais que ocorrem num país poderão vir a interferir com o desempenho e desenvolvimento empresarial.

A estratégia da reestruturação duma empresa é utilizada entre outras quando da aquisição ou fusão de outra empresa; quando existe a necessidade de mudança no segmento de negócio da empresa com um reposicionamento no mercado como reforço sua posição; quando a empresa está a atravessar dificuldades financeiras, quebra nos negócios, dívidas com bancos etc.

No entanto, para algumas empresas, a reestruturação não é mais do que um eufemismo para justificarem a dispensa de pessoal sendo os trabalhadores a pagar a crise empresarial que, não tendo causas macroeconómicas nem sociais, não poucas vezes, é resultado da má gestão dos empresários ou dos seus mandantes.

As empresas procuram um ajuste ou uma mudança para continuar a sobreviver, poder aumentar o lucro e produzir maiores resultados para seus acionistas ou donos. É esse um dos objetivos em regime de economia de mercado. N maior parte dos casos a dita reestruturação tem como alvo em primeiro lugar os recursos humanos com vista à demissão de funcionários ou de outras medidas lesivas dos seus interesses. A reestruturação pode também ser feita simulando ou provocando uma situação de falência, ou através da venda da empresa com a consequente redução de substituir e ou reduzir trabalhadores.

Numa economia liberal e de livre concorrência um governo, sendo a instância máxima de administração executiva, geralmente reconhecida tendo a liderança de um Estado, que não adote doutrinas ou ideias coletivistas, deve ser apenas um regulador, não devendo, não podendo intervir nem intrometer-se nas políticas empresariais. Sobre este tipo de intervenção tem-se o exemplo real do tempo do governo de Vasco Gonçalves, que governou o país entre julho de 1974 e setembro de 1975, e que adotou políticas intervencionistas indiscriminadamente em empresas em dificuldades, ainda que fossem pequenas empresas. O objetivo era, nessa altura, a coletivização da economia. Os sindicatos sob a área de influência do PCP ajudaram trabalhadores a destruir, sem o saberem, as empresas onde trabalhavam, sei do que estou a falar.

Muitos dos sindicatos na esfera da CGTP dizendo-se contra o “patronato” envolvem os trabalhadores através da manipulação verbal fazendo tentativas, a maior parte das vezes falhadas, para retroceder o processo e ao mesmo tempo ter visibilidade da comunicação social para mostrar que defende os trabalhadores. Claro que, face aos acontecimentos a presença de um sindicato, ainda que nada adiante, é sempre uma esperança para quem está em vias de perder o seu sustento.

Veja-se o caso da Triumph cujo processo culminou no despedimento coletivo e, mesmo assim, puseram os trabalhadores ao fim de 20 dias de “luta” a soltar gritos de vitória apenas e porque lhe foi passado pela administração da insolvência o documento para o fundo do desemprego.

O caso da Autoeuropa é ainda mais complexo porque em vez de negociações inteligentes que promovam a manutenção dos postos de trabalho, há oportunistas que querem o sol e a lua o que poderá, a prazo, vir a ser prejudicial aos próprios trabalhadores.

João Vieira Pereira numa opinião publicada no semanário Expresso vê assim o problema:

“… há uma parte da sociedade, nomeadamente a ligada a   partidos políticos ou outros lobbies que, de forma conservadora, insistem em ver o mundo do trabalho como foi retratado por Joel e   Ethan Coen no fantástico filme Hudsucker — (o grande salto). As novas   empresas já não são comandadas por um grupo de velhos gordos que   exploram ao máximo os trabalhadores contra um salário mínimo em   troca de tarefas repetidas à exaustão sem nexo aparente. As empresas   evoluem cada vez mais ao sabor dos clientes e não dos acionistas. Isso   obriga à alteração de horários e à adaptação do colaborador e da   empresa.   Se quem trabalha na Autoeuropa não percebe isto então pode dizer   adeus ao seu emprego. Chegará o dia em que a empresa procurará quem   perceba. Não porque querem maximizar o lucro, mas porque disso   depende a sua sobrevivência. E claro que tudo isto tem custos sociais e   cabe às empresas os corrigir, seja através de condições financeiras ou   outros similares.”.    

Mais uma vez, cá para mim, podem chamar-me o que quiserem.

 

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publicado às 00:08


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