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Em Portugal o problema da Grécia tem provocado comentários e análises motivados por preconceitos partidários e ideológicos que chegam ao ponto do irracional como os comentários de Luís Pedro Nunes, diretor do Inimigo Público, que pretende ter graça e satirizar mas que de graça nada tem. Em vez de distanciamento e isenção que se esperaria por parte de comentadores e analistas políticos, formando e informando, o que se vê é desinformação e tropeços em comentários emocionais, ideológica e tendencialmente partidarizados.

Os senhores que mandam na Europa não se dão bem com a esquerda, mas dá o seu beneplácito a governos de direita em coligação com sociais-democratas que lhe sejam fiéis e obedientes. É isto que está em cima da mesa, daí a teimosia dos dirigentes europeus que vêm com desagrado e querem fazer com que seja um mau exemplo para se no futuro chegarem ao poder partidos de esquerda mesmo que democraticamente eleitos. Chamam-lhe esquerda radical mas onde está a outra, a não radical? Essa já foi há muito absorvida deixando de ter representação significativa.

Há que reconheçer que a responsabilidade é de todos, políticos, governos, do povo, e dos líderes europeus mas parece que estes últimos não querem assumir as suas responsabilidades e centram-se apenas em arranjar formas de fazer cair um governo apenas por ser duma esquerda não-alinhada com as propostas que lhe querem impor.

O problema é, por isso, mais político do que financeiro e económico. Não é com vinagre que se apanham moscas diz o povo. A direita que toma posições radicais e que governa a europa, onde Portugal também se encontra, preferiu utilizar sprays fortíssimos para afastar uma espécie de moscas que lhe vieram cair em cima do prato.

É necessário ter em conta que não se trata de moscas mas de um país que foi enfraquecido por medicamentos que era suposto fortificá-lo mas que o colocaram num estado de tal depauperação que está em vias de não conseguir sequer levantar-se. No entanto, quem nos governa na Europa quer mostrar para a opinião pública que já reduziu o máximo que podia o princípio ativo do medicamento prescrito que estavam a obrigar os gregos a ingerir. Mas este princípio ativo não ajuda à cura da doença mas colocar o doente num estado de letargia durante anos.

Vamos ser objetivos, têm sido identificados na Grécia situações como evasão fiscal, a falta de agilização na cobrança de impostos, a corrupção, mau funcionamento dos tribunais administrativos, problemas de oligopólios, nas profissões, etc.. A quem devemos imputar a responsabilidade disso senão aos governos anteriores que fora socialistas, direita e de centro direita de coligação e outras fórmulas mágicas de coligações que nunca conseguiram por falta de vontade política, comprometimento com o status quo e porque nunca quiseram tocar em privilégios instalados durante anos.

A Grécia tem responsabilidades de estar na situação em que se encontra, mas a responsabilidade não é, por certo, do Syriza que nunca esteve sozinho no governo da Grécia nem sob a forma de qualquer coligação. O Syriza está no Governo da Grécia como consequência do que fizeram os governos antecedentes.

É bom recordar que em 23 de abril de 2010 o Governo da Grécia era liderado por Papandreou do partido socialista, altura em que foi pedido o primeiro resgate financeiro devido à crise europeia fazendo entrar 100 mil milhões de euros provenientes das três entidades internacionais (União Europeia, Banco Central Europeu e FMI). Em março de 2012 recorre a um segundo resgate de 130 mil milhões que entraram até finais de 2014. O resultado das condições impostas pela troika ao governo de Atenas, com Samaras da Nova Democracia então no poder, não foram cumpridas e as que o foram também não resultaram apesar dos extremos sacrifícios a que sujeitaram o povo grego.

Ao aceitar o empréstimo da troika em troca de €245,6 mil milhões de euros de maio de 2010 a março de 2016, o Governo comprometia-se à da implementação de reformas económicas, privatizações e medidas de austeridade.

No momento de uma das avaliações a troika encontrou um desfasamento no cumprimento das metas do plano de cerca de 2,5 mil milhões de euros nas contas e pedia medidas acrescidas de austeridade mas o Governo insistia nas suas contas que eram as corretas e sujeitou-as ao parlamento que as aprovou.

Para Mariana Mazzucato do The Guardian o problema da Grécia não pode ser resolvido com cortes e mais cortes e acrescenta que "o problema da Grécia nunca foi um problema de liquidez mas de solvência, ou seja, a sua incapacidade para cumprir os compromissos com os recursos que constituem seu património ou ativo. Foi a crise da competitividade agravada pela crise financeira. A crise grega não aguentando mais cortes deveria ser direcionada uma estratégia de investimento sério, acompanhado por reformas sérias do Estado e da fiscalidade tendo em vista a competitividade. A insistência no status quo de mais austeridade produz uma Grécia cada vez mais fraca, com mais desemprego e mais perda de competitividade."

A Grécia tem problemas que quer resolver mas precisa do apoio da União Europeia que lho está a negar apenas, e só, por mero preconceito e receio de que outros países possam seguir-lhe o exemplo de se atreverem a votar em partidos que não são aceites por governos que pretendem ser dominantes e hegemónicos. A estratégia tem sido dominar e controlar pacificamente outros países mais fracos, através de governos subservientes que não lhes crie problemas, de modo a possam ficar no domínio da sua influência e da qual não se possam libertar. É uma espécie de colonialismo dos tempos moderno através da finança, isto é, uma forma de domínio económico, político e social, exercido por um país sobre outro, separado geograficamente dele.

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