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As diatribes de um deputado hipócrita

por Manuel AR, em 18.02.20

O que é preocupante não são as minorias barulhentas que se manifestam ruidosamente nas ruas, estádios e noutros locais. O que é preocupante são essas minorias e grupelhos que se encontram no silêncio, mas que têm pontas de lança na política que os representam.

Ventura e racismo.png

A TVI concedeu a André Ventura espaço para derramar o seu azedume acumulado contra todos os que se têm manifestado, incluindo a imprensa internacional, contra o que aconteceu com o jogador Marega no jogo entre o V. de Guimarães e F. C. do Porto. Ventura teve o seu momento ZEN de trafulhice intelectual emanada da sua mente vazia para poder fazer, como de costume, política populista e arruaceira.  

André Ventura do partido Chega vomitou ontem no Jornal das 8 da TVI um raciocínio espantosamente verborreico sobre o acontecimento Marega. Ficou claro para Ventura, e só para ele, que não há racismo no futebol. Miguel Sousa Tavares colocou-lhe questões pertinentes. Ventura mostrou ser uma espécie de besta ululante e negacionista remetendo o epíteto de hipócritas para todos os que condenaram publicamente o acontecimento. Da direita à esquerda, incluindo o Presidente da República e o Primeiro-ministro, foi ele o único que não condenou o caso. São hipócritas segundo as suas justificações.

Ventura, mostrando agitação e nervosismo, comportou-se como uma espécie de  comicieiro que pretende fazer passar os seus pontos de vista através de um discurso incoerente, disperso, apressado e repetitivo, afastando-se do tema central para fugir às perguntas e dúvidas, para ele incómodas, e para o qual terá sido convidado. Falou nos polícias e nas agressões, feitas durante o estabelecimento da ordem pública, falou num bombeiro, e noutros casos que em nada tinham a ver com o tema central, etc., etc...

A estratégia de Ventura era consumir o tempo de antena disponível tornando, na prática, a entrevista num monólogo em que debitava argumentos para escapar às respostas, se tal se pode chamar à chusma de dispartes enviesados, eivados de incoerência e fora do contexto do tema real do momento.

Hilariante e hipócrita foi também a declaração feita por Ventura logo no início, afirmando que não era racista nem xenófobo e que todos os outros são hipócritas dizendo: “condeno veementemente qualquer atitude racista, xenófoba e menorização por preconceito social” e mais, “é uma condenação sem hesitação” e, ainda “temos que acabar com isto, nós não temos um problema de racismo estrutural em Portugal”. Frases estas que mais parecem ser de lavagem e de negação do que tem dito e escrito em ocasiões anteriores. O descaramento intelectual deste sujeito é uma evidência incontornável para quem tem acompanhado as suas diatribes, quer na Assembleia da República, quer nas redes sociais quer em artigos de opinião.

Esta criatura, quando confrontada com pedidos de esclarecimento em público, nega “veementemente” atitudes e tudo o que disse anteriormente. Convém-lhe, nessas ocasiões, vestir a capa da moderação que tem reservada no armário bafiento das suas ideias para certas alturas mais complicadas em que possa estar envolvido.

Para além de nos chamar hipócritas a todos os que não estão em sintonia nem concordam com ele, pretende, ainda, fazer-nos passar por parvos, coisa que, nós portugueses, não gostamos nada que nos chamem. Parvos e hipócritas será ele e os do seu séquito de mentes vazias. Sobre os cânticos racistas no estádio fugiu à questão, dizendo que não viu e que aguarda pela investigação. Tretas!

Ventura diz que o acontecimento que se passou com Marega não é uma questão de racismo. Ah não? Então, e se o caso tivesse tido como protagonista um jogador branco teriam sido entoados esses mesmos ganidos sobre a forma de cantos racistas e impropérios contra ele? O que é que essa mente “politicamente esclarecida” teria a dizer?

É certo que, durante esses jogos, adeptos proferem as mais diversas ofensas a jogadores brancos, quando algo não acontece como eles desejariam. Outra coisa são as atitudes com cunho vincadamente relacionado com etnia ou com cor da pele.

O que é preocupante não são as minorias barulhentas que se manifestam ruidosamente nas ruas, estádios e noutros locais. O que é preocupante são essas minorias e grupelhos que se ocultam em silêncio, mas que têm pontas de lança não só na política como no futebol. Estes também ainda se fazem ouvir em alguns órgãos da comunicação social que, com o seu palavreado tentam lavar acontecimentos em consonância com os “venturas” que por aí andam nos cafés, nas churrasqueiras, bairros e outros locais onde o André angaria facilmente adeptos, talvez por ser do Benfica. São estes os mais perigosos.

São manifestas as orientações ideológicas de André Ventura já que conforme um artigo publicado no jornal Público “Ventura foi explicitamente racista e xenófobo contra uma colega deputada, ato reconhecido como discriminatório por todos os outros partidos, assim como o Presidente da Assembleia da República, nazis foram reconhecidos nos órgãos de direção do partido, uma saudação nazi foi feita num comício sem que André Ventura reagisse, neonazis já condenados como Mário Machado demonstraram o seu apoio ao partido. Os seus apoiantes atacam adversários nas redes sociais, insultam, fazem ameaças físicas e até de morte, concertam-se para deitar abaixo páginas e blogs, fazendo reinar um clima ditatorial, tentando impor o silêncio próprio dos regimes fascistas a quem ousa pôr em causa o líder” (in jornal Público).

E nos entretantos da intervenção de Ventura na TVI no topo do bolo cai a cereja. Para cúmulo da bazófia, lá foi afirmando com convicção que virá ser primeiro-ministro de Portugal. Onde é que já ouvimos isto? Ah!, já sei, foi Assunção Cristas quando era líder do CDS. Mas, apesar de tudo, com essa e com o seu partido sabemos com que contamos.

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publicado às 15:48



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