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Isabel dos Santos.png

Desconfianças havia, mas aqui no nosso país só timidamente se falava nos negócios de Isabel do Santos. Não há capital em Portugal para grandes investimentos, precisamos deles como de pão para a boca, assim, o fazer de conta que nada se passa é a melhor estratégia e a pergunta era: e se a coisa saísse furada? E saiu.

Agora todos falamos dos negócios e das atividades de Isabel dos Santos, das ilegalidades, dos desvios de capitais para paraísos fiscais, acusada de ser a mulher mais rica do continente africano. As televisões recuperam peças gravadas com imagens de Isabel acompanhada por anteriores ministros portugueses de anteriores governos. No parlamento a direita questiona governo sobre a proteção de empresas em que presumivelmente Isabel dos Santos terá participações dando a ideia de que, em caso de ilegalidades, o Governo deveria de entrevir para as proteger, o que aparentemente revelava alguns receios de quem alguém metido ao barulho pudesse ficar prejudicado. Santos Silva respondeu assim: “A melhor maneira de defender [as empresas, os trabalhadores e a economia portuguesa] é cumprindo a lei e sendo implacável no combate a práticas de corrupção, práticas cleptocráticas ou outras práticas indevidas”.

Não existe mal nenhum em ser rico, o mal está como essa riqueza foi obtida. Pode ter sido à custa de espoliar o povo de Angola. E foi. E, como sempre, quando tal acontece, o povo é que paga. 

Como de costume os sujeitos denunciados apressam-se a dar entrevistas onde pretendem negar acusações e mostrar que há objetivos obscuros contra eles. Este caso também não fugiu à regra, Isabel dos Santos, numa entrevista à BBC, nega tudo dizendo que tudo baseia-se em “documentos e informações falsos” e que é coordenada pelo Estado de Angola, de quem acusa de fazer um “ataque político”. Se são documentos falsos então terá de provar que o são ou, então, onde foram obtidos e onde está a falsidade. Argumentou ainda que "as autoridades angolanas embarcaram numa caça às bruxas”.

Isabel vai mais longe e recorre ao argumento do racismo e colonialismo ao dizer segundo o jornal eletrónico ECO que “Hoje com tristeza continuo a ver o ‘racismo’ e ‘preconceito’ da Sic e Expresso, fazendo recordar a era ‘colónias’ em que nenhum africano pode valer o mesmo que um ‘Europeu'”, refere um tweet de Isabel dos Santos publicado escassos minutos antes da publicação desta reportagem no site do jornal Expresso. Caso curioso parece que a SIC e o Expresso são racistas. Algo de que algum africano não gosta ou pelo qual é criticado ou condenado por algo passou a ser racismo. Agora também é racismo denunciar possíveis ilegalidades, fraudes e cleptocracia desde que sejam africanos.

A teia, descoberta pela ICIJ - International Consortium Investigate Journalists iniciou um coro contra Isabel dos Santos a nível mundial e em Portugal. O tema do dia passou a ser o caso Isabel, motivo de comentários e opiniões. Eu, cá por mim, não comento e fico calado sobre o assunto, apesar de sempre me ter questionado sobre como, por obra de varinha mágica, tal pessoa passou a comprar e a ter participações em empresas e a gerar um enriquecimento que geraram valor de muito milhões.

 Sem conhecimento de facto fico por aqui e limito-me apena a divulgar as informações que a ICIJ dá a conhecer, como esta que abaixo transcrevo.

Foi apenas 24 horas depois que publicámos o Luanda Leaks que o presidente da PwC – Pricewaterhouse Coopers, Bob Moritz, disse que estava "chocado e dececionado" porque a sua empresa aconselhou as empresas de propriedade da mulher mais rica da África, Isabel dos Santos.

A reação, que veio à margem do Fórum Económico Mundial em Davos, realça a forma como o Luanda Leaks se estende muito além das fronteiras de Angola.

O nosso repórter-chefe, Ben Hallman, partilha cinco razões pelas quais luanda Leaks é mais do que apenas uma investigação sobre Angola. Apesar do nome, a nossa exposição revela como a indústria offshore (lar de parte da riqueza de Santos) é um problema global. Ele também revela uma rede de contabilistas, advogados e outros especialistas dispostos a ajudar, a mover e a esconder a riqueza ilícita.

O presidente da PwC, Bob Moritz, não foi a única pessoa a responder a Luanda Leaks nos últimos dois dias. A administração do banco português Eurobic, na qual Isabel dos Santos detém uma participação de 42,5%, encerrou a sua relação comercial com a empresária e "pessoas intimamente relacionadas" a ela. Em Angola, o procurador-geral disse que iria usar "todos os meios possíveis" para levar dos Santos de volta ao país. Outros países estão agora debruçados sobre a nossa investigação.

Supondo que vocês tenham conhecimento das nossas histórias principais, destaca-se o trabalho da nossa equipe de pesquisa para revelar mais de 400 empresas ligadas com Santos e o seu marido – que podem baixar e explorar por vocês mesmos! Se os documentos são mais a sua coisa, então você pode ler cerca de 100 documentos do leak que foram publicados.

 

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publicado às 18:30



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