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Governo e Políticas. Debates, COMENTÁRIO e OPINIÃO - Sociedade, Comunicação e Política

Comunicações e opiniões pessoais sobre o dia a dia da política e da sociedade. O que outros pensam e comentam sobre a sociedade, política, economia e educação.

Composição do XXII Governo Constitucional um pesadelo de gestão

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Acho que António Costa não terá perdido o bom senso ao constituir ou deixar-se levar a constituir um governo com uma dimensão que raia os limites do absurdo. Que razões terão levado António Costa a tal feito que contraria o que Descartes escreveu na primeira parte do seu Discurso do Método que transcrevo a seguir?  

INEXISTE NO MUNDO coisa mais bem distribuída que o bom senso, visto que cada indivíduo acredita ser tão bem provido dele que mesmo os mais difíceis de satisfazer em qualquer outro aspecto não costumam desejar possuí-lo mais do que já possuem. E é improvável que todos se enganem a esse respeito; mas isso é antes uma prova de que o poder de julgar de forma correta e discernir entre o verdadeiro e o falso, que é justamente o que é denominado bom senso ou razão, é igual em todos os homens; e, assim sendo, de que a diversidade de nossas opiniões não se origina do fato de serem alguns mais racionais que outros, mas apenas de dirigirmos os nossos pensamentos por caminhos diferentes e não considerarmos as mesmas coisas. Pois é insuficiente ter o espírito bom, o mais importante é aplicá-lo bem.” (Descartes, Discurso do Método).

 

Escrito de outra forma:

 

O bom senso é a coisa do mundo melhor partilhada, pois cada qual pensa estar tão bem provido dele, mesmo os que são mais difíceis de contentar em qualquer outra coisa não costumam desejar tê-lo mais do que o têm. E não é verossímil que todos se enganem a tal respeito; mas isso antes testemunha que o poder de bem julgar e distinguir o verdadeiro do falso, que é propriamente o que se denomina bom senso ou a razão, é naturalmente igual em todos os homens; e, assim sendo, que a diversidade das nossas opiniões não provém do facto de serem uns mais racionais do que outros, mas somente de conduzirmos os nossos pensamentos por vias diversas e não considerarmos as mesmas coisas. Pois não é suficiente ter o espírito bom, o principal é aplicá-lo bem.

Ora, parece-me que a constituição do Governo e os novos ministérios criados que serão, em princípio, para durar quatro anos não tenham sido constituídos tendo como base o critério do bom senso. António Costa terá tido as suas razões e justificações, ou de quem lhas impingiu, com que objetivos não sabemos.

É do senso comum que uma reunião qualquer que seja com elementos a partir decerto número torna-se disfuncional. Imagine-se agora uma reunião com todos os ministros e secretários de estado com tão o elevado número. Não era uma reunião era uma espécie de comício.

Para além da despesa com pessoal, embora se diga que não é muito relevante, o que custa a acreditar, há a considerar também o problema da logística, das instalações e de todo o pessoal do chamado staff de apoio que vai ter custos.

O Partido Socialista, quando está no Governo parece ter uma obsessão pela despesa e pelos gastos desnecessários. Por outro lado, há o problema da funcionalidade da coordenação e da comunicação interdepartamental que poderá arrastar-se no tempo até que se tome uma decisão, até mesmo nos Conselhos de Ministros devido à quantidade de membros envolvidos.

Esperemos que na comunicação social não comecem a acontecer intervenções de ministros ou de secretários de estado que, desconhecendo o que outro disse, não surjam declarações contraditórias ou de desautorização sobre o mesmo tema entre os diferentes intervenientes, o que, mesmo com governos mais reduzidos já tem verificado.

Para António Costa resta-lhe esperar que tudo corra bem, já que vai ter dificuldades acrescidas para saber tudo o que se passará em cada um dos departamentos para responder quando interpelado pelos media que seja relevante para a governação e onde, por vezes, poderá haver interseção de competências.